Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Clube do Balanço - Saudade de Jackson do Pandeiro



Balançando!

Lançamento do livro "Histórias do movimento negro no Brasil"

Lançamento do Dicionário literário afro-brasileiro | Nei Lopes

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDAO

VAMOS ENCERRAR 2007 COM CHAVE DE OURO! BOTECO DO CCOB APRESENTA NESTE SÁBADO, 01/12, A PARTIR DAS 16 H. SHOW DA CANTORA LUIZA DIONÍSIO Luíza canta o repertório do seu 1º CD e outros sambas, com a voz e o charme que vem encantando o público das noites cariocas. Ingressos no local Homem R$ 10,00 Mulher R$ 6,00 Associados(as) pagam meia. Venha curtir o show e se deliciar com os caldinhos do Boteco do CCOB. End. Rua Miguel Angelo, 120. Entrada pela rua Francisco Neiva, em frente ao CEFET de Maria da Graça.

Fórum do Negro

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Embaixada de Angola no Brasil critica entrevista em programa televisivo de Jô Soares

Em nota a Embaixada de Angola no Brasil se manifestou de forma contundente quanto ao programa de Jô Soares que foi ao ar no dia 18 de junho. Com afirmações como a apresentada abaixo, a embaixada de Angola deixou claro o seu dissabor quanto a infeliz entrevista:
"Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostado em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal. Aparentemente incentivado pela objetiva cumplicidade histriônica do entrevistador, o entrevistado, sem a sustentação acadêmica ou sequer a seriedade intelectual da simples testemunha, mergulhou na ignorância, maltratando crianças, mulheres e homens angolanos"
Para aqueles que quiserem maiores detalhes da notícia, basta acessar o link abaixo:
http://www.portugaldigital.com.br/sis/noticia.kmf?noticia=6717438&canal=159

Racismo na Livraria Cultura de Brasília

Recentemente recebi este email de uma amiga. Estou publicando-o como me foi passado, mas uma questão fica cada vez mais clara para mim, estamos vendo o crescimento de um movimento neorracista no Brasil, que vem ampliando os seus tentáculos sorrateiramente, ameaçando as conquistas pelas quais tanto lutamos. Cabe a nós ficarnos vigilantes e combatermos tenazmente este tipo de postura, mostrando com a maior limpidez possível as razões de nossa luta.


Caros(as) amigos(as),

Ontem, dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, fomos à *Livraria Cultura de Brasília** *e presenciamos uma cena, senão absurda, criminosa - o lançamento de um livro intitulado "A revolução quilombola", do jornalista (?) Nelson Ramos Barreto, que consiste em desqualificar o pleito das comunidades quilombolas pela formalização da posse de seus territórios tradicionais, com foco na crítica ao processo de regularização fundiária destes grupos efetuada pelo INCRA por meio deste Governo.

Fosse somente a divergência de posições a respeito da questão quilombola, não nos admiraria. O mais chocante foi ver homens de terno preto (fenótipo - brancos), com broches da *TFP* (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), ao redor do "Príncipe Imperial" Dom Bertrand de Orleans e Bragança, bisneto da Princesa Isabel, discursando em prol dos "valores ocidentais" e do "direito de propriedade", contra uma "reforma agrária negra".

Afirmando sempre que nunca houve "problema racial" no Brasil, o discurso de tais senhores pregava que a mestiçagem deveria ser incentivada e que, assim como o comunismo, a reforma agrária quilombola poderia matar milhões de pessoas. Nem é preciso dizer que a base para esse discurso ainda é o mito freyriano da mistura das três raças. Esqueceu, talvez, de que os negros após a "abolição" foram deixados àprópria sorte, sem terras ou trabalho – quando se iniciou o processo deincentivo à imigração européia para uma formação mais civilizada da sociedade nacional (ideologia perene do branqueamento biológico e ideológico). Na contracapa do livro, podemos ter um aperitivo "A bondosa Princesa Isabel substituída por Zumbi, um escravocrata" (!).

Um dos detalhes perversos do evento era a presença de um único negro que ficava parado como que exposto em um zoológico segurando o livro do jornalista. Tivemos certeza de que se tratava de um show de horror quando um dos jovens da TFP, também com seu terno e brochinho, nos disse "escutem o negro falar!". Ao que foi constestado, retrucou "façam um teste de DNA com os presentes nesta sala e vejam se existe raça!". O referido negro disse ter sido discriminado em suas andanças pelo Congresso Nacional por uma princesa da Etiópia.... Ele foi convidado a falar no evento, prestando uma homenagem ao autor do livro. No entanto, anteriormente aos discursos, circulava sozinho pela biblioteca. Em sua primeira fala, chegou a dizer que os quilombos sempre foram uma "farsa", pois os negros eram "obrigados" a fugir, contrariando seu desejo de permanecer nas casas grandes, junto aos seus senhores. Chocante a forma como o discurso estava descolado da imagem do sujeito. Muito triste ver em operação uma manobra comum a esses movimentos, a cooptação de um sujeito, com vistas à legitimação de um discurso contra ele mesmo. Imaginem a violação psíquica que sofre esse sujeito se prestando a esse papel.

Por fim, os homens nos cercavam dizendo coisas do tipo "por que vocês não vão para Cuba?", ou "essas meninas são agentes provocadores enviados por alguém". Aliás, éramos as únicas mulheres do local, exceto por uma portuguesa bem jovem, provavelmente esposa de um dos nobres (?) senhores, e as funcionárias da loja, alienadas ao que se passava. Afuncionária responsável pelos lançamentos de livros até tentou se desculpar, mas também tentou se desculpar com a categoria de clientes aos quais nos opomos. Não fosse nossa presença no lançamento, seria uma turma de fascistas juntos, comemorando mais uma grande obra de Nelson Barreto, que já escreveu contra a reforma agrária - detalhe: o princípe desafiava qualquer "sociólogo ou economista" a citar um exemplo de reforma agrária no mundo que tenha dado certo - e a favor do trabalho escravo (!)

Registramos nossa reclamação na Livraria Cultura, da qual somos cliente. Nos surpreende, ainda, que uma livraria com este perfil tenha aberto espaço para um evento de caráter racista. Algum intelectual sério foi convidado para este evento? Por que o lançamento deste livro foi agendado para o dia nacional da consciência negra? No mínimo, a assessoria de imprensa da Cultura ou é muito ruim e desinformada, ou também é racista.

É impressionante como este caso vem comprovar que existem pessoas "saindo do armário" para demonstrar seus preconceitos, seus valores fundados na exploração e violência (a exemplo das reações positivas ao BOPE da "ficção", e negativas às cotas nas Universidades; dos comentários sobre a fala do Governador do Rio de Janeiro sobre a necessidade de legalização do aborto por causa dos filhos das favelas, "naturalmente" marginais etc.). Outra coisa que isso nos mostrou: a briga é feia. De maneira mais ou menos escarandada, os grupos dominantes do nosso país estão mesmo saindo em defesa de seus interesses historicamente assegurados desde a constituição do Brasil e agora, de maneira ainda muito tímida, ligeiramente ameaçados pela possibilidade de divisão de bens/saberes/posições.

Os jornalistas nos desculpem, mas aqueles de sua categoria que têm tido maior destaque são os que corroboram com este movimento microssocial perigoso, ao que Deleuze e Guattari chamaram de "micropolítica e segmentaridade", ao analisar as motivações do sucesso do nazismo na Alemanha - seu triunfo só teria sido possível porque houve um trabalho anterior de disseminação de suas idéias entre os segmentos mais diversos da sociedade alemã. Nossos hitleres nacionais estão se infiltrando, agora ocupando as livrarias "cool" que frequentamos…

Carmela Zigoni, Paula Balduino, Priscila Calaf, Júlia Otero.

--
Roberto Alves de Almeida
Antropólogo - Analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário

Coordenação Geral de Regularização de Territórios Quilombolas
Diretoria de Ordenamento de Estrutura Fundiária
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA

domingo, 25 de novembro de 2007

Documento defende a democratização da mídia no país

O Fórum Internacional: Mídia Poder e Democracia, realizado de 12 a 14 de novembro, em Salvador, Bahia em seu final publicou um documento final com propostas que tem por objetivo principal democratizar os meios de comunicação no Brasil. Entre as reivincações apresentadas ressaltamos as listadas a seguir:

A realização da Conferência Nacional de Comunicações, ampla, representativa e democrática é uma exigência dos processos de democratização e de mudança em curso na sociedade brasileira. A Conferência é uma reivindicação histórica de amplos setores da sociedade brasileira para redefinir democraticamente os marcos das comunicações no país;

O país necessita com urgência um novo ordenamento jurídico expresso em uma lei geral das comunicações, contemporânea e democrática, que, entre outros itens, estabeleça novos critérios para as concessões de rádios e televisões;
Abaixo postamos o link para a matéria completa:
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14723

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Jorge Ben Jor & Golden Boys - Jorge de Capadócia, 2002

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Milton Nacimento - Gilberto Gil - Raça

Raça!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Abdias do Nascimento, presente e na luta

Carta de Abdias do Nascimento ao Presidente Lula:

Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2007.

