Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Lavagem da estátua de João Candido, o almirante negro

Na busca de resgatar personalidades históricas de nossa sociedade que mereçam destaque entre afro-descendentes, o AGBARA DUDU iniciará este ano campanha cujo objetivo maior é trazer reconhecimento histórico a relevante figura da recente História de nosso País – JOÃO CÂNDIDO.

Por este motivo, estaremos realizando no dia 04 de dezembro próximo a Lavagem Simbólica da Estátua de João Cândido na Praça XV de Novembro, de modo a iniciar, com este ato, a divulgação para toda a sociedade da importância de João Cândido na história das conquistas de liberdades pelo povo brasileiro.

Este projeto, que ora se inicia, prosseguirá em 2010, quando se estará comemorando os cem anos da Revolta da Chibata, movimento liderado por nosso homenageado e de tão grande significado para negros e pobres brasileiros.

04 DE DEZEMBRO
A PARTIR DAS 17:30 horas
ESTÁTUA DE JOÃO CÂNDIDO
Praça XV de Novembro

Realização: GRUPO AFRO AGBARA DUDU
Apoios
Subprefeitura do Centro
Unidade de Mobilidade Nacional para a Anistia – UMNA
MODAC
Grupo afro
AGBARA DUDU
Em yorubá significa FORÇA NEGRA
FUNDAÇÃO: 04/04/82
CNPJ - 29.009.305/0001-48
Estamos contando com a sua presença e o rufar de seus tambores, para que ele ecoe em forma de
"CORREIO NAGÔ".
Axé,
Vera do Agbara

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pacto Microsoft/News Corporation: Uma ameaça à cultura livre

Escrito por Sergio J. Dias

Os ideólogos do capitalismo afirmam que, as desigualdades sociais ocorrem por falta de talento, competência e por preguiça daqueles que se encontram na base da pirâmide social, ou seja, tudo é possível se os indivíduos empreenderem, demonstrarem talento e trabalharem para alcançar seus objetivos. Nesse sentido, aqueles que não progridem socialmente são eles mesmos responsáveis por sua situação. E as dificuldades que vivem, como o acesso à bens mercadorias e serviços uma fatalidade gerada por sua própria incompetência. Portanto, a barreira gerada pela falta de dinheiro é legítima, pois pode produzir no homem o desejo de "crescer". Basta então, que os crentes busquem a redenção para que a salvação esteja próxima dele, com o céu a pouquíssimos passos. Por conta disso, todos os ideólogos tratam esta noção como um dogma, algo inquestionável, que de forma alguma deve ser sequer pensado. É como a existência ou não de Deus para os religiosos. Afinal Deus existe, e pronto.

Trazemos isto à baila, porque está em curso um processo pelo qual grande parte dos conteúdos da internet, que hoje estão à disposição de todos, necessitando apenas de uma fuçada no Google, ou outro mecanismo de busca, passariam a estar atrás de uma muralha virtual erguida pelos grandes grupos de mídia internacional e nacional. Voltaríamos ao tempo em que a informação era propriedade de um pequeno número de doutos, dispostos a pagar o necessário por ela.

Nesta dinâmica fúnebre e malfazeja que decreta o fim da cultura livre e do sonho da democratização do conhecimento temos um conjunto de ações empreendidas pela já citada mídia dominante através de organizações como a RIAA - Recording Industry Association of America, em português "Associação da Indústria de Gravação da América" e a brasileira APDIF - Associação dos Produtores e Distribuidores da Indústria Fonográfica, que representa as maiores gravadoras do Brasil. Medidas como a perseguição e prisão de seus organizadores, além da cobrança de multas milionárias aos sites de torrents Pirate Bay e Mininova, fechamento de sites e blogs que ofereciam material livre, muitas vezes, desprezado por esta mesma mídia proprietária, proibição de uso de programas p2p, fim dos sites de legenda vêm colocando a debâcle, e tornando impossível a manutenção da proposta dos precursores da internet, de conteúdos livres e disponíveis para todos.

Para culminar, estamos sendo informados recentemente acerca da associação espúria da Microsoft, de Bill Gates com a News Corporation, do bilionário Rupert Murdoch, que tem como objetivo precípuo de prejudicar e enfraquecer economicamente a Google, que tem um modelo de negócios baseado na livre circulação de informação produzida na Web e cobrança pela publicidade alocada em suas páginas virtuais, e de todas as empresas com propostas empresariais semelhantes como as distros Gnu/Linux e o mundo do software livre.

Em momentos de crise como este, os lucros astronômicos obtidos pela Google "matam" de inveja aqueles que não conseguem concatenar o seu modelo proprietário de negócios e as novas tecnologias de informação, porquanto estas caminham no sentido de tornar ainda mais fácil o acesso ao conhecimento e a colaboração para sua superação, fazendo uso da inteligência coletiva, como a Web 2.0.

É sem sombra de dúvida uma vaga conservadora contra a qual devemos estar atentos e predispostos à luta. Afinal, trata-se de garantir a bilhões de pessoas no mundo o contato com o saber e a cultura onde quer que ela esteja sendo gerada, e, por conseguinte, a possibilidade de buscar a iluminação interior e fugir da ignorância, do preconceito e do fanatismo.

Mais uma denúncia de racismo: Intolerância religiosa em Nova Iguaçu

Estes dois casos mostram que a questão da intolerância religiosa se aproxima do insuportável. Armados com a pretensa verdade religiosa, membros de igrejas evangélicas mal-doutrinados agem como nazistas, pregando o ódio sem a menor comiseração. É lamentável que fatos como este continuem ocorrendo. A denúncia à polícia, e à Comissão contra a Intolerância Religiosa da Alerj é o caminho a ser seguido para a punição destes vândalos. Esquecem eles, e para isso basta a leitura do Novo Testamento, que Jesus Cristo também foi vítima desta mesma intolerância, que agora praticam.

