Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Wilson Simonal, do esquecimento à lembrança

Lembro bem da força e do carisma de Wilson Simonal. Um negro atrevido, e para usar uma linguagem atual, marrento que, deslumbrava e encantava a cena musical brasileira lá pelos idos da década de 1960. Esperto, sagaz, Simonal junto com seu produtor musical Erlon Chaves, também falecido chegou a rivalizar em fama na época com Roberto Carlos.
Lembro bem das festas na casa da minha avó em que a vitrola tocava basicamente os dois maiores idolos negros daquele momento: Simonal e Jorge Ben. Mas enquanto Jorge Ben se mantinha sabiamente, quem sabe, modesto e simpático, Simonal revestia-se muitas vezes do avesso, sendo vaidoso e arrogante, tão insolente que foi capaz de cantar perante uma platéia majoritariamente branca, paulista e ultraconservadora, o seu belíssimo "Tributo a Martin Luther King", já postado neste blog, http://pelenegra.blogspot.com/2008/03/dia-internacional-de-luta-pela-eliminao.html em que tocava uma das feridas mais doloridas da sociedade brasileira, ou seja, o seu drama "racial", em plena ditadura militar. Foi caçado pelos dois lados, tanto pela direita, quanto pela esquerda.
Em verdade, mordido pela mosca azul do sucesso, Simonal já não se achava mais negro, cria mesmo que em função do seu êxito musical havia transposto a barreira da cor de sua pele estando, dessa forma, acima do bem e do mal. Entretanto, havia ferido e magoado muita gente e foram essas pessoas que ao primeiro tropeção estavam ali prontos para derrubá-lo, poderia ser por qualquer motivo isto pouco importava. O que realmente importava era mostrar aquele neguinho ousado, marrento e folgado que ele tinha de se por no seu lugar, o lugar que cabe aos negros nesta sociedade.

4ª Edição do Circulando no Complexo do Alemão, dia 5


O Núcleo de Comunicação Crítica do Alemão promove no próximo dia 5, sábado, a quarta edição do “Circulando – diálogo e comunicação na favela”. O evento reúne diversos artistas locais e também de fora da comunidade que desde maio do ano passado se encontram para fazer uma verdadeira mostra cultural nas ruas do Complexo do Alemão.

Para esta primeira edição de 2008, além do tradicional mutirão de graffiti e do hip-hop, farão parte do Circulando as atividades de encerramento do projeto Motirô, realizado pelo Grupo Sócio-Cultural Raízes em Movimento junto ao SESC.

As ações do Circulando incluem exibições de vídeos, oficinas de artesanato e ainda uma exposição de fotografia sobre o tema Direitos Humanos, assinada por Maycon Brum. Maycon é morador do Alemão e a exposição é apoiada pela Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase). O evento contará, ainda, com shows da rapper Re.Fem e das bandas Ciclo Natural e Raiz da Paz.

O Circulando é promovido pelo Raízes em Movimento em parceria com o Observatório de Favelas. Nesta edição, o evento é apoiado por organizações locais como o Verdejar, o Grupo Éfeta, e a Ong Nascebem.

Circulando 4
Local: Rua Sebastião de Carvalho, esquina com Avenida Itararé
Conjunto de favelas do Alemão
Horário: A partir das 10h (mutirão de graffii), 14h (demais atividades)
Informações: 3104-4057 ou 8871 8398 (Alan)
www.raizesemmoviomento.org.br
http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatorio/noticias/noticias/4642.asp



Estudantes entram com ação contra a transnacional Xerox

Trata-se de um projeto em que a transnacional Xerox se comprometia a garantir a alguns alunos afrodescendentes os estudos até completarem a universidade. Este projeto também ocorreu no Rio de Janeiro e no Colégio Estadual Lélia Gonzalez, onde trabalho. Cheguei a ir em algumas reuniões com os alunos. Havia o compromisso da Xerox de fazer o mesmo que estava fazendo em São Paulo. Infelizmente, passados pouco mais de seis meses, o projeto foi abandonado pela multinacional sem o menor pudor ou satisfação.
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/estudantes-entram-com-acao-contra-a-transnacional-xerox/?portal_status_message=Comment+added#1206990412

segunda-feira, 24 de março de 2008

Muito além do Cidadão Kane, um filme anti-Globo

Recentemente li uma matéria na Folha Online com o produtor do documentário, "Muito Além do Cidadão Kane", professor britânico John Ellis, do departamento de mídia e artes da Universidade de Londres que faz uma análise do papel, no mínimo controverso, realizado pela Rede Globo de Televisão no Brasil. Nesta reportagem, Ellis deixa claro a dominação midíatica exercida pela rede televisiva e a necessidade da criação de uma TV Pública em nosso país, chegando mesmo a dizer que, "talvez seja tarde demais...". Esperamos, sinceramente que não, embora tenhamos que ser sensatos, principalmente ao ver o sucesso de porcarias como o tal BBB.
Por outro lado, estamos disponibilizando o link para quem quiser baixar o filme. Esclarecemos, todavia, que o link para arquivos torrent exige que você tenha em seu computador um programa para torrents, como o Ktorrent para linux, ou o Utorrent para windows:
http://indytorrents.org/stats.html?info_hash=5d184a5691874deb32dc4edbe2bca01e54a2dbf5
Outro link, não torrent:
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260618.shtml
Para quem quiser ler toda a matéria da Folha Online, o link é:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u375398.shtml

domingo, 23 de março de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Vanessa da Mata e Ben Harper - Boa Sorte/Good Luck


Perfeita simbiose!

Iraque, a guerra dos seis trilhões de dólares

Em quatro artigos excelentes, o site agenciacartamaior nos mostra os custos econômicos, sociais e políticos da loucura estadunidense na guerra do Iraque. Talvez, isto até explique a possível vitória de Obama, já que outros candidatos estão tão comprometidos com o establishment que não cumpririam a promessa de por fim ao descalabro bushiano. Caberá aos economistas avaliar como os custos astronômicos do conflito afetaram e estão afetando a economia dos EUA.
Maiores informações nos links:
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3851
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3849
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14861

Para quem está com dificuldades de instalar extensões no Firefox

Eu estou usando o Minefield, a versão, beta4 do Firefox. Uma das maiores dificuldades que encontrei foi na instalação das extensões, algumas delas fundamentais para mim, como por exemplo a extensão Foxlingo. Pesquisando na web, encontrei este artigo no site VivaoLinux. Informações no link:
http://www.vivaolinux.com.br/dicas/verDica.php?codigo=9686

Foxlingo, um excelente conjunto de dicionários no Firefox

O Foxlingo é um excelente tradutor de sites online. Possibilita a tradução de páginas da web em 40 idiomas diferentes.
Uma descriçaõ interessante do Foxlingo, você encontrará em:
http://andeon.ogimp.com.br/2008/01/19/foxlingo-tradutor-de-sites/
Caso queira baixá-lo, isto pode ser feito no link:
https://addons.mozilla.org/pt-PT/firefox/addon/2444

sexta-feira, 21 de março de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Tim Maia Live 1971


Energia soul!

A Onda, o filme

Para quem nunca assistiu trata-se de um filme instigante e desafiador. Afinal, o filme dirigido por Alex Grasshof conta a história real de um professor de uma escola secundária estadunidense, em Palo Alto, na Califórnia, que diante da descrença dos alunos frente aos acontecimentos alemães da 2 Guerra Mundial resolve repetir a experiência hitlerista. Com o lema Poder, disciplina e superioridade o professor consegue confirmar sua expectativa e rapidamente a maior parte dos alunos já está doutrinada e preparada para agir dentro dos canônes "ondistas". Pela importância deste trabalho estamos divulgando um link amule para quem quiser baixá-lo:
ed2k://|file|A_Onda_Portugues_Br_(Obrigado_Fausto_Henrique%20).avi |344499398|4B30D3BE2AB76BB7BBEE5C77C5F272AB|h=7L7TSVRZN7TIYMSSLCVN26KSWCDZJFWF|/

Doutor da CBN diz que comportamento de Lula é esquizofrênico

Depois que a CBN colocou no ar aquele comercial ridículo, em que alguns jornalistas, se ainda podemos chamá-los desta forma, se prestam ao papel de aparecerem como donos da verdade em um banquinho em alguma praça paulista, resolvi não mais ouvi-la. Aquilo foi o cúmulo. O estilo Neo-Con com Arnaldo Jabor e outras coisas parecidas se tornou uma das marcas da CBN e em muitos casos está se aproximando da fada dos Neo-Cons, a revista Veja. Aliás a pergunta que me incomoda é a seguinte: Como alguns jornalistas enriquecidos por suas empresas podem continuar a ser encarados como tal?