Sua Excelência, nosso querido Presidente Lula,
Saudações quilombistas no Dia Nacional da Consciência Negra.

Tenho recebido das mãos de Vossa Excelência honrarias que muito me orgulham, e que recebo em nome do povo afrodescendente deste País, pois entendo que os méritos a ele pertencem. Por isso não poderia deixar de me manifestar no dia de hoje ao povo negro, a todo o povo brasileiro, e a nossos governantes, na pessoa de Vossa Excelência, pois a felicidade do negro, como disse o poeta, é uma felicidade guerreira.

Ao tempo que muito me alegram e me honram a outorga da Grã Cruz da Ordem do Mérito Cultural, e a minha inclusão na mais alta classe da Ordem do Rio Branco, observo que as desigualdades raciais no Brasil continuam agudas e profundas. Diariamente recebo notícias de pesquisas quantitativas que confirmam este fato. Só no dia de hoje, por exemplo, soubemos por pesquisadores da UFRJ que as principais causas de mortalidade de homens negros são violentas, como homicídios, enquanto os brancos morrem mais por doenças. Ainda hoje também, soubemos que a Fundação SEADE concluiu que brancos ocupam quatro vezes mais cargos executivas que negros.

Setores poderosos detentores dos meios de comunicação de massa no país estão deflagrando uma campanha no sentido de desacreditar essas estatísticas e vilipendiar aqueles, como Vossa Excelência, que pensam na necessidade de políticas públicas de combate a essas desigualdades. Novamente nos acusam de racismo, usando o falso argumento de que o critério de análise dos dados, e não a realidade social, causa divisões perigosas em nossa sociedade. Há décadas os intelectuais negros afirmam que raça nada tem a ver com biologia ou genética, mas que como categoria socialmente construída é uma dura realidade discriminatória baseada em características de aparência e fenótipo.

Senhor Presidente, suas recentes visitas à África somadas a outras iniciativas como a promulgação da lei 10.639/03 e a implantação da política de cotas reparatórias nas universidades têm propiciado um novo clima que permite debater questões sérias que vinham sendo ocultadas ou negadas pelas elites entrincheiradas no mundo acadêmico e no universo da mídia. Ora, diante de um momento tão encorajador, fomentam, com crescente agressividade, essa campanha desestabilizadora da sociedade, em que a desinformação deliberada rivaliza com a malevolência racista, e que objetiva intimidar todo um povo e enganar toda uma nação.

Assistimos como, na casa dos representantes do povo, após receber com grande repercussão os porta-vozes dessa campanha, se mandou "calar a boca" aos negros que usaram de seu legítimo direito democrático de apresentar as suas demandas. Assusta pensar que legisladores capazes de semelhante agressão se pronunciarão, daqui alguns meses, sobre o Estatuto da Igualdade Racial, cujas propostas abrem novas perspectivas para melhorar as relações sociorraciais e trazer um vento de esperança à população negra preterida.

Senhor Presidente, hoje a Ministra da SEPPIR, nossa querida Matilde Ribeiro, irá lhe apresentar o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, fruto de todo um processo de coordenação de deliberações para a construção dessas políticas públicas. Venho hoje lhe convocar a não esmorecer na sua decisão de implementá-las, pois nossa população aguarda políticas efetivas, o que significa investimento de recursos.

Há muito tempo os economistas comprometidos com o povo brasileiro vêm falando que o nosso país precisa crescer, para valer, para absorver as legiões de jovens que, a cada ano, procuram ingressar no mercado de trabalho. Estamos acumulando décadas perdidas com a falta de desenvolvimento econômico intensivo em emprego, com a transversalidade de raça e gênero, associada à redução do papel do Estado na área social. Como conseqüência, os problemas sociais vêm atingindo patamares perigosos. Haja vista a violência em nossas cidades que alcança índices de genocídio entre a juventude negra e favelada.

Reconheço o grande avanço que significa a Lei 10 639/2003, que visa fazer o resgate de nossa história e de nossa memória e torná-las patrimônio cultural de todo o povo brasileiro, mas tenho que elevar a minha voz para dizer que esta lei não está sendo cumprida, ou tem a sua implementação dificultada, por todos aqueles que não querem mudanças nas relações de dominação racial em nosso país.

Reconheço o avanço contido no Programa Brasil Quilombola, e lhe convoco a continuar investindo cada vez mais nesse setor, apesar da campanha de mídia que caracteriza sua ação como criminosa e racista, no intuito de desmoralizá-la e favorecer os interesses fundiários estabelecidos. Deflagra-se, ainda, uma onda de violência, também no intuito de favorecer tais interesses, em que hoje morreu um quilombola no estado do Espírito Santo. É preciso continuar: demarcar, desapropriar, e fazer valer os direitos das comunidades quilombolas contra as ameaças constantes de despejo de seus territórios. Não podemos, com coerência, celebrar Zumbi do Quilombo dos Palmares, herói nacional, enquanto as populações dos quilombos do Brasil são agredidas e têm seus direitos desrespeitados!

Aliás, na qualidade de co-fundador e ex-presidente do Memorial Zumbi, movimento da sociedade civil que conduziu à criação da Fundação Cultural Palmares e à desapropriação das terras da Serra da Barriga, venho lhe indagar como, no ato cívico realizado nas terras de Palmares, faltaram as bandeiras do Brasil, do Estado de Alagoas, e do Município de União dos Palmares. Trata-se de um simbolismo fundamental. Esta data, esta luta e essas políticas públicas são bandeiras do Brasil e de seus governos locais e estaduais, não só dos afrodescendentes!

Finalmente, quero dizer que tenho fé nas forças que querem transformar o meu país. Também nutro a convicção maior de que as energias que brotam do coração de Zumbi dos Palmares e de todos os nossos ancestrais ampliarão, cada vez mais, a consciência negra neste país. De negros e de brancos que sonham o sonho bom da liberdade e da justiça.

Por isso as saudações quilombistas: trata-se de uma proposta para a Nação. Zumbi vive em nós, homens e mulheres da resistência anti-racismo e da construção de um Brasil justo e democrático. Axé!

Abdias Nascimento
Professor e militante do movimento social afro-brasileiro

Agradecimentos ao site Afropress:
http://www.afropress.com/noticias_2.asp?id=1409

Abdias do Nascimento, a principal liderança negra viva


Nascido em Franca, cidade localizada no estado de São Paulo, em 14 de março de 1914, Abdias do Nascimento é a maior liderança negra viva. Com uma trajetória ímpar na história do Brasil recente, ninguém como ele soube defender tão bem os direitos e interesses da população negra em nosso país e denunciar o racismo que assola a nossa sociedade. Com uma vida erguida em múltiplas possibilidades é ator, pintor, escultor, economista e professor, sendo após o exílio, deputado federal, senador pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista), além de ter recebido inúmeras honrarias e prêmios e, em todos esses caminhos trilhados, sempre esteve presente na sua voz o grito contra a exclusão e marginalização da população negra aqui e mundo afora.
Neste mês de novembro, que vem se transformando, ano a ano, no mês da consciência negra deixo aqui registrada a minha homenagem a esta grande personalidade negra exemplo de luta para todos que vislumbram um mundo mais justo, socialista, e, por conseguinte, melhor.

"Ao espelho te vejo negrinho
Te reconheço garoto negro
Vivemos a mesma infância
A melancolia partilhada do teu profundo olhar
Era a senha e a contra senha
Identificando nosso destino
Confraria dos humilhados
A povoar de terna lembrança
Esta minha evocação de Franca."

Publico aqui uma postagem com uma entrevista ao site Portalafro:
http://www.portalafro.com.br/entrevistas/abdias/internet/abdias.htm
Publico também o link para seu site,onde podemos ver detalhes de sua vida
http://www.abdias.com.br/index.htm

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A posição da Via Campesina em relação ao aquecimento global

As atuais formas globais de produção, consumo e mercado causaram uma destruição massiva do meio ambiente, incluindo o aquecimento global, que está colocando em risco os ecossistemas de nosso planeta e levando as comunidades humanas rumo aos desastres. O aquecimento global mostra o fracasso do modelo de desenvolvimento baseado no consumo de energia fóssil, na superprodução e no livre comércio.

Os camponeses e camponesas de todo o mundo unem suas mãos com outros movimentos sociais, organizações, pessoas e comunidades em defesa de transformações sociais, econômicas e políticas radicais para inverter a tendência atual. Os camponeses, especialmente os pequenos produtores, são os primeiros a sofrer os impactos das mudanças climáticas.

As mudanças nas estações trazem consigo secas pouco usuais, inundações e tormentas, destruindo terras de cultivo e casas dos camponeses. Ainda mais, as espécies animais e vegetais estão desaparecendo num ritmo sem precedentes.

