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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sob o Signo da Justiça: a luta pela reparação racial 2

DOCUMENTÁRIO SOB O SIGNO DA JUSTIÇA
Direção: Carlos Henrique Romão Siqueira e Ernesto Ignácio de Carvaho

Cotas na UnB (Doc.) - Parte 1 Cotas na UnB (Doc.) - Parte 1
1 (DIVIDO EM 3 PARTES) Link para Parte 2: www.youtube.com "Sob o Signo da Justiça" - A luta pelas cotas na Universidade de Brasília de Carlos Henrique Romão Siqueira e Ernesto Ignácio de Carvalho.
Cotas na UnB (Doc.) - Parte 2 Cotas na UnB (Doc.) - Parte 2
2 (DIVIDO EM 3 PARTES) Link para Parte 3: www.youtube.com "Sob o Signo da Justiça" - A luta pelas cotas na Universidade de Brasília de Carlos Henrique Romão Siqueira e Ernesto Ignácio de Carvalho.


PARTE 3 (DIVIDIDO EM 3 PARTES) "Sob o Signo da Justiça" - A luta pelas cotas na Universidade de Brasília de Carlos Henrique Romão de Siqueira e Ernesto Ignácio de Carvalho.


Sob o Signo da Justiça: A luta pela igualdade racial nas universidades ganha as telas
Por Marcus Bennett
Informe Palmares
Nov 2006

Brasília - Em continuidade à nossa série de entrevistas com os vencedores do Primeiro Prêmio Palmares de Comunicação, trazemos agora, uma conversa com Carlos Henrique Romão de Siqueira, diretor do filme: "Sob o signo da Justiça: A luta pelas cotas na UnB", produzido juntamente com Ernesto Ignácio de Carvalho.

Carlos começa nos explicando que esse documentário é o resultado de um esforço coletivo. "Ele foi feito em co-direção, junto com Ernesto de Carvalho, que foi o motor do projeto. Essa foi nossa primeira experiência na direção", esclarece.

Como tudo começou

Carlos nos conta como iniciou o projeto do filme: "A idéia do doc umentário surgiu desde o início do processo de discussão sobre ações afirmativas que eu e o Ernesto vivenciamos na UnB, desde 1999. Desde esse período, ainda sem muita clareza do que iríamos fazer, pegamos câmeras emprestadas, compramos fitas com nosso próprio dinheiro, nos deslocamos por nossa própria conta, e começamos a gravar em vídeo os debates, reuniões, discussões e todo tipo de acontecimento relacionado com o tema, que acontecia na UnB e nos arredores", descreve o diretor.

Política de Cotas na UnB/ Verdade e Boato

Depois que a política de cotas raciais para ingresso na Universidade de Brasília foi aprovada, Carlos nos relata que houve uma reação violenta da mídia e por grande parte da academia, criando uma certa versão desinformada e irresponsável do processo que levou à implementação das ações afirmativas, tentando impor a idéia de que elas teriam sido impostas pelo Governo, ou que teria sido uma m edida tomada de repente, sem muita reflexão. No entanto, o que Carlos e Ernesto justamente mostram no documentário são imagens dos momentos mais importantes do debate de idéias entre a comunidade acadêmica para a conclusão do processo de cotas. Assim, Carlos desabafa, "tentamos mostrar com o vídeo que essa ação afirmativa na UnB foi fruto de anos de debate, de diálogo inter-racial, e sobretudo, que foi uma iniciativa interna, uma demanda de parte da própria comunidade universitária".

