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terça-feira, 31 de março de 2009

Entrevista de Eric Hobsbawn


Publicada originalmente no site:
CartaMaior
Tradução: Katarina Peixoto

Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu "Rebeldes Primitivos", "A Era da Revolução" e a "História do Século XX", entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.

Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou. Rapidamente uma pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma. Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.

- Acabo de me encontrar com um historiador alemão, por isso estou na embaixada, e devo voltar – avisa. Ele chegou de visita a Londres e quis conversar com alguns de nós. Sei que vamos a Canning House. Está bem. Poucas voltas, não?

O carro dá meia volta na Belgrave Square e pára na frente de outro palacete branco de três andares, com uma varanda rodeada de colunas e a porta de madeira pesada. Por algum motivo mágico o motorista de cabelos brancos com uma mecha sobre o rosto, traje azul e sorridente como um ajudante do inspetor Morse de Oxford, já abre a porta a Hobsbawm. Entre essas construções tão parecidas, a elegância do Jaguar o assemelha a uma carruagem recém polida. O motorista sorri quando Hobsbawm desce. O professor lhe devolve a simpatia enquanto sobe com facilidade num hall obscuro. Já entrou em Canning House e à direita vê uma enorme imagem de José de San Martin. À esquerda do corredor, uma grande sala. O chá está servido. Quer dizer, o chá, os pães e uma torta. Outro quadro do mesmo tamanho que o de San Martin. É Simon Bolívar. E também é Bolívar o cavalheiro do busto sobre o aparador.

Quanto chá tomaram Bolívar e San Martin antes de saírem de Londres para a América do Sul, em princípios do século XIX, para cumprir seus planos de independência?

Hobsbawm pega a primeira taça e quer ser quem faz a primeira pergunta.

- Como está a Argentina? - interroga mas não muito, porque não espera e comenta – No ano passado Cristina esteve para vir a Londres para uma reunião de presidentes progressistas e pediu para me ver. Eu disse sim, mas ela não veio. Não foi sua culpa. Estava no meio do confronto com a Sociedade Rural.

Hobsbawm fala um inglês sem afetação nem os trejeitos de alguns acadêmicos do Reino Unido. Mas acaba de pronunciar “Sociedade Rural” em castellhano.

- O que aconteceu com esse conflito?

Durante a explicação, o professor inclina a cabeça, mais curioso que antes, enquanto com a mão direita seu garfo tenta cortar a torta de maçã. É uma tarefa difícil. Então se desconcentra da torta e fixa o olhar esperando, agora sim, alguma pergunta.

- O mundo está complicado – afirma ainda mantendo a iniciativa. Não quero cair em slogans, mas é indubitável que o Consenso de Washington morreu. A desregulação selvagem já não é somente má: é impossível. Há que se reorganizar o sistema financeiro internacional. Minha esperança é que os líderes do mundo se dêem conta de que não se pode renegociar a situação para voltar atrás, senão que há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.

A Argentina experimentou várias crises, a última forte em 2001. Em 2005 o presidente Néstor Kirchner, de acordo com o governo brasileiro, que também o fez, pagou ao FMI e desvinculou a Argentina do organismo para que o país não continuasse submetido a suas condicionalidades.

- É que a esta altura se necessita de um FMI absolutamente distinto, com outros princípios que não dependam apenas dos países mais desenvolvidos e em que uma ou duas pessoas tomam as decisões. É muito importante o que o Brasil e a Argentina estão propondo, para mudar o sistema atual. Como estão as relações de vocês?

- Muito bem

- Isso é muito importante. Mantenham-nas assim. As boas relações entre governos como os de vocês são muito importantes em meio a uma crise que também implica riscos políticos. Para os padrões estadunidenses, o país está girando à esquerda e não à extrema direita. Isso também é bom. A Grande Depressão levou politicamente o mundo para a extrema direita em quase todo o planeta, com exceção dos países escandinavos e dos Estados Unidos de Roosevelt. Inclusive o Reino Unido chegou a ter membros do Parlamento que eram de extrema direita [e começa a entrevista propriamente].

- E que alternativa aparece?
- Não sei. Sabe qual é o drama? O giro à direita teve onde se apoiar: nos conservadores. O giro à esquerda também teve em quem descansar: nos trabalhistas.

- Os trabalhistas governam o Reino Unido.
- Sim, mas eu gostaria de considerar um quadro mais geral. Já não existe esquerda tal como era.

- Isso lhe é estranho?
- Faço apenas o registro.

- A quê se refere quando diz “a esquerda tal como era”?
- Às distintas variantes da esquerda clássica. Aos comunistas, naturalmente. E aos socialdemocratas. Mas, sabe o que acontece? Todas as variantes da esquerda precisam do Estado. E durante décadas de giro à direita conservadora, o controle do Estado se tornou impossível.

- Por que?
- Muito simples. Como você controla o estado em condições de globalização? Convém recordar que, em princípios dos anos 80 não só triunfaram Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Na França, François Miterrand não obteve uma vitória.

- Havia vencido para a presidência dem 1974 e repetiu a vitória em 1981.
- Sim. Mas quando tentou uma unidade das esquerdas para nacionalizar um setor maior da economia, não teve poder suficiente para fazê-lo. Fracassou completamente. A esquerda e os partidos socialdemocratas se retiraram de cena, derrotados, convencidos de que nada se podia fazer. E, então, não só na França como em todo mundo ficou claro que o único modelo que se podia impor com poder real era o capitalismo absolutamente livre.

- Livre, sim. Por que diz “absolutamente”?
- Porque com liberdade absoluta para o mercado, quem atende aos pobres? Essa política, ou a política da não-política, é a que se desenvolveu com Margareth Thatcher e Ronald Reagan. E funcionou – dentro de sua lógica, claro, que não compartilho – até a crise que começou em 2008. Frente à situação anterior a esquerda não tinha alternativa. E frente a esta? Prestemos atenção, por exemplo, à esquerda mais clássica da Europa. É muito débil na Europa. Ou está fragmentada. Ou desapareceu. A Refundação Comunista na Itália é débil e os outros ramos do ex Partido Comunista Italiano estão muito mal. A Esquerda Unida na Espanha também está descendo ladeira abaixo. Algo permaneceu na Alemanha. Algo na França, como Partido Comunista. Nem essas forças, nem menos ainda a extrema esquerda, como os trotskistas, e nem sequer uma socialdemocracia como a que descrevi antes alcançam uma resposta a esta crise a seus perigos, contudo. A mesma debilidade da esquerda aumenta os riscos.

- Que riscos?
- Em períodos de grande descontentamento como o que começamos a viver, o grande perigo é a xenofobia, que alimentará e será por sua vez alimentada pela extrema direita. E quem essa extrema direita buscará? Buscará atrair os “estúpidos” cidadãos que se preocupam com seu trabalho e têm medo de perdê-lo. E digo estúpidos ironicamente, quero deixar claro. Porque aí reside outro fracasso evidente do fundamentalismo de mercado. Deu liberdade para todos, e a verdadeira liberdade de trabalho? A de mudá-lo e melhorar em todos os aspectos? Essa liberdade não foi respeitada porque, para o fundamentalismo de mercado isso tinha se tornado intolerável. Também teriam sido politicamente intoleráveis a liberdade absoluta e a desregulação absoluta em matéria laboral, ao menos na Europa. Eu temo uma era de depressão.

