Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Acerca da grande mídia e da desigualdade racial

De Sergio J. Dias

O jornalista Venício Lima escreveu um artido publicado pelo site AgenciaCartaMaior, em que comenta o posicionamento contrário da grande mídia às demandas do movimento negro brasileiro. Em função disto, elaboramos uma pequena reflexão sobre tal problemática.
O que ocorre é que a elite "branca brasileira" percebeu que falar de racismo no Brasil é diferente de discutir a mesma questão nos EUA. Durante muito tempo, setores da grande mídia inspirados pelo movimento dos direitos civis e suas consequências lá, viam a luta contra o racismo como algo facilmente palatável para o capitalismo brasileiro. Afinal a meca do sistema conseguiu absorver tal problemática, não sem antes prender e matar as principais lideranças, e ainda produziu um discurso sobre a capacidade e eficiência, talento, etc. que é apresentado sempre que a questão racial no capitalismo é colocada.
No entanto, temos um dado que nos diferencia da situação estadunidense. Enquanto, nos Estados Unidos, a população negra corresponde a 12% do total, no Brasil esta mesma população, somando pretos e pardos alcança mais de 50% do total, ou seja, neste sentido estamos mais perto da problemática da África do Sul, e, por conseguinte, mais próximos de soluções encontradas pelos sulafricanos. O despertar, portanto, de uma consciência racial no Brasil, acredito, causa tremores na elite branca racista brasileira.
Dados que mostram o aumento de pretos ou pardos se autoidentificando como negros, saindo daquelas definições tradicionais que incluem dezenas de adjetivações diferentes, como "mulato", "morenoescuro", "marrom bombom", "chocolate", "pardo" e tantas outras abriram os olhos de setores das classes dominantes brasileiras sobre os riscos de uma ampliação da consciência racial. Não podemos, e não devemos esquecer que a população negra, em um capitalismo dependente como o nosso faz parte majoritariamente do exército de mão-de-obra de reserva e tem na incompetência dos negros, isto é, no racismo a justificativa para este estado de coisas.
Questionar, neste sentido, os problemas raciais no Brasil significa muito mais do que o foram para os movimentos negros estadunidense, pois põe a nu os limites do capitalismo dependente brasileiro e sua possibilidade de dar conta das demandas sociais. Esta reação da grande mídia se insere em uma estratégia de isolar o movimento negro brasileiro, assim como fizeram com o movimento sindical, e de esquerda, como um todo. Além de ter como objetivo retomar as teses tradicionais desenvolvidas por Gilberto Freire, sobretudo, e tantos outros no alvorecer da República, quando a população negra foi inserida no conjunto da cidadania brasileira.
Convém então, aos neoracistas reelaborar a ideologia da democracia racial, atualizando-a para os novos tempos, e para os embates com os movimentos negros. É claro que, os indicadores sociais brasileiros desmentem tal tese e são o principal combustível para o avanço da consciência racial.


Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Brazil License.