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segunda-feira, 31 de março de 2008

Wilson Simonal, do esquecimento à lembrança

Lembro bem da força e do carisma de Wilson Simonal. Um negro atrevido, e para usar uma linguagem atual, marrento que, deslumbrava e encantava a cena musical brasileira lá pelos idos da década de 1960. Esperto, sagaz, Simonal junto com seu produtor musical Erlon Chaves, também falecido chegou a rivalizar em fama na época com Roberto Carlos.
Lembro bem das festas na casa da minha avó em que a vitrola tocava basicamente os dois maiores idolos negros daquele momento: Simonal e Jorge Ben. Mas enquanto Jorge Ben se mantinha sabiamente, quem sabe, modesto e simpático, Simonal revestia-se muitas vezes do avesso, sendo vaidoso e arrogante, tão insolente que foi capaz de cantar perante uma platéia majoritariamente branca, paulista e ultraconservadora, o seu belíssimo "Tributo a Martin Luther King", já postado neste blog, http://pelenegra.blogspot.com/2008/03/dia-internacional-de-luta-pela-eliminao.html em que tocava uma das feridas mais doloridas da sociedade brasileira, ou seja, o seu drama "racial", em plena ditadura militar. Foi caçado pelos dois lados, tanto pela direita, quanto pela esquerda.
Em verdade, mordido pela mosca azul do sucesso, Simonal já não se achava mais negro, cria mesmo que em função do seu êxito musical havia transposto a barreira da cor de sua pele estando, dessa forma, acima do bem e do mal. Entretanto, havia ferido e magoado muita gente e foram essas pessoas que ao primeiro tropeção estavam ali prontos para derrubá-lo, poderia ser por qualquer motivo isto pouco importava. O que realmente importava era mostrar aquele neguinho ousado, marrento e folgado que ele tinha de se por no seu lugar, o lugar que cabe aos negros nesta sociedade.
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