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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dilma é pior presidente para questão racial pós-ditadura, afirma procurador do Trabalho

Fonte: sindsprevrj


Por Hélcio Duarte Filho
Da Redação do Sindsprev-RJ

O procurador do Ministério Público do Trabalho Wilson Prudente disse, durante debate promovido pelo Sindsprev-RJ, que Dilma Rousseff é a pior presidente para questões raciais no país desde o fim do período governado pela ditadura militar. “Infelizmente, no que diz respeito às relações raciais nós temos o governo mais atrasado desde o fim da ditadura”, afirmou o procurador, que é militante da luta contra a discriminação racial e é um dos poucos negros a ocupar o cargo.
No mesmo evento em que deu tal declaração, Prudente revelou que votou em Dilma para presidente, mas que, para ele, no que se refere à área racial, ela nada fez. “A Dilma não tem ministro negro. [A Secretaria da Igualdade Racial] é ministério para inglês ver”, criticou. O procurador do Trabalho também apontou como fantasiosa a tese, defendida com freqüência por setores de elite e governantes brasileiros, de que o Brasil vive uma democracia racial. “O meu país é o único em que não existe racismo e não apresenta um ministro negro”, ironizou.
O palestrante, que integrou a mesa da atividade em referência à Consciência Negra promovida pela Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do sindicato no dia 9 de dezembro último, disse que no racismo indireto brasileiro ninguém é racista. “O racismo no Brasil é mudo e surdo”, resumiu. Também participou da mesa, mediada pelo diretor da secretaria Osvaldo Mendes, o doutorando em Geografia pela UFF Diogo Maçal Cirqueira.
‘Brancos ocupam todos os espaços da elite’
O último censo do IBGE, que constatou que a maioria da população brasileira se declara não-branca, foi citado por Prudente para assinalar o racismo no país. Ele disse que, se a maioria da população se diz não-branca, “há um problema” quando se observa que a elite é apenas branca. “Quanto menores forem as possibilidades, menos negras serão as pessoas”, constatou, logo em seguida perguntando, a alguém na platéia, quantas pessoas negras ela tinha em seu doutorado. “Nenhuma! A sua resposta é a minha”, disse.
Ao frisar a necessidade de os movimentos negros e sociais promoverem ações que denunciem o que ocorre no estado brasileiro, ele defendeu que se busque exigir o cumprimento do Estatuto da Igualdade Racial, apesar das críticas que muitos setores têm a ele. “Se déssemos dez anos para cumprir o estatuto racial, em dez anos poderíamos falar em democracia racial. Se bem aplicado, o estatuto seria de reparações”, sustentou.
E usou a TV brasileira para dar visibilidade ao desrespeito à legislação que já existe. “Quando você vê este estatuto que está em vigor e assiste à novela da Globo, ou esse estatuto não está em vigor ou a Globo não cumpre a lei”, disse, referindo-se aos poucos profissionais negros que têm espaço na telinha. “Não tem apresentador negro nem nas televisões públicas no Brasil”, disse.
Para ele, o momento de bater no Estatuto da Igualdade Racial já passou, agora é preciso brigar para que ele seja adotado, já que a maior parte das críticas ao conteúdo da lei que acabou aprovada é “pelo que não está lá, e não pelo que está”. Disse ainda que não faz sentido seguir tratando as reivindicações de forma dispersa se já existe uma lei federal que, se aplicada, pode contemplar as demandas. “Se é para colocar o negro nos espaços nós já temos lei federal para isso e ela não está sendo cumprida”, disse.
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