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domingo, 5 de dezembro de 2010

Após avaliar audiência pública de Ilhéus, movimento negro conclui que governador Wagner compactua de ação militar em assentamento

De Luciane Reis

Após reunião movimento de combate a intolerância que acompanha o caso de Ya Bernadete, entende que mesmo depois da Câmara de Vereadores de Ilhéus debater a violência promovida por policias militares contra a yalorixá Bernadete residente no assentamento Dom Helder Câmara no Distrito de Banco do Pedro, local onde a religiosa sofreu tortura, sendo arrastada pelos cabelos e jogada em um formigueiro por sete policiais militares nada de fato aconteceu. A audiência contou com a presença de diversas lideranças religiosas, além de organizações negras como: Conen, CEN, CUT, MNU, Forum Nacional de Juventude Negra e de órgãos públicos como Ministério Público, Incra, Secretaria de Direitos Humanos, além do Comando local da Polícia Militar que demonstrava total indiferença com a situação ocorrida e com a atividade .

O deputado estadual Bira Coroa (PT) em sua fala de abertura da sessão registrou seu repúdio com o ocorrido. “É inadmissível uma ação desta na Bahia, a Meca Negra", disse o deputado. Mesmo com a ausência do governador, Coroa informou que este vem tomando providências referentes à violência e deseja que o caso seja solucionado o mais rápido possível. A audiência começou com os relatos de Mãe Bernadete sobre a ação do Estado no assentamento. Segundo a sacerdotisa do Candomblé, os direitos do cidadão devem ser cumprido sobre qualquer situação e quando ele falha os dirigentes máximos precisam fazer valer os mesmos. Em seguida os representantes das organizações presentes fizeram reflexões de solidariedade e indignação com o ocorrido, destacando a necessidade de apuração e punição dos culpados . Para Martiniano Costa, presidente da CUT-Bahia, nos últimos tempos o Estado tem assistido a policiais matarem em vias públicas, sem que providências sejam tomadas. "Chegou, então, o momento do Comando fazer uma reflexão profunda sobre a forma de ação e que esta sessão sirva de base para que providencias sejam tomadas", ressaltou.


Para o representante da campanha Reaja ou será morto ,Reaja ou será Morta Hamilton Borges, irmão de santo da vitima, o ato ocorrido em Ilhéus não é diferente de casos ocorridos com mães de santo do passado.Para Borges, a lei em Ilhéus é uma ficção, uma vez, que até o momento nada foi resolvido e a Yalorixá é a única no caso que responde a processo, logo é preciso que o governo da Bahia debata sériamente sobre a segurança pública no estado"Todos estes problemas vem sendo relatados desde as gestões passadas, a diferença é que nesta gestão se conta corpos como nunca se contou antes ,exigimos o afastamento do Corregedor Souza Neto e que as autoridades ignorem seu relatório " . disse Borges

Segundo as organizações, o governador recebeu a comitiva após muita pressão por parte de sua assessoria para que fosse reduzido o número da comitiva ou que a mesma não ocorresse, prometeu soluções e punição aos culpados mas até o momento nada foi feito. Para as organizações presentes “Ninguém esta livre de uma bala perdida, de uma policia irresponsável como a do Estado da Bahia e o governador ao não se pronunciar mostra que compactua destas ações “.Estamos esperando por uma resposta do governador conclui as entidades.

Demonstrando bastante indignação o coordenador operativo da Conen, Gilberto Leal informa que irão até o fim na busca por justiça nem que para isto seja preciso acionar organismos internacionais no intuito de aprofundar e garantir o sucesso da causa tenho duvidas se o fato no assentamento é uma ação impensada. A policia militar é o reflexo do comando do Governo do Estado completa Leal

Para coordenadora do Cen Lindinalva de Paula, as posturas não mudam pode ter o governo que for, a ação de Ilhéus mostra que esta forma de policia não interessa, o caso de Ya Bernadete é o estopim de tudo que já foi suportado pela população negra neste estado. Segundo a mesma sempre que a população denuncia ou cobra respostas sobre as atuações equivocadas da policia militar , o alto comando diz que os desmandos são culpa de uma minoria .Para a mesma é interessante a forma como uma minoria consegue controlar uma maioria consciente e no comando que existe na policia. “Quero saber por quanto tempo a maioria vai se esconder atrás da minoria, por quanto tempo ainda vamos esperar pelo silencio da maioria que diz que estes fatos são isolados.” Diz de Paula. Indignada por até o momento nada ter sido feito e o comando presente dizer que nada tem a declarar.

As organizações presentes ao final de suas falas entende que a saída do secretário César Nunes é primordial e o governador ao permitir sua continuidade compactua do que está ocorrendo. Queremos que o governador nos dê respostas e saia de trás das minorias gritam em coro na Sessão.Diante de tanta indignação Sânzio Peixoto da Secretaria de Direitos Humanos da Justiça da Bahia , diz que o governador está tomando providencias e que este não deixará o caso sem solução. A audiênciae em Ilhéus encerrou com os presentes constatando que até o momento nada do que foi acordado pelo chefe maior do estado foi cumprido e que entraram em contato com o mesmo no intuito de cobrar solução e a reunião de avaliaçao entende que providencias precisam ser tomadas antes que o ano chegue ao fim, em respeito aos diversos templos religiosos de matriz Africana invadidos no Brasil.

Luciane Reis - Publicitária, Yaó do Ilé Axé Oxumare


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