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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ativistas da Educafro ocuparão loja em ato de protesto

Por: Redação - Fonte: Afropress - 28/4/2011  
S. Paulo - Rompendo a passividade e a inércia que tem caracterizado a postura do movimento negro oficial diante dos casos seguidos de violência a negros, vítimas de seguranças de grandes empresas de supermercados e shoppings, ativistas da Rede Educafro prometem ocupar uma das três Lojas Americanas, no centro de S. Paulo, para marcar o 1º de Maio – Dia do Trabalho.

Segundo o diretor executivo da entidade, Frei David Raimundo dos Santos (foto), o ato de ocupação e os protestos servirão para repudiar o mais recente espancamento de um trabalhador negro, Márcio Antonio de Souza, numa loja das Americanas, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Márcio, acusado do furto de ovos de Páscoa pelos quais garante ter pago, conforme Nota fiscal exibida pela família, foi torturado por um homem identificado como Décio Garcia de Souza, funcionário da empresa S & V Segurança.

Barbaramente espancado, o vigilante teve o nariz fraturado em três partes e o seu olho esquerdo se mantém fechado, com suspeita de comprometimento da retina. Nesta sexta-feira,(29/04), ele passará por nova avaliação médica para saber se já pode enfrentar a cirurgia para correção das lesões.

Indignação

“Não é possível mais tolerar esses abusos”, disse o Frei David, acrescentando que outros protestos deverão acontecer, também em shoppings e supermercados de S. Paulo, como o Walmart e o Extra, onde recentemente ocorreram episódios envolvendo violências a negros, tratados por suspeitos de furto de mercadorias pelas quais já haviam pago.

No Walmart da Avenida dos Autonomistas em Osasco, a dona de casa Clécia Maria da Silva, 56 anos, ao ser tomada por ladra de produtos pelos quais havia pago, sofreu uma crise hipertensiva e teve que ser removida para o Hospital Montreal onde permaneceu hospitalizada por mais de 4 horas.

No Extra da Marginal do Tietê, na Penha, seguranças abordaram e levaram para uma sala reservada três garotos – um dos quais, um menor de 10 anos – e os mantiveram, sob a ameaças e xingamentos racistas, para que confessassem o furto de mercadorias. Os dois casos estão sendo investigados, respectivamente pelo 9º DP de Osasco e pelo 10º DP da Penha.

Protesto

No protesto nas Lojas Americanas, segundo o Frei, será exigido que a empresa indenize a família e adote ações afirmativas visando capacitar seus funcionários e os seguranças contratados para prestar serviços nas suas lojas, para lidar com clientes negros.

Também será pedido o acompanhamento da investigação por parte de representantes do Ministério Público Estadual e Federal. “É necessário que os agressores sejam indiciados, julgados e condenados com base na Lei. Os Governantes brasileiros continuam não combatendo todas as formas estruturais de discriminações. Exigimos políticas públicas urgente”, acrescentou Frei David.

O Frei lembrou o caso ocorrido com o também vigilante Januário Alves de Santana, numa loja do Carrefour de Osasco. “Indignados por estes contínuos atos de racismo a Educafro convoca todos os seus guerreiros/as para que juntos mostremos nosso descontentamento diante da continua exclusão do povo negro”, concluiu.

Concentração

A concentração dos ativistas para o protesto está marcada para as 10h, na sede da Educafro, à Rua Riachuelo, 342, centro. O nome da loja que será ocupada está sendo mantido em sigilo, porém, é certo que será uma das três existentes no centro de S. Paulo.

Depois do protesto, os manifestantes seguirão para as celebrações do Dia do Trabalho, organizado pela CUT no Vale do Anhangabaú, que este ano tem como tema “Brasil-África: fortalecendo a luta dos trabalhadores”.

O ato terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será homenageado, e falará por meio de uma teleconferência com o ex-presidente, Nelson Mandela, direto da África do Sul.
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