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terça-feira, 24 de maio de 2011

Walmart promete a Frei David diálogo com vítima negra

Fonte: Afropress  

S. Paulo - Uma reunião realizada na semana passada entre o diretor executivo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos, e diretores e gerentes da Walmart, pode abrir as portas para que a empresa comece a rever a forma como seus seguranças tratam clientes negros. O caso que motivou a discussão foi o episódio com a dona de casa Clécia Maria da Silva, 56 anos, tomada por ladra por um segurança, exposta a constrangimentos públicos, na loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco.

A dona de casa chegou a ficar hospitalizada no Hospital Montreal, em Osasco, onde chegou, segundo médicos, correndo risco de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O caso está sendo investigado no 9º DP de Osasco, pelo delegado Leo Francisco Salem Ribeiro. O segurança que maltratou a dona de casa já foi reconhecido, porém, até o momento o Walmart ignorou a denúncia e não fez qualquer contato com a vitíma, situação que poderá mudar, caso a direção da empresa cumpra a promessa feita a Frei David.

O norte-americano Walmart é o maior grupo varejista do mundo e só neste primeiro trimestre de 2011 teve um lucro de US$ 3,4 bilhões no trimestre que terminou no dia 30 de abril, um aumento de 3,8% em relação ao faturamento do ano passado que foi de US$ 3,3 bilhões no mesmo período.

Diálogo

Segundo o Frei a reunião ocorreu num clima de diálogo, e teve a participação dos vice-presidentes, no Brasil, Alexandre Apparecido e Daniela De Fiori, e do diretor de Relações Institucionais Carlos Ely. Também participaram os diretores Selda Pessoa Klein e o responsável pelo Setor Jurídico da Walmart, Sérgio Yoshisaki.

Ele disse ter oferecido o Salão da Igreja de S. Francisco de Assis, para um encontro de negociação e conciliação com a vítima, seu advogado e a direção da empresa. “Gostaríamos de intermediar em nossa Igreja de S. Francisco de Assis, homem da paz e cidadão do milênio, um encontro para tratar desse assunto”, afirmou.

A Assessoria de Imprensa do Walmart confirmou o encontro com Frei e líderes da Educafro, porém, o responsável pelo jurídico Sérgio Yoshisaki, disse que um eventual encontro para tratar do caso, só deverá ocorrer com o retorno dos diretores dos EUA, onde estão numa reunião de balanço, no início do mês que vem.

Pauta de reivindicações

O Frei também entregou aos dirigentes do Walmart uma pauta com as seguintes reivindicações:a) Reparação simbólica à comunidade negra doando 100 bolsas de estudo integrais a negros/as que tiveram que abandonar a faculdade por problemas financeiros, permitindo seu retorno ao sonho de terminarem suas faculdades. Este programa teria a auditoria da Educafro;b) treinamento antirracista de 30 horas, estudando o Estatuto da Igualdade Racial e outros conteúdos, para os funcionários e terceirizados, em nível nacional;b) contratação de negros/as em cargos de chefia na rede, na mesma percentagem de negros em cada unidade da federal segundo dados do IBGE;c) exposição nas prateleiras de todas as Lojas Wal-Mart de pelo menos 20% de bonecas negras, do conjunto das expostas! A não exposição faz parte da sutil discriminação, levando as crianças negras a só desejar bonecas brancas! d) Marcação de uma reunião com a Presidência da Rede Wal-Mart para celebrar o atendimento e avanços das reivindicações.

Durante a reunião, Frei David disse que os casos de espancamento em cárceres privados nas redes de supermercados e lojas de todo o Brasil tem aumentado. Lembrou que só nos últimos dois anos foram registrados episódios de violência por seguranças contra pessoas negras nas três tres principais redes varejistas do país: Carrefour, Extra e Walmart.

Silêncio da vítima

"A estimativa é a de que, para cada caso onde a vítima tem a coragem de levar a público o seu drama, outros 9 casos acontecem com vítimas que se calam. As vítimas afrodescendentes têm historicamente uma autoestima tão baixa que as leva a terem vergonha de dizer que foram tratadas como “ladras””, afirmou.

No final da reunião, que demorou cerca de duas horas, Frei David disse ter saído com uma boa impressão do encontro. “A minha opinião é que e a equipe ficamos surpresos com o alto grau de interesse e da presidência do Walmart em querer fazer a coisa certa, entender as propostas e quererem responder com qualidade", afirmou.

Ele anunciou uma uma nova reunião deverá ser agendada nos próximos dias para que se discuta como trabalhar cada ponto da pauta. “O Walmart se comprometeu a estudar a possibilidade de convocar todos os fornecedores para uma reunião para discutir como cada empresa está vendo a questão do negro no Brasil, e como resultado disso produzir uma estratégia e como as empresas acham que esse assunto deve ser tratado. A reunião mostrou a importância do diálogo. Eles estão reconhecendo que o problema existe”, finalizou.
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