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domingo, 17 de abril de 2011

Entidades negras silenciam sobre queima de bandeira

Palavras do Pelenegra: É por isso, que alguns críticos dizem que os movimentos negros expressam somente os interesses de uma classe média negra, e não da totalidade de sua população. Neste fato seja pelo aspecto moral, o fato de Paulo Sérgio ter bebido, ou não, seja pelo genocídio atingir os setores mais pobres da população negra, as organizações negras ficam devendo por não se manifestarem.



Por: Redação - Fonte: Afropress: Foto - Mary Leal - 16/4/2011  
Brasília - Três dias após o ato, nenhuma entidade do Movimento Negro nem qualquer liderança se solidarizou até agora com o protesto solitário de Paulo Sérgio Ferreira (foto), de 38 anos, que, na última quarta-feira (13/04) escalou o mastro de 120 metros para queimar a bandeira do Brasil que fica na Praça dos Três Poderes, em protesto contra o racismo e a matança de negros no país.

Ele ficou preso no Presídio da Papuda, em Brasília, por determinação da Superintendência da Polícia Federal, mas foi solto 24 horas depois, na quinta, graças as intervenção da Defensoria Pública da União.

Um dia após ser libertado, porém, Ferreira voltou nesta sexta-feira (15/04), a Praça dos Três Poderes, desta vez enrolado numa bandeira brasileira e tentou silenciosamente chamar a atenção dos deputados, senadores e da Presidência da República para a discriminação contra os negros.

Agentes da PF teriam chegado a conclusão de que o homem sofreria das faculdades mentais, conclusão que, segundo Afropress apurou, coincide com a das lideranças das entidades e articulações do movimento negro, daí o silêncio em torno do caso.

A própria PF, porém, se encarregou de pedir sua prisão preventiva e foi responsável pela condução à carceragem da Papuda, onde deveria ficar por cinco dias à disposição da Justiça, procedimento que não é compatível com alguém com diagnóstico de alguém com problemas mentais.

Segundo o Mapa da Violência 2011, divulgado pelo Ministério da Justiça, em fevereiro passado, de cada 3 homicídios praticados no Brasil, dois atingem jovens negros. Também o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), afirma que um jovem negro tem 3,7 vezes mais chances de ser morto antes de completar 18 anos que um jovem branco.

Perseguição

Ferreira se diz perseguido por ser negro e que é inocente de uma acusação de assassinato de uma família no Estado de S. Paulo. “Nós vivemos uma falsa democracia onde o povo não tem direito de falar o que pensa e não pode manifestar-se contra as coisas impostas pelo poder público. Procurei ajuda no Ministério Público Federal, na Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional, fui até a Polícia Federal e ninguém resolve o meu problema”, desabafou.

Ele responderá por porte de produtos inflamáveis e crime de dano ao patrimônio da União e deverá comparecer em oito dias para prestar depoimento à Polícia Federal. Ele também não pode sair do Distrito Federal até que preste depoimento. Se condenado, pode pegar de três meses a seis anos de prisão.

Ferreira é de S. Paulo e disse que há um ano mora no Riacho Fundo, na periferia de Brasília, e trabalha numa cooperativa de reciclagem. Antes disso contou que viajava de bicicleta pela América Latina, nos últimos anos, e conta teer começado a ser perseguido, chegando a ser preso por um dia na Embaixada do Brasil na Colômbia.

Prisão e liberdade

O autor do protesto, que foi noticiado pelos principais meios de comunicação no Brasil disse que a motivação para queimar a bandeira foi chamar “atenção para a situação dos negros no país”.

Ele foi solto da Polícia Federal graças a intervenção da Defensoria Pública da União. Para o defensor Lúcio Guedes, que pediu o relaxamento da prisão preventiva que havia sido pedida pela Superintendência da Polícia Federal, não havia razão para que continuasse preso. “O réu não oferecia riscos à ordem pública, nem demonstrava intenção de perturbar a busca da verdade real, muito menos estava perturbando a instrução criminal, afugentando ou ameaçando testemunhas”, afirmou Guedes.

O Ouvidor da SEPPIR, Carlos Alberto de Souza Silva e Júnior, disse ter acompanhado as gestões feitas para libertação de Ferreira. “Quando há a possibilidade da negação dos direitos do cidadão em função da questão racial, a SEPPIR tem que monitorar a sequência dos fatos e adotar medidas que se façam necessárias a cada caso“, declarou.

Pelo destaque na página da SEPPIR, a ação do Ouvidor sugere ter sido recomendada pela própria ministra chefe Luiza Bairros. Na página, a notícia estampada tem o título. "SEPPIR acompanha soltura de Paulo Sérgio Ferreira - preso ao protestar contra racismo no Brasil".
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