Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

1º Festival de acarajé da baiana Ciça






Acarajé da Ciça - Rio de Janeiro
Rua do Mercado 1 Esquina do Unibanco, Rio de Janeiro - RJ, CEP 20010010, Brasil
Tel: (21) 9959-0027
Email: elisetenascimento@dd.com.br
Site: http://www.tr.im/xdyC



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mesa Redonda Sobre Cultura

UFRJ | LAESER 
Laboratorio de Analises Economicas, Histórias, Sociais e Estatisticas das Relações Raciais

OFICINA DE INDICADORES SOCIAIS COM ÊNFASE EM RELAÇÕES RACIAIS

Disciplina Multiculturalismo e as leis 10639/03 e 11645/08

Mesa redonda - Sobre cultura:
** Que é Interculturalismo? - Profa Dra Claudia Miranda -UFF
** Que são Estudos Culturais? - Profa Dra Katia Santos - PACC-UFRJ

Mediação Profa Dra Azoilda Trindade

Data: Dia 19 de outubro de 2009 - 18:30h

Entrada: gratuita

Local:
Sinpro-RJ - Rua Pedro Lessa 35/2ª andar - Centro
atrás da Biblioteca Nacional

sábado, 17 de outubro de 2009

Me solidarizando com Luis Nassif: Na luta contra a mídia partidarizada

 Fonte: LuisNassif

Por Luis Nassif

Ainda não tenho os dados à mão. Mas, pelo que sou informado, fui condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo – de Eurípedes Alcântara – fui absolvido.
Pode haver apelação nas duas sentenças.
Ao longo dessa longa noite dos celerados, a Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade. Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do Orkut.
Não me intimidaram.
Apelaram então para a indústria das ações judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob silêncio total da mídia.
Não vou entrar no mérito da sentença do juiz, nem no valor estipulado.
Mas no final do ano fui procurado por um emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.
Podem vencer na Justiça graças ao poder financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além dos custos de defesa contra as outras quatro.
Mas no campo jornalístico perderam para um Blog e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade colocaria em risco seus empregos. Melhor que isso, só a solidariedade que uniu minhas filhas em defesa do pai.
PS – Como o processo continua, vou bloquear comentários no post, que eventualmente poderia ser utilizados pela parte contrária.

Denúncia de racismo - Wal Mart é condenado e paga multa por racismo

Entenda o caso:
Mãe Noêmia – Oya de Nirê, moradora em Sapopemba, como fazia normalmente, se dirigiu ao super mercado da rede Wal-Mart, na Av. Sapopemba, Jd. Grimaldi, Zona Leste – SP, na data do registro da ocorrência, para compra de algumas mercadorias, entre elas 1 litro de Whisky.
Após o pagamento, na saída, foi abordada grosseiramente pelos seguranças, acusando-a de ter roubado a mercadoria, conforme relato abaixo descrito na sentença. A mesma ainda contra argumentou com os seguranças pedindo respeito pela sua idade e idoneidade, mesmo assim, continuaram expondo-a ao vexame, e ameaçaram de chamar a “policia”, o que a mesma concordou, alegando que por ser “Mulher Negra e Pobre” sentia-se discriminada entendendo que aquilo era um ato de “Racismo”; Ao sentirem a firmeza da acusada, os seguranças recuaram, mas ai a “própria” acusada resolveu tomar a iniciativa de chamar a policia registrar a ocorrência.
Na delegacia do bairro, apesar da insistência da vitima em constatar o caso como “Discriminação racial” o delegado registrou a ocorrência como constrangimento.
Ao convocar uma reunião com os filhos de sua casa, para relatar os fatos, Mãe Noêmia, que também faz parte da Sociedade Comunitária “Fala Negão/Fala Mulher” da ZL/SP, muito abalada, expôs aos mesmos o vexame que passou.
Imediatamente, os diretores da entidade, Gilson Negão e Cenira Moraes se dirigiram ao Super Mercado, procurando o gerente, para ouvir a versão do caso e, informar-lhe que a partir daquele momento iriam tomar providencias jurídicas e abrir queixa crime de racismo contra o Super mercado.

O Quanto vale uma boa orientação jurídica:
Ao tomar conhecimento do fato, Dr. Sinvaldo Firmo, que também é filho de Santo da casa de Mãe Noêmia, dirigiu-se ao DP, para acompanhar a ocorrência, argumentando com o delegado, que aquele era um caso de “racismo”, mas sentindo uma aproximação entre o Super mercado e a Delegacia, que insistia em manter o caso como constrangimento, Dr. Sinvaldo resolveu procurar a Delegacia da Mulher, mais próxima do bairro (66), para encaminhar a denuncia.
A delegada atendeu prontamente o pedido e encaminhou a ação de denuncia contra o Super mercado, que resultou na sentença abaixo.

Esta é mais uma vitoria do “Povo Negro, e do povo do Santo, que é sempre suspeito pela cor da pele”
SENTENÇA PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO NO DIA 25 DE JUNHO DE 2009.

2ª Vara Cível do Fórum Regional de Vila Prudente
Processo 009.07.117625-4 - Indenização (Ordinária)