Os camponeses têm que se adaptar aos novos padrões climáticos, adaptando suas sementes e seus sistemas de produção habituais a uma nova situação, que é imprevisível. As secas e inundações estão conduzindo ao fracasso as colheitas, aumentando o número de pessoas famintas no mundo.

Há estudos que prevêem um decrescimento da produção agrícola global numa escala que varia de 3 a 16% para o ano 2008. Nas regiões tropicais, o aquecimento global conduzirá, muito provavelmente, a um grave declínio da agricultura (mais de 50% em Senegal e mais de 40% em Índia), e à aceleração da desertificação de terras de cultivo. Por outro lado, enormes áreas na Rússia e Canadá se tornarão cultiváveis pela primeira vez na história humana, mas ainda se desconhece como estas regiões poderão ser cultivadas.

A produção e o consumo industrial de alimento estão contribuindo de forma significativa para o aquecimento e a destruição de comunidades rurais. O transporte intercontinental de alimento, a monocultura intensiva, a destruição de terras e bosques e o uso de insumos químicos na agricultura estão transformando a agricultura em consumidor de energia e contribuindo para a mudança climática.

Sob as políticas neoliberais impostas pela Organização Mundial do Comercio (OMC), bem como pelo Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), os acordos de livre comércio bilaterais, a comida se produz com pesticidas derivados do petróleo e fertilizantes, e são transportadas para todo o mundo para a sua transformação e consumo.

A Via Campesina, um movimento que reúne milhões de camponeses e produtores de todo o mundo, declara que é tempo de mudar de forma radical a forma de produzir, transformar, comercializar e consumir alimentos e produtos agrícolas. Acreditamos que a agricultura sustentável em pequena escala e o consumo local de alimentos vai inverter a devastação atual e sustentar milhões de famílias camponesas. A agricultura também pode contribuir para o esfriamento da terra utilizando práticas agrícolas que reduzam a emissão de CO2 e o uso de energia por parte dos camponeses.

Por outro lado, os camponeses também podem contribuir na produção de energia renovável, especialmente por meio da energia solar e o biogás. A agricultura globalizada e a agricultura industrializada geram o aquecimento global pelos seguintes pontos:

1) Por transportar alimentos por todo o mundo

Transportam-se alimentos frescos e empacotados por todo o mundo e, atualmente, não é raro encontrar nos Estados Unidos ou na Europa, frutas, verduras, carne e vinho provenientes da África, América do Sul ou Oceania; também encontramos arroz asiático na América ou na África.

Os combustíveis fósseis usados para o transporte de alimento estão liberando toneladas de CO2 para a atmosfera. A organização de camponeses suíços, a UNITERRE, calculou que um quilo de aspargos importados do México necessita 5 litros de petróleo para viajar por via aérea (11.800 quilômetros) até a Suíça. No entanto, um quilo de aspargo produzido em Genebra necessita somente 0,3 litros de petróleo para chegar até o consumidor.

2) Pela imposição de meios industriais de produção (mecanização, intensificação do uso de agro-químicos, monocultivo)

A chamada agricultura moderna, especialmente a monocultura industrial, está destruindo os processos naturais do solo (o que conduz a uma presença de CO2 na matéria) e substitui por processos químicos baseados em fertilizantes e pesticidas.

Por conta, acima de tudo, do uso de fertilizantes químicos, da criação intensiva de gado e da monocultura, se produz um volume significativo de óxido nitroso (NO2), o terceiro gás de efeito invernadeiro com maior efeito sobre o aquecimento global. Na Europa, 40% da energia consumida nas explorações agrárias se deve à produção de fertilizantes nitrogenados.

Por sua vez, a produção agrária industrial consome muito mais energia (e libera mais CO2) para mover seus tratores gigantescos para cultivar a terra e processar a comida.

3) Por destruir a biodiversidade (e sumideiros de carbono)

O ciclo do carbono tem sido parte da estabilidade do clima durante milhões de anos. As empresas do agronegócio destruíram este equilíbrio pela imposição generalizada da agricultura química (com uso massivo de pesticidas e fertilizantes procedentes do petróleo), com a queima de bosques para plantações de monocultivo e destruindo as terras pantanosas e a biodiversidade.

4) Conversão da terra e os bosques em áreas não agrícolas

Bosques, pastagens e terras cultiváveis estão sendo convertidos rapidamente em áreas de produção agrícola industrial, em centros comerciais, complexos industriais, grandes casas e em grandes projetos de infra-estrutura ou em complexos turísticos. Estas mudanças causam a liberação massiva de carbono e reduzem a capacidade do meio ambiente absorver o carbono liberado na atmosfera.

5) Transformação da agricultura de produtora em consumidora de energia

Em termos energéticos, o primeiro papel das plantas e da agricultura é transformar a energia solar na energia contida nos açucares e celuloses que podem ser diretamente absorvidas na comida ou transformadas em produtos de origem animal. Esse processo é natural e gera energia na cadeia alimentar.

Não obstante, a industrialização do processo agrícola nos conduziu, nos últimos 200 anos, a uma agricultura que consome energia (usando tratores, agro-químicos derivados do petróleo, fertilizantes).

Falsas soluções

Os agrocombustíveis (combustíveis produzidos a partir de plantas e árvores) se apresentaram muitas vezes como uma solução para a atual crise energética. Segundo o protocolo de Kyoto, 20% do consumo global de energia deveriam provir de recursos renováveis até 2020 - e isto inclui os agrocombustíveis.

No entanto, deixando de lado a loucura de produzir comida para alimentar os automóveis enquanto muitos seres humanos estão morrendo de fome, a produção industrial de agrocombustíveis vai aumentar o aquecimento global, em vez de proporcionar a redução.

Em troca de uma pequena mudança ainda não comprovada (com exceção da cana-de-açúcar) de alguns gases de efeito invernadeiro comparado com os combustíveis fósseis, a produção da monocultura de palma, soja, milho ou cana-de-açúcar vai contribuir no desflorestamento e na destruição da biodiversidade. A produção intensiva de agrocombustíveis não é uma solução para o aquecimento global nem resolverá a crise global no setor agrícola.

O comércio de carbono

No protocolo de Kyoto e outros planos internacionais, o “comércio de carbono” tem se apresentado como uma solução para o aquecimento global. É uma privatização do carbono posterior à privatização da terra, ar, sementes, água e outros recursos.

Permite que governos assinem licenças com grandes contaminadores industriais de modo que possam comprar o “direito de contaminar” entre eles mesmos. Alguns outros programas fomentam que países industrializados financiem vertedouros baratos de carbono tais como plantações em grande escala no Sul, como uma forma de evitar a redução das suas próprias emissões.

Dessa maneira, estão sendo criadas grandes plantações ou áreas naturais de conservação na Ásia, África e América Latina, expulsando comunidades de suas terras e reduzindo o direito de acesso aos próprios bosques, campos e rios.

Cultivos e árvores transgênicas

Atualmente estão sendo desenvolvidas árvores e cultivos transgênicos para agrocombustíveis. Os organismos geneticamente modificados não resolverão nenhuma crise do meio ambiente sem que os mesmos coloquem em risco o meio ambiente, bem como a saúde e a segurança alimentar.

Essas árvores e cultivos transgênicos formam parte da “segunda geração” de agrocombustíveis baseados na celulose, enquanto que a primeira geração se baseia em diferentes formas de açúcar das plantas. Ainda, nos casos nos quais não se usam variedades transgênicas, a “segunda geração” apresenta os mesmos problemas que a geração anterior.

A Soberania Alimentar proporciona meios de subsistência a milhões de pessoas e protege a vida na terra

A Via Campesina acredita que as soluções para a atual crise têm que surgir de atores sociais organizados, que estão desenvolvendo modelos de produção, comércio e consumo baseados na justiça, na solidariedade e em comunidades saudáveis.

Nenhuma solução tecnológica vai resolver o desastre social e do meio ambiente. Somente uma mudança radical na forma como produzimos, comercializamos e consumimos pode dar terras para comunidades rurais e urbanas saudáveis. A agricultura sustentável em pequena escala, um trabalho intensivo e de pouco consumo de energia podem contribuir para o resfriamento da terra:

- Assumindo mais CO2 no solo, de maneira orgânica, através da produção sustentável (a produção extensiva de vacas e ovelhas em pastagens tem um balanço positivo de gás invernadeiro).

- Substituição dos fertilizantes nitrogenados pela agricultura ecológica e/ou cultivando proteaginosas que capturam nitrogênio diretamente do ar.

- Produção de biogás de resíduos animais e vegetais, com a condição de manter suficiente matéria orgânica no solo.

Em todo o mundo, praticamos e defendemos a agricultura familiar e sustentável e em pequena escala, e exigimos soberania alimentar. A soberania alimentar é o direito das pessoas aos alimentos saudáveis e culturalmente apropriados, produzidos através de métodos sustentáveis e saudáveis, e seu direito a definir seus próprios alimentos e sistemas de agricultura.

Colocamos no fundamento dos sistemas e das políticas alimentares as aspirações e necessidades daqueles que produzem, distribuem e consomem alimento, no lugar das demandas dos mercados e das transnacionais.

