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sexta-feira, 18 de maio de 2007

O câmbio, a política nacional e a flexibilização da CLT

O jornalista Luis Nassif em seu blog (www.luisnassif.com.br) postou um artigo revelador . Nele, Nassif enumera aquilo que ele chama de os "três personagens imbatíveis: o chamado mercado (com domínio total sobre o Banco Central), grandes corporações e grandes centrais sindicais do eixo Rio-São Paulo." Estes setores são apontados pelo economista como responsáveis por esta política econômica neoliberal draconiana, perversa, e que, nos desgraça desde o governo Collor.
Não é surpresa para nós a citação das centrais sindicais como co-participantes deste processo iníquo, uma vez que, o sociólogo Francisco de Oliveira em um artigo chamado: "O Ornitorrinco" já denunciava as relações promíscuas da elite do sindicalismo brasileiro, através dos fundos de pensão, com o grande capital. Aliás, tal conluio explicita as últimas declarações de Lula, defendendo a flexibilização da CLT, em um momento em que o Trabalho encontra-se tão fragilizado frente ao Capital.
Lamentável tambem, é a nova postura do PDT, que agora com um ministério no governo, reposiciona-se politicamente e assume a defesa da flexilização.
Abaixo, postamos referido artigo.

O câmbio e a política nacional

Coluna Econômica – 18/05/2007

Doze anos depois, a tragédia se repete, com agravantes: é a segunda onda de destruição cambial sobre setores exportadores, mal refeitos dos desastres anteriores. Porque essa repetição reiterada do desastre?

A lógica é política. Nos últimos doze anos, a política brasileira foi dominada por três personagens imbatíveis: o chamado mercado (com domínio total sobre o Banco Central), grandes corporações e grandes centrais sindicais do eixo Rio-São Paulo. Fernando Henrique Cardoso e Lula movimentaram-se em torno desses três eixos, disputando o mesmo espaço.

Ao mercado foi dado o presente do livre fluxo de capitais. Com esse livre fluxo, os grandes investidores brasileiros mandaram seus recursos para fora, através de doleiros e contas CC-5 e trouxeram de volta para o país como se fosse capital externo, livre de impostos. Aqui, passaram a ser remunerados pelas mais altas taxas de juros do planeta.

Com esse livre fluxo de capitais, em um mundo com ampla liquidez, há o risco concreto da apreciação do real, enfraquecendo as empresas frente a concorrência externa. O correto seria colocar obstáculos a esse livre fluxo.

Acontece que esse livre fluxo é fundamental para manter viva a indústria da arbitragem financeira – para onde vão nove entre cada dez ex-diretores do BC.

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Para reduzir a pressão das grandes empresas com a apreciação do real, o BC providencia taxas de juros extraordinárias. Essas empresas podem antecipar exportações e aplicar no mercado financeiro. Com os ganhos, é como se sua taxa de câmbio efetiva fosse de R$ 2,40, ao tempo em que o dólar estava a R$ 2,10.

As grandes centrais sindicais foram cooptadas com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), tanto na era FHC quanto na era Lula.

Finalmente, a grande massa dos eleitores de baixa renda foram atendidas pelo Bolsa Família e pelo carisma pessoal de Lula.

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Sem mais ninguém para pressionar, o restante do país ficou a ver navios, especialmente pequenas e médias empresas. O único momento em que Lula aparentou preocupação com o câmbio foi quando viu sua votação diminuir em estados mais diretamente afetados pela apreciação cambial.

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Nesse modelo político, pouco democrático (já que apenas alguns setores têm voz), periodicamente setores inteiros são destruídos pela irresponsabilidade das políticas públicas. Depois, levam-se anos para serem remontados. Quando começam a respirar, nova onda destrutiva. É desanimador!

São primários os argumentos para justificar essa loucura. A idéia de que o câmbio só afeta setores ineficientes é falsa. O câmbio afeta todos os setores que competem com produtos externos. Quem não consegue competir, é destruído. Em uma economia cada vez mais globalizada, com esse câmbio a produção e o emprego nacionais são derrotados lá fora e aqui dentro. As empresas mais fracas são destruídas. As mais eficientes não conseguem crescer. Uma empresa que conseguiu 30% de ganhos de produtividade nos últimos anos seria campeã em qualquer país racional. Aqui, consegue apenas sobreviver.



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