Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Horror na Espanha: repercussões
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Cia dos Comuns encena a peça "Silêncio"
"SILÊNCIO"
CURTA TEMPORADA
DE 13 A 23 DE MARÇO
QUINTA E SEXTA - 19:30 - SÁBADO E DOMINGO - 20:00
Teatro Gláucio Gil, Pça. Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana -
Ao lado da estação do Metrô - Tel: (21) 2299 5581
INGRESSOS:
Inteira - 20,00 / Meia - 10,00 / Promocional - 5,00
Promoção somente para Pré-vestibulares, Escolas, Associações de moradores, Ongs e Rádios Comunitárias
Informações p/promoção: Cia dos Comuns - (21) 2242 0606 ? www.comuns.com.br
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 14 ANOS
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Resolvendo falha de atualização do Compiz no Fedora 8
[kagesenshi-compiz]
name=KageSenshi's Compiz Fusion repository
baseurl=http://devel.foss.org.my/~kagesenshi/repo/pub/$basearch/
enabled=1
gpgcheck=0
Qualquer dúvida, vá ao link:
http://blog.kagesenshi.org/2007/06/compiz-fusion-repository-for-fedora-7.html
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Em Cuba, não se discute o retorno ao capitalismo
Link: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/especiais/cuba-fidel/em-cuba-nao-se-discute-o-retorno-ao-capitalismo
Filme sobre o negro no Brasil causa debates quentes nos EUA
Veja o link com algumas partes do filme:
http://www.pbs.org/wnet/wideangle/shows/brazil2/index.html#videoplayer
MOVIMENTO INTERNACIONAL DE REPARAÇÃO
JORGE DE ASSIS,
CAMPOS DOS GOYTACAZES-RJ
Carlos Nobre Nobre escreveu:
Amigos e amigas,
No próximo sábado, dia 12 de janeiro, em Bruxelas, acontece um evento que nenhum jornal do mundo vai dar. Então, as resultantes deste evento ficarão por conta das informações que virão via internet.
Mas que evento é esse ?
Trata-se do protesto contra o APE ( Acordo de Parceria Econômica) proposto pela União Européia a OUA ( Organização dos Paises Africanos da Unidade Africana). Os organizadores deste evento são as seguintes entidades:
* CPE (Coordination Paysanne Européenne)
* CBB (Confédération des Betteraviers Belges)
* FWA (Fédération Wallonne de l'Agriculture), Belgique
* COAG (Coordinadora de Agriculutroes y Ganaderos), Espagne
* FETAF ( Federação dos Trabalhadores Africanos na França)
A diáspora africana na Europa criou um coletivo ( vinte responsáveis das associações africanas em
Paris) para lutar contra o APE. Eles estão recebendo apoio do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade.
E o que quer esse APE ?
Quer comprar os produtos agrícolas dos países africanos durante um certo período até que os africanos possam se capitalizar com os investimentos feitos pela União Européia, e assim sair do eterno subdesenvolvimento, ingressando numa era de prosperidade econômica sem fim.
Intelectuais do Senegal foram os primeiros a ficarem com um pé atrás quando souberam da proposta. As dúvidas se estenderam para outros paises africanos. Afinal, por que cargas d'água a União Européia vem agora com a história de comprar todos os produtos agrícolas africanos a preços relativamente muito interessantes se historicamente a relação tinha sido inversa? Além do mais, os africanos não têm assim bons produtos agrícolas para serem consumidos pelas elites metropolitanas dos países europeus. O que estava por detrás do APE, perguntaram alguns intelectuais africanos.
Eles raciocinaram o seguinte: com o crescimento do movimento internacional de reparação ( todos os dias surgem sites, blogs, jornais, movimentos, ONGs, debates, análises jurídicas, discussões aprofundadas sobre o assunto) nos guetos europeus, dos EUA e da América Latina, a União Européia veio com uma jogada para botar água fria nesse movimento instigante que não pára de crescer na diáspora africana.
Isto implica que a União Européia terá que pagar muito caro, caso o movimento cresça e se torne uma opção política dos negros da diáspora.
E não é somente a União Européia que percebe que chegou o momento de ser feito algo de peso em beneficio da África e de seus descendentes na diáspora. Na IV Conferência Internacional de Nitrogênio, realizada na Costa do Sauípe, Bahia, o economista Jeffrey Sachs, diretor do Instituto Terra, da Universidade de Columbia, EUA, pediu a criação um fundo agrícola pela ONU para beneficiar os países africanos, cujas agriculturas não conseguem dar o salto de produtividade para ingressar num estágio mais avançado. Na verdade, Sachs ensaiara pelo lado norte-americano, uma tentativa de reparação via ONU, tendo a agricultura outra vez como centro desta questão.