A soberania alimentar dá prioridade às economias e mercados locais e nacionais, dando poder a camponeses e pequenos agricultores, aos pescadores tradicionais, aos pastores e à produção, distribuição e consumo de alimentos baseados na sustentabilidade ambiental, social e econômica. Exigimos urgentemente aos encarregados de tomar decisões locais, nacionais e internacionais:

1) O desmantelamento completo das companhias de agrocombustíveis. Estão despojando aos pequenos produtores de suas terras, produzindo lixo e criando desastres ambientais.

2) A substituição da agricultura industrializada pela agricultura sustentável em pequena escala, apoiada por verdadeiros programas de reforma agrária.

3) A promoção de políticas energéticas sensatas e sustentáveis. Isto inclui o consumo de menor energia e a produção de energia solar e biogás pelos camponeses em lugar da promoção em grande escala da produção de agrocombustíveis, como é o caso atual.

4) A implementação de políticas de agricultura e comércio em nível local, nacional e internacional, dando suporte à agricultura sustentável e ao consumo de alimentos locais. Isto inclui a abolição total dos subsídios que levam ao dumping (competição desleal) de comida barata nos mercados de exportação e o dumping de comida barata em mercados nacionais.

Pelos meios de subsistência de milhões de pequenos produtores de todo o mundo, pela saúde das pessoas e pela sobrevivência do planeta: exigimos soberania alimentar e nos comprometemos a lutar de forma coletiva para consegui-la.

VIA CAMPESINA INTERNACIONAL

(Tradução do espanhol: Daniel S. Pereira - São Paulo/SP)

O que é a Via Campesina:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Via_campesina


Material encaminhado pelo MST:
http://www.mst.org.br/mst/index.html

Firefox consumindo menos de 1 MB! Conheça o Firefox Ultimate Optimizer

Infelizmente só funciona no windows, mas é uma boa dia para quem estácom problemas de memória no seu micro. Segue o link da matéria:
http://my.opera.com/Ricardo%20Belfiglio/blog/firefox-ultimate-optimizer-resolvendo-os-problemas-de-memoria-do-firefox

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Tania Maria - Come with Me

Que balanço!

Análise do Classmate pelo br-linux

Para quem quiser tomar conhecimento sobre os primeiros testes realizados no Classmate. Aí vai a análise feita pelo pessoal do br-linux.
http://br-linux.org/linux/os-primeiros-testes-com-o-nosso-classmate

Os próximos passos para o Dia de Ação Global

A proposta é realizar uma semana de mobilização internacional repleta de debates, eventos culturais, intervenções artísticas, marchas, protestos, ações diretas, encontros e outras formas de manifestação até o 26 de Janeiro, contra a globalização perversa e o neoliberalismo.
Maiores informações no link abaixo:
http://www.ciranda.net/spip/article1835.html

II Caminhada Eco-Cultural Zumbi dos Palmares

Dia 20 de Novembro - Serra da Misericórdia
Caminhada ecológica e cultural em homenagem ao Dia da Nacional da Consciência Negra, como uma atividade paralela as mobilizações do Fórum Mundial Social.
Em parceria o Movimento Culturas-Já de Preservação Cultural e Recuperação Social e da Ong Verdejar Proteção Ambiental e Humanismo reivindicam a Lona Cultural Zé Ketti e a implantação do Parque Ambiental da Serra da Misericórdia no bairro do Engenho da Rainha.
Local de encontro: Em frente ao Conjunto dos Músicos ás 8:30hs na Estrada Adhemar Bibiano, 4441, no Engenho da Rainha - telefones p/ contato: 2593-9443 e 9403-0559

domingo, 18 de novembro de 2007

São Petersburgo: Fragmentos da Revolução

Bela homenagem a uma inesquecível lembrança, algo que estará sempre dentro de nós, a cada passo revolucionário dado, a cada avanço do homem no sentido da utopia e da libertação.
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14701

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Branford Marsalis Quartet - Love Supreme

Quão profundo e intenso é o amor!

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Earth, Wind and Fire - Reasons (live)

Uma homenagem para as mulheres negras, por Philip Bailey!

Rompendo o cerceamento da palavra: a voz dos favelados em busca de reconhecimento

O objetivo da pesquisa coordenada pelo Ibase e Iuperj – com colaboração de pesquisadores(as) da Uerj, UFRJ, UFF e Uenf – foi romper a “lei do silêncio” nas comunidades quando o assunto é violência. Os pesquisadores ouviram, em 15 grupos focais, 150 moradores de 45 favelas cariocas. Também foram feitas entrevistas em profundidade com moradores (quinze no total) de três favelas, uma tida como “tranqüila” (sem tráfico nem grandes operações policiais), outra violenta e uma terceira onde há a presença de grupos de milícia (os nomes das comunidades não podem ser identificados por motivo de segurança).
Maiores detalhes sobre a pesquisa, acesse o link:
http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=2077

sábado, 17 de novembro de 2007

Importante dissertação de Mestrado de Karin Sant' Anna Kössling, pela USP

Tese importante sobre a ação dos órgãos de repressão do regime militar sobre o movimento negro.
Título da tese: As lutas anti-racistas de afrodescendentes sob a vigilância do Deops/SP (1964-1983).
Você pode baixá-la através link:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-01112007-142119/
Mais dissertações e teses escolhidas, em raça e gênero:
http://informa.blog.terra.com.br/teses_usp_de_acesso_livre_02
ou http://informa.blog.terra.com.br/?s=teses+usp&catsel%5B%5D

Vejam como a Globo trata as mulheres negras: POLÍCIA! GLOBO FORÇA CHOQUE CULTURAL PARA ESTIMULAR RACISMO!

Desculpem, mas eu me recuso a mostrar este vídeo no meu blog. Em todo caso trata-se de material que tem de ser divulgado e merecedor de uma réplica a altura.
Atenção, prepare-se para cenas de preconceito e racismo explícito.
Segue o material no link abaixo:
http://br.youtube.com/watch?v=ySWZXekdBkw
Para aqueles que quiserem demonstrar toda a sua indignação com o conteúdo. Vocês podem mandar um email para a Rede Globo no seguinte endereço:
http://redeglobo.globo.com/TVG/0,,F0-3914-1,00.html
Você pode usar inclusive o texto a seguir:
"É lamentavel como a Globo neste video ìncentive a segregação dos negros na sociedade e discrimine as mulheres Angolanas E NEGRAS e ofenda a cultura Africana,por isso estamos a nos preparar para fazer uma manifestação contra a globo no nosso país e na diaspora, temos que exigir um pedido de desculpa público, em nome das mulheres em todo mundo e não devemos admitir que situações como essas aconteçam,as mulheres são simbolo de luta, coragem e sofrimento e não é a globo que vai MANCHAR a imagem da cultura Africana e fundamentalmente das nossas mães, irmães e filhas."
P.S Este material me foi enviado através de email por Eliane Borges da Ong: "Mulheres Negras". Elas têm um site já citado no blog nos links ao lado.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Porque marchamos no dia da consciência negra

Um belo libelo sobre a trajetória de um dos movimentos mais importantes da história do Brasil recente.



Edson França

Foto: III Marcha/2006, por João da Cadesc

No próximo dia 20 de novembro o Movimento Negro Paulista organizará a IV Marcha da Consciência Negra, programamos o início da concentração às 11:00 horas da manhã no Vão Livre do Masp - na Av. Paulista. A Marcha da Consciência Negra é uma construção histórica coletiva, herdada das lutas travadas por negros e negras desde a chegada e escravização do primeiro africano no Brasil. Por isso em todo país as manifestações públicas e todas atividades de 20 de novembro organizadas pelo Movimento Negro rememoram a ancestralidade negra através de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra, isso remete a capacidade dos descendentes de africanos reconhecer valores, heranças, culturas, fundamentos e aplicá-los nas diferentes situações do presente e para o futuro. Compreendemos que o Dia da Consciência Negra é um Patrimônio Imaterial do Povo Brasileiro, trata-se de uma generosa contribuição da população negra para construção da brasilidade, por isso Zumbi dos Palmares se encontra no Panteão dos Heróis Nacionais, todo brasileiro lhe deve reverência hoje e sempre. Essa vitória tem grande significado político ao Movimento Negro e para luta da população negra, pois quem tem poder de construir mito nacional, tem poder de construir a própria nação. Em outras palavras mudar o Brasil é um sonho a ser atingido com o protagonismo do Movimento Negro e não uma utopia irrealizável.

