Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

sábado, 31 de maio de 2008

Em favor da folha de coca

Um artigo que vale a pena ser lido sobre as propriedades alimentares e farmacêuticas da folha da coca e a luta do governo boliviano para que a mesma seja vista não por seu mais conhecido subproduto, a cocaína.

Ligada à cultura ancestral dos povos andinos e consumida há milênios, ela tem propriedades alimentares e farmacêuticas reconhecidas em inúmeros estudos científicos. Mas o preconceito, as politicas toscas de combate às drogas e as pressões dos EUA querem mantê-la proibida

Johanna Levy

“Quantas plantas você conhece que fornecem mais cálcio que o leite, mais ferro que o espinafre e tanto fósforo quanto o peixe?”. A provocação da agricultora boliviana Nieves Mamani não é à toa: trata-se de mais uma tentativa de valorizar a coca, sua principal fonte de subsistência. Como centenas de milhares de camponeses andinos ela encontrou nesse cultivo, ilegal em boa parte do planeta, uma alternativa ao desemprego e à falta de competitividade das demais culturas agrícolas. “Nossa esperança é que a coca possa ser comercializada no mundo inteiro. Isso nos traria segurança econômica e a garantia de que nos livraríamos dos narcotraficantes”, insiste.

O artigo na íntegra você encontra neste link:
http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2390

I Fórum de Mídia Livre

Estão abertas as inscrições para o I Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 de junho. O Fórum é resultado da iniciativa de jornalistas, acadêmicos, estudantes e ativistas ligados ao debate sobre o tema da democratização da comunicação.

Segundo os organizadores, a idéia surgiu a partir de um encontro que mobilizou 42 jornalistas, estudantes, professores ou pessoas atuantes na área das comunicações, em São Paulo. A iniciativa teve prosseguimento com uma reunião em Porto Alegre, na ABI, no Rio de Janeiro e também em Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju.

O encontro pretende ser um espaço para aprofundar as discussões já iniciadas nos encontros que ocorreram anteriormente. Entre os principais temas figuram o avanço do movimento por uma comunicação alternativa e as demandas do setor junto ao poder público, como a distribuição de verbas e garantia de espaços para exibição.

O I Fórum de Mídia Livre sera realiazado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon. As inscrições que custam R$ 15 para o público em geral e R$ 5 para estudantes, podem ser feitas no blog do Fórum

I Fórum de Mídia Livre 14 e 15 de junho de 2008, das 9h às 16h

Escola de Comunicação da UFRJ - Auditório Pedro Calmon

Palácio Universitário da Praia Vermelha

Av. Pasteur, 250 / 2º andar

Urca - RJ (esquina com Av. Venceslau Brás)

Retirado do link:
http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatorio/noticias/noticias/4661.asp

Plantado no desmate

Mais um artigo do MST, demonstrando o poder do agronegócio e sua influência no governo atual.

Ano VI - nº 151 quarta-feira, 28 de maio de 2008
Plantado no desmate
Estimado amigo e amiga do MST,

A aprovação da Medida Provisória (MP) 422 pelos deputados federais na noite de terça-feira, poucas horas após a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, confirma que a defesa da biodiversidade vem perdendo a batalha contra o desmatamento e o desenvolvimento a qualquer custo, defendido por diversos setores do governo.

A recém aprovada MP 422 pode ser traduzida como a “legalização da grilagem”. Ela trata da dispensa de licitação para a venda de terras públicas com até 1.500 hectares – limite ampliado em mil hectares – sob a tutela do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Agora, a MP 422 aguarda a companhia do Projeto de Lei proposto pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o PL 6.424, outro grande incentivo à devastação, que reduz de 80 para 50% a exigência de reserva legal (área de preservação de floresta) em propriedades na Amazônia.

Ambas as propostas evidenciam a prioridade do governo federal: abrir terreno para o agronegócio, seja ele qual for. O setor do agronegócio é hoje protagonista do grande processo de devastação da Amazônia que, nos últimos cinco meses de 2007, excedeu a medida de 3.000 quilômetros quadrados de floresta, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente.

Não é por acaso que os ventos apontam para o Norte e o agronegócio segue essa direção. É na região amazônica que está concentrado o maior volume de terras devolutas do país. Essa é a base de um processo de ocupação e devastação que, aliado ao uso da máquina estatal para fins privados, abre espaço para as diversas frentes do agronegócio em destaque no mercado, em especial o extrativismo de madeira, pecuária e a monocultura da soja.

Trocar a floresta por boi é projeto antigo. Sabe-se que a iniciativa de ocupar a região com gado remonta à década de 1950 e começou a dar passos mais firmes durante o governo militar, quando em 1966 foram aprovados os primeiros projetos agropecuários para região.

A Amazônia sofre hoje com uma dose cavalar de ocupações ilegais realizadas por latifundiários pecuaristas e produtores de soja, desenvolvidas por meio da grilagem de terras e pactuada com a pilhagem de madeira. Os últimos dados sobre o avanço da produção de gado, por exemplo, são emblemáticos e assustadores.

O montante de áreas usadas para a pecuária na região é de 32,6 milhões de hectares, o que corresponde à soma das áreas dos estados de São Paulo, Rio e Espírito Santo. Dos 30,6 milhões de hectares devastados entre os anos de 1990 e 2006, 25 milhões foram transformados em pasto.

O roteiro é simples: primeiro é preciso cercar a terra adquirida junto ao Incra – geralmente de maneira ilegal –, vende-se a madeira da área e então, depois de uma pequena queimada para construir pasto, toma-se a terra para a criação de gado ou, com mais investimento, para a plantação de soja.

Um esquema que conta também com empresas exportadoras brasileiras e estrangeiras. Um terço da carne produzida nessas áreas ilegais, bem como grande parte da madeira roubada e da soja, vão para fora do país. Ou seja, parte do superávit da balança comercial do país, principal “benefício” do modelo do agronegócio, é sustentado na devastação da Amazônia.

O que evidencia a disposição do agronegócio no Brasil: usar a terra que pertence a todo o povo em função única e exclusivamente do lucro, sem levar em conta questões ecológicas ou de outra ordem, atentando contra condições humanas de sobrevivência.

O problema da pilhagem de madeira e ocupação pelo gado está longe de ser resolvido. Pelo contrário. Agora a investida desses latifundiários é descaradamente travestida de assentamento, a exemplo das denúncias que marcaram o fim de 2007, sobre projetos irregulares no Oeste do Pará, os quais, em vez de abrigarem agricultores, estariam sendo explorados ilegalmente por madeireiras.

O escândalo que revelou a existência de um pacto entre madeireiras e o Incra do Pará, acusado de destinar áreas da floresta para assentamentos falsos que são depois exploradas pelos latifundiários, há muito vinha sendo denunciado pelo MST.

Nessa ciranda, a monocultura da soja muitas vezes trabalha em parceria com a pecuária, já que o grão se expande por áreas de pastagem degradada. O cultivo já devasta o cerrado e avança sobre a Floresta Amazônica.

Encabeçando esse processo estão o capital financeiro e as grandes transnacionais do agronegócio, como Cargill, Bunge, Monsanto, Syngenta, Stora Enzo e Aracruz, que orientam um modelo de produção agrícola baseado na expulsão dos trabalhadores rurais, indígenas do campo e na destruição do meio ambiente.

Entre 1995 e 2003 a produção de soja cresceu mais de 300% nos estados do Pará, Tocantins, Roraima e Rondônia e essa expansão tem previsão de continuidade até 2020. A área de cultivo de soja na Amazônia passou de 20 mil hectares no ano de 2000 para 200 mil em 2006.

Mais impressionante e incriminador são os dados do aumento da produção em Santarém, no Pará. Um claro exemplo da relação dos investimentos dessas transnacionais com a devastação de nossa floresta. A área colhida em Santarém saltou de 200 hectares em 2002, para 4,6 mil em 2003 e hoje corresponde a 16 mil. Curiosamente, foi no ano de 2003 que o porto construído na cidade pela Cargill, destinado para o escoamento de grãos, começou a operar. Porto que, aliás, foi instalado ilegalmente, pois à época não apresentou o Estudo de Impacto Ambiental que é precedente obrigatório para tal empreendimento, segundo a Constituição de 1988.

As transnacionais buscam agora introduzir no mercado novas sementes transgênicas, tornando ainda mais acirrado o avanço sobre a floresta. E isso já está acontecendo. Amargamos recente liberação de duas variedades de milho transgênico da Monsanto e da Bayer que agora poderão ser comercializadas.

A decisão do CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança) põe em risco um longo trabalho de conservação a campo de centenas de variedades de milho adaptadas a diferentes regiões e a diferentes usos e cultivadas livremente pelos agricultores.

A conseqüência mais grave diz respeito à soberania alimentar do país. Isso porque o milho está na base da estrutura alimentar brasileira e as variedades transgênicas a serem cultivadas atendem prioritariamente à produção de ração e agrodiesel. Mesmo se direcionadas à alimentação, o alerta permanece, haja vista a desaprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quanto ao processo de liberação, por não conter dados que comprovassem a segurança do grão para o consumo humano.

Há anos o movimento vem reivindicando que a criação de assentamentos seja concentrada em áreas com maior número de acampamentos, como no Nordeste, Sul e Sudeste. Enxergamos as florestas como patrimônio da humanidade e sabemos que os maiores prejudicados com a devastação são os camponeses. Tal posicionamento encontra referência em nossas ações, que se contrapõem ao modelo agroexportador. Apostamos na agricultura camponesa desenvolvida em pequenas propriedades, com base na agroecologia e sabemos que são os camponeses os guardiões de nossa terra.