- Você ainda tem dúvidas de que entraremos em depressão?
- Se você quiser posso falar tecnicamente, como os economistas, e quantificar trimestres. Mas isso não é necessário. Que outra palavra pode se usar para denominar um tempo em que muito velozmente milhões de pessoas perdem seu emprego? De qualquer maneira, até o momento no vejo um cenário de uma extrema direita ganhando maioria em eleições, como ocorreu em 1933, quando a Alemanha elegeu Adolf Hitler. É paradoxal, mas com um mundo muito globalizado um fator impedirá a imigração, que por sua vez aparece como a desculpa para a xenofobia e para o giro à extrema direita. E esse fator é que as pessoas emigrarão menos – falo em termos de emigração em massa – ao verem que nos países desenvolvidos a crise é tão grave. Voltando à xenofobia, o problema é que, ainda que a extrema direita não ganhe, poderia ser muito importante na fixação da agenda pública de temas e terminaria por imprimir uma face muito feia na política.

- Deixemos de lado a economia, por um momento. Pensando em política, o que diminuiria o risco da xenofobia?
- Me parece bem, vamos à prática. O perigo diminuiria com governos que gozem de confiança política suficiente por parte do povo em virtude de sua capacidade de restaurar o bem-estar econômico. As pessoas devem ver os políticos como gente capaz de garantir a democracia, os direitos individuais e ao mesmo tempo coordenar planos eficazes para se sair da crise. Agora que falamos deste tema, sabe que vejo os países da América Latina surpreendentemente imunes à xenofobia?

- Por que?
- Eu lhe pergunto se é assim. É assim?

- É possível. Não diria que são imunes, se pensamos, por exemplo, no tratamento racista de um setor da Bolívia frente a Evo Morales, mas ao menos nos últimos 25 anos de democracia, para tomar a idade da democracia argentina, a xenofobia e o racismo nunca foram massivos nem nutriram partidos de extrema direita, que são muito pequenos. Nem sequer com a crise de 2001, que culminou o processo de destruição de milhões de empregos, apesar de que a imigração boliviana já era muito importante em número. Agora, não falamos dos cantos das torcidas de futebol, não é?

- Não, eu penso em termos massivos.

- Então as coisas parecem ser como você pensa, professor. E, como em outros lugares do mundo, o pensamento da extrema direita aparece, por exemplo, com a crispação sobre a segurança e a insegurança das ruas.
- Sim, a América Latina é interessante. Tenho essa intuição. Pense num país maior, o Brasil. Lula manteve algumas idéias de estabilidade econômica de Fernando Henrique Cardoso, mas ampliou enormemente os serviços sociais e a distribuição. Alguns dizem que não é suficiente...

- E você, o que diz?
- Que não é suficiente. Mas que Lula fez, fez. E é muito significativo. Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. E ninguém o havia feito nunca na história desse país. Por isso hoje tem 70% de popularidade, apesar dos problemas prévios às últimas eleições. Porque no Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles, desenvolvendo ao mesmo tempo a indústria e a exportação de produtos manufaturados. A desigualdade ainda assim segue sendo horrorosa. Mas ainda faltam muitos anos para mudar as cosias. Muitos.

- E você pensa que serão de anos de depressão mundial
- Sim. Lamento dizê-lo, mas apostaria que haverá depressão e que durará alguns anos. Estamos entrando em depressão. Sabem como se pode dar conta disso? Falando com gente de negócios. Bom, eles estão mais deprimidos que os economistas e os políticos. E, por sua vez, esta depressão é uma grande mudança para a economia capitalista global.

- Por que está tão seguro desse diagnóstico?
- Porque não há volta atrás para o mercado absoluto que regeu os últimos 40 anos, desde a década de 70. Já não é mais uma questão de ciclos. O sistema deve ser reestruturado.

- Posso lhe perguntar de novo por que está tão seguro?
- Porque esse modelo não é apenas injusto: agora é impossível. As noções básicas segundo as quais as políticas públicas deviam ser abandonadas, agora estão sendo deixadas de lado. Pense no que fazem e às vezes dizem, dirigentes importantes de países desenvolvidos. Estão querendo reestruturar as economias para sair da crise. Não estou elogiando. Estou descrevendo um fenômeno. E esse fenômeno tem um elemento central: ninguém mais se anima a pensar que o Estado pode não ser necessário ao desenvolvimento econômico. Ninguém mais diz que bastará deixar que o mercado flua, com sua liberdade total. Não vê que o sistema financeiro internacional já nem funciona mais? Num sentido, essa crise é pior do que a de 1929-1933, porque é absolutamente global. Nem os bancos funcionam.

- Onde você vivia nesse momento, no começo dos anos 30?
- Nada menos que em Viena e Berlim. Era um menino. Que momento horroroso. Falemos de coisas melhores, como Franklin Delano Roosevelt.

- Numa entrevista para a BBC no começo da crise você o resgatou.
- Sim, e resgato os motivos políticos de Roosevelt. Na política ele aplicou o princípio do “Nunca mais”. Com tantos pobres, com tantos famintos nos Estados Unidos, nunca mais o mercado como fator exclusivo de obtenção de recursos. Por isso decidiu realizar sua política do pleno emprego. E desse modo não somente atenuou os efeitos sociais da crise como seus eventuais efeitos políticos de fascistização com base no medo massivo. O sistema de pleno emprego não modificou a raiz da sociedade, mas funcionou durante décadas. Funcionou razoavelmente bem nos Estados Unidos, funcionou na França, produziu a inclusão social de muita gente, baseou-se no bem-estar combinado com uma economia mista que teve resultados muito razoáveis no mundo do pós-Segunda Guerra. Alguns estados foram mais sistemáticos, como a França, que implantou o capitalismo dirigido, mas em geral as economias eram mistas e o Estado estava presente de um modo ou de outro. Poderemos fazê-lo de novo? Não sei. O que sei é que a solução não estará só na tecnologia e no desenvolvimento econômico. Roosevelt levou em conta o custo humano da situação de crise.

- Quer dizer que para você as sociedades não se suicidam.
(Pensa) – Não deliberadamente. Sim, podem ir cometendo erros que as levam a catástrofes terríveis. Ou ao desastre. Com que razoabilidade, durante esses anos, se podia acreditar que o crescimento com tamanho nível de uma bolha seria ilimitado? Cedo ou tarde isso terminaria e algo deveria ser feito.

- De maneira que não haverá catástrofe.
- Não me interessam as previsões. Observe, se acontece, acontece. Mas se há algo que se possa fazer, façamos-no. Não se pode perdoar alguém por não ter feito nada. Pelo menos uma tentativa. O desastre sobrevirá se permanecermos quietos. A sociedade não pode basear-se numa concepção automática dos processos políticos. Minha geração não ficou quieta nos anos 30 nem nos 40. Na Inglaterra eu cresci, participei ativamente da política, fui acadêmico estudando em Cambridge. E todos éramos muito politizados. A Guerra Civil espanhola nos tocou muito. Por isso fomos firmemente antifascistas.

