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quinta-feira, 5 de março de 2009

Pelo fim do "spread" bancário


Há pouco tempo lançamos em nosso blog um banner pelo fim do "spread" bancário. Sabemos que tal proposta tem muito de utopia e sonho. Entretanto, confiamos na sua justeza e que esta será apoiada por todos aqueles que acreditam que o capital financeiro não pode continuar fazendo com este país, e com as pessoas que aqui vivem, o que faz.
Na definição cínica e obcena dos banqueiros, o spread é cobrado pelos bancos, em função do risco que o banco corre quando realiza uma operação de crédito. Desta forma, quanto maior o risco, maior será o spread cobrado. Assim se os níveis de inadimplência no Brasil são altos, cabe aos bancos se prevenirem. No entanto, este raciocínio esconde uma lógica perversa, clara e límpida, ou seja, que quanto maior for o juros, maior será também a possibilidade do empréstimo não ser pago pelo tomador.
O Banco Central vem declarando pelos jornais que a taxa "Selic"cobrada pelo governo não é tão alta assim, e que o problema é o spread cobrado pelos bancos nos financiamentos. Concordamos com este pensamento, mas não podemos deixar de lembrar que taxas tão generosas quanto às oferecidas pelo BC potencializam em muito os lucros bancários, já que a cada porcento aumentado na taxa "Selic" os bancos ganham rios de reais ao comprarem títulos do tesouro.
Em suma, os bancos "nadam de braçada" e garantem para si uma preciosa rentabilidade. Basta acessar os balanços dos bancos nos últimos anos e verificar. Neste país, nenhum setor da economia ganhou tanto quanto, o dos banqueiros. Sem imposições do BC e fazendo o que bem querem são certamente a parcela da classe dominante brasileira a deter o poder real e irrestrito.
Lá fora, o capital financeiro sofre com a crise que afeta suas estruturas básicas e os governos praticamente zeram o valor da taxa de juros para facilitar o crédito. Aqui, nada se faz para acabar com esta pouca vergonha. Keynes que anda na moda atualmente, pelas dificuldades por que passa o capitalismo dizia que era preciso ser duro com o capital financeiro, pois, por sua natureza ele teria uma "obsessão mórbida pela liquidez", chegando às raias do absurdo para consumá-la A constatação que fazemos, é que no Brasil deixamos aos lobos a responsabilidade de tomar conta do galinheiro.



'Spread' ou a farra especulativa

Este é um texto já antigo (2004) do sociólogo Emir Sader, colunista, do site AgenciaCartaMaior.
Neste artigo, Sader explica didaticamente, o que é spread bancário e as implicações de sua aplicação pelos bancos, na nossa vida, e na realidade econômica do país.

Entre em um banco e deposite 100 reais em uma caderneta de poupança. O funcionário lhe dirá para retornar daqui a um mês, para receber seus polpudos dividendos, algo como R$ 100,60. Em seguida, ao mesmo funcionário, no mesmo balcão, você pede 100 reais emprestados. Receberá a resposta de que - além de todos os trâmites de cadastro, garantia, ficha pregressa etc. -, deverá pagar, daqui a um mês, algo como 109 reais.

Essa ''pequena'' diferença - algo como 15 vezes mais - é o que os bancos e os economistas, ministros, presidentes de bancos centrais, e todos os que funcionam como seus ventríloquos, chamam de spread. Em inglês, para melhor disfarçar, como convêm ao economês.

Mas o que é o spread? Os dicionários falam sempre de algo como ''extensão'', ''propagação'', ''expansão'', no máximo ''pasta para passar no pão''. Nada que possa esclarecer essa estranha mágica de pagar 0,6% e cobrar 9% ao mês e que faz a felicidade dos bancos e propicia os recordes de lucratividade do sistema financeiro - batidos novamente esta semana - à custa de quem não vive da especulação.

Os dicionários de economia esclarecem que spread é a diferença entre o quanto os bancos pagam e o quanto recebem; em outras palavras, o lucro dos bancos. Nenhum investimento permite ganhar tanto, em prazo tão curto, com tanta liquidez e pouco ou nada de imposto - recordemos que investimentos estrangeiros na Bovespa não pagam imposto, ao contrário da cesta básica, de livros etc.

É um investimento socialmente parasitário, porque não se trata de dinheiro que os bancos repassem como financiamento de investimentos, de consumo, de pesquisas. São recursos que serão aplicados nos papéis da dívida pública, nos papéis da bolsa e outros investimentos afins, socialmente regressivos.

Olhando melhor no dicionário, constato que existe uma outra definição para spread, mais próxima do seu significado real: ''banquete''. Ou, em outra palavra, farra - neste caso, farra especulativa.