Segundo o jornalista senegalês Lansana Dabo, que esteve recentemente nos EUA, crescem no movimento negro norte-americano discussões sobre a reparação. Quem sabe inglês é só botar num site de busca a palavra "reparation". Intelectuais negros de todas as estirpes têm analisado por todos os ângulos em jornais negros como deve ser feita a reparação aos diferentes descendentes de africanos espalhados pela diáspora. Segundo Dabo, é um movimento sem volta.Nos países latinos e do Caribe, lembra ele, os movimentos negros também discutem como deve ser feita a reparação e seus dirigentes se espelham no movimento negro norte-americano. Aqui, no Rio de Janeiro, alguns intelectuais negros já se reúnem para organizar dentro de cinco meses o Seminário Internacional de Reparação: Brasil, África e Estados Unidos, onde haverá uma tentativa de tirar uma proposta jurídica unificada de reparação para os negr os das Américas e da África. Neste sentido, existe uma reação norte-americana e européia a estes movimentos. Afinal,os europeus foram aqueles povos que mais arrebentaram com as culturas africanas e das Américas com o processo
colonialista dos séculos XVI, XVII e XVIII e XIX, e depois com a partilha da África, no início do século XX.
Esta secular exploração européia na África e Américas foi é um crime contra a Humanidade como já defenderam diversos juristas internacionais. Existem uma pá de documentos jurídicos sobre isso que podem embassar tranquilamente uma ação mundial de reparação. Afinal, os judeus, até hoje, vêm recebendo das cortes internacionais reparações pelo tratamento que receberam dos nazistas na segunda guerra mundial.
No Brasil, existem precedentes óbvios: militantes de esquerda de classe média têm uma lei de reparações por eles terem sido torturados pela ditadura militar (1964-1985). Jornalistas têm uma lei que garante reparação por eles terem sido impedidos de trabalhar neste período dramático de nossa sociedade. Já houve casos de um jornalista ter conseguido reparação de R$ 2 milhões. Sem querer tripudiar, mas nosso atual presidente da República recebe mensalmente um salário de reparação pelo o que a ditadura militar fez com ele e contra o movimento operário do ABC paulista do final dos anos 1970.
Cientes de que a qualquer momento serão impactados pelo movimento de reparação mundial, a União Européia resolve se antecipar e lança então o APE e os negros africanos e da diáspora reagem. Não querem esta esmola. Querem uma reparação condigna onde todos os negros da diáspora possam ser reparados pelos crimes cometidos pelas nações européias na exploração dos continentes africano e americano.
Então, o movimento de 12 de janeiro de Bruxelas, na porta da sede ONU, ganha magnitude neste sentido. Os negros da diáspora querem propor outro tipo de reparação e não aceitam passivamente o APE.
Embora muitos não saibam, o Brasil tem uma ligação direta com a questão da reparação aos descendentes de africanos. Antes da Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, na África do Sul, em 2001, o publicitário Roberto de Carvalho, um dos fundadores do Afro-Liberal, no Rio de Janeiro, ingressou com uma petição de reparação pelo crime de escravismo contra o estado brasileiro no OEA (Organização dos Estados Americanos), que ainda espera a anexação de mais documentos para ter continuidade no plenário da Comissão Interamericana de Direitos Humanos a análise se cabe ao Brasil reparar os afrodescendentes pelo crime de escravidão .
Atualmente, no Brasil, sem que haja estardalhaço, os negros brasileiros estão organizando um "Congresso da Reparação", a ser realizado em maio de 2008. no Rio de Janeiro. A partir dos resultados deste congresso, se pretende ingressar juridicamente com pedido de reparação contra o estado brasileiro em relação ao crime do escravismo no Supremo Tribunal Federal ou numa corte de direitos humanos internacional.
Em minha opinião, essa questão é muita séria, e quer queira ou não, temos que pô-la no caminho diário de nossa reflexão pela melhoria de condições de vida de nossa população historicamente tão aviltada e desumanizada.
