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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Colégio Estadual Lélia Gonzales, até quando?


Trabalho no Colégio Estadual Lélia Gonzales desde 2000. Quando fui convidado a atuar profissionalmente no CELG, como é carinhosamente chamado pelos alunos, fiquei feliz, sobretudo por sua patrona ser a grande militante do movimento negro Lélia Gonzales a quem conheci, e de quem fui aluno e admirador por sua capacidade intelectual e coragem na luta contra o racismo e machismo.

Antes de funcionar como Unidade Estadual de Ensino este prédio já servia, e serve ainda hoje, de abrigo ao Colégio Cardeal Leme, uma instituição particular. Em 1998, a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro, alugou-o em caráter provisório, com a promessa de se resolver esta situação esdrúxula o mais rapidamente possível, isto é, a compra do imóvel, ou a transferência para um edifício de propriedade do Estado. Assim, nós, a comunidade escolar, diretores, professores, funcionários e alunos, acreditando nas promessas do então governador Garotinho iniciamos nossas atividades.

Nestes 10 anos de nossa história funcionamos de forma precária, mas muito profissional e graças ao próprio esforço, apenas no horário vespertino e noturno, sofrendo com os humores da proprietária do já referido colégio, que dependendo de sua disposição nos possibilita, ou impossibilita o uso de suas instalações. Não podemos dizer, entretanto, que a mesma não esteja com razão, uma vez que, a utilização de algumas áreas não consta do contrato de aluguel. Naturalmente nosso trabalho pedagógico se empobrece nestas circunstâncias, pois, necessitamos, para melhor trabalharmos que tenhamos livre acesso a todas as instalações e do funcionamento da escola em seu horário integral.

Para agravar ainda mais esta situação, vieram as chuvas de abril, já eternizadas por Tom Jobim, nos versos de "Águas de Março", que não só tornaram desabrigados os moradores do Morro do Bumba, mas também destruíram o muro de nossa escola, como mostra a foto acima. O pior de tudo isto, é que talvez como alguns moradores da frágil comunidade de Niterói, que sofrem ao desabrigo ainda hoje, nós, comunidade escolar do CELG ainda não tivemos o prazer de ver consertado o nosso muro - ou será do Cardeal Leme - de vez em quanto me sinto confuso, confesso.
Procuro uma explicação e só encontro esta. Isto pode estar acontecendo por causa das eleições afinal a muitas coisas para o nosso governador pensar e executar.

Por outro lado, em toda conjuntura adversa encontramos fatores positivos, e um deles foi perceber que até ocorrer a derrubada do muro entrávamos pela garagem, para muitos a porta dos fundos da escola, e agora finalmente estamos adentrando o recinto escolar pela porta da frente. Olha que estranho, pois é, o destino nos prega peças. Este simples e importante fato mostra a precariedade e instabilidade a que fomos levados. E em um blog como o PELENEGRA devemos perguntar. Será que isto ocorre por ter o colégio como patrona, uma mulher negra? Quero crer que não, contudo não posso me imiscuir de questionar.

Finalmente, concordamos que as políticas de segurança pública - UPP e coisas e tal - são fundamentais. No entanto, se não vierem acompanhadas de políticas sociais elas não se sustentarão, e por isso, questionamos a seriedade de um político que não reconhece este fato.
Não basta infestarmos as comunidades de policiais, isto já foi feito. Aliás, é o que sempre é feito. Só que agora eles estão ficando por mais tempo.

Neste sentido, políticas sociais como a educação cumprem um papel por demais relevante. Para tanto necessitamos de compromisso efetivo com a educação. Não basta aparecer no sindicato dos professores em período eleitoral e apresentar uma carta cheia de boas intenções, que não serão cumpridas. Em uma encenação desmerecedora das tradições políticas brasileiras. Esperamos muito mais, e porque não dizer para voltarmos ao tema inicial, de uma escola, um prédio, que nos tire da provisoriedade, e que demonstre que o governo estadual na área da educação pública deseja de fato sair da improvisação. Afinal, educação é coisa séria, e estamos conversados.



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