Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

domingo, 10 de junho de 2007

Desaparecidos

Recentemente minha filha me criticou por meu blog ser triste. Disse-me, com propriedade, que os textos, as fotos e até mesmos os vídeos carregavam uma tristeza e melancolia evidente, e que isto faria as pessoas se afastarem, buscando outros sites onde a alegria estivesse presente. Naquele momento, não tive reação, pois naturalmente, como de hábito, fico pensando e analisando os acontecimentos até ter uma posição concreta sobre a questão apresentada.
Realmente este blog não é um espaço caracterizado pela alegria, não faço piadas, não mostro fotos pornôs, geralmente não escrevo sobre os temas mais mencionados pela grande mídia, isto é, procuro me virar para os assuntos que tenham a ver com a crítica ao capitalismo e as possibilidades futuras do socialismo.
Infelizmente vivemos em um mundo marcado pela miséria social imposta pelo capital, e pelo "pânico frio", expressão criada pelo filósofo alemão Jürgen Harbermas para cunhar o espanto atual em relação a violência a que estamos expostos cotidianamente em todo o mundo, antepondo-se a denominação "guerra fria" de tempos atrás.
Hoje mesmo ao sair para comprar pão dei de frente com um desses fenômenos que nem sempre percebemos, trata-se do drama dos desaparecidos. Normalmente jovens, não por acaso negros em sua maioria, e, cujas descrições feitas por familiares são colocadas em postes, bancas de jornais, portas de bares, na esperança de uma notícia, mesmo de sua morte. Fiquei a pensar que se fosse um jornalista poderia sair a procurar estas famílias e publicar seu drama e sofrimento.
Em verdade é mais uma das tragédias que temos de chamar a atenção, não da forma como a grande mídia o faz, naturalizando tais acontecimentos, transformando-os em fatos desenrolados por uma natureza humana atormentada, mas, lançando sobre eles o olhar inquiridor de um observador atento das mazelas do capital, e, portanto, situando-lhes historicamente.

Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Brazil License.