Autora: Noêmia Maria Nogueira da Silva
Ré: Wal Mart Brasil LTDA

Vistos. Trata-se de ação de conhecimento proposta por Noêmia Maria Nogueira da Silva contra Wal Mart Brasil Ltda. objetivando a condenação da ré a pagar indenização por danos morais causados por ato ilícito praticado pela ré. Narra a autora que, no dia 05/12/2005, por volta das 11:30 horas, esteve no estabelecimento comercial da ré e comprou três itens. Foi ao caixa e realizou o pagamento. Após, quando se dirigia ao estacionamento interno da loja, foi abordada por um segurança da ré, de nome João da Silva, que lhe disse “você roubou um CD e um produto na farmácia” e tentou arrancar das mãos da autora as sacolas com as compras, solicitando que a autora apresentasse a nota fiscal da compra. A autora se recusou a mostrar a nota fiscal e foi a um posto da polícia militar e solicitou o comparecimento dos policiais na loja da ré. A autora então permitiu a revista em suas sacolas e mostrou a nota fiscal das compras. Em razão destes fatos, a autora apresentou queixa crime contra os funcionários da ré João da Silva e Marcelo da Cruz Pires, que aceitaram a proposta de transação penal e pagaram multa para não serem processados criminalmente. Também em razão destes fatos, a autora alega que passou a se submeter a tratamento psicológico e a tomar remédios sob prescrição médica contra insônia e depressão. A ré apresentou contestação (fls. 40/51) sustentando a improcedência da ação por ausência de ato ilícito. Esclareceu que o procedimento a que a autora se submeteu consiste apenas na solicitação da nota fiscal para conferência da mercadoria no carrinho, o que leva apenas alguns minutos e transcorre sem traumas ou excessos, ainda mais no caso da autora, que havia comprado apenas três itens. A conferência dos produtos teria sido rápida e discreta se tivesse sido permitida pela autora. Mas a autora se recusou a autorizar a conferência e iniciou e cau sou um verdadeiro tumulto. Sustentou que não houve qualquer abuso ou excesso dos funcionários da ré. Salientou que o boletim de ocorrência foi formulado pela autora em 28/12/2005, 23 dias após a abordagem narrada na inicial. Houve réplica. O processo foi saneado (fls. 98/99). Em audiência (fls. 114/138) foram colhidos os depoimentos pessoais das partes e ouvidas as testemunhas presentes. As partes apresentaram alegações finais na forma de memoriais. Relatados, DECIDO. A ação é procedente. Ficou bem demonstrado pelos depoimentos colhidos em juízo que a ré submeteu a autora a constrangimento desnecessário e indevido, acusando a autora de ter furtado mercadorias no interior do estabelecimento da ré, o que verificou-se não ser verdade. Neste sentido o esclarecedor depoimento da testemunha Maria Bagneti, especialmente a narrativa dos acontecimentos, tal como consta a fls. 128 dos autos.
Também esclarecedor e confirmando a versão da autora, o depoimento da testemunha Cenira Moraes, especialmente a narrativa de fls. 135. Note-se, ainda, que a ré, intimada pessoalmente para comparecer em juízo para prestar depoimento pessoal, fez-se representar na audiência por preposto que não soube esclarecer sobre os fatos ocorridos com relação à autora, o que configura confissão, nos termos do 343 §2º do CPC. Neste contexto, bem configurada a culpa da ré, eis que seu funcionário acusou a ré, injustamente, de ter cometido um furto no estabelecimento da ré. Esta conduta da ré, que na esfera penal se subsume no tipo penal da calúnia, configura evidente dano moral, desnecessária a demonstração do sofrimento da autora. Na fixação do valor da indenização, levo em consideração o grau de culpa da ré, as conseqüências do ato para a autora e a capacidade econômica das partes. Tudo isso sopesado, fixo a indenização pelos danos morais sofridos pela autora em cinco mil reais. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a ação para condenar a ré a pagar à autora indenização por danos morais que fixo em cinco mil reais. Sucumbente, arcará a ré com as custas do processo e pagará honorários advocatícios de 10% do valor da condenação. P.R.I. (Custas de preparo para eventual apelação R$ 2.508,20, mais uma taxa de porte rem/ret do Tribunal).

Mais informações no link: brasilcandombleverdade

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia do mestre

Por Sérgio J. Dias

 Ontem, enquanto professor da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, soube que um de meus alunos havia perdido um filho de 16 anos assassinado. Segundo seus colegas, o menino teria sido torturado antes de morrer, e parece estava em envolvido com o narcotráfico, ou talvez não, pouco importa, afinal são tantas as mortes.
Uma das coisas que mais me choca, e da qual vejo pouco se falar, diz respeito ao drama de tantos pais, moradores de periferia, ou seja, das áreas mais pobres da cidade, e que, continuamente são violentados e violados com a morte de seus jovens filhos, como se estes fatos nos dias de hoje fossem irreversíveis, assim como o desfolhar das folhas das árvores, em função das rajadas de vento outonais. São 30.000, 40.000 jovens entre 14 e 24 anos, cerca de 70% deles negros, isto desde a década de 1990, mortos anualmente e famílias e mais famílias destruídas e amarguradas por tal vaticínio. Alguém já disse que tantos destes fazem parte do óleo velho e purgante do capital financeiro a derramar sobre os mesmos a fúria homicida malthusiana e intransportável. Para meus alunos, este homem, já de seus quarenta e tantos anos não voltará mais à escola, sua espinha está partida, sentado está, prostrado ficará, contudo espero que ele resista e volte. Afirmo em minhas aulas, que os culpados por dramas como este, não estão nas comunidades, nas favelas, nos mocambos, mas em torres de marfim enlevados pela glória contida no capital sangrento que se acumula em seus gordos bolsos e polpudas contas bancárias. Acumulam, acumulam e acumulam, estão nas páginas de economia dos principais jornais a lançar o sorriso da besta e a encarar tantas mortes como um fado irretocado de uma natureza selvagem.
Hoje comemoramos, se é que podemos, o dia dos mestres. Como professor, vivo a realidade incontrolável da escola pública brasileira. Lá, as grandes fraturas nacionais estão expostas, da infância à idade adulta, todos têm seus dramas para contar e quantos histórias já ouvimos e que não podemos delas falar, e muitas, sequer lembrar. Somos de certa forma, para muitos a única ponte entre um mundo trágico e caótico, abandonado pelo Estado mínimo e uma realidade civilizada, glamourizada pela mídia e acompanhada com todos os requintes pelo Estado máximo, pródigo em investimentos e cuidados. Vivemos entre os dois circuitos da cidade subdesenvolvida, como nos mostra a genial alegoria criada pelo geógrafo Milton Santos.
Teríamos muito a dizer, propor, deslindar, mas neste país educação nunca foi prioridade. Passamos até por algumas propostas que esboçaram e objetivaram tal intenção. Desde Anísio Teixeira, com a Escola Parque,  até Leonel  Brizola e o projeto dos CIEPS, este último bombardeado com todas as forças pela classe dominante e finalmente desmontado já no alvorecer do governo Moreira Franco, sobrando do ideário de Darcy Ribeiro, prédios, escombros e mentes retorcidas. Tratava-se apenas de trazer para ares tropicais aquilo que os exilados políticos saborearam durante a sua estada em terras europeias, isto é, o prazer de ver seus filhos crescerem com a garantia de uma educação de qualidade proporcionada por uma escola pública de tempo integral.
Hoje então, quando vejo um companheiro chorar a morte de seu filho, de um menino, que experimentou o exílio em seu próprio país tenho de refletir sobre os limites do capitalismo, não em proporcionar a felicidade do consumo extremo para alguns, mas para garantir o simples bem-estar de todos.