LAMENTAVEL OCORRIDO!
Prezados Amigos, nesta madrugada do dia 24/11/2009, fomos vítima de um ato de vandalismo, e intolerância religiosa, praticado pelo que tudo indica por fieís da igreja universal que tem sede na mesma rua. Pessoas pularam o muro de nossa instituição religiosa, adentraram dentro da casa de exú e quebraram diversas imagens. Porém os assentamentos no ferro permaneceram intactos. Houve ainda a tentativa de arrombamento do salão interno, tendo sido forçada a porta, com o intuito de quebrarem também nosso Gongá. Conto a colaboração de todos os irmãos de fé para que divulguem mais este ato de vandalismo praticado contra a religião afro-brasileira.
Obrigado Álvaro de Ogum - Diretor Presidente do Centro Espírita de Umbanda Caminhos de Oxum - Nova Iguaçu - tel 85949912 - Fliado à FUNA.
Enviado pela companheira Adriana Baptista

Mais uma denúncia de racismo: Invasão na casa de Oxalá do Ilê /axé Opô Afonjá

Irmãos (as)
Benção a todos!
É com tristeza que comunico que o Templo Sagrado do Ilê Axé Opô Afonjá, foi invadido nessa madrugada e a casa do nosso Pai OXALÁ, teve todos os compartimentos violados e revirados por marginais.
Temos que pedir orientação a OLORUM, para podermos encontrar uma forma que possa acabar com tanta violência em nossa Cidade e Estado.
Vejam que as invasões nos terreiros de Candomblés, vem acontecendo sistematicamente e as autoridades não fazem absolutamente nada, nem explicações a sociedade eles são capazes.
Não podemos mais ficar parados, aguardando soluções dos homens que ajudamos a colocar no poder, na tentativa de mudanças politícas.
O que precisamos dos nossos governantes é algo simples e que está ao alcance deles;
P A Z.
Peço a todos e todas que DENUNCIEM e DIVULGUEM, mais essa violência contra o AFONJÁ.
Axe!
Roberto Rodrigues Olugobenirá
Ogã de Iansã do Ilê Axé Opô Afonjá

Enviado pelo companheiro Ricardo O.Freitas

Mais uma denúncia de racismo

Fonte: Infonet

Estudante de Psicologia teria chamado um vigilante de 'urubu, macaco e neguinho'

Na madrugada de sábado, 28, foi preso em flagrante o estudante de Psicologia Leandro Magalhães Lima sob acusação de injúria racial. O fato aconteceu no bairro Atalaia, zona sul de Aracaju, onde Leandro teria insultado o vigilante Luiz Adriano dos Santos.
Segundo a polícia, o estudante estaria embriagado em um posto de gasolina, gritando e causando desordem no estabelecimento no qual o vigia trabalha. O funcionário, então, teria pedido ao universitário para que não continuasse com aquele comportamento provocando a ira de Leandro que teria chamado Luiz de 'macaco, neguinho e urubu'.
A família do jovem já compareceu à Plantonista, mas o jovem terá que aguardar a decisão judicial atrás das grades, de acordo com os policiais.
Cena se repete
Em 31 de outubro de 2009, os sergipanos começaram a acompanhar o caso da médica Ana Flávia Pinto Silva, que insultou o funcionário da empresa aérea Gol, Diego Gonzaga, chamando-o de 'nêgo', 'analfabeto' e 'morto de fome'. Um cinegrafista amador conseguiu gravar o 'piti' da passageira e o vídeo teve quase 130 mil visualizações na internet.
Na sexta-feira, 27 de novembro, a polícia decidiu indiciar Ana Flávia por injúria racial. Como não houve flagrante, ela não chegou a ser presa.

Trem do Samba: Programação

Fonte: SidneyRezende

Evento mais tradicional do Dia Nacional do Samba, o Pagode do Trem chega a sua 13ª edição na terça-feira, 2 de dezembro. Marquinhos de Oswaldo Cruz, cantor e compositor que idealizou o projeto, promete muita animação esse ano, oferecendo uma programação intensa - e gratuita - para sambista nenhum botar defeito.

A partir das 17h, bambas começam a se encontrar na Central do Brasil, para a concentração antes das saídas dos trens. Como nas outras edições, um palco será montado no local, e, ali mesmo, o ritmo preferido dos brasileiros vai começar a ser tocado, com shows do próprio Marquinhos e das Velhas Guardas das escolas de samba do Rio, como Portela, Império Serrano, Mangueira e Vila Isabel.

Após as apresentações na Central, quatro trens darão partida, rumo a Oswaldo Cruz, para continuar, no bairro do subúrbio carioca, a festa em homenagem ao Dia Nacional do Samba. O primeiro trem sairá às 19h e os outros três a cada 20 minutos. Além de passageiros comuns e amantes do bom samba, os vagões estarão repletos de surdos, caixas e tamborins, para embalar a voz de ilustres sambistas, como Tia Doca, Nelson Sargento, Moacyr Luz, Almir Guineto, Mauro Diniz e Dona Ivone Lara.

Para atravessar a cidade no trem do samba é preciso apenas 1 kg de alimento não perecível, que para ser trocado por ticket deve ser entregue na bilheteria da Central do Brasil. Os alimentos arrecadados serão doados para o Banco Rio de Alimentos, do programa Fome Zero.

Confira a programação:

Local: Central do Brasil - Das 17h às 20h30

Bateria do Mestre Faísca; Marquinhos de Oswaldo Cruz; Velha Guarda da Portela; Velha Guarda do Império Serrano; Velha Guarda da Mangueira; Velha Guarda do Salgueiro; Velha Guarda da Vila Isabel; Nelson Sargento; Wilson Moreira; Walter Alfaiate; Nadinho da Ilha e Xangô da Mangueira

Partidas dos trens para Oswaldo Cruz:

Primeiro trem - trem Candeia - saída às 19h

Vagão 1 - Velha Guarda da Portela e Marquinhos de Oswaldo Cruz;
Vagão 2 - Tia Doca;
Vagão 3 - Cacique de Ramos;
Vagão 4 - Pagode do Negão da Abolição;
Vagão 5 - Grupo Autonomia;
Vagão 6 - Clube do Samba;
Vagão 7 - Embaixadores da Folia e Vagão 8 - Quilombo

Segundo trem - trem Silas de Oliveira - saída às 19h20

Vagão 1 - Velha Guarda do Império Serrano;
Vagão 2 - Grupo Roda do Bip;
Vagão 3 - Pagode do Nelsinho e da Wilma;
Vagão 4 - Mestre Faísca;
Vagão 5 - Manga Preta e Vagão 6 - Pagode da Tia Ciça

Terceiro trem - trem Cartola - saída às 19h40

Vagão 1 - Velha Guarda da Mangueira;
Vagão 2 - Velha Guarda do Salgueiro;
Vagão 3 - Pagode do Sambola;
Vagão 4 - Bloco Voltar pra Quê?;
Vagão 5 - Grupo Parados na Ponte;
Vagão 6 - Grupo Regente

Quarto trem - trem Luiz Carlos da Vila - saída às 20h

Vagão 1 - Velha Guarda da Vila Isabel;
Vagão 2 - Caldos e Canjas;
Vagão 3 - Quizomba;
Vagão 4 - Bloco da Cachaça;
Vagão 5 - Pagode do Renascença e Renato Milagres;
Vagão 6 - Democráticos de Guadalupe;
Vagão 7 - Grupo Nossa Arte de Niterói/Quintal de Jorge;
Vagão 8 - Pagode do Ouvidor/Pagode de São Gonçalo