Secretaria Nacional do MST

Centro Cultural Otávio Brandão apresenta Hércules 56

NESTE SÁBADO, 31/05, ÀS 16:00 HS, O CINECLUBE DO CCOB APRESENTA: HÉRCULES 56


Na semana da independência de 1969 o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, foi sequestrado. Em sua troca foi exigida a divulgação de um manifesto revolucionário e a libertação de 15 presos políticos, que representam diversas tendências políticas que se opunham à ditadura militar. Banidos do território nacional e com a nacionalidade cassada, eles são levados ao México no avião da FAB Hércules 56. Através de entrevistas com os sobreviventes os fatos desta época são relembrados.
Ficha Técnica


Título Original: Hércules 56
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Estúdio: Antonioli & Amado Produções Artísticas Ltda.
Distribuição: Riofilme
Direção: Sílvio Da-Rin
Roteiro: Sílvio Da-Rin
Produção:
Música: Berna Ceppas, Kamal Kassin e Flu
Fotografia: Jacques Cheuiche
Edição: Karen Harley


Elenco
Agonaldo Pacheco
Flávio Tavares
José Dirceu de Oliveira
José Ibrahin
Maria Augusta Carneiro Ribeiro
Mário Zanconato
Ricardo Vilas Boas
Ricardo Zarattini
Vladimir Palmeira
Cláudio Torres
Franklin Martins
Daniel Aarão Reis
Manoel Cyrillo
Paulo de Tarso Venceslau


Após a exibição tem bate-papo sobre o filme no boteco do CCOB.

Entrada Franca.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Usando o Gnome-ppp para conectar a Oi Connect(Fast) no Ubuntu ou no Fedora

Como ja havia postado usei programa Vodafone para me conectar a conexão da Oi Connect(Fast). Mas, buscando alternativas encontrei o Gnome-PPP que me forneceu uma funcionalidade melhor para a conexão. Basta configurar o programa da forma acima.

domingo, 25 de maio de 2008

Carta Aberta aos Ministros Edson Santos e Gilberto Gil

É lamentável que o que ocorreu em Salvador com a tentativa de demolição do terreiro Oyá Unipó Neto possa estar a ponto de acontecer de fato com a Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos do Rio de Janeiro, um dos templos religiosos mais tradicionais do centro de nossa cidade e uma pontas de lança da luta abolicionista brasileira. Aguardamos, por conseguinte o pronunciamento dos senhores ministros.

José Luiz de Souza escreveu:

De: José Luiz de Souza
Assunto: Carta Aberta aos Ministros Edson Santos e Gilberto Gil
Data: Sat, 24 May 2008 20:58:58 +0000




Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2008


A Suas Excelências os Senhores
Deputado Federal Edson Santos de Souza
Ministro-Chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial &
Gilberto Passos Gil Moreira
Ministro de Estado da Cultura


Senhores Ministros,


Na esperança de que a presente missiva os encontre o melhor possível, dirigimo-nos a Vossas Excelências, em nome de todos os associados e amigos do IDII, para expressar nossa dor e amargura pela situação lastimável em que se encontra a Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos do Rio de Janeiro.

Conforme tem sido amplamente noticiado pela imprensa falada e escrita, a histórica Igreja, bem imóvel da Irmandade, foi penhorada por ordem do egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Isso é inadmissível.

A Igreja do Rosário é, repita-se quantas vezes forem necessárias, um dos templos históricos mais importantes do Brasil. Nosso Instituto Cultural nasceu lá, em 13 de Maio de 2001, para revificar a memória da Redentora e de todos os Abolicionistas do Brasil, precisamente porque ela é o mais esplêndido ícone físico do maior movimento social brasileiro do Oitocentos: o Abolicionismo.

Mesmo antes da década de 1880, já na chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808, a Igreja teve o papel de destaque garantido por ser, à época, a sé catedral do Rio de Janeiro. Foi o primeiro prédio visitado por D. João em 8 de março de 1808 e, a 13 de maio do mesmo ano, lá comemorou-se o primeiro aniversário do Príncipe Regente em terras brasílicas — o termo “brasileiro” ainda não existia.

Mesmo depois de a Sé ter se transferido para a Capela Real de Nossa Senhora do Carmo (esquina das atuais ruas cariocas Sete de Setembro e Primeiro de Março), pelo fato da Rainha enferma (D. Maria I) viver no convento contíguo a esta igreja e assistir missas diariamente, a Igreja do Rosário continuou sendo palco de importantíssimos momentos daquilo que se constituiria em movimento de emancipação nacional.

Após o retorno de D. João VI a Portugal e a efetivação da Regência de D. Pedro de Alcântara, houve a formação do “partido brasileiro”, precisamente no Consistório da Igreja do Rosário, local em que funcionava o Senado da Câmara do Reino do Brasil. Em 9 de Janeiro de 1822, como é sabido, uma deputação de senadores saiu da Igreja e foi ao Príncipe levar o posicionamento dos parlamentares, clamando a Sua Alteza que ficasse no Brasil e que não mais obedecesse às ordens das Cortes de Lisboa (parlamento português), onde os liberais burgueses exigiam a recolonização de nosso País.

Por fim, em 13 de Maio de 1822, D. Pedro foi aclamado na Igreja do Rosário como “Defensor Perpétuo do Brasil” e daí em diante a Independência efetiva só fez apressar.

Em todos esses eventos históricos, a presença da irmandade negra do Rio de Janeiro teve papel preponderante. É um avilte que interesses pecuniários queiram destruir a História do Brasil.

Como instituição cultural que representa uma parcela da sociedade civil organizada — ainda que pequena —, vimos a Vossas Excelências rogar por uma solução aos problemas da Irmandade do Rosário do Rio de Janeiro. O MUSEU DO NEGRO que funciona no sobrado da Igreja vive em situação de precariedade absoluta; parece que atualmente não possui sequer museólogo responsável. Lá estão os dois únicos estandartes abolicionistas que restaram dos heróicos anos 1880. Conforme registra o historiador Eduardo Silva, um dos maiores estudiosos e mais atuantes defensores da memória abolicionista na academia de História e Ciências Sociais do Brasil atual, a Igreja do Rosário era o “quartel-general do Abolicionismo”.

Este Instituto, organização não-governamental propugnadora do neo-abolicionismo no Brasil — semelhante ao que Vossa Excelência, Ministro Gil, chamou recentemente de “segunda Abolição” —, pretende com esta Carta Aberta, demandar que um projeto cultural de grande monta dê conta da restauração do histórico edifício carioca, para o bem não só da memória dos afro-brasileiros — terminologia que engloba a quase todos nós, miscigenados que somos —, mas para a MEMÓRIA DO BRASIL.

Muito respeitosamente,

Juarez do Nascimento Fernandes de Távora
Presidente de Honra
Laerte Lucas Zanetti
Presidente
Bruno Hellmuth
Vice-Presidente
Vanderli Teixeira de Faria
Secretário
Selene Soares Cruz
Inoã Pierre Carvalho Urbinati
Carlos Roberto Bastos Pereira
Conselheiros de Administração
Otto de Alencar de Sá-Pereira
Decano do Conselho Consultivo
Francisco Camões de Menezes
Vice-Decano do Conselho Consultivo
Senhora Sebastião Perlingeiro (Condessa Olga Csàky)
Ana Maria Enout Rebouças
Lêda Machado
Maria de Lourdes Lamonica
Sandra Ramon Franco
Cristina Alves Labrujó
Sebastião Leite Abreu Perlingeiro
Gastão Reis Rodrigues-Pereira
João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho
Adilson de Vasconcellos Leal
Gary de Oliveira Bon-Ali
José Silvio Leite Jacome
Celio Gallotti Guimarães
Eduardo Pellew Wilson, Conde de Wilson
Alexandre Carneiro de Mendonça
Bruno da Silva Antunes de Cerqueira
Thyago Silva Mathias
Conselheiros Consultivos do IDII
Barra Bonita (SP) - Antonio A. Belarmino Jr.
Brasília (DF) - Roberto Ricardo Mäder N. Machado
Curitiba (PR) - Zelia Maria Nascimento Sell
Curitiba (PR) - Clayton Maranhão - Vice-Representante
Fortaleza (CE) - Stelio Maia Ferreira Marinho
Fortaleza (CE) - Maria Adelaide Flexa Barreto - Vice-Representante
Mesquita (RJ) - Luís Severiano Soares Rodrigues
Natal (RN) - Francisco Anderson Tavares Lyra
Niterói (RJ) - Francisco Tomasco de Albuquerque
Pelotas-Pedro Osório (RS) - Bruno de Oliveira Barbozza
Porto Alegre (RS) - Fernando Baptista Bolzoni
Ribeirão Preto-Caconde (SP) - Alexandre Affarelli
Rio Bonito (RJ) - Francisco Silvino Teixeira das Flores
Salvador (BA) - Caio Cesar Tourinho-Marques, Visc. de Tourinho
São José do Rio Preto (SP) - Jorge J. Bittar Al-Sheik
São Luís (MA) - João Rezende Dias Filho
São Paulo (SP) - Kristhian Gustav Rupp-Mancilla
Sorocaba (SP) - Marco de Mesquita e Bonfim Romiti
Sumé (PB) - Antonio Aprígio Pereira
Conselheiros Representantes do IDII

sábado, 17 de maio de 2008

Como a RIAA apanha os “partilhadores”

Já falei aqui em tempos do modo com a RIAA, a infame Associação da Indústria Discográfica Norte-americana identifica os estudantes que a partir dos campus universitários descarregam e partilham músicas protegidas por direitos de autor, mas esta semana o Chronicle for Higher Education teve acesso a uma demonstração privada nas próprias instalações da organização realizada por um funcionário da RIAA que falou sob condição de anonimato com medo de receber ameaças por email.

