Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Domingueira no Centro Cultural José Bonifácio

SOLICITAMOS UMA FORÇA NA DIVULGAÇÃO ENTRE SEUS AMIGOS

DOMINGUEIRA NO BONIFÁCIO

02 DE AGOSTO (domingo) 11 horas

Centro Cultural José Bonifácio

Rua Pedro Ernesto, 80 – GAMBOA

Artes Plásticas

Gisa Nogueira

Música - 13 horas

Grupo Samba Urbano

Pré lançamento do CD SAMBURBANO de Nilson Athayde

Literatura (lançamentos)

Candeia, Luz da Inspiração

de João Batista Vargens

Produção de Cultura no Brasil:

Da Tropicálha aos Pontos de Cultura

de Aline Carvalho

Gastronomia

Chef Maria Inês Vernes

Produção

Didu Nogueira


África e Africanidades: Dez conferências sobre a História da África







PERÍODO DAS INSCRIÇÕES:
28 de julho a 13 de agosto
07 de setembro a 15 de setembro
Todas as terças e quintas das 10h às 20h
Investimento: R$ 80,00 (Graduando: R$ 60,00)

Dados bancários: CEPED/UERJ
Banco Itaú - ag.: 6134 c/c.: 001183-9
Depósito identificado com CPF

LOCAL DAS INSCRIÇÕES:
LEDDES, UERJ – 9º andar, bloco D, sala 6
Outras informações pelo e-mail: dezconferencias@gmail.com
Telefones: 21 8893-6717 / 21 9905-6008
FICHA DE INSCRIÇÃO:
Favor, se possível, trazer preenchida ao local de inscrição. Caso não possa, apresente-se no local de inscrição com os dados requeridos na ficha. Não envie a ficha por e-mail, a inscrição não é feita on line e sim no LEDDES.
Como chegar ao LEDDES? clique no link abaixo para visualizar o mapa:
http://www.postimage.org/image.php?v=gxbupiJ

LOCAL DO EVENTO:
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã – Rio de Janeiro – CEP 20550-900
9º andar, bloco F, Auditórios 91 e 93

ORGANIZAÇÃO:
Ana Carolina Coelho, Cristiano Bispo, Fátima Machado Chaves, Luiz de Oliveira, Marcelo Santana de Oliveira, Michele A. Magalhães Santos, Rogério da Silva Guimarães, Silvio de Almeida Carvalho Filho.

Post original no link:
http://leddesuerj.blogspot.com/2009/07/dez-conferencias-sobre-africa.html

Material proposto por Angela Ramos do grupo: ACordaCultura

Centro Cultural Octávio Brandão apresenta ...

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO
CINECLUBE DO CCOB APRESENTA DIA 01/08, SÁBADO, ÀS 16 HORAS:

"SALVADOR"


Aqui vai uma sugestão cinematográfica para o fim de semana. O filme “Salvador Puig Antich” resgata um pedaço da história de um jovem anarquista catalão que engrossou as fileiras da luta armada contra a ditadura de Franco na Espanha, durante a década de 1960 e início de 1970. Salvador foi executado no garrote vil pela ditadura franquista, após ser preso e condenado pela morte de um policial em Barcelona. Como militante do Movimento Ibérico de Libertação, participou de inúmeras ações armadas do grupo (geralmente assaltos a bancos) como motorista. O dinheiro levantado nos assaltos era destinado ao financiamento de publicações clandestinas do grupo e também para ajudar as famílias de grevistas e trabalhadores presos pela ditadura franquista.
Puig Antich foi preso em 1973, em Barcelona, em uma emboscada onde a polícia usou como isca um companheiro de Antich que havia sido preso e torturado. Foi julgado no Conselho de Guerra e condenado pela morte do policial Anguas Barragán. A condenação, na verdade, foi uma vingança da ditadura franquista pela morte do ex-presidente Carrero Blanco, alvo de um atentado a bomba do ETA. O processo de Puig Antich movimentou toda a Europa. Foram organizadas manifestações em vários países pedindo a comutação da pena capital. A defesa de Salvador tentou deter a execução até o último minuto. Sem sucesso.
No dia 2 de março de 1974, Salvador Puig Antich foi a última pessoa da história da Espanha a ser executada pelo garrote vil (uma espécie de torniquete colocado no pescoço do condenado, e girado até que seus ossos se partissem ou ele fosse sufocado), método usado desde a “conquista” da América espanhola. O qualificativo “vil” merece destaque: a decapitação era reservada aos nobres, às pessoas mais ricas, aos “homens de bem”, enfim; já o garrote era uma forma “vulgar” de execução, aplicada a índios, negros e brancos pobres, geralmente “do campo”. Um requinte de crueldade da direita espanhola inspirado nas bondades da inquisição da Igreja Católica, tão boazinha ela.

Em 2001, o jornalista catalão Francesc Escribano escreveu o libro “Cuenta atrás. La historia de Salvador Puig Antich”, no qual se propõe a contar os fatos que levaram à execução de Puig Antich. Em 2006, com um roteiro baseado no livro de Escribano, Manuel Huerga dirige “Salvador”, protagonizado por Daniel Brühl (protagonista de Adeus Lênin e Edukators, entre outros). O livro e o filme foram criticados por antigos companheiros de militância de Salvador. Para eles, as duas obras esvaziaram de conteúdo político o personagem de Puig Antich, ao mesmo tempo em que teriam dado uma falsa dignidade ao seu carcereiro, Jesús Irurre.

Divergências históricas à parte, o filme merece ser visto por lançar luz sobre um período obscuro da história da Espanha e por nos lembrar que lembrar é importante e que a ausência de luta contra a opressão e a ausência de memória são dois dos nomes da morte.

CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com Domingos Magalhães, Maria da Graça, próximo à estação do Metrô.

Princípio da igualdade é compatível com promoção de ações afirmativas

Parecer do Procurador Geral da República é contra a concessão de medida cautelar pedida pelo DEM (Partido Democratas), que propõe a inconstitucionalidade do sistema de cotas na UNB. O documento enviado pela Procuradoria da República afirma que, "ao contrário do que alega a legenda, o princípio da igualdade, tal como concebido no sistema constitucional brasileiro, não só é compatível, como, em determinadas situações, até reclama a promoção de políticas de ação afirmativa, para superação de desigualdades profundamente entrincheiradas nas nossas práticas sociais e instituições."
Nós que lutamos durante tanto tempo por políticas de reparação racial , já postas em prática através de ações afirmativas em várias universidades, e esboçadas no Estatuto da Igualdade Racial, que está sob a apreciação pelo Congresso Nacional, percebemos este momento como significativo, já que os inimigos históricos do povo brasileiro têm de sair da sombra e se expor. Podemos verificar que os mesmos setores que apoiaram a ditadura militar agora se posicionam contra nossas reivindicações, corroborando a justeza das mesmas. Esperamos, por conseguinte, da sociedade civil organizada todo o apoio e uma resposta conveniente nas próximas eleições ao racismo desses senhores.

Abaixo matéria produzida pela Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria Geral da República

Em parecer enviado ao STF, procurador-geral da República é contra concessão de medida cautelar pedida pelo DEM em ação contra o sistema de cotas raciais na UnB

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a concessão de medida cautelar pedida pelo Partido Democratas (DEM) em arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF 186) que questionou a política de cotas adotada pela Universidade de Brasília (UnB). De acordo com ele, ao contrário do que alega a legenda, o princípio da igualdade, tal como concebido no sistema constitucional brasileiro, não só é compatível, como, em determinadas situações, até reclama a promoção de políticas de ação afirmativa, para superação de desigualdades profundamente entrincheiradas nas nossas práticas sociais e instituições.

No parecer, Gurgel explica que a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, devidamente incorporada ao ordenamento interno brasileiro, é expressa ao autorizar as políticas de ação afirmativa baseadas em critério racial para favorecimento de indivíduos e grupos em situação de desvantagem. Destaca também que o art. 3º, inciso IV, da Constituição Federal, ao vedar os preconceitos de raça, sexo, cor, idade, e outras formas de discriminação, "não pode ser visto como um empecilho para a instituição de medidas que favoreçam os grupos e segmentos que são costumeiramente discriminados, ainda que tais medidas adotem como fator de desigualação qualquer destes critérios".

Na ADPF, o DEM propõe como tese central que políticas de ações afirmativas "racialistas" (sic), como as implementadas pela UnB, seriam inconstitucionais, resultando de um descabido mimetismo do modelo adotado nos Estados Unidos para enfrentamento da injustiça social. Segundo a ação, o principal argumento invocado em favor das políticas de ação afirmativa é a teoria da justiça compensatória, que visa a retificar, no presente, as injustiças cometidas contra os negros no passado. Isso, de acordo com a argumentação, seria inadmissível, pois não se pode atribuir às pessoas de hoje a obrigação de repararem os erros de seus ancestrais.

Para o procurador-geral da República, há dois equívocos na afirmação do DEM de que o principal argumento em prol da ação afirmativa para afrodescendentes no Brasil seria a justiça compensatória. De acordo com ele, a justiça compensatória não é o único, nem o principal, argumento em favor da ação afirmativa para negros no acesso ao ensino superior. Além dela, há a justiça distributiva, a promoção do pluralismo nas instituições de ensino e a superação de estereótipos negativos sobre o afrodescendente, com o consequente fortalecimento da sua auto-estima e combate ao preconceito:

Justiça distributiva – Para Gurgel, argumento essencial nessa questão é o da justiça distributiva. Ele sustenta que o quadro de dramática exclusão do negro, no presente, justifica medidas que o favoreçam e que ensejem uma distribuição mais igualitária de bens escassos, como são as vagas em uma universidade pública, visando à formação de uma sociedade mais justa. "Esse argumento não tem em vista o passado, como o da justiça compensatória, mas sim a construção de um futuro mais equitativo", afirma.

