Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Para aqueles que continuam acreditando ... num mundo melhor: Marcelo D2 - 1967


Eh mané!!!

CARTA DE MAPUTO: 5ª Conferência Internacional da Via Campesina

Maputo, a capital de Moçambique, foi a sede da 5ª Conferência Internacional da Via Campesina. Mais de 600 camponesas e camponesas de 60 países se reuniram dos dias 16 a 23 de outubro para discutir a situação da agricultura, apontando que a saída para o problema da fome é a Soberania Alimentar. Em contraponto ao modelo do agronegócio, que não garante a sobrevivência digna dos povos do campo, nos articulamos para lutar pela reforma agrária, preservação da biodiversidade, da água, das sementes, da agricultura camponesa.

A Via Campesina é uma articulação de movimentos camponeses, e está presente em quatro continentes No Brasil, o MST compõe a Via com o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), PJR (Pastoral da Juventude Rural), CPT (Comissão Pastoral da Terra), Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), Feab (Federação dos Estudantes de Agronomia), PJR (Pastoral da Juventude Rural), indígenas e quilombolas.

Além da conferência, participamos da 3ª Assembléia das Mulheres da Via Campesina, onde lançamos uma Campanha Mundial pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Também nos somamos à 2ª Assembléia de Jovens, e apontamos o grave problema do êxodo rural.

As camponesas e os camponeses oferecem saídas concretas para a crise criada pelo modelo do agronegócio, que aumenta a concentração de riquezas e a fome no mundo.

Confira abaixo a carta de Maputo.

Coordenação Nacional do MST

CARTA DE MAPUTO
5ª Conferência Internacional da Via Campesina

Maputo, Moçambique, 19-22 de Outubro, 2008

O mundo inteiro está em crise

Uma crise multi-dimensional. De alimentos, de energia, de clima e de finanças. As soluções que o poder propõe – mais livre comércio, sementes transgênicas, etc – ignoram que a crise resulta do sistema capitalista e do neoliberalismo. Essas medidas somente aprofundarão seus impactos. Para encontrar soluções reais, temos que olhar para a Soberania Alimentar que propõe a Via Campesina.

Como chegamos na crise?

Nas últimas décadas, vimos o avanço do capitalismo financeiro e das empresas transnacionais, sobre todos os aspectos da agricultura e do sistema alimentar dos países e do mundo. Desde a privatização das sementes e a venda de agrotóxicos, até a compra da colheita, o processamento dos alimentos, transporte, distribuição e venda ao consumidor, tudo já está em mãos de um número reduzido de empresas.

Os alimentos deixaram de ser um direito de todos e todas, e tornaram-se apenas mercadorias. Nossa alimentação está cada vez mais padronizada em todo mundo, com alimentos de má qualidade, preços que as pessoas não podem pagar. As tradições culinárias de nossos povos estão se perdendo.

Também vemos uma ofensiva do capital sobre os recursos naturais, como nunca se viu desde os tempos coloniais. A crise da margem de lucro do capital os lança numa guerra de privatização que os leva nos expulsar, camponeses, camponesas, comunidades indígenas, roubando nossa terra, territórios, florestas, biodiversidade, água e minérios. Um roubo privatizador.

Os povos rurais e o meio ambiente estão sendo agredidos. A produção de agrocombustíveis em grandes monocultivos industriais também é razão dessa expulsão, falsamente justificada com argumentos sobre crise energética e climática. A realidade atrás das últimas facetas da crise tem muito mais ver com a atual matriz de transporte de longa distância dos bens - e individualizado em automóveis - do que com qualquer outra razão.

Com a crise dos alimentos e com a crise financeira, a situação torna-se mais grave. A crise financeira e a crise dos alimentos estão vinculadas à especulação do capital financeiro com os alimentos e a terra, em detrimento das pessoas. Agora, o capital financeiro está desesperado, assaltando os cofres públicos para dominuir seus prejuízos. Os países serão obrigados a fazer ainda mais cortes orçamentários, condenado-os a maior pobreza e maior sofrimento.

A fome no mundo segue a passos largos. A exploração e todas as violências, em especial a violência contra a mulher, espalham-se pelo mundo. Com a recessão econômica nos países ricos, aumenta a xenofobia contra os trabalhadores e trabalhadoras migrantes, com o racismo tomando grandes proporções e com o aumento da repressão. Os jovens têm cada vez menos oportunidades no campo. Isso é o que o modelo dominante oferece.

Ou seja, tudo vai de mal a pior. Contudo, no seio da crise, as oportunidades se fazem presentes. Oportunidades para o capitalismo, que usa a crise para se reinventar e encontrar novas formas de manter suas taxas de lucro, mas também oportunidades para os movimentos sociais, que defendemos a tese de que o neoliberalismo perde legitimidade entre os povos.

As instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, FMI, OMC) estão mostrando sua incapacidade de administrar a crise (além de serem parte dos motivos da crise), criando a possibilidade que sejam desarticuladas e que outras instituições reguladoras a economia global surjam e que atendam outros interesses. Está claro que as empresas transnacionais são os verdadeiros inimigos e estão atrás das crises.

Está claro que os governos neoliberais não atendem aos interesses dos povos. Também está claro que a produção mundial de alimentos controlada pelas empresas transnacionais, não se faz capaz de alimentar o grande contingente de pessoas neste planeta, enquanto que a Soberania Alimentar baseada na agricultura camponesa local, faz-se mais necessária do que nunca.

O que defendemos na Via Campesina frente a esta realidade?

- A soberania alimentar: Renacionalizar e tirar o capital especulativo da produção dos alimentos é a única saída para a crise dos alimentos. Somente a agricultura camponesa alimenta os povos, enquanto o agronegócio produz para a exportação e sua produção de agrocombustíveis é para alimentar os automóveis, e não para alimentar gente. A Soberania Alimentar baseada na agricultura camponesa é a solução para a crise.

- Frente às crises energéticas e climáticas: a disseminação de um sistema alimentar local, que não se baseia na agricultura industrial nem no transporte a longa distância, eliminaria até 40% das emissões de gases de efeito estufa. A agricultura industrial aquece o planeta, enquanto a agricultura camponesa desaquece. Uma mudança no padrão do transporte humano para um transporte coletivo e outras mudanças no padrão de consumo, são os passos a mais, necessários para enfrentarmos a crise energética e climática.

-A Reforma Agrária genuína e integral, e a defesa do território indígena são essenciais para reverter o processo de expulsão do campo, e para disponibilizar a terra para a produção de alimentos, e não para produzir para a exportação e para combustíveis.

-A agricultura camponesa sustentável: somente a produção camponesa agroecológica pode desvincular o preço dos alimentos do preço do petróleo, recuperar os solos degradados pela agricultura industrial e produzir alimentos saudáveis e próximos para nossas comunidades.

-O avanço das mulheres é o avanço de todos: o fim de todos os tipos de violência para com as mulheres, seja ela, física, social ou outras. A conquista da verdadeira paridade de gênero em todos os espaços internos e instâncias de debates e tomada de decisões são compromissos imprescindíveis para avançar neste momento como movimentos de transformação da sociedade.

- O direito à semente e à água: a semente e a água são as verdadeiras fontes da vida, e são patrimônios dos povos. Não podemos permitir sua privatização, nem o plantio de sementes transgênicas ou de tecnologia terminator.

- Não à criminalização dos movimentos sociais. Sim à declaração dos Direitos dos Camponeses e Camponesas na ONU, proposta pela Via Campesina. Será um instrumento estratégico no sistema legal internacional para fortalecer nossa posição e nossos direitos como camponeses e camponesas.