Shows em Oswaldo Cruz

Palco 1:
Rua João Vicente, ao lado da Estação de Oswaldo Cruz
Início: 19h

Grupo Família; Pagode da Tia Doca e do Nem; Bombril; Genaro da Bahia; Efson; Marquinhos de Oswaldo Cruz; Délcio Carvalho; Bandeira Brasil; Noca da Portela; Elaine Machado; Trio Calafrio; Almir Guineto; Gaúcha e Deni de Lima

Palco 2:
Praça Paulo da Portela, em frente à Portelinha, em Oswaldo Cruz
Início: 19h

Grupo Descendo a Serra; Velha Guarda da Portela; Velha Guarda do Império Serrano; Velha Guarda da Mangueira; Velha Guarda do Salgueiro; Velha Guarda da Vila Isabel; Zé Catimba; Trio ABC; Ari do Cavaco; Bateria da Portela e Anderson Paz; Tantinho da Mangueira

Palco 3:
Rua Átila da Silveira, em Oswaldo Cruz
Início: 19h

Grupo do César; Marquinhos de Oswaldo Cruz; Moacyr Luz; Ernesto Pires; Serginho Procópio; Dorina; Ircéia; Zé Luiz do Império; Toninho Geraes; Agrião; Mauro Diniz e Dona Ivone Lara

Rodas de samba em Oswaldo Cruz

Rodas de número ímpar: Rua Átila da Silveira - A partir das 21h

Rodas de número par: Rua João Vicente - A partir das 21h

Roda de samba 1 - Bloco da Cachaça;
Roda de samba 2 - Grupo Manga Preta;
Roda de samba 3 - Grupo Autonomia;
Roda de samba 4 - Quizomba e Tia Gessy;
Roda de samba 5 - Mestre Faísca;
Roda de samba 6 - Democráticos de Guadalupe;
Roda de samba 7 - Clube do Samba;
Roda de samba 8 - Pagode do Gil;
Roda de samba 9 - Tia Ciça;
Roda de samba 10 - Pagode da Dulcinha e do Zau;
Roda de samba 11 - Luciano da Carvoaria;
Roda de samba 12 - Pagode do Renascença e Renato Milagres;
Roda de samba 13 - Grupo Senzala;
Roda de samba 14 - Vera Caju;
Roda de samba - Grupo Regente;
Roda de samba 18 - Pagode do Nelsinho e da Wilma e
Roda de samba 20 - Roda do Bip

Bloco de partido alto

Local: Vai da Rua Carolina Machado (esquina com Rua Fernandes Marinho) à Praça Paulo da Portela (Oswaldo Cruz) - Início: 20h

Marquinhos de Oswaldo Cruz; Renatinho Partideiro; Di Caprio; Gabrielzinho do Irajá; Baiacó; Coelho e Cacique de Ramos

II Encontro Pró-Equidade de Gênero, Raça e Diversidade dos Fundos de Penção

Paulo Freire é anistiado 45 anos após exílio

Justíssimo, mas nenhum dinheiro do mundo pagará o sofrimento de Paulo Freire e as perdas que sua ausência nos causou.

Fonte: BrasildeFato

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu nesta quinta-feira (dia 26) a anistia política /post mortem/ ao educador Paulo Freire, falecido em 1997. A cerimônia ocorreu durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica que conta com 3 mil professores e educadores de todas as regiões do Brasil e de outros 22 países, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Presente na cerimônia, a viúva, Ana Maria Araújo Freire, se emocionou ao falar do marido. “Hoje, Paulo, você pode descansar em paz. Sua cidadania plena, sem vazios e sem lacunas, foi restaurada, como você queria, e proclamada, como você merece”, disse. A homenagem ao pernambucano que revolucionou as técnicas de ensino em todo o mundo foi marcada pela emoção.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, disse que o pedido de desculpas em nome do Estado brasileiro também era direcionado aos milhões de brasileiros e brasileiras que deixaram de ser alfabetizados e emancipados por Freire. A extinção do Plano Nacional de Alfabetização, que levaria o “método Paulo Freire” a todo o país, foi um dos primeiros atos do regime autoritário, após o golpe de 1964.

O educador pernambucano foi afastado da coordenação do Plano Nacional, instituído meses antes pelo MEC, e aposentado compulsoriamente da cadeira de professor de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Após ser preso por 70 dias em uma cadeia de Olinda (PE), partiu para o exílio, retornando ao Brasil somente em 1980.

Em razão da perseguição política que resultou em 16 anos de exílio, a Comissão de Anistia concedeu indenização de R$ 100 mil – teto da prestação única, que prevê 30 salários mínimos para cada ano de perseguição comprovada.

Disputa entre Microsoft e Google ameaça livre fluxo de informações na Web

Preocupante, a liberdade da WEB nunca correu tanto risco.


Escrito por Carlos Castilho


Fonte: ObservatoriodaImprensa

Por enquanto ainda é rumor, mas crescem os indícios de que há mesmo uma conversa em curso entre a Microsoft e o império jornalístico News Corporation, controlado pelo magnata Rupert Murdoch, para tentar obrigar o mecanismo de buscas Google a pagar pela indexação de notícias publicadas na imprensa.

Ao que tudo indica a Microsoft e a NewsCorp decidiram que é hora de encurralar a Google numa jogada de alto risco, cujas conseqüências para a internet vão muito além de uma mera guerra entre três das maiores empresas do mundo digital contemporâneo.

Para tentar defender posições estratégicas ameaçadas pelo crescimento constante da Google e pela queda do seu faturamento global, a Microsoft e a News parecem dispostas a criar muros virtuais e sacrificar o principio do livre fluxo de dados, informações e conhecimentos, mantido desde o surgimento da Web, há mais de uma década.

Murdoch, que controla um império jornalístico onde se destacam jornais como o The Wall Street Journal, New York Post (ambos norte-americanos), The Times e The Sun (ingleses), há muito vem insistindo na tese de que o acesso a jornais e revistas online deve ser pago. Ele acusa a Google de “roubar” conteúdos jornalísticos ao indexar notícias que depois são publicadas no site Google News.

Murdoch tem se mostrado cada vez mais irritado e agressivo na defesa de sua tese, ao mesmo tempo em que a Microsoft vê seus lucros caírem por conta do crescimento da Google e da perda de espaço de softwares residentes em computadores para programas disponíveis na Web, a chamada “computação em nuvem”.

