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terça-feira, 5 de junho de 2007

Complexo do Alemão I

No ano de 2000, a prefeitura do Rio de Janeiro publicou um trabalho muito interessante, trata-se do Atlas Escolar da Cidade do Rio de Janeiro. Infelizmente, como sempre, o mesmo não teve continuidade, o que lamentamos, pois tal projeto apresentou uma radiografia detalhada dos indicadores sócio-econômicos do nosso município e de seus bairros.
Além dos bairros tradicionais de nossa cidade, alguns bairros operários como o Complexo do Alemão, aliás detesto a designação "complexo", o Jacarezinho, e a Maré, foram contemplados com a descrição de alguns de seus indicadores sociais. Junto de aspectos tradicionais presentes em qualquer levantamento geográfico, como superfície, renda média, população, alfabetização, entre outros, o atlas acrescentava elementos ligados ao lazer, estavam lá: museu, biblioteca, teatro, cinema, clube, o que nos permitiu perceber o desconhecimento completo do poder público em relação aos bairros operários da cidade.
Ficaram em branco, em relação ao Complexo do Alemão itens como: renda média, escolas, alfabetização, estabelecimentos de saúde, revelando a ignorância que tinha o município quanto aos equipamentos públicos existentes e conseqüentemente a sua total ausência na região.
Quanto ao lazer, cabe-nos ressaltar que o "Alemão" não apresentava nenhuma das opções citadas acima, ficando solitariamente lembrada a existência de uma única praça num território de 2,97 km2 onde moravam 64.031 pessoas, divididas em 10 favelas.
Em suma, os conflitos, de que o bairro é palco, decorrem dos dados narrados acima. Sem maiores opções de lazer, com a total inassistência do Estado, em quaisquer de suas instâncias, que tipo de realidade poderia ali se constituir? Resta-nos perguntar, que caminhos trilharemos no futuro? Será que continuaremos a ficar entre o "Caveirão" e a omissão de nossos governantes? Um futuro pior nos assombra, mas sempre a esperança nos toca. Que o povo trabalhador do Rio de Janeiro tome nas mãos a sua história.
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