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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tortura à mãe de santo na Bahia - Mídia baiana começa a destacar o caso

Fonte: Afropress

Salvador - Passados 15 dias da tortura à líder religiosa Bernadete Souza Ferreira dos Santos, 42 anos, por policiais militares da PM baiana, que depois de algemá-la, arrastá-la pelos cabelos, a lançaram em um formigueiro, os jornais da Bahia começaram a tratar do caso que está alarmando e provocando a revolta de entidades do movimento negro e comunidades de terreiros.

Neste sábado (06/11), o Correio da Bahia, um dos jornais mais importantes de Salvador, abriu a manchete “Mãe de Santo acusa policiais militares de tortura em Ilhéus”, com entrevista da Yalorixá em que ela relata os momentos de terror que passou, torturada e sob a mira de metralhadoras apontadas para sua cabeça.

A denúncia ao Correio foi levada pela advogada Adalyce Gonçalves que, já agindo como advogada da líder religiosa, em conjunto com o advogado, Dojival Vieira, fez a mediação entre Bernadete e a redação do Jornal. Anteriormente, a Afropress já havia feito matérias sobre o caso. Veja abaixo:

http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?ID=2399
http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?ID=2403
http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?ID=2400
http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?ID=2400

Repercussão na mídia

Na reportagem, assinada pelos repórteres Alexandre Lyrio e Jorge Gauthier, Bernadete contou que o Assentamento, localizado no distrito de Banco do Pedro, vivia um dia tranquilo quando, por volta das 14h30, ela e o marido, o agricultor e professor de filosofia Moacir Pinho de Jesus, assistiam televisão quando perceberam a presença de oito PMs, que chegaram fortemente armados, com um jovem algemado.

“Eles disseram que estavam numa investigação e que não poderiam dar explicações. A gente colocou para eles que o assentamento estava sob jurisdição do Incra e que, para entrar ali, tinha que ter ordem judicial”, acrescentou.

Os policiais continuaram sua incursão, invadiram a sede da Associação de Moradores, vasculhando tudo o que encontravam pela frente. Foi então que a líder religiosa foi mais incisiva. “É melhor vocês se retirarem. Isso aqui é uma área privada, um assentamento. Vocês podem entrar nas casas de quem não conhece as leis. Mas aqui nós não somos abestalhados”, afirmou.

Foi o bastante para que o PM que comandava a patrulha, identificado como Adjailson, lhe desse voz de prisão por desacato e começasse a sessão de torturas que – após o lançamento no formigueiro – terminou com ela jogada num camburão e depois numa cela masculina, de onde só saiu horas depois, por intervenção de lideranças do movimento negro.

Bernadete, que passou por exame de corpo de delito ainda exibe nas pernas as marcas das formigas.

Na reportagem, a Secretária da SEPPROMI, Luiza Barrios, diz que governador Jacques Wagner, do PT, ao tomar conhecimento do caso teria ficado "absolutamente indignado".

Veja, na íntegra, as matérias do Correio da Bahia

CORREIO | O QUE A BAHIA QUER SABER: Mãe de santo acusa policiais militares de tortura em Ilhéus

CORREIO | O QUE A BAHIA QUER SABER: Ilhéus: tortura à ialorixá é condenada


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