Abraços
Carlos Nobre
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Site com cursos on-line gratuitos sobre Java
Endereço do link do BR-Linux: http://br-linux.org/2008/site-com-cursos-on-line-gratuitos-sobre-java/
Endereço do JEDI: http://jedi.wv.com.br
Artistas africanos lançam cd no Brasil
"Fanta Konatê e Petit Mamady Keita", trazem as músicas tradicionais da etnia Malinkê (tronco linguístico Mandinga), preservadas desde o séc. XIII - Império de Mali.O CD foi gravado no Brasil, e possui um encarte de 22 páginas, com os textos sobre as músicas em 4 línguas, fotos dos artistas e de alguns temas representativos dessa cultura : Trabalho no Campo (KASSA) e Dança dos Homens Fortes (DUNUMBÁ).Recomendado a todas as pessoas, principalmente para professores e arte educadores (lei 10.639), músicos, ongs, associações, movimento negro e amantes da cultura africana.Fanta Konate é filha do Mestre Famoudou Konate www.famoudoukonate.com e Petit Mamady Keita foi iniciado por ele, aos 3 anos, conforme aparece no filme "Djembefolá" de Laurent Chevalier, sobre a vida de seu homônimo.(veja http://www.youtube.com/watch?v=cCa1ep-xC3U )Ambos são jovens representantes da cultura tradicional, com conhecimento muito profundo de toda a música e dança da Guiné, destacando-se o virtuosismo nos solos de Petit Mamady Keita neste disco.
Para adquirir seu CD, escreva para institutoafricaviva@gmail.com
ou ligue nos telefones 11 3368-6049 skype : djembedon1
MSN: institutoafricaviva@hotmail.com Site: www.fantakonate.com
O valor do CD é 25 reais, e estamos em Pinheiros, São Paulo , próximo ao Sesc e à Marginal. A compra pode ser feita :1 pessoalmente, na Sede do Instituto África Viva em São Paulo - pagamento em dinheiro, ou 2 via depósito em conta (CD+Frete), e apresentação do comprovante/número da operação por email. O CD é enviado pelo correio, conforme a necessidade (Sedex 10, Sedex e correio normal)Caso queira aquirir nossos CDs, por favor formalize um pedido no email fantamamadycd@yahoo.com.br, dizendo a quantidade de cds e qual tipo de compra. * Informe a disponibilidade de horário para vir buscar um cd, caso escolha a opção 1.
* Coloque o endereço, para que calculemos o frete, caso escolha a opção 2.Agradecemos a atenção.
Instituto África Viva
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Desabafo nas páginas da Raça Brasil
Os gastos do cartão da ministra.
Em nosso País sempre quiseram associar o racismo à questão de classe. É muito comum nos dias de hoje dizer que se o negro estudar e prosperar na vida a discriminação acaba. Em um período não muito distante, nos anos de chumbo, quando as diferenças ideológicas entre direita e esquerda eram mais acentuadas, ouvíamos com freqüência dos companheiros de esquerda a seguinte frase: "No dia em que a revolução vencer e construirmos uma sociedade mais justa e igualitária o problema do racismo acabará". Em contrapartida, ouvíamos da direita que esse mal só teria fim no dia em que o negro tivesse dinheiro e status para comprar tudo, inclusive a consciência dos racistas. Enquanto a utopia da revolução ou do enriquecimento que compra consciências não chega continuamos sendo indistintamente discriminados, seja qual for nossa posição ideológica ou cargo que ocupemos neste País.A face mais perversa desse racismo é exposta quando essa elite majoritariamente branca, acostumada a ocupar todos os espaços privilegiados dos quais ela se acha dona por direito, vê suas posições ameaçadas ou ocupadas por negros. Aí, sem disfarçar e muitas vezes com requintes de crueldade tenta nos punir com o que há de mais sórdido, que é questionar a posição ou atitude que teoricamente poderia ser exercida somente por brancos. Os exemplos vão dos mais banais, como a polícia parar um negro em um carro de luxo, que habitualmente seria ocupado por um branco, até o desrespeito às autoridades públicas negras.A história recente do País tem mostrado tratamentos diferentes quando o acusado é negro. Por, exemplo, em São Paulo, vários foram os prefeitos e até governadores acusados de desvio de dinheiro público; entre eles houve inclusive quem pregasse o slogan "Roubo, mas faço". Todos foram investigados, todos negaram e somente um foi afastado por Impeachment e saiu preso do Congresso Nacional, "coincidentemente", um negro, Celso Pitta.O atual Governo Federal tem sido campeão em investigações envolvendo seus auxiliares. Bastou apenas uma suspeita de uma viagem para "orar" com dinheiro público para que a ex-governadora e ministra Benedita da Silva fosse banida do governo e quase da vida pública brasileira, sem direito se quer de se defender, posição muito diferente da