As perspectivas sombrias tanto para a News como para a Microsoft criaram o ambiente adequado para uma aproximação onde a empresa criada por Bill Gates oferece à de Murdoch um pagamento para ter a exclusividade na indexação de todos os conteúdos online produzidos pelo império criado pelo milionário australiano naturalizado norte-americano. Hoje a Microsoft é dirigida por Steve Ballmer, depois da aposentadoria de Gates.

A exclusividade de acesso é considerada um pecado mortal pelos criadores da Web que a conceberam como um espaço sem muros para a troca de informações. A Google é no momento uma espécie de paradigma de modelo empresarial bem sucedido financeiramente num ambiente digital, onde os sistemas convencionais de negócios estão mostrando uma série de debilidades.

A possível guerra de gigantes na internet é por dinheiro, mas as conseqüências serão sentidas no âmbito dos princípios e valores. Por isto não é uma disputa qualquer. Dependendo do desenlace, o sonho da livre circulação de informações pela rede pode ser adiado por alguns anos.

Apesar do cacife financeiro da Microsoft e da News ser muito grande, a Google também tem um arsenal respeitável em matéria a conta bancária e de posição no mercado. O mecanismo de buscas controla 65% do mercado enquanto o Bing, da Microsoft tem modestos 9%. Nada menos que 100 mil acessos por minuto são desviados de buscas no Google para os sites de jornais, revistas, rádios e TVs em todo mundo.

Números como este levaram alguns especialistas em buscas, como Danny Sullivan, do site especializado Search Engine Land, a afirmar que o risco de tentar isolar a Google é grande demais e que possivelmente a dupla Mudorch/Ballmer esteja apenas tentando assustá-la. Mas outros estão convencidos de que a perspectiva de lucros declinantes na Microsoft e na News é forte demais para eles estarem blefando.

Murdoch e Ballmer estão desafiando um processo deflagrado pela internet e que está alimentando o crescimento da nova economia digital, baseada na informação como matéria prima mais valorizada. Sem a livre circulação da informação, o ritmo das inovações tende a cair para uma velocidade típica da era industrial e mecânica, o que inviabiliza todo o sistema de produção baseado na automação e computação.

É o chamado conservadorismo digital, que tenta frear o avanço das inovações para manter privilégios. É mais ou menos como se a Olivetti tentasse proibir a fabricação de computadores para manter a sua hegemonia na venda de máquinas de escrever.

domingo, 29 de novembro de 2009

Leituras Afro-Brasileiras

Protesto a favor do Cidadão do Rio de Janeiro

TODA a população está convocada a protestar de uma forma civilizada contra o péssimo serviço prestado pelo metrô. Sempre com atrasos, vagões sem ar-condicionado, superlotados e até mesmo sem luz. Alguma coisa tem que ser feita, não adianta mais ficarmos apenas reclamando uns com os outros. Temos que agir.


No dia 30/11/09, faremos greve de passageiros.

No dia 30 de novembro, ninguém faça uso do metrô. Vamos dar um prejuízo de milhões e chamarmos atenção de verdade das autoridades e responsáveis pelo caos. Já nos sacrificamos todos os dias utilizando este transporte, que em troca só nos oferece desrespeito. A greve deve ser mantida, mesmo que, nesse único dia, tenhamos que pegar mais condução ou demoremos um pouco mais a chegar em nosso destino. O fato é que precisamos nos mobilizar.


Avise aos amigos, colegas de trabalho, envie e-mails, mensagem de celular, espalhe cartazes para que o maior número de pessoas venham a aderir a esta mobilização. Juntos podemos mudar o caos e o descaso que reinam no Metô Rio.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Centro Cultural Octavio Brandão convida ...

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO
CINECLUBE
APRESENTA

“Cartola, música para os olhos”

Documentário produzido sob a direção de Lírio Ferreira e Hílton Lacerda, em 2006, com duração de 86 minutos, procura relatar a trajetória de Angenor de Oliveira, o genial Cartola.

Nascido em 1908, um mês depois da morte de Machado de Assis, no bairro de Laranjeiras, Mestre Cartola, descendentes de escravos, tricolor de coração”, aprendeu a tocar violão e a vida sozinho. Órfão de mãe cedo, rejeitado pelo pai, Cartola tomou gosto pela boemia e como pedreiro foi parar no Morro de Mangueira, onde fundou a mais tradicional escola de samba de todos os tempos, a Estação Primeira de Mangueira, em 1928 (ou 1929, como insistem os historiadores, contrariando o fundador).

Cartola podia não ter ideologia, mas era bastante ético como registram os seus biógrafos Marília Barboza da Silva e Arthur de Oliveira Filho. E como aportou Villa-Lobos, sem ter estudado música, foi músico genial. Assim como atestou Carlos Drummond de Andrade, sem ter estudado literatura, Cartola foi poeta maior.

Esquecido nos meados dos anos cinqüenta, Cartola foi redescoberto por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, lavando carro. Mesmo “voltando à cena”, o “Mestre” foi cortado em disputa de samba-enredo na Mangueira, no início dos anos sessenta , ainda que tivesse na parceria o ferroviário e extraordinário Carlos Cachaça. E seu antológico samba “Tive Sim” foi vaiado em festival da tevê Record, em 1967. No intervalo da disputa na Mangueira e o festival de samba, junto com a sua última companheira, Zica, Cartola foi responsável pelo restaurante Zicartola, na rua da Carioca, que revelou nomes como Paulinho da Viola e Élton Medeiros.

Tardiamente, Cartola só gravaria o seu primeiro disco, aos 65 anos, sendo necessária a criação de uma gravadora, a Marcos Pereira para a realização de tal intento.

No final da vida, Cartola renderia homenagens a Quilombo, escola alternativa fundada por Mestre Candeia, reconhecida por ele como a última agremiação verdadeira. Também participaria do histórico desfile da Estação Primeira de Mangueira, em 1978, em homenagem ao cinqüentenário da verde-rosa, se fantasiando, com a Velha Guarda, de carroceiros do Imperador Pedro II (os primeiros moradores do morro de Mangueira). A “Manga”, com o emocionante samba de Jurandir e Rubens (“Canto a minha história/ de um celeiro de bamba/ cinqüenta anos de glória/ estão no Palácio do Samba), mesmo com o uníssono coro de “Já ganhou!”, foi literalmente “garfada” pela Beija-Flor do trio Joãosinho Trinta/Aniz Abrahão David/Laíla, ficando com o injusto vice-campeonato.

Mestre Cartola nos deixaria em 1980, vítima de câncer. Sobre ele ainda escreveria Drummond: “Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida”.