Curso: Mulher e Direitos Humanos


O Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher convida você para o Curso “Mulher e Direitos Humanos”. Este curso é gratuito e  tem por objetivo proporcionar reflexões sobre os direitos humanos da mulher visando debater e exercitar valores de cidadania e garantia dos direitos individuais, coletivos e sociais. 
Todas as quartas-feiras das 18:30 às 20:30 h
. Endereço: Arcos Rio Palace Hotel, Avenida Mem de Sá, 117, Lapa, Centro - Rio de Janeiro. As sessões serão ministradas por conceituadas palestrantes. .
As vagas são limitadas. Serão conferidos certificados a todas as participantes.
Informações e inscrições pelos telefones: 2517-3290/2517-3292 ou E-mail:
curso@coisademulher.org.br
 

Centro Cultural Octavio Brandão convida ...

CICLO DE PALESTRAS 2009
NESTE SÁBADO - 17/10 - ÀS 16 HORAS


ROSA LUXEMBURGO

"90 ANOS DO ASSASSINATO DA TEÓRICA MARXISTA E DIRIGENTE REVOLUCIONÁRIA"

PALESTRA COM O PUBLICISTA  E HISTORIADOR  ALEX BRASIL

    Dando sequência ao nosso Ciclo de Palestras 2009, vamos conhecer um pouco da história e das idéias dessa militante alemã, de origem polonesa, que viveu em Varsóvia e depois em Zurique, se radicando posteriormente na Alemanha. Nesse país, participou ativamente do Partido Social-Democrata Alemão, onde escreveu sobre economia, história, política e organização do movimento operário alemão e internacional. No final da 1ª Grande Guerra Mundial, rompe com o PSD, que apoiou os esforços de guerra do Estado Germânico. Tem papel destacado na fundação do Partido Comunista Alemão, sendo uma das redatoras do seu programa. Mas logo a seguir, durante a tentativa insurrecional de janeiro de 1919, liderada por uma ala do PC, Rosa acaba sendo presa e assassinada pela polícia alemã.

CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com Domingos Magalhães, próximo ao Metrô de Maria da Graça.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Brasil emerge como potência militar

Por Raúl Zibechi

Analista internacional do semanário Brecha, de Montevidéu; docente e investigador sobre movimentos sociais na Multiversidad Franciscana de América Latina, e assessor de vários grupos sociais. Escreve o "Informe Mensual de Zibechi" para o Programa de las Américas

Os acordos recém assinados com a França que, além da compra de armamento, auspiciam a criação de uma potente indústria militar, fazem parte da Estratégia Nacional de Defesa do Brasil, com a qual a nona potência industrial do mundo, possuidora das sétimas reservas de petróleo e da maior biodiversidade na Amazônia, se prepara para defender suas riquezas e projetar-se como nova potência política e militar.
O modo como se comportaram as grandes empresas da guerra moderna tem algo de telenovela. Imediatamente depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciasse que preferia comprar 36 caça bombardeiros de quinta geração da francesa Dassault, os outros dois competidores -a sueca Saab e a estadunidense Boeing- caíram em soluços, garantindo que seu amor pelos brasileiros é igual ou maior do que o dos franceses. Essas declarações respondem ao interesse de cortejar o Brasil, que está renovando sua frota aérea e montando a mais importante indústria militar do Sul do planeta. No dia 7 de Setembro de 2009, ao comemorar a Independência do Brasil, Lula e o presidente da França, Nicolás Sarkozy, assinaram a compra de quatro submarinos convencionais e um nuclear e de 50 helicópteros de transporte militar por 12 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, Lula anunciou a compra de 36 caças Rafale, o que elevaria a conta a uns 20 bilhões de dólares.
O assunto dos caças se arrasta desde 1998. A Força Aérea Brasileira possui 110 caças fabricados nas décadas de 1970 e 80, demasiado velhos e de escassa utilidade para uma potência que deve vigiar 8 milhões de quilômetros quadrados, 17 mil quilômetros de fronteiras e uma vasta plataforma marítima. Os mais novos são 12 Mirage 2000, comprados de segunda mão, que estão a ponto de ser aposentados. Em contraste, o Chile conta com 28 caças F-16 e a Venezuela tem 24 Sukhoi 30, ambos os mais avançados que existem.
Para a renovação da frota de combate, competem os Rafale franceses, os Gripen suecos e os F-18 Super Hornet, da Boeing. Não existe muita diferença quanto a suas capacidades técnicas. O preço varia muito: cada Gripen vale 50 milhões de dólares e cada Rafale se eleva a 80 milhões. O F-18 tem a vantagem de ser o avião de combate mais testado. Porém, os franceses se comprometeram desde o início a traspassar o código fonte do avião, o coração digital da aeronave, questão que a Boeing não pode fazer sem a autorização do Congresso dos Estados Unidos.