- A juventude do campo: É necessário abrir, cada vez mais, espaços em nossos movimentos para incorporara força e a criatividade da juventude camponesa, com sua luta para contruir seu futuro no campo.

- Finalmente, nós produzimos e defendemos os alimentos para todos e todas.

Todos e todas participantes da V Conferência da Via Campesina nos comprometemos coma defesa da agricultura camponesa, com a Soberania Alimentar, com a dignidade, com a vida. Nós colocamos à disposição do mundo as soluções reais para a crise global que estamos enfrentando hoje. Temos o direito de continuarmos camponeses e camponesas, e temos a responsabilidade de alimentar nossos povos.

Aqui estamos, nós os camponeses e camponesas do mundo, e nos negamos a desaparecer.

Soberania Alimentar JÁ! Com a luta e a unidade dos povos!
Globalizemos a luta! Globalizemos a esperança!

VIA CAMPESINA INTERNACIONAL

Mais informações no site do MST:
http://www.mst.org.br/mst/home.php

domingo, 26 de outubro de 2008

Oficinas itinerantes do Afroreggae vão invadir comunidades do Complexo do Alemão

OFICINAS ITINERANTES DO AFROREGGAE VÃO INVADIR COMUNIDADES DO COMPLEXO DO ALEMÃO
Christine Keller e Paula Dias . AfroReggae e Approach . 24/10/2008


Oficinas de dança, percussão e circo invadem várias comunidades do Complexo do Alemão a partir desta segunda-feira, 27 de outubro. Trata-se do projeto Oficinas Itinerantes do AfroReggae.

A cada semana, os monitores do AfroReggae visitarão uma comunidade do Complexo. O bairro Nova Brasília será o primeiro a ser atendido, seguido pela Fazendinha. As outras comunidades agraciadas são: Morro da Baiana, Morro dos Mineiros, Morro do Sapo, Morro do Alemão, Reservatório, Morro do Itararé, Conjunto das Palmeiras, Morro das Palmeiras e Morro do Adeus.

O AfroReggae está presente na Grota desde agosto de 2007. O GCAR vê as Oficinas Itinerantes como um projeto-piloto para a expansão de suas atividades para essas outras localidades. “Desde que chegamos aqui no Complexo, os moradores que vivem distante da Grota nos pedem para ampliarmos nosso raio de ação. As tendas são uma oportunidade de levarmos as atividades a eles, captar multiplicadores e reforçar a idéia junto a parceiros para que possamos atender a mais pessoas”, explica Chico Olliveira, coordenador do Núcleo do AfroReggae no Complexo do Alemão.

Programação

As oficinas itinerantes acontecerão sempre às segundas-feiras e terças-feiras, nos turnos de manhã e tarde, durante onze semanas. Os monitores são os mesmos que ministram aulas na sede da Grota. Nas manhãs de segunda-feira haverá aulas de circo e dança às 9h; já na parte da tarde, haverá dança às 13h e circo às 15h. As aulas de percussão acontecem às terças-feiras, às 10h e 14h.

Foto: O Bloco do AfroReggae mostrando que a percussão é um dos pontos fortes entre muitos outros das oficinas do AfroReggae, quando se apresentaram no Complexo do Alemão, Carnaval de 2008. Foto de Rodrigo Gorosito

Texto: Christine Keller (AfroReggae) e Paula Dias (Approach)

Mais: http://www.afroreggae.org.br/sec_news_list.php

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

CONVITE NANDYALA Livraria & Editora

Repassado por Vanda Maria Ferreira/Ouvidoria/Petros_Sede/BR
Lançamento de livro e performance poética
Momento de poesia, ancestralidade, feminilidade e resistência negra.



Conceição Evaristo

"Poemas da recordação e outros movimentos"

23/10/2008, quinta-feira, Belo Horizonte
NANDYALA Livraria
Av. do Contorno, 6.000 / Loja 1 - Savassi, BH
20h

30/10/2008, quinta-feira, Rio de Janeiro
KITABU Livraria Negra
Rua Joaquim Silva, 17 - Lapa, RJ
19h

Aguardamos você e seus amigos. Solicitamos divulgar.



Encontro com Léa Garcia


dia 24 de outubro, sexta-feira, às 19 horas

reserve seu lugar, pelo e-mail keratuar@gmail.com

O evento consta de:
1 - Lançamento do curta-metragem de Raul La Banca
"HOJE TEM RAGU" - com Alexandre Moreno, Dani Ornellas e Léa Garcia

2 - Entrega do troféu ganho pela Léa Garcia em Gramado por este curta

3 - Pré-Lançamento do documentário de Júlio Lellis sobre Léa Garcia

Local: Universidade Estácio de Sá, Campus Rebouças
Rua do Bispo - Rio Comprido ? Sala de Cinema
Próximo à Av. Paulo de Frontin ? Clique para ver o mapa da rua.
ENTRADA FRANCA
Informar presença para lista de convidados pelo e-mail: keratuar@gmail.com

Flávio Rocha - flaviorocha81841932@gmail.com
Produtor Cultural
keratuar.blogspot.com
21-9680-4040 / 21-8184-1932

____________________________

PARA RESPONDER, por favor, copie o endereço leliagonzalez@leliagonzalez.org.br
ou podermulher@terra.com.br e fale conosco.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A crise financeira global tem uma causa social: os baixos salários mundiais


Esta entrevista demonstra como o enfraquecimento do movimento sindical e a conseqüente redução salarial dos trabalhadores em nível global nos permite compreender a crise internacional atual.

por Emiliano Brancaccio [*]
entrevistado por Waldemar Bolze

O sr. sustenta que a crise financeira não é um fenómeno puramente técnico, mas tem uma causa social. Por que?

O ponto de partida é a fraqueza do movimento trabalhista, a qual tornou possível um mundo de salários baixos. Contudo, este muto é estruturalmente instável, o que estamos agora principiando a experimentar. Hoje todos os países tentam manter o nível de salário baixo, diminuindo portanto a procura interna, e têm de encontrar mercados externos para os seus próprios produtos.

Este mecanismo funcionou durante os últimos dez anos porque os Estados Unidos funcionaram como um "aspirador" para os produtos excedentes de outros países. E não porque os salários dos trabalhadores fossem demasiado altos e sim porque foi acumulada uma enorme dívida privada nos EUA. O sistema levou a trabalhadores a pagarem suas dívidas hipotecárias com novos empréstimos e a pagarem os juros dos empréstimos com novos cartões de crédito.

Poderia uma estrutura de crédito realmente tão frágil manter-se?

Isto não era senão um bomba relógio, a qual explodiu agora. As consequências são mais uma vez passadas aos trabalhadores e empregados, ao passo que os executivos da Wall Street, que fabricaram estes explosivos, podem até mesmo lucrar com isso.

Tome, por exemplo, o plano Paulson. Ele estipula que o governo vai comprar os activos arriscados dos bancos de investimento e em troca colocar dinheiro fresco à sua disposição, deixando a possibilidade de que os bancos, uma vez passada a tempestade, possam recuperar os seus títulos. Se o governo pagar preços bastante altos, os banqueiros podem finalmente embolsar um lindo lucro a expensas do orçamento do Estado.

Qual o impacto óbvio que terá esta crise?

Dependerá muito da sua duração e profundidade. Por enquanto, o establishment está a seguir uma estratégia que Giuseppe Tomasi di Lampedusa descreveu no seu livro O Leopardo: "Se quisermos que tudo permaneça na mesma, temos de mudar alguma coisa". O plano Paulson é um exemplo desta estratégia, porque consiste numa permuta de cash por dívidas, concebida para intervir o menos possível em termos de propriedade e de controle do capital bancário. O mesmo se aplica às vendas de acções preferenciais ao governo porque este restringe o direito de voto nas assembleias de accionistas.