A CBN é a rádio das Organizações Globo que toca notícia e a oposição em São Paulo. A CBN sabe que Lula, Marta e o PAC terão influência nas eleições municipais de 2008. O Lula, como sempre, deixa a bola quicando. Nem o governo federal se entende sobre as obras do PAC, como ficou demonstrado em declaração dada pelo próprio presidente. E quando a bola quica, a CBN convoca um doutor em ética - Denis Rosenfield - para estufar as redes. Ele tem razão ao dizer que o compartamento do presidente da República é "esquizofrênico"?
http://www.viomundo.com.br/radio/doutor-da-cbn-diz-que-comportamento-de-lula-e-esquizofrenico/

quinta-feira, 20 de março de 2008

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial


Sim sou negro de cor

Meu irmão de minha cor
O que te peço é luta sim, luta mais
Que a luta está no fim

Cada negro que for
Mais um negro virá
Para lutar com sangue ou não
Com uma canção também se luta irmão
Ouvir minha voz
Lutar por nós

Luta negra demais, luta negra demais
É lutar pela paz, é lutar pela paz
Luta negra demais
Para sermos iguais
Para sermos iguais

No dia 21 de março é por decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), considerado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
Essa data foi instituída em memória ao massacre ocorrido em 21 março de 1960, na localidade de Sharpeville, na África do Sul, quando a polícia sul-africana abriu fogo contra uma multidão desarmada que protestava contra o regime de Apartheid (segregação racial na África do Sul). Foram mortos 69 pessoas negras, entre elas 19 crianças e centenas de manifestantes foram feridos.
Esta data é comemorada mundialmente, sendo um momento de reflexão e de luta pela eliminação do racismo e preconceito que são vitimas grupos raciais e étnicos em diferentes localidades do mundo..

Agradecemos pela lembrança à companheira Vanda Ferreira
Coordenadora do Sub-Comitê Pró-Eqüidade de Gênero, Raça e Diversidade da Petros - COED

Comissão de Direitos Humanos do Senado divulga ciclo de debates sobre questões relativas ao povo negro


A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realizará um ciclo de debates ao longo do mês de maio com o objetivo de discutir questões relacionadas ao povo negro. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) pelo presidente do colegiado, senador Paulo Paim (PT-RS), que já divulgou as datas das reuniões.
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=72836&codAplicativo=2

terça-feira, 18 de março de 2008

Após sete anos, Maria da Penha (Lei Maria da Penha) é indenizada

Entrevista de Maria da Penha Maia Fernandes, a mulher pela promulgação da lei que leva o seu nome e que está inibindo a agressão masculina às mulheres, a repórter Tatiana Merlino do BrasildeFato.

Fortaleza, Ceará, ano de 1983. Maria da Penha Maia Fernandes, biofarmacêutica, com pós-graduação, sofre duas tentativas de assassinato de seu marido, o professor universitário Marco Antonio Herredia Viveiros. Na primeira, deu um tiro, e Maria da Penha ficou paraplégica. Na segunda, tentou eletrocutá-la. Na ocasião, ela tinha 38 anos e três filhas, entre 6 e 2 anos de idade.
A investigação começou em junho do mesmo ano, mas a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro de 1984. Oito anos depois, o ex-marido foi condenado a 19 anos de prisão, mas usou de recursos jurídicos para protelar o cumprimento da pena.
Mais detalhes no link:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/apos-sete-anos-maria-da-penha-e-indenizada

domingo, 16 de março de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Ne-Yo - 'So Sick' (In-Studio)



Este é o cara!

As verdadeiras razões para usarmos Linux

Encontrei este artigo no blog do Wordpress, com quem já estou flertando e só não tive a coragem de tomar a decisão definitiva. Enfim para quem quiser conhecer o PELENEGRA em versão livre é só teclar www.pelenegra.wordpress.com. Bem como ia dizendo encontrei o artigo abaixo no link: http://antoniofonseca.wordpress.com/2008/03/15/a-verdadeira-razao-para-usarmos-linux/ e o achei tão representativo do pensamento da comunidade Gnu/Linux que resolvi reproduzi-lo na íntegra. Espero que vocês gostem como eu gostei.

Nós dizemos as pessoas que usamos Linux porque é seguro. Porque é livre, ou talvez porque ele customizável. Quem sabe porque é grátis, ou porque tem um excelente suporte da comunidade…

Mas tudo isso é apenas bobagem de marketing. Nós dizemos isso aos que não são usuários de Linux simplesmente porque eles não entenderiam a verdadeira razão. E quando repetimos muito todos esses falsos motivos, nós somos quse levados que a acreditar neles também.

Ora, bem lá no fundo a verdadeira razão continua sendo mesmo:

Nós usamos Linux porque é divertido!

É divertido poder mexer no seu sistema. É divertido modificar todas as configurações, quebrar o sistemas e então precisar entrar no modo de recuperação só para consertá-lo. É divertido ter a disposição centenas de distribuições para escolher. É divertido usar a linha de comando.

Deixe-me dizer isso novamente. É divertido usar a linha de comando.

E não me admira aqueles que não são usuários do Linux não saberem disso.

O negócio é o seguinte, nós que somos fãs do Linux, usamos o sistema para o nosso próprio prazer. Ok, nós gostamos de ser produtivos. Sim, nós gostamos de ficar seguros contra vírus. Sim, nós gostamos de enconomizar uma boa grana. Mas estes são apenas os benefícios secundários. O que gostamos realmente é de poder brincar com o sistema, de fuçar em tudo e descobrir coisas completamente insuspeitas e ainda assim totalmente fascinantes sobre ele.

Por três razões fundamentais o Linux é tão divertido:

1. Linux proporciona controle total

Você já tentou encerrar um processo no Windows e o sistema simplesmente não permitiu? Já tentou excluir um arquivo - e não conseguiu? Mesmo você possuindo os direitos de administrador?

Linux permite que você faça qualquer coisa. Esse é principal benefício de sempre se logar como usuário comum. Se você logar como root o sistema assume que você sabe exatamente o que está fazendo. Assim que você se torna o root, tudo é permitido.

2. Linux não está amplamente disseminado

Aqui está um paradoxo. Nós sempre reclamamos que o Linux poderia ser mais amplamente utilizado. Mas aqui está uma das razões porque nós usamos esse sistema. Ele nos dá uma sensação de que somos especiais. É mais ou menos como se fôssemos “melhores do que a massa ignorante”.

Se o Linux torna-se completamente disseminado, nós provavelmente mudaremos para alguma outra coisa. Ou no mínimo desenvolveremos alguma distro obscura e somente nós a usaremos. Porque - precisamos encarar - nós queremos nos sentir especiais.

3. Linux é livre (como em liberdade/discurso)

Temos acesso ao código fonte de todas as nossas aplicações. Se desejarmos saber como determinada parte do sistema funciona, isso é possível. É algo que nos permite ajustar e brincar com todo o sistema. Nós realmente a-do-ra-mos mexer em nossos sistemas.

Mas é claro que não podemos simplesmente dizer para todo mundo que usamos Linux porque é divertido - certamente seríamos jogados em algum sanatório para loucos mais rápido do que você pode falar “inconformadamentedesestabilizadores”. Por isso tantas afirmações falsas, porém plausíveis, sobre o porquê de usarmos Linux.

Só que bem lá no fundo, todos nós sabemos qual é a verdadeira razão.

Então talvez, apenas talvez, da próxima vez que alguém me perguntar por que eu uso Linux… vou abrir um enorme sorriso e responder: “Porque usar Linux é divertido!”

Um bom final de semana para todos!

Tradução Livre do texto: The REAL reason we use Linux (An Amazing Mind)

A mídia nos nossos dias

Encontro realizado em São Paulo reuniu mais de quarenta pessoas, entre jornalistas, professores e ativistas na área da comunicação. Em debate, a luta contra a hegemonia conservadora na construção e disseminação da informação. Nova reunião deverá ser realizada no Rio de Janeiro.
Mais informações no link:
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14860


Direitos dos quilombolas em risco

Projeto de decreto leislativo tem ruralista como relator

Os movimentos sociais e quilombolas já haviam sofrido uma grave derrota na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, quando do Parecer Favorável do Relator, Deputado Eduardo Sciarra (DEM/PR), ao Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 0044 de 2007, que 'Susta a aplicação do Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003, que Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias', foi aprovado, com os votos contrários apenas dos 3 deputados do PT que integram aquela Comissão.
E agora há motivos ainda maiores para preocupação, pois o referido Projeto entrou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 19/12/2007 e em 28/02/2008 foi distribuída para o Relator que é o Deputado Gonzaga Patriota (PSB/PE), o qual, segundo o DIAP, é integrante da bancada ruralista na Câmara dos Deputados.
É importante a mobilização e a pressão sobre a CCJ, e quem sabe a proposição de uma Audiência Pública nesta Comissão, para debater esse Projeto.