Em São Paulo a Marcha da Consciência Negra teve sua primeira versão em 20 de novembro de 2003, na ocasião compreendemos que tínhamos encerrado um longo ciclo que consistia na desconstrução do significado oficial do 13 de maio e consolidado o 20 de novembro - em última instância, a construção do Dia da Consciência Negra é uma longa batalha vencida contra a famigerada teoria da democracia racial. O triunfo de Zumbi dos Palmares teve início em 1971 pelo Grupo Palmares, em Porto Alegre , quando propuseram mais valorização ao herói negro, até então, esquecido pela população brasileira. A vitória exigiu longos anos de debates, denúncias, seminários, ações de rua, além de algumas atividades de massa que repercutiram positivamente para consolidação do Dia da Consciência Negra, tais como: 1988 a grande Marcha do Centenário da Abolição no dia 13 de maio e em novembro a caravana nacional para Serra da Barriga, palco principal do conflito de Palmares e lar de Zumbi, 1995 a Marcha Nacional do Tricentenário de Imortalidade de Zumbi dos Palmares em Brasília, 2000 a caravana nacional para Porto Seguro conhecida como Outros Quinhentos - 500 anos de Resistência, Negra, Indígena e Popular, dentre outras. Voltando a São Paulo, vimos que a pulverização das atividades do Movimento Negro fragilizava a coletividade negra; a necessidade da união do Movimento Negro para uma ação de impacto conjunta; que o novo período exigia propostas e debate político público, então, definimos pela organização da I Marcha da Consciência Negra.

Para o Movimento Negro marchar em 20 de novembro é avançar na luta contra todas as injustiças que pesam sobre negros e negras, compreendemos que a única saída para população negra é o combate e não se dará sem conflitos conta aqueles que nos oprimem. Por isso nos interessa a justeza da reivindicação e da proposta, não tergiversamos e nem buscamos palavras agradáveis aos ouvidos da mídia ou de qualquer segmento que representa a burguesia dominante. Essa é a razão das sucessivas vitórias do Movimento Negro brasileiro. Contra a mídia e a elite branca racista derrotamos o mito da democracia racial; criamos organismos de promoção da igualdade racial nas três esferas de governo; revogamos a Lei da Terra de 1854 na constituição com o artigo 68 da ADCT e o Decreto 4887/03, obrigando o Estado Brasileiro reconhecer a posse das terras dos quilombolas; criminalizamos constitucionalmente a prática de racismo; avançamos na implantação das cotas nas universidades; inserimos previsão orçamentária no plano pluri-anual da união e de vários estados e municípios; aperfeiçoamos a Lei de Diretrizes e Base da Educação através da Lei 10.639/03, com essa lei estabelecemos a base legal que desencadeara uma silenciosa revolução na educação e, conseqüentemente, no Brasil.

Essas conquistas indicam que o Movimento Negro está no caminho correto, que nosso processo de construção tem solidez, respeitamos a diversidade contida em nosso interior, porém estamos imunes as ações de espertos e espertezas conjunturais, palavras bonitas, cartas na manga e outros truques que aparecem no processo político. Faço questão de reiterar nosso propósito de que a IV Marcha da Consciência Negra sempre foi ampla, desde sua concepção, pois fizemos questão de envolver “juventude, a capoeira, as escolas de samba, o Hip Hop, as religiões de matriz africana, os evangélicos, e membros de todas as religiões, os estudantes e empresários e empreendedores - militantes ou não de Partidos e ou organizações e entidades. (...) participação de todos os setores anti-racistas da sociedade, negros ou não sob o tema”. Quem leu ou ler os materiais das marchas anteriores constará o caráter amplo da Marcha da Consciência Negra, mobilizamos entidades comunitárias, pois sabemos que é nas comunidades, especialmente nas periferias que se encontram a população negra, por isso orgulhosamente recebemos movimentos populares do Capão Redondo, Jd. Ângela, Cidade Tiradentes, Perus, etc. Compomos com os trabalhadores, sabedores que é na relação capital & trabalho que se acentua o racismo, através da CUT que altruísticamente abriu mão de sua tradicional Marcha do Sorriso Negro, da CGT que se envolveu inteiramente na Marcha e de vários sindicatos, como o Sindicato dos Metroviários que divulgou vários dias nas estações do metrô a Marcha da Consciência Negra com materiais que confeccionaram. Não vou me estender a cada segmento citado, apenas tentei corrigir falas inapropriadas, ou melhor, mentirosas sobre o sentido da construção da Consciência Negra expresso nas marchas. Nunca as organizações e ativistas do Movimento Negro que se envolveram na Marcha da Consciência Negra restringiram a participação apenas para negros, ao contrário, sempre buscamos outros segmentos sociais e étnicos, entendendo que o racismo não é um problema de negro, mas do Brasil.

Por fim, a IV Marcha da Consciência Negra de São Paulo acatará a definição das políticas que a Assembléia Nacional do Conneb indicar, como forma de estabelecermos uma fala unificada do Movimento Negro em âmbito nacional. Somos e seremos sempre intransigentes na defesa da unidade do Movimento Negro, concebemos a unidade como um fundamento essencial para o avanço político e social das negras e dos negros brasileiros, acreditamos que a unidade da III Marcha da Consciência Negra se dará nas bandeiras que defenderemos, na divisão do protagonismo político, no respeito as diferenças políticas e ideológicas e na compreensão que o dia 20 de novembro é reservado ao nosso líder maior Zumbi dos Palmares, à Consciência Negra e a todas as mulheres e homens que nos legaram essa luta. Sem respeito a ancestralidade não há possibilidade de vitória dos negros na África ou na diáspora, resistiremos qualquer racista ou colaboracionista (consciente ou inconsciente) que tentar profanar a herança que recebemos de nossos avós.

*Edson França - Coordenador Geral da Unegro

Publicado originalmente no site, www.ciranda.net, sob o link:
http://www.ciranda.net/spip/article1819.html

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Baden Powell - "Samba em Prelúdio"

Saravá, Baden!

Uma análise da violência do Rio de Janeiro em uma perspectiva de luta de classes

'MEU DEUS DO CÉU, MAS QUE PALPITE INFELIZ" - Noel Rosa

Houve quem considerasse infeliz a declaração do responsável pela segurança pública do Rio de Janeiro, com toda razão. Sem ter a pretensão de estar absolutamente certo, considero que a autoridade apenas revelou o ponto de vista comum a todas as nossas autoridades - do STF ao guarda de trânsito, do Presidente ao alcaide, dos ministros aos suplentes de vereador: para todos eles a população que vive na pobreza é lixo humano, cuja única razão de ser é, paradoxal e periodicamente, eleger os coveiros que a enterram no desemprego, na miséria, no abandono, no alcoolismo, na prostituição, na loucura, no fanatismo religioso ou no crime.

Não pode haver melhor reconhecimento, ao contrário do que pensam todos os fascistas que se locupletam do processo de saque das riquezas nacionais, da existência da luta de classes e de seu papel fundamental na organização da sociedade. Basta retomar o enunciado do chefe da polícia e observar lingüísticamente a supressão dos pobres do horizonte da classe dominante. Se já é grotesca a diferenciação adverbial entre zona nobre (Copacabana) e zona pobre (Coréia), ou seja, o reconhecimento explícito do tratamento desigual da população por parte do aparelho policial, torna-se trágica a parte do enunciado que não despertou tanto a atenção do público: aquela que diz que as favelas estão muito mais próximas da população (na zona sul). O pensamento do secretário assumiu uma clareza meridiana: A FAVELA NÃO FAZ PARTE DA POPULAÇÃO, O FAVELADO NÃO PERTENCE À POPULAÇÃO. EXISTEM, PORTANTO, DUAS REALIDADES: POPULAÇÃO E FAVELA.

De acordo com as idéias do secretário de insegurança, podemos observar que o aparelho policial é construído para proteger a burguesia e parte da classe média, os governantes, as autoridades e os empresários, e para levar o terror, a morte (em outras declarações o responsável por nossa segurança considerou-as normais, seguramente porque se trata de vidas de favelados) e o rótulo de traficantes a todos os habitantes das comunidades carentes do Rio de Janeiro.

A miopia desse governo fascista é assustadora. Tem-se a impressão de que não há uma preocupação sincera em combater o tráfico, e sim produzir ações impactantes, televisivas (parece que as operações são combinadas com a mídia, pois são filmadas quase em tempo real: como ações que deveriam ser sigilosas podem ser informadas à mídia com tamanha velocidade?) e mortais para as comunidades.

Quais as conseqüências de tais operações: digam uma só favela na qual, após tantas invasões policiais, combates e mortes, o tráfico tenha sido extinto? Qual o resultado da mega-operação no Complexo do Alemão? Táticas de guerrilha urbana, treinamento no Haiti, caveirões, homens superpreparados, Força Nacional. Tudo isso, fora o êxito momentâneo, os dez segundos de glória, serviu para quê? O tráfico continua no Complexo do Alemão. Se ele está momentaneamente enfraquecido, a sua raiz está mais forte porque parte da população percebe que o alvo não se limita aos bandidos que infelicitam a vida dos moradores, mas todos são alvos porque são pobres, subcidadãos, são seres invisíveis para a sociedade. Matar quatro, dez, quinze ou cem bandidos pode ser uma exigência do combate ao crime, porém não significa destruir as fontes que criam tantos marginais. Se a idéia fixa da polícia é matar, está condenada de antemão ao fracasso.

