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quarta-feira, 20 de julho de 2011

As relações intestinais entre a Globo e a News Corporation de Rupert Murdoch no Brasil

Estranhamente só consegui entrar na matéria através do cachê. O site está fora do ar. Por que será?


Por Carlos Newton

Muito tem se falado sobre o magnata da comunicação Rupert Murdoch, a propósito do fechamento do tablóide “News of the World”. E o colega Sergio Caldieri chama atenção para um fato que os jornalistas deixam de mencionar quando se referem a Murdoch: desde 1995 ele é sócio da Organização Globo e hoje pode-se dizer que o milionário australiano é o “dono” da TV por assinatura no Brasil. Por isso, é tão bem tratado nos noticiários da TV Globo.
Em 20 de outubro de 2004, a revista Istoé Dinheiro publicava reportagem de Darcio Oliveira e Eduardo Pincigher, sob o título “Murdoch invade sua TV”, devassando os bastidores da megafusão entre Sky e DirecTV no Brasil, uma operação que deu ao magnata 95% do mercado de TV via satélite no Brasil.
O dono da NewsCorp, que na época era um conglomerado de US$ 52 bilhões que reunia os canais Fox, os estúdios 20th Century Fox e 175 jornais, efetuou a fusão das duas empresas após uma meticulosa estratégia empresarial. Primeiro, avançou sobre as ações da Globopar (holding das Organizações Globo), que controlava a Sky, tornando-se majoritário. Como a Directv já era sua desde 2003, ficou fácil unir as duas operações.
Com os “satélites alinhados”, o magnata passava a captar mais de 1,2 milhão de assinantes brasileiros. Também ganhava na sinergia, ao oferecer um pacote completo de programação (que tal HBO e Telecine, os dois principais canais de filmes, na mesma grade?) e se livrar do aluguel de satélites de comunicação– a DirecTV tem o seu próprio satélite.
Murdoch assumiu a DirecTV em outubro de 2003. Pagou US$ 6,6 bilhões pela operadora que pertencia à Hughes Electronics, subsidiária da General Motors. Logo após a aquisição, analistas do mercado americano juravam que ela seria contestada nos tribunais. Afinal o dono da Fox – que alcançava 40% da audiência americana –, estava levando para sua NewsCorp a maior operadora de TV via satélite dos EUA.
Os analistas erraram.  A FCC (Federal Communications Commission), com sua ampla maioria de republicanos, aprovou rapidamente o negócio. Com a jogada, o empresário, que já dominava o mercado europeu com a Sky, realizou o sonho de entrar nos EUA.
Compra efetuada por lá, reflexos em todo o mundo. Na Itália, a fusão foi aprovada com louvor. Por aqui, a nova operadora, que manteve o nome Sky, deixou apenas 5% do mercado para o resto da concorrência.
Tal domínio da Nova Sky, em tese, nem passaria da porta do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que regula a concorrência empresarial. Mas os executivos da NewsCorp já tinham o discurso na ponta da língua: a nova Sky faria parte do mercado de TV paga, que engloba cabo, microondas e satélite. E, nesse caso, teria “apenas” 32% de mercado – 60% pertenciam ao cabo e 8% à microondas. Procurados pela IstoÉ Dinheiro, os então diretores do Cade disseram que o negócio era recente e que por isso mesmo estava em fase preliminar de análise.
Até então, Murdoch tinha apenas 36% da Sky Brasil. Os demais sócios, Globopar e Liberty Media, detinham 54% e 10% respectivamente. O dono da NewsCorp virou o tabuleiro acionário e abocanhou de cara 14% das ações da Globopar na Sky. Não fez nenhum aporte financeiro, mas assumiu o papel de avalista de dívidas de US$ 220 milhões que pesavam no balanço da subsidiária da Organização Globo. As pendências eram relacionadas, basicamente, aos serviços de satélite.
Com a manobra, a Globopar tirou um fardo de suas costas. E de quebra ganhou uma considerável participação acionária (de 28%) na nova Sky, na qual Murdoch tem 72%. A holding brasileira saiu-se muito bem. Por contrato, desobriga-se de fazer aportes em infra-estrutura na nova Sky e até mesmo de participar da gestão. Traduzindo: a bola passou a estar mesmo com Murdoch.
As dívidas totais da Organização Globo, à época, eram de US$ 1,2 bilhão. E Murdoch era o parceiro que a Globo sonhava. O magnata australiano sempre manteve excelentes contatos com a família Marinho. Era amigo pessoal do doutor Roberto e por vezes o recebeu em seu apartamento em Manhattan. Em 2003, correu até a informação de que Murdoch teria até se “oferecido” para ajudar a diminuir as dívidas da emissora brasileira. Em troca, assumiria a Net e também queria um pedaço da jóia da coroa, a TV Globo. De lá para cá, não se sabe direito o que aconteceu.
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