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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Centro Cultural Octávio Brandão apresenta ...

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO
CINECLUBE DO CCOB APRESENTA DIA 01/08, SÁBADO, ÀS 16 HORAS:

"SALVADOR"


Aqui vai uma sugestão cinematográfica para o fim de semana. O filme “Salvador Puig Antich” resgata um pedaço da história de um jovem anarquista catalão que engrossou as fileiras da luta armada contra a ditadura de Franco na Espanha, durante a década de 1960 e início de 1970. Salvador foi executado no garrote vil pela ditadura franquista, após ser preso e condenado pela morte de um policial em Barcelona. Como militante do Movimento Ibérico de Libertação, participou de inúmeras ações armadas do grupo (geralmente assaltos a bancos) como motorista. O dinheiro levantado nos assaltos era destinado ao financiamento de publicações clandestinas do grupo e também para ajudar as famílias de grevistas e trabalhadores presos pela ditadura franquista.
Puig Antich foi preso em 1973, em Barcelona, em uma emboscada onde a polícia usou como isca um companheiro de Antich que havia sido preso e torturado. Foi julgado no Conselho de Guerra e condenado pela morte do policial Anguas Barragán. A condenação, na verdade, foi uma vingança da ditadura franquista pela morte do ex-presidente Carrero Blanco, alvo de um atentado a bomba do ETA. O processo de Puig Antich movimentou toda a Europa. Foram organizadas manifestações em vários países pedindo a comutação da pena capital. A defesa de Salvador tentou deter a execução até o último minuto. Sem sucesso.
No dia 2 de março de 1974, Salvador Puig Antich foi a última pessoa da história da Espanha a ser executada pelo garrote vil (uma espécie de torniquete colocado no pescoço do condenado, e girado até que seus ossos se partissem ou ele fosse sufocado), método usado desde a “conquista” da América espanhola. O qualificativo “vil” merece destaque: a decapitação era reservada aos nobres, às pessoas mais ricas, aos “homens de bem”, enfim; já o garrote era uma forma “vulgar” de execução, aplicada a índios, negros e brancos pobres, geralmente “do campo”. Um requinte de crueldade da direita espanhola inspirado nas bondades da inquisição da Igreja Católica, tão boazinha ela.

Em 2001, o jornalista catalão Francesc Escribano escreveu o libro “Cuenta atrás. La historia de Salvador Puig Antich”, no qual se propõe a contar os fatos que levaram à execução de Puig Antich. Em 2006, com um roteiro baseado no livro de Escribano, Manuel Huerga dirige “Salvador”, protagonizado por Daniel Brühl (protagonista de Adeus Lênin e Edukators, entre outros). O livro e o filme foram criticados por antigos companheiros de militância de Salvador. Para eles, as duas obras esvaziaram de conteúdo político o personagem de Puig Antich, ao mesmo tempo em que teriam dado uma falsa dignidade ao seu carcereiro, Jesús Irurre.

Divergências históricas à parte, o filme merece ser visto por lançar luz sobre um período obscuro da história da Espanha e por nos lembrar que lembrar é importante e que a ausência de luta contra a opressão e a ausência de memória são dois dos nomes da morte.

CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com Domingos Magalhães, Maria da Graça, próximo à estação do Metrô.
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