FONTE: Assessoria do Deputado Estadual Sebastião Almeida – PT/Membro da Frente Parlamentar em Apoio às Comunidades Quilombolas no Estado de São Paulo em 13/03/08

Link para a matéria em:
http://www.cedefes.org.br/new/index.php?conteudo=materias/index&materia=4588

sexta-feira, 14 de março de 2008

Kurumin NG: Kurumin baseado no K(U)buntu

Depois de tanto disse-me-disse parece que o Kurumin, a mais brasileira de todas as distribuições não acabará. O Kurumin, nas versões anteriores era baseada no Debian e, a partir da próxima versão virá baseado no K(U)buntu. Por isso, será chamado Kurumin NG. Sinceramente, espero que o Carlos Morimoto e sua equipe consigam dar a volta por cima. Fiquei muito triste quando acerca de um ano surgiram comentários na rede sobre o fim da distro. Felizmente, parece que uma saída foi encontrada.
Mais informações no link:
http://www.guiadohardware.net/noticias/2008-03/47D93A83.html

quinta-feira, 13 de março de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Martinho da Vila e Leila Pinheiro - Todos os sentidos


Que beleza!!!

Pré-estréia de “Maré, nossa história de amor”

O Cineclube Sem Tela promove no dia 24 de março, às 18h30, a pré-estréia do musical “Maré, nossa história de amor”, filme de Lúcia Murat. A sessão gratuita será na quadra da Escola de Samba Gato de Bonsucesso, com muita pipoca para a platéia. A presença da diretora e de parte do elenco está confirmada e haverá debate com o público após a exibição.
Mais informações no link:
http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatorio/noticias/noticias/4640.asp

Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares a primeira centena de jovens negros formados em administração

Em artigo na Folha de São Paulo, em 13 de março de 2007, José Vicente, reitor da Universidade de Cidadania Zumbi dos Palmares comenta a diplomação dos 126 primeiros da formandos, todos já empregados. Sem dúvida, trata-se de um feito que devemos celebrar. Para quem quiser conhecer a história desta instituição educacional e seus objetivos, acesse o link:
http://unipalmares.edu.br/index.php?option=com_content&task=view&id=14&Itemid=29

NÃO SOMOS RACISTAS! Essa foi a expressão que mais tive de repetir nos últimos cinco anos, para justificar e defender junto a pessoas e instituições, a oportunidade e a necessidade da criação e da consolidação de uma instituição de ensino com o caráter e os fundamentos da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares -fundeada no acesso universal, na excelência do ensino, na promoção da inclusão ao mercado de trabalho, na cultura da tolerância, do diálogo interracial, na valorização da diversidade racial, no resgate da auto-estima e na elevação do protagonismo dos jovens negros.
Entendíamos que fazer essa universidade era o pouco que nos restava como forma de sinalizar um novo tempo, um novo caminho, uma nova esperança e uma nova possibilidade frente ao notório e terrível quadro de exclusão que inexoravelmente vitima o negro na sociedade brasileira.
"Não existem raças. Discriminação, se houver, é a discriminação social -reflexo do cruel patrimonialismo, do classismo e do autoritarismo estruturantes do caráter nacional-, que atinge todos os pobres invariavelmente. Infelizmente -e curiosamente-, os negros são a sua maioria e, logo, vítimas preferenciais da exclusão.
Esse é o motor da discriminação e o responsável por sua não-presença e não-participação na vida social, política, econômica e cultural, na esfera governamental, no ensino superior e no ambiente corporativo. Terminada a pobreza, estará terminada a discriminação. Fora disso, estaremos diante de terrível segregação racial, da difusão do ódio racial, do racismo às avessas, do desejo inconfesso e irresponsável de incendiar o país, transformando-o de multirracial em uma nação de brancos e negros."
Contra esses e todos os demais fatalismos e determinismos respondi à exaustão: não somos racistas. Somos brasileiros negros de todas as cores. Republicanos, amantes da justiça e da democracia, comprometidos com a dignidade da pessoa humana. Somos brasileiros negros de todas as classes, intransigentes na defesa da igualdade de oportunidades, da participação democrática e plural de todos na vida nacional. Somos cidadãos que acreditam no aperfeiçoamento das pessoas e instituições, na capacidade de criação, realização e superação de todo ser humano. Somos brasileiros e acreditamos que o melhor país é aquele que seja um bom país para todos. Por isso, preferimos trabalhar, criar e ousar novos caminhos do que permanecer presos pelo pântano. Somos brasileiros que preferem buscar a luz do que subordinar-se à escuridão.
Discriminação racial ou discriminação social, o fato é que o país encontra-se cindido, e o negro continua no porão: separado e desigual. Esse é nosso dilema. Continuar de costas para metade de nossa gente jamais permitirá que alcancemos o status de nação. Buscar um novo caminho é imperativo. É nossa obrigação. É manifestação de paixão, de amor pelo Brasil.
No dia de hoje, entregamos ao nosso país a primeira centena de jovens negros formados no curso de administração da Unipalmares. Cento e vinte e seis formandos que foram qualificados no uso da língua inglesa e preparados para o mercado de trabalho em programas especiais de trainees do setor bancário. Todos estão empregados -30% deles, efetivados nesses parceiros.
Nunca antes, nos seus 508 anos de existência, o Brasil conheceu um acontecimento dessa magnitude. Em nenhuma outra instituição de ensino superior da América Latina encontramos 90% de alunos que se declaram negros ou 40% de professores -doutores, mestres e especialistas- negros no corpo docente. Tudo sem governo, partido, igreja, sindicato ou organismos internacionais. Sociedade civil pura, unindo esforços, superando obstáculos e mudando a história.
Nesta noite, quando o senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, patrono dos formandos, entregar o "canudo de papel" a cada um dos 126 bravos formandos, nosso país estará para sempre mudado. Teremos andado 120 anos em 5 e superado a armadilha do imobilismo. Teremos recuperado em cada negro brasileiro a centelha da esperança, a possibilidade da justiça e a certeza de que podemos construir um novo destino.
Ao Criador que nos conduziu e permitiu essa graça e a todas as pessoas e instituições que ajudaram nossa esperança a vencer mais este desafio obrigado, muito, muito obrigado.

JOSÉ VICENTE, advogado, sociólogo, mestre em administração e doutorando em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba, é presidente da ONG Afrobras e reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares.

terça-feira, 11 de março de 2008

Prefeitura do Rio tenta cassar a liminar concedida pela justiça aos pré-vestibulares comunitários

Queridos amigos, amigas e companheiros(as) de sonhos, lutas e caminhadas

Em primeiro lugar, gostaríamos imensamente de reiterar o agradecimento pelo seu carinho e a sua confiança em assinar a nossa petição (www.petitiononline.com/160572) contra a proibição da Prefeitura do Rio de Janeiro ao funcionamento dos pré-vestibulares comunitários nas Escolas Públicas Municipais. O nosso objetivo com esse e-mail é continuar informando-o do andamento da luta judicial que está sendo travada fazendo, assim, uma prestação de contas a você que deixou o seu e-mail público ou disponível para o autor desta petição. Mandaremos um pequeno boletim mensal (não mais do que uma vez por mês) informando dos desdobramentos e das conquistas dessa luta que é de todos aqueles que sonham com uma sociedade mais justa, mais fraterna e menos desigual.
Como você já sabe, conseguimos uma liminar que nos garante o retorno ao espaço das escolas públicas municipais. Isso tudo graças ao seu engajamento em divulgar a nossa luta fazendo com que ela ganhasse importância em nossa sociedade aumentando assim o número de assinaturas em nosso abaixo-assinado. O engajamento de cada um de vocês é que nos inspira em continuar nessa importante luta em prol da educação popular e da inclusão social.
Entretanto, infelizmente e para surpresa de muitos de nós, a Prefeitura acabou de impetrar um recurso objetivando cassar a nossa liminar na 13ª Câmara Civil. Isso muito nos entristece, pois alguns núcleos já estavam realizando as primeiras articulações para regressar aos espaços. Além disso, é frustrante percebermos a clareza da “Lógica Perversa” que motiva a Prefeitura do Rio a continuar com essa absurda proibição. Aliás, no último dia 3 de março eu tive a oportunidade de denunciar essa perversa lógica da política educacional da Prefeitura no caderno de “Opinião” do Jornal O Globo (segue em anexo para quem não teve a oportunidade de ler).
Conforme consta no artigo, um projeto como o nosso que cria consciência política e cidadã não interessa a uma Prefeitura que baseia a sua gestão política no clientelismo dos centros sociais de saúde e na troca de votos por “favores”. Para eles, quanto mais alunos e jovens alienados e analfabetos funcionais melhor será.
Porém, ainda temos chances reais de vencer. Precisamos divulgar mais o nosso abaixo-assinado e jogar esse assunto ainda mais na mídia.