Promoção do pluralismo – O procurador-geral defende que o Brasil tem como uma de suas maiores riquezas a diversidade étnica e cultural e, para que todos se beneficiem de tal riqueza, é necessário romper com o modelo informal de segregação, que exclui o negro da universidade, confinando-o a posições subalternas na sociedade. "Especialmente no ensino, o convívio com a diferença torna a formação e o aprendizado do estudante uma experiência rica para todos", diz.

Superação de estereótipos – Ainda segundo Gurgel, as políticas de ação afirmativa baseadas em critérios raciais são positivas na medida em que quebram estereótipos negativos que definem a pessoa negra como predestinada a exercer papéis subalternos na sociedade.

Sobre a concessão de liminar, ele explica que, caso concedida, atingiria um amplo universo de estudantes negros, em sua maioria carentes, privando-os do acesso à universidade. E também geraria graves efeitos sobre as políticas de ação afirmativa de corte racial promovida por dezenas de instituições no país. "Um precedente do STF contrário às quotas para afrodescedentes teria reflexos dramáticos sobre todas as universidades que promovem medidas de discriminação positiva em favor de negros ou outras minorias, gerando grave insegurança e intranquilidade, e levantando dúvidas sobre a legitimidade da situação dos milhares de estudantes em todo o Brasil que já são beneficiários de tais políticas públicas", conclui.

Material enviado por Silvany Euclênio Silva

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fugindo dos condomínios em busca de liberdade

Escrito por Glória, em comentário feito ao post:
http://urbanidades.arq.br/2007/07/condominios-fechados/, de Renato Sabóia

O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança.
Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança.
Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.
Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.
Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto.
Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá.
Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.
Mas os assaltos continuaram.
Decidiram eletrificar os muros.
Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar.
Mas os assaltos continuaram.
Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas.
Todas as janelas foram engradadas.
Mas os assaltos continuaram.
Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível.
Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas.
Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.
Mas os assaltos continuaram.
Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaramse para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema.
Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.
E ninguém pode sair.
Agora, a segurança é completa.
Não tem havido mais assaltos.
Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua.
Mas surgiu outro problema.
As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.
A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

Criação do Instituto Luiz Carlos da Vila

O cantor e compositor Luiz Carlos da Vila morreu no ano passado de câncer intestinal. Perda mais do que lamentada pois em auge de carreira, de vida, com tantos projetos pela frente. E, para preservar seu acervo e a sua memória além de dar continuidade aos projetos culturais e educacionais que Luiz Carlos promovia junto a crianças e jovens, com destaque para a poesia no samba, amigos e familiares do artista convidam para o lançamento do Instituto com seu nome, no próximo dia 21, no Centro de Referência da Música Carioca (Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca), a partir das 18h.

Nesta data, Luiz Carlos completaria 60 anos. Vale lembrar que o seu “da vila” é do bairro carioca Vila da Penha, local de nascimento. Para homenagear o artista em evento tão importante, confirmaram presença Wilson das Neves, Dorina, Mauro Diniz, Luiz Melodia, Bira da Vila, Moyses Marques. Entre outros objetivos, o Instituto – que está em busca de uma sede para a Escola do Compositor - irá catalogar as centenas de músicas, inclusive as inéditas, de sua autoria, promover oficinas, palestras, tendo em vista a formação de novos talentos. Dada a importância de sua trajetória, o governador Sergio Cabral inaugurou ao lado do presidente Lula, em fevereiro deste ano, em Manguinhos, o Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila.

Dono de uma refinada poesia e de uma carreira marcada por sucessos – como o samba de enredo que deu à Unidos de Vila Isabel o seu primeiro título, “Kizomba – A festa da raça”, em 1988, entoado por Martinho da Vila, “O show tem que continuar” (parceria com Arlindo Cruz e Sombrinha), a premiada “Além da razão” (com Sombra e Sombrinha, gravada por Beth Carvalho), “Por um dia de graça”, eternizada por Simone, “Doce refúgio” e “Então leva” (indicada ao Prêmio TIM 2009 como melhor canção na voz de Zeca Pagodinho) – o “poeta do samba” se dedicava aos projetos educativos com a mesma intensidade com que escrevia suas letras.
Mais informações
: institutoluizcarlosdavila@gmail.com ou deborah.dumar@gmail.com .

Seminário Renascença Africana, Diversidade Cultural e Unidade Africana

Vimos por meio deste, CONVIDAR a tod@s para participarem do Seminário Renascença Africana, Diversidade Cultural e Unidade Africana, que o Comitê Carioca Pró - III FESMAN 2009 e o Conselho Estadual dos Direitos do Negro - CEDINE, realizarão no dia 20 de julho de 2009, às 17:00h, no CEDIM - Rua Camerino, 51 - Centro - RJ.

PROGRAMAÇÃO:

1ª Mesa: Abertura Oficial
Paulo Roberto dos Santos - CEDINE
Cecília Teixeira Soares - CEDIM
João Costa - CONEN
Israel Evangelista - AMAR-RJ - Mediador

2ª Mesa - Temas
Comunicação e Imprensa Social
Relações Internacionais
Renascença Africana
Religiões de Matriz Africana
Cultura e Diversidade

Contamos com a sua presença e divulgação.

Atenciosamente


PAULÃO SANTOS
Presidente
Tel.: 21 - 2334-5520
Site: www.cedine.rj.gov.br

Impacto da violência na saúde

O texto "Impacto da violência na saúde" é uma pesquisa publicada pelo Ministério da Saúde, onde se procura avaliar os reflexos da violência em todo em suas especificidades sobre a saúde dos brasileiros.

Para acessar este trabalho entre no link:
bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/impacto_violencia.pdf

Há também uma análise de Rosana Morgado, da Escola de Serviço Social (UFRJ), acerca do livro no link:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232006000200030&script=sci_arttext


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Convite: I.P.C.N. - 34 anos

De onde pode ter vindo a gripe suína? A ‘gripe A’ beneficia ao Tamiflu de Donald Rumsfeld?

De Ernesto Carmona, jornalista chileno/ Paralelo 2

Fonte e tradução: Adital

O medicamento chamado Tamiflu, desenvolvido por um laboratório manejado por Donald Rumsfeld, ex-ministro de defesa de Bush, obterá grandes lucros com a atual epidemia de influenza ‘A’, segundo a imprensa independente, a diferença dos grandes meios de comunicação que manipulam a opinião pública mundial.

O Tamiflu, inventado por Gilead Sciences Inc. e recomendado inclusive pela Organização Mundial de Saúde (OMS) seria até agora um dos poucos tratamentos eficazes para curar a gripe causada pelo vírus H1N1, causador dos brotes da chamada influenza no México e EUA. Rumsfeld foi presidente da Gilead desde 3 de dezembro de 1997 até assumir o cargo do Pentágono, em 2001; porém, conserva seu pacote de ações na empresa.

Posteriormente, Gilead vendeu os direitos sobre o Tamiflu para os laboratórios Roche, cujas ações foram beneficiadas na bolsa durante a epidemia de gripe aviária. O medicamento é fabricado a partir do anis desde que foi inventado, no início dos anos 90, quando surgiu a enfermidade que devastou os galinheiros da Ásia em 2005-2006 e causou grande mortalidade em seres humanos, quando Rumsfeld era chefe do Pentágono, cuja "missão também consiste em promover experimentos bacteriológicos com fins militares".O vírus da gripe aviária foi manipulado geneticamente para que fosse transmitido aos seres humanos nos laboratórios fármaco-terroristas do exército dos Estados unidos, em Fort Dix, Nova Jersey, em 1976, causando então a morte de vários soldados. Existe a justificada suspeita de que essa nova versão H1N1 tenha uma procedência similar.A pergunta é se alguém como Rumsfeld ou seus sócios terão responsabilidade na difusão desse vírus geneticamente modificado, porque até o momento, nenhum porco apareceu doente em nenhum lugar do mundo. Em resguardo da inocência suína a respeito da epidemia de gripe, na Europa propuseram que melhor se chame "nova influenza" para dissociá-la do quadrúpede, cuja carne agora poucos querem ingerir.A mutação do vírus H1N1 bem pode ter sido também fabricada em um laboratório. Trata-se de uma "forma nunca antes vista da gripe que combina vírus de porco, de aves e de seres humanos", em uma mescla intercontinental de vírus da América do Norte, da Europa e da Ásia, comentaram para a Associated Press funcionários do Centro para o Controle e Prevenção de Enfermidades dos EUA (CDC, em inglês). Definitivamente, o vírus não ataca os porcos, mas os humanos.Todos os países do mundo estão agora comprando grandes quantidades de Tamiflu, cujo principal consumidor tem sido o Pentágono, que o tem dado às tropas dos Estados unidos para uso obrigatório desde que Rumsfeld chefiou o Pentágono. Desde então, os lucros da Roche e da Gilead Sciences Inc. aumentaram em vários bilhões de dólares. O preço normal do Tamiflu passa de 40 dólaresNão seria a primeira vez que nos EUA experimentam com seres humanos, seja com fins militares, de negócios ou por sua ideologia de "luta permanente pela liberdade". Inclusive, Washington tem feito experimentos criminosos com seus próprios concidadãos, por exemplo, em 1945, quando 73 alunos de uma escola pública de Massachusetts receberam colheradas de isótopos radioativos juntamente com leite e aveia, dados no café da manhã. Nesses anos, a ciência militar estadunidense conhecia o poder destrutivo da energia atômica; porém, pouco sabiam sobre o efeito radioativo em seres humanos.Desde os anos 40 até a década dos 90, os Estados Unidos experimentaram armas químicas e bacteriológicas com habitantes de seu próprio país em diferentes cidades, desde San Francisco até Nova York. Os juízes rechaçaram nos anos 80 e 90 as demandas de reparação das vítimas e dos familiares daqueles que faleceram invocando a doutrina da "imunidade do governo".Em 1994, o então presidente William Clinto apresentou "desculpas sinceras", assegurando que uma "nova geração de líderes dotados de ética" não repetiria essas práticas, formulando questionamentos deontológicos que outros rotularam de simples "traição". Hoje poderiam existir novos abusos secretos, inspirados pela indústria farmacêutica e por personagens do mesmo perfil de Rumsfeld, capazes de qualquer crime com vistas a "travar a luta contra o terrorismo", outro negócio tão lucrativo quanto as próprias guerras.A epidemia tem levantado uma cortina de ferro para que as pessoas se esqueçam dos grandes problemas que atingem a humanidade, manipulada pelos grandes meios de comunicação, que deixaram de lado as notícias sobre a profundidade da crise financeira nos EUA, a ineficácia da política de "salvataje" dos grandes bancos, a crise moral que Obama enfrenta acerca do castigo ou da impunidade para os torturados de paletó e gravata do Pentágono, a profunda crise mexicana, Estado narcotráfico, que atinge diretamente a governabilidade do país.

