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sábado, 30 de abril de 2011

Censo do IBGE 2010 declara que negros são maioria no país

Palavras do Pelenegra: Esta notícia deve estar colocando de cabelo em pé os ideólogos do neorracismo, sobretudo, por estarmos vendo acontecer um crescimento da autoestima da população negra.
Fonte: Afropress


Rio - Negros são a maioria da população brasileira, de acordo com os dados do Censo do IBGE, divulgado oficialmente nesta sexta-feira: 96,7 milhões – o equivalente a 50,7% da população -, contra 91 milhões de brancos (47,7%), 2 milhões de amarelos (1,1%) e 817,9 mil indígenas (0,4%). No total somos 190.755.799 milhões de habitantes.

É a primeira vez na história do Brasil desde 1.872, quando quando aconteceu o primeiro Censo da População - e depois de mais de um século de políticas de branqueamento -, que a população negra é oficialmente declarada majoritária. Até então, apenas na última Pesquina Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), do próprio IBGE tinha constatado que 51,3% da população era preta e parda.

O IBGE utiliza cinco classificações: preto, pardo (negro), amarelo, branco e indígena e o critério é autodeclaratório. Em 1.872, a população brasileira era de 9.930.478 milhões – 60% negra.

Segundo o economista Marcelo Paixão, da UFRJ, e coordenador do Relatório Anual das Desigualdades Raciais - 2009/2010, o Censo de 1990 constava a população branca como minoria, mas incluía outros critérios classificatórios como o caboclo. Desde 1950, a pergunta cor ou raça não é feita a cada brasileiro, lembra Paixão. “Foi a primeira vez que essa pergunta foi feita rigorosamente aos 190 milhões de brasileiros”, afirmou.

Crescimento da autoestima

O Censo mostrou que pela primeira vez, o percentual de pessoas que se declararam brancas, caiu abaixo da metade: eram 53,7% no Censo de 2000, contra 47,7% agora. No Censo anterior os pretos e pardos correspondiam a 44,66%.

Segundo pesquisadores, o aumento do número de pessoas auto-declaradas pretas e pardas, deve-se ao fato de as pessoas estarem se assumindo sua verdadeira identidade étnico-racial e ao sentimento crescente de autoestima.

Indígenas

O Censo IBGE 2010, ao lado do decréscimo da população autodeclarada branca, mostra que os orientais correspondem a uma população de 2 milhões de habitantes (1,1%) e já ultrapassaram os 817,9 mil indígenas.

Em 1.500, quando foi descoberto o Brasil, segundo historiadores, tinha uma população de cerca de 6 milhões de indígenas, de mil Nações diferentes. A disseminação de doenças, a invasão e a expulsão de suas terras, reduziu essas populações a menos de 1 milhão de habitantes, porém, eles ainda constituem cerca de 200 Nações distintas espalhadas, em especial, pelas regiões Norte e Centro-Oeste.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

POR QUE ESTAMOS OCUPANDO UMA DAS LOJAS AMERICANAS?

ATO NAS LOJAS AMERICANAS - NO DIA 1º DE MAIO DE 2011.
 
Enviado por Frei Davi
 
ATO DA EDUCAFRO DE “DISCRIMINAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO”