Assim sendo, divulguem o máximo possível essa notícia, juntamente com o artigo em anexo, para que possamos chamar a atenção dos Desembargadores e da sociedade contra esse grave problema. Inclusive, precisamos jogar esse assunto na grande mídia. Quem tiver contato com a imprensa, pode passar o meu telefone e e-mail, pois facilitará a nossa luta para vencermos essa causa. Somente assim, através da pressão da população, é que construiremos a sociedade que queremos: Justa, solidária e que coloca os interesses do bem comum acima dos interesses individuais.

Essa batalha, conforme dizia Olga Benário em seus últimos dias de vida, é pelo bom, pelo justo e pelo melhor dos mundos.

Um forte abraço a todos e vamos juntos, sempre juntos. Vamos vencer!

Robson Campos Leite

21-8227-7777

Você já assinou o abaixo-assinado contra a proibição do Prefeito ao funcionamento dos Pré-Vestibulares Comunitários nas Escolas Públicas Municipais?

Acesse já o site e repasse aos seus amigos:

http://www.petitiononline.com/160572

Seminário: Cadernos Negros Três Décadas. Literatura, Escola & Cultura

Seminário: Cadernos Negros Três Décadas. Literatura, Escola & Cultura

Dia 15 de março de 2008 – Sábado
Das 8h30 às 17h na Universidade das Américas – FAM

Este evento é resultado de uma das reivindicações insistentes de professores e estudantes, que incide sobre a carência de textos e estudos que possibilitem ao professor a organização de projetos pedagógicos sobre temas referentes à cultura afro-brasileira, haja vista que o assunto não tem recebido grande atenção por parte dos organizadores de livros didáticos. Dessa forma, o Seminário "Cadernos Negros Três Décadas. Literatura, Escola & Cultura"dará a possibilidade de se proporcionar aos professores um maior aprofundamento nessa área. Isso será de extrema
importância para o cumprimento da Lei 10.639/03. O seminário abordará temas relativos à história da literatura afro-brasileira, visando a sensibilização e enriquecimento do conhecimento
sobre cultura afro. Contará com palestrantes do Brasil e um professor dos Estados Unidos que vêm pensando a diversidade racial e cultural brasileira. O objetivo deste seminário é promover
a difusão de conhecimentos e informações, assim como desenvolver e incentivar estudos, pesquisas e diagnósticos sobre literatura e cultura negra; tornar visível a literatura produzida por afro-descendentes, sensibilizando educadores e alunos em relação a essa produção, além de
incentivar outras iniciativas que colaborem com a existência de cada vez mais produções de autores afro-brasileiros na indústria cultural do país, colaborando com o cumprimento da Lei 10.639/03, levando aos professores subsídios para tratar temas que fazem parte de nosso cotidiano.O público alvo são educadores, estudantes, pesquisadores e interessados.Todas as pessoas que participarem do evento receberão um certificado e uma edição especial comemorativa das três décadas dos Cadernos Negros. Para as pessoas que trabalham na área da educação, formal ou informalmente, esse evento funcionará como um momento de formação.

Programação:

8h30 - 9h30
Credenciamento e café

9h30 - 10h
Abertura


10h - 11h

Conferência: O que é Literatura Negra? - origem e
trajetória
.
Conferencistas: Prof. Dr. Eduardo
Duarte (UFMG)
Profª. Dra. Nazaré Fonseca (PUC MINAS)

Mediação: Prof. Dr. Fausto Antônio (UNICAMP).

11h - 11h30
Debate

11h30 - 11h45
Espetáculo: "A Poesia Negra"
Glau Barros e Vera Lopes Música ao Vivo: Abi Axé.

11h45 - 12h30

Mesa-redonda: Literatura e Cultura Afro-Brasileira
do Ensino Fundamental à Universidade -
Experiências Nacionais e Internacionais e a Lei
10.639/03.

Conferencistas: Profª Dra. Florentina Souza
(UFBA), Dra. Petronilha B. Gonçalves e Silva
(UFSCAR)
Prof Dr. PhD Omoniyi Afolabi (EUA - Universidade
de Massachusetts).

Mediação: Profª Dra. Maria Cândida de Almeida
(CULT-UFBA).

12h30 - 12h50
Debate

12h50 - 13h10
Intervalo e café

13h10 - 13h25
Espetáculo: "A Poesia Negra"
Glau Barros e Vera Lopes Música ao Vivo: Abi Axé.

13h25 - 14h25

Autores & Leitores - Para quem escrevo?

Participantes: Cristiane SobralCuti
Esmeralda Ortiz
Sacolinha.

Mediação: Prof. Dr. Elio Ferreira
(UFPI)


14h25 - 14h45
Debate

14h45 - 15h
Lançamento Oficial da Edição Comemorativa
"Cadernos Negros Três Décadas"

15h - 15h30 Entrega do Certificado e do Livro

15h30 - 16h Espetáculo: Omo-Ayê - Dança e Teatro

17h - encerramento.

Inscrições gratuitas: de 1º a 12 de
março somente no site: www.quilombhoje.com.br
Vagas limitadas!

Credenciamento no dia do evento:
Das 8h30 às 9h30, na Faculdades das Américas
(FAM).

Como chegar Rua Augusta, 973
Consolação – SP
Faculdades das Américas (FAM).

Realização e
Organização: Quilombhoje Literatura

Parceria SEPPIR - Secretaria Especial para a
Promoção da Igualdade Racial.


Apoios:

Conselho Estadual de Participação e
Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de
São Paulo.

Secretaria Municipal de Educação -
Projetos Especiais - Grupo de Educação para a
Diversidade étnico-Cultural.

CONE - Coordenadoria do Negro.

SINPEEM - Sindicato dos Profissionais em Educação
no Ensino Municipal de São Paulo.

AESP- Associação das Escolas Particulares do
Grande ABC.Universidade Cidade de São Paulo
(UNICID).

APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino
Oficial do Estado de São Paulo.

SINPRO/SP - Sindicatos dos Professores de São
Paulo.

Quilombhoje Literatura
R. Duarte de Azevedo, 543
São Paulo – SP
02036-020
Fone: 6959 1647

O primeiro programador de computador, na verdade, foi uma mulher!

Interessante matéria do jornalista Rafael Rigues, que mostra como a mulher foi pioneira na programação de computadores. Encontrei o link para a matéria no site Underlinux.
Links para a matéria:
http://under-linux.org/8268-o-primeiro-programador-de-computador-na-verdade-e-uma-mulher.html
http://delas.ig.com.br/mesdamulher/noticias/2008/03/08/ele_e_ela_1221158.html

domingo, 9 de março de 2008

Google retira alguns mapas do ar a pedido do Pentágono

Se o Google nos tráz mapas tão detalhados sobre todo o planeta. Imaginem o que as forças militares norte-americanas têm ao seu dispor.
Link para a matéria:
http://www.guiadohardware.net/noticias/2008-03/47D159D5.html

sábado, 8 de março de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Keyshia Cole - Love


Como nos bailes de soul da antiga! Lembranças do Coleginho, Grêmio de Rocha Miranda, Marabú, Associação do Encantado, Vitória do Engenho Novo e tantos outros. Feliz hora das lentinhas. Quem curtiu, curtiu.

Youtube repassa direitos autorais, mas artistas ainda não viram a cor do dinheiro

Este artigo nos apresenta algo inusitado, as gravadoras são pagas pelo Google, mas os artistas ainda não receberam um centavo sequer em direitos autorais pelos vídeos mostrados no Youtube. Engraçado, muito engraçado...
Artigo completo, ver link:
http://remixtures.com/2008/03/artistas-querem-saber-do-dinheiro-da-publicidade-do-youtube/

Os Blogs e a Revolução Musical

Este artigo foi postado nativamente no blog: http://marquinhocarvalho.blogspot.com/ e logo depois o Cápsula da Cultura o publicou. Sem dúvida nenhuma estes blogs de música cumprem um papel muito importante na disseminação da cultura, uma vez que muitos dos arquivos ali postados não fazem parte do interesse imediato das gravadoras e acredito mesmo que em alguns casos estejam perdidos para sempre. O mais interessante é que cada vez mais artistas estão produzindo música fora do controle marcial das gravadoras e usam a rede como um portal de divulgação de seu trabalho. Realmente é a cultura livre semeando e encantando.


