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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Moradores criticam atuação do Bope no complexo da Maré e divulgam manifesto

Fonte: noticias.r7

Truculência e invasão a casas são as principais queixas
Por Mariana Costa
 
Carlos Moraes / Ag. O Dia
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Mulher diz que um policial entrou em sua casa sem atender ao seu pedido de que esperasse a sobrinha adolescente trocar de roupa
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Moradores da Maré, na zona norte do Rio, e representantes de instituições que atuam nas 16 comunidades que integram o complexo divulgaram na manhã desta segunda-feira (24) um manifesto para protestar contra a atuação do Bope (Batalhão de Operações Especiais), que ocupa a favela desde o último dia 14.

O documento foi divulgado após uma reunião entre representantes de associações de moradores, escolas, igrejas, Defensoria Pública e as ONGs Observatório da Imprensa e Redes da Maré.

Moradores afirmam que os policiais entram nas casas de forma arbitrária em busca de armas e drogas e reclamam da abordagem agressiva a pedestres e moto-taxistas. Em um dos relatos, uma mulher conta que um policial entrou em sua casa sem atender ao seu pedido de que esperasse a sobrinha adolescente se trocar. A jovem estava de roupas íntimas em um dos quartos.

Presente à reunião, o presidente da Associação de Moradores da Baixa do Sapateiro, Charles Gonçalves Guimarães, disse ter visto policiais entrando em uma loja de sorvetes sem a presença do proprietário.

- Queremos segurança. Sabemos que há maus elementos, mas são atitudes arbitrárias.
Apreensão entre moradores

Além disso, a falta de informação sobre o verdadeiro objetivo da presença do Bope causa apreensão entre os moradores. O comando da tropa afirma que os policiais vão continuar na Maré por tempo indeterminado em busca de traficantes, armas, drogas e carros roubados.

No último dia 18, panfletos lançados por um helicóptero do Bope anunciando a pacificação da comunidade causaram confusão na comunidade. No dia seguinte, a PM negou que a Maré esteja sendo pacificada e informou que os cartazes foram reaproveitados da operação na Mangueira.

O manifesto pede que “se coloque claramente até onde vai essa operação, para quê serve e quais as consequências”. As denúncias e reclamações feitas pelos moradores foram encaminhadas para o comando da PM, que prometeu avaliar a possibilidade de adotar um protocolo para as abordagens policiais.

A presença de oficiais do Bope na reunião causou desconforto entre alguns moradores. Para a tenente Alexandra Vicente, psicóloga do Bope, no entanto, a participação da corporação é uma mostra de que a PM está mudando.

- O Bope não veio para atrapalhar. O fato de estarmos aqui é uma demonstração de que as coisas precisam mudar. Sabemos que é difícil, mas gostaríamos que a nossa chegada aqui fosse vista como uma oportunidade de mudança.
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