As mortes atribuídas ao novo vírus todavia estão abaixo de taxas normais de mortalidade provocadas ordinariamente no mundo pelos resfriados e pela influenza comum e corrente. A OMS eleva a gravidade da epidemia na escala de 1 a 6, situando-a em 5; porém, por que pede -ao mesmo tempo- que não sejam suspensas as viagens? Ao contrário, em Cuba, um país que tem demonstrado saber bastante de medicina, fechou sua fronteira aérea com o México. Por quê? Qual é a verdadeira dimensão e origem dessa epidemia inflada permanentemente de maneira alarmista pelos grandes meios em todos os países?

II Curso de Extensão Iniciativas Negras - Trocando Experiências

Fonte: http://fazervaleralei.blogspot.com/2009/07/ii-curso-de-extensao-iniciativas-negras.html

OBJETIVOS:
PROPICIAR UMA MAIOR APROXIMAÇÃO ENTRE PESQUISADORES, ACADÊMICOS E ATIVISTAS DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS EM ÂMBITO NACIONAL, ESTIMULANDO UMA TROCA DE SABERES.

BOLSISTAS:
SERÃO SELECIONADOS ATÉ 30 PARTICIPANTES RESIDENTES NO TERRITÓRIO NACIONAL E FORA DAS CIDADES DE JUAZEIRO DO NORTE, CRATO E BARBALHA.

INSCRIÇÕES PARA BOLSISTAS: ATÉ 10/08/2009

RESULTADO: 01/09/2009

FORMATO:
Mini-cursos, painéis, oficinas, grupos de estudos, mesas redondas, vídeos e turismo cultural

ALGUNS TEMAS QUE SERÃO ABORDADOS:

Direitos humanos - Gênero – Saúde - Redação de Projetos - Captação de Recursos - Ação Afirmativa – História e Cultura Afro-Brasileira – Arquivo Documental

Serão selecionados trinta participantes, incluídos nas seguintes categorias e de acordo com os critérios relacionados:

a) 10 bolsas integrais – Apenas para residentes do Norte ou Nordeste. Receberão passagem (aérea ou terrestre), hospedagem e alimentação.

b) 5 bolsas gerais- Para residentes em qualquer ponto do país. Receberão passagem (aérea ou terrestre), hospedagem e alimentação.

c) 15 bolsas parciais – Para residentes em qualquer ponto do país. Receberão hospedagem, alimentação e ajuda de custo no valor de R$ 100,00. Devem responsabilizar- se por suas passagens (aéreas ou terrestres) de ida e volta.

Cada candidato optará, no ato da inscrição, por uma das categorias e não poderá mudá-la, uma vez enviada a documentação. O processo de inscrição se dará via correios.

A DOCUMENTAÇÃO A SER ENVIADA até o dia 10 de agosto de 2009 (com data de postagem):

1- Um resumo (máximo de 400 palavras) com suas principais atividades acadêmicas e ou ativistas, na área do curso, incluindo o nome da organização ou universidade com a qual possui vínculo;

2- Curriculum vitae (Lattes ou não);

3- Uma carta de recomendação (com assinatura escaneada);

4- Uma lauda expressando suas expectativas quanto ao curso e definindo a categoria à qual está concorrendo (bolsista integral, geral ou parcial);

5- Uma síntese (uma lauda, no máximo) de alguma ação ativista ou trabalho acadêmico que tenha desenvolvido ou esteja desenvolvendo na área das relações raciais e ou de gênero.

Os candidatos à bolsa deverão enviar a documentação, num CD, em arquivo Word (.doc) para o seguinte endereço:

Universidade Federal do Ceará/ Campus Cariri
Av. Tenente Raimundo Rocha S/N - Cidade Universitária
CEP 63000-000 Juazeiro do Norte - CE
Fone: +55 (88) 3572-7200

A/C de: Antonia Claudia de Freitas ou Polliana de Luna Nunes

Obs.: Não serão aceitos documentos em papel, apenas no referido CD.

MAIS INFORMAÇÕES: http://nblac.cariri.ufc.br

Sugestão de post feita pela companheira Vânia Narciso


Curso de Extensão à Distância: A Questão Racial na Educação Brasileira

INSCRIÇÕES PRORROGADAS até 15/07/2009

www.uff.br/penesb

Queridos e queridas, vejam só que oportunidade imperdível, acabei de descobrir na Net. Divulguem! Bjs

Ana Paula


UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO ASSISTIDA POR MEIOS INTERATIVOS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO SOBRE O NEGRO NA SOCIEDADE BRASILEIRA
CURSO DE EXTENSÃO À DISTÂNCIA: A QUESTÃO RACIAL NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

EDITAL

A Coordenação do Curso de Extensão na modalidade à distância: Educação para as Relações Étnico Raciais , do Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira (PENESB) da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, comunica que estarão abertas inscrições para tutores presenciais nos seguintes pólos: Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Rio das Ostras, Itaguaí e Magé.



1. Condições para inscrição

Possuir curso de licenciatura e formação continuada em educação para as relações étnico raciais com duração mínima de 180 horas

Ter disponibilidade mínima de 12 horas semanais para atendimento aos cursistas, sendo 8 horas presenciais no pólo e 4 online para acompanhamento do curso.

Ser professor da escola básica na rede pública (municipal e ou estadual).

Ter o domínio satisfatório dos aspectos básicos de informática para utilização no curso, a fim de prestar esclarecimentos aos cursistas.

Residir no município onde se localiza o pólo ou em município vizinho, a critério da comissão de seleção


2. Da Inscrição

2.1 -- A inscrição será feita no site do Penesb, www.uff.br/penesb no período de 19 de maio a 8 de junho de 2009

2.2 – Não haverá pagamento de taxa de inscrição

2.3 -- Documentação

Os candidatos deverão enviar para o Penesb, pelo correio, por sedex, postados até o dia 8 de junho, cópia dos seguintes documentos:

Cópia do Diploma de Graduação;

Cópia da Carteira de Identidade e do CPF;

Duas fotos 3x4 recentes;

Curriculum Vitae com documentos comprobatórios;

Cópia do comprovante de inscrição

Cópia do comprovante de residência

Cópia de documento comprobatório de exercício profissional na rede pública datado de 2009

2.4 - Endereço para encaminhamento da documentação:

Rua Visconde do Rio Branco 882 –Cep. 24.020.200 – Campus do Gragoatá – Bloco D, sala 509 – Niterói RJ



2.5 -- O candidato selecionado receberá uma bolsa no valor de R$500,00 (quinhentos reais) durante dez meses a partir de julho de 2009

:

2.6 -- A inscrição será deferida após análise da documentação. Esta análise consistirá em verificar se o candidato preenche os requisitos estabelecidos nos itens deste Edital. Os candidatos não selecionados poderão retirar os seus documentos no respectivo pólo após 10 dez dias a contar da data da publicação do resultado final.


3. Do Processo de Seleção

3 - A seleção dos candidatos constará de:

---- Análise do currículum vitae

---- Domínio dos aspectos relativos a navegação no ambiente do curso


4 - Resultados da seleção

O resultado final será divulgado no dia 15/06/2009 no site do Penesb


5 – Do exercício

. Os tutores selecionados terão exercício no pólo a partir de 1 de julho de 2009, em horário compatível com o dos cursistas e dos pólos



6 – Os casos omissos serão resolvidos pela comissão de seleção.

Niterói, maio de 2009

Iolanda de Oliveira

Coordenadora do Penesb

Sugestão da companheira Ana Paula Cerqueira do grupo:
http://br.groups.yahoo.com/search?query=acordacultura

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MANIFESTO EM DEFESA DOS DIREITOS E DA AUTONOMIA POLÍTICA DA POPULAÇÃO NEGRA