Um aspecto interessante é que os investigadores da Media Sentry, a organização anti-pirataria a que a RIAA recorre para fazer os seus trabalhos sujos, utilizam exactamente o mesmo software de partilha de ficheiros que a maioria dos “partilhadores” norte-americanos usa: o LimeWire. No entanto, de acordo com o representante da RIAA, a Media Sentry raramente descarrega as músicas, limitando-se quase sempre a verificar a impressão digital das faixas.

A RIAA começa por entregar uma lista de músicas protegidas por direitos de autor aos investigadores da Media Sentry. De seguida, estes utilizam um script de software que pesquisa automaticamente pelo LimeWire os títulos correspondentes às músicas. Depois, comparam os algoritmos hash de modo a verificar que a canção é a mesma que está indicada na base de dados da RIAA. No final, eles recolhem os endereços IP dos computadores onde estas faixas são disponibilizadas ele enviam esta informação à RIAA.

Mas uma coisa é disponibilizar e outra coisa é descarregar os ficheiros. E neste aspecto, a própria porta-voz da RIAA Cara Duckworth reconhece que é impossível saber quando é que esses temas estão a ser descarregados por alguém. Embora a RIAA argumente que disponibilizar um ficheiro representa por si só uma infracção aos direitos de autor, essa teoria foi recentemente rejeitada por um juiz no âmbito do julgamento Atlantic v. Howell.

Segundo refere o funcionário, este processo automatizado de identificação de ficheiros é apenas utilizado para “caçar” estudantes ligados a redes universitárias e não tanto a utilizadores domésticos. Dito de outra forma: as editoras preferem sacar dinheiro daqueles que já de si têm menos recursos financeiros. Será que faz sentido?

Mais informações no link:
http://remixtures.com/2008/05/como-a-riaa-apanha-os-partilhadores/

Imprensa repudia o sistema de cotas

Doutoranda da UnB revela que o discurso jornalístico é majoritariamente contrário à reserva de vagas no ensino superior

Cristiane Bonfanti
Da UnB Agência

Os veículos de imprensa no Brasil são, majoritariamente, contrários à política de cotas nas universidades, sejam elas para negros, índios, ou para egressos de escolas públicas. De acordo com a doutoranda em Lingüística da Universidade de Brasília (UnB) Theresa Christina Jardim Frazão, o discurso jornalístico afirma que o governo erra quando estabelece cotas.

Para a imprensa, em vez de investir nesse sistema, o Estado deveria priorizar a educação básica. “Por mais que os textos sejam informativos, as expressões lingüísticas revelam o ponto de vista das organizações e dos jornalistas”, diz a pesquisadora. Ela explica que o repúdio às políticas de cotas pode ser visto também, e de forma ainda mais incisiva, nas cartas dos leitores.

DIMENSÃO - Em pesquisa realizada em nove veículos entre 2003 e 2006, ela observou que 83,34% das cartas eram contra a reserva de vagas nas universidades. “Verificamos a dimensão da imprensa como formadora de opinião. Embora haja espaço para argumentos favoráveis, não há demonstração de equilíbrio nas posições”, diz Theresa.

Rodrigo Dalcin/UnB Agência
Theresa afirma que discurso contrário pode ser encontrado em cartas, artigos e matérias
Ela falou sobre o tema no seminário Análise do discurso jornalístico sobre o sistema de cotas em universidades brasileiras, realizado na tarde de sexta-feira, 9 de maio, no Instituto de Letras (IL) da UnB. A apresentação foi baseada na dissertação de mestrado defendida por Theresa em 2007, na Universidade de Católica de Pernambuco.

ANÁLISE - No trabalho, a pesquisadora analisou textos informativos e opinativos dos jornais Diário de Pernambuco; Jornal do Comércio; Folha de S. Paulo; O Estado de São Paulo e Correio Braziliense. Além disso, foram estudados textos das revistas Caras; Isto É Dinheiro; Época e Exame.

A intenção dela foi identificar, na publicação de conteúdos referentes ao sistema de cotas, pistas que sinalizassem as intenções dos textos. “Meu interesse pelo tema surgiu por eu trabalhar em uma instituição com essa política, por ter alunos cotistas e por ser favorável ao sistema”, explica Theresa, que também é professora da Faculdade de Administração da Universidade de Pernambuco.

Retirado do link:
http://www.secom.unb.br/unbagencia/unbagencia.php?id=229

Você pode ter acesso a tese da professora Theresa Frazão através do link:
http://www.unicap.br/tede//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=129

As cotas raciais e os 113 tolos pomposos

Em um artigo, bastante perspicaz e que atrela de forma interessante a questão das ações afirmativas à questão de classes sociais, Celso Lungaretti, articulista do site "Agência Carta Maior" nos dá a dimensão exata da atuação dos neo-racistas contra a política de cotas e demonstra como essa ação faz parte de uma política mais ampla dos neoconservadores em oposição a propostas que venham dos movimentos sociais.

Cidadãos como Caetano Veloso, Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro e José Goldemberg supõem que a simples menção de seus nomes seja capaz de mover céus e terras. Daí terem restringido seu abaixo-assinado anticotas a 113 personalidades e luminares, pois tico-ticos destoariam ao lado de tão fulgurantes pavões.

Celso Lungaretti

“É uma história contada por um tolo,
cheia de som e fúria, significando nada”

(William Shakespeare, “Macbeth”)

Sou signatário do Manifesto em Defesa da Justiça e da Constitucionalidade das Cotas raciais. Mas não, certamente, o mais entusiasta.

Tal documento e o outro a que ele veio responder – o dos Cidadãos Anti-Racistas contra as Leis Raciais – visam pressionar os juízes do Supremo Tribunal Federal no sentido de que mantenham ou rejeitem a política de reservar-se determinado número de vagas para os negros nos estabelecimentos de ensino superior.

Meu pouco entusiasmo se deve, primeiramente, ao ranço elitista de tais manifestações. Uns e outros apostam, implicitamente, em que seu prestígio e/ou representatividade vá ser determinante junto à opinião pública e aos mais altos magistrados da Nação.

Cidadãos como Caetano Veloso, Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro e José Goldemberg supõem que a simples menção de seus nomes seja capaz de mover céus e terras. Daí terem restringido seu abaixo-assinado anticotas a 113 personalidades e luminares, pois tico-ticos destoariam ao lado de tão fulgurantes pavões...

O manifesto pró-cotas também tem lá seus notáveis, mas a porta foi deixada aberta para todos aqueles que quisessem entrar: numa primeira fase, a rede dos organizados; e, a partir da disponibilização on-line, os internautas em geral.

Temos, portanto, duas amostragens de minorias articuladas pretendendo representar a maioria desinteressada, extenuada e desesperançada, que está a anos-luz de distância desse debate.

O saudoso jornalista Cláudio Abramo, há pelo menos duas décadas, escreveu um artigo assustador e profético, alertando que a real participação no jogo democrático ficaria cada vez mais limitada àqueles que integrassem o sistema como produtores e consumidores. Estes disporiam das informações, teriam as ferramentas e tomariam as decisões.

Aos desempregados, subempregados e miseráveis estaria reservado o papel de párias, só lembrados na hora das eleições para encherem urnas com votos de cabresto. E a democracia sofreria um esvaziamento real, na medida em que só existiria para alguns e estes falariam em nome de todos.

É, cada vez mais, o que se passa na era da internet, quando batalhas de Itararé (aquela que não houve, segundo o grande humorista Apparício Torelly) como essa dos manifestos são travadas apaixonadamente pelos bem-pensantes e passam quase despercebidas para o homem das ruas.

Muito barulho por nada? – Quanto ao mérito da questão, há uma certeza e dois principais questionamentos.

A certeza é de que os negros escravizados foram vítimas de práticas aberrantes, repulsivas e ignominiosas. Os questionamentos são quanto à reparação proposta para essa injustiça histórica:

· Até que ponto o menor acesso dos negros atuais às faculdades se deve a ocorrências anteriores a 1888?

· Até que ponto tais políticas compensatórias sanarão ou atenuarão o problema?

Para não embarcarmos numa discussão interminável e que talvez nem sequer comporte uma conclusão inequívoca, vamos admitir que negros e pobres tenham suas oportunidades reduzidas em função da desigualdade e da desumanidade que caracterizam o capitalismo no Brasil; e que os negros enfrentem dificuldades maiores ainda que as dos outros pobres.

Então, para os seres humanos justos e solidários, pouco importa se os negros estão em desvantagem por causa da escravidão passada ou por encontrarem-se hoje sob o fogo cruzado do capitalismo e de um racismo dissimulado, mas não menos real. Merecem, sim, que os pratos da balança sejam reequilibrados em seu favor.

Quanto à eficácia das políticas compensatórias, ela só poderá ser realmente aferida depois de um período razoável de implementação. Por que, afinal, abortarmos essa tentativa no nascedouro?

Os 113 cruzados do “não” carregam nas tintas, adotando uma retórica cujo alarmismo beira o ridículo: “as cotas raciais (...) ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação”, “leis raciais (...) passam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta dos brasileiros”, etc.

À primeira vista, parece muito barulho por nada. Será mesmo?

O fato é que, em meio às terríveis distorções que o ensino superior vem sofrendo em função de seu atrelamento aos interesses capitalistas – começando por sua ênfase na especialização castradora que forja meros profissionais, desprezando a formação crítica e universalizante que engendra verdadeiros cidadãos –, eles magnificaram um problema menor, em detrimento, exatamente, “dos desafios imensos” que dizem existir.

Por que, afinal, nunca demonstraram idêntico empenho em relação a esses desafios imensos? A carapuça de estarem desviando as atenções do fundamental não lhes caberia melhor do que aos seus adversários?

