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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A extorsão dos banqueiros


Começo a pensar se os bancos já não estão coagindo os governos na busca por liberação de mais recursos. O que está ocorrendo hoje me lembra muito um episódio da história do Brasil e que nos possibilitou perceber com clareza quem detinha a hegemonia política e econômica então. Trata-se do Convênio de Taubaté, episódio em que a elite cafeicultora paulista obrigou o estado brasileiro a comprar o excedente de café a custa de endividamento externo para garantir os lucros e evitar os prejuízos causados pela expansão desmedida dos cafezais.
A quantidade de recursos disponibilizados gentilmente pelos Estados Nacionais como garantia contra a quebradeira iminente, em um primeiro momento, por certo alegrou e felicita os investidores e gera a ânsia e volúpia por mais. O medo e a desconfiança do mercado tão alardeados como os motivos para a instabilidade econômica existente se confundem com o poder dos grandes detentores do capital, por sua capacidade de determinar os rumos e caminhos da economia global. Sentados em uma pequena sala alguns investidores festejam o montante exorbitante de dinheiro a sua disposição.
No Brasil, com efeito, os 100 bilhões postos à mercê dos bancos com o objetivo de aumentar a liquidez e irrigar a economia com crédito estão sendo usados pelos bancos para comprar títulos do tesouro, e muito provavelmente, dólares. Quanto mais dinheiro, estaremos nós, dispostos a lançar mão na aventura ou desventura a que fomos empurrados por essa crise? Será que os banqueiros, investidores e empresas, verdadeiros responsáveis por este estado de coisas serão criminalinalmente penalizados pelo que está ocorrendo mundo afora?
De fato o que fica mais nítido neste furacão é o poder do capital financeiro. Tantas e tamanhas são as causas para a aplicação de décimos destes recursos. Quantos já estiveram diante desta opinião pública globalizada suplicando por dinheiro para dirimir o flagelo da fome e da sida no mundo? E por que não dizer para solucionar o problema da habitação, da educação e da saúde no Brasil. Para melhorar o caótico sistema de saúde estadunidense, um dos temas mais discutidos na campanha presidencial dos EUA. Em verdade, são muitos os sofrimentos que poderiam ser aplacados globalmente por pequenas parcelas desta verdadeira extorsão a que toda a humanidade está sendo submetida por um pequeno grupo de escroques endinheirados.
Para aqueles que vêem nesta crise uma volta ao mundo keynesiano de 40 anos atrás, prefiro ficar com a certeza de que nada de novo está a suceder, senão, o compromisso dos Estados neoliberais de garantir a qualquer custo os interesses dos grandes capitalistas: seus bancos empresas e o que mais for.
Para os socialistas, este é um momento para iluminar as mentes, reabilitar vias esquecidas , alianças e, por que não, recordar as vitórias, preparando-se para as próximas, pois temos uma longa trilha a seguir.
Daqui de minha janela, de onde avisto tão perto o Complexo do Alemão, vejo com profunda indignação e fúria esta grande farra dos capitais e clamo pela vingança dos inocentes e sãos.
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