O Brasil vive um momento novo e positivo. A sociedade quer ver a integração e o respeito a todas as etnias em todos os setores da nação.  Neste 1° de maio estamos protestando em frente/dentro das Lojas Americanas, para repudiar contra o mais recente espancamento a um trabalhador negro, Márcio Antônio de Souza, 33 anos.  Ele foi brutalmente torturado por seguranças das “Lojas Americanas” de Campo Grande, MS, na manhã de 23/04, acusado de furto de um ovo de Páscoa, por ele já pago, em outro estabelecimento, cuja nota fiscal estava/está em sua posse. A Educafro organiza a ocupação de uma das LOJAS AMERICANAS de São Paulo, protestando e exigindo:
a) Urgente indenização negociada para a vítima, que ainda não foi operada do nariz quebrado e dos olhos lesados.
b) treinamento antirracista para os funcionários e terceirizados, em nível nacional.
b) contratação de negros/as em cargos de chefia na rede.
c) exposição nas prateleiras de todas as Lojas Americanas de pelo menos 20% de bonecas negras, do conjunto das expostas! A não exposição faz parte da sutil discriminação, levando a criança negra a só desejar bonecas brancas!
d) Marcação de uma reunião com a Presidência da Rede das Lojas Americanas.
O caso lembra o episódio envolvendo um funcionário negro da USP, Januário Alves de Santana, tomado por suspeito do roubo do seu próprio carro – um Ford EcoSport – numa loja dos supermercados Carrefour de Osasco/SP, em agosto de 2009. Segundo o Advogado da vítima Dr. Dorgival Vieira, a justiça reclassificou o caso como Tortura motivada por discriminação racial. Muitos outros casos se repetem como no WalMart, cuja vítima foi Clécia Maria da Silva.  No Extra da Penha SP, as vítimas foram três crianças negras que ficaram em cárceres privados. No setor bancário não é diferente. É o caso do assassinato, dentro de uma agencia do Banco Itaú do Rio de Janeiro de um cliente NEGRO, pertencente à própria agencia, por terem “desconfiado dele como ladrão”.
A Educafro entende que todos os supermercados, lojas e empresas que estão discriminando negros/as devem receber ocupações da Educafro e de outras entidades nos quatro cantos do Brasil.
Os Governantes brasileiros continuam não combatendo TODAS as formas estruturais de discriminações. Exigimos políticas públicas de inclusão e reparação! Por exemplo, segundo o IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, sem políticas públicas com cortes étnicos, serão necessários 32 anos para que, só com os esforços da comunidade negra, os salários dos negros/as se igualem aos dos brancos/as.
Convidamos a todas as pessoas que querem contribuir com a construção de um mundo melhor a participarem do ato no dia 1 de maio de 2011, conforme programação:
10h – concentração no salão, na Sede da Educafro, situada à Rua Riachuelo nº 342 Centro, próximo ao Largo de São Francisco.
 Marcha rumo a uma das Lojas Americanas!
Em seguida nos uniremos às comemorações do dia do trabalhador, no Vale do Anhangabaú.
Obs: a vítima fará um pronunciamento ao vivo ao longo do ato e em frente às Americanas! 


Ativistas da Educafro ocuparão loja em ato de protesto

Por: Redação - Fonte: Afropress - 28/4/2011  
S. Paulo - Rompendo a passividade e a inércia que tem caracterizado a postura do movimento negro oficial diante dos casos seguidos de violência a negros, vítimas de seguranças de grandes empresas de supermercados e shoppings, ativistas da Rede Educafro prometem ocupar uma das três Lojas Americanas, no centro de S. Paulo, para marcar o 1º de Maio – Dia do Trabalho.

Segundo o diretor executivo da entidade, Frei David Raimundo dos Santos (foto), o ato de ocupação e os protestos servirão para repudiar o mais recente espancamento de um trabalhador negro, Márcio Antonio de Souza, numa loja das Americanas, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Márcio, acusado do furto de ovos de Páscoa pelos quais garante ter pago, conforme Nota fiscal exibida pela família, foi torturado por um homem identificado como Décio Garcia de Souza, funcionário da empresa S & V Segurança.

Barbaramente espancado, o vigilante teve o nariz fraturado em três partes e o seu olho esquerdo se mantém fechado, com suspeita de comprometimento da retina. Nesta sexta-feira,(29/04), ele passará por nova avaliação médica para saber se já pode enfrentar a cirurgia para correção das lesões.

Indignação

“Não é possível mais tolerar esses abusos”, disse o Frei David, acrescentando que outros protestos deverão acontecer, também em shoppings e supermercados de S. Paulo, como o Walmart e o Extra, onde recentemente ocorreram episódios envolvendo violências a negros, tratados por suspeitos de furto de mercadorias pelas quais já haviam pago.

No Walmart da Avenida dos Autonomistas em Osasco, a dona de casa Clécia Maria da Silva, 56 anos, ao ser tomada por ladra de produtos pelos quais havia pago, sofreu uma crise hipertensiva e teve que ser removida para o Hospital Montreal onde permaneceu hospitalizada por mais de 4 horas.

No Extra da Marginal do Tietê, na Penha, seguranças abordaram e levaram para uma sala reservada três garotos – um dos quais, um menor de 10 anos – e os mantiveram, sob a ameaças e xingamentos racistas, para que confessassem o furto de mercadorias. Os dois casos estão sendo investigados, respectivamente pelo 9º DP de Osasco e pelo 10º DP da Penha.

Protesto

No protesto nas Lojas Americanas, segundo o Frei, será exigido que a empresa indenize a família e adote ações afirmativas visando capacitar seus funcionários e os seguranças contratados para prestar serviços nas suas lojas, para lidar com clientes negros.