- Tocou a esquerda de todo o mundo. Também na América Latina
- Claro, foi um tema muito forte para todos. E nós, em Cambridge, víamos que os governos não faziam nada para defender a República. Por isso reagimos contra as velhas gerações e os governos que as representavam. Anos depois entendi a lógica de por quê o governo do Reino Unido, onde nós estávamos, não fez nada contra Francisco Franco. Já tinha a lucidez de se saber um império em decadência e tinha consciência de sua debilidade. A Espanha funcionou como uma distração. E os governos não deviam tê-la tomado assim. Equivocaram-se. O levante contra a República foi um dos feitos mais importantes do século XX. Logo depois, na Segunda Guerra...

- Pouco depois, não? Porque o fim da Guerra Civil Espanhola e a invasão alemã da Tchecoslováquia ocorreu no mesmo ano.
- É verdade. Dizia-lhe que logo depois o liberalismo e o comunismo tiveram uma causa comum. Se deram conta de que, assim não fosse, eram débeis frente ao nazismo. E no caso da América Latina o modelo de Franco influenciou mais que o de Benito Mussolini, com suas idéias conspiratórias da sinarquia, por exemplo. Não tome isso como uma desculpa para Mussolini, por favor. O fascismo europeu em geral é uma ideologia inaceitável, oposta a valores universais.

- Você fala da América Latina...
- Mas não me pergunte da Argentina. Não sei o suficiente de seu país. Todos me perguntam do peronismo. Para mim está claro que não pode ser tomado como um movimento de extrema direita. Foi um movimento popular que organizou os trabalhadores e isso talvez explique sua permanência no tempo. Nem os socialistas nem os comunistas puderam estabelecer uma base forte no movimento sindical. Sei das crises que a Argentina sofreu e sei algo de sua história, do peso da classe média, de sua sociedade avançada culturalmente dentro da América Latina, fenômeno que creio ainda se mantém. Sei da idade de ouro dos anos 20 e sei dos exemplos obscenos de desigualdade comuns a toda a América Latina.

- Você sempre se definiu com um homem de esquerda. Também segue tendo confiança nela?
- Sigo na esquerda, sem dúvida com mais interesse em Marx do que em Lênin. Porque sejamos sinceros, o socialismo soviético fracassou. Foi uma forma extrema de aplicar a lógica do socialismo, assimo como o fundamentalismo de mercado foi uma forma extrema de aplicação da lógica do liberalismo econômico. E também fracassou. A crise global que começou no ano passado é, para a economia de mercado, equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim em 1989. Por isso Marx segue me interessando. Como o capitalismo segue existindo, a análise marxista ainda é uma boa ferramenta para analisá-lo. Ao mesmo tempo, está claro que não só não é possível como não é desejável uma economia socialista sem mercado nem uma economia em geral sem Estado.

- Por que não?
- Se se mira a história e o presente, não há dúvida alguma de que os problemas principais, sobretudo no meio de uma crise profunda, devem e podem ser solucionados pela ação política. O mercado não tem condições de fazê-lo.

(*) Martin Granovsky é analista internacional e presidente da agência de notícias Télam.

Publicado no jornal Página 12, em 29 de março de 2009

segunda-feira, 30 de março de 2009

Cinema no Instituto Palmares de Direitos Humanos


SIMPLES_COR
INSTITUTO PALMARES DE DIREITOS HUMANOS
20 anos
CINEMA NO IPDH
Programação do 1º semestre de 2009

As sessões de Cinema no IPDH, serão realizadas às Terças-feiras, quinzenalmente, com início às 18:30 horas

Dia 17/03 - Separados, mas iguais - Sidney Poitier
Dia 31/03 – Quase Deuses - Moss Dess/ Alan Rickmam
Dia 14/04 – Na época do Ragtime – Moses Gunn
Dia 28/04 - Todos a bordo - André Braugher
Dia 12/05 - Bopha! À flor da pele - Danny Gloverl
Dia 26/05 - Quando só o coração vê – Sidney Poitier
Dia 09/06 - Panteras Negras – Haden Hardison
Dia 23/06 – Sarafina – Woopy Godberg
Dia 07/07 - Um grito de liberdade – Denzel Washington


Coordenação: João Costa Batista – Éle Semog

O ingresso custará R$ 2,00 por pessoa.

Haverá debate após a exibição do filme SIMPLES_COR Avenida Mém de Sá, 39 – Lapa

domingo, 29 de março de 2009

Debate: Crise do Capitalismo e Consequências para os Trabalhadores

Centro Cultural Octavio Brandão

PROJETO SEIS E MEIA

DEBATE

CRISE DO CAPITALISMO E CONSEQUÊNCIAS PARA OS TRABALHADORES

31/03/09 – TERÇA-FEIRA - 18:30 HORAS

AUDITÓRIO DO SIND-JUSTIÇA - 13º ANDAR

CONVIDADOS

NEY NUNES – bancário e dirigente do coletivo União Comunista

MAURO IASI – prof. da UFRJ e membro do comitê central do PCB

CLÁUDIO GURGEL – prof. da UFF e membro do Reage Socialista-Coletivo fundador

VALÉRIO ARCARY – prof. do CEFET/SP e membro do PSTU

Apoie o Projeto Seis e Meia participando e ajudando a divulgar – Formação Político-sindical

Informações: Departamento de Esporte, Cultura e Lazer – Tel.: 3528.1224/1226

Endereço: Travessa do Paço, 23 – 13º andar – Centro/RJ

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quilombo Caçandoquinha denuncia

ESTA É PARA O MINISTRO EDSON SANTOS

A Associação dos Remanescentes da Comunidade Quilombo Caçandoquinha, Raposa, Saco das Bananas e Frade, entidade sem fins lucrativos, certificada pela Fundação Cultural Palmares, com sede na Cidade de Ubatuba, São Paulo, vem por meio desta denunciar que vem sofrendo várias perseguições de pessoas das quais deveriam garantir nossa integridade fisica e defender nossos direitos.

A algumas semanas sofriamos perseguições de um policial civil, negro da cidade de Caraguatatuba com o apelido de Tininho, que muitas vezes vinha até a comunidade a pedido do grileiro, para intimidar os quilombolas e até se apresentou uma noite armado aos quilombolas que ele seria o Capitão do Mato, vendo que não baixei a cabeça a suas ameaças, parece que desistiu e não apareceu mais na comunidade.

Hoje enquanto trabalhavamos chegou mais um cidadão cujo apelido é Cabo Davi,policial da Força Tática da Policia Militar se dizendo responsável pela area, e que os quilombolas não construiriam mais casas e que as que estariam em construção seriam derrubadas por ele.

Agora que paz teremos nós se pessoas que deveriam nos defender se vendem a elite, e sabendo de várias estórias de irmãos que foram presos com fragantes forjados por maus policiais, que segurança teremos nós para fazermos um B.O, ou discar 190, fica a espectativa de quem virá nos atender se será o mocinho ou o bandido.

Hoje nós quilombolas que temos nossos direitos garantidos por lei como:

Artigo 68, do ADCT, da Constituição Federal
- Direito à propriedade das terras às comunidades quilombolas;
Artigo 215 e 216 da Constituição Federal
_ Direito à preservação de sua propria cultura;
Convenção 169 da OIT, Organização Internacional do Trabalho
- Direito a auto definição

Decreto nº 4.887, de 20/11/2003
-Regulamenta o procedimento para identificação,delimitação,demarcação e titulação das comunidades de quilombos;
Instrução normativa do Incra nº 49/2008.

Tendo nossa comunidade cumprido todas as fases acima mencionadas ainda sofremos perseguições, peço a todos que divulgem essa mensagem pois não temos mais a quem recorrer.

Que Deus nos proteja!

Mário Gabriel do Prado
Presidente

Plenária nos Bairros darão inicio ao debate para II Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial

A Secretaria Municipal da Reparação (SEMUR) divulga o calendário com as datas das plenárias locais da II Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Estas plenárias irão acontecer nos bairros da cidade e têm como objetivo escolher os delegados que vão representar a sociedade civil na Conferência.

Durante os encontros locais serão debatidas as propostas de políticas afirmativas para a cidade pontuadas na I Conferência e os avanços alcançados desde então. As plenárias locais acontecerão nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de março. A distribuição dos bairros utilizou os critérios de divisões adotados pelas Ar’s Municipais.

A II Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Salvador acontecerá nos dias 14, 15 e 16 de abril, no salão Xangô do Centro de Convenções do Estado da Bahia e reunirá delegados da sociedade civil e representantes do governo Municipal.

Maiores Informações no Site da Semur.

http://www.reparacao.salvador.ba.gov.br/

CONFIRA O CALENDÁRIO DE LOCAIS E DATAS DAS MINI-PLENÁRIAS

Data
AR
Horário
Local
Palestrante
26 de março

Quinta-feira

Subúrbio Das 9h às 12h Cide Passos Lindinalva de Paula

Antônio Carneiro

São Caetano Das 9h às 12h Colégio Estadual Jose Barreto de Araújo Bastos Mestre Curió
Liberdade Das 14h às 17h Escola Municipal Vila Vicentina - Lapinha Lindinalva de Paula

Antônio Carneiro

27 de março

Sexta-feira

Rio Vermelho

Alto de Ondina

Calabar

Rosa das Sabinas

Das 9h às 12h CRE Orla

Escola Tomaz de Aquino, Parque São Camilo,

And SESI (a confirmar)

Lindinalva de Paula

Antônio Carneiro

Brotas Das 9h às 12h Teatro Solar Boa Vista

(a confirmar)

Jussara Santana e Hamilton - CONEN
Centro Das 9h às 12h Sindae
Marcos Sitael

E Mestre Curió

Boca do Rio Das 14h às 17h IMEJA Jussara Santana e Hamilton - CONEN
Itapoan Das 14h às 17h Escola M. Barbosa Romeo

São Cristóvão

Normando Batista e Antonio Carneiro
Cabula Das 14h às 17h UNEB Marcos Sitael e Lindinalva de Paula
29 de março

Domingo

Ilhas Das 9h às 12h Espaço de Maria (a confirmar) Silvia (GTSPN),

Antônio Carneiro e Lindinalva de Paula.

30 de março

Segunda-feira

Cajazeiras Das 9h às 12h

Manoel de Almeida Cruz

Lindinalva de Paula Mestre Curió
Valéria Das 9h às 12h Colégio Professora

Noêmia Rêgo

Marcos Rezende

Antônio Carneiro

Tancredo Neves Das 9h às 12h UNEB Marcos Sitael Marcos Resende
Itapagipe Das 14h às 17h SESI Itapagipe

(a comfirmar)

Marcos Sitael Normando Batista
31 de março

Terça-feira

Pau da Lima Das 9h às 12h Escola Orlando Imbassaí Lindinalva de Paula e Marcos Resende

Século XXI, o Século da Reparação

quinta-feira, 26 de março de 2009

Gilmar Mendes é chamado de leviano pela Associação de Juízes Federais

É lamentável que após tamanha luta pela democracia no Brasil, tenhamos de passar por esta situação e vermos o principal órgão do Poder Judiciário, ser colocado em posição tão vexatória.

Abaixo a íntegra da nota da Associação de Juízes Federais
:

"A Associação dos Juízes Federais do Brasil - AJUFE, entidade de âmbito nacional da magistratura federal, vem a público manifestar sua veemente discordância em relação à afirmação feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que, ao participar de sabatina promovida pelo jornal "Folha de S. Paulo", disse que, ao ser decretada, pela segunda vez, a prisão do banqueiro Daniel Dantas, houve uma tentativa de desmoralizar-se o Supremo Tribunal Federal e que (sic) "houve uma reunião de juízes que intimidaram os desembargadores a não conceder habeas corpus".

"Conquanto se reconheça ao ministro o direito de expressar livremente sua opinião, essas afirmações são desrespeitosas aos juízes de primeiro grau de São Paulo, aos desembargadores do Tribunal Regional Federal da Terceira Região e também a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

"Com efeito, é imperioso lembrar que, ao julgar o habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal em favor do banqueiro Daniel Dantas, um dos membros dessa Corte, o ministro Marco Aurélio, negou a ordem, reconhecendo a existência de fundamento para a decretação da prisão.

"Não se pode dizer que, ao assim decidir, esse ministro, um dos mais antigos da Corte, o tenha feito para desmoralizá-la. Portanto, rejeita-se com veemência essa lamentável afirmação.

"No que toca à afirmação de que juízes se reuniram e intimidaram desembargadores a não conceder habeas corpus, a afirmação não só é desrespeitosa, mas também ofensiva. Em primeiro lugar porque atribui a juízes um poder que não possuem, o de intimidar membros de tribunal. Em segundo lugar porque diminui a capacidade de discernimento dos membros do tribunal, que estariam sujeitos a (sic) "intimidação" por parte de juízes.

"Não se sabe como o ministro teria tido conhecimento de qualquer reunião, mas sem dúvida alguma está ele novamente sendo veículo de maledicências. Não é esta a hora para tratar do tema da reunião, mas em nenhum momento, repita-se, em nenhum momento, qualquer juiz tentou intimidar qualquer desembargador. É leviano afirmar o contrário.

"Se o ministro reconhece, como o fez ao ser sabatinado, que suas manifestações servem de orientação em razão de seu papel político e institucional de presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, deve reconhecer também que suas afirmações devem ser feitas com a máxima responsabilidade.

"Brasília, 24 de março de 2009.

"Fernando Cesar Baptista de Mattos

"Presidente da AJUFE"

Mais informações nos links:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/25/associacao-de-juizes-chama-gilmar-mendes-de-leviano-754986803.asp
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/25/a-integra-da-nota-da-ajufe-sobre-as-declaracoes-de-gilmar-mendes-754987250.asp
http://desempregozero.org/2009/03/25/stf-espetacularizacao-contra-pobre-pode/
http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=7908


Ouça pa entrevista de

domingo, 22 de março de 2009

Seu Jorge desconstruíndo a ideologia dominante





Seu Jorge, fazendo política!!!

O racismo do negro contra o próprio negro

Há pouco tempo recebi uma correspondência do companheiro José Almeida do blog: BelezasNegras, sobre um fato ocorrido em Vitória, no Espírito Santo. Nele, uma mulher negra, empregada doméstica, de 27 anos, está sendo acusada de racismo por outro negro, um motorista. E pior, esta pobre mulher tão vítima quanto o motorista foi incursa na Lei na Lei Caó - nome do deputado autor da lei 7.716 de 1989 - e enviada imediatamente para o presídio feminino. Penalidade, em geral, pouco utilizada pela justiça. Parece até que estou ouvindo o delegado, provavelmente branco, dizer:
_Estes negros não querem que o racismo seja crime, então cumpra-se a lei!
(Leia a reportagem)
Bem, esta é uma questão presente em todos os debates sobre a questão racial brasileira, ou seja,o racismo do negro contra o próprio negro.

Em minha opinião para entendê-la se faz necessário recorrer ao conceito marxista de ideologia, como entendido pela prof. Marilena Chauí em seu livro: "O que é Ideologia?" da editora Brasiliense.
" A ideologia é ... um instrumento de dominação de classe e, como tal, sua origem é a
existência da divisão da sociedade em classes contraditórias e em luta;
Por ser o instrumento encarregado de ocultar as divisões sociais, a ideologia deve
transformar as idéias particulares da classe dominante em idéias universais, válidas igualmente para toda a sociedade;
A universalidade dessas idéias é abstrata, pois no concreto existem idéias particulares de
cada classe. Por ser uma abstração, a ideologia constrói uma rede imaginária de idéias e de valores que possuem base real (a divisão social), mas de tal modo que essa base seja reconstruída de modo invertido e imaginário."

A definição de ideologia desenvolvida por Chauí se estende pelas páginas 39,40,41 e 42 de seu livro, de forma a compreendermos como a ideologia dominante nos cega e nos impossibilta de vermos a sociedade como ela é, composta de relaçoẽs de dominação e de exploração de uma classe sobre outra, ou se quisermos, para muitos, de uma raça sobre a outra, se considerarmos que os membros da classe dominante são brancos, no caso brasileiro. A ação da ideologia dominante atinge a todos os membros da classe dominada, sejam eles negros, nordestinos, brancos, operários, trabalhadores, motoristas, ou empregadas domésticas, isto é, a todos que não tenham em mãos uma contra-ideologia forjada nos interiores dos movimento sociais. Portanto, acredito que aí tenhamos um caso clássico, onde uma pessoa negra, dos setores populares, absorve acriticamente os pressupostos ideológicos da classe dominante.

No Brasil, não é comum vermos alguém ir aos meios de comunicação, em particular à televisão, para expressar o seu racismo com clareza, até por conta da vigilância que mantém o movimento negro.
Por outro lado, se levarmos em consideração a pouca, ou nenhuma presença de negros em espaços de poder, inclusive na televisão, veremos que o efeito deste fato sobre as crianças, jovens, adultos e idosos negros e para a totalidade da população brasileira tem proporções imensas e nefastas se manifestando em situações de racismo e intolerância, como no exemplo citado acima.

Cabe, por conseguinte, a todos os que forjam a contra-ideologia desconstruir cotidianamente a ideologia dominante, em suas aparições fantasmagóricas constantes.

O desabafo de uma professora, dirigido ao senhor governador Sérgio Cabral

Publicamos aqui o triste desabafo de uma professora que esperou através dele, convencer ao governador Sérgio Cabral, que muito melhor do que "constriur presídios de segurança máxima" seria erigir "sistemas educaionais de educação máxima"

"Caros amigos,

Preciso compartilhar com vocês este momento cruel que está se perpetuando no meu exercicio profissional.
Cabe um esclarecimento para o email anexo: participei de um evento no qual encontrei o excelentíssimo governador.
Resolvi abordá-lo para revelar a condição da instituição de ensino onde exerço minha sofrida docência.
Ele realmente me ouviu, embora de uma maneira irônica e quase desatenta e teve a desfaçatez de enaltecer ter sido ele o responsável pelo único aumento concedido aos professores na última década. Entre outras desnecessárias figuras da retórica.
Ao final de meu relato apresentou-me a um senhor que estava na comitiva para solucionar as cabíveis providências do meu pesadelo.
Precavidamente busquei o nome, cargo e lotação deste senhor. (Prof. Antônio V. Neto Tel. 22993793)
Enviei inúmeras vezes o meu apelo para obter uma solução.
Não recebendo sequer uma resposta cusando o recebimento.
Resolvi então em medida extrema procurá-lo em seu local de trabalho. (Rua da Ajuda, 5, Secretaria de Educação)
Quanta decepção!!! Foi apenas uma encenação o encontro com excelentíssimo governador!!!!!!!
Busquei outras pessoas na Secretaria de Educação, relatei todo o abandono que se encontra o estabelecimento em que trabalho. (Prof. Jade, Tel. 22293802, Eng. Mauro Floret Tel. 22293652 e Cel 8596 ..... dentre outros.)
Deixei com um dos responsáveis pela manutenção material do prédio que leciono uma cópia do e-mail que lhes submeto à apreciação.
Não me pergunte para quê???? Já sabemos a resposta......
Gostaria muito que os filhos do excelentíssimo governador frequentassem minhas salas de aula: sem janela, com quadro branco tosco,sujas e desconfortáveis.
Gostaria de perguntar o excelentíssimo governador se ele trabalharia nessas condições percebendo o salário que ele remunera aos professores?
Gostaria imensamente de obter uma resposta objetiva do excelentíssimo governador. Por que o poder público investe em construções de sistemas prisionais de segurança máxima e não investe em sistemas educacionais de educação máxima!??
Acorde excelentíssimo governador!!! Neste momento o senhor representa o poder executivo!!!
Esqueça o seu marketing pessoal, abra mão das fotos com a mãe do PAC. as performances de funk, esqueça a escolha do prefeito, esqueça a expressão de bom moço consternado diante do relato que lhe fiz de viva voz!!!!
Execute mudanças. Basta de evasivas.
Uma verdadeira nação se constrói com escolas, com a formação de excelência dos futuros cidadãos!"

Abaixo segue um retrato das condições físicas de seu ambiente de trabalho e de suas condições materiais de sobrevivência.

"Prezado Sr. Antonio.

Primeiramente preciso me reapresentar, sou aquela Senhora, Professora de Química que esteve presente no Centro de Convenções Sul América no 2º Salão do Livro das Escolas Estaduais do Rio de Janeiro, e que de maneira inusitada e com total esperança de ser ouvida abordou o Excelentíssimo Sr. Governador Sérgio Cabral e sua comitiva.

Posto isto, conforme nosso breve encontro me permitiu, envio-lhe para sua justa apreciação provas irrefutáveis do abandono em que se encontra o estabelecimento de ensino onde exerço minha docência, C. E. Profª Terezinha Mello Gonçalves, situado na Ilha do Governador.

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    Banheiro Feminino

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    Clarabóia do pátio


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    Laje da varanda externa


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    Sala de aula

    (instalação elétrica)


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    Tablado


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    Acesso ao pátio

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    Uma das salas de aula

    (sem janela)




Acredito que também cabe ressaltar que aliado a este abandono material existe também a desatenção no tocante à remuneração do profissional de ensino, segue em anexo a prova cabal: meu contracheque e como contraponto ao desequilibro, os títulos de minha qualificação profissional que estão em desacordo gritante com o que percebo de remuneração.

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Observo por um lado a importância inquestionável do ensino para a formação do cidadão, até para que futuramente esteja apto disputar participação no mercado de trabalho e dar sua contribuição para o crescimento do Estado.

Minha formação acadêmica foi através do ensino Público: Colégio Pedro II, Universidade Federal Fluminense e UERJ, estas instituições me deram a condição de ter a leitura para um mundo mais justo e igualitário, mas infelizmente hoje na Condição de Professora e Educadora não vislumbro a mesma formação para os alunos para os quais me dedico, estamos em condições muito precárias, somente através da intervenção de um governo justo e atuante poderemos mudar este quadro.

Aguardo com grande expectativa um pronto retorno para questões tão importantes."
Ass. Prof. Letícia Luzia de Sant'ana

sábado, 21 de março de 2009

Mais uma do senhor Gilmar Mendes

Mais detalhes no link: CartaMaior

Gilmar Mendes censurou programa da TV Câmara, denuncia jornalista




Para ler a íntegra da carta do jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital acesse o link acima do site AgenciaCartaMaior.

quinta-feira, 19 de março de 2009

SEMINÁRIO: O Judiciário debate a Discriminação Racial

Exposição dos Sambistas Pintores

Centro Cultural Octávio Brandão

SÁBADO TEM CINECLUBE NO CCOB
16:00 horas
APRESENTANDO O FILME: ABC DA GREVE

Filmado no final dos anos 70 quando eclodiu um intenso movimento grevista nas cidades industriais em torno de São Paulo, serviu como laboratório de preparação para Eles Não Usam Black-Tie, que Leon rodaria em seguida. Sua edição final só foi concluída em 1990 pelo fotógrafo e montador do filme, Adriano Cooper, por iniciativa da Cinemateca Brasileira. Faixa Etária: Recomendado para Maiores de 10 Anos.”

Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com Francisco Neiva e Domingos Magalhães, próximo da estação do Metrô de Maria da Graça

Lançamento do Mov. pela Reparação para Negros e Povos Indígenas

Ato Público:

Lançamento do Mov. pela Reparação

para Negros e povos indígenas

Data: 20 de março de 2009 (sexta-feira)

Local: ABI – Associação Brasileira de Imprensa,

Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro/RJ 9º andar

Horário: 18h

domingo, 15 de março de 2009

Ministro Joaquim Barbosa: rico também pode ir preso

Barbosa: preferência do STF pelos ricos é um ato político


Veja a íntegra do voto do ministro Joaquim Barbosa na sessão do STF. Ele argumentou que rico também tem que ir para a cadeia, caso contrário, o sistema penal vira um “faz-de-conta”. O ministro foi voto vencido, pois o tribunal decidiu, por maioria, que rico não vai mais ser preso no Brasil (leia também a reportagem no final desta página):

“Nós estamos, ministro Peluso, é criando um sistema penal de faz-de-conta. Nós sabemos que, se tivermos que aguardar o esgotamento do recurso especial e recurso extraordinário, o processo jamais chega ao seu fim. Jamais chega. Todos sabemos disso. Nós sabemos muito bem disso. Basta olhar as nossas estatísticas.
(…)
Ministro, a discussão está indo aqui por um rumo em que se faz o cotejo, se faz o paralelo entre o processo penal e o processo cível. Acontece que nós estamos nos esquecendo que no processo penal o réu dispõe de outros meios de impugnação que não existem no processo cível. O Brasil é o país com a mais generosa teoria do hábeas corpus. Eu não conheço nenhum outro país que ofereça aos réus tantos meios de recurso como o nosso.
(…)
A generosidade com que se admite o hábeas corpus no Brasil faz do Brasil o país em que o acusado criminalmente dispõe do maior número de recursos possíveis. Não há dúvida quanto a isso…
(…)
Eu sou relator nesta casa de uma série de hábeas corpus relacionados a uma estrepitosa ação penal que tem curso no Estado de São Paulo. Só em relação a um dos réus, um dos réus, nos últimos quatro ou cinco anos, eu julguei, foram julgados, nada menos de 62 recursos. Em relação a um deles. Sessenta e dois recursos. Dezenas deles da minha relatoria, outros da relatoria do ministro Eros Grau, outros da relatoria do ministro Ayres Brito, aqui nesta corte. Portanto, o leque de opções de defesa que o ordenamento jurídico brasileiro oferece aos réus é imenso. Inigualável, não existe nenhum país do mundo que ofereça tamanha proteção. Portanto, se resolvermos politicamente, pois essa é uma decisão política e cabe à Corte Suprema tomar essa decisão, que o réu só deve cumprir a pena esgotados todos os recursos, ou seja, até o recurso extraordinário votado por esta corte, nós temos que assumir politicamente o ônus por essa decisão.
(…)
Eu acho que não temos que ficar aqui estabelecendo a diferença entre o processo civil… Não. Essa é uma decisão política. Nós queremos ou não um sistema penal eficiente, eficaz, ou queremos um sistema penal de faz-de-conta. É exatamente isso.”

Veja a íntegra da matéria no link:
http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=5536

Tive acesso à matéria no link:
http://desempregozero.org/2009/02/10/barbosa-preferencia-do-stf-pelos-ricos-e-um-ato-politico/

sábado, 14 de março de 2009

Resposta gradual se expande

Ameaças, ameaças e mais ameaças à cultura livre. Um mundo em crise, capitalistas falidos, necessidade de encontrar dinheiro onde se puder. A tendência é pela concentração de todo o tipo de capital e a produção simbólica, cultural não está livre deste destino. As perspectivas são catastróficas. Ave, Deus-Capital.

É um vírus que não dá mostras de esmorecer. O seu nível de contaminação é muito elevado pois ao longo do último ano e meio já se conseguiu propagar para a França, Irlanda, Itália, Reino Unido, Japão, Nova Zelândia, etc. É claro que até agora nenhum destes países implementou uma lei que obrigue os fornecedores de acesso à Internet de cortarem a ligação de banda larga dos seus clientes alegadamente apanhados a descarregarem conteúdos ilegais. Isto porque em todos os lados o protestos dos cidadãos e internautas tem sido vocifero.

Mais detalhes no link:
http://remixtures.com/2009/03/gripe-da-resposta-gradual-chega-coreia-do-sul/

Laços e Diferenças: África/Brasil

Feijoada no Quilombo Sacopã

quarta-feira, 11 de março de 2009

Resolvendo o problema do "touchpad" no Fedora 10

Sou professor da rede de educação do município do Rio de Janeiro e como todos os outros colegas recebi um laptop, que já veio com o Vista pré-instalado. Como não podia deixar de ser, enquanto usuário do Gnu/Linux instalei a distro Fedora em dualboot com o Windows. Embora tudo funcionasse a contento, um problema persistia e confesso que passei alguns dias tentando resolvê-lo.
O touchpad estava com todas as suas funcionalidades habilitadas e isto criava um problema desagradável, ou seja, todas as vezes que eu queria digitar alguma coisa, a qualquer toque no touchpad o cursor enloquecia e se deslocava aleatoriamente, tornando esta tarefa um estorvo. Seria necessário desabilitar o "tapping".
Saí então a procura de uma solução e a maioria delas indicava uma modificação no código do xorg.conf, entretanto, isto era impossível, pois o Fedora 10 não veio com o xorg instalado e a modificação teria de ser feita através do HAL.
Finalmente, depois de muita pesquisa na Net acabei encontrando um artigo no link: http://blog.pingoured.fr/index.php?post/2008/12/02/Fedora-10-et-le-touchpad, que me trouxe a solução para este problema.
Então vamos a um pequeno tutorial:
1) Crie o arquivo de texto: /etc/hal/fdi/policy/-synaptics.fdi com o seguinte comando no terminal: sudo gedit /etc/hal/fdi/policy/-synaptics.fdi;

2) Copie e cole o código que está no link: http://blog.pingoured.fr/index.php?post/2008/12/02/Fedora-10-et-le-touchpad

3) Salve o arquivo e feche-o.

