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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Gazeta Mercantil discute a questão racial: De onde vem a desigualdade?

De onde vem a desigualdade? (Claudia Mancini) Artigo Jornal Gazeta Mercantil 13 Fev 2008
O caro leitor que lê este artigo acha que a discriminacao racial e um fator que explica os vergonhosos niveis de desigualdade socieconômicos entre brancos e negros no Brasil? O brasileiro em geral não se considera racista, mas admite que a discriminacão esta espalhada pela sociedade - ou seja, os outros e que fazem discriminacão. Porém, para muitos essa discriminacão não é o obstáculo principal para a mobilidade social dos negros, porque o que conta mesmo para uma pessoa subir na escala socioeconômica é estudar, trabalhar muito e ter iniciativa, sem que a cor da pele e as origens sociais façam realmente a grande direrenca, afirma Rafael Guerreiro Osorio, do Centro Internacional de Pobreza do IPEA e das Organização das Nacões Unidas, em seu estudo - Is All Socioeconomic Inequality among Racial Groups in Brazil Caused by Racial Discrimination? - (Toda a desigualdade socieconômica entre grupos raciais no Brasil e causada pela discrminação racial?).
Para responder o titulo de seu estudo, disponivel no site www.undp.org, Osorio acompanhou a vida de uma fatia da populacão nascida entre 1973 e 1977, analisando dados a partir dai e durante os anos seguintes ate 2005. É uma metodologia diferente da usada em outros estudos, que consideram um ponto específico da vida adulta das pessoas e inferem o que aconteceu no passado delas com base no que conseguiram conquistar e com questionários sobre as condicões em que cresceram e as de seus pais, de forma a verificar a mobilidade de uma geracão para outra. Estudos desse tipo dão sempre uma certa agonia, porque reforcam, mais e mais, que este Pais está longe de ser verdadeiramente democrático qualquer que sejam as causas, como as conclusões demonstram.
Uma das conclusões é a de que fatores como regiões de residência, educacão dos pais e renda familiar, juntos, são responsaveis pela maior proporcão das distâncias raciais atuais, mas - a discriminacão racial permanece como uma grande fonte de desigualdades entre grupos raciais.
Uma outra conclusao é que - os efeitos da discriminacão racial tendem a se ampliar quando brasileiros negros competem com brasileiros brancos por recursos sociais de alto valor mas com pouca oferta, como os altos níveis de educacão.
A terceira conclusão e a de que - embora jovens brasileiros negros tenham avançado em relação aos seus pais e a populacão brasileira em geral, os jovens negros permanecem na mesma posicão em relacão aos jovens brasileiros brancos, assim como as gerações negras mais velhas estavam em relação aos brancos.
É ou nao é mais um dano para se preocupar com o futuro do Brasil? Como é que se espera um país tenha futuro se boa parte de sua populacão não consegue ver uma luz no fim do túnel sobre o que esperar da vida, sem que essa luz seja um trem vindo na direcao contrária? Por mais que se tente remediar o problema, as tentativas parecem sempre pequenas perto do tamanho do problema. Osorio aponta que algumas medidas da política de acão afirmativa até ocorrem onde e mais necessário, como para admissão em universidades publicas. Local onde efeitos da discriminação racial ocorrem e continua ocorrendo. Mas não é só. Diferenças regionais encontradas na pesquisa indicam que a questão não é simplesmente acabar a discriminacão racial, que ocorre em maior ou menor grau dependendo do contexto em que está. Conforme as conclusões do estudo, mesmo se essa discriminação acabasse, haveria distância racial em razão de diferentes desenvolvimentos regionais e de diferentes composições regiões raciais. Dessa forma, instrumentos como programas de transferência de renda e de créditos para educação são necessários para se buscar resolver a desigualdade no Pais. No fim das contas, conclui o autor, é preciso ir além da negação de que a discriminação causa as desigualdades, ou de que é a causa disso.
Para quem quiser acessar o trabalho de Osório, ai vai o link em pdf:
http://www.novamerica.org.br/medh2/arquivos/Livro_desigualdadesraciais.pdf
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