Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Exposição 1000 Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo

É Samba na Veia, é Candeia


Infelizmente termina hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil. Esperamos vê-la em breve em um teatro maior e numa temporada regular.

"O espetáculo é um musical sobre a vida e a obra de Antônio Candeia Filho, e prest a umagrande homenagem ao artista, falecido há 30 anos.

Antônio Candeia Filho, o sambista politizado que lutou pelo movimento negro e pela preservação das origens do samba - sem nunca prejudicar, com o discurso engajado, a beleza de suas músicas. O espectador é transportado para dentro do quintal da casa do compositor, onde participa de uma verdadeira roda de samba com direito a rodada de feijão amigo. Candeia e sua mulher, Leonilda, são vividos, respectivamente, por Jorge Maya e PatríciaC osta. Com elenco de doze atores e três instrumentistas.

Criado em Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio, Candeia foi fiel à sua vocação de sambista, com apenas 17 anos, compôs para a Portela o primeiro samba enredo do carnaval carioca a receber a nota máxima do júri.

Dono de diversos sucessos, suas canções foram cantadas por grandes cantoras como Elizeth Cardoso e Clara Nunes, por sinal, a primeira cantora brasileira a romper a marcar de 500 mil discos vendidos com "O Mar Serenou".

Certamente, a nova geração já ouviu músicas de Candeia, mas desconhece quem é o compositor de "Preciso me encontrar", sucesso na voz de Marisa Monte - "deixe-me ir preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..."

O público é brindado com um ótimo texto de Eduardo Rieche e a direção competente de André Paes Leme, que conduz o elenco numeroso com maestria. Não cabe aqui, falar desse
ou daquele ator, visto que todos estão muito bem no conjunto geral, seja cantando, dançando e interpretando diversos papéis. Porém, não podemos deixar de falar de Jorge Maya, veterano ator de musicais, que empresta seu talento à interpretação de Candeia, numa atuação convincente e emocionante que atinge o ápice na interpretação de "Preciso me Encontrar".
Neste momento o público vai às lágrimas. Candeia, vítima de um acidente, está preso a uma
cadeira de rodas, os versos da canção ganham muita força - "rir pra não chorar...".

A produção espera que seja longa a trajetória deste espetáculo e que após a temporada do CCBB, ganhe outras praças, tamanha sua importância na cultura nacional, mostrando um compositor guerreiro que durante a década de 70, fundou a sua própria agremiação - quilombo - para combater o gigantismo e a descaracterização que percebia nas escolas de samba."
PS. Não sei de quem é o texto acima, se alguém souber...

Programa de Ação Afirmativa O INSTITUTO RIO BRANCO (IRBr) Carreira Diplomática

Programa de Ação Afirmativa

O INSTITUTO RIO BRANCO (IRBr)

Carreira Diplomática



Bolsas especiais para negros e negras




Edital do Programa de Ação Afirmativa do Itamaraty
bolsas-prêmio no valor de R$ 25.000,00 a afro-descendentes (negros/as) com graduação concluída, sem limite de idade

Apesar de já existir vários anos, ainda é muito pouco conhecido e o
número de candidatos ainda é supreendentemente pequeno.


*Programa de Ação Afirmativa 2008
Inscrições até 26/12/08

O Edital do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco – Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia tem como objetivo incentivar e apoiar o ingresso de afro-descendentes na Carreira Diplomática.

O candidato selecionado receberá uma bolsa-prêmio no valor total de R$ 25.000,00, a ser desembolsado parceladamente entre março e dezembro de 2009.

O valor deverá ser utilizado para custeio de material bibliográfico e para pagamento de cursos preparatórios ou de professores especializados nas disciplinas exigidas pelo Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, realizado anualmente pelo Instituto Rio Branco.

Informações Gerais
Inscrição: até 26 de dezembro de 2008

Endereço eletrônico para
inscrição
e
edital com todas as informações:
http://www.cespe.unb.br/concursos/irbrbolsa2008

Primeira etapa: 10 e 11 de janeiro de 2009.
Segunda etapa: entre 3 e 6 de março de 2009.
Resultado: 18 de março de 2009.

Estrutura do Concurso
Primeira Etapa

A) Prova Objetiva (eliminatória e classificatória): no estilo "Certo ou Errado", com 60 itens de Língua Portuguesa e 40 de História do Brasil e Política Internacional. Em 10 de janeiro de 2009.

B)
Prova de Redação: Redação em Língua Portuguesa (eliminatória e classificatória) e em Língua Inglesa (classificatória). Em 11 de janeiro de 2009.

Segunda Etapa
(eliminatória e classificatória)

A)
Análise de Documentação e do Plano de Estudos e Desembolso encaminhados
pelo candidato no momento da inscrição.

B) Entrevista Técnica


recebido de Alexandre Pimentel - alexandrepimentel@cabure.org.br / Gustavo. A ambos agradecemos a lembrança para a divulgação de tão importante ação afirmativa.

____________________________

PARA RESPONDER, por favor, copie o endereço leliagonzalez@leliagonzalez.org.br
ou podermulher@terra.com.br e fale conosco.

NÃO RESPONDA AUTOMATICAMENTE para o endereço remetente.
Essa mensagem chegou a você através de um serviço de mala direta. Obrigada, MLG.

Você está em um grupo exclusivo de amigas/os em que Memória Lélia Gonzalez fala diretamente
com você, tratando de assuntos de nosso interesse sobre a Diáspora Negra, especialmente
sobre Afrodescendentes no Brasil, com foco nas mulheres negras.
____________________________



quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

I Mostra de Cinema do Subúrbio

O subúrbio carioca, região onde as manifestações culturais são abundantes, terá seu primeiro festival audiovisual próprio. É a I Mostra de Cinema Suburbano, evento que reunirá a produção de vídeos independentes que tratem dos temas relacionados ao subúrbio do Rio de Janeiro.

A mostra é organizada pelo Cineclube Subúrbio em Transe e acontece entre os dias 05 e 13 de dezembro no Pontocine, sala de cinema digital, localizada em Guadalupe. Segundo os organizadores, o que motivou o evento foi a celebração dos 150 anos das linhas de trem que ligam o subúrbio ao centro, além da intenção de reunir produtores independentes, que são mais numerosos a cada dia.



As exibições reunirão sempre um curta e um longa-metragem. Entres os selecionados estão “L.A.P.A” de Cavi Borges, “Maré, Nossa Historia de Amor” de Lucia Murat e “Chuva de Verão” e “Um Trem para as Estrelas” de Cacá Diegues. No encerramento da Mostra será realizada a primeira exibição pública da cópia restaurada do filme “Rio, Zona Norte” de Nelson Pereira dos Santos.

As sessões são gratuitas, com entradas sujeitas a lotação da sala. Após as exibições haverá debates com o público.

Programação

_Sexta, 05/12

16h - Lá no fim do mundo, do Mate com Angu, 20'

Pedregulho: O sonho é possível, de Ivana Mendes, 52'

16h - O Subúrbio no Trem, de Hugo Labanca, 6'

Um Trem para as Estrelas, de Carlos Diegues, 103'

_Sábado, 06/12

16h - Minha Rainha, de Cecília Amado, 15'

Carnaval, bexiga sombrinha e funk, de Marcus Faustini, 60'

18h - Susi Brasi, de Renata Than, 20'

Alma Suburbana, de Luiz Claudio Lima, Hugo Labanca, Leonardo Oliveira, Joana D'arc, 75'

_Domingo, 07/12

16h - Miragem em Abismo, de Eryk Rocha, 30'

Não quero falar da Chacina, de Antônio Ernesto, 52'

18h - Vila Mimosa, de José Santos e Orsi Balogh, 17'

Fala Tu, de Guilherme Coelho, 74'

_Terça, 09/12

16h - Crônicas de uma Vida Comum, de Júlio Pecly e Paulo Silva, 20'

L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos, 75'

18h - O poeta de Vigário, de Paulo Marcio, 15'

Chuvas de Verão, de Carlos Diegues, 93'

_Quarta, 10/12

16h - A lama, a Parabólica e a Rede, de Rejane Calanzans e Clarisse Vianna, 20'

Maré, Nossa História de Amor, de Lucia Murat,100'

18h - O Poeta do Samba, de Luiz Claudio Lima, 15'

Paulo da Portela, de Demerval Neto, 55'

_Quinta, 11/12

16h - O Campim, Don, 18'

Vida, Paula Gaitán, 70'

18h - São Jorge de Camunguelo, Karen Arkiman, 20'

Uma Avenida chamada Brasil, Octávio Bezerra, 85'

_Sábado, 13/12

10h - Rio, Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, 95'

I Mostra de Cinema do Subúrbio

De 05/12 a 13/12

Pontocine - Estrada do Camboatá, 2300 - Guadalupe Shopping

Informações: (21) 3106-9905

Brasil é quarto país em mortes de jovens

Por Liana Leite

O relatório “Mapa da Violência: os jovens da América Latina 2008” aponta o Brasil como o quarto país em mortes violentas de jovens. Comparado a outros 82 países, o Brasil possui uma taxa de 79,6 jovens (de 15 a 24 anos) mortos de forma violenta por 100 mil. O relatório foi divulgado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e apresenta dados do ano de 2005.

Segundo o estudo, o Brasil é o terceiro país do mundo em índice de vitimização juvenil no quesito homicídios: a taxa de jovens mortos por assassinato é 170% maior do que a de brasileiros com menos de 15 e mais de 24 anos e o oitavo país do mundo em mortes violentas, com taxa de 49,1 óbitos por 100 mil. As mortes violentas somam as ocorrências de homicídio, suicídios e acidentes de trânsito.