Mesmo que o documentário “Cartola, música para os olhos”, tenha gerado fortes polêmicas entre João Máximo e Nélson Motta (com muitas razões, obviamente, para o primeiro), ele não deixa de ser um importante registro sobre a obra do inesquecível sambista, além de nortear o evento do Centro Cultural Octávio Brandão, em homenagem ao “Dia Nacional do Samba” (02 de dezembro), quando alguns só estão pensando em faturar com o mesmo.


NESTE SÁBADO - 28/11 - 16 HORAS
Convite especial: Após o filme o Fernando, nosso associado e membro da equipe responsável pelo cineclube, convida para o seu aniversário, que será comemorado com um churrasquinho amigo na sede do CCOB a partir das 18 horas.

Poemas & Canções

POEMAS & CANÇÕES

Evento que acontece no último domingo do mês, desde agosto de 2004, tendo como eterno padrinho o saudoso LUIZ CARLOS DA VILA e onde poetas, compositores e músicos apresentam peculiares trabalhos sobre a música e a poesia brasileira.

DATA: 29 de novembro

HORÁRIO: A partir das 15 horas

LOCAL: Bar Papo de Esquina

ENDEREÇO: Rua Antonio Storino, 161, Vila da Penha - Rio de Janeiro (RJ)

TELEFONE: (21) 2470-3883
DIVULGAÇÃO GRATUITA:
Poemas & Canções

IV Fórum Criminal “Racismo É Crime! Aplicabilidade da Lei Penal”.


UERJ SEDIA IV FÓRUM RACISMO É CRIME

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) será sede, nos dias 30 de novembro e 01 de dezembro do IV Fórum Criminal “Racismo É Crime! Aplicabilidade da Lei Penal”.


O evento é promovido pelo Centro de Pesquisas Criminológicas do Rio de Janeiro - CEPERJ; pela UERJ, por meio da Coordenadoria de Estudos e Pesquisas em Ordem Pública, Polícia e Direitos Humanos; pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro – PCERJ; pelo Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (COMDEDINE); da Comissão OAB/RJ Vai à Escola; do Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH) e da Coordenadoria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro - CEPPIR/RJ.
O IV FÓRUM CRIMINAL RACISMO É CRIME! Aplicabilidade da Lei Penal tem por objetivo orientar, informar e capacitar os operadores do Direito, os membros do judiciário, advogados, estagiários, promotores de justiça, profissionais e operadores da segurança pública, militantes e ativistas de instituições representativas do Movimento Negro do Rio de Janeiro, para melhor compreensão da complexidade dos procedimentos judiciais cíveis e criminais das ações provenientes da prática dos crimes de racismos. O IV Fórum Criminal Racismo é Crime – Aplicabilidade da Lei Penal contará com a participação de palestrantes como: Dr. Wilson Roberto Prudente, Procurador do Ministério Público Federal do Trabalho; Carlos Luiz Antonio Oliveira, Subchefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Dr. Mário Leopoldo – Presidente da Comissão OAB Vai à Escola; Dr. Henrique Pessoa, Delegado de Polícia e Membro da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa; Dr. Oswaldo Barbosa da Silva, advogado, Presidente do Parlamento Internacional dos Povos; Professor Dr. Júlio Tavares, professor da UFF; Dr. Paulo Rangel, Promotor de Justiça, Titular do II Tribunal do Júri; Babalaô Ivanir dos Santos, Secretario Executivo do CEAP e Membro da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa; Professor Carlos Alberto Medeiros - Coordenador da Coordenadoria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial do Rio de Janeiro - CEPPIR/RJ Dr. Antonio Fernandes de Oliveira Netto; Advogado, Pós-graduado em Direito e Processo Civil; Dr. Marcos Kac, Promotor de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Sr. Cláudio Nascimento Silva, Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da SEAS DH/RJ, entre outros palestrantes, que abordarão os seguintes temas: Aspectos Jurídicos, Políticos, Culturais e Sociais dos Crimes de Racismo e a Sociedade Brasileira; Aspectos culturais, sociais e jurídicos dos crimes de racismo por intolerância religiosa, racial, homofobia, e a Aplicabilidade Penal da Lei dos Crimes de Racismo; Crimes de Racismo: Aspectos da Responsabilidade Civil em face das condenações dos crimes de racismo; Crimes de Racismo: A questão Histórica, a Sociologia Jurídica e os Movimentos Sociais.

Local:
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
Rua São Francisco Xavier, 534 – Maracanã, Rio de Janeiro,
13º andar - Pavilhão João Lyra Filho.
Entrada Franca

Contatos:
E-mails: ceperj@gmail.com; quilombobrasil2009@gmail.com

Telefones- 96762490
78622360 ID 83* 69079

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tribunal mantém validade da Lei de Cotas em universidades no Rio de Janeiro

Prevaleceu o bom senso. Que os neoracistas do DEM saibam que estaremos alertas contra as forças do atraso.



O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu pela constitucionalidade da Lei de Cotas no Estado. Por 15 votos a 6, os desembargadores julgaram improcedente a representação do deputado Flávio Bolsonaro (PP), que pedia a suspensão da Lei 5.346/2008, que estende por mais dez anos a reserva de vagas para negros, indígenas, alunos da rede pública, portadores de deficiência e filhos de policiais, bombeiros e inspetores de segurança e penitenciários mortos ou incapacitados em serviço em universidades estaduais do Estado.

Há seis meses, os desembargadores haviam concedido liminar à mesma representação. Diante da repercussão negativa e do apelo de reitores por conta dos vestibulares em andamento, o colegiado postergou o início da legitimidade da liminar para 2010. Ontem, os magistrados mantiveram a validade da lei. Bolsonaro anunciou que vai apresentar recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O relator do processo, Sergio Cavalieri Filho, disse que as ações afirmativas funcionam para garantir a isonomia. “Há grupos minoritários e hipossuficientes que precisam de tratamento especial”, afirmou. Para Bolsonaro, “a Justiça do Rio sinalizou para todo o Brasil que separar a sociedade em brancos e negros é constitucional e moral". "O que eu lamento”, disse.

Fonte:Jornal do Comércio

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uma Escola de Formação Política"

PROGRAMAÇÃO
MESTRE DE CERIMÔNIA:
Adagoberto Arruda
– Professor, Ator e Diretor Administrativo e de Patrimônio do IPCN
DIA: 23 DE NOVEMBRO DE 2009
O IPCN HOMENAGEIA
PAI AMARO DE XANGÔ,
MÃE BELINHA DE OXÓSSE E
PAI ZÉZINHO DA BOA VIAGEM,
como Mantenedores da Tradição das Matrizes Africanas.