Há aproximadamente dois anos começaram a surgir diversos blogs postando música para serem baixados pela internet. Tem para todos os estilos musicais. Uma fantástica revolução musical invadindo a grande a rede de computadores.

Trata-se de uma espécie de “anarquismo pós-moderno” que está possibilitando que a gente consiga ter acesso a discos que imaginávamos jamais ouvir. Isso porque as grandes gravadoras não têm interesse em relança-los em cd, acreditando que os mesmos não terão muita procura. Com isso, lendárias discos da música brasileira e mundial, foram esquecidos nos depósitos dessas gravadoras, quando não tiveram suas cópias originais incineradas.

Mas aí surgiram muitas pessoas idealistas e abnegadas que estão prestando um grande favor à música contemporânea. Eles fazem a conversão das músicas do antigo e fabuloso vinil para a linguagem MP3 e disponibilizam esses discos gratuitamente através da internet.

Esse movimento é mundial e, portanto, verdadeiros fenômenos musicais relegados ao esquecimento estão sendo resgatados das estantes de todas as partes do mundo e surgindo “mais novos” do que nunca em nossos computadores. Trata-se de um trabalho magnífico que desafia a lógica do capitalismo moderno que descarta o passado em favor dos lançamentos recentes, a maioria, de gosto duvidoso. Por isso, pérolas do passado são abandonados pelas gravadoras. Daí a importância dos chamados “blogueiros”, afinal, estão preservando a memória musical do século XX.

Vou me ater a comentar, especialmente, sobre os blogs especializados em música brasileira. Quando eu iniciei o processo de “aquisição” de discos através desse mecanismo, baixava música de todos os estilos. Eu e dois amigos, Rafael e Manoel, havíamos criado a rádio virtual – www.radioweb.bocalivre.org - Nos primeiros dez meses de trabalho com a rádio a gente tocava música do mundo todo. Depois decidimos nos dedicar à grande música brasileira. Foi uma decisão muito difícil, pois acreditamos que esta manifestação artística não tem bandeira. A música transcende as fronteiras geográficas e idiomáticas. Mas nos lembramos de Alberto Caeiro:

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” (Alberto Caeiro – Heterônimo de Fernando Pessoa)

Então, a partir desse momento decidimos tocar somente música brasileira. No início foi estranho, mas depois percebemos que havíamos feito a melhor escolha. Antes a gente não tinha uma identidade. Mas tocando apenas música brasileira, pudemos nos aprofundar nas pesquisas. Melhor pra mim que, desde o início das minhas aquisições de discos de vinil há vinte e cinco anos atrás, ficara muito claro minha preferência pela música brasileira. Portanto, ao longo de quase três anos, Boca Livre se tornou um verdadeiro celeiro dos grandes talentos musicais do Brasil que se verifica em sua da enorme diversidade de ritmos.

Mas grande revolução na Boca Livre aconteceu, de fato, quando descobri, em meados do ano de 2006, o primeiro blog que postava música brasileira. Desde então, baixei muitas pérolas da música brasileira e conheci outros tantos blogs fantásticos. Os cinco mais feras estão na página principal do site da rádio. Quando os escolhi, não estava, de maneira alguma depreciando os demais. No entanto, os blogs Som Barato, Um Que Tenha, Cápsula da Cultura, Loronix, Música da Boa e Abracadabra são extremamente profissionais, em detrimento de realizarem esse trabalho sem nenhuma remuneração. Isso é que torna o fenômeno dos blogs algo extraordinário. Assim como a rádio Boca Livre, nosso maior objetivo é possibilitar que a grande música Tupiniquim chegue à população brasileira e ao resto do mundo.

Os blogs são responsáveis pelo novo fenômeno da revitalização da música brasileira. Muitos artistas praticamente desconhecidos do grande público, inicialmente, reclamaram seus “direitos autorais” por terem seus discos postados na internet pelos blogueiros. Mas para surpresa de muitos deles, quando foram fazer shows em cidades que imaginavam que quase ninguém os conhecia, perceberam muita gente cantando suas músicas. Isso só aconteceu devido ao trabalho dedicado dos nossos grandes parceiros, criadores dos blogs.

O meu objetivo com esse artigo era agradecer e enfatizar a importância desses blogs em minha vida, bem como para a rádio Boca Livre e, creio, pra muita gente que acessa a nossa rádio. Em apenas um ano e meio tive acesso à tesouros da música brasileira que tanto sonhava e que, jamais encontrei em “Sebo” algum. Outras vezes, quando me deparava com algum deles, simplesmente, não tinha dinheiro para pagar a fortuna pedida pelos donos dos sebos. Hoje, não apenas eu desfruto desses discos, mas os compartilho com os parceiros da rádio Boca Livre.

O melhor dessa descoberta dos blogs não foi apenas ter conseguido baixar discos que tanto sonhei, mas conhecer dezenas de grandes músicos brasileiros que jamais ouvira falar. A lista é enorme, mas cito três que me marcaram profundamente: os geniais Moacir Santos, Laurindo Almeida e Kátia de França.

Obrigado a todos os blogueiros que dedicam um tempo precioso de suas vidas em favor da música, especialmente, a nossa grande música brasileira. Muitíssimo obrigado!!!

Dedico esse artigo ao meu amigo Jefferson Affiune (BOI) que me indicou o primeiro blog. Ao grande Weldinho que me apresentou vários músicos brasileiros que eu desconhecia completamente. Dentre eles, tive a incrível felicidade de ouvir, ainda em vida (faleceu logo depois), o gênio musical brasileiro, Moacir Santos. Ao meu grande parceiro Rafael, sem o seu incansável trabalho técnico e grande conhecimento de computação, tudo isso jamais teria acontecido. Agradeço também ao Manoel Napoleão, sempre atento na administração da rádio e ajudando a mantê-la sempre no ar. Obrigado à parceria fiel da família Suzigan, Silvinha, Adriana e Weldinho, Levy, Bollivar, Carol e Rejane. Enfim, a todos que que nos dão estímulo para continuarmos o nosso trabalho. E agora meus agradecimentos super especiais ao blogueiros do Som Barato e Um Que Tenha. Além de realizar esse trabalho magnífico, eles tiveram o carinho de linkar a Boca Livre nos blogs e, graças a esse ato, tivemos muitos acessos provenientes de lá. Valeu, parceiros!

Já ia me esquecendo. No início de janeiro, a TV Rio Claro, emissora da minha cidade (Jataí), afiliada da TV Anhanguera, realizou uma reportagem sobre o trabalho da - www.radioweb.bocalivre.org - O resultado vocês podem conferir no YouTube através do link abaixo. http://br.youtube.com/watch?v=CeoycgFRZz8

Os links do blogs parceiros da Rádio Web Boca Livre:
http://sombarato.blogspot.com/
http://umquetenha.blogspot.com/
http://gringo-musicadaboa.blogspot.com/
http://abracadabra-br.blogspot.com/
http://www.capsuladacultura.com.br/blog
http://loronix.blogspot.com/
http://sacundinbenblog.blogspot.com/
http://pratoefaca.blogspot.com/
Divitam-se!

* Ministério da saúde adverte: Baixar discos por se tornar um vício. rs Mas caso isso aconteço contigo, não se preocupe, já criei um grupo de apoio. É o famoso: BA (Baixadores Anônimos)

Esse artigo foi postado também no: http://marquinhocarvalho.blogspot.com/

MARQUINHO CARVALHO

terça-feira, 4 de março de 2008

Análise e Conclusões do Relator Especial da ONU sobre a questão racial brasileira

Como parte da imprensa não publicou e nem debateu o documento produzido pelo relator da Onu Doudou Diène sobre o racismo brasileiro. Fazemos questão de divulgá-lo.


