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terça-feira, 6 de maio de 2008

João Pedro Stedile: Pelo direito de todos - se manifesta sobre as cotas

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST

Uma democracia se mede pela igualdade de oportunidades e direitos que todos os seus membros têm sobre as questões fundamentais da vida. Assim, todos, independentemente de renda, cor, etnia, religião, idade ou opção sexual, deveriam ter as mesmas oportunidades de educação, de trabalho, de renda, de moradia digna, de lazer, de cultura, de terra! Infelizmente, o Brasil é a sociedade mais desigual do planeta. Uma imensa maioria é pobre e não tem as mesmas oportunidades, e uma minoria de 10% concentra riqueza, renda e direitos!. Somos também uma das sociedades mais injustas e menos democráticas.

Alguém já foi atendido por algum médico negro, de origem pobre? Alguém já viu algum piloto de avião, algum dentista, algum empresário, algum construtor negro?

O governo Lula e algumas universidades resolveram adotar um critério de garantir certas cotas de acesso de estudantes pobres e negros às universidades. Deveríamos ter o direito de todos entrar. Como na Coréia do sul, onde 97% dos jovens estão na universidade.

Aqui, temos apenas 8% e mais de 70% deles em escolas particulares, que transformaram a educação em mero negócio. Cobram pesadas mensalidades e os estudantes, iludidos, compram apenas um diploma.

O sistema de cotas virou um “escândalo”. A direita se alvorossou. A classe média se diz “injustiçada”. E agora tem até um manifesto de intelectuais, contra. Deixem de hipocrisia, não aceitam a universalização do ensino superior e ainda são contra que alguns poucos pobres entrem!

As cotas não resolvem, mas ajudam. Não são a solução verdadeira, mas podem contribuir para conscientizar as massas de seus direitos. Não é por nada que o Brasil foi o último país a libertar-se da chaga da escravidão, em 13 de maio de 1888.

Retirado do link:
http://odia.terra.com.br/opiniao/htm/joao_pedro_stedile_pelo_direito_de_todos_168795.asp

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