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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Documentário mostra realidade de migrantes centro-americanos indocumentados

Natasha Pitts *

Originalmente postado no Adital

"Os Invisíveis". Sob este título, Marc Silver e Gael García Bernal dirigiram quatro curtas-metragens sobre a situação enfrentada pelos migrantes indocumentados, em sua maioria centro-americanos que, no caminho para outros países, passam pelo México. O documentário terá sua estréia na próxima segunda-feira (8), na Casa Francia, na Cidade do México, e após isto será apresentado, com o apoio da Anistia Internacional, em diversas cidades mexicanas durante a turnê "Migrantes em Movimento: Não mais vítimas invisíveis".

Para conseguir realizar esta ação, a AI está buscando o apoio de voluntários que se interessem em ajudar a organizar os eventos em que se mostrará o documentário e abrirá espaço para debates, conferências e exposições artísticas sobre a temática da migração. Os interessados podem acessar o link http://amnistia.org.mx/gira/, cadastrar sua participação e se comprometer em organizar algum evento.

As principais cidades onde a Anistia está necessitando do apoio de voluntários são: Tapachula, Ciudad Ixtepec, Tuxtla Gutiérrez, San Cristóbal de las Casa, Oaxaca, Villahermosa e Córdoba. Para saber por onde a turnê passará até o dia 18 de dezembro, acesse: http://amnistia.org.mx/gira/programa-pra-voluntarios.jpg.

Em quatro curtas-metragens Marc Silver e Gael García Bernal mostram como vivem, o que sentem e quais situações enfrentam os migrantes que tentam chegar a outras nações, em especial aos estados Unidos, e para isso precisam atravessar o México.

Histórias de abuso sexual, roubo, ameaças e humilhações por parte de quadrilhas e funcionários públicos são comuns entre homens, mulheres, crianças e adolescentes, migrantes sem documentos que acreditam em uma vida melhor longe de sua terra natal.

Uma das mais perigosas do mundo

O México, por fazer fronteira com os Estados Unidos, se tornou um importante caminho, uma ponte que deve ser atravessada rumo a uma suposta vida melhor. Infelizmente, não foram apenas os migrante que se atentaram para isto e foi assim, segundo relata a AI em relatório, que "esta viagem se tornou uma das mais perigosas do mundo". Apesar disto, em 2009, mais de 64 mil estrangeiros foram detidos pelo Instituto Nacional de Migração e destes mais de 60 mil eram de El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

O que é difícil de imaginar é que "um de cada 12 migrantes é menor de 18 anos, e ainda que a maioria seja adolescente, alguns não completaram sequer os 10 anos".

Grupos criminosos que atuam na fronteira são responsáveis por extorsões, mortes, discriminação e violência sexual. AI calcula que de cada dez mulheres e meninas migrantes seis sofrem violência sexual. Em depoimentos, vítimas relataram que alguns traficantes de pessoas exigem que seja dado nas mulheres uma injeção de anticoncepcional antes da viagem para evitar a gravidez em virtude dos abusos.

Ao contrário do que se divulga no México, os inúmeros abusos não são cometidos apenas por quadrilhas que atuam na fronteira. Muitos casos denunciados de abusos contra migrantes apontam funcionários públicos e particulares como autores. A impunidade é o principal fator estimulador dos crimes, que geralmente não chegam ao conhecimento das autoridades responsáveis.

Ciente disto, a Anistia desenvolveu uma série de recomendações para que o Governo mexicano melhore a proteção e o acesso à justiça para os migrantes. A organização também pede pulso forte para punir os funcionários criminosos e coerência nas ações governamentais, já que muitos cidadãos e cidadãs mexicanos também sofrem abusos e discriminações quando em outras nações.


* Jornalista da Adital
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