ANÁLISE E CONCLUSÕES DO RELATOR ESPECIAL

63. Após ter reunido e analisado as visões e informações de todas as partes envolvidas, o Relator Especial chegou à conclusão de que o racismo e a discriminação racial são realidades profundas no Brasil. O embasamento do sistema escravista em pilares intelectuais e ideológicos racistas, descrevendo os africanos escravizados como culturalmente e mentalmente inferiores com o fim de legitimar o seu status de bem econômico (conforme definido pelos “códigos negros”) e a organização legal da escravidão pelos poderes europeus têm exercido profundo impacto nas mentalidades e nas estruturas sociais de todos os países do hemisfério, incluindo o Brasil, que recebeu 40 por cento dos africanos escravizados.
64. O Relator Especial percebeu que as manifestações do legado histórico do racismo e da discriminação racial ainda predominam por toda a sociedade. A manifestação mais nítida é a quase identificação da marginalização social, econômica e política com o mapa das comunidades discriminadas de índios e afro-descendentes. Isso demonstra a persistência de racismo e discriminação social estrutural e sistêmica. Viajar pelo Brasil é como mover-se simultaneamente entre dois diferentes planetas, o da alegre mistura de raças das ruas e aquele dos quase exclusivamente brancos corredores do poder político, social, econômico e midiático.
65. O Relator Especial notou a quase completa ausência de representação de negros e índios nas instituições estatais. No estado da Bahia, por exemplo, os afro-brasileiros constituem a maioria da população e sua vitalidade cultural e religiosa ilustra a identidade brasileira, a qual é orgulhosamente exibida nacional e internacionalmente, embora eles não sejam visíveis nos níveis mais altos do poder municipal e estadual. Isso é impressionante. O estado da Bahia confirma o fato de que, em uma situação de profunda discriminação sistêmica, a promoção cultural não resulta necessariamente em participação política. Ao contrário, a promoção cultural é, na verdade, usada como um disfarce, uma máscara atrás da qual estão escondidas a discriminação e a exclusão sofridas de facto por essas comunidades no plano social, econômico e político.
66. O racismo e a discriminação racial são mais profundamente culturais e de natureza histórica, tocando na questão central da identidade nacional. O Relator Especial registrou, com preocupação, a ausência de um memorial nacional da escravidão, o que aparece como uma negação do lugar da escravidão na memória nacional do país. No mesmo espírito, a superexploração da herança e da cultura indígenas e afro-brasileiras para o turismo, sem significativos benefícios sociais e econômicos, é uma fonte de profunda frustração e alienação para suas comunidades. Mais recentemente, as suas tradições espirituais e religiosas têm sido ameaçadas pelo proselitismo sem controle de alguns poderosos grupos evangélicos. O processo de profunda destruição das culturas dos povos indígenas pode ser verificado no lento desaparecimento de suas línguas.
67. O Relator Especial observa, com satisfação, o reconhecimento por parte do Governo Federal de quão profundamente enraizado é o racismo no Brasil e de seus efeitos na estrutura de toda a sociedade desde o seu início. Ele também registra que uma promissora estrutura legislativa, incluindo programas, mecanismos e instituições, tem sido implementada para combater o racismo e a discriminação racial. Entretanto, ele nota, com preocupação, a resistência às políticas do Governo Federal dentro da sociedade, dentro dos governos e do judiciário no âmbito estadual, onde a ideologia de democracia racial ainda determina as percepções e políticas.
68. Da mesma forma, reconhecendo a determinação do Governo de erradicar todas as formas, manifestações e expressões de racismo e discriminação racial, e com o intento de fortalecer sua vontade política e de ajudar a expandir suas promissoras políticas, o Relator Especial submete ao Governo, na seção seguinte, um conjunto de recomendações relativas à sua estratégia legal e política, acrescentando, também, a necessidade de uma estratégia intelectual, cultural e ética no sentido de erradicar as mais profundas raízes e manifestações de racismo e discriminação racial, as quais têm comprometido o futuro político, humano, social e econômico do Brasil.
V. RECOMENDAÇÕES
69. Muito depende do sucesso ou fracasso do Governo do Brasil em erradicar o racismo e a discriminação racial, não apenas em termos de fortalecimento da democracia e da harmonia social e interétnica no Brasil, mas também para todos os países da região sul-americana com similares legados históricos de racismo e desigualdades raciais. Não reconhecidos pela maioria desses governos, o racismo e a discriminação racial ainda prevalecem em diferentes graus e estão profundamente enraizados em suas sociedades.
70. Dado o enraizamento histórico, social e cultural do racismo e da discriminação racial, esforços para combater e erradicar suas raízes, manifestações e expressões devem ser empreendidos em um processo de catarse nacional em duas fases chaves:
(a) A implementação, como forma de catarse nacional e coletiva, de uma comissão nacional de verdade e reconciliação sobre racismo e discriminação racial com poderes para avaliar as manifestações, expressões e conseqüências do racismo e da discriminação racial na sociedade brasileira. Esta comissão deveria ser composta por representantes de todas as comunidades e partidos políticos e por membros eminentes da sociedade civil engajados na promoção dos direitos humanos e da igualdade racial. Os eventos da comissão deveriam ser amplamente publicados para permitir que os membros da sociedade brasileira fossem coletivamente informados do alcance e das manifestações do racismo;
(b) O Governo deveria traduzir as conclusões e recomendações da comissão em um abrangente programa nacional para a erradicação do racismo e a promoção da igualdade racial na sociedade brasileira, com base na Declaração e Programa de Ação de Durban. Esse programa nacional, integrando a Política Nacional para a Promoção da Igualdade Racial, deveria ser ajustado para atingir todas as dimensões políticas, econômicas, sociais e culturais da sociedade, e as esferas nacional, regional e local do país. Ele deveria incluir as melhores formas e meios de ampliar o programa de ação afirmativa em todos os níveis da sociedade. O Congresso Nacional deveria ser convidado pelo Governo a debater e aprovar o programa final, alocando os devidos recursos para a sua implementação.
71. A Secretaria Especial para a Promoção da Igualdade Racial, cuja criação é um passo positivo, deveria ser fortalecida na forma de um departamento federal pleno no centro do Governo Federal, com escritórios em todas as regiões, encarregada de coordenar o programa nacional com os necessários recursos e autoridade em todos os departamentos do governo. Todos os ministérios deveriam, portanto, estar envolvidos nesse esforço e fazer da luta contra a discriminação racial parte de suas políticas.
72. Uma comissão nacional para a igualdade e os direitos humanos deveria ser criada, em conformidade com os Princípios relativos ao status das instituições nacionais para a promoção e proteção dos direitos humanos (Princípios de Paris) (Resolução 48/134 da Assembléia Geral, anexo). Dada a inter-relação entre todas as formas de discriminação, e para fins de eficiência e empoderamento, o mandato desta comissão deveria examinar de uma forma holística os setores mais conectados e importantes da discriminação contemporânea, nomeadamente: raça, cor, gênero, ascendência, nacionalidade, origem étnica, deficiência, idade, religião e orientação sexual.
73. A prevenção e repressão da violência contra os índios e os afro-brasileiros, particularmente os assassinatos, deveriam ser uma prioridade do Governo e tratados como matéria de urgência. Medidas apropriadas deveriam ser tomadas para punir de forma exemplar policiais e outros responsáveis por ataques e assassinatos de afro-brasileiros e índios.
74. Uma unidade especializada de polícia deveria ser implementada para a proteção de grupos vulneráveis, tais como as comunidades indígenas, os negros, as comunidades quilombolas e os terreiros, seguindo o exemplo da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo.
75. Com relação ao judiciário, deveria ser adotado o seguinte:
(a) O Ministério da Justiça deveria criar ramos especializados em racismo e discriminação racial dentro dos tribunais e das procuradorias para ampliar o grau de implementação por juízes e promotores da legislação anti-racismo existente. As procuradorias especializadas dentro do Grupo de Trabalho sobre racismo na Advocacia do Estado de Pernambuco seriam um exemplo positivo a seguir;
(b) Treinamento regular de juízes e promotores nessa matéria deveria ser realizado;
(c) Um sistema de controle deveria ser estabelecido no judiciário para monitorar o julgamento de violência racialmente motivada e crimes contra esses grupos.
76. O Ministério Público deveria receber poderes de investigação. Atualmente, apenas a polícia conduz investigações e os promotores não têm quase nenhuma influência na qualificação dos fatos submetidos a ela. Este sistema não é apropriado em uma conjuntura na qual policiais estão envolvidos em tais crimes.
77. O Governo deveria iniciar urgentemente o treinamento de professores com o fim de implementar a lei sobre o ensino de história africana nas escolas. Professores de todas as disciplinas deveriam receber esse treinamento. As histórias regionais da África descritas no projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura poderiam ser usadas como um texto de referência.
78. Um memorial nacional da escravidão deveria ser erigido para prestar homenagem às milhões de vítimas e preservar a memória do componente afro-descendente da história brasileira.
79. Ao mesmo tempo em que reconhece o comprometimento do Governo com o reconhecimento dos quilombos, o Relator Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial e intolerância relacionada recomenda ao Governo o seguinte:
(a) Realizar um censo dos quilombos para avaliar as condições de vida e o grau de reconhecimento das terras quilombolas;
(b) Proceder urgentemente ao reconhecimento e à entrega de títulos de propriedade aos quilombos;
(c) Providenciar com urgência segurança apropriada para as comunidades quilombolas e seus líderes;
(d) Garantir o fornecimento de bens e serviços fundamentais, tais como comida, saúde, habitação e educação;
(e) Considerar a entrega direta às comunidades dos recursos financeiros alocados para o desenvolvimento de quilombos, já que, segundo depoimentos, estes recursos não chegam aos quilombos;
(f) Criar mecanismos de ensino nos quilombos para dar mais visibilidade à sua história e enfatizar sua identidade como parte da memória viva da história do país.
80. O Relator Especial recomenda que:
(a) O decreto de reconhecimento dos quilombos seja mantido e plenamente implementado;
(b) A Fundação Palmares seja fortalecida em termos de autoridade em todos os setores governamentais e também em termos de recursos financeiros para que possa desempenhar o seu papel fundamental de identificação e proteção dos quilombos.
81. Com relação às comunidades indígenas:
(a) A proteção de líderes e comunidades indígenas precisa ser assegurada;
(b) O sistema de atendimento médico deveria ser revisto em consulta com as comunidades indígenas, tendo em vista sua ineficiência;
(c) O Governo deveria alocar recursos adequados que permitissem a implementação de um sistema educacional indígena diferenciado, como previsto na Regulação 3 do Conselho Nacional da Educação;
(d) Uma comissão parlamentar sobre a violência perpetrada contra os índios por causa de suas terras deveria ser criada.
82. Com relação à Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Relator Especial recomenda que:
(a) A FUNAI seja dirigida por uma pessoa amplamente reconhecida e respeitada pela maioria das comunidades, a qual, como mensagem significativa de confiança e empoderamento, deve ser preferencialmente uma personalidade indígena. Recomenda-se veementemente que o Governo examine essa matéria, em consulta com as comunidades indígenas;
(b) A FUNAI receba suficientes verbas adicionais para que possa estar em posição de completar a demarcação e o registro de terras em 2007;
(c) O quadro da FUNAI compreenda de forma significativa membros qualificados das comunidades indígenas, com base em um cuidadoso equilíbrio geográfico e étnico.
83. As trabalhadoras domésticas, 90 por cento das quais são mulheres afro-brasileiras, deveriam se beneficiar do reconhecimento e da proteção legal, bem como serem incluídas sob a proteção da legislação trabalhista.
84. O Governo deveria buscar meios apropriados de ação afirmativa para garantir a representação política das comunidades negra e indígena nas instituições estatais.
85. O Governo e o Parlamento deveriam agir no sentido de impedir e punir os atuais ataques e difamações contra as religiões de origem africana. Neste contexto, uma instituição nacional inter-religiosa deveria ser criada e encarregada de promover o diálogo e a tolerância entre religiões e de lutar contra a discriminação e o proselitismo nos planos racial e religioso.
86. A mídia deveria espelhar em sua estrutura, gerenciamento e programas a riqueza da diversidade cultural e étnica da sociedade brasileira e promover uma cultura de conhecimento recíproco e interação. O Governo deveria promover e apoiar a criação de meios de comunicação comunitários para as comunidades indígena e afro-brasileira.
87. Iniciativas de projetos sócio-educacionais para crianças, adolescentes e adultos desenvolvidos nas favelas, como aquele que a ONG Ação Comunitária do Brasil realiza na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, deveriam receber apoio financeiro e outras formas de assistência do Governo e das autoridades locais, devendo, também, ser promovidos em outras favelas e áreas indígenas.
88. O Governo deveria adotar medidas apropriadas para garantir que o departamento de imigração e outras autoridades relevantes tratassem pessoas em busca de asilo e refugiados de acordo com os padrões e dispositivos internacionais, respeitando plenamente seus direitos como pessoas em busca de asilo e refugiados e não os discriminando por causa de sua raça ou origem.
89. Recomenda-se que o Governo do Brasil continue com seu significativo apoio às atividades da Organização dos Estados Americanos no combate ao racismo e à discriminação racial, particularmente na elaboração de uma convenção inter-americana contra o racismo, e com as atividades de prosseguimento à Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Relacionada.