adotada com os vários brancos que posteriormente foram acusados de corrupção envolvendo milhões. Todos tiveram pleno direito de se defender, serem julgados ao bom tempo e gosto da justiça brasileira, e em alguns casos acabaram obtendo mais poder do que tinham antes das acusações. A bola da vez desse tratamento desleal e racista da elite brasileira tem sido a ministra Matilde Ribeiro, da Seppir - Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Em que pese o gasto demasiado da ministra em seu cartão corporativo, o que queremos refletir aqui é a forma como ela tem sido julgada, não pelo costumeiros milhões de verbas públicas que assistimos todos os dias nos noticiários, até porque isso nem seria possível, uma vez que sua secretaria conta com um dos menores orçamentos da União, abaixo, inclusive, de várias estatais. Mas a ministra está sendo julgada por gastar o seu cartão com aluguéis de carros e despesas em hotéis de luxo e viagens, benefícios permitidos apenas a elite branca neste País. O que mais deprime no racismo tupiniquim é que não se queira refletir que a maioria dos hotéis e os lugares onde a ministra tem gasto seu cartão, o negro só consegue entrar ou como serviçal ou na condição de ministro, e, se estiver na segunda posição, estará cumprindo um papel social que é o de disfarçar a vergonhosa exclusão em que estamos metidos neste País subdesenvolvido até na forma de expressar seu racismo. A maioria dos lugares onde, segundo as denúncias da imprensa, a ministra tem gasto seu cartão realmente só são freqüentados pela elite branca, o que logo nos faz levantar a dúvida, a indignação das denúncias se devem ao gasto do dinheiro público, ou a presença de uma mulher negra em um espaço branco dessa sociedade? Por que será que não foram concedidas as mesmas manchetes e o mesmo espaço para falar, por exemplo de outra negra, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que teria tido o menor gasto entre os ministros? Por que será que não se dá mesmo espaço que se deu, e com todos os méritos, quando o Governador José Serra, quando foi intitulado como melhor ministro da saúde do mundo, ao ministro Gilberto Gil, que recentemente no Canadá foi homenageado como melhor ministro da Cultura do mundo? Se juntarmos o dinheiro da passagem que derrubou Benedita da Silva, os gastos do cartão de Matilde Ribeiro não dão um milionésimo do que tem sido denunciado de desvios de verbas públicas Brasil nos últimos meses, porém se juntarmos os destaques e manchetes produzidas pelo gasto do cartão da ministra dá a impressão que está em curso uma revolução no País, e infelizmente não é na ética hipócrita das elites racistas brasileira.Maurício Pestana é presidente do conselho editorial da Revista Raça Brasilpestana.raca@escala.com.br
Gazeta Mercantil discute a questão racial: De onde vem a desigualdade?
De onde vem a desigualdade? (Claudia Mancini) Artigo Jornal Gazeta Mercantil 13 Fev 2008
O caro leitor que lê este artigo acha que a discriminacao racial e um fator que explica os vergonhosos niveis de desigualdade socieconômicos entre brancos e negros no Brasil? O brasileiro em geral não se considera racista, mas admite que a discriminacão esta espalhada pela sociedade - ou seja, os outros e que fazem discriminacão. Porém, para muitos essa discriminacão não é o obstáculo principal para a mobilidade social dos negros, porque o que conta mesmo para uma pessoa subir na escala socioeconômica é estudar, trabalhar muito e ter iniciativa, sem que a cor da pele e as origens sociais façam realmente a grande direrenca, afirma Rafael Guerreiro Osorio, do Centro Internacional de Pobreza do IPEA e das Organização das Nacões Unidas, em seu estudo - Is All Socioeconomic Inequality among Racial Groups in Brazil Caused by Racial Discrimination? - (Toda a desigualdade socieconômica entre grupos raciais no Brasil e causada pela discrminação racial?).
Para responder o titulo de seu estudo, disponivel no site www.undp.org, Osorio acompanhou a vida de uma fatia da populacão nascida entre 1973 e 1977, analisando dados a partir dai e durante os anos seguintes ate 2005. É uma metodologia diferente da usada em outros estudos, que consideram um ponto específico da vida adulta das pessoas e inferem o que aconteceu no passado delas com base no que conseguiram conquistar e com questionários sobre as condicões em que cresceram e as de seus pais, de forma a verificar a mobilidade de uma geracão para outra. Estudos desse tipo dão sempre uma certa agonia, porque reforcam, mais e mais, que este Pais está longe de ser verdadeiramente democrático qualquer que sejam as causas, como as conclusões demonstram.
