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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os agrotóxicos e o vertiginoso crescimento dos casos de câncer

Por Sergio J Dias

O Ministério da Saúde da França aconselhou recentemente aos franceses que diminuissem as porções diárias de frutas por causa do aumento dos casos de câncer. Esta notícia foi dada, "en passant", dentre uma série de matérias pela Globonews. No blog do Azenha um estudo aponta vestígios de agrotóxicos no leito materno de jovens mães. Navegando na internet encontramos um estudo da Fiocruz, feito pelo pesquisador Sérgio Koiffmann, de 2004, que vincula preliminarmente o uso de agrotóxicos ao câncer e à infertilidade. Uma pesquisa de doutorado, de 2007, realizada na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), pela sanitarista Jandira Maciel da Silva aponta para uma relação entre cânceres hematológicos e a utilização de agrotóxicos, na região Sul de Minas Gerais. Mais recentemente, o jornalista Washington Novaes publicou um artigo no Estado de São Paulo intitulado "O terreno difícil dos agrotóxicos", alertando para uma determinação da Anvisa, proíbindo "(desde janeiro) a produção e a comercialização de agrotóxicos que contenham como ingrediente ativo o metamidofós." Esse veneno, assim podemos chamá-lo, "foi considerado neurotóxico e imunotóxico, com atuação prejudicial aos sistemas endócrino, reprodutor e ao desenvolvimento embriofetal. O Brasil, tem um consumo anual em torno de 8 mil toneladas de ingrediente ativo." Aliás segundo o artigo de Novaes, o Brasil já é o maior importador de "agrotóxicos do planeta, com um consumo médio anual de 14 litros por hectare cultivado, mais 180 mil toneladas anuais de fertilizantes." Por conta disso, as estatísticas de câncer entre os brasileiros vêm crescendo em progressão geométrica nos últimos 10 anos, em todas as faixas etárias, em todos os sexos, em todas as regiões, em suma, nos mais diferentes aspectos, as pesquisas assinalam uma explosão dos casos da doença.
A grande mídia televisiva, ciente dos acontecimentos, realizou duas grandes reportagens. A Band fez uma matéria falando das novas terapias contra o câncer. E hoje (04/07/2011), a Rede Globo apresentou uma matéria sobre o crescimento vertiginoso do câncer de mama entre as mulheres e as dificuldades enfrentadas para se fazer a mamografia na rede pública de saúde, mas chama atenção o fato de que em nenhuma das abordagens busca-se vincular o aumento dos casos da doença à questão dos agrotóxicos. Afinal, sabemos da estreita ligação entre o agrobusiness brasileiro e a nossa mídia tradicional. Não poderia caber a ela a veiculação da denúncia, é claro.
Há pouco tempo, fomos informados sobre o caso da bactéria E. Coli na Europa e vimos a rapidez com que medidas foram tomadas para resolver o problema, enquanto isso, no Brasil, o Estado, refém do agrobusiness e ameaçado pela desindustrialização, parece ignorar as milhares de mortes e o sofrimento de milhões de famílias brasileiras atingidas por essa doença, que não adoece e mata apenas os enfermos, mas também deixa sequelas terríveis, em todos que participaram de tal destino. Esse artigo é dirigido a todos, que de alguma forma, viveram e partilharam como amigos ou parentes deste fado, que não deve ser compreendido como uma tragédia inevitável e implacável. Bastaria que o Estado brasileiro e os órgãos responsáveis (Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura, Anvisa e outros) agissem no sentido de estancar esse sangramento e cumprissem o papel para o qual foram criados, contudo, parece faltar-lhes a vontade política necessária de contrariar os interesses de parte importante de sua base aliada. Quantas mortes ainda teremos de contar?

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