Um amigo, militante do Movimento Negro, garante que o inspirador desse manifesto foi Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo e autor de “Não Somos Racistas”, livro de cabeceira de alguns dos piores porta-vozes da direita golpista na mídia brasileira.

Aí estaria tudo explicado, pois esses mesmos propagandistas atacam da mesmíssima forma o programa federal de anistia às vítimas da ditadura militar, atribuindo uma relevância desmesurada ao que eles alegam ser um terrível desperdício do dinheiro do contribuinte, mas, na pior das hipóteses, não passaria de uma gota d’água no oceano de iniqüidades de Brasília. E, na verdade, trata-se apenas do fiel cumprimento das normas que a ONU prescreve para as nações saídas do totalitarismo.

Para finalizar, eis o segundo motivo para eu considerar a política das cotas raciais apenas um paliativo, não uma solução: ela ataca somente um dos elos da corrente da injustiça. Não garante que os negros cheguem às portas da faculdade, apenas as abre para os que as houverem conseguido alcançar por seus próprios esforços. E também não garante que tenham igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

Nem, muito menos, que seus talentos e conhecimentos sejam posteriormente utilizados para o seu perfazimento como seres humanos e em real benefício da sociedade, em vez de servirem à acumulação do capital.

Entre os partidários da competição insensível entre seres humanos movidos pela ganância e os cidadãos decentes que procuram minorar as mazelas do capitalismo, eu me alinharei sempre com estes últimos. Mas, sem ilusões: as injustiças só serão realmente erradicadas quando o bem comum prevalecer sobre os interesses individuais, numa nova forma de organização social.

Retirado do link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=3889



Anistia póstuma a João Cândido, líder da Revolta da Chibata, é destaque em audiência pública

Pensem comigo, não deveria haver um representante da marinha brasileira na mesa acima?

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH)realizou nesta quinta-feira (15) audiência pública para discutir proposta de anistia póstuma ao marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata, e aos demais participantes do movimento. Acolhido em 2002 pelo Senado, o projeto (PLS 45/01), de autoria da senadora licenciada Marina Silva (PT-AC), foi aprovado com uma emenda pela Câmara dos Deputados na terça-feira (13) e volta para novo exame dos senadores.

A revolta ocorreu em 1910, em protesto contra os castigos físicos que eram impostos pela Marinha à época aos marinheiros, como medida disciplinar. A anistia prevista no projeto produzirá efeitos em relação às promoções a que teriam direito os anistiados se tivessem permanecido em serviço ativo, e em relação ao benefício da pensão por morte.

Representando a família do marinheiro gaúcho, João Cândido de Oliveira Neto, sobrinho-neto do líder da Revolta da Chibata, foi saudado pelos participantes do debate e agradeceu os esforços pelo reconhecimento do papel histórico de seu tio-avô.

- Para todos os descendentes de João Cândido Felisberto, além do fato histórico da Revolta da Chibata, é importante resgatar sua figura humana e, junto, resgatar a auto-estima do povo negro - afirmou.

Durante o debate, o presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), anunciou que os senadores farão uma análise da emenda dos deputados ao PLS 45/01 e deverão votar a matéria em regime de urgência.

Ao participar do debate, Antônio Inácio Matos da Silva, coordenador de Formação Política do Movimento Negro Unificado, do Rio Grande do Sul, resgatou aspectos da vida de João Cândido, o "almirante negro", imortalizado em música do João Bosco e Aldir Blanc. O professor ressaltou que os cem anos da Revolta da Chibata, a serem comemorados em 2010, serão lembrados com manifestações em todo o país.

Para frei David Raimundo Santos, assessor da entidade Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro), ações universalistas não têm sido suficientes para a inclusão da população negra, sendo necessárias políticas afirmativas e medidas reparadoras, como a anistia a João Cândido. No debate, o religioso anunciou a adesão de 11 ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ao manifesto a favor das cotas para negros nas universidades, entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

Discriminação

As leis adotadas ao longo da história do país que privaram os negros do acesso à escola, à terra e aos direitos políticos foram lembradas por Kleber Bispo dos Santos, advogado e assessor da Vereadora Claudete Alves (PT-SP). Como forma de reparação, ele citou representação protocolada junto ao Ministério Público Federal pleiteando indenização aos descendentes de negros africanos escravizados no Brasil.

José Antônio dos Santos da Silva, presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negro (Codene), defendeu a unidade dos movimentos negros brasileiros, em defesa da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. Presente ao debate, o deputado Antônio Roberto (PV-MG), relator do projeto na Câmara, disse que a luta pela igualdade racial tem permitido ampliar no Brasil o debate "contra todo tipo de discriminação".

Ao comentar estudos sobre a história da Marinha, Sionei Ricardo Leão, jornalista, professor e membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, destacou que as Forças Armadas como um todo "têm se tornado um espaço de ascensão da população negra". No entanto, ele apontou como contradição a reduzida presença de afrodescendentes entre os altos escalões das três Forças.

Também participaram da audiência pública Suely Bellato, conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça; Maria Luci Correa Ferreira, representante dos Educadores Negros; Ana do Carmo da Silva Honorato, presidente da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Grupo Hospitalar Conceição; Sátira Machado, coordenadora das políticas de igualdade racial do governo do Rio Grande do Sul; e Ruben da Silva, representante dos Usuários da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Grupo Hospitala, do Rio Grande do Sul.

Retirado do link:
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=74914&codAplicativo=2

Situação de muitos negros no país ainda é lamentável, dizem pesquisadores

"O melhor presente que a população negra pode receber nesses 120 anos de 'desescravização' é, precisamente, o Estado brasileiro aprofundar as políticas de igualdade social", afirma o presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Valter Roberto Silvério.

Ivan Richard

Agência Brasil

No dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinava o documento que declarava livres todos os escravos do Brasil. Cento e vinte anos depois da Lei Áurea, a situação de parte dos 90 milhões de afrodescendentes do país ainda é lamentável, segundo pesquisadores e organizações que defendem as políticas afirmativas para os negros.

"O melhor presente que a população negra pode receber nesses 120 anos de 'desescravização' é, precisamente, o Estado brasileiro aprofundar as políticas de igualdade social. Só assim vamos, de fato, construir uma nação mais eqüitativa e mais igualitária entre as diferentes populações que aqui habitam”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Valter Roberto Silvério.

Silvério diz que houve melhoras de condições, "mas tanto o acesso ao mercado de trabalho, quanto à escolarização, ainda são insuficientes para gerar um padrão de igual acesso, igual oportunidade da população negra quando comparada à população branca". Para ele, as políticas públicas de discriminação positiva, como a definição de cotas nas universidades, são a melhor forma de promover a igualdade racial.

Aos que contestam a instituição da política de cotas, ele declara que há um “cinismo, por parte da classe média brasileira", que nega a existência de racismo e que não admite que a educação tem o poder de combater o racismo, por medo de perder seus privilégios. "Esses grupos, que sempre tiveram privilégios, não percebem que essas políticas geram a possibilidade de construção de cidadania para o país, o aprofundamento da construção da cidadania", critica.

O que se discute atualmente, segundo ele, é o aprofundamento de políticas que rejeitam as diferenças e resgatam a dívida histórica com os setores que foram oprimidos ao longo do tempo. A universidade, de acordo com o coordenador, é o espaço onde essas mudanças têm mais alcance pois forma as novas lideranças políticas, econômicas e sociais. Lideranças, destaca, mais tolerantes por conta do convívio com pessoas das diversas classes sociais, origens, etnias.

O ex-secretário de Justiça de São Paulo e coordenador do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, uma ONG que defende a causa negra, Hédio Silva Junior, também defende a política de cotas. Para ele, o debate sobre as cotas fez emergir o racismo brasileiro.

Na avaliação do ex-secretário, há um racismo “estruturante” no Brasil no qual de cada dez pobres, sete são negros. “Obviamente, que a condição social é importante, há desvantagens educacionais, mas foi o racismo que empurrou a população negra para esse lugar”, disse.

Silva Junior critica aqueles que afirmam que as cotas vão estimular o racismo. Para ele, esse é um argumento “falacioso”. “No Brasil há sete documentos públicos em que os brasileiros são classificados racialmente. No formulário de alistamento militar o jovem é classificado racialmente e nunca vi alguém criticar o Exército, as Forças Armadas. Não são as cotas que introduzem no Brasil a classificação social. Sempre existiu aqui. Um branco jamais poderia ser escravo”, exemplificou.

Segundo Silva Junior, na retomada do debate das políticas afirmativas, nos anos 80, alguns diziam que o racismo não existia e citavam o sucesso de Pelé e Gilberto Gil como exemplos disso. Mas na verdade, contrapôs, não se conseguia enumerar mais que cinco negros bem sucedidos.

“A própria expressão 'cada macaco no seu galho' tem um componente revelador de que a sociedade até tolerava viver com os negros, desde de que eles estivessem ocupando certos lugares. Mas quando você tem o negro reivindicando acesso a direitos, a lugares que a sociedade entendia como exclusivos da parcela branca, as pessoas ficam revoltadas”, acentuou.

Silva Junior avalia que a manifestação contrária às cotas tem um aspecto positivo: o estímulo ao debate. “O que lamento é que o debate seja feito de maneira tão desleal e covarde com o argumento de que a classificação racial é iniciada com a política de cotas. O Estado brasileiro sempre impôs a classificação racial. As cotas são um remédio para essa doença que é o racismo no Brasil”.

Apesar da constatação de que o racismo é um forte componente nas relações pessoais no Brasil, o ex-secretário aponta avanços na luta contra o preconceito racial. “Nos últimos anos, tem havido uma mudança muito grande na publicidade brasileira. Uma mudança muito forte imposta pelo movimento negro em relação a afirmação de figuras negras altivas e não apenas com a representação do negro associada à marginalidade e à pobreza. A própria propagando eleitoral mudou”, disse.

