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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Entidades negras se reúnem para convocar manifestação

Fonte: Afropress

Este fato ocorrido em São Paulo é uma mostra clara e inequívoca de como o racismo está presente em nosso país e da necessidade de desenvolvermos ações mais contundentes contra a segregação racial a que os setores mais pobres da população negra estão submetidos. Devemos aprofundar esta discussão e não ficar apenas naquelas situações em que a evidência do racismo é mais nítida e óbvia. Na minha opinião o racismo não se manifesta apenas nestas situações extremadas, mas também em outros momentos onde as condições de desigualdade social também estão presentes.
Neste sentido, também considero racismo as condições de habitação em que vivem a imensa maioria da população negra.
Também considero racismo, o péssimo atendimento prestado pelo Estado nos postos de sáude nas periferias deste país.
Também considero racismo a situação do sistema de transportes público que faz a população negra e mais pobre passar horas de seu dia presa em um ônibus, metrô ou trem, longos períodos que poderiam ser aproveitados para o convívio familiar, descanso ou lazer.
Também considero racismo o salário mínimo de fome pago à população negra, e que a situa nos porões da sociedade, isto quando se consegue um emprego no mercado formal de trabalho.
Também considero racismo as condições da educação em nosso país com professores desestimulados pelos baixos salários e estressante carga horária e salas entupidas de alunos.
Também considero racismo a falta de uma reforma agrária e urbana que faça da propriedade fundiária um instrumento de transformação social.
Também considero racismo o trato dado comumente pelas autoridades judiciárias à população pobre e negra.

Enfim, poderíamos ficar desfiando aqui dezenas de circunstâncias onde o racismo está presente, embora para muitos não tão evidente, no entanto não consigo deixar de pensar que a solidariedade das massas negras e pobres ao movimento negro e aos movimentos sociais só se dará se ampliarmos o sistema de alianças para mais setores da sociedade. Não devemos e não podemos ficar indignados apenas porque um homem negro foi espancado à porta de um supermercado, quando sabemos que tantos outros estão nas prisões padecendo sofrimentos ainda piores e milhares de jovens negros morrem anualmente atingidos por armas de fogo.
O racismo tem um caráter muito mais profundo em nossas relações. Ele, em verdade, se constitui numa das principais justificativas e motores para a manutenção e continuidade das desigualdades raciais e sociais deste país.
Assim, espero que este ato público possa ser o início de um tempo onde as ações sejam mais concernentes com a nossa realidade racial e social, que lembremos do vigilante Januário Alves de Santana, mas que não esqueçamos dos Josés e Joões massacrados nas favelas, periferias e mocambos deste país racista, cruel e desigual.

Fonte: Afropress

S. Paulo - Cinquenta entidades do Movimento Negro de S. Paulo se reúnem nesta terça-feira (25/08), às 18h, na sede do Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (CEABRA), na Av. S. João, para marcar a data de um grande ato em protesto à violência racista que atingiu o funcionário da USP e técnico em eletrônica, Januário Alves de Santana, espancado barbaramente por seguranças, em um quartinho do Carrefour de Osasco, suspeito de roubar o próprio carro.
Veja a matéria do SBT
http://www.afropress.com/tvAfropressVer.asp?idMovie=67

O ato deverá ser realizado em frente à sede do Carrefour, no bairro do Morumbi, zona sul de S. Paulo. Segundo Julião Vieira, coordenador de Educação e Formação Política da União de Negros pela Igualdade – entidade que reúne ativistas próximos ou ligados ao PC do B – a idéia é fazer uma grande manifestação unitária – independente de partidos - para expressar o repúdio, não apenas da população negra, mas da sociedade, aos repetidos atos de violência e desrespeito aos direitos humanos que vem sendo praticados por seguranças do hipermercado.


Um repúdio à violência

Para tentar amenizar o desgaste sofrido com o Caso Januário, a empresa anunciou na semana passada a exoneração da gerência de Osasco e o rompimento do contrato com a empresa de Segurança - a Nacional de Segurança Ltda.

Na reunião desta terça, também participarão representantes da CONEN, Coordenação Nacional de Entidades Negras – composta por ativistas ligados ou próximos ao PT – do Círculo Palmarino, formado por ativistas do PSOL e lideranças independentes, não necessariamente ligadas a partidos.

Também deverão estar presentes representantes dos deputados José e Vicente Cândido, respectivamente, responsável pelo SOS Racismo da Assembléia Legislativa e coordenador da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial de S. Paulo. No sábado, ativistas da Frente 3 de Fevereiro fizeram protesto em frente a loja do hipermercado, em Osasco.

Segundo Julião, a proposta é combinar a realização de um grande ato em S. Paulo, com um dia de manifestações em todo o país. “Vamos propor as entidades nacionais que, em determinado dia a ser marcado, em todo o país, os negros convoquem a população para protestos em frente a lojas desse hipermercado”, afirmou.

Audiência Pública

Também na Câmara Municipal de S. Paulo, o vereador Jamil Murad, do PC do B, apresentará uma moção de repúdio na sessão desta terça-feira, pela violência praticada por seguranças contra Januário Alves de Santana.

Jamil deverá propor a Comissão de Direitos Humanos da Câmara a realização de uma Audiência Pública, em que deverão ser convidados, o presidente da Rede Carrefour no Brasil, o Grupo Especial de Inclusão Social, do Ministério Público de S. Paulo, o próprio Santana, a Comissão de Direitos Humanos da Cidade de S. Paulo.

Depoimento

Por outro lado, o depoimento inicialmente previsto para esta terça-feira, às 15h, no 9º DP de Osasco, foi adiado. Os advogados Dojival Vieira e Silvio Luiz de Almeida optaram por fazer a representação por escrito e anunciaram que, apesar de está bastante fragilizado e ainda com fortes dores no rosto, Santana está à disposição da delegada Rosângela Máximo da Silva, que preside o inquérito.

Eles o orientaram a buscar atendimento médico e psicológico por causa das dores no rosto - a parte mais atingida na sessão de espancamentos em que teve a prótese dentária arracanda a socos - e também porque não tem conseguido dormir. “Ele permanece em claro à noite e tem pesadelos”, contou a mulher Maria dos Remédios.

Numa entrevista ontem ao vivo, no Programa Manhã Maior, da Rede TV, Santana contou que, tem passado às noites em claro e perdeu peso.

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