domingo, 2 de março de 2008

Mais um belo site de música popular brasileira

Garimpando na internet encontrei mais um belo site de música popular brasileira. Assim como o CapsuladaCultura e o PratoeFaca, o Loronix cumpre muito bem o papel de manter viva a nossa memória musical. E convenhamos, que memória!
Para acessar entre no link:
http://loronix.blogspot.com

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Maceo Parker plays Marvin Gaye "Let's Get It On"


Belíssimo!

Frei Beto no BrasildeFato fala sobre o momento atual cubano

"Os países capitalistas jamais aceitarão o regime socialista, pois são todos dominados pelo grande capital e o socialismo representa a desconcentração dessa riqueza e sua aplicação em benefícios sociais. Haveria, pois, nova Guerra Fria... Ou mesmo quente..."

"Hoje Cuba tem 99,8% de sua população alfabetizada; possui 67 universidades que formam por ano, gratuitamente, 800 mil estudantes; conta com 1 médico para cada grupo de 160 habitantes (e todo o serviço de saúde é gratuito e de qualidade) etc. Ou seja, a população cubana não revela nenhum indício de querer perder essas conquistas sociais. Mas gostaria de ter acesso a mais bens de consumo e melhor transporte urbano."
Mais informações no link:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/especiais/cuba-fidel/201cos-cubanos-querem-aprimorar-o-sistema-socialista-e-nao-renega-lo201d-diz-frei-betto



sábado, 1 de março de 2008

O relatório de Doudou Diène, Relator Especial das Nações Unidas sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, ... sobre o Brasil

Estamos apresentando uma matéria do site do Jornal Irohin. Pela importância da reportagem a reproduziremos na íntegra. Aqueles que quiserem verificar a repercussão do relatório, ou conhecer a íntegra do mesmo, disponibilizaremos os links no aqui:
http://www.irohin.org.br/ref/01.htm
http://www.irohin.org.br/ref/docs/doc01.doc



Introdução

1. O Relator Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada visitou o Brasil entre 17 e 26 de outubro de 2005. Ele viajou a Brasília, Salvador, Recife, Pesqueira, Rio de Janeiro e São Paulo e avaliou os fatores de discriminação que afetam a população afro-descendente, povos indígenas e estrangeiros, incluindo trabalhadores migrantes, refugiados e pessoas em busca de asilo. Nesse contexto, ele encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alguns ministros e outros representantes do governo em escala nacional e local, com o presidente do Senado e membros do parlamento, com membros da Suprema Corte, do judiciário e de organizações não governamentais (ONGs), com representantes da mídia, membros de diversas religiões, comunidades envolvidas e oficiais das Nações Unidas.

2. O Relator Especial realizou a sua visita em muito boas condições, graças à cooperação e ao excelente suporte logístico das autoridades brasileiras. O Relator Especial agradece, ainda, ao escritório do Coordenador Residente do sistema das Nações Unidas no Brasil por seu incrível apoio, às ONGs e aos membros das comunidades com as quais ele se reuniu pela sua preciosa cooperação.

I. RETROSPECTO GERAL

A. Situação étnica e demográfica
3. O Brasil possui uma população total de 169 milhões e 590 mil pessoas. A população afro-descendente compreende 46,2 por cento da população. A população indígena (os índios), estimada em cerca de 734.127 pessoas 1, ou 0,4 por cento da população, é composta por 220 diferentes grupos, fala 280 línguas e está distribuída por quase todas as regiões do Brasil, embora a maioria dela viva na região amazônica.

B. Contexto histórico
4. Os portugueses chegaram ao território brasileiro em 1500 e encontraram uma população indígena. Desde então, essa população indígena tem sido dizimada por séculos de violência, epidemias e doenças trazidas pelo invasor europeu. A história colonial brasileira caracterizou-se pela exportação de madeira, cana-de-açúcar, ouro e diamantes, o que consumiu intensa mão-de-obra escrava africana, trazida pelos portugueses por mais de três séculos. O Brasil recebeu 40 por cento das estimadas dezenas de milhões de africanos escravizados transportados pelos europeus com destino ao hemisfério norte, às Américas e ao Caribe. Em vários episódios de revolta e resistência à escravização, grupos de escravos africanos conseguiram escapar, criando comunidades negras organizadas chamadas de “quilombos”.