Uma das conclusões é a de que fatores como regiões de residência, educacão dos pais e renda familiar, juntos, são responsaveis pela maior proporcão das distâncias raciais atuais, mas - a discriminacão racial permanece como uma grande fonte de desigualdades entre grupos raciais.
Uma outra conclusao é que - os efeitos da discriminacão racial tendem a se ampliar quando brasileiros negros competem com brasileiros brancos por recursos sociais de alto valor mas com pouca oferta, como os altos níveis de educacão.
A terceira conclusão e a de que - embora jovens brasileiros negros tenham avançado em relação aos seus pais e a populacão brasileira em geral, os jovens negros permanecem na mesma posicão em relacão aos jovens brasileiros brancos, assim como as gerações negras mais velhas estavam em relação aos brancos.
É ou nao é mais um dano para se preocupar com o futuro do Brasil? Como é que se espera um país tenha futuro se boa parte de sua populacão não consegue ver uma luz no fim do túnel sobre o que esperar da vida, sem que essa luz seja um trem vindo na direcao contrária? Por mais que se tente remediar o problema, as tentativas parecem sempre pequenas perto do tamanho do problema. Osorio aponta que algumas medidas da política de acão afirmativa até ocorrem onde e mais necessário, como para admissão em universidades publicas. Local onde efeitos da discriminação racial ocorrem e continua ocorrendo. Mas não é só. Diferenças regionais encontradas na pesquisa indicam que a questão não é simplesmente acabar a discriminacão racial, que ocorre em maior ou menor grau dependendo do contexto em que está. Conforme as conclusões do estudo, mesmo se essa discriminação acabasse, haveria distância racial em razão de diferentes desenvolvimentos regionais e de diferentes composições regiões raciais. Dessa forma, instrumentos como programas de transferência de renda e de créditos para educação são necessários para se buscar resolver a desigualdade no Pais. No fim das contas, conclui o autor, é preciso ir além da negação de que a discriminação causa as desigualdades, ou de que é a causa disso.
Para quem quiser acessar o trabalho de Osório, ai vai o link em pdf:
http://www.undp-povertycentre.org/pub/IPCWorkingPaper43.pdf
Horror na Espanha
Amigos e amigas, Alguns de vocês estão em mídias impressas e televisivas e deixo estes fatos como sugestão de pauta. Para quem não é, a mensagem é para dividir a nossa revolta.Leiam, é chocante.beijos, bia. ________
DenúnciaPreconceito contra brasileiros na entrada da Espanha: maus tratos, sexismo e arrogância
Meu nome é Patrícia Camargo Magalhães, tenho 23 anos e sou mestranda em física na USP. Dia 9 de fevereiro embarquei no vôo IB6820 saindo de Cumbica (Guarulhos) com destino a Madrid, local em que faria escala e seguiria ao destino final: Lisboa. Em Lisboa iria apresentar meu trabalho de pesquisa na conferência Scadron70, que começou dia 11/02 e termina 16/02. No entanto, a falta de documentos em mãos que provassem a minha estadia em Lisboa fez com que ficasse retida na aduana, sobre a desculpa inicial de verificação da quantidade de dinheiro que eu carregava. Ainda sem entender ao certo o que estava acontecendo, me dirigi ao local indicado e esperei ser chamada. Cheguei ao aeroporto de Madrid 9h30 da manha de domingo. Ás 13h30 ainda esperava que alguém viesse falar comigo. Por diversas vezes ressaltei delicadamente à polícia que perderia a conexão para Lisboa. A resposta era sempre a mesma: "Senta-te, espera, si perdes el vuelo después te darán otro". Finalmente (após quatro horas esperando sem saber o que poderia acontecer), um policial apareceu com um pilha de passaportes nas mãos e foi chamando os brasileiros que iam então sendo liberados. E então percebi que todos os homens tinham sido liberados e só restaram as mulheres, em sua maioria negras e mulatas. Quando, depois de 5 horas de espera, chegou um outro avião da Venezuela, muitas outras mulheres se juntaram a nós e fomos todas levadas para o outro aeroporto onde ficaríamos presas por 3 dias até sermos enviadas de volta, na manhã desta terça-feira (12) às 11h35, no vôo IB6821. Presa em situação parecida comigo, Camille Gavazza Alves, baiana de 34 anos, estava indo estudar inglês em Dublin, Irlanda. Tem um trabalho fixo na Companhia Petrobrás e havia conseguido uma licença de seis meses para freqüentar o curso. Possuía toda a documentação necessária para provar o motivo da viagem e foi deportada pelo governo