Será que a ideologia do neoliberalismo fracassou e que os dias do capitalismo estão contados?

A ideia é divertida, mas seria ingénuo assumir um fim iminente do capitalismo. Não posso ver como tal coisa possa materializar-se. O grande ausente neste colossal estado de emergência é precisamente o movimento trabalhista. Ao invés disso, vejo a possibilidade de uma mudança no poder relativo dos lobbies das finanças para grupos de pressão política e também de lobbies ocidentais e americanos para outros asiáticos.

Podemos então falar do declínio do império americano?

Apesar da aparência e de todas as altas temporárias e dos acontecimentos a curto prazo, o declínio americano tem-se verificado de há pelo menos um quarto de século. Um sintoma deste declínio é o comportamento a longo prazo do dólar, cujo preço – convertido à divisa de hoje – em 20 anos caiu de 1,50 euro para cerca de 70 centavos de euro. Este declínio assegura desconfiança em relação ao dólar e provavelmente impedirá os EUA de desempenharem novamente o papel de "aspirador" para os produtos excedentes de outros países. Uma vez que não há um poder hegemónico internacional alternativo, há um perigo de que o sistema monetário internacional venha a encontrar-se num beco sem saída. Neste caso, o desenvolvimento desta crise poderia ganhar características realmente tempestuosas e imprevisíveis.

A entrevista original em alemão foi publicada em junge Welt , de 09/Outubro/2008.

[*] Professor de economia do trabalho na Universidade de Sannio, membro da Rifondazione Comunista, e conselheiro da maior federação italiana de sindicatos metalúrgicos, a FIOM-CGIL.

A versão em inglês encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/bolze091008.html


Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .
10/Out/08

domingo, 19 de outubro de 2008

O capitalismo obsceno

O desastre financeiro levou, na sua queda, todo o edifício ideológico dos advogados da "mundialização feliz". Estão a ser feitas constatações óbvias: a financeirização é um cancro que apodrece a vida de milhares de milhões de seres humanos e que lhes inflige uma dupla penalização. Na verdade, tudo vai ser feito para que sejam as vítimas que paguem a louça partida, e que desencalhem a situação de uma minoria de delinqüentes sociais.

Os Dez Objetivos do Milênio para o desenvolvimento visam, daqui a 2015, fazer recuar a pobreza, a mortalidade infantil, garantir o acesso à água potável, etc. Qual é o seu custo de realização para o conjunto dos países do planeta? Seria necessário um fluxo de recursos que vai de 121 bilhões de dólares em 2006 até 189 bilhões em 2051 (1). É evidentemente mais que a ajuda pública consagrada a estes objetivos, que é hoje de 28 bilhões de dólares. Mas se acumularmos as necessidades estimadas daqui a 2015, chegamos a cerca de 1,2 trilhões. Dito de outra forma, a crise financeira acaba de engolir o equivalente às somas necessárias para arrancar uma boa parte da humanidade da miséria. Entramos na era do capitalismo obsceno, e o covarde alívio das Bolsas, com o anúncio de que as finanças serão suficientemente regadas de liquidez, é uma lição de coisas que teremos todo o tempo para meditar.

Porque nada está acabado, porque as diferentes crises encaixam-se como bonecas russas. A crise propriamente financeira levou o capitalismo à beira da embolia, mas é a crise econômica que recebe o testemunho: o que está a partir de agora na ordem do dia é simplesmente a recessão econômica. O FMI acaba de rever para baixo as suas previsões (2): em 2009, o crescimento será praticamente nulo (0,5%) nos países desenvolvidos, depois de uma forte desaceleração em 2008 (1,5%). O crescimento mundial, sustentado pelos países emergentes e em desenvolvimento cairia para 3%. Para o FMI, "a retomada ainda não está à vista" e só poderá ser "gradual, quando chegar". Um tal cenário é qualitativamente o único que podemos avançar. A saída da crise financeira será, e já é, extremamente custosa e a recessão tomará imediatamente o seu lugar.

Contrariamente a outros episódios semelhantes mas de menor amplitude, a retomada da normalidade vai demorar um tempo proporcional às somas absorvidas, e o mais provável cenário é à japonesa, com uma desaceleração durável. Tanto mais que é impossível voltar aos modelos de crescimento seguidos pelos Estados Unidos, a União Européia ou mesmo a China.

Os grandes críticos empoados do capitalismo financeiro vão rapidamente voltar-se, com a violência dos que sentiram ter escapado por muito pouco, contra os seus verdadeiros adversários: vão congelar os salários em nome da "unidade nacional", promover novas reduções dos orçamentos sociais porque é preciso enxugar todo o dinheiro público desbaratado, etc.

Acrescendo à crise econômica, paira a sombra da crise sócio-ambiental. Os preços do petróleo e das matérias-primas baixaram muito, mas será que isso apagou o aumento da fome e a corrida louca ao consumo de energia? Claro que não, mas a crise imediata vai ser um pretexto para relegar para mais tarde o esforço ecológico necessário, com o argumento de que essas preocupações são, apesar de tudo, uma espécie de luxo.

Tudo isto arrisca-se a não passar como uma carta no correio (privatizado): uma vez passado o efeito de choque, a realidade vai vir ao de cima. É justo congelar os salários para poder continuar a pagar os dividendos? É normal ganhar com o custo da crise? É razoável inundar os bancos [de liquidez] sem contrapartida, e fornecer-lhes a munição para a próxima bolha? Por que foi tão difícil encontrar 3 mil milhões para o RSA (Revenu de Solidarité Active, ou rendimento de solidariedade ativa, um fundo público de assistência social), quando bastou um estalar de dedos para encontrar a mesma quantia para salvar o banco Dexia? A partir de todas estas questões, um verdadeiro projeto de transformação social pode ganhar em credibilidade, a partir desta idéia simples: que não se pode mais confiar num sistema decididamente tão apodrecido e tóxico quanto os seus títulos financeiros.

Tradução de Luis Leiria, do site Esquerda.Net

(1) Investir no desenvolvimento: plano prático para realizar os objetivos do Milênio para o desenvolvimento. Ver na pág. XII a lista dos 10 objetivos, e a tabela 17.3 na pág. 300 para a avaliação do seu custo.

(2) FMI, World Economic Outlook, Outubro de 2008.

Michel Husson é economista, membro do Conselho Científico da Attac e da Fundação Copérnico.