Para a coordenadora da vertente Direitos Humanos do Observatório de Favelas e coordenadora geral do Programa de Redução da Violência Letal Raquel Willadino, nenhum projeto sozinho vai solucionar o problema: "É fundamental construir uma política nacional voltada para a redução da letalidade e que os municípios também se sensibilizem. É necessário pensar políticas públicas em âmbito federal, estadual e municipal", acredita.

Geografia da violência

O estudo aponta que o número de homicídios entre jovens é maior na América Latina por causa da exclusão social. O relatório diz que a desigualdade de renda explica 63,5% das mortes de brasileiros jovens. Para o conjunto da população, a concentração de renda explica 59,7% das taxas de homicídio.

O pesquisador do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da UERJ, João Trajano, refuta essa idéia. Para ele "o perfil das vítimas é um indicador importante. São em sua maioria negros, pobres e moradores de favelas em grandes cidades. O volume de homicídios em áreas mais pobres é um número incontestável".

Na América Latina, um jovem tem 30 vezes mais chance de morrer assassinado do que um jovem europeu. A taxa de mortalidade violenta entre eles na América Latina é de 43,4 por 100 mil. Na Europa, 7,9 por 100 mil, a mais baixa do mundo.

Jovens como foco de políticas públicas

O estudo ainda indica que a redução de homicídios no Brasil a partir de 2003 coincide com a campanha de desarmamento. De 2003 a 2004, há queda de 5,5% nos óbitos com armas de fogo. Em 2005, 1,2% a menos, com relação ao ano anterior, e em 2006, 1,8%. Trajano já acredita que ligar a queda de homicídios à campanha de desarmamento é um pouco prematuro: "Pohttp://www.observatoriodefavelas.org.br/observatoriodefavelas/noticias/mostraNoticia.php?id_content=427de haver outros indicadores sociais, mas as taxas de homicídios ainda são muito elevadas. Não temos muitos motivos para comemorar".

O pesquisador aponta que iniciativas de prevenção da violência devem estar focadas nos jovens. "É preciso inserir esse jovem em programas de educação, lazer e auto-estima, combinando com projetos na área de segurança", explica.

Os países com maior taxa de homicídio juvenil são El Salvador, com 92,3 por 100 mil; Colômbia, com 73,4; Venezuela, 64,2; Guatemala, 55,4; e Brasil, onde 51,6 adolescentes de cada 100 mil são assassinados.

Veja aqui a íntegra do ‘Mapa da Violência: os jovens da América Latina 2008’

Retirado do link:
http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatoriodefavelas/noticias/mostraNoticia.php?id_content=427

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

II Encontro de Performance e Política das Américas

De 2 a 5 de dezembro, o Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias da Unirio (Nepaa) comemora seus 10 anos de existência com a realização do II Encontro de Performance e Política das Américas e o 8º Colóquio do Nepaa no Rio de Janeiro.

O evento reunirá pesquisadores e artistas de diversas localidades em torno das discussões sobre "o universo fronteiriço dos estudos da performance", explica o professor Zeca Ligiéro, coordenador do Nepaa.

Este ano, palestras com Amir Haddad, Augusto Boal, João Gabriel Lima (UNB), John Dawsey (USP), Regina Muller (Unicamp) e Cesar Huapaya (UFES) somam-se à oficinas, performances e demonstrações práticas dos alunos e pesquisadores do Núcleo.

Maiores informações podem ser obtidas no campus da Unirio
Av. Pasteur, 436 - fundos, Urca
Rio de Janeiro, RJ
Fone: (21) 2542-2565



PROGRAMAÇÂO:

Terça-feira, 2 Dezembro 2008

15-19h: ABERTURA OFICIAL DO ENCONTRO
Conversa com Amir Haddad e Augusto Boal
Local: Jardins do CLA

Quarta-feira, 3 Dezembro 2008

15h: MESA REDONDA
A performance artística coletiva como instrumento de luta política.
A ciração do Bloco Bienal Vade Retro como protesto ao projeto da Prefeitura de criação do Museu Gugheheim.

- Elisa de Magalhães - Artista Visual, Performer; Mestre em Artes Visuais - UERJ
- Mário Delrei - Ex-Vereador e futuro Assessor da Secretaria de Cultura do Município do Rio de Janeiro
- Xico Chaves - Artista Visual, Organizador da Rede Nacional de Artes Visuais e Assessor Especial da FUNARTE
- Alexandre Lambert - Artista Visual, Cenógrafo, Representante da Região Sudeste no CSAV - Colegiado Setorial de Artes Visuais/MinC

Local: Sala de Áudio -Visual

17h: VÍDEO DO NEPAA
Histórias de Dona Zefa (Vale do Jequitinhonha), de Zeca Ligiéro.
Local: Sala de Áudio -Visual

18h: APRESENTAÇÃO DA TURMA DE LED
A criação do mundo segundo Dona Zefa e outras narrativas.
Direção: Zeca Ligiéro; Assistência: Juliana Manhães.
Local: Sala Roberto de Cleto, 6º Andar

Quinta-feira, 4 Dezembro 2008

14-15h: ENCENAÇÃO SONORA
Aldeia dos Pássaros (inspirado em lendas indígenas), de Iremar Maciel de Brito.
Direção: Maria Cristina Brito.
Ambientação sonora: Jussara Trindade.
Elenco: Maria Inês Galvão, Simone Beghinni, Nathalia Soledade, Diogo Carneiro e Jussara Trindade.
Local: Sala Esther Leão, 2º andar

16-17h: CONVERSA COM O CACIQUE DARCI TUPÃ
(da Aldeia TEKOA MBoy-Ty) sobre a cultura Guarani e a oficina "O Treinamento do Guerreiro Guarani".
Local: Sala Nelly Laport - térreo

17-20h: PESQUISADORES DO NEPAA

- Profa. Dra. Denise Zenícola: Samba, corpo e performance.
- Profa. Dra. Denise Telles: Teatro Oca, uma incursão na dramaticidade dos cantos, contos e danças indígenas.
- Profa. Doutoranda Jussara Trindade: A imagem sonora em Aldeia dos Pássaros.
- Prof. Dr. Iremar Maciel de Brito: O jogo teatral no espetáculo.
- Prof. Dra. Maria Cristina Brito: O ator dramaturgo do invisível.
- Profa. Dra. Ausonia Bernardes Monteiro: O palhaço Gigante.
- Prof. Dr. Cláudio Alberto Santos: Tambores Incandescentes e corpos em êxtase.
- Prof. Doutorando Licko Turle: Teatro sem arquitetura, dramaturgia sem literatura, ator sem papel.
- Diretor e autor Antonio Pedro Borges: To play or not to play: o trabalho teatral do CETE.
- Prof. Dr. Zeca Ligiéro: 10 anos de NEPAA.

Local: Áudio-Visual 4º andar

20h: APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS DOS ALUNOS DA TÉC. PARALELAS I
Laboratório Holo-arte: fluidez, singularidades e criação.
Local: Sala Nelly Laport - térreo

Sexta-feira, 5 Dezembro 2008

13-15h: MESA REDONDA SOBRE PERFORMANCE E POLÍTICA

- Cesar Huapaya - UFES: O encontro da encenação com a performance.
- João Gabriel - UNB: Patrimônio imaterial, performance e identidade.
- John Dawsey - USP: Teatro dos bóias-frias e sonhos de bio-combustível no Brasil.
- Regina Muller - UNICAMP: Corpo em movimento e sujeito-personagem: discussão teórico-metodológica sobre uma pesquisa em dança indígena.

Local: Áudio-Visual 4º andar

15-16h: MESA REDONDA
CURSO DE PERFORMANCE POLÍTICA NO PERU - INSTITUTO HEMISFÉRICO - Convênio com o NEPAA

Relato dos alunos-bolsistas da UNIRIO de 2006 a 2008.
Local: Áudio-Visual 4º andar.

16-18h: MESA REDONDA COM MESTRANDOS- NEPAA

- Aressa Rios - A Folia de Reis na cidade de Volta Redonda: uma síntese da formação cultural brasileira.
- Camile dos Anjos - Tonheta: Arqueologia e Composição.
- Carina Maria Guimarães - Salve o rei do movimento: a performance do caboclo no ritual de Umbanda.
- Carlos Roberto dos Santos Alves - Hip hop carioca: transformações sociais e mudanças culturais em comunidade periférica.
- Cássia Pires - A Performance da(o) Coreira(o) do Tambor de Crioula do Maranhão.
- Juliana Manhães - O corpo ritualizado do cazumba na performance do bumba-boi no Maranhão.
- Michele Campos - A Cena Paraense de Luis Otávio Barata: performance, ritual e cultura popular.
- Natália Soledade - O Mito no Teatro da Crueldade.
- Simone Beghnnini - A encenação da crueldade no ensaio sobre a cegueira de José Saramago.