Passados 120 anos do fim da escravidão no Brasil, o ex-secretário afirma que o sentimento é de otimismo. “Sou otimista no sentido dessas mudanças que o país tem vivido. Mas, ao mesmo tempo, temos um caminho muito grande até que haja uma verdadeira democracia racial no Brasil”.

Retirado do link:
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/05/13/materia.2008-05-13.1048003228/view


Ipea: 10% dos mais ricos detêm 75% da riqueza

Parece que a política de juros tem a judado a fortalecer os "rentistas" brasileiros que estão a enriquecer ainda mais, transferindo renda, de forma descarada, e criminosa dos setores mais pobres da população para os mais ricos, graças às benesses do Banco Central.

"O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elaborou um levantamento que aponta as desigualdades no Brasil. Um dos dados mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza do país.

Os dados serão apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) (http://www.cdes.gov.br/) . O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária.

Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.

Ainda segundo a pesquisa a concentração é maior em três capitais brasileiras. A concentração é maior em São Paulo, onde 10% detém 73,4% de toda a riqueza. Esse número cai, em Salvador, para 67% e, no Rio, para 62,9%. Segundo Pochmann, um dos principais responsáveis pela distorção é o sistema tributário em vigor.

Na história brasileira, segundo Pochmann, pouco mudou desde o século 18, quando os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza, no Rio de Janeiro, capital do país. Este é o único dado disponível, no Instituto, anterior à atual pesquisa.

"Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", disse.

Na contramão do equilíbrio fiscal pretendido por qualquer nação civilizada, no Brasil os pobres chegam a pagar 44,5% a mais de impostos do que os ricos, conforme mostra a pesquisa a ser apresentada ao CDES. O economista sugere que os ricos tenham uma tributação exclusiva, para conter esse regime de desigualdade, por meio de uma reforma tributária que calcule a contribuição de cada brasileiro conforme sua classe social.

A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos. Para reduzir as desigualdades, o economista defende que os ricos tenham uma tributação exclusiva.

Pochmann afirmou que um dos caminhos é discutir uma reforma tributária que melhore a cobrança de impostos de acordo com a classe social. "Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma reforma tributária", afirmou.

A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções. "

Retirado do link:

http://rumoresalv.blogspot.com/2008/05/ipea-10-dos-mais-ricos-detm-75-da.html

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Manifesto pelas cotas

Recebi o email abaixo e o estou publicando. Trata-se de um manifesto a favor das cotas e vem acompanhado de um texto de 46 páginas, justificando a luta que se vem travando e exortando a todos que se mobilizem em apoio à uma causa tão justa e nobre.
É verdade, belos e difíceis são os caminhos que nos levam à vales prósperos e distantes.

Há cento e vinte anos, africanos e seus descendentes, depois de trabalharem no Brasil por quase quatrocentos anos de graça, foram jogados na rua sem direito a qualquer tipo de indenização.

Imagine que você trabalha durante anos em algum lugar, e de repente te mandam embora sem pagar férias, décimo terceiro, fundo de garantia, nada... (No limite da comparação, a situação é a mesma.) Isso seria correto? Se vc acha que sim, provavelmente não vai querer assinar o manifesto abaixo.

Caso contrário, se você crê que as ações afirmativas e as cotas são o mínimo que o Estado brasileiro pode fazer para reparar um grave erro que se perpetua, acesse o link e assine carta e leia o documento incluso.

http://www.manifestopelascotas.net/

terça-feira, 13 de maio de 2008

Download do Fedora 9 - Sulphur - versão final

Para quem não testou e já tem o Fedora 8 pré-instalado aconselho a usar o programa Preupgrade, que faz a atualização online, funciona que é uma beleza. Basta seguir os passos propostos no link: http://fedoraproject.org/wiki/Features/PreUpgrade sair, passear um pouco, e depois comemorar.
“O Fedora 9, codinome Sulphur foi oficialmente lançado hoje! O download está disponível via BitTorrent ou download direto através dos espelhos. Para baixar o Fedora 9 acesse: http://www.projetofedora.org/portal/download.
Algumas novidades incorporadas no Fedora 9: * Xorg 1.5 * FreeIPA * Melhorias no NetworkManager * KDE4 * Gnome 2.22 * Live persistence * Novo GDM * Preupgrade * Redimencionamento de partições via anaconda * Upstart * Firefox 3”.
Mais informações no link:
http://www.projetofedora.org/


Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Alicia Keys Feat. Oumou Sangaré - Fallin (LIVE)


Belo encontro: África e América.

Para aqueles que optaram pelo Ubuntu no notebook

Aconselho que leiam o post do Hamacker "Ubuntu paradise, deixe seu ubuntu completo", publicado no seu blog "Hamacker Palace". Vale dar uma olhada nas dicas propostas por ele e aproveitá-las para personalizar sua distro. Por outro lado, preste bem atenção na dica "Aumentando a vida do seu HD" e nas soluções apresentadas. É só isto por hoje.
Para acessar o link, clique em:
http://hamacker.wordpress.com/ubuntu-paradise/

A função racial da universidade

Em um artigo no Le Monde Diplomatique, o colunista Bruno Cava analisa o papel da universidade na reprodução do corpus social racista, conservador e excludente vigente no Brasil e discute as ações afirmativas como motor transformador da realidade universitária e conseqüentemente da sociedade brasileira. Ele afirma que as ações afirmativas mudaram a cara das universidades onde foram implantadas, trazendo "um colorido todo-especial de novas demandas, valores, idéias, estilo", ou seja levaram para o espaço acadêmico um frescor, uma ambiência nova e singular, sem que haja a propalada "perda de qualidade do ensino". Sem dúvida, um artigo a ser lido.


Como já não é possível condenar as cotas sociais, os conservadores deciciram atacar a discriminação positiva em favor dos negros. Declaram-se republicanos e meritocratas. É como se vivessem num país onde não houve escravidão e não é preciso enfrentar agora a desigualdade racial

Bruno Cava

(25/04/2008)

"The past isn’t dead and buried. In fact, it isn’t even past."

— - William Faulkner
[1]

A partir de 2002, as medidas afirmativas de cotas raciais intensificaram o debate e polarizaram o campo político de esquerda e direita. As primeiras universidades a reservar vagas de forma generalizada a negros e indígenas foram a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense. Uma lei estadual fluminense, de 2001, determinou que as entidades reservassem, no vestibular, cotas de 20% para estudantes de escolas públicas, 20% para negros, 5% para indígenas e 5% para pessoas portadoras de deficiência. Desde então, pelo menos 32 outras entidades do ensino superior — como a UFRGS, a UFPE, a UEPB --- instituíram sistemática similar, seja mediante decisões legislativas, seja por deliberações internas.

As primeiras turmas da UERJ sob o novo regime de admissão graduaram-se no ano passado, sem registro de conflitos raciais sérios e com aproveitamento igual às turmas anteriores. Nessa universidade, os estudantes cotistas mantiveram um coeficiente de rendimento médio entre 5% abaixo e 5% acima dos demais, dependendo do curso. Isto é, não houve qualquer diferença mensurável de rendimento acadêmico entre alunos cotistas e não-cotistas.

Certamente não houve "queda do nível". Como também não houve com os ingressos do Programa Universidade para Todos (Prouni), que assegura bolsas para alunos pobres em faculdades privadas. Estes foram até melhor do que os outros, inclusive os admitidos no Prouni pelo critério racial. Se, de um lado, a política afirmativa não é um sucesso absoluto — principalmente nos cursos de menor procura, em que sobram vagas —, por outro "mudou a cara" da universidade, trazendo um colorido todo-especial de novas demandas, valores, idéias, estilos.

Apesar dos bons resultados e de 65% dos brasileiros apoiarem as cotas raciais (pesquisa Datafolha de 2006), a resposta reacionária a elas persiste. Por envolverem critério racial, as cotas vêm recebendo bombardeio mais feroz que as demais políticas de inclusão, tais como as vagas para estudantes de escolas públicas. Para muitos, o problema é a cor da cota. Na UFRGS, alguns gaúchos "indignados" picharam em letras garrafais, à frente do campus: "Negro só se for na cozinha do HU". Outros adversários, mais sofisticados, publicam livros extensos e "imparciais", para provar que a cota racial é ruim, porque não somos racistas.

Muitos mantêm uma atitude tipicamente brasileira: ser contrário em silêncio e guardar o racismo para si, negando-o, menosprezando a história do Brasil. Mas nem sempre o racismo é tão "cordial", como se viu no episódio dos estudantes africanos na UnB, ocasião em que se ateou fogo às suas portas, bem ao estilo Ku-klux-klan.
Argüir que cientificamente não há como definir a raça é tão estúpido quanto afirmar que o negro não existe. A raça não é um conceito biológico. Envolve noções culturais, econômicas e políticas

Que o Brasil seja um país racista é de uma evidência de doer aos olhos. Historicamente racista, economicamente racista, esteticamente racista, culturalmente racista. A democracia racial é um mito que serve à perpetuação das desigualdades socioeconômicas com modulação racial. A tese do povo brasileiro como miscigenação do branco, do indígena e do negro – o mestiço como o substrato da brasilidade – camufla a nossa história, que é a da explícita hegemonia do branco. A elite branca predomina nos cargos públicos de alto escalão, nas chefias empresariais e na direção da grande imprensa.

Negar a existência do racismo no Brasil é esquecer a desmesurada escravidão, que forjou os primeiros séculos desta sociedade. Como se, da abolição aos dias de hoje, aquela multidão de escravos tivesse sido incluída na partilha da produção de bens sociais. Não. A travessia formal do escravo ao negro liberto deu-se sem política de inclusão digna de nota. Manteve-se a posição explorada, subalterna, marginal, sob ininterrupta disciplina policial e preconceito racial. Da capoeira ao samba, do hip hop ao funk. No racismo, trata-se de reconhecer a ligação concreta entre a situação desvantajosa do escravo e a situação desvantajosa do negro no presente.