Quantos homens em armas dispõe o tráfico no Rio de Janeiro? Quantos ele pode arregimentar se quiser? Quantos homens ele pode buscar em outros estados? E se os traficantes perceberem que unidos constituirão um problema quase insuperável?

Como milhares de policiais não conseguiram acabar com o tráfico do Complexo do Alemão? Entendo que a mídia e a polícia não informem a dimensão do retumbante fracasso da operação, não só pela modo espalhafatoso, circense (um circo de horrores, é certo) como tudo foi veiculado, de acordo com o qual a violência do estado é um instrumento mágico para corrigir todas as mazelas das quais brota o tráfico, mas para não alarmar e espalhar o pânico na população, já com um alto índice de paranóia. O que é difícil de entender é a insistência nos mesmos erros.

Uso o termo fracasso pela desproporção entre a natureza gigantesca da operação e seus exíguos resultados, e por ela não ter conseguido a finalidade precípua, isso após quase duzentos dias! Como não dá para reconhecer que pessoas inocentes morreram em vão e outras (inocentes ou não) foram executadas, tudo desaparece do noticiário, tudo vai para debaixo do tapete.

Não se trata de achar que a violência não seja necessária no combate ao crime, leitura supérflua que os fascistas costumam fazer das críticas à ação policial. Trata-se, na verdade, de perceber que só a construção de uma aparelho policial popular, construído para defender o povo, assegurar tranqüilidade a todos os moradores da cidade, seja da favela ou do asfalto, respeitar as leis, defender as crianças e os velhos especialmente, auxiliar os portadores de deficiência, empregar a violência quando não houver outro recurso, poderá resolver os gravíssimos problemas criminais. Ora, tal aparelho policial jamais surgirá no modo de produção capitalista, todo ele um processo de culto à violência e de produção e valorização de crimes de toda natureza, grande parte dos quais sequer sofre efetivamente qualquer forma de combate.
O que fazer, então? Lutar por uma sociedade socialista e, como vivemos em uma capitalista, exigir o máximo comprometimento de todas as autoridades com práticas democráticas. Na conjuntura atual, essa luta aponta para o combate à concepção equivocada de segurança pública do coveiro (alguns usam o substantivo governo) de plantão do nosso estado, a colombianização da polícia carioca.
Matéria originalmente publicada em ODIAonline
Publigado também no blog: http://lutadeclasses.blogspot.com/2007/10/meu-deus-do-cu-mas-palpite-infeliz-noel.html

Dúvidas pairando sobre a continuação do Kurumin Linux

É com muita tristeza que publico este post, afinal foi através do Kurumin que cheguei até aqui. A importância do Kurumin para a popularização do Gnu/Linux no Brasil ainda não foi avaliada, mas certamente é muito grande. Hoje utilizo o Fedora, contudo nunca esquecerei da emoção dos primeiros comandos digitados a bordo do Kurumin.
http://www.maxraven.info/duvidas-pairando-sobre-a-continuacao-do-kurumin-linux.html#comment-295

Escolas receberão 90 mil PCs com software livre

O Gnu/Linux está finalmente chegando às escolas. Isto certamente possibilitará a popularização do software livre, ampliando horizontes e abrindo mentes.
http://br-linux.org/linux/escolas-receberao-90-mil-pcs-com-software-livre

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Cartola e Leci Brandão - Acontece

Axé,Cartola!

Frantz Fanon: Black Skin, White Mask e Rue Cases Negres (Sugar Cane Alley)

Quem souber maiores informações destes dois filmes. Por favor, me informe. Onde posso comprá-los, com legenda em português?

A film biography of Frantz Fanon, which follows him from his birth in 1925 on the French island of Martinique, through his medical training in France and subsequent disillusionment which resulted in this film. Normal Films production for BBC and the Arts Council of England in association with Illuminations; producer, Mark Nash; director, Isaac Julien; written by Isaac Julien and Mark Nash. Cast: Colin Salmon. Director of photography, Nina Kellgren. San Francisco, CA: California Newsreel [distributor], c1995. 1 videocassette (ca. 50 min.): sd., b&w and col.; ½ in. VHS. French language; English subtitles. Florida

Sugar Cane Alley (Rue Cases Negres) Based on the novel La Rue Cases Negres, this is the story of Jose, a bright mischievous 11-year old orphan, and his grandmother who is determined to save him from the hard life of sugar plantations on French-occupied Martinique in the 1930’s. Directed by Euzhan Palcy. Starring Darling Legitimus, Garry Cadenat. 1985. Guide included which provides detailed lesson plans for each 10 to 15 minute segment of the film—FilmArobics, Inc. 107 minutes, 54 pages. In French with English subtitles.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Confrontando as escravidões - Para um diálogo visando ao entendimento cultural

O evento será marcado pela abertura do diálogo livre e democrático com especialistas de diversas partes do mundo. Segundo o embaixador, "o plural (no título) se justifica porque, ao longo da história, a escravidão assumiu várias formas e significados culturais para os povos envolvidos".

O evento será no Teatro R. Magalhães Jr., com entrada franca e transmissão ao vivo pelo portal da Academia Brasileira de Letras.


Programação completa:

22 de novembro de 2007

10h: Abertura

11h: Discurso programático

Alberto da Costa e Silva: Para uma história comparada das escravidões

12h: Lançamento de livro “Rotas atlânticas da diáspora africana: da baía do Benim ao Rio de Janeiro”, de Mariza Carvalho Soares, Niterói: EDUFF, 2007

13h: Almoço

15h: PARA UM DIÁLOGO VISANDO AO ENTENDIMENTO CULTURAL

Martin Klein: Foi a escravidão americana única? Uma comparação com o Sudão Ocidental

Mohammed Ennaji: Cor e status no mundo árabe

David Richardson: O tráfico de escravos da África para as Américas como um diálogo cultural e institucional

Malek Chebel: A escravidão nas terras do islã - História, mito e realidade

Debatedor: Paul E. Lovejoy

23 de novembro de 2007

9h30: O DIÁLOGO DOS GÊNEROS

Gwyn Campbell: A ação da mulher escrava no oceano Índico

Boubakar Barry: Escravidão doméstica e identidade no Futa Jalom

Yacine Daddi Addoun: O escravo nos tratados árabes de fisiogonomia

Maria Elisa Velásquez Gutierrez: Experiências na escravidão: Mulheres africanas e indígenas no México colonial

Debatedora: Rina Cáceres Gómez

13h: Almoço

15h: HONRA, DIGNIDADE E DIÁLOGO CULTURAL

Mariza de Carvalho Soares: Venerando o Rosário: Escravos africanos católicos no império colonial português, do século XV ao XVIII

Ismael Musah Montana: As origens e o processo de transculturação dos Stambali na Tunísia hussainida

Giovanna Fiume: Conflito político, diálogo religioso. A escravidão e o martírio de Juan de Prado (Marraquexe, 1631)

Hebe Maria da Costa Mattos: Honra, status e escravidão no Atlântico português do século XVII

Debatedor: David V. Trotman

24 de novembro de 2007

9h30: RESISTÊNCIA E ACOMODAÇÃO COMO EXPRESSÕES DO DIÁLOGO

Michele Johnson: Um desfile de negrinhos: servidores domésticos escravizados e a negociação de espaços culturais na Jamaica

Natalie Rothman: Sujeição contestada: escravos fugidos na Veneza do
]início da era moderna

Mariana Candido: Crioulização

Hebe Maria da Costa Mattos: Honra, status e escravidão no Atlântico português do século XVII. A formação de uma comunidade atlântica em Benguela, de 1750 a 1850

Debatedora: Jane Landers

11h30: Apresentação do vídeo Jongos, calangos e folias: memória e música negra de Hebe Mattos e Martha Abreu

13h: Almoço

15h: HERANÇAS E A BUSCA DO DIÁLOGO

Elisée Soumonni: Confrontando a herança do tráfico de escravos e da escravidão na África: para um diálogo de religiões e culturas

Edward Alpers: A diversidade das experiências da escravidão africana no Oceano Índico

Behanaz As Mirzai: O legado da escravidão: as práticas culturais e religiosas dos afro-iranianos

Toyin Falola: Confrontando o legado da escravidão e da servidão na construção da identidade iorubana

Debatedor: Ehud Toledano

18h: Encerramento

Mohammed Ennaji

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Chegou o NOSSO Classmate PC - que testes você quer fazer?


http://br-linux.org/linux/chegou-o-nosso-classmate-pc-que-testes-voce-quer-fazer
http://www.guiadohardware.net/analises/intel-classmate-parte3/
Teste você também.