Objetivos alcançados

O diretor Carlos Henrique Romão de Siqueira é por formação historiador, talvez, por isso, tenha se interessado tanto pelo assunto a fim de registrar parte de um processo revolucionário, já que a Universidade de Brasília foi a primeira universidade pública do país a implantar o sistema de cotas. Entretanto, Carlos, apesar de acreditar ter alcançado seus objetivos, pondera, "temos a consciência de que montamos um documentário que mostra apenas uma visão desse processo. E essa é uma limitação que devemos sempre ter em mente. Ainda temos dezenas de horas de material inédito, e talvez, no futuro, possamos trabalhar numa versão longa onde poderemos aprofundar o debate". E continua, "as ações afirmativas e as cotas se tornaram um tema que é pauta nacional hoje. Muito diferente do que era quando começamos a fazer nossas primeiras imagens há anos, quando essas eram palavras malditas, cuja simples menção enfurecia muita gente. O mérito do nosso documentário, talvez seja o de ressaltar que a implementação de ações afirmativas na Universidade de Brasília foi fruto de uma luta. E de sinalizar que essa mesma luta pode ser reproduzida em outros lugares", conclui o historiador.

A necessidade de lutar

O diretor nos explica também o que aprendeu com seu documentário: "Na fase de produção, entrevistamos várias lideranças negras que tinham diversos entendimentos de como encaminhar essa questão. Durante a montagem, sempre tentávamos destacar a forma como todos eles enfatizavam a necessidade da luta. O que aprendi acompanhando a luta pelas cotas na UnB, e depois, no processo de produção ao dialogar com várias pessoas é a necessidade dessa luta. E o que nosso documentário procura fazer é amplificar o alcance dessas vozes que alertam para a necessidade da luta. O único meio de avançar nessa questão é reivindicando. Não há outro tipo de solução".

Retorno do público

Mesmo com a dificuldade de difusão da produção audiovisual no Brasil e sem estrutura para divulgação de seu material, Carlos acredita que o retorno que teve sobre o vídeo foi bastante positivo. "Recentemente estive na Unicamp, onde um grupo de estudantes de pós-graduação está formalizando nesse mês a criação do Núcleo de Estudos Negros, onde o vídeo já foi exibido. Os coment ários foram elogiosos", nos conta sorridente.

Futuro

Atualmente, Carlos Henrique está em doutoramento em Ciências Sociais pela UnB, mas destaca que tem vontade de dar continuidade em sua carreira cinematográfica e explica que já está trabalhando em dois roteiros, um para outro documentário e, mais para o futuro, outro para um longa-metragem.

Carlos nos informa também, que o também diretor de "Sob o Signo da Justiça", Ernesto de Carvalho, vem trabalhando já há alguns anos no meio cinematográfico, em diversas funções, sobretudo em Pernambuco, onde reside. E que, recentemente, finalizou um novo documentário sobre o Congado em Belo Horizonte, que foi muito bem acolhido na comunidade onde ele filmou.

Significado da Fundação Palmares

Ao ser reconhecido pelo projeto - de alcance social e de importância para a valorização da cultura negra - Carlos Henrique expõem a ess encial participação da Fundação Palmares nesse processo. E faz um relato, "a atuação da Fundação Cultural Palmares é da maior importância. Primeiro, porque sabemos que no Brasil há uma imensa produção de imagens racistas. Vemos todos os dias isso nas novelas, nos jornais, nas revistas, no cinema. E essas imagens bombardeiam milhões de pessoas todos os dias.

Com o Prêmio Palmares de Comunicação, a Fundação colabora para a construção de uma contra-narrativa racista", diz, elogiando a Fundação. Mas aponta ainda, outras idéias, "deveríamos tentar expor mais essa produção, por exemplo, negociando espaços na TV Nacional, Cultura, nas TVs universitárias e outros espaços. Mas de toda forma, a produção existe. Resta agora fazer com que elas circulem", comenta. E continua, "a Fundação Cultural Palmares também poderá jogar um papel importante nesse sentido ampliando o trabalho que já vem fazendo. Por outro lado, ao financiar a produção audiovisual, a Fundação estimula a formação de técnicos, diretores, fotógrafos, roteiristas negros ou sensíveis para a questão racial, para a memória negra e para o combate ao racismo", conclui o diretor.
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