Lula está definindo os pilares para que a potencia do Brasil tenha também a capacidade de defender-se no terreno militar. Foto: www.defesabr.com
Telenovela: Três atrás de um amor
A compra de um pacote de armas sempre é acompanhado de manobras esquivas, posiciona-se o site brasileiro especializado em temas militares Defesanet. Por isso, o acordo assinado por Lula e Sarkozy no dia 7 de setembro de 2009 abriu um período de fortes pressões. Vejamos brevemente como os fatos aconteceram: Na noite do dia 6 de setembro de 2009, durante um jantar de boas vindas ao Brasil, Lula se queixou a Sarkozy do "preço absurdo" dos aviões Rafale. Pouco depois, o presidente francês lhe enviou uma carta pessoal mencionado uma "transferência irrestrita" de tecnologia, sabendo que esse é tema chave para o Brasil (1)
E concedia a possibilidade de fabricar o Rafale exclusivamente para a América Latina a um preço mais baixo do que o inicial. Nessa mesma noite, Lula se reuniu com o Ministro da Defesa, Nélson Jobim, e com o comandante da aeronáutica, além dos embaixadores da França e do Brasil, onde definiram o plano a ser anunciado no dia seguinte, após o desfile militar do Dia da Independência, a abertura das negociações com a Dassault para a compra de 36 caças. Também se comprometia a comprar dez aviões de transporte militar K-390 fabricados pela brasileira Embraer.
O anúncio foi como um terremoto. As outras duas empresas, a sueca e a estadunidense, começaram a mover suas fichas com mais intensidade e a abrir seus jogos. No dia 9 de setembro, dois dias após o anúncio de Lula tendente para o avião francês, a embaixada dos Estados Unidos em Brasília emitiu uma declaração defendendo o caça FA-18 Super Hornet, da Boeing, porque "cremos que é o melhor em comparação aos seus concorrentes" (2). Garantia que o governo dos EUA "aprovou a transferência de toda a tecnologia necessária".
Não estava claro o que se entende por "tecnologia necessária"; porém, a pressão estava feita. As suspicácias do Brasil devem-se ao antecedente de que os EUA impediram há poucos meses a venda do avião de combate brasileiro Super Tucano para a Venezuela por ter componentes com tecnologia estadunidense. Em vista das pressões e concessões adicionais das empresas, Lula ironizou, dizendo que "daqui a pouco, receberemos os caças de presente!".
As pressões foram tantas que o prazo para a entrega das propostas das três empresas foi prorrogado do dia 21 de setembro para o dia 2 de outubro. No dia 11 de setembro, a força aérea do Brasil emitiu um "Esclarecimento sobre o projeto F-X2" (assim se denomina a proposta de renovação da frota), explicando à opinião pública as cinco áreas das propostas que estão sendo avaliadas: transferência de tecnologia, domínio do sistema de armas pelo Brasil, acordos de compensação e participação da indústria nacional, técnico operacional e comercial. Agrega que foi exigido de uns e de outros que esclarecessem o que entendem por transferência de tecnologia "ilimitada" e "necessária".
Em meio à peleja, no dia 24 de setembro, os aviões Rafale caíram n’água, em um acidente no Mediterrâneo. O tema foi longamente comentado pela imprensa brasileira e se insistiu em que esse avião nunca foi vendido fora da França. No dia 28, a empresa Embraer -que deverá fabricar os aviões no Brasil- considerou que a melhor oferta é o Gripen sueco, em uma avaliação a pedido da Força Aérea. A vantagem, segundo um alto executivo da empresa, é que devido o avião ainda não estar fabricado "podemos aprender fazendo", porque "não estamos interessados em fabricar peças; buscamos o domínio de um conhecimento que ainda não temos". (3)
No dia 1º de outubro, um dia antes que expirasse o prazo para a modificação as propostas, os presidentes da Boeing e Saab chegaram ao Brasil para "lançar suas ofensivas para derrubar a aparente vantagem da francesa Dassault no negócio" (4). No dia 2 de outubro, a Boeing distribuiu um comunicado repetindo que haverá transferência de tecnologia, enquanto os franceses acudiram à Comissão de Relações Exteriores do Senado onde criticaram o modelo sueco por estar ainda no papel. Os suecos, por seu lado, asseguraram que são os que transferem mais tecnologia, ao ponto que o presidente da Saab, Ake Svensson, adiantou que no futuro "seremos dependentes da indústria brasileira" (5).
A França cortejou o Brasil, prometendo que defenderá seu ingresso no Conselho de Segurança da ONU, sabendo o quanto Lula deseja concretizar esse sonho. O que aconteceu nesse mês, a telenovela dos caças brasileiros, dá uma ideia de quanto o mundo mudou: três grandes empresas de três países do Norte desenvolvido cortejam com múltiplas promessas a um país do Sul para que lhes compre seus aviões. A decisão final será tomada por Lula e pelo Conselho de Defesa Nacional em poucas semanas.
Estratégia Nacional de Defesa
No dia 15 de setembro de 2008, o presidente Lula, o ministro de Defesa Nélson Jobim e o chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Roberto Mangabeira Unger, assinaram um documento de 70 páginas redigido durante um ano por um comitê no qual tiveram papel destacado os comandantes da marinha, do Exército e da Aeronáutica, além de vários Ministérios. O documento intitula-se "Estratégia Nacional de Defesa" e se propõe atualizar a defesa de um país que está jogando um destacado papel na arena internacional (6).
O texto assinala que a proposta consiste em ações de curto, médio e largo prazo, um período que abarca até 2030, para "modernizar a estrutura nacional de defesa", reorganizando as Forças Armadas, reestruturando a indústria brasileira de material de defesa e a composição dos efetivos das Forças Armadas. Além disso, assegura que na defesa incidem três fatores decisivos: a cibernética, o espacial e o nuclear.
Entre as diretrizes que o documento estabelece, destaca-se em primeiro lugar a decisão de combate. "Para dissuadir, é necessário estar preparado para combater. A tecnologia, por mais avançada que seja, jamais será alternativa ao combate. Será sempre um instrumento de combate". Nesse ponto, o Brasil se distancia do pentágono, que vem apostando em uma tecnologia como forma de ganhar guerras que estão perdidas em campo, mostrando uma importante autonomia intelectual.
Afirma "a necessidade estratégica de desenvolver e dominar a tecnologia nuclear", apesar de que recorda que a Constituição do Brasil proíbe a fabricação de armas nucleares. Em todo caso, no começo de setembro, a imprensa destacou que o Brasil já está em condições de fabricar armas atômicas. De fato, no mesmo dia em que Sarkozy chegou ao Brasil eram divulgados os resultados de uma tese do Instituto Militar de Engenharia que assegura que o país já tem os conhecimentos para sua fabricação(7).
Menção à parte merece a proposta de modificar a posição dos efetivos. O exército está mirando em direção ao Sul porque sempre se pensou em um possível conflito com a Argentina, ideia de claro cunho eurocêntrico. Propõe-se posicioná-lo no centro porque agora as ameaças reais por terra vêm do Norte(8). Leia-se Plano Colômbia. A Força Aérea que agora está concentrada em São Paulo e a Marinha, no Rio de Janeiro, deve posicionar-se no Atlântico Sul, onde estão as novas e enormes reservas de petróleo que convertem o Brasil na sétima potência petroleira do mundo.
A Marinha deve atender a desembocadura do Amazonas e as bacias desse rio e do Paraguai-Paraná. Porém, a prioridade número um é a Amazônia, já que se afirma a soberania incondicional sobre essa região. O Brasil rechaçará "qualquer tentativa de tutela sobre suas decisões a respeito da preservação, desenvolvimento e defesa da Amazônia". Nesse sentido, afirma de modo categórico: "Quem cuida da Amazônia brasileira, a serviço da humanidade e de si mesmo, é o Brasil". Esse é um dos pontos mais sensíveis para os militares, toda vez que se ouvem vozes que pretendem "internacionalizar" a Amazônia sob pretexto ambiental. Assim são vistas as coisas a partir do Brasil (ver mapa acima).