Grupo afro Agbara Dudu II

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

23 DE NOVEMBRO – 6ª FEIRA – 21:00h às 04:00 h

VIII NOITE DA BELEZA NEGRA

GRÊMIO RECREATIVO IMPÉRIO SERRANO
CONVITES ANTECIPADOS
CAMAROTES: (ALGUNS) – 15 PESSOAS – R$ 250,00
MESA COM 04 C0NVITES: R$ 50,00
INDIVIDUAIS: R$ 10,00
Informações: 2596-7060/2489-8722/9287-5082/9412-9308

25 DE NOVEMBRO – DOMINGO – 10:00h às 17:00h
BELEZA NEGRA EM FOCO

SESC MADUREIRA
ATIVIDADE COMUNITÁRIA
ENTRADA GRÁTIS
Exposição Fotográfica do Agbara, Feira de Artesanato, Moda Afro, Mostra de Vídeo, e apresentação da Banda Dudu do Agbara e outros
Recriando um grande TERREIRÃO SENZALA
Som Mecânico – Teko Rastafari.

COMUNIDADE AGBARENSE,
CONTAMOS COM VOCÊ!!!

AXÉ

Grupo afro Agbara Dudu

Grupo afro
AGBARA DUDU
Em yorubá significa FORÇA NEGRA
FUNDAÇÃO: 04/04/82

DA

FORÇA CULTURAL DO RIO A MADUREIRA

TODO 2º domingo do mês

No próximo domingo, 11 de novembro, a partir das 15 horas, estaremos realizando a atividade mensal do nosso Terreirão Senzala, cujo objetivo é o reencontro dos amigos e simpatizantes que durante 25 anos fortaleceram a resistência cultural da entidade.

LOCAL: TOCA DO BETINHO: Rua Pirapora, 114 - Oswaldo Cruz - ( Ao lado da Portelinha)

HORÁRIO: 15:00 ás 22:00 h INGRESSOS: R$ 2,00

Música Mecânica: DJ Luiz Cláudio

Exposição de Fotos, Mostra de Vídeos, e... VOCÊ

Venha curtir, aquela cervejinha gelada ao som da Banda Dudu do Agbara!

VENDA DE CONVITES, MESAS E CAMAROTES (ALGUNS), PARA A

XVIII NOITE DA BELEZA NEGRA

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA REI E RAINHA

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Djavan - Se

He, He, He, Djavan!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

I Feira Infanto-Juvenil do Livro Afro-Brasileiro



Informamos a programação da I Feira Infanto-Juvenil do Livro Afro-Brasileiro que acontecerá no Instituto Palmares de Direitos Humanos - IPDH, Rua Mem de Sá nº 39 Lapa, nos dias 10 e 11 de novembro de 10 às 18 horas. É de graça e com programação variada para crianças, jovens e adultos. Atenção para os horários dos eventos:








Sábado:


Manhã


10 hs - Filme infantil

11 hs - Apresentação musical do grupo Musik Fabrik


Tarde


14 hs - Filme Vista Minha Pele/ debate com Ana Felipe

16 hs - Apresentação da autora Sonia Rosa com contação de história

18 hs - Apresentação de Capoeira Angola com Mestre Lumumba



Domingo :


Manhã


10 hs - Contação de história infantil com Ana Paula Venâncio

11 hs - Oficina de desenho/ caricatura com Victor


Tarde


14 hs - Filme infantil

15 hs - Recreação

16 hs - Palestra com o autor Rogério Andrade Barbosa

18 hs - Teatro infantil - Cia de Jovens Griôts

O Grande Caçador: Uma lenda africana

II Seminário Inserção e Realidade

II SEMINÁRIO INSERÇÃO E REALIDADE
Dias 21 e 22 de novembro de 2007, no Teatro do SESC da Tijuca
Entrada franca
Será aberto no dia 21 de novembro de 2007, às 10h, com a presença do ator e estudioso da
questão racial, Milton Gonçalves, do compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes e do Diretor do SESC, Bruno Villas Boas, o II Seminário Inserção e Realidade no Teatro do Sesc daTijuca, Rua Barão de Mesquita, 539. A entrada é franca e as inscrições podem ser feitas. O Seminário teve grande repercussão no ano passado e será realizado durante dois dias (21 e 22 de novembro) dentro do II Festival de Música, Dança e Cultura Afro-Brasileiras patrocinado pela Petrobrás, apoiado pelo SESC, e produzido pela ND Comunicação. Pesquisadores, jornalistas e personalidades ligadas à cultura afro e o público estarão juntos – em cinco mesas-redondas – debatendo e promovendo a história e a realidade dos cidadãos afro-descendentes em nossa sociedade.


PROGRAMA:
DIA 21/11, QUARTA-FEIRA
▪ Às 10h, Abertura do II Seminário Inserção e Realidade com a presença da Ministra Matilde Ribeiro, Bruno Villas Boas (representante do SESC) e Eliane Costa (representante da Petrobras)

▪ Às 11h, 1a Mesa-redonda: Midia - Inserção de artistas negros e profissionais de comunicação
Participação: Jorge Coutinho (Presidente do SATED) e Tatiana Tibúrcio (atriz)
Ementa: A escassez e desigualdade de oportunidades para negros X brancos na mídia e em todas as artes, especialmente no cinema, na televisão e na publicidade. O preconceito e o racismo explícitos ou velados na relação ator/personagem e nas campanhas publicitárias; a discriminação do jornalista negro na grande mídia, especialmente a eletrônica. Preconceitos estéticos como determinantes da manutenção de estereótipos racistas, interrompendo carreiras promissoras, produzindo marginalidade e alimentando o desemprego.

▪ Às 14h, 2a Mesa-redonda: Violência Social e Racismo
Participantes: Coronel Jorge Silva (advogado e Doutor em Ciências Sociais), Alba Zaluar
(antropóloga e professora da UERJ) e José Moreira Pinto (psicólogo)
Ementa: A discriminação racial na origem da violência social e da criminalidade. A impunidade e os instrumentos de punição contra o racismo: eficiência em que direção? Crime organizado, tráfico de drogas e racismo: mitos e verdades sobre um importante tripé da violência no Brasil.
O dever e o poder da polícia na defesa da segurança pública X sua real atuação e impacto de imagem sobre a sociedade civil. A estética do medo e o papel da mídia na batalha contra o racismo e a violência social.

DIA 22/11, QUINTA-FEIRA
▪ Às 10h, 3a Mesa-redonda: A Mulher Negra e os Preconceitos
Participantes: Edialeda Nascimento (médica), Lucia Hipólito (cientista política), Wania Sant`Anna (historiadora) e Jurema Werneck (médica, coordenadora da ONG Criola).
Ementa: Das tarefas pesadas afeitas às mulheres negras cativas, o que e quanto mudou da
Escravidão até a Abolição? A violência doméstica, o subemprego, saúde, maternidade e a rendição às formas estereotipadas da sexualidade feminina como apelo à inserção social;
obstáculos à inserção e ascensão das mulheres negras no mercado de trabalho. Mulheres
negras como agentes de transformação, sua presença e contribuição acolhidas como um bem da humanidade. A distância entre as políticas institucionais e o cotidiano das mulheres.

▪ Às 11h30m, 4a Mesa-redonda: Educação e Exclusão
Participantes: José Vicente (Universidade Palmares – SP) e José Luis Petrucelli (pesquisador e cientista social do IBGE)
Ementa: Avanços e retrocessos na luta negra pelo direito ao conhecimento, desde o ensino fundamental à universidade e capacitação para o trabalho; a importância e adoção da História da África e da cultura afro-brasileira no currículo escolar obrigatório. A contribuição das pesquisas estatísticas na detecção dos padrões de discriminação que impedem o convívio inter-étnico justo, equilibrado e eqüitativo. A universidade como símbolo da vitória e da luta continuada contra a injustiça, a pressão a intolerância e a discriminação contra o negro.

▪ Às 14h30m, 5a Mesa-redonda: Religião: Tradição e modernidade
Participantes: Nei Lopes (escritor e compositor), Mãe Beata de Iemanjá (babalorixá), Muniz Sodré (escritor e professor), Pastor Marco Davi de Oliveira (fundador da ONG Simeão/Niger e Coordenador do Fórum de Lideranças Negras Evangélicas).
Ementa: O papel e o poder dos movimentos e seitas religiosas na luta contra o racismo e a
exclusão social. Espiritualidade, conhecimento e cidadania no cotidiano dos terreiros: aorganização social das casas de santo; a preservação da cultura oral, saúde e valorização da natureza como fundamentos religiosos. A migração dos negros para religiões cristãs evangélicas; o poder religioso e econômico como mecanismo de controle e fomento do sectarismo. O racismo e a intolerância nas organizações religiosas. O papel do Estado no âmbito da assistência social.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

COMEMORANDO OS 90 ANOS DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA DE 1917, O CCOB CONVIDA PARA O LANÇAMENTO DA REVISTA "PRIMAVERA VERMELHA"

É NESTE SÁBADO, DIA 10 DE NOVEMBRO, 16 HORAS
EXIBIÇÃO DO FILME "OUTUBRO" DE SERGEI EISENSTEIN, LANÇADO EM 1927 PARA MARCAR O 10° ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO
APÓS O FILME MESA REDONDA SOBRE A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA QUE FEZ TREMER O CAPITALISMO MUNDIAL.
RUA MIGUEL ÂNGELO, 120, ENTRADA PELA RUA FRANCISCO NEIVA, PRÓXIMO AO METRÔ DE MARIA DA GRAÇA.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: South Africa's Amampondo - Seng' Inkomo

Raízes africanas vivas em todos nós.