Quando o Banco Central mantém a taxa real de juros - isto é, a taxa nominal menos a inflação - mais alta do mundo, está alimentando essa máquina cruel de transferir recursos do setor produtivo para o especulativo, do mundo do trabalho para o das finanças. Está brecando a retomada da expansão econômica, está reproduzindo e aumentando a concentração de renda, está elevando o endividamento de quem já está endividado e bloqueando a eventual possibilidade de quem quisesse tomar empréstimos.

Em suma, é o obstáculo mais importante a que o Brasil possa superar o ciclo longo recessivo em que entrou a economia desde começo dos anos 80 e promover uma política de desenvolvimento com distribuição de renda.

A farra especulativa é essa sangria patrocinada pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda há quase uma década e meia, promovendo a financeirização da economia, isto é, a hegemonia do capital financeiro, na sua modalidade especulativa, sobre o conjunto da economia, do Estado e da sociedade. Assim, o Estado gasta mais com o pagamento dos juros da dívida do que com saúde e educação ou com a Previdência Social, arrecadando do mundo da produção e transferindo para o mundo da especulação. Grandes empresas investem mais na esfera financeira do que na produtiva. Milhões de pessoas trabalham para pagar suas dívidas com os bancos. Essa é a financeirização, apoiada no spread, ou melhor, na farra especulativa.

Uma pequena minoria ganha com a farra, a grande maioria e o país, perdem. Enquanto persistir essa farra com os recursos do Brasil não sairemos da crise em que estamos mergulhados há duas décadas e meia.
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História". Este texto foi publicado originalmente no Jornal do Brasil, e no Consciencia.net




Brasil gasta com ‘spread’ 2,5 vezes o orçamento da Saúde e 4 vezes o orçamento da Educação

Isto não é um absurdo! Os donos dos bancos, a fração hegemônica da classe dominante!

Fonte: Folha de S. Paulo

Por DENYSE GODOY
O Brasil pagou R$ 134,5 bilhões em “spread” bancário em 2008. Esse valor corresponde a quase quatro vezes o orçamento do Ministério da Educação ou duas vezes e meia o do Ministério da Saúde no ano passado. Segundo um estudo realizado pela Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), as pessoas físicas contribuíram com R$ 85,4 bilhões desse total, e as empresas, com R$ 49,1 bilhões.
“Spread” é a diferença entre a taxa à qual os bancos captam recursos e aquela aplicada por eles nos empréstimos a consumidores e empresas. Inclui os impostos cobrados sobre operações de crédito, o risco de inadimplência, custos administrativos e os lucros das instituições financeiras.
Por exemplo, considerando um empréstimo pessoal de R$ 1.000 a ser quitado no período de um ano, dos R$ 604 que um cliente de banco em média pagava como juros em 2008, R$ 475 equivaliam ao “spread”.
A Fecomercio SP calcula que tal sobretaxa poderia ser cortada em um quarto sem muito esforço. Na situação descrita acima, isso significa que o consumidor economizaria R$ 119.
“Injetado na economia do país, o dinheiro geraria empregos em todos os setores”, afirma Abram Szajman, presidente da entidade. “O governo deveria parar de fazer de conta que não tem nada com isso e abrir mão de parte dos impostos. Para os bancos, seria conveniente mostrar que estão participando do novo desenvolvimento do Brasil que queremos.”
O “spread” no país é o mais alto do mundo. Subiu com o agravamento da crise e com o medo de uma explosão nos calotes aos bancos e resiste a cair, apesar dos cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central.
Na opinião de Armando Monteiro Neto, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), os bancos têm que ser “parceiros” do setor produtivo. “Queremos ter um sistema financeiro saudável, é claro. Queremos que ganhem dinheiro, não temos nada contra as instituições. No entanto, elas precisam ajudar na expansão da atividade”, diz.

Reportagem encontrada no link:
http://desempregozero.org/2009/04/06/brasil-gasta-com-%E2%80%98spread-25-vezes-o-orcamento-da-saude/

Spread alto derruba presidente do Banco do Brasil
Parece que finalmente o Presidente Lula resolveu de fato controlar o capital financeiro. Agir para reduzir o lucro escandaloso apropriado ilegitimamente pelos bancos através da conjunção satânica taxaselic+spread prova que o governo brasileiro está disposto finalmente a pagar grande parte da dívida social com o povo deste país. A demissão do presidente do Banco do Brasil constitui um passo importante nesta direção, pois mostra a determinados setores da burocracia estatal comprometidos com o grande capital que há riscos a correr caso mantenham-se alinhados a estes sórdidos interesses. Esperamos mais medidas como esta. Sabemos que há uma intensa luta dentro do governo entre os aliados do Deus-Capital e aqueles que pretendem garantir ao nosso povo trabalhador condições dignas de vida. É essencial o apoio da sociedade a tais ações, sabedores que somos das armadilhas que enfrentaremos, pois estamos diante do verdadeiro Leviatã bíblico, hobbesiano. A fração hegêmonica da classe dominante, os donos do capital improdutivo e imoral.

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