Mais detalhes:
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4005


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A extorsão dos banqueiros


Começo a pensar se os bancos já não estão coagindo os governos na busca por liberação de mais recursos. O que está ocorrendo hoje me lembra muito um episódio da história do Brasil e que nos possibilitou perceber com clareza quem detinha a hegemonia política e econômica então. Trata-se do Convênio de Taubaté, episódio em que a elite cafeicultora paulista obrigou o estado brasileiro a comprar o excedente de café a custa de endividamento externo para garantir os lucros e evitar os prejuízos causados pela expansão desmedida dos cafezais.
A quantidade de recursos disponibilizados gentilmente pelos Estados Nacionais como garantia contra a quebradeira iminente, em um primeiro momento, por certo alegrou e felicita os investidores e gera a ânsia e volúpia por mais. O medo e a desconfiança do mercado tão alardeados como os motivos para a instabilidade econômica existente se confundem com o poder dos grandes detentores do capital, por sua capacidade de determinar os rumos e caminhos da economia global. Sentados em uma pequena sala alguns investidores festejam o montante exorbitante de dinheiro a sua disposição.
No Brasil, com efeito, os 100 bilhões postos à mercê dos bancos com o objetivo de aumentar a liquidez e irrigar a economia com crédito estão sendo usados pelos bancos para comprar títulos do tesouro, e muito provavelmente, dólares. Quanto mais dinheiro, estaremos nós, dispostos a lançar mão na aventura ou desventura a que fomos empurrados por essa crise? Será que os banqueiros, investidores e empresas, verdadeiros responsáveis por este estado de coisas serão criminalinalmente penalizados pelo que está ocorrendo mundo afora?
De fato o que fica mais nítido neste furacão é o poder do capital financeiro. Tantas e tamanhas são as causas para a aplicação de décimos destes recursos. Quantos já estiveram diante desta opinião pública globalizada suplicando por dinheiro para dirimir o flagelo da fome e da sida no mundo? E por que não dizer para solucionar o problema da habitação, da educação e da saúde no Brasil. Para melhorar o caótico sistema de saúde estadunidense, um dos temas mais discutidos na campanha presidencial dos EUA. Em verdade, são muitos os sofrimentos que poderiam ser aplacados globalmente por pequenas parcelas desta verdadeira extorsão a que toda a humanidade está sendo submetida por um pequeno grupo de escroques endinheirados.
Para aqueles que vêem nesta crise uma volta ao mundo keynesiano de 40 anos atrás, prefiro ficar com a certeza de que nada de novo está a suceder, senão, o compromisso dos Estados neoliberais de garantir a qualquer custo os interesses dos grandes capitalistas: seus bancos empresas e o que mais for.
Para os socialistas, este é um momento para iluminar as mentes, reabilitar vias esquecidas , alianças e, por que não, recordar as vitórias, preparando-se para as próximas, pois temos uma longa trilha a seguir.
Daqui de minha janela, de onde avisto tão perto o Complexo do Alemão, vejo com profunda indignação e fúria esta grande farra dos capitais e clamo pela vingança dos inocentes e sãos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A favor de trabalho e de vida decentes

Assine este apelo a favor de trabalho decente e vida decente


Desde Tuesday, 30 October 2007 e continua valendo


Para repassar para outro país, escolha o idioma apropriado:


English | Deutsch | Français | Español | Italiano | Român | Suomi | Polski | Dansk | Nederlands | Svenska

Apesar do desenvolvimento econômico mundial, a maior parte da população não vê qualquer melhoria nas suas vidas.

A par do desemprego aberto significativo, há muita gente subempregada ou que não é paga pelo trabalho executado. Metade dos trabalhadores no mundo ganha menos de 2 dólares por dia, 12,3 milhões de mulheres e homens trabalham em regime de escravidão, 200 milhões de crianças com menos de 15 anos trabalham em vez de irem à escola, 2,2 milhões de pessoas morrem anualmente devido a acidentes e doenças relacionados com o trabalho. Tanto nos países desenvolvidos, como nos países em vias de desenvolvimento, as pessoas trabalham mais por menos dinheiro e

há cada vez mais pessoas – cuja esmagadora maioria são mulheres – forçadas a viverem na chamada economia informal, sem proteção social nem direitos e com empregos precários. Entretanto, as empresas utilizam a ameaça da externalização para reduzir os salários, e o “jogo de forças” pelos direitos, como o direito à negociação coletiva e à greve. Os sindicalistas que combatem estas tendências são despedidos, ameaçados, presos e mesmo mortos.

Só um sistema internacional baseado na solidariedade e no respeito pelos direitos das pessoas, como o prevêem as convenções das Nações Unidas e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pode pôr termo a estas tendências. Apelamos aos nossos governos que assinem estas convenções, as implementem urgentemente e coloquem o trabalho decente no centro das suas decisões políticas.

Para assinar a petição, acesse

http://www.decentwork.org/index.php?option=com_content&task=view&id=18&Itemid=29

e escreva nos campos logo abaixo, no link


Your Name: Seu nome:
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História, Memória e Cultura Afrodescendente

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Documentário Balé de Pé no chão, no Cineclube Atlântico Negro

DOCUMENTÁRIO BALÉ DE PÉ NO CHÃO

O documentário acompanha a trajetória de Mercedes Baptista, considerada a precursora da dança afro-brasileira. A partir da criação do seu grupo, na década de 50, voltou-se para o estudo dos movimentos rituais do candomblé e danças folclóricas.

O evento será no dia15 de outubro de 2008, às 19 horas, no Espaço Atlântica Educacional Av. Mem de Sá, 252, Centro, próximo a Praça da Cruz Vermelha. Após o filme, haverá debate.

Esse será o segundo evento do Cineclube Atlântico Negro, que tem a produção, criação e curadoria de Clementino Junior. O Cineclube exibe filmes que tragam como tema aspectos da diáspora africana nas Américas. Em setembro, foi exibido o documentário "Devoção", de Sérgio Sanz, seguido de debate com a participação do diretor e da atriz Chica Xavier. Estão todos convidados. Participem e divulguem!O Cineclube Atlântico Negro tem apoio cultural da Balaco http://www.balaco.net e da Atlântica Educacional http://www.atlanticaedu.com.br e é afiliado ao ASCINE-RJ.

Vale lembrar que no final de semana posterior à exibição do filme (dias 18 e 19 de outubro), haverá as aulas do módulo de Cultura do curso de pós-graduação lato sensu "África-Brasil: laços e diferenças: Cultura, literatura e história africanas e afro-brasileiras" , promovido pela Atlântica Educacional. O tema das aulas será: Musicalidade e Expressão Corporal - um diálogo África e Brasil. Para saber mais sobre esse curso, acesse a página da internet: http://www.atlanticaedu.com.br

BALACO Arte Africana
Design brasileiro (21)3903-8776/ 8126-0404
http://www.balaco.net

A situação de crianças e adolescentes na América Latina, hoje

sultados dos trabalhos aceitos nos GT’s

A apresentação de sua comunicação (oral ou pôster), bem como a publicação do seu trabalho nos "Anais" e certificação estão condicionadas a realização de sua inscrição (envio de ficha e pagamento).

Informamos, ainda, que os trabalhos que apresentam mais de um autor, o recebimento de certificado de "apresentação de trabalho" para cada componente só será possível mediante a realização da sua devida inscrição individual. Desse modo, estaremos recebendo as inscrições daqueles que vão apresentar trabalho (oral ou pôster) na UERJ, sala 8018, bloco E, 8º andar, no horário das 12:00 às 18:00h.

OBS: Somente as pessoas que não são do Rio de Janeiro estão liberadas dessa exigência mediante carta de confirmação de presença.

Para maiores informações entrar em contato através do e-mail:
seminariodh.proealc.uerj2008@gmail.com ou pelo telefone: 55 (21) 2587-7344

COORDENAÇÃO GERAL

Abraço ao Renascença Clube, em 19/10

ABRAÇO AO RENASCENÇA CLUBE

Moacyr Luz (anfitrião da festa), Marcelo D2, Luiz Melodia, Xande (Revelação), Marquinho Sathan, Reinaldo, Ubirani (Fundo de Quintal), Marcelinho Moreira, Dorina, entre outros artistas consagrados, já confirmaram presença, no próximo dia 19 de outubro (domingo), no show ABRACE O RENASCENÇA. O evento tem como principal objetivo angariar fundos
para saldar, ou pelo menos minimizar, as dívidas do Clube com o fisco que por pouco não causaram o fechamento do Rena, como é carinhosamente chamado. Terá também, durante a festa, exposição de sambistas pintores.O ingresso custa R$ 10,00 e a mesa com quatro lugares, R$ 5,00. A renda serátotalmente revertida para este objetivo. Não perca! A festa começa às 14h00. O Rena fica na Rua Barão de São Francisco, 54 – Andaraí.
INFORMAÇÕES E RESERVAS: 3253-2322 ou 8768-3945 (Carlos Luiz).