O capítulo dedicado à indústria nacional de material de defesa é um dos mais importantes. Faz-se fincapé no "desenvolvimento tecnológico independente", com o objetivo de "eliminar, progressivamente, a compra de serviços e produtos importados". Propõe-se que o Estado apóie a indústria privada de armamento e desenvolva aqueles setores que ainda não são rentáveis; porém, são necessários para a defesa. Em contrapartida, o Estado obterá poderes especiais sobre as empresas privadas já que a defesa do país é colocada acima do interesse privado.
Por isso, sempre que o Brasil compra armas, exige a transferência de tecnologia. Os quatro submarinos convencionais e os 50 helicópteros de transporte que a França compra serão armados no Brasil. O mesmo acontecerá com os caça bombardeiros. A Unasul é definida como um mercado prioritário, e o acordo com a França para a compra dos Rafale indica que o Brasil terá a exclusividade em sua comercialização aos países sulamericanos.
Como já foi dito, a autonomia ou a independência de um país se manifestam de modo destacado no terreno intelectual. O documento Estratégia Nacional de Defesa reflete a maturidade e a autonomia do pensamento estratégico do Brasil. Apenas um elemento para demonstrar essa questão. O ponto 16 assinala: "Convém organizar as Forças Armadas ao redor das capacidades, não ao redor de inimigos específicos". Isso marca distâncias com outros projetos de defesa e, desde o ponto de vista intelectual, mostra clara empatia com as filosofias da autonomia.
Rumo a um complexo militar-industrial autônomo
O Brasil aponta para a afabricação em grosso do material bélico que necessita. Já conta com a Embraer, a terceira empresa aeronáutica do mundo, depois da Boeing e da Airbus. Conta também com a Helibras, o principal fabricante de helicópteros de combate da América do Sul, parente da europeia EADS. Atualmente, fabrica tanques de guerra, uma certa gama de barcos de combate, aviões, munições e, daqui em diante, fabricará também caças de quinta geração e submarinos. Nos estaleiros do Rio de Janeiro serão construídos os quatro submarinos convencionais comprados da França.
A tendência é requerer tecnologia de alguns países, sobretudo europeus; porém também do terceiro mundo. Para a construção do submarino nuclear será criada uma empresa franco-brasileira, enquanto que os helicópteros serão armados pela Helibras. Quanto aos caças, os seis primeiros serão entregues pela França; porém, os 30 restantes serão armados pela Embraer, que, desse modo, adquirirá a tecnologia necessária para fabricar aviões de combate de última geração.
O chanceler Celso Amorim foi muito claro nesse sentido: "A aquisição dos Rafale não será uma mera compra, porque serão construídos no Brasil e haverá a possibilidade de que esses aviões sejam vendidos na América Latina"(9). Desse modo, o Brasil, também no aspecto militar, começa a jogar nas ligas maiores. Incorporou-se, por exemplo, ao seleto clube de países que fabricam e operam submarinos nucleares, do qual até agora somente participavam os Estados unidos, a Grã Bretanha, a Rússia, a China e a França, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
O ex-embaixador do Brasil na Colômbia, Júlio César Gomes dos Santos, disse acerca do acordo com a França: "Os países que compram armas são vulneráveis porque dependem do subministro de peças de reposição. Chávez tem aviões F-16 em terra porque os estadunidenses não lhe vendem nem um parafuso. O Brasil tem uma indústria bélica para depender de si mesmo. O Brasil não compra armas. É um acordo de negócios pelo qual os primeiros aviões são comprados; porém, fabrica os seguintes com permissão de vendê-los na região. Há uma enorme diferença"(10).
O especialista em temas militares, Juan Gabriel Tokotlián, estima que "não é o mesmo ser um poder emergente no mundo asiático, como o é a Índia, ou no mundo africano, como a África do Sul, do que sê-lo no Hemisfério considerado como pátio traseiro dos Estados Unidos"(11). Por isso, o Brasil necessita "um gradual distanciamento dos EUA, sem que isso seja feito de maneira agressiva, sem rompimentos".
Pese aos notávies avanços que o Brasil está tendo para construir um complexo militar-industrial autônomo, as distâncias com os Estados Unidos são abismais. Os 15 bilhões de dólares de seu orçamento de defesa contrastam com os 500 bilhões dos Estados Unidos. Em 2006, investiu apenas 0,6% de seus recursos para pesquisa e desenvolvimento na área da defesa, diante dos 56% investidos pelos Estados Unidos, dos 24% da Espanha e dos 23% da França(12)
Potência emergente no quintal
Por ocasião do recente acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos para que o Comando Sul possa utilizar sete bases militares naquele país sulamericano, no Brasil produziu-se um interessante debate do qual participaram militares de alta graduação. O general da reserva Luiz Eduardo Paiva Rocha, professor da Escola de Comando e do Estado Maior do Exército, publicou um longo artigo em Defesanet com um sugestivo título: "A miopia estratégica e a indigência militar são as maiores ameaças à soberania do Brasil"(13).
O general-professor critica a "histeria populista dos líderes bolivarianos" pelas bases na Colômbia e o fato de que nem o Brasil, nem os países vizinhos da Colômbia tenham apresentado uma alternativa. A essência de seu argumento: "As bases colombianas, mesmo sendo usadas pelos Estados Unidos, não seriam um problema se o Brasil dispusesse de poder militar à altura da posição que pretende ocupar no cenário internacional. O que nos ameaça é nossa debilidade, porque ‘dentre outros males, estar desarmado significa ser desprezível’ (Maquiavel)".
Em seguida, agrega que "as forças armadas brasileiras estão totalmente incapacitadas para resistir à intervenção militar de potências". As ameaças provêm dos que pretendem apropriar-se da Amazônia e das ricas jazidas de petróleo marítimas. Ao mesmo tempo, o atual comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, consultado pela Folha de São Paulo sobre a compra de armas da França, respondeu em tom similar. "Os brasileiros precisam ter consciência de que temos riquezas incomensuráveis no mar e a Marinha deve estar preparada para defender nossa soberania sobre elas"(14).
O almirante sustenta que o Brasil deve enfrentar agora que, além de potência econômica é potência petroleira, "muitos riscos". Disse algo mais, que revela o estado de ânimo em relação aos EUA. Quando George W. Bush decidiu reativar a IV Frota para o Atlântico Sul, a decisão "não foi nem política, nem diplomaticamente informada ao Brasil".
Por isso, Lula, que sabe que o Brasil caminha para ser uma grande potência durante o século XXI, está colocando os pilares para que essa potência tenha também a capacidade de defender-se no terreno militar. O Brasil terá a maior frota naval da América Latina, a maior força aérea e o único complexo militar-industrial. É um fato significativo que esses passos estejam sendo dados com a França, que tem mostrado desde muito tempo atrás sua independência política e militar de Washington.
É provável, como sustentam os analistas de estratégia de Dedefensa, que Washington considere a opção tanto do Brasil quanto da França como "uma declaração de guerra"(15). Seria congruente com a visão de mundo das elites desde que se impôs o Consenso de Washington. Darío Azzellini, pesquisador italiano sobre "as novas guerras", a sintetiza de modo notável: "A guerra já não existe para instalar outro modelo econômico: ela própria é o modelo"(16)

