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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Festa de Iemanjá é um dos maiores rituais de religião e cultura no Rio

Fonte: revistaafricas

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Com a proximidade da chegada de um novo ano, as pessoas começam a pensar em fazer novos planos e projetos, além de procurar formas para iniciar o ano com o pé direito. Os religiosos e simpatizantes da umbanda e candomblé seguem alguns rituais para agradecer o ano que passou e receber da melhor forma possível o ano que vem surgindo.
Dentre esses rituais destacamos a festa de Iemanjá, que acontece no Rio de Janeiro, e é uma das maiores manifestações dos religiosos no período do final do ano e, a lavagem das escadarias da igreja do Nosso Senhor do Bonfim, realizada em Salvador para iniciar o ano com sorte. O SRZD foi conversar com especialistas para entender melhor essas festas.
A lavagem do Bonfim acontece na cidade de Salvador sempre no início do mês de janeiro. Baianas usando trajes típicos das religiões de matriz africana lavam as escadarias da igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água perfumada, folhas e pétalas de flores. Nosso senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá, divindade africana responsável pela criação do mundo e dos homens e que tem como elemento fundamental do seu culto, as águas.
Para os religiosos Iemanjá é a Deusa de Egbé, nação iorubana onde existe o rio Yemojá (Iemanjá). No Brasil, é conhecida como a rainha das águas e dos mares. Orixá muito respeitada e cultuada, tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade. Adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana costumam oferecer a ela flores e presentes na passagem de ano para agradecer o ano que passou e fazer pedidos para o ano que se aproxima.
A festa de Iemanjá, acontece todo dia 29 de dezembro e sai em forma de carreata do Mercadão de Madureira, Zona norte do Rio, em direção á praia de Copacabana, na zona Sul. A festa já existe há oito anos. O mercadão de Madureira é um dos centros comerciais mais movimentados da cidade e há muitas lojas que comercializam artigos religiosos.
Segundo a Sacerdotisa mãe Mirian de Oya, a festa de Iemanjá do mercadão deixou de ser apenas um ritual religioso e passou a ser um atividade cultural do Rio, Segundo ela, mesmo as pessoas que não são da religião acompanham e participam da festa:” Tem essa tradição de ir no mar, final de ano, fazer os pedidos, sejam pessoas da religião ou não. Todo final de ano as pessoas vão na praia,gostam de se vestir de branco, tem aquela tradição de pedir prosperidade, um ano melhor e de agradecer também.”
O meio ambiente e os rituais religiosos
Já para o Babalorixá José Carlos de Ibualamo, apesar de reconhecer a importância cultural e identificar que o povo através do tempo vai se enraizando com a cultural local, ele acredita que as praias no final do ano são um ambiente do profano e não deveria ser cultuados rituais nesse lugar. Ele considera ainda que as oferendas de final de ano podem oferecer prejuízos desnecessários ao meio ambiente. “Como sacerdote de culto ao orixá não concordo com certeza, que o orixá não está no meio do profano, o orixá é divino, sagrado. Cada povo tem sua cultura e já se tornou cultural ou folclórico levar flores e perfumes, mas com este dinheiro gasto para sujar o meio ambiente, o orixá ficaria mais feliz se levasse uma cesta básica a uma família necessitada.”
O que fazer para que restos de oferendas deixados na natureza não causem prejuízos ao meio ambiente tem gerado preocupação entre os religiosos. De acordo com a mãe Miriam de Oya, já há um cuidado durante a festa de Iemanjá para reduzir ao máximo a quantidade de resíduos e deixar somente aqueles que não agridam a natureza: “Nós temos uma política de colocar, por exemplo, as flores, é algo que acabou, não vai poluir. Nós do mercadão de Madureira tivemos sempre um cuidado muito grande em tirar as garrafas, em tirar as tigelas, plástico, vidro, de tudo aquilo que se coloca no mar . Nós só deixamos alimentos, flores. Abrimos perfumes, esvaziamos garrafas de champanhe. Colocamos os alimentos em folhas de mamona em vez de alguidares de barro. Nós estamos aos pouquinhos conscientizando nosso povo para não poluir, não agredir a natureza. É um trabalho difícil pois a tradição tem muitos anos.”
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