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Vera Batista
21-9612-7176
verabatis@gmail.com

"PROJETO ABRAÇO AO RENASCENÇA"
DATA: 19 DE OUTUBRO DE 2008 ( DOMINGO)
LOCAL: RENASCENÇA CLUBE
HORÁRIO: DAS 13h00 ÀS 22h00
ARTISTAS CONVIDADOS: MARCELO D2
MOACIR LUZ
LUIZ MELODIA
DORINA
XANDE
REINALDO E OUTROS

PARTICIPAÇÃO DE EXPOSIÇÃO DE SAMBISTAS PINTORES
CONVITES: R$ 10,00


MESAS: R$ 5,00

Paulinho da Viola - Sinal Fechado/ Paulinho da Viola e Marisa Monte - Dança da Solidão




Solidão!!!

O capitalismo tentou romper seus limites históricos e criou um novo 1929, ou pior

Uma análise de François Chesnais, autor do livro "A mundialização do Capital", sobre a crise atual do capitalismo. Após a leitura do texto abaixo, com certeza você irá se perguntar: E agora?


Esta apresentação feita em 18 de Setembro em Buenos Aires, o economista marxista francês François Chesnais expõe a forma como o capitalismo, na sua longa fase de expansão, tentou superar os seus limites imanentes. E como todas essas tentativas contribuíram para criar agora uma crise muito maior. Comparável à de 1929, mas que ocorre num contexto totalmente novo.

A tese que vou apresentar defende que no ano passado produziu-se uma verdadeira ruptura, que deixa para trás uma longa fase de expansão da economia capitalista mundial; e que essa ruptura marca o início de um processo de crise com características que são comparáveis à crise de 1929, ainda que venha a desenvolver-se num contexto muito diferente.

A primeira coisa que é preciso recordar é que a crise de 1929 se desenvolveu como um processo: um processo que começou em 1929, mas cujo ponto culminante se deu bastante depois, em 1933, e que logo abriu caminho a uma longa fase de recessão. Digo isto para sublinhar que, na minha opinião, estamos a viver as primeiras etapas, mas realmente as primeiras, primeiríssimas etapas de um processo dessa amplitude e dessa temporalidade. E que o que nestes dias está acontecendo e tem como cenário os mercados financeiros de Nova York, de Londres e de outros grandes centros bolsistas, é somente um aspecto - e talvez não seja o aspecto mais importante - do que se deve interpretar como um processo histórico.

Estamos diante de um desses momentos em que a crise vem exprimir os limites históricos do sistema capitalista. Não se trata de alguma versão da teoria da "crise final" do capitalismo, ou algo do estilo. Do que sim se trata, na minha opinião, é de entender que estamos confrontados com uma situação em que se exprimem estes limites históricos da produção capitalista. Não quero parecer um pastor com a sua Bíblia marxista, mas quero ler-vos uma passagem de O Capital:

"O verdadeiro limite da produção capitalista é o próprio capital; é o fato de que, nela, são o capital e a sua própria valorização que constituem o ponto de partida e a meta, o motivo e o fim da produção; o fato de que aqui a produção é só produção para o capital e, inversamente, não são os meios de produção simples meios para ampliar cada vez mais a estrutura do processo de vida da sociedade dos produtores. Daí que os limites dentro dos quais tem de mover-se a conservação e a valorização do valor-capital, a qual descansa na expropriação e na depauperção das grandes massas de produtores, choquem constantemente com os métodos de produção que o capital se vê obrigado a empregar para conseguir os seus fins e que tendem para o aumento ilimitado da produção, para a produção pela própria produção, para o desenvolvimento incondicional das forças produtivas do trabalho. O meio empregado - desenvolvimento incondicional das forças sociais produtivas - choca constantemente com o fim perseguido, que é um fim limitado: a valorização do capital existente. Por conseguinte, se o regime capitalista de produção constitui um meio histórico para desenvolver a capacidade produtiva material e criar o mercado mundial correspondente, envolve ao mesmo tempo uma contradição constante entre esta missão histórica e as condições sociais de produção próprias deste regime. (1)

Bom, certamente que há algumas palavras que hoje já não utilizamos, como "missão histórica"... Mas creio que o que vamos ver nos próximos anos vai dar-se precisamente na base de já ter sido criado em toda a sua plenitude esse mercado mundial intuído por Marx. Quer dizer, temos um mercado e uma situação mundial diferentes da de 1929, porque nessa altura países como a China e a Índia eram ainda semi-coloniais, enquanto que agora já não têm esse caráter; são grandes países que, mais além de terem um caráter combinado que requer uma análise cuidadosa, são agora participantes de pleno direito dentro de uma economia mundial única, uma economia mundial unificada num grau desconhecido até esta etapa da história. A citação pode ajudar-nos a entender o momento atual, e a crise que se iniciou precisamente neste marco de um só mundo.

Um novo tipo de crise
Na minha opinião, nesta nova etapa, a crise vai desenvolver-se de tal modo que as primeiras e realmente brutais manifestações da crise climática mundial vão combinar-se com a crise do capital enquanto tal. Entramos numa fase em que se coloca realmente uma crise da humanidade, dentro de complexas relações nas quais se incluem também os acontecimentos bélicos, mas o mais importante é que, mesmo excluindo a explosão de uma guerra de grande amplitude que, no presente momento, só podia ser uma guerra atómica, estamos confrontados com um novo tipo de crise, com uma combinação desta crise econômica, que começou, com uma situação na qual a natureza, tratada sem a menor contemplação e atacada pelo homem no marco do capitalismo, reage agora de forma brutal. Isto é uma coisa quase excluída das nossas discussões, mas que vai impor-se como um fato central.

Por exemplo, muito recentemente, lendo o trabalho de um sociólogo francês, fiquei a saber que os glaciares andinos dos quais flui a água com que se abastecem La Paz e El Alto estão esgotados em mais de 80%, e estima-se que dentro de 15 anos La Paz e El Alto não vão ter água... e, no entanto, isto é algo que nunca foi tratado, nunca se discutiu um fato de tamanha magnitude que pode fazer com que a luta de classes na Bolívia, tal como a conhecemos, mude substancialmente - por exemplo fazendo com que a tal controversa mudança da capital para Sucre se imponha como uma coisa "natural", porque acabou a água em La Paz.

Estamos entrando num período desse tipo e o problema é que quase não se fala disso, enquanto que nos ambientes revolucionários continuam a discutir-se coisas que neste momento são minúcias, questões completamente mesquinhas em comparação com os desafios que temos pela frente.

Limites imanentes do capitalismo
Para continuar com a questão dos limites do capitalismo, quero chamar a atenção para uma citação de Marx, imediatamente anterior à já citada: "A produção capitalista aspira constantemente a superar estes limites imanentes a ela, mas só pode superá-los recorrendo a meios que voltam a levantar diante dela estes mesmo limites, e ainda com mais força". (2) Esta indicação introduz-nos a análise e a discussão dos meios a que se recorreu, durante os últimos 30 anos, para superar os limites imanentes do capital.

Esses meios foram, em primeiro lugar, todo o processo de liberalização das finanças, do comércio e do investimento, todo o processo de destruição das relações políticas surgidas na raíz da crise de 29 e dos anos 30, depois da Segunda Guerra Mundial e das guerras de libertação nacional... Todas essas relações, que exprimiam o domínio do capital mas representavam ao mesmo tempo formas de controle parcial do mesmo capital, foram destroçadas e, por algum tempo, pareceu ao capital que com isto ficavam superados os limites postos à sua atuação.

A segunda forma que se escolheu para superar esses limites imanentes do capital foi recorrer, numa escala sem precedentes, à criação de capital fictício e de meios de crédito para ampliar uma procura insuficiente no centro do sistema.