Também será pedido o acompanhamento da investigação por parte de representantes do Ministério Público Estadual e Federal. “É necessário que os agressores sejam indiciados, julgados e condenados com base na Lei. Os Governantes brasileiros continuam não combatendo todas as formas estruturais de discriminações. Exigimos políticas públicas urgente”, acrescentou Frei David.

O Frei lembrou o caso ocorrido com o também vigilante Januário Alves de Santana, numa loja do Carrefour de Osasco. “Indignados por estes contínuos atos de racismo a Educafro convoca todos os seus guerreiros/as para que juntos mostremos nosso descontentamento diante da continua exclusão do povo negro”, concluiu.

Concentração

A concentração dos ativistas para o protesto está marcada para as 10h, na sede da Educafro, à Rua Riachuelo, 342, centro. O nome da loja que será ocupada está sendo mantido em sigilo, porém, é certo que será uma das três existentes no centro de S. Paulo.

Depois do protesto, os manifestantes seguirão para as celebrações do Dia do Trabalho, organizado pela CUT no Vale do Anhangabaú, que este ano tem como tema “Brasil-África: fortalecendo a luta dos trabalhadores”.

O ato terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será homenageado, e falará por meio de uma teleconferência com o ex-presidente, Nelson Mandela, direto da África do Sul.

Erundina: “desprivatizar as metrópoles brasileiras”

Palavras do Pelenegra: Indo por outro caminho, mas no mesmo sentido. Aqui no Rio de Janeiro, o Metrô, para dificultar a chegada dos trabalhadores à Zona Sul nos feriados e fins de semana mantém a baldeação no Estácio, entretanto, nos dias de trabalho tradicionais temos caminho aberto. Ou seja, para trabalhar temos livre acesso às áreas nobres da cidade, mas para o lazer criam-se dificuldades e impecilhos.

Entrevista ao site Tarifa Zero
Abriu-se nesta quinta-feira, em São Paulo, uma nova etapa de uma das lutas sociais que marcou o primeiro semestre. Depois de promover, ao longo de muitas semanas, manifestações seguidas contra o aumento da tarifa de ônibus (de R$ 2,70 para R$ 3), o Movimento Passe Livre decidiu aprofundar o debate sobre o tipo de cidade que quer ajudar a construir – e lançou, na USP, a campanha pela Tarifa Zero nos transportes públicos.
Apresentada em mais detalhes num novo espaço na internet, a campanha nasceu para confrontar duas das piores características das metrópoles brasileiras. Insurge-se contra a segregação que separa o Centro da Periferia, numa atualização do apartheid que dividia a colônia em Casa Grande e Senzala. E denuncia a mercantilização dos serviços públicos – que também fratura as cidades, ao estabelecer barreiras que só podem ser vencidas pelos que têm dinheiro.
Na batalha contra o aumento das tarifas, buscava-se a resposta imediata. Bem-sucedida (embora sem vitória econômica), ela deve continuar agora na forma de um debate mais intenso sobre o tipo de ambiente urbano que o Brasil quer construir. Aceitamos o papel de figurantes passivos, num modelo em que os protagonistas são o automóvel e a via expressa? Ou estamos dispostos a desbravar as possibilidades de novas metrópoles – menos desiguais, mais humanas e, por isso mesmo, dispostas a conviver com a natureza?
O movimento Passe Livre – Tarifa Zero sabe que não é possível optar apenas com palavras-de-ordem. Além de promover mobilizações, ele tem se preocupado em estimular debates formadores e – igualmente importante – em vislumbrar alternativas e resgatar as que já foram propostas.
A entrevista a seguir é um sinal desta ambição. Nela, um grupo de articuladores do Tarifa Zero entrevista a ex-prefeita (hoje deputada) Luiza Erundina. Busca-se reconstituir a memória de uma experiência fascinante: a eliminação das tarifas de ônibus, proposta (à época, sem sucesso) pela então prefeita, em 1991.
O diálogo não é monotemático. Erundina e seus entrevistadores colocam em pauta as políticas que seriam necessárias para vivermos em cidades para todos – capazes, portanto, de superar ao menos parte das discriminações e preconceitos em que estamos mergulhados. Especulam sobre estratégias para superar obstáculos impostos pelos grupos de poder e tornar tais políticas efetivas.
Resulta um texto que estimula a refletir sobre as cidades (e a sociedade) que estamos construindo. Num momento em que as maiores metrópoles brasileiras preparam-se para dois megaeventos globais (Copa do Mundo-2014 e Olimpíadas-2016), vale a pena examinar as ideias desta ex-prefeita nordestina e lutadora, que destaca, sobre as transformações sociais indispensáveis: “Se não foi vinte anos atrás, será um dia. A história dá saltos. O importante é você apostar em idéias que são inovadoras e acumular forças” (A.M).