Notas
1. Tânia Monteiro, "Carta de Sarkozy selou decisão de Lula", Estado de São Paulo, 10 de setembro de 2009.
2. "Declaração da Embaixada dos EUA sobre a concorrência do FX-2", Brasília 9 de setembro de 2009.
3. Valor, 28 de setiembre de 2009.
4. O Globo, 1 de octubre de 2009.
5. Eliane Cantanhéde en Folha de São Paulo, 2 de octubre de 2009.
6. El documento puede bajarse en varias lenguas de la página web del Ministerio de Defensa.
7. Jornal do Brasil, 6 de setembro de 2009.
8. Las necesidades defensivas se concentran en el Oeste, el Norte y el Atlántico Sur, se señala en la página 13.
9. La Jornada, 7 de setiembre de 2009.
10. "El gigante despierto", Semana, Bogotá, 13 de setiembre de 2009.
11. Idem.
12. Merval Pereira, "A indústria bélica", O Globo, 15 de setembro de 2009.
13. Defesanet, 5 de setiembre de 2009.
14. Eleonora Grosman en Clarín, 7 de setiembre de 2009.
15. "Rafale en Brasil, una declaración de guerra", Dedefensa, 8 de setiembre de 2009.
16. Página 12, 30 de junio de 2008.

sábado, 10 de outubro de 2009

Abaixo-Assinado pela Aprovação da PEC do Trabalho Escravo

O Congresso Nacional tem a oportunidade de promover a Segunda Abolição da Escravidão no Brasil. Para isso, é necessário confiscar a terra dos que utilizam trabalho escravo. A expropriação das terras onde for flagrada mão-de-obra escrava é medida justa e necessária e um dos principais meios para eliminar a impunidade.

A Constituição do Brasil afirma que toda propriedade rural deve cumprir função social. Portanto, não pode ser utilizada como instrumento de opressão ou submissão de qualquer pessoa. Porém, o que se vê pelo país, principalmente nas regiões de fronteira agrícola, são casos de fazendeiros que, em suas terras, reduzem trabalhadores à condição de escravos - crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Desde 1995, mais de 31 mil pessoas foram libertadas dessas condições p elo governo federal.

Privação de liberdade e usurpação da dignidade caracterizam a escravidão contemporânea. O escravagista é aquele que rouba a dignidade e a liberdade de pessoas. Escravidão é violação dos direitos humanos e deve ser tratada como tal. Se um proprietário de terra a utiliza como instrumento de opressão, deve perdê-la, sem direito a indenização.