E a terceira forma, a mais importante historicamente para o capital, foi a reincorporação, enquanto elementos plenos do sistema capitalista mundial, da União Soviética e seus "satélites", e da China.

Só no marco das resultantes destes três processos é possível captar a amplitude e a novidade da crise que se inicia.

Liberalização, mercado mundial, competição... Comecemos por nos interrogar sobre o que significou a liberalização e a desregulação levadas a cabo à escala mundial, com a incorporação do antigo "campo" soviético e a incorporação e a modificação das relações de produção na China... O processo de liberalização e desregulação significou o desmantelamento dos poucos elementos reguladores que se tinham construído no marco internacional ao sair da Segunda Guerra Mundial, para entrar num capitalismo totalmente desregulamentado. E não só desregulamentado, como também um capitalismo que criou realmente o mercado mundial no pleno sentido do termo, convertendo em realidade o que era em Marx uma intuição ou antecipação. Pode ser útil precisar o conceito de mercado mundial e ir talvez mais além da palavra mercado.

Trata-se da criação de um espaço livre de restrições para as operações do capital, para produzir e realizar mais-valias, tomando este espaço como base e processo de centralização de lucros à escala verdadeiramente internacional. Esse espaço aberto, não homogêneo mas com uma redução drástica de todos os obstáculos à mobilidade do capital, essa possibilidade para o capital de organizar à escala universal o ciclo de valorização, está acompanhado de uma situação que permite pôr em competição entre si os trabalhadores de todos os países. Quer dizer, sustenta-se no fato de o exército industrial de reserva ser realmente mundial e de ser o capital como um todo que rege os fluxos de integração ou de repulsão, nas formas estudadas por Marx.

Este é então o marco geral de um processo de "produção para a produção" em condições em que a possibilidade de a humanidade e as massas do mundo acederem a essa produção é totalmente limitada... e, portanto, torna-se cada vez mais difícil o encerramento com êxito do ciclo de valorização do capital, para o capital no seu conjunto, e para cada capital em particular. E por isso se ampliam e se fazem mais determinantes no mercado mundial "as leis cegas da competição". Os bancos centrais e os governos podem proclamar que vão pôr-se de acordo entre si e colaborar para impedir a crise, mas não creio que se possa introduzir a cooperação no espaço mundial convertido em cenário de uma tremenda competição entre capitais.

E agora, a competição entre capitais vai muito mais além das relações entre os capitais das partes mais antigas e mais desenvolvidas do sistema mundial, com os sectores menos desenvolvidos do ponto de vista capitalista. Porque sob formas particulares e inclusive muito parasitárias, no marco mundial deram-se processos de centralização do capital por fora do marco tradicional dos centros imperialistas: em relação com eles, mas em condições que também introduzem algo totalmente novo no marco mundial.

Durante os últimos 15 anos, e em particular durante a última etapa, desenvolveram-se, em determinados pontos do sistema, grupos industriais capazes de integrar-se como sócios de pleno direito nos oligopólios mundiais. Tanto na Índia como na China constituíram-se verdadeiros e fortes grupos econômicos capitalistas. E, no plano financeiro, como expressão do rentismo e do parasitismo puro, os chamados Fundos Soberanos converteram-se em importantes pontos de centralização do capital sob a forma de dinheiro, que não são meros satélites dos Estados Unidos, têm estratégias e dinâmicas próprias e modificam de muitas maneiras as relações geopolíticas dos pontos-chave em que a vida do capital se faz e fará.

Por isso, outro elemento a ter em conta é que esta crise tem como outra de suas dimensões a de marcar o fim da etapa em que os Estados Unidos podiam atuar como potência mundial sem comparação... Na minha opinião, saímos do momento que analisava Mészáros no seu livro de 2001, e os Estados Unidos vão ser submetidos a uma prova: num prazo muito curto, todas as suas relações mundiais modificaram-se e terão, no melhor dos casos, de renegociar e reordenar todas as suas relações com base no facto de que têm de partilhar o poder. E isto, evidentemente, é algo que nunca aconteceu de forma pacífica na história do capital...

Então, primeiro elemento: um dos métodos escolhidos pelo capital para superar os seus limites transformou-se em fonte de novas tensões, conflitos e contradições, indicando que uma nova etapa histórica vai abrir caminho através desta crise.

Criação descontrolada de capital fictício
O segundo meio utilizado para superar os limites do capital das economias centrais foi que todas elas recorreram à criação de formas totalmente artificiais de ampliação da procura efectiva, as quais, somando-se a outras formas de criação de capital fictício, geraram as condições para a crise financeira que se desenvolve hoje. No artigo que os companheiros de Herramienta tiveram a gentileza de traduzir para o espanhol e publicar, abordei com alguma profundidade esta questão do capital fictício e as novas formas que se deram dentro do próprio processo de acumulação do capital fictício.

Para Marx, o capital fictício é a acumulação de títulos que são "sombra de investimentos" já feitos mas que, como títulos de bônus e de ações, aparecem com o aspecto de capital aos seus detentores. Não o são para o sistema como um todo, para o processo de acumulação, mas são-no sim para os seus detentores e, em condições normais de fechamento de processos de valorização do capital, rendem aos seus detentores dividendos e juros. Mas o seu caráter fictício revela-se em situações de crise. Quando ocorrem crises de sobreprodução, falência de empresas, etc., descobre-se que esse capital não existia...

Por isso também pode ler-se às vezes nos jornais que tal ou qual quantidade de capital "desapareceu" nalgum tropeço bolsista: essas quantias nunca tinham existido como capital propriamente dito, apesar de, para os detentores dessas ações, representarem títulos que davam direito a dividendos e juros, a receber lucros...

Evidentemente, um dos grandes problemas de hoje é que, em muitíssimos países, os sistemas de aposentadoria estão baseados em capital fictício, com pretensões de participação nos resultados de uma produção capitalista que pode desaparecer em momentos de crise. Toda a etapa de liberalização e de globalização financeira dos anos 80 e 90 esteve baseada em acumulação de capital fictício, sobretudo em mãos de fundos de investimento, fundos de pensões, fundos financeiros... E a grande novidade desde finais ou meados dos anos 90 e ao largo dos anos 2000 foi, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha em particular, o impulso extraordinário que se deu à criação de capital fictício na forma de crédito.

De crédito a empresas, mas também e sobretudo de créditos às famílias, crédito ao consumo e sobretudo créditos hipotecários. E isso fez dar um salto na massa de capital fictício criado, dando origem a formas ainda mais agudas de vulnerabilidade e de fragilidade, inclusive diante de choques menores, inclusive diante de episódios absolutamente previsíveis. Por exemplo, com base em tudo estudado anteriormente, sabia-se que um boom imobiliário acaba; que inexoravelmente chega um momento em que, por processos muito bem estudados, termina; e, se pode até ser relativamente compreensível que no mercado de ações existisse a ilusão de que não havia limites para a alta no preço das acções, com base em toda a história anterior sabia-se que que isso não podia ocorrer no setor imobiliário: quando se trata de edifícios e de casas é inevitável que chegue o momento em que o boom acaba.

Mas colocaram-se em tal situação de dependência, que esse acontecimento completamente normal e previsível transformou-se numa crise tremenda. Porque a tudo o que já disse, juntou-se o fato de que durante os dois últimos anos os empréstimos eram feitos a famílias que não tinham a menor possibilidade de pagar. Além disso, tudo isso se combinou com as novas "técnicas" financeiras, permitindo-se assim que os bancos vendessem bônus em condições tais que ninguém podia saber exatamente o que estava a comprar... até a explosão dos subprime em 2007.