espanhol sob a acusação de não conseguir provar os motivos - a mesma razão que alegaram para o meu caso. Como nós, havia outras mulheres em situação parecida. Nádia, funcionária pública em Maringá (PR), pretendia visitar sua filha durante seu mês de férias. A filha de Nádia vive legalmente na Espanha há um ano e meio e seria a primeira visita da mãe à Madrid. Ficamos presos no último andar do aeroporto, sem comunicação alguma com o mundo exterior a não ser por um telefone público para o qual era preciso comprar cartão. Éramos homens e mulheres de diversas nacionalidades, todos latinos e alguns africanos, ao todo mais de cem pessoas. O consulado brasileiro na Espanha foi acionado por nós e pelo Brasil, diversas vezes e por muitas pessoas diferentes, e nada fez frente ao nosso chamado de socorro. Nem ao menos respondeu nossas ligações. Do telefone público da sala, mobilizei amigos que já estavam no congresso em Lisboa e família no Brasil, para que me mandassem provas de que eu estava devidamente inscrita no congresso e possuía reserva no hotel para o período do congresso. As 14h30 da segunda-feira (11), por fim fui chamada para uma entrevista com a polícia, um advogado e um intérprete. A entrevista durou até em torno de 16h e foi a primeira vez, desde domingo de manhã, que fui ouvida pelas autoridades espanholas. Ao final, li meu depoimento cuidadosamente e por duas vezes pedi que ele fosse corrigido. Nele constava minha profissão, o valor da bolsa de mestrado, o motivo da viagem, a quantidade de dinheiro que eu levava, provas materiais como a cópia do meu pôster de apresentação, a capa de um artigo científico que levava meu nome, além de telefones de muitas pessoas e lugares em Lisboa que poderiam comprovar tudo. Porém, de nada adiantou tudo isso. Nenhum telefonema foi dado, a minha carta estava pronta antes mesmo de terminar a entrevista (o horário do documento é 14h). Quando questionei a polícia a esse respeito, os agentes disseram que nada poderiam fazer e que quem decidia sobre quem seria enviado de volta ou aceito era o chefe da polícia. Perguntei: "Mas onde está o chefe da polícia?" e pedi que especificassem quais documentos faltavam. Fui ignorada. Não assinei a carta de expulsão. Não levaram em consideração minhas explicações em momento algum. Me deixaram presa em um cárcere sem grades mas com regras. Fui privada da minha liberdade e de meus objetos de higiene pessoal - não pude ficar nem com minha escova de dente, pílula, ou qualquer outro artigo de higiene. Tampouco aceitaram os documentos e comprovações enviados por fax ou ligaram para os telefones fornecidos por mim para confirmar as informações. Fizeram a carta de expulsão antes mesmo de me ouvir quando pude falar. Sobre as instalações do cárcere só tenho a dizer que se tratava de um ambiente degradante. No primeiro dia, não havia lugar para todos sentarem e tive que ficar uma boa parte do dia sentada no chão, inclusive na hora do almoço. Na janta, fazia frio não queria comer no chão, então fui comer sentada na bancada do banheiro. Isso tudo é uma clara demonstração de preconceito social e sexual, e ainda uma violação clara dos Direitos Humanos e do Tratado de Fronteiras Shengen, do qual eles mesmos se utilizaram para me colocar fora de seu país. O próprio advogado presente na minha entrevista ficou irritado com a má-vontade em ouvir as pessoas entrevistadas. Algo deve ser feito. O governo brasileiro não pode permitir que seus compatriotas sejam tratados de forma degradante. De minha parte, estou me informando para entrar com um processo contra o governo espanhol, via Itamaraty ou diretamente na corte espanhola (com o advogado que me acompanhou na entrevista) para reembolso da passagem e danos morais. No Brasil, vou processar o serviço consular brasileiro na Espanha - que não fez o seu trabalho. Estou à disposição para outros esclarecimentos. Atenciosamente, Patrícia Camargo Magalhãespatota@gmail.com+ Beatriz Camargobiacam@gmail.com
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Centro Cultural Octavio Brandão sofre ataque
Diretoria do CCOB
Primeiro Encontro Africa-Brasil
JANNA - ESTIMATIVA - MEDIADORA
ANA DAVIS ( Jornalista e Presidente da Capa )- "Preconceito e Discriminação Racial"
ADERBAL AXOGUN (Produtora Cultural Omo Arô)- Religião de matriz africana auto-sustentável
ARLENE CAMARGO ( Presidente da ONG CISIN e Coordenadora do Afoxé Maxambomba)-A mulher afro descendente, no mercado de trabalho e suas dificuldades.
