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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Centro Cultural Octavio Brandão

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO

CONVIDA PARA ENTREGA DA 1ª MEDALHA OCTAVIO BRANDÃO

HOMENAGEADO: Silvestre, veterano militante operário.

Neste sábado, 12/09/2009, às 16 Horas.

Após o ato vamos comemorar mais um aniversário do CCOB!

Um pouco da história do nosso homenageado com a primeira medalha Octavio Brandão, o "velho" Silvestre Borracheiro:


Silvestre já era um trabalhador militante do setor das pequenas e médias empresas de borracha, quando Sérgio Loureiro, o popular “Serjão”, então secretário geral do sindicato dos borracheiros o convidou para participar da chapa única da CUT que o mesmo encabeçaria para direção da entidade, em 1988.
Eleito diretor, Silvestre em 1989 se organizaria com a corrente trotskista convergência socialista, abrigada no interior do PT e participaria com o sindicato dos borracheiros da histórica greve geral de 14 e 15 de março daquele ano, ajudando a paralisar a populosa zona oeste do rio de janeiro. Nesse mesmo ano, Silvestre, juntamente com o sindicato, participaria da conquista das seis horas diárias de trabalho na Michelin, poderosa multinacional francesa, localizada no bairro de Campo Grande. Nesse período, ele também ajudou nas greves das costureiras da De Millus (que ficou conhecida como “greve das calcinhas”, em função da revista vexatória imposta às operárias) e no movimento paredista da Transpev (curiosamente apelidado de “greve das cuecas”, em virtude do mesmo tipo de revista obrigatória aos funcionários). ambas as empresas eram no bairro da Penha, sede do sindicato dos borracheiros. Ainda no ano de 1989, o dirigente borracheiro fez parte da histórica campanha de Lula, expressão política daquele assenso de lutas operárias, ajudando nos comitês pró-lula na zona oeste.
Entretanto, os anos noventa trariam retrocessos nas lutas dos trabalhadores, em função da reação ideológica aberta pós a queda do muro de Berlim e a conseqüente contra-ofensiva econômica dos capitalistas. A direção da CUT (Jair Meneghelli) buscaria Zélia Cardoso, então superministra do governo neoliberal do nefasto Collor de Mello, para compor um pacto.
A grande onda de lutas daquele ano seria abortada, sem uma resposta unificada dos trabalhadores aos ataques dos patrões. Nesse processo, Silvestre dirigiu a ocupação da fábrica onde trabalhava, Empresa Nacional de Produtos de Borracha (ENPB), abandonada pelos patrões, que os operários conseguiram reativar, a ponto de pagar (por iniciativa de Silvestre), o chamado plano collor, referente às perdas salariais iniciais impostas pelo novo governo, algo praticamente inédito no país. Ele também dirigiu a greve das pequenas e médias empresas. mas, depois de uma greve de quase dois meses, com uma repressão patronal brutal, a principal fábrica da categoria, a Michelin seria derrotada, perdendo a data-base, o que praticamente inviabilizaria o sindicato, que já não andava bem financeiramente.
Entre 1991 a 1996, Silvestre apoiou várias greves de categorias operárias como metalúrgicos, químicos, vidreiros, como militante da regional operária da Convergência Socialista. Em 1992, com a expulsão da CS do PT, iniciativa de Lula e Zé Dirceu, somou-se a construção do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Com a crise que se abriu neste partido em 1997, Silvestre se afastou , continuando, porém, a participar da diretoria do sindicato dos borracheiros. mas já eram outros tempos: uma direção inexperiente que assumiu a entidade negociaria a histórica conquista de seis horas na Michelin, atribuindo a iniciativa aos “desígnios de deus”. do combativo sindicato, ficaria somente a sede na rua Conde de Agrolongo, 748, agora testemunha do desmonte das grandes fábricas da região (ex: Curtume Carioca) da Penha, produto de uma década de neoliberalismo.
Mesmo assim, o “garotão” Silvestre se animaria: no ano de 2001, cederia o espaço do sindicato para a realização de um vídeo-clube operário, que se tornaria o embrião do Centro Cultural Octávio Brandão. Em 2002, apoiou a campanha do militante da União Comunista, Cézar Lima, pela legenda do PSTU. Em 2003, silvestre organizaria uma chapa de oposição à direção do sindicato dos borracheiros. apesar de bem votada, a chapa é derrotada pela composição apoiada pela patronal.
Em função da derrota, ele foi obrigado a se afastar, somado o fato de que já estava com problemas de saúde, somados ao peso da idade. A primeira atitude da nova direção do sindicato foi vender a histórica sede, símbolo de uma entidade combativa e um período de grandes lutas operárias na região.
Hoje, o veterano militante segue sua vida, agora aposentado, morando no município de Belford Roxo. Tem a consciência tranqüila, daqueles que travaram o bom combate. Nós todos, que ombreamos com ele em diversos momentos da luta operária e popular, partilhamos o respeito e a admiração por um operário que não deixou macular a bandeira da história de lutas da classe trabalhadora brasileira.

CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com domingos Magalhães, Maria da Graça, próximo da estação do Metrô.
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