Local: Áudio-Visual 4º andar

18-19h: VÍDEO DO NEPAA
Entrevista com Richard Schechner: Rasa Boxes e a Performance Indiana de Denise Zenícola.
Local: Áudio-Visual - térreo

19h: PERFORMANCES
- Ritos: uma inspiração artaudiana, com Michele Campos.
- Sambiguidade, com Catia Costa.
- Chica Chic, Carmen em performance, com Regina Polo Muller.
Local: Sala Esther Leão 2º andar


Centro Cultural Octavio Brandão

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO
CCOB COMEMORA CINCO ANOS DE ATIVIDADES
E
CONVIDA PARA SUA FESTA DE FINAL DE ANO
APRESENTAÇÃO ESPECIAL DO CANTOR JONAS RIBBAS NO BOTECO DO CCOB
NESTE SÁBADO - 06/12 - 16 HORAS
VENHA CURTIR MPB E COMEMORAR CONOSCO O ANIVERSÁRIO DO CCOB
ENTRADA FRANCA
Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com Francisco Neiva e Domingos Magalhães, próximo da estação do Metrô de Maria da Graça.

domingo, 30 de novembro de 2008

Duas análises recentes sobre a realidade "racial" brasileira



Dois projetos recentes chamam a atenção de quem analisa e luta para entender e transformar a realidade "racial" brasileira. O primeiro é o Relatório Anual das Desigualdades Raciais; 2007-2008, lançado pelo LAESER - Laboratório de Análises, Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais, escrito por Marcelo Paixão e Luís M. Carvano, que é uma análise dos indicadores "raciais" brasileiros, no período 2007-2008. Já o outro projeto trata da História do Negro no Brasil, produzida em 16 fascículos e com a valiosa contribuição do historiador Joel Rufino dos Santos. Com certeza, tanto um, quanto o outro, desempenham um papel importante na compreensão da realidade brasileira e nos ajudam a buscar novos caminhos na luta pela sua transformação.
Maiores informações:
http://www.laeser.ie.ufrj.br/relatorios_gerais.asp
http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed140/negros.htm
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15406

Polícia invade e destroí a Escola de Jongo da Serrinha

Mais uma vez, a polícia de Sérgio Cabral mostra toda a sua truculência contra as comunidades pobres. Até quando, esta política, que é uma reprodução de práticas antigas e ineficazes continuará e permaneneceremos assistindo a este verdadeiro banho de sangue? A morte nos espreita a cada esquina, está presente em nossos olhos, e nos olhos daqueles que nos miram.

Abaixo, depoimentos e reações ao acontecido. Até quando?

Olá Amigos e Amigas,

Depois de se meter na trapalhada de ocupar o espaço de uma creche no Morro Dona Marta que atendia a 120 crianças para transforma-la em uma Posto Policial, a política de "segurança" do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em mais uma de suas atuações truculentas em comunidades populares, invadiu na manhã desta última sexta-feira a comunidade da Serrinha em Madureira.

A operação para prender traficantes, sem qualquer planejamento como são as recorrentes invasões de favelas, além de botar a vida dos moradores em risco, cometeu um crime contra a cultura e as tradições populares do Rio de Janeiro, uma vez que destruiu móveis, utensílios e as dependências da Escola de Jongo do Grupo Cultural Jongo da Serrinha um dos maiores símbolos da preservação da memória e das tradições jongueiras - matriz de uma das principais expressões da cultura popular do Rio - o Samba.

Abaixo segue um artigo escrito pelo Desembargador Siro Darlan, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, que dá a idéia do quão absurda tem sido a atuação da polícia quando intervém em comunidades populares e do quanto não há respeito às tradições de cultura e às intervenções da sociedade para assegurar à crianças e jovens direitos e possibilidades que as políticas públicas deveria mas não dão conta.

Abraços,

Junior Perim

>
> SERRINHA, Capital do jongo e do samba.
>
>
>
> SIRO DARLAN DE OLIVEIRA
>
> PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DO DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
>
>
>
> O Rio de Janeiro está sediando o 3º Congresso Internacional de Combate às Violências sexuais contra crianças e adolescentes. E, paralelamente, a menos de 50 quilômetros do Rio Centro, a polícia dá mais uma demonstração de despreparo e desrespeito às populações mais carentes.
>
> Assim como fizeram na ocupação violenta do Complexo do Alemão, quando deixaram todas as crianças fora das escolas por mais de 60 dias, acabam de destruir um dos raros espaços culturais e educacionais existentes em comunidades empobrecidas, ao atacarem com fúria e violência a população da Serrinha sob o pretexto, aplaudidas por alguns desavisados cidadãos, de combater os comerciantes de drogas, que por incompetência da policia de fronteiras e falta de políticas públicas, obrigação dos governos estaduais e municipais.
>
> O Jongo da Serrinha é um dos mais tradicionais grupos de cultura do país tendo recebido diversos prêmios por seu trabalho artístico e social. Com 40 anos de história, o grupo de Madureira foi fundado por Mestre Darcy e sua mãe, Vovó Maria Joana Rezadeira que, preocupados com a extinção do jongo na cidade, transformaram a antiga dança praticada nos quintais da Serrinha num espetáculo.
>
> O Morro da Serrinha, localizado na zona norte do município do Rio de Janeiro, é uma comunidade urbana com aproximadamente 5.000 moradores na sua maioria negros. Com cerca de 110 anos de existência, a Serrinha é uma das primeiras favelas do país, tendo recebido no início do século passado um enorme contingente de escravos negros recém-alforriados. Os moradores da Serrinha constituíram um núcleo religioso e cultural potencial, visitado não só pelos moradores das cidades próximas, como também por jornalistas, artistas e turistas de vários pontos do Estado do Rio, do Brasil e exterior, interessados em cultura e tradições afro-brasileiras.
>
> O Jongo é uma herança cultural trazida pelos negros bantos que vieram da região do Congo-Angola, na África, para as fazendas de café do Vale do Paraíba no século 19 que ficou preservado na região. Graças a uma iniciativa do grupo, o ritmo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2005, como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Ao transformar a antiga dança de roda num espetáculo, Mestre Darcy e Vovó Maria inovaram ao introduzir violão e cavaquinho no jongo e ao ensinar crianças a dançar, antigamente só permitido aos "cabeça branca", criando uma nova referência do jongo na cidade e garantindo sua sobrevivência no contexto da globalização.
>
>
>
> Em sua trajetória de resistência, o Jongo da Serrinha se transformou em uma das mais genuínas referências da cultura carioca e vem se apresentando em diversas cidades do Brasil e exterior divulgando e preservando o ritmo com espetáculos de alta qualidade.
>
> Em 2000, o grupo criou a ONG Grupo Cultural Jongo da Serrinha (GCJS) para desenvolver estratégias de preservação da memória da comunidade Serrinha e do jongo e de educação e capacitação profissional para jovens e crianças, através da Escola de Jongo (EJ). Recebeu diversos prêmios entre eles o Escola Viva (2007), Cultura Nota Dez (2006), Cultura Viva (2006), Itaú-Unicef (2007 e 2005), Petrobrás Rival BR (2002), Orilaxé (2002) e o prêmio mais importante do Ministério da Cultura, a Medalha de Ordem ao Mérito Cultural (2003).
>
> A ONG tem, em linhas gerais, duas missões institucionais: educar crianças e jovens através da arte e da memória e preservar o jongo como patrimônio imaterial através da produção cultural, gerando trabalho e renda.
>
> A Escola de Jongo é o projeto sócio-educativo do Grupo hoje patrocinado pela Petrobrás, Criança Esperança e Ministério da Cultura. A Escola valoriza e fortalece laços familiares, comunitários e a identidade local, preservando o Patrimônio Imaterial do jongo criando alternativas de geração de trabalho e renda. A base pedagógica da Escola de Jongo é fundamentada na cultura e memória locais. A Escola de Jongo atende a cerca de 120 crianças e jovens, diariamente em dois turnos, com aulas de música (canto e percussão), dança (afro e jongo), teatro, capoeira angola, cultura popular, leitura e Griôs (contadores de história).
>
> O GCJS também cria produtos (discos, livros, filmes, etc), pesquisa, reúne, organiza e produz acervo audiovisual sobre o jongo, a Serrinha e a cultura popular brasileira e africana.
>
> Como ONG, está inserido em diversas redes do terceiro setor e conta com o apoio de vários parceiros institucionais. Para elaboração de metodologia pedagógica e planejamento estratégico participa das Redes Social da Música, Rede Circo Social e Rede de Memória do Jongo. A instituição conta ainda com o apoio da Unesco, FASE/SAAP, G.R.E.S. Império Serrano e artistas entre eles Paulão Sete Cordas, Letícia Sabatella, Sandra de Sá, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Jorge Mautner, Arlindo Cruz, entre outros.
>
> Pois essa rara escola de cultura e tradição acaba de ser destruída pela incompetência dos policiais do Senhor Beltrame que sob pretexto de combater a violência, usando da mesma, deixou órfãos crianças e jovens que mesmo tendo sido roubados em seus direitos fundamentais de cidadania, porque lá o governo não chega com creches, educação, saneamento básico, se dedicavam a preservação de sua cultura e arte, mas tal qual o exército nazista foram atacados por fuzis e armas pesadas, enquanto se defendiam com sua chupetas, mamadeiras e o som de seus jongos e instrumentos. Até quando, Governador, insistirão nessa política de desrespeito ás crianças do Rio de Janeiro. Não seria a hora de usar um pouco de respeito e inteligência?

Agradecemos à Associação Cultural Embaixada das Caricatas pela informação.

É hoje, samba no Renascença

OLHA O SAMBA NOVO AÍ MAIS UMA VEZ, GENTE!!!!!