NEIA DANIEL- Secretaria de Cultura do estado do Rio de Janeiro - Dificuldades do entendimento da cultura afro, nos órgãos públicos.
GERALDO MAGELA - COPPIR - Prefeitura de Nova Iguaçú-Promoção da Igualdade Racial.
JAIR D.OGUN - Sacerdote e Radialista - A preservação dos Cultos de origem Brasileira e matrizes africanas, a Umbanda e o Candomblé.
Horário e local: dia 13/02/2008, às 19:00h. no Sesc Madureira
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Trabalho bonito: CápsuladaCultura e PratoeFaca
Para maiores detalhes, ai vão os links:
http://capsuladacultura.com.br
http://www.pratoefaca.blogspot.com/
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Cartões Corporativos, Proer e Programa de Privatização das Estatais
Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: George Harrison-My Sweet Lord e Supertramp-Babaji
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Jornal Nacional: desinformação para se opor ao Estatuto da Igualdade Racial
http://www.viomundo.com.br/opiniao/jn-desinformacao-para-se-opor-ao-estatuto-racial/
Haroldo Costa e Unidos de Vila Isabel, parabéns pela coragem
Parabéns!!!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
A ministra e a forja de "escândalos"
A construção de escândalos faz parte da estrutura fantasiosa do capitalismo atual. Como bendisse Manuel Castells já aqui citado em nosso blog:O resultado é uma ligação direta entre a «midiatização» da política, sua personalização e a difamação ou a prática do escândalo político, cuja banalização acarretou, nos últimos quinze anos, assassinatos de pessoas eleitas, crises de governo e até mesmo de regime político.
Isso nos leva à atual e profunda crise da legitimidade política em escala mundial, uma vez que há uma ligação forte e evidente, mesmo não sendo exclusiva, entre a prática do escândalo, a midiatização exacerbada da cena pública e a falta de confiança por parte dos cidadãos no sistema. Essa desconfiança pode ser ilustrada por uma pesquisa feita pelos serviços da Organização das Nações Unidas (ONU) segundo a qual dois terços dos habitantes do planeta afirmam não se sentir representados pelos seus governantes."
Quanto á corrupção em si é uma prática comum no capitalismo está incorporada a ele e o grande erro do PT foi não perceber que este banquete não pode ser partilhado por convidados inconvenientes e não pertencentes a horda tradicional. O niilismo petista, forjado na experiência frustrante do exercício do poder e sua desesperança produziu e produz conseqüências negativas para toda a esquerda, que assiste abismada aos seus desvarios. Não tiveram a percepção de que como não pertencem aos círculos tradicionais de poder, às classes dominantes, suas ações seriam acompanhadas com o máximo de atenção pela mídia burguesa. Nesse sentido, se não houverem escândalos caberá a mídia comprometida com as elites, criá-los.
Se houve racismo em relação a ministra? É claro que houve, aliás o tempo todo, basta ver a forma deselegante como foi tratada pelos órgãos de imprensa tradicionais, durante sua presença no ministério. Desde quando uma mulher negra e pobre tem o direito de ser ministra? Haviam derrubado anteriormente a ministra Benedita da Silva como podiam aturar a ministra Matilde Ribeiro. Para resolver definitivamente o problema certamente vão pedir o fim da Seppir, com certeza é o próximo passo. No entender das elites toda essa discussão sobre o racismo é irreal e deve ser mantida onde sempre esteve, ou seja, na cozinha, sendo cochichado pelas vítimas secretamente para não atrapalhar o sono de seus patrões. Afinal as nossas elites estão acostumadas a ouvirem que são amigáveis, amorosas e sensíveis aos dramas dos seus empregados. Exploradores nunca, de jeito algum, nem mesmo quando durante a escravidão, logo após a Lei do Ventre Livre, jogavam os filhos recém-nacidos dos escravos nas ruas para morrerem a própria míngua, ou quando largavam os corpos de jovens escravos mortos, formando o que se sabe hoje um cemitério a céu aberto, no bairro da Saúde no Rio de Janeiro, ou mesmo quando já ex-secravos após a Abolição os negros foram deixados a própria sorte sem nenhum tipo de reparação ou indenização pelos anos de trabalho gratuitos na construção desta nação.