Argüir que cientificamente não há como definir a raça é tão estúpido quanto afirmar que o negro não existe. A raça não é um conceito biológico. A raça envolve noções culturais, econômicas e políticas. O negro existe. É o resultado de um processo de exploração atravessado por migrações forçadas, alienação do trabalho e repressão violenta, que não cessou até hoje e no qual a cor — seja ela "parda", "mulata", "escura", "morena" – é somente uma manifestação.
A cota puramente econômica não é suficiente. Mesmo que, em princípio, o branco-pobre tenha as mesmas chances do negro-pobre, eles não têm as mesmas chances na sociedade

A ação afirmativa não fomenta o racismo, porém o reconhece para daí se fazer justiça frente a seus efeitos. Fingir que as diferenças não existem não as faz desaparecer como por mágica. O caso não é eliminar as diferenças raciais, mas não permitir que elas sigam refletindo brutais desigualdades. Se reconhecer a obviedade de que existam raças é racismo, então é necessário por assim dizer ser "racista", pois só assim se poderá viabilizar a discriminação positiva.

Alegar que a cota racial é incompatível com a república, por causa da cidadania formal, é viver num mundo abstrato de conto-de-fadas, que favorece a perpetuação das disparidades e da injustiça. A igualdade formal achata as diferenças materiais que são a própria substância da justiça. Tratar os desiguais na medida da desigualdade... Absolutizar a meritocracia é consagrar o egoísmo e o individualismo. Ademais, a meritocracia sozinha é injusta, porque o concurso é uma fotografia que não capta a estrutura socioeconômica e familiar, que também determina o preparo dos concursandos. O concurso não pode ser um critério exclusivo.

A cota puramente econômica não é suficiente. Mesmo que, em princípio, o branco-pobre tenha as mesmas chances do negro-pobre no vestibular, eles não têm as mesmas chances na sociedade como um todo. A Universidade não é um microcosmo nem uma torre de marfim, como a enxergam muitos intelectuais. A universidade conecta-se à sociedade. A sociedade justa depende do ensino justo, que por isso mesmo é o melhor ensino.

Defender a melhoria genérica do ensino fundamental e médio como medida "menos gravosa" às quotas significa mandar a ação afirmativa às calendas gregas, perpetuando a ditadura racial. Uma coisa é diferente da outra. As duas políticas não se excluem, elas se complementam. Passaram-se muitos anos de desídia e hipocrisia nessa questão. A exigência é realizar a democracia racial – no concreto das diferenças – não daqui a cem, vinte ou dez anos, mas aqui e agora. Já!

A militância dos movimentos negros é a melhor maneira de fazer frente à opressão racial. Através da resistência, manifesta seu projeto de justiça e se define como sujeito político. Mais do que em um catálogo de diferenças empíricas, é na própria luta comum que se assenta a singularidade da raça. Expressa-a perante uma sociedade que – da esquerda à direita, a juventude inclusive – não lhe endossa e, quando o faz, resume-se à cômoda indignação.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Software livre, pós-capitalismo e... negócios

Encontro da comunidade brasileira ligada ao GNU/Linux reúne público recorde, confirma papel destacado do país na luta pela liberdade de conhecimento e revela: é possível ganhar a vida, criar e empreender praticando uma lógica oposta à da propriedade privada e do interesse egoísta
(23/04/2008)
De 17 a 19 de abril, em Porto Alegre, o 9º Fórum Internacional Software Livre – FISL 9.0 – reuniu mais de 7,4 mil participantes de 21 países no Centro de Eventos da PUCRS. Desavisados encarariam o evento como um encontro de nerds e fissurados por jogos, acessórios tecnológicos e programas de computador que quase ninguém usa. Ledo engano: no FISL, o maior encontro da área de tecnologia da informação na América Latina, a escolha pelo código aberto revela-se muito mais estratégica do que meramente técnica.
Ao confirmar o Brasil na posição de líder latino-americano no uso, no desenvolvimento e na disseminação do software livre, o 9º FISL mostrou que o código aberto é um potente denominador comum entre hackers, gestores do governo, pesquisadores, empresários e militantes de esquerda no País e no cenário internacional. O clima descontraído do evento, em que os hackers fizeram a festa, crianças circulavam com seus XO, representantes de movimentos sociais se manifestavam e um mestre de cerimônias vestido de pingüim fazia pose para todas as câmeras deu a muitos jornalistas a impressão de que o público se compunha maciçamente de estudantes. Mais um engano: os números consolidados do FISL 9.0 mostram que profissionais e empresários foram o público principal do evento, representando 73% dos participantes.
(JPG)
"Encontro da comunidade brasileira ligada ao GNU/Linux reúne público recorde"
Para além da possibilidade de ter acesso ao código do programa que se usa, o lema da comunidade do software livre é compartilhar conhecimento e informação. Esse é o ponto de partida que fez o FISL deslanchar desde 2000, e atingir público recorde em 2008. Atraindo atores importantes entre os que constroem e os que decidem sobre o uso do software livre, a nona edição do FISL acaba de confirmar que no Brasil a opção pelo código aberto consolidou-se em setores que se complementam: governo, comunidades da área de desenvolvimento de softwares e mercado. Por paradoxal que pareça, o evento impressionou pela presença de pesos pesados da indústria da informática e da tecnologia da informação, associados em sua maioria ao software proprietário. UOL, Terra, Telefônica, Google, Globo.com, Intel, Sun Microsystems e Yahoo Brasil foram algumas das empresas que participaram do evento, comprovando que o software livre provocou transformações importantes no mercado.
Não há nenhuma contradição em usar o software livre para fazer dinheiro, dizem os empresários que circularam pelos stands do FISL 9.0. Esse é também o ponto de vista do diretor sênior de estratégias para governo da Sun Microsystems nas Américas, Luiz Fernando Maluf. Para ele, a opção pelos sistemas abertos é um modelo de negócios. "Posso provar matematicamente que funciona", diz, dando como exemplo o programa aberto Java, criado pela Sun e que conta hoje com cerca de 30 milhões de desenvolvedores espalhados pelo mundo. A seu ver, a Sun não atingiria o patamar atual – a companhia conquistou o terceiro lugar no mercado global de servidores – se tivesse optado por obter lucro em cima de registro de patentes. Ele explica que o envolvimento de tanta gente com o programa reduz o custo do desenvolvimento e acelera a chegada de cada novo produto ao mercado. O diretor sênior de estratégias para governo da Sun Microsystems nas Américas considera que o modelo de negócios baseado no registro de propriedade intelectual está com os dias contados.

Alternativa à propriedade intelectual: é possível ganhar dinheiro com software livre. Mas o conhecimento é livre. O que cada um desenvolve, a todos pertence

O novo modelo, baseado em serviços e não mais em patentes explica o trabalho de sedução feito por grandes empresas, que aproveitaram o FISL para prospectar talentos da comunidade do software livre. "Desenvolvedores de software livre trabalham por paixão", descreve a administradora de sistema Unix Fernanda Weiden, 26 anos, que, ao fazer uma palestra sobre software livre na Alemanha, em 2005, recebeu uma proposta da Google, onde ainda trabalha. Nos stands das empresas, anunciam-se vagas dentro e fora do país. Graduação e familiaridade com interoperabilidade Windows/Unix são pré-requisitos incontornáveis, mas muitos desenvolvedores são contratados sem ter terminado o curso universitário. Ao que as empresas consultadas no evento indicam, os salários para desenvolvedores oriundos do software livre são mais interessantes. Um jovem profissional em início de carreira pode começar ganhando R$ 4 mil.
Usuários de programas livres, com código aberto, têm a possibilidade de entender como funciona o programa e de alterar a área em que estão registradas as informações que fazem o programa funcionar — o chamado código-fonte. Empresas públicas e privadas podem ter, assim, controle sobre a tecnologia que usam, adaptando os softwares às suas necessidades específicas. Dessa forma, auditorias podem ser feitas com transparência e sem a intermediação de companhias que detêm as informações sobre o programa usado, e cobram caro pela licença para usar seus programas. A General Public License (GPL), que em português significa Licença Pública de Uso Geral, é a licença mais popular para software livre. Permite que qualquer um copie, distribua, modifique e estude um programa. A GPL também determina que nenhum usuário pode se apropriar das modificações que faz no programa. Melhorias são de uso comum e já não pertencem a ninguém. Dessa forma, a lógica do software livre faz a prestação de serviço valer mais do que o produto estanque.
"Vou contar para vocês por que o software livre vai vencer. Não se trata de saber se vai vencer, mas quando", avisa o presidente da Linux International, Jon "Maddog" Hall. Para ele, a queda dos preços dos computadores destoa do alto custo de softwares, que se tornam rapidamente obsoletos e cuja produção baseada no código fechado não consegue competir com os softwares construídos a partir de um modelo colaborativo. Hall percebe o desempenho do Brasil no desenvolvimento e na disseminação de programas em código aberto como fruto de um encontro feliz entre governo, indústria e a comunidade do software livre. Para ele, o Brasil é exemplar em se tratando de desenvolver soluções em larga escala com softwares de código aberto. Ele considera a Caixa Econômica Federal como um dos exemplos mais emblemáticos em se tratando de uso do software livre em larga escala na América Latina.
No Brasil, programas em código aberto vêm sendo adotados tanto em iniciativas públicas quanto no setor privado, afetando a vida até mesmo de quem não usa computador. Quem paga as contas ou vai fazer uma aposta usando terminais instalados nas Casas Lotéricas da Caixa Econômica Federal (CEF) está usando o sistema operacional o Linux, com a distribuição Debian. Saber isso não faz muita diferença, opina o gerente de tecnologia da informação Júlio Schneiders Neto, da Caixa. Para ele, o importante para o usuário é perceber que o uso do código aberto deixou os terminais mais ágeis e aumentou a qualidade das transações nos momentos de pico. "Antes de migraramos para o código aberto, uma transação durava em média 8 a 10 segundos. Agora, a média fica entre 3 e 4 segundos. Essa diferença representou, no ano passado, um incremento de 17% na quantidade de transações em todos os nossos terminais lotéricos", conta Júlio Schneiders Neto.