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Miriam Makeba - Amampondo

Viva a África!

Semana da Consciência Negra

Estava viajando pelo Google, procurando eventos ligados ao Dia Nacional da Consciência Negra, o nosso querido 20 de novembro e pude constatar, felizmente, a quantidade enorme de projetos que aconteceram ou vão ocorrer no país inteiro. Fico satisfeito, pois a saga de Zumbi dos Palmares e seus combatentes vive hoje na mente de milhões de brasileiros, embora tenha sido proscrita durante muito tempo dos livros escolares. Graças a luta do movimento negro e de parcelas crescentes de aliados em toda a sociedade cada vez mais brasileiro refletem sobre a terrível desigualdade "racial" existente neste país e se dispõem a lutar contra ela. Viva Zumbi dos Palmares e todos aqueles que lutam para transformar esta incômoda realidade.

Exposição Fotográfica de Mãe Beata de Yemanjá

MÃE BEATA, BEATRIZ!
Jorge Ferreira, o fotógrafo, retrata 50 anos da Yalorixá!

A Yalorixá MÃE BEATA, uma das importantes sacerdotizas de religião de matriz africana tem, nada menos que 50 anos de santo.
Bafejado pelos Orixas, Inquices ou Voduns, o fotógrafo Jorge Ferreira reuniu imagens de Mãe Beata mundo afora.Europa, Estados Unidos, América Latina e Áfricana compõe os cenários fotográficos. Resultado: a exposição
BEATA, BEATRIZ, 50 ANOS DE AXÉ!
O coquetel de inauguração será no dia 9 de novembro, sexta-feira, às 18 horas, no Instituto Palmares de Direitos Humanos - IPDH.
Antes ,porém, 16horas, Mãe Beata preside uma mesa constituída de intelectuais e pesquisadores como CREUZELLY SILVA (Conselho Municipal dos Direitos do Negro), ELIANE BORGES, JOSÉ CARLOS FÉLIX (Fundação Cultural Palmares), LEONARDO BENTO (Comunidade Negra do IFC'S), NEIA DANIEL (Secretaria de Estado de Cultura - Assessoria Afro) e VILMA PIEDADE (Coletivo de Mulheres Negras - RJ).

BEATA BEATRIZ, 50 ANOS DE AXÉ!
exposição fotográfica

9 a 30 de novembro - visitação: 10 às 17hs
autor: Jorge Ferreira
Instituto Palmares de Direitos Humanos - IPDH
Av. Mem de Sá, 39 - Lapa - RJ
Entrada Franca


Apresentação e Assessoria de Imprensa - Mauro Viana (8648-4736)
produção: JIMP Comunicação
realização: Assessoria de Assuntos Afros - Secretaria de Estado de Cultura
apoio - Conpir - Nova Iguaçu.


Bancada Ruralista - o maior grupo de interesse do Congresso Nacional

Estudo feito pelo Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) aponta o crescimento da bancada ruralista na atual legislatura, da ordem de 58,9%, e analisa as formas de atuação desta bancada, que constitui o maior grupo de interesse no Congresso Nacional. A bancada ruralista conta com 23% dos parlamentares da Câmara dos Deputados. Historicamente, desde a legislatura de 1999/2003, esta bancada vem desenvolvendo a estratégia de ocupar todos os espaços políticos possíveis. Nunca foi inusitada a visita de lideranças ruralistas a gabinetes de senadores nos momentos de votação ou de encaminhamentos de projetos de interesse da bancada. Este artigo está em pdf. Vale a pena ser lido.
http://www.inesc.org.br/portal

Londres, Copacabana e o Complexo do Alemão: Em que diferem estas populações?

Ontem quando passava em frente a Rua Canitár, uma das principais entradas do Complexo do Alemão, avistei uma senhora negra, idosa, de alvos cabelos amparada e acompanhada do que parecia ser sua filha ou neta, adentrando com grande dificuldade a comunidade, certamente se dirigindo para sua humilde residência. Elas quase esbarraram em soldados da Força Nacional, fortemente armados com seus novíssimos e reluzentes fuzis.
Ao perceber tal cena fiquei a pensar na declaração infeliz, para não dizer fascista, do atual secretário de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro José Maria Beltrame do governo Sérgio Cabral Filho que, em entrevista a Rádio CBN disse a seguinte pérola:
“Buscá-los [os traficantes] na Zona Sul, no Dona Marta, no Pavão-Pavãozinho, eu [polícia] estou muito próximo da população. É difícil a polícia ali entrar. Porque um tiro em Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Alemão, é outra. E aí?."

O Estado brasileiro sempre se caracterizou por um total desrespeito aos direitos humanos, em particular, dos trabalhadores, mesmo nos períodos democráticos e podemos incluir aí os últimos 21 anos. Vivemos numa sociedade marcada pelo autoritarismo e pela hierarquização em classes, e em raças, onde a tortura e as execuções sumárias são fenômenos que a globalização e o neoliberalismo vieram acentuar. "Nunca, em nenhum momento da história deste país", como diz o presidente Lula, os índices de mortes por armas de fogo foram tão altos. Neste quadro, a aquiescência de parcela da sociedade - a chamada "população", citada pelo eminente secretário - a tal política fica evidenciada pela reação positiva e emocional ao filme "Tropa de Elite", onde o personagem "Capitão Nascimento" chega a ser elevado à condição de herói.

O que será então da vida dessa modesta senhora e de sua filha ou neta? O que o futuro lhes reserva? Quantos tiroteios e mortes ainda irão presenciar? Quantos mortos ainda verão, ao lado de sua casa ou nos becos da favela? Será que serão atingidas por uma bala perdida? Afinal não moram próximas à "população" que têm os seus direitos respeitados pelo Estado, não são consideradas cidadãs.

Ainda recentemente, lemos pela internet que a polícia de Londres foi considerada culpada por colocar a segurança do público em risco no episódio que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. E è por isto que perguntamos:
Quando a polícia do Estado do Rio de Janeiro vai ser culpabilizada pelo mesmo motivo? Quando a população do Complexo do Alemão terá seus direitos respeitados, como a população de Londres ou Copacabana? Resumindo, somos todos cidadãos, brasileiros ou britânicos, ou não somos?

Google anuncia o Android, um SO de código aberto

Google acompanhado de vários parceiros, entre eles, Motorola, HTC, Samsung e LG pretende lançar um SO de código aberto para ser utilizado em celulares. Leia a matéria:
http://www.guiadohardware.net/noticias/2007-11/47305E06.html

III Encontro de Literaturas Africanas – Pensando África: crítica, pesquisa e ensino


A Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense, tendo o apoio de outras instituições envolvidas nos estudos africanos, vem comunicar a realização do III Encontro de Literaturas Africanas – Pensando África: crítica, pesquisa e ensino - que acontecerá, nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2007, na UFRJ (Rio de Janeiro).
Para ver a programação completa, acesse http://www.letras.ufrj.br/pensandoafrica/

domingo, 4 de novembro de 2007

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Ed Motta - Azul Da Cor Do Mar

Tim Maia agradece pela homenagem.

Parada Negra, em São Paulo

Acontecerá no, Dia Nacional da Consciência Negra, dia 20 de Novembro, em São Paulo, a Parada Negra. A Parada Negra deste ano tem como tema "Por um Brasil sem Racismo com oportunidades iguais para todos" e levará para a Avenida a bandeira da aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no Congresso, e a defesa da generalização das Ações Afirmativas e cotas na Educação, no mercado de Trabalho, na mídia, nos partidos políticos e no Estado. Além do Estatuto o Movimento Brasil Afirmativo defende a aprovação do PL 73/99, da PEC 02/06 e do projeto que institui o 20 de Novembro como feriado nacional. Para maiores informações leia a postagem abaixo:
http://www.afropress.com/noticias_2.asp?id=1385

Rede de telefonia móvel e a popularização da internet

Eu conheço muita gente que acessa a grande rede através da conexão discada, não porque queira economizar, mas por total falta de opção. Recentemente, as operadoras de telefonia celular colocaram à venda um produto muito interessante para aqueles que enfrentam este tipo de problema. São modens wireless que plugados ao seu computador permitem a conexão em banda larga. Para maiores esclarecimentos leiam os artigos abaixo:
http://www.guiadohardware.net/noticias/2007-11/472CAF7F.html
http://gustavolinux.wordpress.com/2007/09/30/modem-huawei-com-tim-web-no-kubuntu/

sábado, 3 de novembro de 2007

Após invadir sites de Record e SBT, piratas virtuais deixam Globo em alerta

A Globo está com medo, já imaginaram. A toda poderosa Rede Globo de Televisão teme a invasão de seu site por hackers, que já fizeram o mesmo com a Record e SBT. Atenção para as mensagens deixadas por eles nos sites. Leia a matéria:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u341504.shtml
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