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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Morro da Favela: o horror das cores


Entre estupefactos e revoltados assistimos mais um drama racial de cores preto e branca a acometer, mais uma vez, a cidade do Rio de Janeiro. Cotidianamente verificamos que ocorrências como esta passeiam pelos jornais e noticiários de tv, manchando de vermelho nossas singelas telas LCD. Eriçados por tais acontecimentos nos petrificamos ao observar a nódoa festiva da classe média em seus jornais eletrônicos a se refestelar. O tom jocoso e cruel fala das vítimas como responsáveis por seu próprio destino. O fado que tiveram em nenhum momento poderia ou deveria ser modificado. As cores da morte, preta, branca, vermelha, amarela, ou todas as outras necessárias, esgotam a centelha de luzes armadas para comemorar a destruição. O enredo não é novo, pelo contrário se repete, se repete e se repete. Afinal, quem nunca viu o Estado brasileiro envolvido em circunstâncias como esta.
Por outro lado, a morte de três jovens negros do Morro da Providência, ou melhor, Morro da Favela, inova em alguns aspectos como o do principal protagonista envolvido: o Exército Brasileiro. Sem dúvida, não podemos esquecer que estes jovens negros passaram antes de morrer pelas suas instalações, e só Deus sabe o que ali ocorreu.
Candidato a prefeito, encontramos a figura de um bispo da Igreja Universal envolvido na trama. Preocupado, em demonstrar sua boa vontade com a comunidade negra, por quem é visto com desconfiança por motivos óbvios, Crivela, que foi homenageado pela Associação das Escolas de Samba recentemente, é o principal beneficiado pelas obras no Morro da Favela, alcunhadas com o nome sugestivo de "Cimento Social". Cores cinzentas parecem embotar o projeto político de Crivela.
Por fim, temos o poder do Estado a reconhecer a força do poder paralelo. A lição a ser dada aos três jovens negros não deveria ficar limitada as forças da ordem. O terror nefasto da escuridão traria cores ainda mais cintilantes ao caso, destroçando as últimas fagulhas de luz.
As cores aberrantes do sofrimento atroz assolam a vida de seus familiares, daqueles que se solidarizam com sua sina e com o extermínio de tantos jovens negros, mas, de tantas outras cores.
Certamente todas as cores do mundo não são suficientes para expressar tamanho horror.
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