Vai acontecer no próximo dia 30 de novembro e dessa vez teremos a honrosa presença de Monarco da Portela cantando sambas inéditos da Velha Guarda.
Não menos honrosas serão as presenças de Bira da Vila e do quinteto do Zé Luiz Maia divulgando o CD "Tal pai", onde ele gravou sambas do pai, o saudoso contra-baixista Luizão Maia.
Teremos também a performance poética de José Araújo, Adriana Mañani e Luiz Carlos Saroldi com trechos do espetáculo TEMPO SETEMBRO.
O prato do dia é galinha com quiabo e polenta a cargo dos chefs Baiano e Jorge Ferraz
Local: Renascença Clube. Rua Barão de São Francisco, 54 Andaraí
Horário: das 14 às 20 horas
Couvert artístico: R$ 10,00 homens e R$ 5,00 mulheres.
Patrocínio: Colchões Ortobom
Apoio: Bar Getúlio
Realização: LEC Empreendimentos Artísticos

Pinta lá. Beijos.
Cláudio Jorge
www.claudiojorge.com.br
http://blogdoclaudiojorge.blogspot.com/
http://www.myspace.com/claudiojorge

Agradecemos à Associação Cultural Embaixada das Caricatas pela informação.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Zé Keti - Mascarada


Lindo demais!!!

Cineclube Atlântico Negro neste sábado


Já pude conferir a iniciativa do Clementino, o cineclube é dez!
A programação é excelente, a sala de exibição é super-confortável e ainda rola um papo no final do filme.
Só não tem pipoca grátis.
Vale a pena divulgarmos
Vale a pena o investimento cultural.
Um link s/ o filme, aqui
Ou http://www.terra.com.br/cinema/drama/orixa.htm


josé ricardo

----- Mensagem encaminhada ----

Enviadas: Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008 13:06:29
Assunto: Cineclube Atlântico Negro neste sábado...

Este sábado o Cineclube Atlântico Negro traz seu "navio de questões" para a Fundação Casa de Rui Barbosa, as 16 horas, com estacionamento gratuito e entrada franca.

Endereço: Rua São Clemente, 134 próximo ao Metrô estação Botafogo

O filme: ATLÂNTICO NEGRO - NA ROTA DOS ORIXÁS, de Renato Barbieri (52 minutos).

Após a sessão um bate-papo sobre o filme (até as 18 horas).

Esta sessão é uma parceria do Cineclube Atlântico Negro e do Cineclube ABDeC-RJ, ambos filiados a ASCINE-RJ (Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro).

Aguardo vocês.
As informações sobre o filme e sobre o espaço seguem em anexo.

Abraços,
Clementino Junior
Curador e produtor do Cineclube Atlântico Negro

Enviado pelo companheiro José Ricardo do blog: http://atabaqueblog.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A expectativa de setores da esquerda estadunidense em relação ao governo Obama

Neste artigo são apontados os três passos iniciais que Barack Obama teria de tomar para ter ao seu lado a esquerda estadunidense, ou pelo menos uma parte dela. Para o bem da humanidade esperamos que esta seja a via a ser trilhada, longe da doutrina Bush, que se caracteriza pelo isolamento imperial estadunidense atávico e inconseqüente e mais próxima dos interesses multilaterais internacionais e dos esforços em prol de um mundo mais solidário e fraterno.


Exuberância Sem Crítica

por Judith Butler

Poucos de nós estão imunes à festividade destes dias. Os meus amigos de esquerda, escrevem-me dizendo que sentem algo parecido com uma “redenção” ou que “o país nos foi devolvido” ou ainda que “temos um dos nossos na Casa Branca”. É claro que ao longo do dia sinto-me, tal como eles, tomada pela surpresa e a excitação, já que a idéia de ver o regime de George W. Bush pelas costas é um alívio enorme. E a idéia de que Obama, um candidato negro progressista e com consideração pelos outros, muda a história e faz-nos sentir de que forma os cataclismos produzem novos terrenos. Mas pensemos atentamente neste novo terreno, mesmo que não conheçamos neste momento todos os seus contornos. A eleição de Barack Obama ainda que não possa ser hoje completamente apreciada, é historicamente significativa, mas não é, nem pode ser uma redenção e, se subscrevermos a forma superior de identificação que ele nos propõe (“estamos todos unidos”) ou que nós propomos (“ele é um de nós”), arriscamo-nos a acreditar que este momento político vencerá os antagonismos que são os constituintes da vida política, especialmente da atual vida política. Sempre houve bons motivos para não abraçar o ideal da “unidade nacional” e para fomentar suspeitas face a uma identificação uniforme e absoluta para com um líder político. Apesar de tudo, o fascismo baseava-se em parte nessa identificação com o líder e, os republicanos usaram este expediente para conseguirem mobilizar politicamente os afetos quando, por exemplo, Elizabeth Dole, olha para a sua audiência e diz: “Adoro cada um de vocês.”

Torna-se ainda mais importante pensar na identificação política exuberante com a eleição de Obama quando consideramos que o apoio a Obama coincidiu com o apoio a causas conservadoras. De certa forma isto conta para o seu sucesso “transversal”. Na Califórnia, ganhou com 60% dos votos e, uma parte importante dos que nele votaram, também votaram contra a legalização do casamento homossexual(52%). Como podemos compreender esta disjunção aparente? Primeiro, lembremo-nos que o Obama não apoiou explicitamente o direito ao casamento homossexual. Além disso, como explicou Wendy Brown, os republicanos descobriram que o seu eleitorado não é tão galvanizado por questões “morais” como o foram em eleições recentes; as razões pelas quais as pessoas votaram em Obama parecem predominantemente econômicas e as suas razões parecem mais estruturadas pela racionalidade neo-liberal que por preocupações religiosas. Esta é claramente uma das razões pela qual a função de Palin, de galvanizar a maioria do eleitorado com questões morais, falhou. Mas se questões “morais” tal como o controlo de armas, direito ao aborto e direitos de homossexuais não foram tão determinantes como anteriormente, talvez isso tenha acontecido porque se desenvolvem num compartimento distinto da mente política. Noutras palavras, estamos confrontados com novas configurações da crença política que tornam possível ter simultaneamente visões aparentemente díspares: por exemplo, alguém pode discordar do Obama em relação a certas questões e ainda assim ter votado nele. Isto torna-se mais óbvio no surgimento do anti-efeito Bradley, quando os votantes confessaram explicitamente o seu racismo, mas afirmando que de qualquer forma votariam em Obama. Há pequenas anedotas no terreno como a seguinte: “Eu sei que Obama é um muçulmano e um terrorista, mas votarei nele de qualquer maneira; ele é provavelmente melhor para a economia.” Estes eleitores mantiveram o seu racismo e votaram em Obama, conservando os seus valores díspares sem ter que os resolver.

A par com uma forte motivação econômica, fatores menos discerníveis empiricamente contribuíram para o resultado destas eleições. Não podemos compreender a repugnância que Bush, em representação dos EUA, provocou no resto do mundo, um sentido de embaraço sobre as nossas práticas de tortura e detenção ilegal, um sentido de repulsa em relação a uma guerra cujos motivos foram falsos e que propagou visões racistas do Islã, um sentido de alarme e horror face a extremos de desregulação econômica que levaram a uma crise econômica global. Será apesar da sua raça ou por causa da sua raça, que Obama surge finalmente como o representante preferido da nação? Satisfazendo essa função representativa, ele é simultaneamente negro e não negro (alguns dizem “não é suficientemente negro” e outros dizem “demasiado negro”) e, como resultado, pode chamar eleitores que não só não têm forma de resolver esta ambivalência como não querem ter essa ambivalência. A figura pública que permite a gente manter e mascarar as suas ambivalências aparece ainda assim como uma figura de “unidade”: esta é certamente uma função ideológica. Tais momentos são intensamente imaginários mas não são, por essa razão, despidos da sua força política.

À medida que a eleição se aproximava, houve um interesse crescente na personalidade de Obama: a sua gravidade, a sua reflexão, a sua capacidade para não se exaltar, a sua forma de se manter indiferente face a ataques dolorosos e retórica política vil, a sua promessa de recriar uma nação que acabe com o atual embaraço. Claro, a promessa é tentadora mas, e se o abraçar de Obama nos levar a acreditar que acabaremos com toda a dissonância e que a unidade é efetivamente possível? Qual é a possibilidade de sofrermos uma certa e inevitável desilusão quando o líder carismático mostrar a sua falibilidade, o seu desejo de compromissos e até de “venda” das minorias? De facto ele já o fez de certa maneira, mas muitos de nós põem de lado essas preocupações de forma a desfrutar a “desambivalência” do momento, arriscando uma exuberância sem crítica apesar de sabermos o que isso significa. Bem vistas as coisas, Obama muito dificilmente pode ser considerado um esquerdista, independentemente dos epítetos de “socialista” proferidos pelos seus opositores conservadores. De que forma as suas acções serão condicionadas pela política partidária, interesses econômicos e poder de estado; de que forma não foram já comprometidas? Se através desta presidência, procurarmos ultrapassar o sentido da dissonância, então teremos descartado a política crítica em favor de uma exuberância cujas dimensões fantasiosas terão as suas consequências. Talvez não possamos evitar este momento de fantasia, mas tenhamos consciência sobre o facto de ele ser tão temporário. Se há racistas declarados que dizem “sei que é Muçulmano e terrorista mas votarei nele” há certamente pessoas à esquerda que dizem “sei que ele vendeu os direitos dos homossexuais e a Palestina, mas ainda assim é a nossa redenção.” Percebo muito bem, mas mesmo assim, esta é formulação clássica da negação. Porque meios mantemos e mascaramos crenças políticas conflituosas como estas? E a que custo político?

Não há dúvida que o sucesso de Obama terá efeitos significativos no rumo econômico da nação e, parece razoável assumir que teremos uma nova forma de olhar para a regulação econômica e uma visão da economia que se aproximará das formas sociais-democratas européias; nos negócios estrangeiros, veremos sem dúvida um renovar de relações multi-laterais e o retrocesso da tendência fatal para a destruição de acordos multi-laterais da administração Bush. E haverá sem dúvida, nas questões sociais, uma tendência mais à esquerda, apesar de ser importante lembrar que Obama não defendeu os cuidados de saúde universais e não apoiou explicitamente o direito ao casamento de pessoas do mesmo sexo. E não há ainda muita razão para ter esperança o desenvolvimento de uma política americana justa no Médio Oriente, apesar do grande alívio que é saber que ele conhece Rashid Khalidi.