A social-democracia e o racismo: resposta a uma visão equivocada
Atualmente ouvimos dos defensores do mito da democracia racial brasileira a idéia de que superaremos a grande desigualdade racial brasileira através da melhoria da educação. Dizem eles que como não temos problemas raciais no Brasil facilmente sairemos deste abismo em que nos encontramos se tivermos uma escola pública de qualidade, isto é, com professores bem pagos e de excelente formação, uma boa infra-estrutura física e logística nas escolas, acesso a todo tipo de tecnologia educacional possível aos alunos no universo escolar e horário integral.Esta proposta se encarada com seriedade merece de todos nós aplausos e apoio. Embora não acredite que venceríamos todos os problemas sociais apenas com a democratização da estrutura educacional brasileira, devo reconhecer que seria um passo importante para desmontarmos parte do apartheid social e racial existente. Seria fantástico se pudéssemos ter nossas escolas públicas funcionando dessa forma e ver nosso filhos tendo a oportunidade de aproveitar desse direito básico estabelecido constitucionalmente.
Entretanto, se fizermos uma digressão histórica veremos que esta proposta de educação é filha de uma época determinada, e mais, de uma estrutura de Estado determinada. Um Estado que surgiu a partir de um acordo de classes instituido numa Europa arrasada pela 2 Guerra Mundial e sob a ameaça da expansão soviética. Nestas circunstâncias, uma burguesia débil e temerosa aceitou melhorar as condições de vida da população em geral, em troca do abandono, por parte dos trabalhadores, dos ideais comunistas e da sua militância em partidos operários. Daí nascem a social-democracia e o Estado do Bem-Estar Social, o "Welfare State", que pretendia prioritariamente combater a miséria e garantir direitos como moradia, saúde, educação, previdência e o emprego. Após a instauração desse acordo temos, como bendisse Hobsbawn, "os 25 anos áureos do capitalismo".
Hoje, infelizmente o "Welfare State" vem sendo destruído pela burguesia, e o que restou em muitos países são escombros. Basta observarmos o exemplo francês que recentemente passou por uma grave crise com a revolta de jovens imigrantes contra a situação atual, sobretudo, do sistema educacional francês e a falta de oportunidade de empregos e sua conseqüente precarização. Na Europa, somente os países nórdigos mantêm a duras penas e sob forte crítica burguesa e com muitos desvios a estrutura construída a partir do "Welfare State".
A nova centralidade do Estado, estabelecida a partir dos governos Thatcher e Reagan e que se universalizou com a derrubada do muro de Berlim e a queda da URSS privilegia não mais a atenuação das desigualdades, mas pelo contrário, o aumento delas, introduzindo a competição como um fator de progresso para toda a sociedade. Em suma, o neoliberalismo, a que estamos submetidos tirou da página da história do capitalismo qualquer retorno as proposições sociais-democratas e de seu Estado do Bem-Estar. Neste sentido, qualquer sugestão, no âmbito do capitalismo, em particular brasileiro, levando em consideração o histórico de atrocidades cometidas por nossas elites, que apresente a educação como saída se converte em engodo, em falácia, em ideologia pura.
Historicamente, o movimento negro e os movimentos sociais no seu conjunto vêm discutindo a problemática racial e propondo soluções para essa questão. Reconhecemos a luta pelo socialismo como um aspecto fundamental para transformar esta realidade. Contudo, não podemos deixar de lado os elementos específicos que enfrentamos.
Há muitos que vêem as ações afirmativas como proposições equivocadas e como remissão do capitalismo para um de seus problemas estruturais, visto que onde há capitalismo, há racismo. Mas temos que vê-las de outra forma, como proposições nossas, surgidas a partir de nossos enfrentamentos e como conseqüência deles. Há bastante tempo, o movimento negro, com a solidariedade de outros movimento sociais, traz a reparação racial como elemento essencial de nossa luta e è importante que não esqueçamos disto. Precisamos compreender que esta proposta sai das entranhas do movimento, de nossos embates, de nossas tensões, de nosso choro, alegrias e sofrimentos. Querem nos convencer de que essa proposta é alienígena, estrangeira, anglófila, mas isso não e verdade.
Por fim, gostaria de lembrar que há um Estatuto da Igualdade Racial a ser votado no Congresso Nacional e de que precisamos, antes de tudo, de unidade nesta guerra, e que sem ela, não chegaremos a lugar algum, é fundamental convencermos a sociedade brasileira de que teremos um país melhor e mais justo se conseguirmos aprová-lo.
Cotas raciais x Estatuto da Igualdade
Prezado Sérgio J Dias:

