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quinta-feira, 5 de março de 2009

8 de março: Dia internacional da mulher

O Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro homenageia , in Memoriam, Edméia, uma das Mães de Acari.
Protagonismo feminino periférico no Rio de Janeiro ( 1981-2006)

Edméia, uma das Mães de Acari, foi assassinada em 1993 quando procurava pistas sobre o desaparecimento do filho -
Foto Jaime Silva http://vetoradm.com.br/questoesnegras/relac4.htm
No Dia 8 de março de 1857,129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Essa é a data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram as mulheres no local e atearam fogo, matando carbonizadas todas as tecelãs.
Contudo, desde a Idade Média as mulheres são queimadas vivas nas fogueiras acesas pela Exclusão, Pobreza, Intolerância, Machismo, Racismo , Homofobia e por aí vai....

Hoje, votamos, mas continuamos com nosso salário menor que os dos homens. É o preço que temos no mundo capitalista por Ser Mulher!

Se as mulheres ganham menos que os homens, nós, Mulheres Negras, deixamos de ganhar duas vezes: pela desigualdade de Gênero e de Raça. E, considerando que na sua grande maioria, as Mulheres Negras são chefes de família, estamos bem aquém da proclamada igualdade. Estamos abaixo do Homem Branco, do Homem Negro e da Mulher Branca.

Desde que nos tiraram da Senzala ocupamos os piores postos de trabalho e isso está refletido em toda a população negra brasileira. E, entre os desempregados, batemos recorde!
A combinação do racismo e machismo faz com que as/os jovens negras/negros liderem as estatísticas de vítimas por causas externas (homicídios, acidentes,assassinatos) por estarem mais sujeitas a exposição em áreas consideradas de risco, ou seja, bairros pobres da periferia, bares e outros pontos de vulnerabilidade, violência e pobreza (a maioria das mulheres que vivem nas comunidades e periferia ,no Brasil, são negras).

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Mas e daí? E a invisibilidade política, midiática, econômica e institucional imposta pela supremacia branca brasileira?Ainda temos muito que lutar, mesmo considerando avanços políticos conquistados e bem significativos para as Mulheres como a SPM, Lei Maria da Penha, p.ex.

Dia 8 de Março- Dia Internacional da Mulher!!!!

Mas ainda falta para sermos contempladas por uma Política Integral dos Direitos Humanos. Precisamos de uma Política de Direitos Humanos que não excluam as Mulheres, a Juventude Negra, a periferia e toda a população negra desse País.Precisamos dar um basta a essa limpeza étnica tão bem orquestrada e aplicada para uma população sem Direitos. E já vão 60 Anos da Declarãção...

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher em homenagem às operárias de Nova Iorque. A partir de então esta data começou a ser comemorada no mundo inteiro como homenagem as mulheres

Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Texto: Vilma Piedade

Coord. e Fund. do Coletivo de Mulheres Negras/RJ
Coord. de Comunicação da Rede Nac. de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde
Coord. de Gênero e Raça de Memória Lélia Gonzalez

Saudações Negras Feministas!

Agradecemos a companheira Vanda Ferreira pelo email e lembrança.
O texto acima é de Vilma Piedade

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