O significado indiscutível da sua eleição tem tudo a ver com o superar dos limites impostos implicitamente às conquistas dos Afro-Americanos; ele irá, ao mesmo tempo, precipitar uma mudança na auto-definição dos Estados Unidos. Se a eleição do Obama assinala uma vontade de parte da maioria dos eleitores para serem “representados” por este homem, resulta que o quem “nós” somos se reconstituiu: somos uma nação de muitas raças, de raças misturadas; e dá-nos a ocasião de reconhecer em quem nos tornamos e o que teremos ainda que ser, sendo ultrapassada desta forma uma aparente fratura entre a função representativa da presidência e as pessoas que são representadas. É um momento empolgante, certamente. Mas durará e deverá durar?

A que consequências levarão as expectativas quase messiânicas colocadas neste homem? De forma a que esta presidência tenha sucesso, terá que levar a alguma desilusão e terá que sobreviver à desilusão: o homem tornar-se-á humano, mostrar-se-á menos poderoso do que o que desejaríamos e a política deixará de ser uma celebração sem ambivalência e sem cautelas; de fato, a política será menos uma experiência messiânica e mais o espaço de encontro de um debate vigoroso, crítica pública e do antagonismo necessário. A eleição de Obama significa que o terreno para o debate e o combate mudou e é certamente um terreno melhor. Mas não é o fim do combate e seria pouco inteligente olhá-lo dessa forma, mesmo que provisoriamente. Certamente concordaremos e discordaremos com várias das acções que tome e que não tome. Mas se a expectativa inicial é que ele é e será a própria “redenção”, iremos puni-lo sem misericórdia quando nos desiludir (ou iremos encontrar formas de negar ou suprimir essa desilusão de forma a manter a experiência de unidade e amor sem ambivalência).

Se a consequente e violenta desilusão pode ser precavida, ele deverá agir bem e rapidamente. Talvez a única forma de prevenir um “choque” – uma desilusão de grandes proporções que se viraria politicamente contra ele – será tomar ações decisivas nos dois primeiros meses da presidência. A primeira seria fechar Guantanamo e encontrar formas de transferir os processos dos detidos para tribunais legítimos; a segunda seria criar um plano para a retirada das tropas do Iraque e começar a implementar esse plano. A terceira seria retratar-se das considerações bélicas sobre a escalada da guerra no Afeganistão e a procura de soluções diplomáticas e multilaterais nesse campo. Se falhar nestes passos, o seu apoio à esquerda deteriorar-se-á claramente e verá reconfigurar-se a clivagem entre os falcões liberais e a esquerda anti-guerra. Se nomear os preferidos de Lawrence Summers para posições chave do seu gabinete ou continuar as políticas econômicas desastrosas de Clinton e Bush então, em determinada altura, o messias será denunciado como um falso profeta. No lugar de uma promessa impossível, precisamos de uma série de ações concretas que comecem a reverter a abolição da justiça cometida pelo regime de Bush; menos que isso levará a uma desilusão violenta com consequências. A questão é saber em que medida a “des-ilusão” é necessária, de forma a regressarmos à política crítica e, que forma violenta de “des-ilusão” nos fará voltar ao intenso cinismo político dos últimos anos. Algum alívio da ilusão é necessário, de forma a que nos lembremos que a política, trata menos da pessoa e da promessa bela e impossível que representa, do que trata de mudanças concretas em políticas que podem começar, com o tempo e com dificuldade, a dar-nos formas de maior justiça.

Judith Butler (24 de fevereiro de 1956, Cleveland, Ohio) é uma filósofa pós-estruturalista estadunidense, que contribuiu para os campos do feminismo, Teoria Queer, filosofia política e ética. Ela é professora da cadeira Maxine Elliot no Departamento de Retórica e Literatura Comparada da University of California em Berkeley.

Agradecemos a companheira Vânia Narciso pelo texto.

sábado, 22 de novembro de 2008

III Seminário Local do Programa Conexões de Saberes / UNIRIO


Ações afirmativas na UNIRIO: Realidade ou Utopia?


A construção de uma nova universidade, capaz de contribuir no
atendimento das demandas centrais dos estudantes oriundos de
comunidades populares, negros e/ou indígenas, é o desafio que
o Programa Conexões de Saberes pretende discutir.


DATA: 27 DE NOVEMBRO DE 2008

LOCAL: AUDITÓRIO VERA JANACOPULOS
AVENIDA PASTEUR, ^296 - URCA

HORÁRIO: DAS 8h às 17h

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Campanha 16 dias de ativismo contra o fim da violência contra a mulher

"Ha momentos em que sua atitude faz a diferença - Lei Maria da Penha, comprometa-se"

O COMRESP (Comitê de Responsabilidade Social), através do COED (Sub-comitê Pró-Eqüidade de Gênero, Raça e Diversidade) convida para a palestra da Dra. Maria Aparecida Bento sobre seu trabalho : "Projeto de Valorização da Diversidade", a realizar-se no dia 25/11, às 9 horas, no auditório da Petros, localizado na Rua do Ouvidor, 98 - Centro.

Atenciosamente,

Vanda Ferreira
Ouvidora da Petros

Observatrio Afro-Latino

7 de Novembro de 2008
Lançamento do Observatório Afro-Latino
Fonte: Ministério da Cultura
http://www.cultura.gov.br/site/


Nova Página Eletrônica Destaca Cultura dos Afrodescendentes da América Latina e do Caribe

A Fundação Cultural Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, lançou site com informações sobre a cultura afro-americana, durante a 4ª edição da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), em Pernambuco, que está sendo realizada de 6 a 9 de novembro.

O Observatório Afro-Latino (http://afro-latinos.palmares.gov.br) foi apresentado pelo presidente da FCP/MinC, Zulu Araújo, nesta sexta-feira (dia 7) pela manhã dentro da programação da Feira, que neste ano traz o tema da Diáspora Africana no continente latino-americano.

A declaração final do I Encontro Ibero-Americano de Ministros de Cultura, em outubro na Colômbia, decidiu apoiar a proposta brasileira de criação do observatório, após ter sido proposta pelo ministro da Cultura brasileiro, Juca Ferreira e por Zulu Araújo.

Para o presidente da Palmares, essa nova ferramenta possibilitará um diálogo mais permanente entre as comunidades negras latino-americanas, com trocas de experiências para a compreensão das semelhanças e diferenças da história e dos processos de integração social das comunidades negras nesses países. "Nossa proposta é que, além do lúdico, a cultura também possa ser um instrumento para um mundo melhor", afirmou Zulu.

Leia mais.

Leia, também, matéria relacionada: Proposta brasileira de criação de um fórum na Internet foi aprovada durante encontro na Colômbia.
http://www.cultura.gov.br/site/2008/10/20/observatorio-afro-latino/

(Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Solucionando bug, IO error, comum no K3B

Quando aparecer a mensagem: "IO Error. Most likely no space left on harddisk."Vá até o k3b e abra a aba setting entre em configure k3b e mude o Default Temporary Directory. Em geral, basta escolher um outro diretório na pasta /tmp. Pronto isto resolverá seu problema. Encontrei esta dica, depois de muito procurar no link:
http://ubuntuforums.org/showthread.php?t=340391

domingo, 16 de novembro de 2008

Le Monde Diplomatique convida para um debate essencial


Pouco mais de dois meses nos separam do 9º Fórum Social Mundial. Marcado para o período entre 27 de janeiro e 1º de fevereiro, em Belém, este novo encontro do altermundismo será duplamente simbólico. Ocorrerá na Amazônia – vítima do sistema predatório sob o qual vivemos mas, ao mesmo tempo, expressão de uma nova relação possível entre ser humano e natureza. E, realizado num momento de crise aguda do "pensamento único", permitirá refletir sobre a necessidade de criar lógicas sociais pós-capitalistas.

Le Monde Diplomatique tem a satisfação de convida-l@ para debater o futuro da Amazônia num evento do qual é co-organizador. Nesta segunda-feira (17/11, às 19h30), o economista Ignacy Sachs apresentará estudo em que vê a região como espaço pioneiro para a substituição dos combustíveis fósseis. Suas opiniões serão debatidas por Gilmar Mauro (MST), Marcelo Furtado (Greenpeace), Ladislau Dowbor (PUC-SP), Ricardo Young (Instituto Ethos) e Guilherme Leal (Natura).

A entrada é gratuita e dispensa inscrições. Os lugares, porém, são limitados. O evento marca o início de uma série de mudanças no jornal, que serão apresentadas em detalhes nas próximas semanas.

Forte abraço
A Redação

> Segunda-feira, 17/11, às 19h30, no Tuca, teatro da PUC: Rua Monte Alegre, 102, Perdizes -- São Paulo -- Tel: (11) 3670.8453
> Baixe o ensaio "Outra Amazônia: laboratório para as biocivilizações do futuro", de Ignacy Sachs. (html, pdf)
> Ou leia nossa resenha sobre o trabalho de Sachs.
> Participe do blog Outra Amazônia, criado para promover informação e debate sobre a região e seu futuro

Boletim de atualização de Le Monde Diplomatique-Brasil -- edição internet. A retransmissão é bem-vinda. Para passar a receber regularmente, clique aqui.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

II Encontro de Cinema Negro

NOVEMBRO NEGRO

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
II Encontro de Cinema Negro Brasil África e América Latina - RJ
Mostra de Filmes / Seminários / Oficinas
de 13 a 24 de novembro


Cinema, seminários e oficinas fazem parte da programação do II Encontro de Cinema Negro Brasil, África e América Latina, que começou ontem, 13 de nov. e segue até 24 de novembro, no Rio de Janeiro.