MANIFESTO EM DEFESA DOS DIREITOS
E DA AUTONOMIA POLÍTICA DA POPULAÇÃO NEGRA

Nós, Organizações e Ativistas do Movimento Negro vimos nos manifestar publicamente em defesa de uma ação contundente do Estado brasileiro para garantir a efetivação dos direitos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais da população negra.
Lutamos contra a escravidão e rompemos as correntes da opressão. Desmascaramos a farsa da democracia racial e inscrevemos na Constituição Federal o racismo como crime inafiançável e imprescritível. E mais, temos construído um amplo consenso na sociedade brasileira sobre a necessidade de uma ação coletiva para banir o racismo.
O Estatuto da Igualdade Racial se inscreve neste contexto como parte da nossa luta histórica. Após quase uma década de tramitação no Congresso Nacional, o documento tem sido alvo de ataques que o desfiguram completamente!
Neste início de século XXI, a articulação de diferentes setores racistas, partidos políticos e herdeiros dos antigos senhores de escravos derrotados em 1888, têm engendrado diferentes maneiras de se contrapor à vontade da sociedade brasileira de instaurar a equidade e a justiça racial entre nós.
Não satisfeitos de serem detentores da maior fatia da riqueza nacional, produzida em grande parte pela população negra, insistem em utilizar manobras para esvaziar o sentido original do Estatuto, inviabilizando a plena realização de nossas conquistas no combate ao racismo, em evidente desobediência aos preceitos constitucionais e aos tratados internacionais ratificados pelo Estado brasileiro.
Neste momento, interesses eleitorais estimulados pela proximidade de 2010, têm provocado articulações e composições espúrias que utilizam nossas conquistas como moeda de troca. Daí o esvaziamento dos conteúdos de justiça racial do Estatuto, o que impõe retrocessos, injustiças e a perpetuação de violações de direitos fundamentais da população negra.
Grileiros, gestores públicos, legisladores e empresários da comunicação, entre outros, se unem para produzir uma proposta clandestina do Estatuto, contrariando frontalmente os nossos interesses e as evidências de que o racismo é um fator estruturante das hierarquias na sociedade brasileira. São exemplos disto:
1. O caráter autorizativo e não determinativo desta proposta de Estatuto, que delega aos gestores a decisão de cumprir ou não o que está escrito;
2. A eliminação do instrumento das cotas e a restrição das políticas de ação afirmativa apenas à parcela da população negra brasileira abaixo da linha da pobreza;
3. O não reconhecimento dos territórios tradicionais quilombolas - terras ocupadas por remanescentes de quilombos, utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural, bem como as áreas detentoras de recursos ambientais necessários para a subsistência das comunidades, para a preservação da sua cultura, englobando os espaços de moradia, espaços sagrados e sítios históricos;
4. A retirada da criação do fundo de recursos financeiros para a implementação de políticas públicas para a população negra.
Sendo assim, em respeito à trajetória política de negras e negros brasileiros, nos manifestamos pela defesa intransigente de nossas conquistas históricas, repudiando o atual texto substitutivo do Estatuto da Igualdade Racial – Projeto de Lei 6264/2005.
Nesse mesmo sentido a II CONAPIR se pronunciou favorável à aprovação do Estatuto com alterações que assegurem as demandas históricas da população negra.
Repudiamos as negociatas que envolvem partidos de direita e de esquerda. Repudiamos os retrocessos.
Repudiamos qualquer tentativa de esvaziamento de nossa organização política.
Reafirmamos nossa luta por ações afirmativas nos diferentes setores da vida social e política do país.
Pelas cotas raciais nas universidades públicas.
Pelo direito aos territórios das comunidades quilombolas e tradicionais.

Nenhum direito a menos! REPARAÇÃO JÁ!
Brasília, 28 de Junho de 2009
II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

Assinam,
1. AKANNI (INSTITUTO EM PESQUISA EM DIREITOS HUMANOS, GÊNERO, RAÇA E ETNIA)
2. AMB - Articulacao de Mulheres Brasileiras;
3. Analba Brazao Teixeira;
4. ANMNB (ARTICULAÇÃO NACIONAL DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS)
5. ASFAP-BA (ASSOCIAÇÃO DE FAMILIARES E AMIGOS DE PRESAS E PRESOS DO E. DA BAHIA)
6. CAMA – CENTRO DE ARTE E MEIO AMBIENTE
7. CANDACES (COLETIVO NACIONAL DE LÉSBICAS NEGRAS E FEMINISTAS AUTÔNOMAS)
8. CEDENPA-Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará
9. CENTRO CULTURAL ORUNMILA (SP)
10. CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO ELOY FERREIRA DA SILVA – CEDEFES
11. CENTRO DE REFERÊNCIA NEGRA LÉLIA GONZALES
12. CFEMEA
13. COISA DE NEGRO - PI
14. Coletivo Leila Diniz - Ações de Cidadania e Estudos Feministas - Natal/RN;
15. CONAQ (COORDENAÇÃO NACIONAL DE ARTICULAÇÃO DAS COMUNIDADES NEGRAS RURAIS QUILOMBOLAS)
16. Conceição das Crioulas – Salgueiro / PE
17. COSIRA – DF
18. CRIOLA
19. Egbe Awo Ase Iya Mesan Orun
20. FÓRUM NACIONAL DE JUVENTUDE NEGRA
21. GÈLEDÉS – INSTITUTO DA MULHER NEGRA
22. Grupo de Mulheres Negras Mãe Andressa – MA
23. GT DE COMBATE AO RACISMO AMBIENTAL
24. KANINDÉ – ASSOCIAÇÃO DE DEFESA ETNOAMBIENTAL
25. MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO (MNU)
26. Ocareté – Entidade de luta pelos direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais
27. OGAN Marcos Antônio Costa – Conselheiro do CPDCN de São Paulo (Guarujá – SP)
28. Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco
29. UECARP – União das Entidades Carnavalescas de Ribeirão Preto e Região
30. Uiala Mukaji Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco

Entidades rejeitam Estatuto possível

Fonte: Afropress

Brasília
– Enquanto a Comissão Especial da Câmara adiava nesta quarta (08/07), a votação do Projeto do Estatuto, cresce a mobilização das entidades e personalidades que passaram a rejeitar o texto que tramita na Comissão e o relatório negociado pelo Governo e Oposição que prevê a remoção de alguns pontos considerados por essas entidades inegociáveis na proposta do Estatuto.

O coordenador do Centro Cultural Orúnmilá, Paulo César Pereira de Oliveira, de Ribeirão Preto, contabilizava 53 entidades nacionais e mais de 250 lideranças negras, que aderiram ao Manifesto em Defesa dos Direitos e da Autonomia Política da População Negra. Entre essas estão o Geledés – Instituto da Mulher Negra – que tem como principal liderança Sueli Carneiro, a Criola, de Jurema Werneck, do Rio, e o Cedenpa, do Pará, que tem como uma das principais lideranças, a professora Zélia Amador de Deus.

Nota sobre o Estatuto

Preocupada com a repercussão, a Seppir voltou a tratar do tema e a rebater a denúncia de que os delegados teriam votado um texto que não conheciam, constante do Manifesto. “É importante ressaltar que a forma como as negociações para a aprovação do Estatuto são conduzidas pelo Governo foi aprovada por ampla maioria de votos dos delegados à Conferência. O contraditório é natural e saudável no jogo democrático. Mas a vontade da maioria deverá ser sempre respeitada. As possibilidades de diálogo em torno do Projeto de Lei, contudo, continuam abertas”, afirma a Nota de Esclarecimento, que havia sido divulgada e que acabou sendo revisada pela Assessoria de Comunicação da Seppir por determinação do ministro Edson Santos (foto).

Nota x Manifesto

Segundo Paulo, “a nota é uma confissão de culpa”. “A Nota não rebate o nosso Manifesto. O Ministro diz que defende o Estatuto possível de ser aprovado nessa correlação de forças. Ocorre que o possível não nos contempla. O texto só passou a ficar disponível hoje (08/07), como pode ter sido votado pela plenária da Conferência?”, pergunta.

Tentando evitar a polêmica, a Nota acrescenta que “o Movimento Negro recebe por parte do Governo brasileiro, através da SEPPIR, ampla acolhida para apresentar suas concepções acerca do Projeto de Lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial”. “Para citar apenas o período que envolveu o processo de mobilização da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, estas oportunidades foram apresentadas nas conferências municipais, regionais, em 27 conferências estaduais, na Plenária Nacional de Comunidades Tradicionais e, durante a etapa nacional, em painéis, grupos de trabalho e na plenária final do evento”, conclui.

Câmara cancela votação do Estatuto da Igualdade Racial e divulga texto substitutivo Ir aos comentários

Postagem original: Avaliacaodurban2009
Encontrado por mim em: MariaFro

Com informações da Agência Câmara

A Comissão Especial que analisa o Estatuto da Igualdade Racial (Projeto de Lei 6264/05, do Senado) cancelou nesta quarta-feira (8) a reunião marcada para votar o relatório do deputado Antônio Roberto (PV-MG). Durante a sessão, foi divulgado texto substitutivo ao projeto de lei (leia aqui).

O relator adiantou que promoveu alterações em pontos discutidos na reunião realizada dia 13 de maio. Segundo ele, será retirada da proposta a determinação para que os meios de comunicação destinem 20% do elenco a atores e figurantes negros. “Vamos deixar apenas os princípios, determinar que as emissoras garantam a presença de negros.

Antônio Roberto também vai alterar o dispositivo que trata da demarcação de terras de remanescentes de quilombos. Segundo ele, o texto determinará apenas que os habitantes de antigos quilombos terão as terras demarcadas de acordo com as determinações constitucionais.

Na opinião de representantes do movimento social negro, na forma como se encontra, o texto é inconstitucional porque retira o limite temporal de ocupação de terras por quilombolas, previsto na Constituição.

Na última reunião de votação do texto, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) argumentou que somente remanescentes de quilombos que ocuparam suas terras entre 1888 e 1988 podem receber os certificados definitivos de posse.

Durante a Conferância Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), organizações e ativistas do movimento negro reivindicaram modificação no documento final da conferência, que acabou por vincular a defesa da aprovação do Estatuto da Iguadade Racial à garantia dos direitos a terra das comunidades quilombolas, a atenção à saúde, a liberdade religiosa e as cotas como instrumento de ação afirmativa.

As organizações e os ativistas do movimento negro divulgaram o “Manifesto em Defesa dos Direitos e da Autonomia Política da População Negra”, que já conta com mais de 200 assinaturas (confira aqui). O manifesto denuncia a “desfiguração completa” do Estatuto da Igualdade Racial e foi assinado por organizações como Movimento Negro Unificado, Articulação de Mulheres Negras Brasileiras, Fórum Nacional de Juventude Negra e Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

As entidades já divulgaram uma primeira versão de um estudo comparativo, crítico, sobre o texto original e o substitutivo (leia aqui). A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), por sua vez, publicou uma “nota de esclarecimento” em que nega o esvaziamento do Estatuto.

Em artigo publicado no dia 7 de julho no jornal O Tempo (confira), a médica, pesquisadora e ativista Fátima Oliveira critica a nota da Seppir e classifica o texto substitutivo do Estatuto da Igualdade Racial como um “engodo”.

“É a recusa do governo brasileiro em avançar rumo à democratização do Estado. Por exemplo, não referendar o Fundo Nacional de Promoção da Igualdade Racial proposto no Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador Paulo Paim, expressa o que mesmo, a não ser uma mentalidade racista?”

Carioca, Suburbano, Mulato e Malandro - João Nogueira





Recordemos um pouco da alma carioca abandonada e perdida em algum lugar do passado, massacrada que foi pela violência, intolerância e pelo capital.