18:00h 1ª Mesa – Abertura do Seminário com saudações das autoridades.
- Representante da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
- Hildézia de Medeiros - Superintendente Executiva dos Conselhos Vinculados da Secretaria de Estado de Ação Social e Direitos Humanos
- Paulo Roberto dos Santos PAULÃO - Presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro
- Cecília Teixeira Soares - Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher
Mediadira: Aduni Benton – Diretora do Documentário "IPCN 35 Anos! Uma Escola de Formação Política", Diretora Artística da Cia. É Tudo Cena!, membro da UNEGRO

· 18:45h - MOMENTO PARA O CAFÉ

19:00h 2ª Mesa – A INFLUÊNCIA DO IPCN NO COMBATE AO RACISMO NACIONAL

- João Jorge –
Mestre em Direito Publico pela UnB, advogado e Presidente do Olodum
- Gevanilda Silva – Mestre em Sociologia Politica PUC / SP
- Milton Barbosa – Membro fundador do MNU / Bacharelando em Economia na USP
- Teresa Santos - Atriz, Diretora de Teatro, Filósofa e Militante do Movimento Negro
- Juarez Xavier – Jornalista - Mestre e Doutor em Comunicação e Cultura, Membro fundador da UNEGRO
- Amauri Mendes – Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Educaçao pela UERJ, Professor de Sociologia da UEZO – Ex-Presidente do IPCN
Mediador: Luiz Eduardo NEGROGUN – Produtor Cultural, Presidente do COBRA e Presidente Regional do Movimento Negro do PDT

DIA: 24 DE NOVEMBRO DE 2009

● 18:00h 1ª Mesa – A CONSTRUÇÃO DO MOVIMENTO NEGRO NO RJ – DÉCADAS DE 70/80

- Yedo Ferreira –
Bacharelando de Matemática pela UFRJ / Membro Fundador do IPCN / Membro Fundador do MNU
- Suzete Paiva - Professora e Membro da UNEGRO
- Ana Felipe - Pós-graduada em Filosofia // Coordenadora do Memorial Lélia Gonzalez // Fundadora do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras – IPCN // Presidente da Associação de Estudos e Atividades Filosóficos - SEAF
- Wilson Prudente – Procurador do Ministério Público do Trabalho
- Edialeda Salgado – Médica e Presidente Nacional do Movimento Negro do PDT
- Jorge Coutinho – Presidente do Sindicato dos Artistas e Presidente do PMDB Afro.
Mediadora: Angélica Basthi - Jornalista

● 19:45h – MOMENTO PARA O CAFÉ

20:00h 2ª Mesa - EXPERIÊNCIAS DE GESTÃO, CONQUISTAS, DIFICULDADES E LEGADOS

- Benedito Sergio
Representante da Fundação Cultural Palmares no Rio de Janeiro
- Orlando Fernandes - Capitão, Mecanico de Manutençao de Aeronaves e Mecanico Ferramenteiro, Publicitario e Produtor Gráfico, antigo militante do partidão e fundador do PDT, fundador do IPCN e GRANES Quilombo
- Paulo Roberto dos Santos – Professor e Assessor Especial da Superintendência de Igualdade Racial
- Abgail Páschoa – Militante Histórica do Movimento de Mulheres e Homens Negros
- Sebastião Soares - Pós Graduado em Historia da África
- Amauri Silva – Diretor do Centro Cultural José Bonifácio
- Maria Alice Santos – Produtora Cultural e Presidente do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras - IPCN
Mediador: Júlio Tavares –
Antropólogo

IV Semana da Consciência Negra de Nova Iguaçu

Quintal mineiro

Centro Cultural Octávio Brandão apresenta ...

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO
CINECLUBE ESPECIAL
21/11 - SÁBADO - 17 HS
CRUZ E SOUSA: O POETA DO DESTERRO
Biografia:

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa, seria acolhido pelo Marechal e sua esposa como o filho que não tinham. Foi educado na melhor escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar.

Sofre uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em Laguna, por ser negro. Em 1890 vai para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Colabora em alguns jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de Missal e Broquéis (1893), só consegue arrumar um emprego miserável na Estrada de Ferro Central.

Casa-se com Gavita, também negra, com quem tem quatro filhos, dois dos quais vêm a falecer. Sua mulher enlouquece e passa vários períodos em hospitais psiquiátricos. O poeta contrai tuberculose e vai para a cidade mineira de Sítio se tratar. Morre aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão.

O Filme:

Reinvenção da vida, obra e morte do poeta catarinense Cruz e Sousa (1861-1898), fundador do Simbolismo no Brasil e considerado o maior poeta negro da língua portuguesa. Através de 34 "estrofes visuais", o filme rastreia desde as arrebatadoras paixões do poeta em Florianópolis até seu emparedamento social, racial, intelectual e trágico no Rio de Janeiro


Informações Técnicas


Título: Cruz e Sousa - O Poeta do Desterro


País de Origem: Brasil


Gênero: Drama


Tempo de Duração: 86 minutos


Ano de Lançamento: 2000


Direção: Sylvio Back



Elenco

Kadu Carneiro .... João Cruz e Sousa









CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com Domingos Magalhães, próximo ao Metrô, Maria da Graça.