4) Instale o aplicativo Gsynaptics para configurar o touchpad com o comando "sudo yum install gsynaptics".

5) Dê um reboot.

Pronto, quando você iniciar o Fedora, poderá facilmente resolver o problema, abrindo o Gsynaptics indo a Sistema>Preferência>Hardware>Touchpad e desabilitando a tecla "tapping".

terça-feira, 10 de março de 2009

Obama não está livre do racismo




Mensagem do intelectual Etnólogo e Professor de Relações Internacionais Carlos Moore(1):

Por favor, envie para seus amigos esta manifestação incrível de racismo cru, sem retoques.
Evidentemente nós que entendemos bem o que ódio racial significa, já esperamos esse todo tipo de coisa.

Estamos vendo estas coisas aparecerem em evidência, dia após de dia.
Sendo assim, reajamos!

Carlos Moore



”A livraria Barnes e Nobre teve isto como a vitrine da loja na filial em Coral Gables, Flórida. Eu estou totalmente enojado e penso que é importante que nós todos achemos um lugar diferente para comprar
nossos livros. Obviamente este é um lugar de ignorância extrema. Como ainda estamos estão distantes! Por Deus!"

O reflexo das árvores e dos carros estacionados,
não deixam dúvidas quanto ao endereço da livraria.
(2)

"Por favor,
apóie o boicote e passe este e-mail à família e amigos. Isso é tão mal, quanto sabermos quanta mentira foi colocada em nossas vidas, supondo sobre aquilo que somos por causa da cor de nossa pele! Algumas pessoas simplesmente não aceitam a mudança. Felizmente, mudança virá com ou sem essa gente."

"Boicotando Barnes & Nobles mostraremos o efeito econômico das pessoas que não vão tolerar o racismo."
Com a globalização, esse é um alerta para todos/as nós, inclusive porque estamos possibilitados/as de viajar, além de fazer compras de livros via Internet.

No Blog de Sandra Rose, podemos conferir todo o texto e a pedido de desculpas da ouvidoria da Barnesw & Noble (3) (em inglês):

http://sandrarose.com/2009/02/27/barnes-noble-issues-apology-for-obamamonkey-book-display/



(1) Carlos Moore

http://www.drcarlosmoore.com
http://www.afrocubaweb.com/carlosmoore.htm
http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=2216
http://www.ipeafro.org.br/10_afro_em_foco/Moore_Racismo_atraves_da_historia.pdf


(2)
http://storelocator.barnesandnoble.com/storedetail.do?store=2739

(3) link para o perfil da ouvidora:

http://www.barnesandnobleinc.com/our_company/management_team/mary_ellen_keating/mary_ellen_keating.html

Tradução livre do inglês e pesquisa para referências por Memória Lélia Gonzalez.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Comunidade de Manguinhos organizada para discutir as obras do PAC



Publicamos, dias atrás, http://pelenegra.blogspot.com/2009/03/pac-moradores-de-manguinhos-reivindicam.html a parte inicial de um dossiê em que a Comunidade Vila Turismo de Manguinhos reivindica a abertura de um canal de discussão com governo acerca das obras do PAC naquela localidade. Faz sentido lembrar que os moradores não estão contrários às obras. Entretanto, se ressentem da falta de participação na definição do seu próprio futuro.
A comunidade se organizou e vem publicando informativos sobre a luta que desenvolve. Acima temos uma amostra deste fato.

Garota processa RIAA por práticas ilegais


Uma jovem estudante americana acusada de baixar músicas na web decidiu responder à indústria fonográfica processando-a por práticas ilegais como espionagem, conspiração contra os direitos civis e vendas enganosas.

A jovem Brittany Kruger foi identificada por uma empresa de investigação como a dona de uma conexão que baixou centenas de músicas em redes P2P. De posse o IP de Brittanny e do nome dos arquivos que ela baixou, advogados da RIAA, associação que reúne estúdios fonográficos americanos, decidiu abrir um processo contra a garota, acusando-a de infração de copyright.

A jovem respondeu abrindo uma outra ação contra a indústria. Brittany acusa a empresa Media Sentry, que investigou suas conexões, de agir ilegalmente, fuçando conexões sem autorização judicial. O processo também acusa a RIAA de usar seu poder econômico e influência política para aterrorizar usuários de internet, constrangendo seu direito de trocar arquivos pela internet privadamente.

O processo foi aberto em uma corte na Carolina do Norte, onde vive a jovem. A garota publicou a íntegra de suas acusações em PDF e faz campanha em blogs denunciando o que considera ser um abuso da indústria fonográfica.

Nos Estados Unidos, centenas de cidadãos são processados pela RIAA por baixar músicas e filmes na internet. O caso de Brittany chamou a atenção, no entanto, porque a jovem não se manteve na defesa, mas sim partiu para o ataque.

Brittany pede que usuários que tenham suas conexões devastadas por empresas privadas sem autorização da Justiça reajam e denunciem este tipo de prática que, na sua visão, constitui um crime contra as liberdades individuais.

Tive acesso a esta no tícia no link:
http://br-linux.org/2009/garota-processa-riaa-por-praticas-ilegais/

A matéria original foi publicada no link:
http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032009/04032009-17.shl

domingo, 8 de março de 2009

Para professores que continuam sofrendo com a OI Connect Fast no Gnu/Linux

O Fedora 10 e o Ubuntu 8.10 já vêm com suporte para conexão em GSM muito fácil de ser usado. Trata-se do Networkmanager, um aplicativo muito simples e que habilita a conexão com muita facilidade, bastando plugar o modem GSM no laptop. No canto direito acima, você vê dois monitores, clique sobre eles após plugar o modem e faça as configurações necessárias. Aliás, o Fedora 10 está show de bola.
Para facilitar estou anexando um vídeo que facilita a compreensão e que vai um pouco adiante, pois mostra como conectar dois laptops a mesma conexão GSM:

sábado, 7 de março de 2009

PAC - Moradores de Manguinhos reivindicam abertura de canal de discussão

Em dossiê, enviado ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro no dia 14/10/2008, moradores da Comunidade de Vila Turismo em Manguinhos reivindicam a abertura de um canal de discussão sobre as obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), que estão sendo realizadas naquela região. Pois, não concordam a remoção, do que estão ameaçados, nem com as opções apresentadas, pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
Recentemente, assisti ao filme "O Arquiteto" de Matt Tauber. A história gira em torno da ação política de uma ativista negra, mãe de um rapaz que se suicidou, e que, acredita que o acontecido tem ligação com a arquitetura do local. Em função disso, ela pede a demolição do prédio e solicita o apoio do arquiteto para tal proposta. Fica claro também que não houve participação nenhuma da comunidade "beneficiada" na elaboração e execução do projeto.
O filme se articula às obras do PAC, na medida que, não percebemos, pelo menos daqui de longe, nenhuma participação das comunidades envolvidas na confecção do projeto.
Se há algo que fiquei de acordo com Fernando Gabeira, e não foram tantas as concordâncias, durante a campanha para prefeito. Foi quando ele discutiu o formato das casas e apartamentos contruídos pelos governantes brasileiros, para os trabalhadores. Exortando para a necessidade de se repensar tais modelos arquitetônicos.
Em suma, esperamos que a comunidade de Manguinhos e todas as outras "beneficiadas" não venham descobrir, daqui há 20 anos, como acredito seja o caso atualmente dos moradores da Cidade de Deus, Cordovil e de outros conjuntos habitacionais da cidade do Rio de Janeiro, que o melhor seria jogar tudo abaixo e construir de novo.