* Sugestão da companheira Wânia Narciso

Festa Julina da Ação da Cidadania

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Todos estão surdos? Um grito de alerta à comunidade Software Livre!

Belo texto, com um alerta importante para a comunidade de software livre. Um texto para nos vermos como de fato somos: revolucionários, assim como os sábios da Renascença o foram. Ele resgata um conceito fundamental para os anticapitalistas que é o conceito de antivalor, ou seja, a idéia de que o lucro não é o motor de nossas atitudes, e é isto que o Software Livre tem de revolucionário. Ele nos faz tornar possível uma sociedade onde a solidariedade, a fraternidade, o respeito do homem pelo homem e à sua própria história sejam os elementos que nos movimentem e nos façam existir e respirar. Responsáveis pela grande novidade dos tempos recentes.

Marx dizia que a revolução viria dos países mais desenvolvidos, daqueles que estivessem na ponta do processo de produção. Seriam, para ele, as inovações tecnológicas que colocariam em xeque o capitalismo. Para muitos, o software livre e sua filosofia soam como algo hermético e complicado, mas para mim, ele contém as senhas da revolução, abrindo as portas para um novo mundo e uma nova humanidade. Por isso, se você é entusiasta do software livre não se esqueça dos quatro tipos de liberdade:
  • A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
  • A liberdade de redistribuir, inclusive vender, cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2);
  • A liberdade de modificar o programa, e liberar estas modificações, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade
Tudo isto é para chamar a atenção para o texto abaixo:

Por Alberto P. Azevedo

Postagem original: http://ajazevedo.wordpress.com/2009/07/02/todos-estao-surdos-um-grito-de-alerta-a-comunidade-software-livre/

Primeiramente gostaria de deixar claro que o objetivo deste texto não é ofender ninguém, nem provocar, fazer pouco caso ou nada parecido. Muito pelo contrário quero convocar a comunidade a se unir em prol de um objetivo maior. Parar de discutir sobre coisas menores e juntar forças para progredirmos em nossa luta. Não ficarmos estagnados.
Será que é possivel existir Software Livre, sem Política? E sem ideologia? O rei Roberto Carlos, cantor e compositor, compôs se me lembro bem já a muitos anos, uma música que não consigo tirar da cabeça ao ver a repercussão do último FISL. Tenho visto discussões enormes, na verdade debates saudáveis, mas inflamados a respeito de um assunto que seria muito mais fácil se todos entrassem em sintonia e se preocupassem em lutar as batalhas que realmente precisam ser vencidas.
Me refiro a vista de duas celebridades em especial, que estiveram no evento esse ano. Nominalmente o Presidente Lula e o Peter Sunde do Pirate Bay. Vou quebrar essas duas visitas em duas partes porque elas estão relacionadas a dois temas que pela primeira vez, percebi serem “tabus” no Movimento Software Livre. Falemos primeiro do presidente.
O Presidente Lula foi visitar o evento esse ano e como resultado disso causou um enorme transtorno na movimentação do evento, e acesso aos participantes. Pronto. Foi um reboliço. Eu estava coordenando a palestra do Stallman quando o anúncio oficial foi feito, e as regras de segurança foram explicadas, e o que se ouviram foram vaias, protestos e reclamações. Esse momento me causou um profundo espanto dessa reação, pois embora eu saiba que muitos ali não eram exatamente eleitores e fãs do presidente (eu mesmo não votei nele e costumava ser um opositor ferrenho de sua candidatura), achei que todos perceberiam, que o fato da visita estar acontecendo já era uma grande conquista. Para minha tristeza descobri que fui um dos poucos a ver isso. Na verdade o coitado do Marcelo Terres até tentou explicar. Muita gente não ouviu porque não quis ouvir. Eles estão surdos.
O grande problema na minha opinião, é as pessoas confundirem ideologia politica, e até mesmo visões políticas, com aquele acontecimento. Veja bem, não era o PT com suas idéias, ou a pessoa Luis Inácio com suas convicções, que estaria visitando o evento. Era o Presidente do Brasil. Não o homem, a instituição presidencial. Gente isso criou um alarde enorme, e colocou os holofotes bem em cima da nossa causa, e tudo que nós precisamos é de propaganda(bom não tudo, mas…), afinal de contas, nossa causa é válida e nossas intenções são puras (ou deviam ser) e quanto mais gente souber ou ouvir falar disso melhor pra nós. Quando retornei do evento fui indagado por pessoas que nunca ouviram falar de Software Livre, e queriam saber o que é, porque eles viram no jornal que o presidente tinha ido lá e ele tinham achado super legal a bagunça, as camisetas, e etc… O que é esse tal de Ubuntu? E aquele “Slacuare”?
Durante a visita do presidente e antes disso, na sala de palestrantes, houveram até brincadeiras e piadas sobre políticos, porque todos nós sabiamos que aquilo era um jogo de interesses. Eles(os políticos) estavam nos usando pra demonstrar seu “comprometimento” e seus “ideais”, etc… e nós estavamos usando eles pra ter acesso a mídia, ou você acha que aquele batalhão de repórteres vai lá no evento todo ano.
Mas depois disso, acabei ouvindo um monte de gente reclamando, de que o presidente estava usando o evento pra fazer campanha politica e que eles não concordam, ou que foi sacanagem proibir o acesso das pessoas na feira. Vi até mesmo gente que tinha stand querendo restituição do valor pago, pois teve um dia de evento perdido. Perdido? Perdido? Vocês só podem estar brincando comigo, pela primeira vez na minha vida, (e olha que já sou rodado) eu vi um evento de Software Livre ser mencionado em cadeia nacional. Vi reportagens, em todo o tipo de telejornal de tudo quanto é canal. Isso sem falar que demos (provavelmente) o golpe de miséricórdia no projeto de vigilância do Senador Azeredo. Gente isso foi fenomenal. Sem precendentes.
Veja bem vocês fazem parte de um Movimento que tem por base o desenvolvimento coletivo, e a priorização da comunidade em detrimento do eu. Parafraseando o presidente Kenedy: – Não pergunte o que o movimento pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por esse movimento. Sim seria melhor se não houvesse havido nenhum transtorno e o evento seguisse seu curso? Sim pra nós, mas não para nossa causa. A nossa causa saiu beneficiada! A custo do esforço de todos? Sim, afinal fomos todos “prejudicados”. Mas nossa causa saiu ganhando. Evento com palestra técnica. Tem um monte, com menor prestígio/estrutura que a gente pode ir ainda esse ano, e mesmo o FISL ano que vem. Agora uma oportunidade como essa, não costuma aparecer muitas vezes. 10 anos de evento, essa foi a primeira.
Todo esse pessoal que se diz apolitico, as vezes me parecem politicos, mas dos partidos que não estão mais no poder. Então agora, ficam disfarçados jogando farpas. Será que eles não percebem que isso é muito maior. Que realizar um evento do porte do FISL custa uma pequena(grande) fortuna. E que gostem ou não, nos últimos anos foram estatais e empresas públicas que formaram a maioria do patrocínio. Ah, mas estão usando o meu dinheiro(dos impostos) pra aparecer e fazer campanha. Bom,ainda bem que estão usando num evento de software livre e não com a Microsoft né?
Outro dia, um cabeludo falou:
“Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles”
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos
Então gente, foi um saco aguentar aquela segurança toda? Foi. Atrapalhou o andamento do evento? Sim, sem dúvida. Muita gente saiu prejudicado, até financeiramente? Provavelmente. Mas a causa do Software Livre ganhou, disso não há dúvida. É incontestável. E uma causa só é atingida, a custo de muito sangue, dor, sofrimento, dedicação e trabalho, de toda a comunidade. Então está na hora de se perguntar? Você está conosco? Você acredita na causa? Você pode até não concordar com tudo, mas essa é a beleza desse movimento. Se você não gosta, faça alguma coisa e mude. Se envolva, se dedique.
Agora não esquecendo da segunda parte do assunto, que é igualmente perturbante. Vejam bem. Junto com as reclamações do Lula, surgiram dezenas de criticas a presença do Pirate Bay no evento, e diversas pessoas dizendo que o FISL tem que ser mais técnico e que tem muita palestra sobre politica e ideologia que deveriam ceder lugar a palestras técnicas. Bom esse tipo de comentário e reclamação é até esperado num evento de nerds. Ei, perai, eu sou nerd! Comecei minha via crucis no FISL assistindo praticamente somente palestras na trilha admin. Então, tem uma palestra técnica boa. Me convida. To dentro. Vamos escovar bits juntos. Mas antes de irmos, desculpem, mas eu preciso falar. Gente, não existe Software Livre, sem ideologia. A trilha Ecossistema do Software Livre é uma das mais importantes do evento. Sem ela, o Software Livre fica só Software.
Software Livre
Software Livre
Um evento de software livre sem isso não é um evento de software livre, seria um evento de tecnologia qualquer, tipo uma Comdex talvez? Um evento de um bando de nerds falando e discutindo sobre tecnologias e ferramentas de administração. Para fazer isso teria que mudar o nome do evento, como chamar de Fórum Internacional de Software Livre, um evento que não se discute a ideologia por trás disso? Não faz o menor sentido. Além do mais, se você passar o olho por cima da grade de horários do evento, verá que seguramente 60% talvez 70% das palestras são técnicas, seja de admin, segurança, linguagens pra todos os gostos, e convenções que ocorreram durante o evento. O Software Livre só existe por causa da ideologia. As conquistas que temos hoje, são produto dessa filosofia.
Só isso já me incomoda, mas as críticas quanto a presença do Pirate Bay no evento, desculpe mas me cheiram a hipocrisia. Primeiro que eu não entendo, porque, quando falamos em Software Livre, invariavelmente mais cedo ou mais tarde aparece a questão dos copyrigths. Dentro da própria comunidade software livre existe um time de argumentadores contra o copyright, e como ele atrasa o progresso.(Stallman, Torvalds, Maddog, Oliva, etc…) O software livre por si só, tem como base a liberdade, o direito de compartilhar informações. Os caras tem um site que propicia exatamente isso, o compartilhamento total e irrestrito entre usuários da internet. O Pirate Bay, não hospeda absolutamente nenhum material protegido por copyright, eles somente intermediam o processo de trocas entre pessoas comuns. E por isso estão sendo processados pelas companhias que eles começaram a incomodar, pois começaram a ver seus lucros diminuidos. Não estou dizendo que a causa deles é exatamente a mesma que a nossa, mas será que vocês não percebem a semelhança.
Pirata?
Pirata?
Levante a mão, quem acha que o torrent é uma tecnologia ruim. Que pode desaparecer e não vai fazer falta. Pois esse é o próximo passo. Tão logo eles percebam que fechar o Pirate Bay na luta pra conter as trocas “ilegais” é tão inútil quanto procurar penas em um elefante, é exatamente isso que eles vão fazer. E diga-se de passagem já estão tentando fazer isso silenciosamente. Isso sem falar que eu me nego a acreditar que você concorda com o fato de que você vai a loja, compra um CD de música, baixa ele pro seu computador e não pode mostrar isso a um amigo seu. Ou que quando os seus amigos vão em sua casa e lhe pedem um CD emprestado você diz que não pode emprestar. Porque segundo eles você não pode. O que? Ah você empresta? Bom meu amigo, então meus parabéns. Voce é um pirata.
O que? O exemplo não ficou claro? Ok, vamos lá novamente. Você compra um DVD. Você não acha que é razoavel que você possa fazer uma cópia de segurança para proteger a mídia original em caso de quebra. Eu também. Ah, você já faz isso? Mas não pode. Seu pirata safado! Diga-se de passagem você só consegue fazer isso, porque um garotinho de 15 anos ficou bravo de não conseguir fazer isso e quebrou o sistema de proteção que a produtora colocou lá pra impedir você de fazer isso. Se quiser eu posso continuar em frente, em frente.
Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém

Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Então quando vejo todo esse pessoal dizendo, que absurdo o Pirate Bay no FISL, eles mancharam nosso evento. Eles são criminosos. Eu respeito as leis de copyright. Não baixo material ilegal na internet (Nem um filminho? Tem certeza? Ah vai, ninguém tá olhando). Bom como eu acabei de demonstrar acima, isso não importa. Você é um pirata, de qualquer jeito. Por esse motivo, tenho vontade de gritar Hipócritas! Caras de Pau! Santinhos do Pau-oco!
Mas no fim o problema em tudo isso, é que tenho certeza que a maioria já ouviu os argumentos acima. E estou quase certo de que concordam com quase tudo. Então qual o problema? Porque todo o estardalhaço? Todos estão surdos…

Roy Ayers - Black Family



Adoro este balanço!!!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Minha lembrança de Michael Jackson




Desde que ouvi o anúncio sobre a morte de Michael Jackson fiquei pensando o que poderia escrever sobre esta personalidade tão conturbada e intrigante. Passado então algum tempo resolvi enfrentar esta empreitada, escolhendo pensar a primeira fase de sua carreira.
Muitas pessoas não compreendem, mas nos anos 1970 descobri o orgulho de ser negro e um dos elementos formadores desse processo me veio através da música negra norte-americana, que naquele momento vomitava e vociferava em sua luta pertinaz e renhida pelos direitos civis.
Eram tempos de lembrar de Martin Luther King, Malcolm X, Huey Newton, Bobby Seale, Eldridge Cleaver e tantos outros. Tomávamos contatos com as obras de Abdias do Nascimento, ouvíamos falar da "Frente Negra", do Renascença Clube e de tantas outras ações desenvolvidas pelos negros da diáspora em sua peleja pela cidadania e à noite íamos aos bailes de soul ouvir e dançar ao som de James Brown e uma trupe da pesada. Contudo, entre todas aquelas vozes fantásticas, uma se destacava, principalmente, por ser a voz de uma criança, e bela, muito, muito bela. Tão bela que ao assistir o filme "Farinelli, Il Castrato", de Gerard Corbiau mais tarde pude compreender o drama vivido por Michael ao crescer, ou seja, o desgosto de perder a sonoridade de uma voz perfeita.
Neste período, suas canções não representavam o contexto político e explosivo daqueles dias, como era do perfil de sua gravadora - a Motown - mesmo assim, Michael gravou canções que ficaram marcadas na memória por realçarem a sua voz. Sobretudo as "lentinhas": "Music and Me", "Happy", "Ben", "I'll Be There", "Got To Be There", "Ain't No Sunshine", "With a child's heart" e "One Day In Your Life" estabeleceram o contrapeso a músicas que traziam toda a angústia e sofrimento que vivíamos como "Say it Loud I'm Black and I'm Proud", de James Brown, "What's Going On", de Marvin Gaye, "Theme from Shaft", de Isaac Hayes, ou mesmo, "Charles Jr", de Jorge Ben e "Tributo à Martin Luther King", de Wilson Simonal.
Enfim, naqueles dias, quando a desilusão com o sonho já estava dada, no Brasil, pela repressão da ditadura, nos EUA, e porque não dizer no mundo, pela ação dos Estados nacionais contra qualquer proposta fora do "status quo" reinante, a voz de Michael nos embalava com fantasias através de suas delicadas notas e nos reanimava a retornar mais fortes em nossas quimeras.
Falo deste momento, pois é assim que quero me lembrar de Michael, como um garoto negro, dono de uma voz e talento privilegiados e que tornou nossa vidas mais leves, em tempos tão sombrios.

Caldo Verde dos Ogans

II Conferência Municipal de Defesa dos Direitos dos Negros de Duque de Caxias

II CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO NEGRO E PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL E ÉTNICA DE DUQUE DE CAXIAS

Horário: 10 julho 2009 às 18:00 a 11 julho 2009 às 9:00
Local: Abertura, dia 10, no Teatro Raul Cortez - Plenária e Eleição, dia 11, no Auditório da Secretaria Municipal de Educação
Organizado por: COMDEDINEPIR

Descrição do evento:
II CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO NEGRO E PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL E ÉTNICA DE DUQUE DE CAXIAS E,

II ELEIÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO NEGRO E PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL E ÉTNICA DE DUQUE DE CAXIAS


EDITAL DE CONVOCAÇÃO


De acordo com a Lei 1975 de junho de 2006, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Duque de Caxias, vem CONVOCAR os interessados a fim de participar da II CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO NEGRO E PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL E ÉTNICA DE DUQUE DE CAXIAS, onde ocorrerá a eleição dos representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias.

A Conferência Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias acontecerá nos dias 10 de julho, às 19h no Teatro Raul Cortez - Centro Cultural Oscar Niemeyer e, 11 de julho de 2009, de 9:00 às 17:30 no Auditório da Secretaria Municipal de Educação.

O período para a inscrição das Instituição, Candidatos, Delegados e Fiscais será de 08 de junho a 08 de julho de 2009, de segunda a sexta-feira, de 10 às 17h, na sala dos Conselhos, na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Praça Roberto Silveira, 31 - 4° andar - Bairro 25 de agosto, Duque de Caxias) mediante apresentação de documentação descrita na portaria 001/2009 da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, que regulamentará todo o processo eleitoral.

Todos os interessados nas questões de defesa dos direitos do negro e promoção da igualdade racial e étnica, no âmbito municipal, poderão participar da Conferência, porém se não fizerem sua prévia inscrição via instituições não poderão participar do processo eleitoral para os representantes da sociedade civil no Conselho.

Maiores informações no Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias, ou pelos telefones: 2672 8874 e 2672 8877.

Portaria SMCT Nº. 001/2009

Portaria de Regulamentação da Eleição dos Membros do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias.

A Secretária Municipal de Cultura e Turismo no uso das suas atribuições e considerando:

- Que a Lei 1.975 de 16 de junho de 2006, regulamenta a estrutura, composição e atribuições do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica;

- Que texto da Lei prevê a eleição de 8 (oito) Conselheiros representantes da Sociedade Civil, e indicados 8 (oito) representantes do Poder Público;

- Que é de suma importância à participação da Sociedade Civil na formulação das Políticas Públicas;

- Que a Eleição dos Conselheiros se dará na II Conferência Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de acordo com Lei 1.975 de 16 de junho de 2006, delibera:

Disposições Preliminares

Art. 1º - A presente portaria regulamenta o processo eleitoral - da inscrição de instituições, candidatos, representantes, fiscais e ouvintes, para o assentamento dos membros da Sociedade Civil no Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias.

Art. 2º - A eleição dos Conselheiros realizar-se-á no dia 11 de julho de 2009, durante a II Conferência Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias, no Auditório da Secretaria Municipal de Educação.

Art. 3º - Deverão ser eleitos 8 (oito) Conselheiros para as seguintes cadeiras:

1) 06 Cadeiras para Instituições do Movimento Negro;

2) 02 Cadeiras para Outras Etnias, Entidades Religiosas ou Sindicais.

I- Dos Períodos e Requisitos Para o Registro das INstituições, Candidatos, Representantes e FISCAIS.

Art. 4º - O período para inscrições das Instituições, Candidatos, Representantes, Fiscais e Ouvintes, será de 08 de junho a 08 de julho, de 2ª à 6ª feira, das 10:00 às 17:00, na Sala dos Conselho da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – Praça Roberto Silveira nº. 31, 4º andar, Bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias;

Art. 5º- Para se cadastrar a Instituição tem que ter sede no município, e comprovação, por meio de documentos (declarações, atestados, jornais, publicações,etc...), de um período mínimo de 02 (dois) anos de atuação contínua em Duque de Caxias

Kabenguele responde a Magnolli

Postagem original: Afropress
Em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009 (http://arquivosetc.blogspot.com/2009/05/demetrio-magnoli-monstros-tristonhos.html) “Monstros tristonhos”, o geógrafo Demétrio Magnoli critica e acusa agressivamente as Universidades Federais de Santa Maria (UFSM) e de São Carlos (UFSCAR) e também a mim, Kabengele Munanga, Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

As duas universidades são criticadas e acusadas por terem, segundo o geógrafo, criado ”tribunais raciais” que rejeitam as matrículas de jovens mestiços que optam pelas cotas raciais. No caso da Universidade Federal de Santa Maria, trata-se apenas de Tatiana de Oliveira, cuja matrícula foi cancelada menos de um mês após o início do curso de Pedagogia.. No caso da Universidade Federal de São Carlos, trata-se do estudante Juan Felipe Gomes. O acusador acrescenta que um quarto dos candidatos aprovados na UFSCAR pelo sistema de cotas raciais neste ano de 2009 teve sua matrícula cancelada pelo “tribunal racial” dessa universidade.