Idealizado por Zózimo Bulbul - ator e cineasta pioneiro com experiência internacional dirigiu vários filmes afro-brasileiros, sempre retratando a história do povo Negro -, o evento reúne realizadores afro-descendentes da América Latina, de diversos estados do Brasil e do continente Africano para promover um fórum de reflexões e idéias.

O objetivo é valorizar a presença do negro e suas temáticas no cinema nacional e internacional. Para isso, o Encontro promoverá a troca de experiências entre os diretores pioneiros e novos talentos, através de debates entre produtores, críticos, estudantes e público interessado em cinema, além de oficinas de capacitação gratuitas, abertas para o público.

O evento acontecerá em vários pontos da cidade. No Centro, terá palco no Cinema Odeon BR, Centro Cultural Justiça Federal, numa tenda montada na Lapa e encontros diários pela manhã no Centro Afro Carioca de Cinema, espaço lançado em 2007 por Bulbul e Biza Vianna, produtora-executiva deste Encontro. Na Zona Sul, no recém-inaugurado Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico. Na Baixada, em Caxias na praça do Pacificador.

Vários filmes que serão exibidos na programação do Encontro participaram do Fespaco - Festival Pan-Africano de Cinema de Ouagadodou, em Burkina Faso , em que Zózimo Bulbul participou em 1997. Este ano, o II Encontro de Cinema Negro receberá o cineasta Guy Désiré Yaméogo, representante da Fespaco.

Entre os cineastas estrangeiros confirmados para o II Encontro de Cinema Negro Brasil, África e América Latina estão Mansour Zora Wade (Senegal), Rigoberto Lopez (Cuba), Derby Arboleda (Colômbia), Apoline Traore (Burkina Faso), Angele Diabang Brener (Senegal), Antônio Molina (Cuba) e Guy Désiré Yaméogo (Burkina Faso).

MOSTRA DE FILMES

São mais de 50 produções dos seguintes países: Brasil, Mali, Mauritânia, Burkina Faso, Senegal, Colômbia, Níger, Cuba, África do Sul, Madagascar e Guiné Bissau.

Entre a programação de cinema, destaque para as sessões temáticas:

"Contos Desenhos e Tradições Africanas" - que apresenta o curta "Mon beau sourire", de Angèle Diabang Brener, sobre o ritual da tatuagem na gengiva, costume bastante difundido na África Ocidental -,

"Cineastas Novíssimos" - com "A cidade do Pan", curta produzido por jovens cineastas da Cufa (Central Única das Favelas), entre os filmes de novos talentos -,

"Um Domingo Africano em Família" - que inclui o longa-metragem "Moolaadé", de Ousmane Sembéne, sobre quatro meninas que tentam escapar do salindé, a tradicional circuncisão feminina -, e

"Mulheres Realizadoras" - com 10 filmes produzidos por mulheres, entre eles "Primeiro Plano", documentário da capixaba Kênia Freitas, que trata de questões raciais a partir do depoimento de estudantes cotistas negros da UERJ.

SEMINÁRIOS

O Cinema Negro é a pauta dos seis seminários promovidos no II Encontro de Cinema Negro Brasil, África e América Latina, que reunirão 16 cineastas, produtores, críticos e o público nos seguintes desdobramentos:

"O Intercâmbio do Cinema Negro Brasil, África e América Latina",

"A Importância dos Roteiros para demonstrar a trajetória do negro como protagonista de sua própria história",

"Festivais Internacionais, informes",

"Avaliação do Crescimento do Encontro de Cinema Negro e da Formação de Platéia de 2007 para 2008´´,

"Cinema Negro, As Possibilidades de Intercâmbio",

"Cinema Negro, Novas Produções" e

"Mulheres Realizadoras no Cinema Negro".


OFICINAS

O II Encontro de Cinema Negro Brasil, África e América Latina vai promover ainda três oficinas de capacitação para o público, com entrada franca. São elas:

. Produção de Cinema e TV, com Flávio Leandro, professor da Escola de Artes da Mangueira;

. Oficina de Roteiro, com Antônio Molina, cineasta cubano residente no Brasil com ampla experiência em cursos de roteiro junto a projetos sociais através do cinema, entre eles os cursos do CIDAN e o projeto Viajando na telinha;

. Oficina de Fotografia, com Ierê Ferreira, fotógrafo com grande experiência sobre o olhar afro-descendente, valorização de suas formas, beleza e conteúdo;

O evento ocorre até o dia 24 de novembro. Confira a programação:

Dia 14/11 (sexta-feira)

Sessão Contos, Desenhos e Tradições Africanas – Cine Odeon BR

14h - Samba, O Grande, de Mousthapha Alassane (Nigéria)
Lês Ecuelles, Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso)
Bilakoro, de Dany Kouyaté, Issa e Sekou Traore (Burkina Faso)
Picc Mi, de Mansour Sora Wade (Senegal)
16h - Mooladé, de Osmane Sambene (Senegal)
18h - Mon Beau Sorrire, de Angèle Diabang Brener (Senegal)
Sous La Clarte de La Lune, de Apolline Traore (Burkina Faso)
20h - Abdias Nascimento, Memória Negra, de Antônio Olavo (Brasil)

Oficina de Direção - Centro Cultural Justiça Federal

14h30 - Oficina de Produção de Cinema e TV, com Flávio Leandro

Dia 15/11 (sábado)

Seminários - Centro Afro Carioca de Cinema

9h30 - O Intercâmbio do Cinema Negro Brasil, África e América Latina, com Mansour Zora Wade (Senegal), Guy Désiré Yaméogo (Burkina Faso), Rigoberto López (Cuba) e Zózimo Bulbul (Brasil)
11h30 - A Importância dos Roteiros para Demonstrar a Trajetória do Negro Como Protagonista de sua Própria História, com Zózimo Bulbul (Brasil), Antônio Molina (Cuba) e Derby Arboleda (Colômbia)

Oficina de Roteiro - Centro Cultural Justiça Federal

14h30 - Oficina de Roteiro, com Antônio Molina

Sessão Cineastas Novíssimos - Cinema Odeon BR

14h - Ilha do Rato, de Joselito Crispim (Brasil)
Fábrica de Esperança, de Jocemir (Brasil)
Dê a sua idéia, Debata, de Viviane Ferreira (Brasil)
Graffite, de Lílian Santiago (Brasil)
Primeiro Plano, de Kênia Freitas (Brasil)
Poema para Quenum, de Carmen Luz (Brasil)
16h - A Cidade do Pan, de Anderson Quacker (Brasil)
Polícia e Ladrão, de Viajando na Telinha (Brasil)
Palavra Filho, de Viajando na Telinha (Brasil)
Por Este Amor, de Rodrigo Felha Eduardo BR (Brasil)
A Condição Humana, de Flávio Leandro (Brasil)
Sete Minutos, de Cavi Borges, Paulo Silva e Julio Pecly (Brasil)
Crônicas de um Fato Comum, de Paulo Silva (Brasil)
Se Todos Fossem Iguais, de Fernando Barcellos (Brasil)
18h - Roble de Olor, de Rigoberto Lopez (Cuba)
20h - Bróder, de Jefferson Dê (Brasil)
O Preço do Perdão, Mansour Sora Wade (Senegal)

Sessão de Cinema - Centro Cultural Justiça Federal

14h30 - Samba, O Grande, de Mousthapha Alassane (Nigéria)
Lês Ecuelles, de Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso)
Bilakoro, de Dany Kouyaté e Issa e Sékou Traoré (Burkina Faso)
Yri Kan, de Issiaka Konaté (Burkina Faso)
Picc Mi, de Mansour Sora Wade (Senegal)
O Retorno de um Aventureiro, de Moustapha Dão (Nigéria)

Dia 16/11 (domingo)

Seminários - Centro Afro Carioca de Cinema

9h30 - Festivais Internacionais, Informes, com Zózimo Bulbul (Brasil), Guy Désiré Yaméogo (Burkina Faso) e Rigoberto López (Cuba)
11h30 - Avaliação do Crescimento do Encontro de Cinema Negro e da Formação de Platéia de 2007 para 2008, com Zózimo Bulbul (Brasil), Mansour Zora Wide (Senegal), Carmen Luz (Brasil) e Jefferson Dê (Brasil)

Oficina de Fotografia - Centro Cultural Justiça Federal

14h30 - Oficina de Fotografia, com Ierê Ferreira

Sessão de Cinema - Centro Cultural Justiça Federal

14h30 - Carolina, de Jefferson Dê (Brasil)
Choro e Ladainha, de Antônio Pompeo (Brasil)
Alma no Olho, de Zózimo Bulbul (Brasil)
Aniceto do Império, de Zózimo Bulbul (Brasil)
Nossas Senhoras Meninas, de Jorge Coutinho (Brasil)
Moleque, de Ari Cândido (Brasil)
As Aventuras Amorosas de um Padeiro, de Waldir Onofre (Brasil)

Sessão Um Domingo Africano em Família - Cinema Odeon Petrobras

14h - Cheiro da Feijoada, de Yléa Ferraz (Brasil)
Jom, de Ababacar Samb Makharam (Senegal)
16h - Souku, de Issiaka Konaté (Burkina Faso)
Peças de Identidade, de Mweze Dieudonné Ngangura (Congo)
18h - Lês Ecuelles, de Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso)
Drum, de Zola Maseko (África do Sul)
20h - A Nous La Rue, de Moustapha Dão (Burkina Faso)
Mooladé, de Osmane Sambene (Senegal)