Agora estão desmontando este processo. Mas dentro dessa desmontagem, há processos de concentração do capital financeiro. Quando o Bank Of America compra o Merrill Lynch, estamos diante de um processo de concentração clássico. E vemos além disso estes processos de estatização das dívidas, que implicam na criação imediata de mais capital fictício. O Federal Reserve dos Estados Unidos cria mais capital fictício para manter a ilusão de um valor do capital que está à beira de desmoronar, com a perspectiva de ter, em algum momento dado, a possibilidade de aumentar fortemente a pressão fiscal, mas na realidade não pode fazê-lo porque isso significaria o congelamento do mercado interno e a aceleração da crise enquanto crise real.

Assistimos, pois, a uma fuga em frente que não resolve nada. Dentro desse processo existe também o avanço dos Fundos Soberanos, que procuram modificar a repartição intercapitalista dos fluxos financeiros a favor dos sectores rentistas que acumularam estes fundos. E isto é um fator de perturbação ainda maior no processo.

Quero recordar, para terminar este ponto, que esse déficit comercial de cinco pontos do PIB é o que confere aos Estados Unidos a particularidade desse lugar-chave para a concretização do ciclo do capital no momento da realização da mais-valia, para o processo capitalista no seu conjunto.

Confrontados agora com uma quase inevitável retração econômica, coloca-se como a grande interrogação se, num curto prazo, a procura interna chinesa poderá passar a ser o lugar que garanta esse momento de realização da mais-valia que se dava nos Estados Unidos. A amplitude da intervenção do Tesouro é muito forte e conseguiu que a contração da atividade nos EUA e a queda das importações tenha sido até agora muito limitada. O problema é saber quanto tempo se poderá ter como único método de política econômica criar mais e mais liquidez... Será possível que não haja limites à criação de capital fictício sob a forma de liquidez para manter o valor do capital fictício já existente? Parece-me uma hipótese demasiado otimista, e entre os próprios economistas norte-americanos, muitos duvidam.

Super-acumulação na China?
Para terminar, chegamos à terceira maneira pela qual o capital superou os seus limites imanentes, que é definitivamente a mais importante de todas e levanta as interrogações mais interessantes. Refiro-me à extensão, em particular para a China, de todo o sistema de relações sociais de produção do capitalismo. Algo que Marx mencionou nalgum momento como possibilidade, mas que só se fez realidade durante os últimos anos. E realizou-se em condições que multiplicam os fatores de crise.

A acumulação do capital na China fez-se com base em processos internos, mas também com base em algo que está perfeitamente documentado, mas pouco comentado: a transferência de uma parte importantíssima do Setor II da economia, o setor da produção de meios de consumo, dos Estados Unidos para a China. E isto tem muito a ver com o grosso dos déficits norte-americanos (o déficit comercial e o fiscal), que só poderiam reverter-se por meio de uma "reindustrialização" dos Estados Unidos.

Isto significa que se estabeleceram novas relações entre os Estados Unidos e a China. Já não são as relações de uma potência imperialista com um espaço semicolonial. Os Estados Unidos criaram relações de um novo tipo, que agora têm dificuldades de reconhecer e de assumir. Com base no superávit comercial, a China acumula milhões e milhões de dólares, que logo empresta aos Estados Unidos. Temos uma ilustração das consequências que isto traz com a nacionalização dessas duas entidades chamadas Fannie Mae e Freddy Mac: ao que parece, a banca da China tinha 15% dos fundos dessas duas entidades e comunicou ao governo americano que não aceitaria a sua desvalorização. São relações internacionais de tipo completamente novo.

Mas que ocorre no seio da própria China? É a questão mais decisiva para a próxima etapa da crise. Na China deu-se internamente um processo de competição entre capitais, que se combinou com processos de competição entre sectores do aparelho político chinês, e de competição para atrair empresas estrangeiras; tudo isso resultou num processo de criação de imensas capacidades de produção, além de violentar a natureza numa escala enorme: na China concentra-se uma super-acumulação de capital que num momento dado se tornará insustentável.

Na Europa, é evidente a tendência a uma aceleração da destruição de capacidades produtivas e de postos de trabalho, para transferir-se para o único paraíso do mundo capitalista que é a China. Considero que esta transferência de capitais para a China significou uma reversão de processos anteriores de uma alta da composição orgânica do capital. A acumulação é intensiva em meios de produção e é intensiva e muito delapidadora da outra parte do capital constante, quer dizer, das matérias primas. A maciça criação de capacidades de produção no Setor I foi acompanhada por todos os mecanismos e o impulso que caracterizam o crescimento da China, mas o mercado final para sustentar toda essa produção é o mercado mundial, e uma retração deste colocará em evidência essa super-acumulação do capital.

Alguém como Aglietta, que estudou isto especificamente, afirma que realmente há super-acumulação, há um processo acelerado de criação produtiva na China, um processo que, no momento em que terminar - e tem de terminar - a realização de toda essa produção vai levantar problemas. Além disso, a China é realmente um lugar decisivo, porque até pequenas variações na sua economia determinam a conjuntura de muitos outros países no mundo. Foi suficiente que a procura chinesa por bens de investimento caísse um pouco, para que a Alemanha perdesse exportações e entrasse em recessão. As "pequenas oscilações" na China têm repercussões fortíssimas noutros lugares, como deveria ser evidente no caso da Argentina.

Para continuar a pensar e a discutir
E regresso ao que disse no início. Ainda que sejam comparáveis, as fases desta crise serão diferentes das de 29, porque naquela época a crise de superprodução dos Estados Unidos verificou-se desde os primeiros momentos. Depois aprofundou-se, mas soube-se de imediato que se estava diante de uma crise de superpodução. Agora, em contrapartida, estão adiando esse momento com diversas políticas, mas não vão poder fazê-lo muito mais.

Simultaneamente, e como ocorreu também na crise de 29 e nos anos 30, ainda que em condições e sob formas diferentes, a crise combinar-se-á com a necessidade, para o capitalismo, de uma reorganização total da expressão das suas relações de forças econômicas no marco mundial, marcando o momento no qual os Estados Unidos verão que a sua superioridade militar é somente um elemento, e um elemento bastante subordinado, para renegociar as suas relações com a China e outras partes do mundo. Ou vai chegar o momento no qual dará o salto para uma aventura militar de consequência imprevisíveis.

Por tudo isto, concluo que vivemos muito mais que uma crise financeira, mesmo estando agora nessa fase. Estamos diante de uma crise muitíssimo mais ampla. Ora bem, tenho a impressão, pelo tom das diferentes perguntas e observações que me fizeram, que muitos são da opinião que estou a pintar um cenário de tipo catastrofista, de desmoronamento do capitalismo... Na realidade, creio que estamos diante do risco de uma catástrofe, mas já não do capitalismo, e sim de uma catástrofe da humanidade. De certa forma, se tomarmos em conta a crise climática, possivelmente já existe algo assim...

A minha opinião (junto com Mészáros, por exemplo, mas somos muito poucos os que damos importância a isto) é que estamos diante de um perigo iminente. O dramático é que, de momento, isto afeta diretamente populações que não são levadas em conta: o que está ocorrendo no Haiti parece que não tem a menor importância histórica; o que acontece em Bangladesh não tem peso mais além da região afetada; muito menos o que acontece na Birmânia, porque o controle da Junta militar impede que ultrapasse as suas fronteiras. E o mesmo na China: discutem-se os índices de crescimento, mas não as catástrofes ambientais, porque o aparelho repressivo controla as informações sobre as mesmas.