Órgãos públcios, grandes empresas privadas e estatais, entram na dança. A Caixa economizou 10 milhões e tornou-se muito mais rápida. E o software livre chega às urnas eletrônicas

Em 2006, a CEF livrou-se do monopólio da multinacional Gtech, prestadora de serviços que dominava o sistema de processamento de dados de nove mil loterias espalhadas pelo Brasil. A Caixa migrou todos os seus cerca de 25 mil terminais financeiros lotéricos — que executam também diversas operações bancárias — para o sistema operacional Linux. "Só com licenças coorporativas, que deveriam ser pagas pelo uso de softwares proprietários, economizamos cerca de 10 milhões de reais desde então", calcula o gerente de tecnologia da informação da Caixa Econômica Federal.
A partir das próximas eleições municipais, quem vota também estará usando software livre, já que a Justiça Eleitoral está migrando todas as 430 mil urnas eletrônicas do Brasil para uma distribuição Linux. Técnicos estão desenvolvendo uma distribuição Linux própria para uso nas eleições brasileiras, de forma a fazer com que o sistema fique mais seguro e possa ser controlado exclusivamente pela Justiça Eleitoral. A decisão de migrar para uma distribuição Linux visa atender a legislação brasileira, que determina o uso de tecnologia não proprietária em áreas estratégicas. Optar pelo código aberto também vai otimizar gastos para o Erário: o TSE estima que só nas eleições deste ano serão economizados R$ 4 milhões em licenças de software e contratos de suporte.
"O mal não está nos sistemas proprietários em si e sim no monopólio deles", ressalta o governador do Paraná, Roberto Requião. Ele anunciou durante o FISL que, dentro de um mês, a telefonia privada do Estado será substituída por um sistema que utiliza voz sobre IP e software livre por meio da infra-estrutura de infovias da Copel, empresa estadual de energia. O novo sistema de telefonia foi desenvolvido pela empresa de tecnologia do Estado, a Celepar, que promete uma velocidade cinco vezes maior na rede e um custo de manutenção cinco vezes menor. Com a medida, Requião estima uma economia de 100 milhões de reais por ano para o Estado do Paraná. Valendo-se de uma lei estadual que estabelece preferência por softwares livres nas compras do governo, Requião comemora o fato de 80% dos contratos do governo do Paraná envolverem software livre. Calcula que, no Paraná, 200 milhões de reais deixaram de ser gastos desde 2003 por causa da implantação de sistemas de software livre.
Paraná e Rio Grande do Sul são Estados pioneiros em se tratando da preferência pelos programas em código aberto, tendência na qual o governo federal está apostando, ao definir novas regras para contratar serviços no setor de tecnologia da informação. Uma instrução normativa em processo de consulta pública privilegia soluções livres, sua publicação e seu compartilhamento por meio do portal do software público. Enquanto isso, o governo não apenas usa, mas também disponibiliza soluções que envolvem programas em código aberto. Para o gerente de Inovações Tecnológicas do Ministério do Planejamento, Corinto Meffe, o governo brasileiro está atendendo a demandas reprimidas da sociedade, ao oferecer soluções e prestação de serviços com ferramentas do software livre no Mercado Público Virtual, inaugurado durante o FISL 9.0. No site, órgãos de governo, universidades, pessoas físicas e jurídicas poderão oferecer e adquirir softwares e serviços de treinamento. A intenção é oferecer um catálogo de prestadores de serviço para as 16 soluções livres disponíveis no Portal do Software Público.
Meffe menciona o sucesso do software livre Cacic, o Configurador Automático de Informações Computacionais, um programa que supervisiona e realiza auditoria nas máquinas do serviço público. "Trata-se da primeira ferramenta disponível no portal do Software Público Brasileiro e o primeiro GPL do governo", lembra. A ferramenta foi desenvolvida pela Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) e oferecida como um software público à sociedade pela secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento. Com a versão GPL, ficou assegurado que a Dataprev é a mantenedora-raiz do software, tendo portanto direito de receber de volta todas as inovações que forem introduzidas pelos usuários. O Cacic tem agora mais de nove mil pessoas cadastradas e reúne mais de 730 prestadores de serviço, além de ter a participação de oito países e algumas prefeituras latino-americanas, como Montevidéu e Assunção.


A Construção da Igualdade (parte 1 e 2)

Vídeo de José Carlos Asbeg nos ajuda a entender a história da luta do movimento negro no Brasil, trazendo à luz figuras históricas da estirpe de João Cândido e Zumbi dos Palmares. Com depoimentos de intelectuais, ativistas, políticos e artistas negros o vídeo nos possibilita pensar a realidade "racial" brasileira e serve como um instrumento importante para a aplicação da Lei número 10639 nas escolas brasileiras.



Negras Geografias

O NEPEC (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura), através dos projetos GEO-ARQUIVO e Roteiros Geográficos do Rio, do Instituto de Geografia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), realizará no dia 13 de maio de 2008, terça-feira, o evento intitulado:

“Negras Geografias”,

apresentando os seguintes segmentos em homenagem aos 120 anos da Abolição da Escravatura:
# “Caminhando por Negras Geografias no Centro do Rio”;
# “Negros e Geográficos Pulsares em Certos Versos e Eternas Canções”;
# Mesa Redonda: “Negras Trajetórias”.

Neste contexto, o roteiro intitulado "Caminhando por Negras Geografias no Centro do Rio" terá como ponto de encontro a estação do metrô Praça Onze, às 9 da manhã do dia 13 de maio de 2008.
Inscrições grátis roteirosgeorio@uol.com.br ou celular 8871 7238.
O itinerário obedecerá ao seguinte perfil:
Praça Onze dos bambas da Pequena África do Rio de Janeiro - Sambódromo (visita) - Terreirão do Samba/palco João da Baiana (visita) - Escola Tia Ciata - Igreja de Santana (visita) - Campo de Santana - Rua Buenos Aires - Rua Uruguaiana - Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (visita à ex catedral da cidade) - Ouvidor dos acordes iniciais do carnaval de rua - Rua do Carmo - Praça XV - Paço Imperial e de Isabel de Bragança e Bourbon
Coordenação da caminhada : Prof. Dr. João Baptista Ferreira de Mello (do Departamento de Geografia Humana da UERJ)
No mesmo dia 13 de maio, às 17 horas no Auditório 11 da UERJ, situado à Rua São Francisco Xavier 524, 1º andar, no Pavilhão João Lyra Filho, Maracanã, ocorrerá o evento "Negros e Geográficos Pulsares em Certos Versos e Eternas Canções”, com execução de músicas e exibição no telão, bem como respectivos comentários. Entrada Franca.
Às 19 horas e 30 minutos, igualmente no Auditório 11 da UERJ, terá lugar a mesa redonda "Negras Trajetórias" Presidente da mesa: Zeny Rosendahl (professora adjunta e Chefe do Departamento de Geografia Humana da UERJ) com participação de
. Vera Lúcia Couto dos Santos (Miss Brasil 1964 2o lugar - Miss Beleza Internacional 3o lugar, a "mulata bossa nova" da consagrada marchinha);
. Paulo Melgaço - escritor e pesquisador de dança;
. Vanderli Teixeira de Faria (escrivão da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos);
. Waltinho Honorato (jornalista e Diretor de carnaval da Escola de Samba Império Serrano)
. Cláudio Nascimento (Ativista Gay do Arco Íris e Conscientização Homossexual)

O evento "Negras Geografias" tem como propósito destacar a contribuição dos negros em diversos setores da realidade brasileira, bem como os lugares percorridos em suas trajetórias de vida, afora registrar depoimentos diversos sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e o significado desta data.
Comissão organizadora: Prof. Dr. João Baptista Ferreira de Mello; Profa. Dra. Zeny Rosendahl, Prof. Michel Vieira de Lima e Silva e bolsistas do NEPEC Melissa Anjos, Ivo Venerotti, Olga Maira Figueiredo, Ana Carolina Lobo Terra e Jean de Carvalho
INSCRIÇÕES GRÁTIS roteirosgeorio@uol.com.br ou informações pelo celular 8871 7238

Configurando a OI Connect(Fast) no notebook do Cabral













Bem, recebi um laptop do governo do Estado do Rio de Janeiro, como podem ver no post anterior. Instalei nele o Ubuntu e parti para configurar a internet. Sem contar com qualquer suporte da OI, pois a conexão se dá através do OI Connect(Fast), fui para os fóruns da comunidade e resolvi o problema. Bom vamos à configuração:
1) Baixe o programa Vodafone, na versão Experimental Releases no link:
https://forge.vodafonebetavine.net/frs/?group_id=12
e proceda a sua instalação, evidentemente você terá de copiá-lo em outro micro e depois instalá-lo no seu laptop.
2) Após a instalação, o vodafone aparecerá no seu menu, através do caminho aplicações/internet/vodafone.
3) Abra o programa e preencha os espaços da mesma forma como podemos ver na figura acima e pronto, você já poderá acessar a internet.

