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sexta-feira, 3 de abril de 2009

O neoliberalismo e a educação carioca

Em uma entrevista recente, publicada pelo site: CartaMaior, o geógrafo marxista britânico, David Harvey afirma: "O neoliberalismo não acabou. Formas secretas dele ainda estão profundamente arraigadas em instituições e estruturas financeiras, e, se o neoliberalismo tem a ver com a consolidação do poder de classe, é bem possível que vejamos uma consolidação ulterior disso até chegarmos a ficar sem as legitimações ideológicas da ciência econômica do livre mercado. É a esta consolidação do poder de classe capitalista que a esquerda tem de se opor resolutamente, até nas ruas, se necessário. Esta é grande batalha que tem de ser travada por todas as facções da esquerda." E nós, professores da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro devemos concordar com ele. Senão vejamos, está em curso um processo de terceirização da gestão da educação carioca, e talvez de outros serviços públicos, de nossa cidade. Através do famigerado projeto de lei nº 2/2009 de autoria do Poder Executivo, leia-se prefeito Eduardo Paes e a secretária de educação, Cláudia Costin, o governo municipal pretende passar para Organizações Não-Governamentais o gerenciamento das escolas municipais. Dessa forma, nós profissionais da educação teríamos que passar a obedecer não mais ao executivo municipal, mas a uma Organização Não-Governamental. Ancorados no caos que se tornou a educação municipal após a introdução da aprovação automática pelo administração anterior, esses arautos do neoliberailismo esperam, mesmo após a sua derrocada mundial dar continuidade ao seu festim diabólico.
No dia de hoje, realizou-se na Câmara Municipal uma audiência pública, para qual a senhora secretária foi convidada, que alegando problemas pessoais, não compareceu. Cláudia Costin foi Ministra da Administração Federal e Reforma do Estado entre 1998 e 1999, no auge do governo Fernando Henrique Cardoso e do neoliberalismo em nosso país. Mais recentemente era vice-presidente Victor Civita, ligada à Editora Abril. Ficou conhecida pela sua dureza e insensibilidade no trato com o funcionalismo público federal. Em sua administração, os servidores amargaram um histórico arrocho salarial e negativas recorrentes às suas reivindicações.
O que esperar então? Certamente o pior. As Organizações Globo que apóiam tal projeto já começaram a construir por meio da mídia um ambiente apropriado para os objetivos traçados. No RJTV de hoje, vimos uma reportagem sobre o Projeto Uerê de educação presidido pela Sra. Yvonne Bezerra de Mello, que foi alçado como um exemplo de ação pedagógica positiva, em comparação com o trabalho produzido pela rede pública municipal. E, é claro, isto é só o início, mais e mais matérias serão apresentadas até que se forme um consenso favorável às medidas do executivo.
Por outro lado, todos sabemos, sobretudo, os profissionais da educação, os pais de nossos alunos, e acredito boa parte da população desta cidade, como se constrói uma escola pública de qualidade, e que não será com gestão privada que isso se dará. Com efeito, uma educação pública de qualidade se faz com professores bem pagos e de excelente formação, uma boa infra-estrutura física e logística nas escolas, acesso a todo tipo de tecnologia educacional possível aos alunos no universo escolar e horário integral. Contudo, este parece não ser o objetivo da atual administração, que prefere buscar em modelos falidos a solução para os problemas de uma infância pobre e tão sofrida.
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