E o pior é que essa "opinião", que é constantemente construída pelos meios de comunicação, está interiorizada muito profundamente, inclusive em muitos intelectuais de esquerda. Tinha começado a trabalhar e a escrever sobre tudo isto, mas com o começo desta crise, de alguma forma tive de voltar a ocupar-me das finanças, ainda que não o faça com muito gosto, porque o essencial parece-me que se joga num plano diferente.

Para terminar: o fato de que tudo isto ocorre depois desta fase tão larga, sem paralelo na história do capitalismo, de 50 anos de acumulação ininterrupta (salvo um pequeníssima ruptura em 1974/1975), assim como também tudo o que os círculos capitalistas dirigentes, e em particular os bancos centrais, aprenderam da crise de 29, tudo isso faz com que a crise avance de maneira bastante lenta.

Desde setembro do ano passado, o discurso dos círculos dominantes vem afirmando, uma e outra vez, que "o pior já passou", quando o certo é que, uma e outra vez, "o pior" estava por vir. Mas insisto no risco de minimizar a gravidade da situação, e sugiro que nas nossas análises e na forma de abordar as coisas deveríamos incorporar a possibilidade, no mínimo a possibilidade, de que inadvertidamente estejamos também interiorizando esse discurso de que, definitivamente, "não acontece nada"...

* François Chesnais é economista, faz parte do Conselho Científico do ATTAC-França, é diretor de Carré Rouge e membro do conselho consultivo da revista Herramienta, com a qual colabora assiduamente.


Esta apresentação foi realizada no encontro organizado pela revista argentina "Herramienta" em 18 de Setembro de 2008. A transcrição e preparação para a sua publicação é de Aldo Casas.

Versão publicada no portal Esquerda.Net. Tradução para o português: Luis Leiria (Esquerda.Net)

(1) Karl Marx, El capital México, FCE, 1973, Vol. III, pág. 248.

(2) Idem.

(3) "El fin de un ciclo. Alcance y rumbo de la crisis financiera", en Herramienta Nº 37, marzo 2008.

Retirado do link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15284

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

http://www.cinedireitoshumanos.org.br/2008/

Centro Cultural Banco do Brasil


14/10 – terça-feira

16h00 – Programa 2 (Classificação indicativa: livre)
Cidade de Papel, Claudia Sepúlveda (Chile, 112 min, 2007, doc)

18h30 – Programa 12 (Classificação indicativa: 12 anos)
Território vermelho, Kiko Goifman (Brasil, 12 min, 2004, doc)
Radicais livre(o)s, Marcus Vinicius Fainer Bastos (Brasil, 14 min, 2007, doc)
Vítimas da democracia, Stella Jacobs (Venezuela, 43 min, 2007, doc)

20h30 – Programa 17 (Classificação indicativa: 16 anos)
Pivete, Lucila Meirelles e Geraldo Anhaia Mello (Brasil, 06 min, 1987,doc)
Vam’pra Disneylandia, Nelson Xavier (Brasil, 11 min, 1985, doc)
A vendedora de rosas, Victor Gaviria (Colômbia, 110 min, 1998, fic)


15/10 – quarta-feira

14h30 – Áudiodescrição (Classificação indicativa: livre)
Os esquecidos, Luis Buñuel (México, 88 min, 1950, fic)
Sessão orientada com áudiodescrição para pessoas com deficiência visual.

16h00 – Programa 21 (Classificação indicativa: 12 anos)
Eu, madre alice, Alberto Marquardt (Argentina-França, 74 min, 2001, doc)

18h30 – Programa 16 (Classificação indicativa: 16 anos)
Meninos de rua, Marlene França (Brasil, 27 min, 1988, doc)
Ratos e rueiros, Sebastián Cordero (Equador, 107 min, 1999, fic)

20h45 – Programa 8 (Classificação indicativa: livre)
Sonhos distantes, Alejandro Legaspi (Peru, 52 min, 2006, doc)
Zumbi somos nós, Coletivo 3 de fevereiro (Brasil, 52 min, 2007, doc)


16/10 – quinta-feira

14h00 – Programa 20 (Classificação indicativa: 12 anos)
Pulqui, um instante na patria da felicidade, Alejandro Fernández Mouján (Argentina, 85 min, 2007, doc)

16h00 – Programa 10 (Classificação indicativa: livre)
Crônica de um sonho, Mariana Viñoles e Stefano Tononi (Uruguai, 95 min, 2005, doc)

18h30 – Programa 15 (Classificação indicativa: 16 anos)
Palace II, Fernando Meirelles e Kátia Lund (Brasil, 21 min, 2001, fic)
Os esquecidos, Luis Buñuel (México, 88 min, 1950, fic)

20h30 – Programa 14 (Classificação indicativa: 12 anos)
Couro de gato, Joaquim Pedro de Andrade (Brasil, 12 min, 1960, fic)
Delinqüente, Ciro Durán (Colômbia/França, 110 min,1978, fic)


17/10 – sexta-feira

14h00 - Programa 19 (Classificação indicativa: 12 anos)
O diabo entre as flores, Carmen Guarini (Argentina, 26 min, 2004, doc)
Jaime de Nevares, a última viagem, Marcelo Céspedes e Carmen Guarini (Argentina, 70 min, 1995, doc)

16h00 - Programa 18 (Classificação indicativa: 12 anos)
H.I.J.O.S., a alma em dois, Carmen Guarini e Marcelo Céspedes (Argentina, 80 min, 2002, doc)

18h30 - Programa 11 (Classificação indicativa: 12 anos)
Coração de Tangerina, Juliana Psaros e Natasja Berzoini (Brasil, 15 min, 2007, fic)
O prisioneiro, Eric Laurence (Brasil, 16 min, 2002, fic)
Procura-se janaína, Miriam Chnaiderman (Brasil, 54 min, 2007, doc)

20h30 - Programa 1 (Classificação indicativa: 12 anos)
Tibira é gay, Emilio Gallo (Brasil, 10 min, 2007, doc)
O aborto dos outros, Carla Gallo (Brasil, 72 min, 2008, doc)


18/10 – sábado

16h00 – Programa 9 (Classificação indicativa: 12 anos)
Férias sem volta, Marta Lucia Vélez (Colômbia, 52 min, 2007, doc)
Os esquecidos, Jaime Aguirre Peña (Bolívia, 31 min, 2006, doc)
Vestígios de um sonho, Erich Fischer (Paraguai, 12 min, 2006, doc)
Do outro lado da ausência, Daniel Rodríguez (Colômbia, 06 min, 2007, doc)

18h30 – Programa 6 – Marco Universal (Classificação indicativa: 12 anos)
Marco Universal – Vários diretores (Brasil, 108 min, 2007, doc)

20h30 – Programa 5 (Classificação indicativa: livre)
Bem Vigiados, Santiago Dellape (Brasil, 14 min, 2007, fic)
Juízo, Maria Augusta Ramos (Brasil, 90 min, 2007, doc)


19/10 – domingo

16h00 – Programa 7 (Classificação indicativa: 12 anos)
MBYA, Terra vermelha, Philip Cox e Valeria Mapelman (Argentina/Inglaterra, 68 min, 2006, doc)
América Minada, Vinicius Souza e Maria Eugenia Sá (Brasil, 27 min, 2007, doc)

18h30 – Programa 13 (Classificação indicativa: livre)
Tire Dié, Fernando Birri (Argentina, 33 min, 1960, doc)
Crônica de um menino só, Leonardo Favio (Argentina, 70 min, 1964, fic)

20h30 – Programa 4 (Classificação indicativa: livre)
Oficina Perdiz, Marcelo Diaz (Brasil, 20 min, 2006, doc)
Dia de Festa, Toni Venturi e Pablo Georgieff (Brasil, 77 min, 2006, doc)
Licença Creative Commons
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