Por isso, nós, abaixo-assinados, exigimos a aprovação imediata da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária. A proposta passou pelo Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação.

É hora de abolir de vez essa vergonha. Neste ano em que a Lei Áurea faz 120 anos, os senhores congressistas podem tornar-se parte da história, garantindo dignidade ao trabalhador brasileiro.

Pela aprovação imediata da PEC 438/2001!

Participe do abaixo-assinado pela aprovação da PEC 438
Até o momento:
40368 pessoas assinaram a versão em papel
Outras 125223 pessoas assinaram pela internet
Acesse o site: http://www.trabalhoescravo.org.br/abaixo-assinado/

MST esclarece os últimos acontecimentos veiculados pela mídia

Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.

1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.

2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.

A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.

3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.

4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.

5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.

6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.

7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.

8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.

9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.

Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.

10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.

À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.

Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.

São Paulo, 9 de outubro de 2009

DIREÇÃO NACIONAL DO MST

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SkipScreen, agilizando o download no Rapidshare, Zshare, Megaupload ou Mediafire

Segundo o Remixtures, o site de downloads Mediafire está exigindo que a Fundação Mozilla remova a extensão SkipScreen, que acaba com aqueles tortuosos segundos de espera entre um download e o outro se você não for um associado premium. Eu confesso, que embora seja um usuário do Gnu/Linux, e por conseguinte, também do Firefox, não conhecia esta extensão. É sem dúvida uma grande contradição, um site que disponibiliza downloads muitas vezes questionados pela Riaa e outras organizações contrárias à cultura livre vir à público fazer este tipo de exigência. Aliás, como disse Marcos Caetano, o editor do site português "este caso só irá servir para o promover ainda mais" o programa.
Mais detalhes no link: Remixtures

Origens da Primeira-Dama contêm um Complexo Caminho Desde a Escravidão

Tradução: Deborah Weinberg

Fonte: NewYorkTimes
07/10 - 21:55 - The New York Times

Fraser Robinson III e sua esposa, Marian, com seus filhos, Craig and Michelle, agora primeira dama



WASHINGTON – Em 1850, o senhor mais antigo de uma propriedade da Carolina do Sul pegou uma caneta e dividiu cuidadosamente suas posses. Entre máquinas de tecer, foice, toalhas de mesa e o gado que ele legou aos seus herdeiros longínquos, havia uma escrava de seis anos avaliada logo depois em US$ 475.

NYT

Casa de Dolphus Shield em Birmingham
Em seu testamento, ela é descrita simplesmente como “Melvinia, a garota negra”. Após a morte do homem, ela foi levada para longe das pessoas e lugares que conhecia e despachada para a Georgia. Enquanto ela ainda era apenas uma adolescente, um homem branco a teria engravidado de seu primeiro filho sob circunstâncias perdidas ao longo da história.
Nos anos da escravidão norte-americana, essa dolorosa história seria completamente normal, a não ser por uma razão: essa união, consumada cerca de dois anos antes da Guerra Civil, marcou as origens de uma árvore genealógica que se estenderia da Geórgia rural a Birmingham, no Alabama, até Chicago e, finalmente, à Casa Branca.
Melvinia Shields, uma jovem garota analfabeta e escravizada, e o desconhecido homem branco que a engravidou são ta-ta-ta-taravós de Michelle Obama, a primeira-dama.
Visto por muitos como um símbolo poderoso do avanço dos negros, Michelle cresceu apenas com uma vaga noção de sua ancestralidade, disseram seus assessores e parentes. Durante a campanha presidencial, a família descobriu sobre o tataravô paterno, um ex-escravo da Carolina do Sul, mas o resto de suas raízes permaneceu um mistério.



A história recém descoberta dos ancestrais maternos da primeira-dama – a mãe escrava, o pai branco e o filho mestiço, Dolphus T. Shields – pela primeira vez conecta realmente a primeira primeira-dama afro-descendente à história de escravidão, traçando a jornada de cinco gerações da servidão ao assento da primeira fileira até a presidência. As descobertas – feitas por Megan Smolenyak, especialista em genealogia, e o “The New York Times” – fundamenta o que Michelle Obama chama de velhos rumores de família sobre um antepassado branco.
Ao mesmo tempo em que a origem multirracial de Barack Obama atraiu uma atenção considerável, a ascendência de sua mulher, que inclui nativos americanos, ressalta a complicada história do entrelaçamento racial, algumas vezes nascido da violência e da coerção, que permanece nas linhagens de muitos afro-descendentes. Michelle Obama e sua família se recusaram a comentar esse artigo, disseram assessores, em parte devido à natureza particular do assunto.



A Paper Trail to the White HouseA Paper Trail to the White House
The Family Tree of Michelle Obama, the First LadyA árvore da família de Michelle Obama



“Ela é um exemplo de como somos evoluídos e quem somos”, disse Edward Ball, historiador que descobriu ter tido parentes negros – descendentes de seus ancestrais donos de escravos – ao pesquisar sua biografia, “Slaves in the Family” (Escravos na Família, em tradução livre).

NYT

Túmulo de Henry Shields, proprietário de escravos ancestrais de Michelle Obama
“Não somos tribos separadas de latinos e brancos e negros nos EUA”, disse Ball. “Estamos todos misturados e temos nos misturado por gerações”.



Os esboços da história da família da primeira-dama desdobrada desde o século 19 legitimam os registros, certidões de casamento envelhecidas, fotografias antigas e lembranças do mais antigo membro conhecido pela família. “Das dúzias de parentes identificados por ela, disseram Smolenyak, a pequena escrava foi a que pareceu chamar mais atenção”.
“De todos nas raízes de Michelle, é Melvinia quem está gritando para ser encontrada”, disse ela.
Quando seu dono, David Patterson, morreu em 1852, Melvinia logo se viu em uma fazenda de 200 acres com nossos senhores, a filha de Patterson e o cunhado, Christianne e Henry Shields. Era um mundo desconhecido e sem familiaridade.



