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terça-feira, 28 de abril de 2009

Racismo nas páginas do gibi Ronaldinho Gaúcho

Recebi este material por email e acredito que valha, a princípio, uma reflexão, e posteriormente, uma explosão de fúria.
Leia também este outro post:
http://www.andredeak.com.br/2008/05/21/racismo-na-turma-da-monica/

Uma criança negra, uma menina, foi chamada de macaco (“mico-leão”) em um gibi de Mauricio de Sousa, por não ter o cabelo liso.

Não podemos aceitar esse tipo de ofensa! Todos devemos escrever para os responsáveis!
Enviamos anexo a história completa com a capa do gibi (Ronaldinho Gaúcho, n°24, Dez/2008 - RG A Deise 01) mas destacamos no primeiro anexo (RG A Deise 00) os principais quadrinhos ofensivos, colocamos abaixo os endereços de email dos responsáveis pelo gibi, para que todos escrevam manifestando o seu repúdio.
O que essa história está ensinando a nossas crianças? Que mensagem essa história envia para as crianças negras deste país? Está lhes ensinando a não aceitação de sua própria beleza, está lhes ensinado a terrível mentira de que, para ser aceitas e não serem confundidas com o macaco “mico-leão”, devem estar dentro de um padrão de beleza branco, com o cabelo liso. Essa história está ensinando às crianças negras a não gostarem de si como são, a não terem auto-estima. E que mensagem essa história envia para as crianças brancas deste país?
Está lhes ensinando desde cedo o racismo, a discriminação, a verem as crianças negras como diferentes, a abominável mentira de que as crianças negras para não serem “confundidas” com um macaco “mico-leão” tem que mudar sua própria aparência.

Iremos permitir que ensinem essas mentiras a nossas crianças?
Deixaremos barato? Faremos de conta que não aconteceu?

Miriam Leitão disse uma vez que se discrimina no Brasil porque é barato discriminar, isto é, não se cobra, não se denúncia, não se faz.


Nosso mais profundo apelo é: DEIXEMOS CARO, deixemos muito caro.


Por favor, vejam, estamos falando de nossas crianças, estamos falando do futuro, do Brasil daqui a 20, 30 anos!


Se permitirmos que ensinem impunemente o racismo a nossas crianças quando iremos nos livrar desse veneno? Nunca!


Temos que fazer nossas vozes serem ouvidas! Temos que dar um basta! Isso é dever de cada um.


Estes são os endereços dos responsáveis:

comercial@hitpublish.com.br

instituto@institutomauriciodesousa.com.br

msp@turmadamonica.com.br

imprensa.panini@litera.com.br


É muito importante para nós sentirmos que nosso trabalho de denúncia tem dado resultados, por isso pedimos que encaminhem uma cópia oculta para nosso endereço:
ativismonline@gmail.com

Também pedimos que encaminhem essa mensagem àqueles que vocês sabem que também manifestarão o seu repúdio, para que nossos esforços sejam multiplicados, e para aqueles que podem tomar uma providência legal.

Lembramos ainda que, em 17.04.2009, o Jornal Nacional da Globo exibiu uma frase racista de uma cabeleireira. Na matéria sobre Angola, na Africa, ela ao dizer que as angolanas procuravam no salão o que chamavam de “cabelo brasileiro”, explicou que “quando elas estão procurando o cabelo brasileiro, estão procurando o cabelo liso, o famoso cabelo bonito”.

Associando, evidentemente, o cabelo próprio do negro à feiúra, à negatividade, estabelecendo como único padrão de beleza o cabelo liso.

Interessante que a matéria destaca que as angolanas gostam de ver novelas da Globo, já dá para saber de onde elas tiraram que o “cabelo brasileiro”, o “cabelo bonito” é o cabelo liso, deixando de enxergar a beleza de seus próprios cabelos.


Há um comentário sobre a matéria no site da Afrobras:
http://www2.afrobras.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=484&Itemid=1

A matéria pode ser vista no seguinte link:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1006190-7823-ANGOLA+TEM+CRESCIMENTO+ECONOMICO+E+POBREZA+EXTREMA,00.html

É possível deixar comentários na página:
http://especiais.jornalnacional.globo.com/jnespecial/2009/04/17/cenas-do-cotidiano-do-povo-angolano/

É muito importante que todos nos manifestemos na página acima contra essa frase racista!


Também é possível enviar mensagens para o Jornal Nacional em:
http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,FEF0-10476,00.html

Essas duas manifestações de racismo contra o cabelo dos negros nos lembrou de Malcolm X ao perguntar:

“Quem te ensinou a odiar a textura do seu cabelo? ...” Vemos que essa pergunta de Malcolm X ainda tem que ser feita hoje! O vídeo pode ser visto no link:
http://www.youtube.com/watch?v=2x8KgPf8Pq0 [~2 min.]

Recomendamos a todos.


Esses fatos também nos lembraram da música
“Respeitem meus cabelos brancos” de Chico César.


Confrontemos o racismo, nos calarmos é dar nossa permissão para que isso continue, calar é concordar com o opressor, como nos ensina Jane Elliot no documentário “Olhos Azuis”, que também recomendamos a todos:
http://www.youtube.com/watch?v=o_pS05t7liw

Construamos um Brasil mais justo, confrontemos o racismo!


Abraços,
Ativismonline – Malaika e Marcelo.
Licença Creative Commons
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