A questão que se põe é saber se além desses estudantes, cujas matrículas foram canceladas, outros alunos mestiços ingressaram em cerca de 70 universidades públicas que aderiram à política de cotas. Se a resposta for afirmativa, os que tiveram sua matrícula cancelada constituem casos raros ou excepcionais que mereceriam a atenção não apenas de Demétrio Magnoli, mas também de todas as pessoas que defendem a justiça e a igualdade de tratamento.

Mas por que esses casos raros, que constituem uma exceção e não a regra, foram “injustiçados” pelas comissões de controle formadas nessas universidades para evitar fraudes, comissões que o sociólogo Demétrio rotula de “tribunais raciais”? Por que só eles? Por que não ocorreu o mesmo com os outros mestiços aprovados? Houve realmente injustiça racial ou erro humano na avaliação da identidade física dessas pessoas que foram simplesmente consideradas brancas e não mestiças apesar de sua autodeclaração? Os erros humanos, quando são detectados, devem ser corrigidos pelos próprios humanos, como o foi no caso dos estudantes gêmeos da UnB. As injustiças, flagrantes ou não, devem ser apuradas e julgadas pela própria justiça que, num estado democrático de direito como o Brasil, deverá prevalecer. Acho que os estudantes Tatiana de Oliveira e Juan Felipe Gomes, e tantos outros que o sociólogo menciona sem entretanto nomeá-los, devem procurar um advogado para defender seus direitos se estes tiverem sido efetivamente violados pelos chamados “tribunais raciais”. Entendo que o geógrafo Demétrio tenha pena deles, considerando a sua sensibilidade humana.

Se realmente houve erro humano na verificação da identidade desses estudantes, a explicação não está na citação intencionalmente deturpada de algumas linhas extraídas de um texto introdutório de três páginas ao livro de Eneida de Almeida dos Reis, intitulado MULATO: negro-não-negro e/ou branco-não-branco, publicado pela Editora Altara, na Coleção Identidades, São Paulo, em 2002.

Veja como é interessante a estratégia de ataque do geógrafo Demétrio Magnoli. Ele escondeu de seus leitores o título do livro de Eneida de Almeida dos Reis, assim como a casa editora e a data de sua publicação para evitar que possíveis interessados pudessem ter acesso à obra para averiguar direta e pessoalmente o fundamento das acusações. De fato, ele não disse absolutamente nada sobre o conteúdo desse livro, e passa a impressão de ter lido apenas vinte linhas do total de três páginas da introdução, a partir das quais constrói seu ensaio e sua acusação. Com sua inteligência genuína, acho que ele poderia ter feito uma pequena síntese desse livro para seus leitores; se ele o tivesse mesmo lido, entenderia que nada inventei sobre a ambivalência genética do mestiço que não estivesse presente no próprio título da obra “Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco”. Desde quando a palavra ambivalência é sinônimo de “monstro tristonho”? Estamos assistindo à invenção, pelo geógrafo, de novos verbetes dos dicionários da língua portuguesa?

O livro de Eneida de Almeida dos Reis resultou de uma pesquisa para dissertação de mestrado defendida na PUC de São Paulo sob a orientação de Antonio da Costa Ciampa, Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC São Paulo. Ele foi convidado a fazer a apresentação do livro, na qualidade de professor orientador, e eu para escrever a introdução, na qualidade de ex-professor na disciplina “Teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. O livro se debruça sobre as peripécias e dificuldades vividas pelos indivíduos mestiços de brancos e negros, pejorativamente chamados mulatos, no processo de construção de sua identidade coletiva e individual, a partir de um estudo de caso clínico. É uma pena que nosso crítico acusador não tenha tido a coragem de apresentar a seus leitores o verdadeiro conteúdo desse livro, resultado de uma meticulosa pesquisa acadêmica, e não da minha fabulação.

Para entender porque essas pessoas mestiças foram consideradas brancas, apesar de terem declarado sua afrodescendência, é preciso voltar ao clássico “Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais”, de Oracy Nogueira (São Paulo: T.A. Queiroz, 1985). Se o geógrafo Demétrio tivesse lido esse livro, acredito que teria entendido porque as pessoas brancas que possuem algumas gotas de sangue africano são consideradas pura e simplesmente negras nos Estados Unidos – apesar de exibirem uma fenotipia branca – e brancas no Brasil. Ensina Nogueira que a classificação racial brasileira é de marca ou de aparência, contrariamente à classificação anglo-saxônica que é de origem e se baseia na “pureza” do sangue. Do ponto de vista norteamericano, todos os brasileiros seriam, de acordo com as pesquisas do geneticista Sergio Danilo Pena, considerados negros ou ameríndios, pois todos possuem, em porcentagens variadas, marcadores genéticos africanos e ameríndios, além de europeus, sem dúvida. Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR. Se não houver essa vigilância mínima, seria melhor não implementar a política de cotas raciais, porque qualquer brasileiro pode se declarar afrodescendente, partindo do pressuposto de que a África é o berço da humanidade..

Lembremo-nos de que no início dos debates sobre as cotas colocava-se a dificuldade de definir quem é negro no Brasil por causa da mestiçagem. Falsa dificuldade, porque a própria existência da discriminação racial antinegro é prova de que não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado, e os zeladores de todos os prédios do Brasil não teriam facilidade para orientar os visitantes negros a usar os elevadores de serviço. Por sua vez, as raras mulheres negras moradoras dos bairros de classe média não seriam constantemente convidadas pelas mulheres brancas, quando se encontram nos elevadores, para trabalhar como domésticas em suas casas. Existem casos duvidosos, como o dos alunos em questão, que mereceriam uma atenção desdobrada para não se cometer erros humanos, mas não houve dúvidas sobre a identidade da maioria dos estudantes negros e mestiços que ingressaram na universidade através das cotas.

Bem, o geógrafo Demétrio Magnoli leva ao extremo a acusação a mim dirigida quando me considera um dos “ícones do projeto da racialização oficial do Brasil”. Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades.

De acordo com as conclusões assinaladas no livro de Eneida de Almeida dos Reis, muitos mestiços têm dificuldades para construir sua identidade por causa da ambivalência (Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco) , dificuldades que eles teriam superado se tivessem política e ideologicamente assumido uma de suas heranças, ou seja, a sua negritude, que é o ponto nevrálgico de seu sofrimento psicológico. Se o sociólogo acusador tivesse lido este livro e refletido serenamente sobre suas conclusões, ele teria percebido que não alimento nenhum projeto ou plano de ação para suprimir a mestiçagem no Brasil. Isto só pode ser chamado de masturbação ideológica, e não de análise sociológica, nem geográfica! Como seria possível suprimir a mestiçagem, que é um fato fundamental da história da humanidade, desafiando as leis da genética e a vontade dos homens e das mulheres que sempre terão intercursos interraciais? Nem o autor do ensaio sobre as desigualdades das raças humanas, Arthur de Gobineau, chegou a acreditar nessa possibilidade. Se as leis segregacionistas do Sistema Jim Crow no Sul dos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul não conseguiram fazê-lo, os ícones da racialização oficial do Brasil, entre os quais nosso colega me situa, terão esse poder mágico e milagroso que ele lhes atribui?

Entrando na vida privada, gostaria que o sociólogo soubesse que tenho um filho e uma neta mestiços que não são monstros tristonhos como ele pensa, pois são educados para assumir sua negritude e evitar assim os graves problemas psicológicos apontados na obra de Eneida de Almeida Dos Reis, através da indefinida personagem Maria, (ver p.39-100). Como se pode dizer que os mestiços são geneticamente ambivalentes e que política e ideologicamente não podem permanecer nessa ambivalência e ser por isso taxado de charlatão acadêmico? Creio que se trata apenas de uma reflexão que decorre das conclusões do próprio livro e que de per si não constituiria nenhum charlatanismo. Não seria um contra-senso e um grave insulto à USP que esse “charlatão acadêmico” tenha chegado ao topo da carreira acadêmica? E que tenha orientado dezenas de doutores hoje professores nas grandes universidades brasileiras, como a USP, UNICAMP, UNESP, UFMG, UFF, UFRJ, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de São Luiz do Maranhão, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Candido Mendes, PUC de Campinas, etc. Creio que, salvo o geógrafo Demétrio, os que me conhecem através de textos que escrevi, de minhas aulas e de minhas participações nos debates sociais e intelectuais no país e no exterior, não me atribuiriam esse triste retrato.

Disse ainda o geógrafo Demétrio que “do ponto mais alto da carreira universitária, o antropólogo professa a crença do racismo científico, velha de mais de um século, na existência biológica de raças humanas, vestindo-a curiosamente numa linguagem decalcada da ciência genética”. Sinceramente, não entendo como Demétrio conseguiu tirar tanta água das pedras. Das 20 linhas extraídas, de maneira deturpada, de um texto de três páginas de introdução, ele conseguiu dizer coisas horríveis, como se tivesse lido tudo que escrevi durante minha trajetória intelectual sobre o racismo antinegro. A colonização da África, contrariamente às demais colonizações conhecidas na história da humanidade, foi justificada e legitimada por um corpus teórico-cientí fico baseado nas idéias evolucionistas e racialistas produzidas na modernidade ocidental. Teria algum sentido para mim, que milito contra o racismo, professar o racismo científico para lutar contra o racismo à brasileira? Acho que nosso geógrafo quer me transformar num demente que não sou. As pessoas que leram seu texto no jornal O Estado de S. Paulo podem pensar que eu sou esse negro ex-colonizado que professa as mesmas idéias do racismo científico que postulou a inferioridade e a desumanidade dos africanos, incluída a dele mesmo. Como entender que meus alunos de Pós-graduação, a quem ensino há vinte anos “As teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, uma disciplina freqüentada por alunos da USP, de outras universidades e outros estados, têm a coragem de ocupar um semestre inteiro para escutar profissões de fé em favor do racismo científico?