Abaixo, colocamos o texto inicial do dossiê elaborado pela Comunidade de Via Turismo.

Ao Ministério Público Estadual do Estado do Rio de Janeiro.

À Sub-procuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual do Estado do Rio de janeiro.

Ao Subprocurador de Direito Humanos do Ministério Público Estadual do Estado do Rio de janeiro.

Dro. Leonardo Chaves.

De: Moradores da Comunidade de Vila Turismo, em Manguinhos, ameaçados de remoção pela obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.

Senhor Subprocurador,

As obras do PAC são a materialização de anseios históricos da comunidade de Manguinhos. Neste projeto vemos esboçados nossas reivindicações gestadas ao longo de décadas de descaso, falta compromisso e vontade política para a resolu -ção dos problemas existentes nas comunidades do complexo de Manguinhos. Nessas comunidades, neste extenso tempo de existência, diversas lideranças à frente das associações de moradores empreenderam processos de mobilização em torno de nossas mais sentidas necessidades. Lutas não foram poucas.

Antes que se crie qualquer confusão a partir das linhas que seguem, queremos deixar claro que somos a favor do PAC. Esse mega-projeto de intervenções nas favelas do Rio de Janeiro nos é, enquanto moradores das áreas que sofrerão essas intervenções, extremamente bem-vindas: As creches, postos de Saúde, escolas, projetos de capacitação de mão-de-obra e geração de renda, obras de saneamen-to básico etc, se forem realizadas conforme os projetos apresentados até o presen te às comunidades, contribuirão para a melhoria da qualidade de vida e para o Índice de Desenvolvimento Humano na região com impactos positivos em toda a cidade.

Porém um projeto de tamanha envergadura, como não poderia deixar de ser, possui arestas que precisam ser aparadas. Certamente estas arestas não ocor reriam se houvesse espaço para a participação das comunidades envolvidas na elaboração e concepção de cada etapa do projeto; mas cremos ainda há tempo de saná-las, corrigi-las, desde que seja respeitado o critério de acompanhamento e controle social desse empreendimento de relevância para toda comunidade.

Vila Turismo, comunidade do Complexo de Manguinhos inserida no PAC, sofre- rá diversas intervenções (anexo 01) imprescindíveis para a melhoria da qualidade de vida da sua população. Porém é necessária a atenção ao tópico abertura de vias na comunidade - constante no projeto (anexo 1) - porque para abertura dessas vias será necessário demolição de residências. Em levantamento prévio realizado por nós da comissão de moradores serão aproximadamente 200 famílias que deverão ser desalojadas para a abertura de vias, em Vila Turismo. A partir do momento que obtivemos a informação que as intervenções em nossa comunidade significariam a nossa remoção, solicitamos a Prefeitura do Rio de Janeiro, através de requerimento protocolado, informações sobre os critérios utilizados para avaliação dos imóveis e se a Prefeitura dispunha de projeto de reassentamento (anexo 2). Obtivemos resposta verbal de engenheiros da Secretaria do Habitat, esses informaram que a Prefeitura não tem projeto de reassentamento e a metodologia utilizada será a mesma do projeto Favela-Bairro: indenizações e/ou compra de outro imóvel na comunidade ou em áreas próximas. Frisamos que a resposta dada não nos contemplou e o que pudemos observar é que a Prefeitura não dispõe de um projeto de habitação. Para nós, indenização deve ser uma opção, não uma imposição.

Por meio do ofício no 20/08 do NTH, encaminhado pelo Núcleo de Terras e habitação da Defensoria Publica à Secretaria do Habitat, recebemos cópia do Decreto 41.418, assinado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 24 de janeiro de 2008 – anexo 03 - tratando da política de relocação e edificações de assentamentos populares. Na verdade uma adaptação da metodologia utilizada pela Prefeitura em sua intervenções em comunidades pobres através do Favela-Bairro. Ao estudarmos o referido decreto, observamos que as possibilidades apontadas e oferecidas, não nos contemplam. Estamos convencidos que o mesmo fere a Constituição Federal, o Estatuto das Cidades e a Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro no que se refere ao direito à habitação. Cremos que a aplicação deste decreto, no lugar de resolução do problema de habitação, criará uma situação de desabrigo e o aumento da população sem-teto e, possivelmente, a criação de outra favela como única alternativa ao impacto que tal decreto criará na vida dessas centenas de famílias.

O PAC é um projeto do Governo Federal em Parceria com os Governos Esta dual e Municipal, estes entes necessitam tomar ciência dos impactos sociais que um projeto de tal envergadura ocasiona sobre a vida das famílias. Ter como parâ metro apenas a estrutura física das casas a serem removidas não contempla anos de residência na comunidade, a história construída a partir convívio com os vizinhos, o local de trabalho e estudo de filhos e netos, que são demandados, entre outros motivos, em função do local que moramos. Desterritorializar parcela significativa da comunidade, sem levar em consideração estes aspectos, é uma insensibilidade enorme.

Queremos criar canal de discussão com as autoridades para discutir nossas propostas. A lei nos garante a participação efetiva no desenvolvimento dos proje tos de tal natureza. Pretendemos, com isso, exercer o nosso direito de cidadania. Nesse sentido, o envolvimento do Ministério das Cidades, Caixa Econômica, Prefei-tura do Rio de Janeiro e Governo do Estado e de nós da Comissão de Moradores de Vila Turismo é fundamental para traçar alternativas que criem uma situação de conforto, tanto para nós moradores, como dos entes públicos envolvidos no PAC. Deixamos claro que o reassentamento é a proposta discutida com mais ênfase por nós moradores como capaz de nos contemplar. Mas, queremos que o projeto de habitação reivindicado, atenda o padrão de habitalidade conforme a realidade das famílias, garantido com a participação da população beneficiada, em todas as etapas do processo, buscando soluções de consenso e o comprometimento das partes envolvidas no sucesso do empreendimento.

Finalizamos informando que mapeamos terrenos em regiões próximas, com possibilidade de serem declarados áreas de interesse social – anexo 04 -, tais ter renos encontram-se ociosos e, portanto, disponíveis para o reassentamento des sas duas centenas de famílias de Vila Turismo ameaças de terem suas casas demolidas. Acreditamos, com toda a certeza, que está é a única e viável solução para nós moradores e, aquela que o Estado brasileiro pode implementar para agir conforme o que estabelece a lei.

Agradecemos desde já e abaixo assinamos, solicitando desta Sub-procuradoria
de Direitos Humanos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, providên- cias urgentes e necessárias, no sentido de proteger nosso direito humano funda- mental de moradia.

Agradecemos ao colega Prof. Gilson Alves Gaia pelo material e pela confiança.

PS. O dôssie foi entregue ao MP, dia 14/10/2008, e o número do processo gerado pela entrega do documento, Inquerito Civil 10.017/2008, o nome da promotora de justiça encarregada do processo é Anabelle Macedo
da Silva.
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