Acerca da grande mídia e da desigualdade racial

De Sergio J. Dias

O jornalista Venício Lima escreveu um artido publicado pelo site AgenciaCartaMaior, em que comenta o posicionamento contrário da grande mídia às demandas do movimento negro brasileiro. Em função disto, elaboramos uma pequena reflexão sobre tal problemática.
O que ocorre é que a elite "branca brasileira" percebeu que falar de racismo no Brasil é diferente de discutir a mesma questão nos EUA. Durante muito tempo, setores da grande mídia inspirados pelo movimento dos direitos civis e suas consequências lá, viam a luta contra o racismo como algo facilmente palatável para o capitalismo brasileiro. Afinal a meca do sistema conseguiu absorver tal problemática, não sem antes prender e matar as principais lideranças, e ainda produziu um discurso sobre a capacidade e eficiência, talento, etc. que é apresentado sempre que a questão racial no capitalismo é colocada.
No entanto, temos um dado que nos diferencia da situação estadunidense. Enquanto, nos Estados Unidos, a população negra corresponde a 12% do total, no Brasil esta mesma população, somando pretos e pardos alcança mais de 50% do total, ou seja, neste sentido estamos mais perto da problemática da África do Sul, e, por conseguinte, mais próximos de soluções encontradas pelos sulafricanos. O despertar, portanto, de uma consciência racial no Brasil, acredito, causa tremores na elite branca racista brasileira.
Dados que mostram o aumento de pretos ou pardos se autoidentificando como negros, saindo daquelas definições tradicionais que incluem dezenas de adjetivações diferentes, como "mulato", "morenoescuro", "marrom bombom", "chocolate", "pardo" e tantas outras abriram os olhos de setores das classes dominantes brasileiras sobre os riscos de uma ampliação da consciência racial. Não podemos, e não devemos esquecer que a população negra, em um capitalismo dependente como o nosso faz parte majoritariamente do exército de mão-de-obra de reserva e tem na incompetência dos negros, isto é, no racismo a justificativa para este estado de coisas.
Questionar, neste sentido, os problemas raciais no Brasil significa muito mais do que o foram para os movimentos negros estadunidense, pois põe a nu os limites do capitalismo dependente brasileiro e sua possibilidade de dar conta das demandas sociais. Esta reação da grande mídia se insere em uma estratégia de isolar o movimento negro brasileiro, assim como fizeram com o movimento sindical, e de esquerda, como um todo. Além de ter como objetivo retomar as teses tradicionais desenvolvidas por Gilberto Freire, sobretudo, e tantos outros no alvorecer da República, quando a população negra foi inserida no conjunto da cidadania brasileira.
Convém então, aos neoracistas reelaborar a ideologia da democracia racial, atualizando-a para os novos tempos, e para os embates com os movimentos negros. É claro que, os indicadores sociais brasileiros desmentem tal tese e são o principal combustível para o avanço da consciência racial.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Moderna música africana VI





África vive!!!

África Selvagem: uma mentira colonial

Fonte: La Insignia

Escrito por: Carlos Eduardo Alcântara Martins

No final do século 19 a África já tinha sido duramente atingida por séculos de tráfico de escravos e exploração de seus recursos naturais, notadamente os minerais. Mesmo assim, ainda existiam no continente sociedades prósperas e vigorosas, econômica e culturalmente.

Uma única e aparentemente irrelevante intervenção européia mudou esse quadro de forma abrupta, devastadora e irreversível.

Em meados da década de 1880 uma força expedicionária italiana fez uma de suas periódicas incursões no nordeste da África. Sua permanência foi curta, mas teve conseqüências catastróficas. Os italianos trouxeram consigo cabeças de gado para sua alimentação; e essas cabeças de gado por sua vez trouxeram e legaram à África a Rinderpest, ou peste do gado.

A Rinderpest é uma moléstia infecciosa de ruminantes, altamente contagiosa e virulenta, causada por um vírus, Tortor bovis. O vírus tem um período de incubação curto, de três a cinco dias. Os primeiros sintomas da doença são lassitude e inapetência, acompanhadas de febre de mais de 40 graus. Seguem-se supurações oculares, nasais e bucais, diarréia, perda de massa corporal, desidratação e desinteria, e finalmente sobrevêem, após não mais de duas semanas, prostração, coma e morte.

Originária das estepes da Ásia, a Rinderpest chegou à Europa no rastro das invasões de povos como os mongóis. Após vários surtos epidêmicos, a doença se tornou endêmica em algumas regiões da Europa; e, como freqüentemente acontece com endemias, ocorreu um processo de seleção natural pelo qual os indivíduos naturalmente resistentes sobreviviam e se reproduziam, e seus descendentes, ou parte deles, possuíam imunidade parcial ou tolerância. Eram infectados mas não desenvolviam a doença, tornando-se assim portadores e transmissores assintomáticos.

Mas até então a Rinderpest era totalmente inexistente na África sub-saariana, possivelmente porque os camelos, os únicos animais a cruzar o deserto, não eram suscetíveis à moléstia. E portanto nenhuma espécie nativa era dotada de qualquer defesa imunológica contra a doença.

Sem a barreira protetora do deserto, a Rinderpest se disseminou de forma avassaladora, primeiro pelo chamado Chifre da África e rapidamente por todo o continente. Em 1887 a "peste do gado" surgiu na Eritréia, local da invasão italiana, e em menos de um ano havia se espalhado por toda a Etiópia. Dali seguiu dois caminhos. Para o oeste, através do Sudão e do Chade, e em cinco anos chegou ao Atlântico. Para o sul, através do Quênia e de Tanganica, e dali penetrando no centro do continente.

Antes do final do século19 a epidemia tinha chegado à África do Sul, apesar das tentativas pelas autoridades das então ainda incipientes colônias inglesas ali já estabelecidas de impedir sua passagem erguendo uma barreira sanitária ao longo de 1.500 quilômetros, e havia dizimado quase todo o gado da região.

E destruído, por onde passou, as sociedades nativas.

A doença não afeta seres humanos, mas aquelas sociedades tiveram suas bases destroçadas. Os pastores e criadores perderam seus rebanhos. Os agricultores ficaram privados dos animais de tração para seus arados e para as rodas de água que serviam para irrigar seus campos. E os caçadores viram desaparecer suas presas, pois a Rinderpest ataca indiscriminadamente espécies domésticas e selvagens.

O morticínio é até hoje incalculável. Pela fome, e pelas epidemias oportunistas que se instalaram aproveitando o quadro de subnutrição generalizada. E também pelo impacto psicológico. Tribos como os Masai, celebrados como prósperos criadores de gado e bravos guerreiros, viram toda sua estrutura social desabar da noite para o dia e se reduziram a pedintes, implorando por comida às caravanas que cruzavam seu território. Os Fulani, outra tribo antes rica e poderosa, perderam todo seu gado e, incapazes de aceitar o flagelo que os havia acometido, se auto-destruíram quase que à extinção matando suas próprias famílias e se suicidando em massa.

Para as potências coloniais européias a Rinderpest foi uma benção. Ao avançarem maciçamente sobre a África no final do século 19 e no começo do século 20 encontraram uma população empobrecida e assolada por doenças, drasticamente reduzida, em alguns casos a menos de 10% do que tinha sido uma ou duas décadas atrás, e incapaz de oferecer qualquer resistência significativa aos invasores. Poucas, se alguma, conquistas coloniais terão sido tão fáceis quanto a da África pós-Rinderpest.

Mas a peste do gado teve outra consequência: mudou a própria ecologia do continente. Até então, as grandes manadas que ocupavam as campinas africanas limitavam o crescimento da vegetação, tanto pelo pasto quanto por sua presença física. Com o desaparecimento dessas manadas, as planícies foram tomadas pelas gramíneas, que cresciam sem qualquer fator limitador, e a vegetação arbórea e arbustífera se espalhou por vastas áreas de florestas e cerrados.