Se o geógrafo Demétrio quer saber mais sobre mim, ingressei na Faculdade em 1964, aos vinte e dois anos de idade. Tive aulas de Antropologia Física com um dos melhores biólogos e geneticistas franceses, Jean Hiernaux. Uma das primeiras coisas que ele me ensinou era que a raça não existe biologicamente. Através de suas aulas, li François Jacob, Nobel de Fisiologia (1965) e um dos primeiros franceses a decretar que a raça pura não existe biologicamente; e J.Ruffie, Albert Jacquard e tantos outros geneticistas antirracistas dessa época. Portanto, sei muito bem, e bem antes de Demétrio que o racismo não pode ter mais sustentação científica com base na noção das raças superiores e inferiores, que não existem biologicamente. Sei muito bem que o conteúdo da raça enquanto construção é social e político. Ou seja, a realidade da raça é social e política porque tivemos na história da humanidade povos e milhões de seres humanos que foram mortos e dominados com justificativa nas pretensas diferenças biológicas. Temos em nosso cotidiano, pessoas discriminadas em diversos setores da vida nacional porque apresentam cor da pele diferente. Nosso sistema educativo é eurocêntrico e nossos livros didáticos são repletos de preconceitos por causa das diferenças. Não sou um novato que ingressou ontem na universidade brasileira. No Brasil, fui introduzido ao pensamento racial nacional por grandes mestres, como João Baptista Borges Pereira, que foi meu orientador no doutoramento, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Oracy Nogueira, entre outros. Não sei onde estava Demétrio nessa época e em que ano ele descobriu que a raça não existe. Acho um exagero querer me dar lição de moral sobre coisas que eu conheço muito antes dele. Isto não quer dizer que ele não possa me ensinar temas pertinentes à geografia, como por exemplo, o que se pode ler em seu livro sobre a África do Sul – “Capitalismo e Apartheid”, publicado pela Editora Contexto, São Paulo, 1998, que oferece algumas informações interessantes sobre a história do sistema do apartheid. Esse livro faz parte da bibliografia recomendada na disciplina ministrada na Graduação, não obstante algumas incorreções históricas nele contidas.

Um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado, é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça. Não se luta contra o racismo apenas com retórica e leis repressivas, não somente com políticas macrossociais ou universalistas, mas também, e, sobretudo, com políticas focadas ou específicas em benefício das vítimas do racismo numa sociedade onde este é ainda vivo. É neste sentido que faço parte do bloco dos intelectuais brancos e negros que defendem as políticas de ação afirmativa e de cotas para o acesso ao ensino superior e universitário. Na cabeça e no pensamento de Demétrio Magnoli, todos os que fazem parte desse bloco querem racializar o Brasil, e isso faz parte de um projeto e de um plano de ação. Que loucura!

Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social. Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro. Podemos dizer que todos esses brancos no comando das universidades querem também racializar o Brasil, suprimir os mestiços e incentivar os conflitos raciais? Afinal, podemos localizar os linchamentos e massacres raciais nos Estados onde se encontram as sedes das universidades que aderiram às cotas? Tudo não passa de fabulações dos que gostariam de manter o status quo e que inventam argumentos que horrorizam a sociedade. Quem está ganhando com as cotas? Apenas os alunos negros ou a sociedade como um todo? Quem ingressou através das cotas? Apenas os alunos negros e indígenas ou entraram também estudantes brancos da escola pública?

Concluindo, penso que existe um debate na sociedade que envolve pensamentos, filosofias e representações do mundo, ideologias e formações diferentes. Esse pluralismo é socialmente saudável, na medida em que pode contribuir para a conscientização de seus membros sobre seus problemas e auxiliar a quem de direito, o legislador e o executivo, na tomada de decisões esclarecidas. Este debate se resume a duas abordagens dualistas. A primeira compreende todos aqueles que se inscrevem na ótica essencialista, segundo a qual a humanidade é uma natureza ou uma essência e como tal possui uma identidade genérica que faz de todo ser humano um animal racional diferente dos demais animais. Eles afirmam que existe uma natureza comum a todos os seres humanos em virtude da qual todos têm os mesmos direitos, independentemente de suas diferenças de idade, sexo, raça, etnias, cultura, religião, etc. Trata-se de uma defesa clara do universalismo ou do humanismo abstrato, concebido como democrático. Considerando a categoria raça como uma ficção, eles advogam o abandono deste conceito e sua substituição pelos conceitos mais cômodos, como o de etnia. De fato, eles se opõem ao reconhecimento público das diferenças entre brancos e não brancos. Aqui temos um antirracismo de igualdade que defende os argumentos opostos ao antirracismo de diferença. As melhores políticas públicas, capazes de resolver as mazelas e as desigualdades da sociedade, deveriam ser somente macro-sociais ou universalistas. Qualquer proposta de ação afirmativa vinda do Estado que introduza as diferenças para lutar contra as desigualdades, é considerada, nessa abordagem, como um reconhecimento oficial das raças e, conseqüentemente, como uma racialização do Brasil, cuja característica dominante é a mestiçagem. Ou, em outras palavras, as políticas de reconhecimento das diferenças poderão incentivar os conflitos raciais que, segundo dizem, nunca existiram. Assim sendo, a política de cotas é uma ameaça à mistura racial, ao ideal da paz consolidada pelo mito de democracia racial, etc. Eu pergunto se alguém pode se tornar racista pelo simples fato de assumir sua branquitude, amarelitude ou negritude? Como se identifica então o geógrafo Demétrio: branco, negro, mestiço ou Demétrio indefinido? Pelo que me consta, ele se identifica como branco, mas não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo. A menos que ele negue a existência das práticas racistas no cotidiano brasileiro, e as diferenças de cor, sexo, classe e religiões que exigiriam políticas diferenciadas.

A segunda abordagem reúne todos aqueles que se inscrevem na postura nominalista ou construcionista, ou seja, os que se contrapõem ao humanismo abstrato e ao universalismo, rejeitando uma única visão do mundo em que não se integram as diferenças. Eles entendem o racismo como produção do imaginário destinado a funcionar como uma realidade a partir de uma dupla visão do outro diferente, isto é, do seu corpo mistificado e de sua cultura também mistificada. O outro existe primeiramente por seu corpo antes de se tornar uma realidade social. Neste sentido, se a raça não existe biologicamente, histórica e socialmente ela é dada, pois no passado e no presente ela produz e produziu vítimas. Apesar do racismo não ter mais fundamento científico, tal como no século XIX, e não se amparar hoje em nenhuma legitimidade racional, essa realidade social da raça que continua a passar pelos corpos das pessoas não pode ser ignorada.

Grosso modo, eis as duas abordagens essenciais que dividem intelectuais, estudiosos, midiáticos, ativistas e políticos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Ambas produzem lógicas e argumentos inteligíveis e coerentes, numa visão que eu considero maniqueísta. Poderão as duas abordagens se cruzar em algum ponto em vez de se manter indefinidamente paralelas? Essa posição maniqueísta reflete a própria estrutura opressora do racismo, na medida em que os cidadãos se sentem forçados a escolher a todo momento entre a negação e a afirmação da diferença. A melhor abordagem seria aquela que combina a aceitação da identidade humana genérica com a aceitação da identidade da diferença. Para ser um cidadão do mundo, é preciso ser, antes de mais nada, um cidadão de algum lugar, observou Milton Santos num de seus textos. A cegueira para com a cor é uma estratégia falha para se lidar com a luta antirracista, pois não permite a autodefinição dos oprimidos e institui os valores do grupo dominante e, conseqüentemente, ignora a realidade da discriminação cotidiana. A estratégia que obriga a tornar as diferenças salientes em todas as circunstâncias obriga a negar as semelhanças e impõe expectativas restringentes.

Se a questão fundamental é como combinar a semelhança com a diferença para podermos viver harmoniosamente, sendo iguais e diferentes, por que não podemos também combinar as políticas universalistas com as políticas diferencialistas? Diante do abismo em matéria de educação superior, entre brancos e negros, brancos e índios, e levando-se em conta outros indicadores socioeconômicos provenientes dos estudos estatísticos do IBGE e do IPEA, os demais índices do Desenvolvimento Humano provenientes dos estudos do PNUD, as políticas de ação afirmativa se impõem com urgência, sem que se abra mão das políticas macrossociais.

Não conheço nenhum defensor das cotas que se oponha à melhoria do ensino público. Pelo contrário, os que criticam as cotas e as políticas diferencialistas se opõem categoricamente a qualquer política de diferença por considerá-las a favor da racialização do Brasil. As leis para a regularização dos territórios e das terras das comunidades quilombolas, de acordo com o artigo 68 da Constituição, as leis 10639/03 e 11645/08 que tornam obrigatório o ensino da história da África, do negro no Brasil e dos povos indígenas; as políticas de saúde para doenças específicas da população negra como a anemia falciforme, etc., tudo isso é considerado como racialização do Brasil, e virou motivo de piada.

Convido o geógrafo Demétrio Magnoli a ler o que escrevi sobre o negro no Brasil antes de se lançar desesperadamente em críticas insensatas e graves acusações. Se porventura ele identificar algum traço de defesa do racismo científico em meus textos, se encontrar algum projeto ou plano de ação para suprimir os mestiços e racializar o Brasil, já que ele me acusa de ícone desse projeto, ele poderia me processar na justiça brasileira, em vez de inventar fábulas que não condizem com minha tradicionalmente pública e costumeira postura.
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