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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Contradição entre a economia e o nosso cotidiano

Há alguns dias atrás, estava assistindo a TV Senado onde ocorria uma audiência com o presidente do Banco Central Henrique Meirelles na comissão de economia acerca da política de juros aplicada no Brasil. Ao término do debate o senador do PT de São Paulo Aluizio Mercadante pegou o microfone e tronituou solenemente:
"_O Brasil está no caminho certo, pois tem todos os fundamentos macroeconômicos em excelentes condições. Risco-Brasil, taxa de juros em queda, inflação baixa, etc. todas os pré-requisitos para o crescimento econômico capitalista demonstram o correto rumo tomado pela economia brasileira."
Entretanto, algo cutucou-me, tão longe como estou de Brasília, mais especificamente nas cercanias do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro fiquei a pensar como a economia contradiz o nosso cotidiano.
Na vida real, onde vivemos, as mortes sangrentas de tantos meninos e meninas nos apresentam uma situação totalmente diferente da colocada pelos indicadores econômicos. Fiquei então a refletir e cheguei a uma conclusão aterradora, que talvez, quando estiver bom para os setores mais bem aquinhoados desse país, esteja ruim para o restante da grande maioria da população.

Linux: a interface gráfica mais avançada

Essa foi a manchete do site de tecnologia do UOL:www.tecnologia.uol.com.br - citando o sistema operacional linux UBUNTU com tela touchscreen (sensível ao toque) e interface gráfica XGL,tecnologia que pode futuramente colocar um ponto final no uso do mouse - o referido site reconhece o avanço do linux em relação ao Windows e ao Mac. Eu, que uso o linux há vários anos como sistema principal e passei por muitas distros posso avaliar bem o progresso dele. Embora, o autor do texto desdenhe das possibilidades futuras dos sistemas de código aberto não há como negar sua estabilidade e segurança, sem falar na evolução dos desktop. Abaixo o software proprietário e viva o software livre. Viva o linux!

Fuga do Rio de Janeiro

Mesmo para quem não assistiu ao filme "Fuga de Nova York" do célebre diretor de filmes "B" John Carpenter, realizado em 1981, em pleno "reinado" Reagan, em que uma parte da cidade de Nova York foi transformada numa penitenciária de segurança máxima fica fácil entender a sensação que temos hoje acerca da zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

Completamente abandonada, chacoalhada de fábricas fantasmas, com galpões vazios onde antes se localizavam grandes lojas comerciais, tendo parte desse espaço transformado em residências de populações trabalhadoras empobrecidas e desempregadas, que buscam esses locais como solução para a sua moradia, evitando, desta forma, viver como cabritos no alto do morro, convivem com toda sorte de problemas advindos desse tipo de situação, vítimas da miséria social destes tempos de globalização.

Essa configuração urbana que infelizmente não é apenas virtual ou uma "second life" que escolhemos jogar para experimentar os delírios da pobreza e do sofrimento social dos trabalhadores concretiza-se numa violência sem igual, causada pela degradação social, pois as vítimas primeiras reagem e sua reação proporcionaliza-se a violência sofrida com a ausência de um Estado incapaz de prover aos setores populares o mínimo para uma vida digna, mas que provêm a uma pequeníssima parcela da população, credora do setor financeiro, lucros e privilégios aviltantes.

Essa sensação de medo e desconfiança, escandalosa em sua força e poder paralisa os mais diversos espectadores e escreve com dor e sofrimento um dos períodos mais nefastos da história dessa cidade. Entretanto, nada me angustia mais do que o silêncio daqueles que um dia lutaram e estiveram ao lado das populações marginalizadas pobres, nordestinas e negras, hoje ouvidos mocos aos gritos e sussurros dos infelizes.
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