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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Educação pública e privada - os mecanismos de poder de uma sobre a outra

 Esta postagem é um comentário acerca da postagem:a-diferenca-das-escolas-publicas-e-privadas, traz algumas reflexões mnha sobre o tema.

Por Sergio José Dias

Qualquer discussão sobre educação no Brasil deve levar em consideração a aliança estratégica entre o clero e os empresários de educação laica na LDB de 1961. Esta junção de interesses que persiste até os dias de hoje permitiu a estes senhores o acesso às verbas governamentais em condições de igualdade com a escola pública, a participação direta nos Conselhos Estaduais e Federal de Educação, e com isso, na definição das políticas públicas de educação. Só para termos uma ideia do crescimento do capital privado educacional, hoje, 75% das vagas para estudantes do ensino superior se encontram nas universidades particulares, e embora, não tenha dados para afirmar, acredito que algo semelhante aconteça  na educação básica. Por conseguinte, a lógica do sistema educacional brasileiro não é dada mais pelo setor público, isto é, pelo Estado, mas sim por nossa burguesia educacional. 

Neste sentido, falar em salário digno para os professores se torna algo quase utópico. Isto porque os mesmos professores que atuam no setor público, estão também no privado, e a este não interessa esta melhora, pois isto pressionaria os seus custos. É sabido que qualquer mudança para melhor na educação tem como pressuposto tornar interessante economicamente a profissão, já que a partir daí, os professores teriam mais tempo para estudar, dedicariam-se exclusivamente a uma só escola, conceberiam de forma mais cuidadosa as suas aulas, sem falar que se atrairia para profissão quadros mais capacitados, e ainda, tornariam-se exemplos para seus alunos. 

Não devemos esquecer que em uma realidade tão apartada quanto a nossa, onde os filhos da classe média e da elite dominante estudam em escolas particulares, e até fora do Brasil, e os filhos dos trabalhadores estudam na escola pública, pagar bem ao professor da mesma se torna essencial, uma vez que, em muitos casos, este profissional talvez seja o único modelo de superação através da educação, próximo destes.
Em dias em que tanto se fala sobre violência. E reconhecemos esta violência como infanto-juvenil. Temos de admitir a falência de nossas instituições educacionais. Elas não têm conseguido conceber uma sociedade solidária e fraterna. Os nossos jovens pagam um preço muito alto por isso. Nos jornais de ontem, uma manchete referenda o nosso comentário:

Estudo mostra mais de 33 mil assassinatos de adolescentes até 2012

Até quando conviveremos com este quadro dantesco? Em um momento que a nossa burguesia precisa tanto de braços, seria bom ela tratar melhor seus trabalhadores, e não,  assistir passivamente o seu extermínio, como ela acostumou-se a fazer, transformando os mortos em óleo velho e inútil para o capital, em tempos de globalização perversa. Esta estatística não é nova. O alto número de jovens mortos por armas de fogo se tornou comum no Brasil, desde a década de 1980. A novidade está na precisão do capitalismo brasileiro de mudar esta situação, mas para isso nossa estrutura educacional tem sofrer uma grande transformação.

Saudemos a escola pública, de tempo integral, gratuita e de qualidade. Sem ela naufragaremos, bem próximos de alcançar a terra.

Depoimento de um professor


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