Na Carolina do Sul, ela viveu em uma propriedade com 21 escravos. Na Geórgia, ela era uma de três escravos na propriedade que hoje é parte de uma agradável subdivisão da cidade Rex, próximo a Atlanta.
Trabalhando tanto na casa quanto no campo, não faltava serviço para Melvinia: trigo, milho, batata-doce e algodão para plantar e colher; e três cavalos, cinco vacas, 17 porcos e 20 ovelhas para tomar conta, de acordo com os dados agrícolas de 1860.
É difícil dizer quem teria engravidado Melvinia, que deu a luz a Dolphus por volta de 1859, quando ainda talvez tivesse apenas 15 anos. Naquele tempo, Henry Shields tinha quase 50 anos e tinha quatro filhos com idades entre 19 e 24, mas outros homens também poderiam ter tido acesso à fazenda.
NYT

Foto de Dolphus Shield
“Ninguém mais deve ficar surpreso ao ouvir sobre o número de estupros e a quantidade de exploração sexual que ocorreu durante a escravidão, era uma experiência cotidiana”, disse Jason A. Gillmer, professor de direito da Texas Wesleyan University, que pesquisa vínculos entre escravos e seus donos. “Mas com certeza descobrimos que algumas dessas relações podem ser bem complexas”.



Em 1870, três das quatro crianças de Melvinia, incluindo Dolphus, foram listadas no censo como mulatos. Uma delas nasceu quatro anos após a emancipação, o que sugere que a relação que gerou seus filhos ocorreu durante a escravidão. Ela deu a suas crianças o nome dos Shield, o que pode indicar a paternidade deles ou simplesmente que era um costume para os escravos utilizar os sobrenomes de seus senhores.
Mesmo depois de libertada, Melvinia ficou no local, servindo como trabalhadora agrícola em uma terra próxima a de Charles Shields, um dos filhos de Henry.
Mas com uns 30 ou 40 anos, os registros do censo mostram que Melvinia partiu e procurou se reunir com os ex-escravos de sua infância na propriedade de Patterson: Mariah e Bolus Easley, que foram morar com Melvinia em Bartow County, próximo à fronteira com o Alabama. Dolphus se casou com uma das filhas de Easley, Alice, que é tataravó de Michelle Obama.
Uma comunidade “que foi despedaçada de alguma forma conseguiu se unir novamente”, disse Smolenyak sobre o grupo de Bartow County.
Melvinia parece ter vivido com um legado pouco explicado de sua infância na escravidão. Sua certidão de óbito, assinado por um parente, diz que “não sabe” no espaço onde estariam os nomes de seus pais, sugerindo que talvez ela nunca os tenha conhecido.



Algum tempo antes de 1888, Dolphus e Alice Shields continuaram a migração, indo para Birmingham, um centro urbano com estradas, minas de aço e ferro e fábricas que atraíam ex-escravos e seus filhos de todo o sul.

Dolphus Shields tinha 30 e poucos anos e uma pele bem clara – alguns dizem que ele parecia um homem branco – um carpinteiro religioso que sabia ler, escrever e ter futuro em uma cidade industrializada. Por volta de 1900, ele já tinha sua própria casa, segundo os registros do censo. Em 1911, ele abriu seu próprio negócio de carpintaria e ferramentas de afiar.
Um cofundador da Igreja Batista Trinity, que mais tarde se tornou ativa no movimento dos direitos civis, ele supervisionava escolas que funcionavam no domingo, em Trinity, na Igreja Batista First Ebenezer, que existe até hoje, e na Igreja Batista Regular Missionary.
“Ele era o decano dos diáconos de Birmingham”, disse Helen Heath, 88, que ia à mesma igreja que ele. “Era um homem sério, um homem de negócios”.

NYT

Barack e Michelle Obama dançam em cerimônia da posse presidencial
Ele levou sua família para a classe trabalhadora, mudando-se para uma vizinhança segregada de negros esforçados que eram donos de casas e locatários. Em sua casa, não podia fumar, falar palavrão, mascar chiclete, usar batom ou calças, para as mulheres, e não se podia ouvir blues no rádio, que era usado apenas para hinos, lembrou Bobbie Holt, 73, que foi criada por Shields e sua quarta mulher, Lucy. Ela disse que a família ia à igreja “aparentemente, todas as noites da semana”.
Dolphus Shields acreditava que as relações entre raças melhorariam. “Irá melhorar algum dia”, dizia ele frequentemente, lembrou Holt.
Na época em que ele morreu em 1950, aos 91 anos, a mudança estava a caminho.
Em 9 de junho de 1950, dia em que seu obituário apareceu na primeira página do “The Birmingham World, o jornal de negros também tinha uma manchete que dizia: “A Corte proíbe a segregação em vagões-restaurante e no Ensino Superior”. A Corte Suprema havia determinado acomodações separadas, porém iguais nos vagões de trem e nas universidades no Texas e em Oklahoma.
Mais ao norte, seu neto, o pintor chamado Purnell Shields, avô de Michelle Obama, posicionava sua família para buscar oportunidades mais amplas em Chicago.
Mas como seus descendentes se mudaram para longe, eles perderam contato com o passado. Atualmente, Dolphus Shields está enterrado em um cemitério para negros negligenciado, onde ramos de mato crescem até a altura dos joelhos e muitos túmulos foram derrubados.
Holt, uma assistente de enfermagem aposentada, disse que ele apareceu em seus sonhos no mês passado. Ela procurou sua fotografia, sem nunca imaginar que ela logo descobriria que Dolphus Shields era ta-tataravô da primeira-dama.
“Meu Deus”, disse Holt, ofegando ao receber a notícia. “Eu sempre o admirei, mas nunca imaginei que algo assim aconteceria. Graças a Deus, fizemos uma longa jornada”.

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