Esse ambiente se mostrou propício à proliferação da mosca tsé-tsé, um grupo de insetos hematófagos do gênero Glossina que infesta tanto animais como seres humanos, e é o transmissor do parasita causador da trepanossomose conhecida como "doença do sono" (outra espécie de trepanossoma é causador da Doença de Chagas). A doença é caracterizada por febre e inflamação das glândulas linfáticas, seguidas, quando ocorre o comprometimento da medula espinhal e do cérebro, por profunda letargia (daí seu nome) e, numa alta proporção de casos, de morte.

De início a Rinderpest também afetou a mosca tsé-tsé negativamente, ao dizimar seus hospedeiros animais, domésticos e selvagens, e humanos. Mas a vegetação exuberante que passou a dominar as campinas forneceu o terreno ideal para que as moscas adultas depositassem suas larvas e assim procriassem em grande número, o que permitiu à tsé-tsé sobreviver. Quando a epidemia de Rinderpest cedeu, por falta de vítimas, as populações de animais selvagens, por não dependerem de humanos para sua subsistência, se recuperaram muito mais rápida e intensamente do que as de amimais domésticos e de humanos. E a mosca tsé-tsé pôde se espalhar pelos novos hospedeiros, livre de qualquer controle. Por sua vez, a infestação pela tsé-tsé e a doença de que é portadora impediram que os humanos e seu gado voltassem a ocupar as planícies como áreas de pasto. Nessas condições, a tsé-tsé passou a dominar o novo ambiente, incluindo o leste da África onde era inexistente, e regiões do sul do continente em que havia praticamente desaparecido.

A combinação de mudança ambiental e devastação colonial fez com que as sociedades já arrasadas pela peste do gado nunca pudessem se recuperar. Além disso, muitos dos conflitos tribais que hoje ocorrem são fruto não de rivalidades milenares, mas sim de disputas resultantes da Rinderpest, quer por comida no auge da epidemia quer pelas escassas áreas de pastoreio existentes no ambiente por ela criado, e agravadas pelas tensões geradas pelas fronteiras arbitrariamente riscadas no mapa pelas potências coloniais.

Ironicamente, uma outra iniciativa européia, esta bem intencionada, serviu para preservar as condições econômicas adversas. Os colonizadores supuseram, erroneamente, que o ambiente com o qual se depararam - vastas áreas de planícies cobertas por grama alta e ocupadas por animais selvagens, de cerrados e de florestas, todas infestadas pela mosca tsé-tsé e sem a presença do homem e de animais domésticos - era a "África primitiva"; e quando mais tarde surgiram os primeiros movimentos "conservacionistas" (alguns eivados de uma boa dose de hipocrisia) que levaram à criação dos parques nacionais e das reservas animais foi esse ambiente supostamente "primitivo" que se estabeleceu como modelo para a preservação, não raro com o beneplácito e a colaboração dos governos locais, desesperadamente necessitados das receitas em moeda forte provenientes do "turismo ecológico". Com isso, as áreas de "preservação" foram para sempre vedadas a qualquer atividade econômica, desprezando o fato de que, antes da Rinderpest, homem, gado e fauna selvagem dividiam equilibradamente o território, e de que esse equilíbrio era dinâmico, com ciclos de predominância dos diversos tipos de vegetação e formas de ocupação.

Isto criou ainda uma nova figura antes inexistente: o "poacher", ou caçador clandestino, tanto para obter alimento quanto para se apoderar, quase sempre para serem contrabandeados para países ricos, de despojos valiosos como chifres de rinoceronte ou patas de macacos. O "poacher" tornou-se, ao lado do ditador caricato, o grande vilão da África pós-colonial, a ser bravamente combatido pelo destemido "defensor da natureza", sejam naturalistas (muitos deles de fato idealistas e dedicados) sejam heróis de ficção - infalivelmente caucasianos. As "vozes d'África", como sempre, não se fazem ouvir.

A África que nos é mostrada hoje, nos documentários sobre a "África selvagem" e nos noticiários sobre as "guerras tribais", na ficção popular e nas biografias romanceadas "baseadas em fatos reais", é portanto em mais de um sentido uma artificialidade criada pela intervenção européia, direta e indireta, na ecologia do continente, incluída sua ecologia social.

(*) Carlos Eduardo Alcântara Martins é economista graduado pela PUC ( RJ)- Brasil.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A guerra, um grande negócio

Nos últimos tempos, empresas privadas, que tem como mão-de-obra, exércitos de mercenários, passaram a representar as superpotências imperialistas no Oriente Médio. O site Esquerda.net fez então um dossiê em que analisa a atuação dessas empresas, seu poder e influência, em particular nos EUA. Para estas empresas o negócio é prolongar a guerra o quanto puderem, produzindo medo e destruição.

Link original: Esquerda.net

Com o fim da guerra fria ressurgiram em força os mercenários, numa nova forma: as empresas militares privadas. A guerra de ocupação do Iraque deu-lhes uma maior dimensão, ao ponto de serem hoje a segunda maior força de ocupação, depois do exército norte-americano. Neste dossier sobre empresas de mercenários, elaborado por esquerda.net, Sami Makki (em O grande negócio da guerra) analisa o contexto geral da privatização das forças armadas nos Estados Unidos.

José Maria Pérez Gay faz a história dos novos mercenários , Peter W. Singer (Uma prática velha como o mundo) faz a história do surgimento dos exércitos nacionais regulares a partir da sua relação com os grupos mercenários.

Tom Griffin (De Bengala a Bagdade: Três Séculos de Guerreiros Empresariais) faz um pequeno historial do papel dos mercenários no imperialismo britânico e americano. Onde também fala do papel dos mercenários na vitória militar do MPLA sobre a UNITA em Angola.

Norman Solomon (A ressaca pró-guerra do escandalo Blackwater) explica que por trás de muita da retórica, existente nos EUA, contra a Blackwater se escondem argumentos a favor da continuação da guerra no Iraque.

O artigo Portugal na rota de recrutamento das empresas militares privadas, elaborado a partir de um artigo de Francisco Galope publicado na revista Visão de 2 de Agosto passado, dá dados sobre a presença do nosso país no circuito de recrutamento das empresas de mercenários, nomeadamente norte-americanas.

Em vídeos sobre companhias militares privadas podem ser vistos três vídeos sobre o papel dessas empresas no Iraque, dois dos quais são extractos de documentários.

Uma lista, bastante completa, de empresas militares privadas pode ser encontrada na wikipédia em inglês, em Private Military Company

Na elaboração deste dossier Rui Borges escolheu os textos, Jorge Costa e Nino (vídeos) colaboraram na escolha, Carla Luís e Carlos Carujo traduziram de inglês para português e Carlos Santos organizou e editou.


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