Dia 17/11 (segunda-feira)

Seminários - Cinema Odeon Petrobras

9h30 - Cinema Negro, As Possibilidades de Intercâmbio, com Mansour Zora Wade (Senegal), Antônio Molina (Cuba), Cláudia Miranda (Brasil), Rigoberto López (Cuba), Guy Désiré Yaméogo (Burkina Faso) e Zózimo Bulbul (Brasil)
11h30 - Cinema Negro, Novas Produções, com Jefferson Dê (Brasil), Joel Zito de Araujo (Brasil), Rogério Moura (Brasil) e Zózimo Bulbul (Brasil)

Sessão de Cinema - Cinema Odeon Petrobras

14h - Kounandi, de Apoline Traore (Burkina Faso)
Souku, de Issiaka Konaté (Burkina Faso)
A Nous La Rue, de Moustapha Dao (Burkina Faso)
16h - Sarraounia, de Méd Hondo (Mauritânia)
18h - Sexo Fuerte, de Derby Arboleda (Colômbia)
20h - Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado, de Joel Zito (Brasil)
Sessão de Cinema - Tenda Lapa

19h - Samba, o Grande, de Mousthapha Alassane (Nigéria)
Lês Ecuelles, de Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso)
Bilakoro, de DanyKouyaté, Issa e Sékou Traoré (Burkina Faso)
Picc Mi, de Mansour Sora Wade (Senegal)

Dia 18/11 (terça-feira)

Seminários - Cinema Odeon Petrobras

Mulheres Realizadoras no Cinema Negro, com Apoline Traore (Burkina Faso), Angele Diabang Brener (Senegal), Lea Garcia (Brasil), Carmem Luz (Brasil), Kênia Freitas (Brasil), Cidinha Silva (Brasil) e Ruth Pinheiro (Brasil)

Sessão de Cinema - Tenda Lapa

19h - Primeiro Plano, de Kênya Alice (Brasil)
Se Todos Fossem Iguais, de Fernando Barcelos (Brasil)
Grafite, de Lílian Santiago (Brasil)
A Condição Humana, de Flávio Leandro (Brasil)
Samba no Trem, de Zózimo Bulbul (Brasil)

Sessão Mulheres em Ação - Cinema Odeon Petrobras

14h - Mon Beau Sourire, de Angèle Diabang Brener (Senegal)
Poema para Quenum, de Carmen Luz (Brasil)
Primeiro Plano, de Kênia Freitas (Brasil)
Crimes de Ódio, de Patrícia Freitas (Brasil)
Graffite, de Lílian Santiago (Brasil)
Dê a sua Idéia, Debata, de Viviane Ferreira (Brasil)
16h - Taafé Fanga, de Adama Drabo (Mali)
18h - Finzan, de Cheick Sissouko (Mali)
20h - “Yandé Codou, La Griotte de Senghor, de Angele Diabang Brener (Senegal)
Kounandi, de Apoline Traore (Burkina Faso)

Dia 19/11 (quarta-feira)

Sessão de Cinema - Cinema Odeon Petrobras

14h - Morre Congo, Fica Congo, de Délcio Teobaldo (Brasil)
Samba no Pé, de Zeca Ligeiro (Brasil)
Pisando na Argila, de Antônio Molina (Brasil)
Farinha, de Tião Fonseca (Brasil)
Jongo uma Dança Profana e Religiosa no Quilombo São José, de Ricardo Brasil (Brasil)
16h - Tabataba, de Raymond Rajaonarivelo (Madagascar)
18h - Jom, de Ababacar Samb Makharam (Senegal)
20h - Sua Majestade, Delegado, de Clementino Jr. (Brasil)
Samba no Trem, de Zózimo Bulbul (Brasil)
Eu sou o Povo!, de Bruno Bacellar, Luis Fernando Couto e Regina Rocha (Brasil)

Dia 20/11 (quinta-feira)

Sessão de Cinema - Cinema Odeon Petrobras

14h - Bamako, de Abderrahmane Sissako (Mauritânia)
16h - Soleil o, de Méd Hondo (Mauritânia)

Sessão de Cinema - Espaço Tom Jobim

19h - Alma no Olho, de Zózimo Bulbul (Brasil)
Carolina, de Jefferson Dê (Brasil)
Samba no Trem, de Zózimo Bulbul (Brasil)

Dia 21/11 (sexta-feira)

Sessão de Cinema - Espaço Tom Jobim

17h - Alma no Olho, Zózimo Bulbul (Brasil)
Nhá Fala, de Flora Gomes (Guiné Bissau)
19h - Choro e Ladainha, de Antônio Pompeo (Brasil)
Moolade, de Osmane Sambene (Senegal)

Dia 22/11 (sábado)

Sessão de Cinema - Espaço Tom Jobim

17h - Nossa Senhora das Meninas, de Jorge Coutinho (Brasil)
Sarrouania, de Méd Hondo (Mauritânia)
19h - Samba no Trem, de Zózimo Bulbul (Brasil)
Attendand le Boheme, de Sissakou

Dia 23/11 (domingo)

Sessão de Cinema - Espaço Tom Jobim

17h - Carolina, de Jefferson Dê (Brasil)
O Preço do Perdão, de Mansour sora Wade (Senegal)
19h - O Cheiro da Feijoada, de Iléa Ferraz (Brasil)
Filhas do Vento, de Joel Zito (Brasil)


SERVIÇO

II ENCONTRO DE CINEMA NEGRO BRASIL, ÁFRICA e AMÉRICA LATINA
De 14 a 24 de novembro

Abertura para convidados: 13 de novembro

Cinema Odeon Petrobras
Praça Mahatma Gandhi 2, Cinelândia. Tel.: 2240 1093
Ingressos: Sessões de Cinema: R$2,00. Seminário: Entrada Franca
Capacidade: 600 lugares

Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco 241, Centro. Tel.: 3261 2550
Ingressos: Sessões de Cinema: R$2,00. Seminário: Entrada Franca
Capacidade: 40 lugares

Espaço Tom Jobim
Rua Jardim Botânico 1.008
Ingressos: R$2,00
Capacidade: 400 lugares

Centro Afro Carioca de Cinema
Rua Joaquim Silva 40, Lapa. Tel.: 2508-7381
Ingressos: entrada franca
Capacidade: 30 lugares

Tenda Lapa
Arcos da Lapa. Exibição de filme ao ar livre.
Ingressos: entrada franca

Diálogos sobre Hip Hop



NOVEMBRO NEGRO
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Diálogos entre o Hip Hop, Brasil/Canadá/Cuba/KenyaData: 18 Novembro às 19 horas

A Soweto Organização Negra, estará promovendo o DIÁLOGOS ENTRE O HIP HOP encontro de Hip-Hop de diferentes nacionalidades, que é o desdobramento de uma conversa entre ativistas e membros do Hip-Hop contemporâneo no Brasil e no mundo.

Essa atividade faz parte do"Círculos de Cultura" que consiste em diálogos e debates para reflexões e ações que teve início em janeiro de 2007 no Fórum Social Mundial em Nairóbi, no Kenya.

Os convidados para esse diálogo são os grupos Nomadic Massive (Canadá), Fator Ético (Aliança Negra Posse), Z'África Brasil e Fantasmas Vermelhos (Núcleo Cultural Força Ativa) e Toni C, que farão uma breve discussão acerca dos intercâmbios estabelecidos etntre os grupos nesses países.

Também teremos uma exibição prévia do curta "Negro Como Você!", feito a partir da ida de brasileiros para o evento de mesmo nome em Montreal (Canadá), em fevereiro deste ano. O evento será encerrado com uma Jam Session com as bandas presentes.

Local: Auditório da Ação Educativa
Rua General Jardin, 660 - Vila Buarque (próximo ao metrô Republica)
São Paulo, SP
Dia: 18 de Novembro (terça), às 19 horas.

Irmandade N. S. Rosário convida



C O N V I T E
A Imperial Tri-secular Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, como parte intergrante as festividades do DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, 20 de novembro de 2008, tem a honra de convidar vossa senhroia para a missa em homenagem a ZUMBI DOS PALMARES às 12 horas, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, situada a Rua Uruguaiana, 77 - Centro - RJ.

É Hoje: Mobilização Relâmpago contra o Projeto de Lei de controle da Internet

Segundo o BR-Linux e o Nardol acontecerá hoje no Rio de Janeiro, São Paulo e quicá outras cidades uma manifestação relâmpago contra o Projeto Azeredo. Basta ver os links:
http://www.nardol.org/2008/11/12/mobilizacao-relampago-contra-o-projeto-de-lei-do-sen-azeredo
http://br-linux.org/2008/e-amanha-mobilizacao-relampago-contra-o-projeto-de-lei-de-controle-da-internet/
Entretanto, há uma tal de APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música), possível filial da RIAA (Recording Industry Association of america), que já vem atuando com poder de polícia há algum tempo e com apoio do Estado brasileiro, realizando a derrubada de links e fechando sites de trocas de arquivos e até apreendendo PCs em lan houses Brasil afora. Como demonstram os links abaixo:
http://br-linux.org/2008/associacao-apreende-475-pcs-com-conteudo-ilegal-em-lan-houses/
http://br-linux.org/2008/associacao-combate-kazaa-e-emule-no-brasil/
http://felitti.wordpress.com/2007/04/26/a-nova-entidade-antipirataria-do-brasil/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u458614.shtml
Engraçado, procurei o site da APCM e não encontrei. Sendo assim, o foco da luta muda, pois o combate a essa tal associação passa a ser prioridade.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vídeo: Salvador Negro

Revista Educação
Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
por Raquel Teixeira


Vídeo Sobre Racismo Gera Polêmica Nacional e Internacional no Youtube

Após a polêmica nacional e internacional em torno do vídeo intitulado"Carnaval 2007 - Salvador Negro Amor???" em que o autor que se auto define como homem branco, classe média alta, ironiza e problematiza a questão racial.