domingo, 11 de maio de 2008

Optando pelo Ubuntu no notebook do Cabral

Eu sou professor da rede estadual de ensino do Estado do Rio de Janeiro e, como todos sabem, nós professores, recebemos um notebook do governo estadual. Na verdade, um cala-boca, pois nosso salário é muito baixo. Inicialmente, esperava obter uma máquina da Positivo, mas fui surpreendido com um CCE assim configurado: Processador Intel Celeron, Tela LCD 14 WXGA, Memória Ram 512 MG ddr2 g33 MHz, Disco Rígido de 80 GB Sata, DVDW, Conexão wireless, Leitor de Cartão, Windows XP pré-instalado e com disco sobressalente do Windows Vista Starter.
O que mais lamento é que o governo estadual não tenha nos possibilitado optar pelo Linux, além de nos deixar em palcos de aranha com a possível instalação do Windows Vista Starter, caso seja necessário formatar o sistema. Afinal de contas são tantas as distros existentes, será que nenhuma delas poderia vir instalada, mesmo em dual-boot com o Windows?
Como usuário Linux tenho certeza de que seria importante para todos nós, educadores, alunos e para o próprio governo estadual, neste caso por uma questão de economia, conhecer e desfrutar das infinitas possibilidades deste sistema operacional.
Nós sabemos e a própria Microsoft já o reconhece que o Windows caminha inexoravelmente para a decadência, pois apresenta um modelo de tecnológia ultrapassado. A cultura livre, o compartilhamento de informações, a criatividade e a liberdade trazida pelo código livre vieram para ficar e já demonstram a sua força perante o modelo tecnológico proprietário.
Como força impulsionadora de novas políticas públicas caberia ao governo antecipar-se a esta nova realidade, e proceder ao que seria o início de uma verdadeira revolução na política educacional, não só do Estado do Rio de Janeiro, mas do Estado brasileiro como um todo, ainda mais sendo a atual secretária de educação uma pessoa ligada ao Proderj, a empresa de processamento de dados do Estado do Rio de Janeiro.
Apesar de tudo isso, já estou usufruindo do Ubuntu no meu laptop e escrevendo este texto por seu intermédio, isto depois de muito pesquisar para configurar a internet, que traz o Oi Connect(Fast) como porta de acesso a rede e sem contar com qualquer tipo de suporte da OI. Bem, mas isso é outra história.

terça-feira, 6 de maio de 2008

João Pedro Stedile: Pelo direito de todos - se manifesta sobre as cotas

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST

Uma democracia se mede pela igualdade de oportunidades e direitos que todos os seus membros têm sobre as questões fundamentais da vida. Assim, todos, independentemente de renda, cor, etnia, religião, idade ou opção sexual, deveriam ter as mesmas oportunidades de educação, de trabalho, de renda, de moradia digna, de lazer, de cultura, de terra! Infelizmente, o Brasil é a sociedade mais desigual do planeta. Uma imensa maioria é pobre e não tem as mesmas oportunidades, e uma minoria de 10% concentra riqueza, renda e direitos!. Somos também uma das sociedades mais injustas e menos democráticas.

Alguém já foi atendido por algum médico negro, de origem pobre? Alguém já viu algum piloto de avião, algum dentista, algum empresário, algum construtor negro?

O governo Lula e algumas universidades resolveram adotar um critério de garantir certas cotas de acesso de estudantes pobres e negros às universidades. Deveríamos ter o direito de todos entrar. Como na Coréia do sul, onde 97% dos jovens estão na universidade.

Aqui, temos apenas 8% e mais de 70% deles em escolas particulares, que transformaram a educação em mero negócio. Cobram pesadas mensalidades e os estudantes, iludidos, compram apenas um diploma.

O sistema de cotas virou um “escândalo”. A direita se alvorossou. A classe média se diz “injustiçada”. E agora tem até um manifesto de intelectuais, contra. Deixem de hipocrisia, não aceitam a universalização do ensino superior e ainda são contra que alguns poucos pobres entrem!

As cotas não resolvem, mas ajudam. Não são a solução verdadeira, mas podem contribuir para conscientizar as massas de seus direitos. Não é por nada que o Brasil foi o último país a libertar-se da chaga da escravidão, em 13 de maio de 1888.

Retirado do link:
http://odia.terra.com.br/opiniao/htm/joao_pedro_stedile_pelo_direito_de_todos_168795.asp

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Nota de repúdio da Fundação Palmares às declarações do ex-coordenador do Colegiado de Cursos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia

05/05/2008
Nota Pública

A Universidade Pública Brasileira não pode ser palco de ações discriminatórias

A Fundação Cultural Palmares, responsável pela preservação, valorização e difusão das manifestações culturais de origem negra no Brasil, por meio da sua diretoria colegiada, vem a público expressar a sua profunda indignação com as opiniões e comentários do Professor Doutor Antônio Natalino Dantas, coordenador do Colegiado de Cursos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Ofensivos, discriminatórios e preconceituosos, os comentários do Professor Natalino responsabiliza os baianos com um todo e os afro-descendentes no particular, pelo baixo desempenho dos estudantes da Faculdade de Medicina no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE).

Este episódio torna-se mais grave pelo fato de o referido professor ocupar cargo de relevância na estrutura universitária brasileira, eleito pelos seus pares. Revelou-se ainda a força do preconceito e do racismo ainda presentes na sociedade brasileira, notadamente em espaço que deveria ser a linha de frente da defesa da igualdade e da diversidade - a Universidade Pública brasileira. Os comentários do Professor Natalino merecem ainda o repúdio por que expressam não apenas uma opinião pessoal ou um deslize momentâneo, mas o pensamento, ainda vigente no Brasil, de que a presença dos afro-descendentes e sua contribuição para a formação do país é um elemento menor e negativo do ponto de vista civilizatório.

Quanto às cotas para negros nas universidades públicas brasileiras, a opinião preconceituosa do professor, responsabilizando os cotistas pelo baixo desempenho no ENADE, é a que tem balizado a exclusão dos negros do ensino superior no Brasil. Não há nenhuma prova, por mais tênue que seja, de que sua afirmação seja verdadeira. Pelo contrário, pesquisas, estatísticas e o desempenho dos cotistas têm apontado que o aproveitamento escolar dos estudantes cotistas tem sido igual ou superior aos não-cotistas. Portanto, continuar a luta contra a discriminação racial, ampliar os mecanismos de acesso ao ensino superior para os afro-descendentes e implementar as políticas de ações afirmativas em todos os campos do conhecimento será a resposta mais efetiva que a sociedade baiana poderá dar a estas manifestações de preconceito e discriminação.

Por fim, a Fundação Cultural Palmares expressa a sua mais profunda solidariedade com a posição adotada pelo Reitor da Universidade Federal da Bahia, Professor Naomar Almeida, na certeza de que o seu firme posicionamento pelo afastamento do Professora Natalino da coordenação do Colegiado de Cursos será acolhido pela egrégia Congregação da Faculdade de Medicina. Aliado a isto temos a convicção de que a luta pela melhoria da qualidade do ensino superior no Brasil e a democratização do acesso, consolidado pelo atual governo continuarão caminhando lado a lado.

Zulu Araújo
Presidente da Fundação Cultural Palmares

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Assessoria de Comunicação
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Marília Matias de Oliveira - marilia.oliveira@palmares.gov.br
Marcus Bennett - marcus.bennett@palmares.gov.br
Telefones: (61) 3424-0164/ 0165/ 0166

Como instalar o Gnome no Kurumin NG

1) Instalei o synaptic (apt-get install synaptic)

2) Removi tudo quanto é tranqueira do gnome (não tinha nada, obviamente) com apt-get remove --purge gconf2

3) Desinstalei tudo o que não ia usar do Kurumin com o synaptic (não desistalei o KDE. Não faça isso).

4) Utilizei o comando deborphan para verificar se não haviam pacotes orfãos que poderiam ser deletados

5) Dei um apt-get dist upgrade para atualizar totalmente o Debian (e fui tomar um café do outro lado da cidade)
:: Os arquivos baixados estão em /var/chache/apt/archives

6) Usei apt-get install gnome-core gconf-editor evolution epiphany-browser bug-buddy
:: Para a instalação do gnome e alguns programinhas úteis

7) apt-get install gdm para instalar o Gnome Display Manager
:: Dá pra verificar qual é o padrão pelo comando: update-alternatives --config x-window-manager

Maiores informações no link:
http://www.forumpcs.com.br/viewtopic.php?t=39693

domingo, 4 de maio de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Sharon Jones & Charles Walker - Summertime


Com toda a minha alma!!!

Software livre não é ideologia, diz executivo da Sun

Para a Sun, será muito difícil sobreviver no modelo de negócios baseado em royalties. Luiz Fernando Maluf, diretor sênior de estratégias para governo da Sun nas Américas, afirma que "algumas pessoas acham que a opção pelos sistemas abertos é ideológica; estão completamente enganados: é um modelo de negócios, matemático".

"O que algumas pessoas não percebem é que existem dois modelos de negócios na área de tecnologia neste momento", afirmou à Reuters durante o 9o. Fórum Internacional de Software Livre. No caso do processo tradicional, baseado em registro de patentes, "a maior restrição é a velocidade de inovação", opinou.
Mais informações no link:
http://www.bestlinux.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3904&Itemid=162

70% do software utilizado no Brasil é produzido no exterior, diz estudo

Cerca de 70% do software utilizado no Brasil é produzido no exterior segundo o estudo Tributação e Desenvolvimento no Setor de Software Brasileiro divulgado nesta quarta-feira pela Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software).
“Pouco mais de 20% dos softwares são produzidos localmente sob encomenda”, complementa Maílson da Nóbrega, presidente da consultoria Tendências, autora do estudo.
Mais informações no link:
http://www.bestlinux.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1781&Itemid=162
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