5. A escravidão foi abolida em 1888. A miscigenação racial que se seguiu entre negros, brancos e índios determinou o mapa étnico e cultural do Brasil. O Brasil tornou-se independente em 1822. A república foi proclamada em 1889 e um sistema federativo e descentralizado foi adotado. O racismo e a discriminação racial, pilares ideológicos da colonização e do sistema escravista, afetaram profundamente a estrutura da sociedade brasileira. Após o fim do século dezenove, com dois terços da população formados por descendentes de africanos, o país implementou uma política de branqueamento da população: o Estado promoveu a imigração de milhões de europeus brancos. Um regime militar assumiu o governo de 1964 a 1985, até que o Brasil retornasse à democracia em 1989. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, foi empossado em 1º de janeiro de 2003.

C. Sistema legal e institucional
6. O Brasil é parte de seis dos sete mais importantes instrumentos internacionais de direitos humanos, incluindo a Convenção Internacional sobre Direitos Políticos e Civis, a Convenção Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e a Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. O país também ratificou a Convenção sobre Povos Indígenas e Tribais, 1989 (No. 169), da Organização Internacional do Trabalho, a qual entrou em vigor no Brasil em 2003.

7. O sistema legal doméstico brasileiro prevê uma clara proibição da discriminação racial. A Constituição Brasileira de 1988 criminaliza atos de racismo, sujeitando os infratores à prisão sem direito a fiança ou prescrição. Essa proibição está presente na Lei 7716 de 1989, a qual foi posteriormente modificada pela Lei 9459 de 1997, que ampliou seu foco e incluiu atos oriundos não apenas de discriminação baseada em raça ou cor, mas também em etnia, religião ou nacionalidade. De acordo com a Constituição, o novo Código Civil de 2003 elimina restrições discriminatórias em relação ao exercício dos direitos civis pelos povos indígenas, os quais deixaram de ser considerados “cidadãos relativamente incapazes”.

8. A Constituição, nos artigos 231 e 232, assegurou os direitos dos índios ao reconhecimento de suas organizações sociais, costumes, línguas, credos e tradições, bem como o direito original às terra por eles tradicionalmente ocupadas. Ela definiu o dever da União de demarcar essas áreas até 1993, protegendo-as e assegurando o respeito à sua propriedade. Essas terras são propriedade inalienável e indisponível da União e os índios detêm o seu usufruto permanente e exclusivo. Os índios e suas organizações têm se valido da legislação para defender seus direitos e interesses.

D. Metodologia
9. O Relator Especial baseou sua investigação em três questões principais que foram dirigidas a todos os interloculores com os quais ele se reuniu: (a) Existe racismo e discriminação racial no Brasil? (b) Caso afirmativo, quais são as suas manifestações e expressões? (c) Quais são as políticas adotadas pelo governo no seu combate e quais seriam as melhores soluções do ponto de vista das comunidades discriminadas? Nas duas seções seguintes, o Relator Especial avalia as políticas e programas principais que lhe foram descritos pelas autoridades governamentais e locais (seção II), bem como os receios e avaliações da sociedade civil e das comunidades envolvidas (seção III). A partir daí, ele apresenta suas conclusões (seção IV), seguidas de suas recomendações (seção V). (Faça download do documento na íntegra)

Como Obama percebe a questão racial nos EUA

O texto de Obama traz uma pequena reflexão sobre a situação da população negra norte-americana. Uma avaliação, que no caso deles, traduz-se em esperança com vistas ao futuro e, sem dúvida nenhuma, aponta para progressos futuros maiores. É fato que a experiência dos negros norte-americanos não é, e nem nunca foi um mar de rosas. Entretanto, observando o processo de conquistas obtidas a partir da década de 1960 temos algo a admirar.
Por isto mesmo perguntamos: E a situação dos negros brasileiros, será que podemos acalentar os mesmos sonhos? Sim, pois em nosso caso temos ainda que lançar mão de uma inspiração lisérgica para pretender imaginar algo de bom. Talvez só o LSD ou chá de peiote imortalizado por carlos Castañeda nos permita vislumbrar algo melhor.
Quando lembro dos milhares de jovens negros mortos, ano após ano, por armas de fogo, nos confrontos dilacerantes dos "Complexos" da vida fico com a certeza de que vivemos o afastamento das possibilidades reais de uma situação melhor.
Certamente a esperança viria pelo reconhecimento da sociedade brasileira de que precisamos denunciar esta história de sofrimento, anomia e crueldade. E afastar os sonhos idílicos de uma "Casa Grande" sensual, faceira e cheia de feitiches. Onde a sua reprodução nos atrai com os olhos vesgos da noite.
Muitos têm a intenção de repetir o Brasil da "Casa Grande", dizem mesmo que é ele que nos singulariza e propõem nosso entorpecimento como exemplo de convivência entre as raças para o mundo, como uma civilização construída ao sul do Equador.
Sim senhores, estamos todos entorpecidos se achamos que o fato de as vítimas não reconhecerem seus algozes livra do crime os criminosos.
A nossa elite, majoritariamente branca, rica e poderosa, expressa na mídia os seus medos e rancores. Basta que vejamos os fóruns dos mais variados jornais da internet.
"Medo e Obsessão", filme de Win Wender que retrata o pesadelo norte-americano pós-11/9. Lembremos que já vivemos o nosso. Até quando esperaremos que cada um viva o seu.



Leia a seguir pequeno fragmento do livro do senador Barack Obama, "A Audácia da Esperança", que pode ser encontrado sem dificuldade nas livrarias do país.

(...) quando ouço os comentaristas dizendo que meu discurso é sinal de que chegamos à "política pós-racial" ou de que já vivemos em uma sociedade sem discriminação racial, preciso fazer uma ressalva. Dizer que todos formamos um só povo não é sugerir que nele as questões de raça foram superadas; nem que a luta pela igualdade foi vencida, ou que os problemas hoje enfrentados pelas minorias neste país são em grande parte causados por elas mesmas. Conhecemos as estatísticas: em quase todo indicador socioeconômico, da mortalidade infantil à expectativa de vida, da taxa de emprego à moradia própria, os negros e os latino-americanos continuam bem atrás dos brancos. Nos altos cargos executivos de todos os Estados Unidos, as minorias não estão representadas; no Senado, há apenas três membros latinos e dois asiáticos (ambos do Havaí); e ao escrever isso hoje, sou o único afro-americano no recinto. Sugerir que nossa atitude em relação à raça não tem um papel importante nessas disparidades é fechar os olhos para nossa história e experiência – e uma tentativa de nos livrar da responsabilidade de consertar a situação.
Além disso, embora minha própria criação dificilmente seja um exemplo típico da experiência afro-americana – e embora por sorte e circunstância, eu hoje ocupe uma posição que me separa da maioria dos solavancos e contusões que o negro comum costuma enfrentar -, sou capaz de relatar a ladainha usual de pequenos insultos que me foram direcionados ao longo de meus 45 anos: seguranças me seguindo quando entro em lojas de departamento, casais brancos que me jogam a chave de seus carros quando estou parado fora do restaurante esperando pelo valet, carros de polícia que me param por nenhuma razão aparente. Sei como é ouvir gente dizer que não posso fazer algo por causa da minha cor, e conheço o gosto amargo da raiva ao engoli-la a seco. Também sei que eu e Michelle devemos estar sempre atentos em relação a algumas das histórias prejudiciais que nossas filhas poderão absorver – da televisão, de músicas, dos amigos e das ruas – sobre quem o mundo acha que elas são, e sobre o que o mundo imagina que deveriam ser.
Pensar a questão da raça de forma clara, portanto, exige que vejamos o mundo em uma tela dividida – para, enquanto olhamos sinceramente para a situação atual do país, termos em mente que tipo de nação queremos, a fim de reconhecer os pecados de nosso passado e os desafios do presente sem ficarmos presos ao cinismo ou desespero. Testemunhei uma profunda mudança nas relações raciais ao longo de minha vida. Fui capaz de senti-la com tanta clareza como alguém sente uma mudança de temperatura. Quando ouço algumas pessoas da comunidade negra negarem essas mudanças, penso que isso não apenas desonra os que lutaram pelo nosso interesse, mas também nos impede de completar o trabalho que eles começaram. Porém, por mais que insista em que as coisas melhoraram, também sei que na verdade melhorar não é o bastante".
(Fragmento extraído de Obama, Barack. A Audácia da Esperança – reflexões sobre a reconquista do sonho americano. Trad. Candombá. São Paulo, Larousse do Brasil, 2007. pp.250-252 .)
Fonte: Jornal Irohin online www.irohin.org.br

Agradecimentos a companheira Vanda Ferreira pelo texto de Obama.

__,_._,___

Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Brazil License.