A polêmica ressurge ainda com mais força através do mais novo vídeo divulgado "Carnaval 2008 - Salvador Negro Amor??? (parte 2)". Com um sarcasmo genial o autor faz uma importante crítica ao racismo, dando resposta a questões geradas pelo primeiro vídeo. Consegue desconstruir
uma série de equívocos e questiona: o que é justiça pra você?

O ponto forte do segundo vídeo é o festival de humilhação promovido pelo sobrinho do diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel bem como informações sobre a teoria do embranquecimento no Brasil.

Os vídeos são sem dúvida um excelente material didático para trabalhar a questão racial no país.
Seguem os vídeos:

Carnaval 2007 - Salvador Negro Amor???


Carnaval 2008 - Salvador Negro Amor??? (parte 2)

II Bahia Afro Film Festival


http://www.bahiaafrofilmfestival.com/

II Bahia Afro Film Festival

O Festival
Luz, câmera, ação. Salvador já está pronta para receber o II Bahia Afro Film Festival, Festival Internacional de Cinema Afro, que será realizado de16 a 21, Dezembro de 2008, logo-após a passagem das comemorações do dia Nacional da Consciência Negra, estendendo assim uma homenagem ao grande herói Zumbi dos Palmares, promovendo um reflexão em torno da data mais importante para o calendário afro- descendente no Brasil.


Imagine Todo Povo Afro Juntos

O Bahia Afro Film Festival é um projeto da Casa de Cinema da Bahia, dirigida pelo cineasta Lázaro Faria e tem como principal objetivo divulgar, integrar e promover discussões em torno da produção de cinema e vídeos nacionais e estrangeiros, que tenham o povo afro-descendente como tema principal. O lema do Festival coordenado por Adailton Borges (Dhay) é "Imagine todo povo Afro juntos" - para registrar a mobilização cinematográfica da cultura afro-brasileira no territótio nacional.

Para tanto, propõe mundializar essa campanha a partir da cidade do Salvador/Bahia, trazendo e usando como recorte a experiência e sabedoria africana que hoje possuem um dos maiores pólos de cinema Ênfase será dada a essa experiêcia e suas influencias na diáspora africana no mundo e sincretismo cultural e preservação das raizes e valores.

Para o presidente da Casa de Cinema da Bahia, Lázaro Faria, a comunidade afro-descendente já merecia - há muito - um festival internacional como este. " É um povo que veio como escravo, despojado de roupas, auto estima e chegou aqui para construir e refazer sua vida. E fizeram isso com uma alegria e uma beleza genial", opina Faria, que já assinou filmes conhecidos internacionalmente, entre eles, Orixás da Bahia, Mandinga em Manhattan e Cidade das Mulheres. Para Faria, Salvador é o lugar certo para um festival de filmes voltado para os afro-descendentes."Foi aqui que a África foi reiventada", conclui.

Entre as pautas a serem discutidas no Festival destaques para a discussão do processo de profissionalização e crescimento da produção audiovisual na Bahia, a popularização da sétima arte, a formação de público e a promoção do cinema afro como gerador de debates. Estarão entre os sub-temas do evento, assuntos como Raízes e ancestralidade, Sincretismo Cultural, Diáspora Africana e Reparações . O Festival resgatará ainda, a velha ambição de tornar a Bahia, já conhecida mundialmente por sua essência e autenticidade cultural, um pólo internacional do audiovisual.

Para estas, entre outras questões pertinentes a ambiência da produção cinematográfica, serão montados oficinas palestras,seminário, manifestações artísticas e culturais que resgatem e valorizem o cinema afro-descendente. Além disso, um acervo audiovisual será instalado na Casa de Cinema e disponibilizado ao público para mostras e exibições especiais durante todo o ano.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Miriam Makeba - Chove Chuva


Nossa homenagem a esta grande dama da música negra, que sempre representou tão bem as vozes de todos os oprimidos do planeta.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A vitória de Barack Obama e seus primeiros ecos no Brasil


Confesso que estou com a alma lavada, em apenas uma semana pudemos ver a vitória do único e primeiro negro na Fórmula 1 e logo depois a confirmação da eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos da América. Não há como negar a conexão entre eles e como enchem de felicidade todos aqueles que buscam ver um mundo melhor e mais igualitário em toda a sua plenitude e justiça. Entretanto, mais do que nos alegrarmos estes dois acontecimentos somados têm um efeito muito interessante em relação ao Brasil, ou seja, eles fazem com que se reacenda a discussão sobre a questão racial brasileira. Afinal somos um país onde 45% da população, pelo menos, é afrodescendente. E que entre perplexa, radiante de alegria e tomada de muita emoção assistiu a estas verdadeiras epopéias humanas.
Por onde ando, em minha sala de aula, na sala dos professores, nas escolas, antes e muito mais agora a temática racial tem sido retomada, tanto em função de Barack Obama, quanto em relação a Lewis Hamilton, as duas personalidades negras do momento.
Por outro lado, em tempos recentes, a grande mídia, e não só ela, tem feito um esforço fantástico para embotar qualquer discussão acerca deste tema. Seria natural que durante uma campanha presidencial tão importante e marcada por circunstâncias tão especiais que tivéssemos debates, mesas redondas com a presença de especialistas, intelectuais, jornalistas e ativistas negros como certamente aconteceria se a candidatura de Hillary Clinton se confirmasse, no caso das mulheres. Com certeza, teriamos discussões diárias sobre o papel da mulher na sociedade global, estadunidense e brasileira, com as maiores especialistas no tema. No entanto, houve exatamente o contrário. Não me recordo, e olha que faço agora um esforço muito grande para lembrar, de nenhum debate em que pudesse ver a face ou ouvir a voz de uma personalidade negra, refletindo sobre a presença de Barack Obama na disputa pela eleição presidencial estadunidense. Fica assim a dúvida. Será que não há no Brasil um único intelectual negro capaz de falar sobre os anseios e desejos da enorme população negra brasileira?
Chegamos mesmo a ver em um debate televisivo referências sobre o surgimento de um tal "pensamento mulato", que Barack Obama representaria. Eu já conhecia o Negritude, pensamento voltado para a exaltação dos valores culturais dos povos negros, que teve como grandes representantes, entre outros, Léopold Sédar Senghor e Aimé Césaire, para quem não conhece falecido há poucos meses atrás, ou mesmo o Pan-Africanismo de Henry Williams e do Dr. William Edward Burghardt Du Bois, que propunha a necessidade da unidade das nações africanas contra o expansionismo europeu, mas "pensamento mulato", francamente. Já em outro programa de grande audiência, da mesma rede televisiva um eminente comentarista fez questão de salientar a origem miscigenada de Obama e o fato dele se autodeclarar "brown" (marrom), não sendo assim branco ou preto, como se isto tivesse cabimento em uma realidade tão racializada quanto a estadunidense.
Na verdade, nós, negros brasileiros, continuamos enredados no mito da democracia racial. E como é difícil sair dessa cilada. Além disso, estruturas mentais como o ideal de branqueamento permanecem fazendo vítimas. A nossa cultura, extremamente conservadora ejeta a mais simples proposta de mudança das relações interpessoais, e no caso da questão racial, esse nó é ainda mais complexo de ser desfeito, pois, qualquer discussão sobre o mais simples dos temas se encaminha para o aspecto pessoal.
Lembro bem em 1980, de um evento que ajudei a organizar, a Primeira Semana do Negro na UERJ, não é demais lembrar que nessa época a presença negra na universidade era exígua, durante os dias iniciais na concha acústica, onde ocorriam as apresentações culturais tudo se dava de forma linda e empolgante. Estavam lá grupos de capoeira, de dança afro, músicos, cantores. Enfim, tudo o que pudesse lembrar a contribuição do negro para a sociedade brasileira. A platéia aplaudia satisfeita e entusiasmada. Contudo, na sexta-feira aconteceria o climax do evento, em um debate que reuniria entidades do movimento negro e representantes do corpo docente da universidade. Não sei se há precedente, mas para mim este momento permanece como o primeiro grande evento com tais características nos meios acadêmicos brasileiros. E o que se viu foi uma platéia entre estupefacta e raivosa com as proposições feitas pelos intelectuais negros ali presentes. A tensão apareceu nos momentos iniciais da discussão e menteve-se até o último momento. Podemos afirmar que não houve diálogo ou busca de entendimento, aliás, de parte a parte. Ensaiávamos os passos que nos conduziriam a redemocratização e tudo aquilo carregava ineditivismo e sofrimento, nos redescobríamos. Outro momento com semelhante carga de voltagem foi a entrevista do professor Hélio Santos ao programa Roda Viva da Tv Cultura, em novembro de 2002. Em suma, não é nada fácil se desnudar e ver como realmente somos, uma sociedade racista que tenta a todo momento esconder sua origem afrodescendente.
Desta forma, a vitória de Barack Obama cai como uma bomba nos cânones racistas brasileiros e faz exigir uma releitura do Brasil a partir dos olhares esperançosos dos negros brasileiros. Felizes e agitados pelo presente aguardamos respostas no futuro para a certeza que temos do quanto é justa a nossa luta.
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