Como evoluiu a conjuntura de governo até chegar a idéia da tarifa zero? Como esta proposta nasceu dentro do governo essa idéia da tarifa zero?
Luiza Erundina: A questão do transporte e do trânsito na cidade de São Paulo foi sempre um problema muito difícil, complexo, desafiador. Não foi diferente na nossa época, até porque nós tínhamos a CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), que deveria responder por 30% do transporte de ônibus da cidade e estava completamente sucateada. A frota envelhecida, deteriorada, estoques zerados. Basta dizer que havia um único pneu no estoque, no depósito, e esse pneu estava careca. Praticamente 30% do conjunto do sistema não funcionava.
Qual era o tamanho da frota da CMTC?
Luiza Erundina: Deveriam operar três mil ônibus. Mas estava muito reduzida, com muitos problemas. Além disso, havia uma má vontade dos fornecedores de peças, acessórios todo o necessário para manter a frota. A frota privada também estava envelhecida, deteriorada. Tínhamos um serviço de baixíssima qualidade e muito caro.
Começamos a tentar alternativas. Por exemplo, a municipalização, que mudou os termos de contrato da prestação do serviço de transporte. Governamos quatro anos com minoria na Câmara. E qualquer modificação dos contratos com as empresas exigia a aprovação de um projeto de lei. Só no terceiro ano de governo, conseguimos aprovar a lei de municipalização, que permitia que se remunerasse o serviço não por viagens realizadas, mas também por quilômetros rodados.
Outra lógica passou a reger essa relação contratual. Houve, inclusive, redução do número de passageiros por metro quadrado dentro dos ônibus. Significou melhor qualidade e redução de custos para o usuário. Evidentemente, a Prefeitura teve que arcar com um subsídio maior das tarifas. Era o único meio de melhorar a qualidade do serviço.
Os ônibus representavam muito mais que hoje, em São Paulo. Mais de seis milhões de usuários que dependiam do serviço. O metrô era muito mais limitado. Entre outras medidas que o setor de transporte bolou – particularmente Lúcio Gregori [secretário de Transporte] e sua equipe, havia a criação de um Fundo de Transporte, para o qual contribuiriam, além da Prefeitura, os empresários.
Quem mantinha negócios na cidade – bancos, supermercados, shoppings – deveria também participar dos custos do serviço, já que é um insumo dos negócios. O empresário depende do trabalhador ir e voltar para o trabalho. Era justo que os custos do serviço fossem, no mínimo, repartidos em três partes.
Esse fundo exigia outra lei, que a Câmara recusou-se a aprovar. Houve uma campanha contra essa proposta. O próprio Partido dos Trabalhadores, ao qual eu estava filiada como prefeita, também não entendeu a proposta, resistiu a ela.
Como foi o diálogo entre governo e o PT?
Luiza Erundina: Os setores conservadores difundiam uma visão equivocada, segundo a qual haveria necessariamente abusos, em um serviço gratuito. Segundo este preconceito, o sistema viraria um caos. Toda idéia inovadora, criativa, revolucionária em certo sentido, gera resistência. Tive dificuldade com a Câmara com relação ao transporte porque a oposição sabia que, à medida que a gente conseguisse melhorar o serviço, e fazer planejamento do tráfego e do trânsito, isso geraria dividendos políticos e eleitorais
Também pesou o fato de não mantermos aquela prática fisiológica, promíscua que normalmente existe na relação do Executivo com o Legislativo, sobretudo a história da Câmara Municipal e Prefeitura de São Paulo. Nunca foi uma história muito bonita do ponto de vista da independência e rigor ético na relação entre os dois poderes. Tudo que se tentava criar de novo no setor de transporte era visto com má vontade, má fé, má intenção. Isso evidentemente inviabilizou a proposta. A Câmara rejeitou o projeto. E hoje sabemos que a ideia está sendo incorporada, cogitada, reapropriada por muitos governos. Não é algo inusitado: em outros países, a divisão dos custos do transporte já se faz há muito tempo.
Os movimentos sociais reivindicavam a tarifa zero?
Luiza Erundina:O problema é que, quando se conseguiu construir essa proposta, faltavam poucos meses para fechar o orçamento da cidade. O Executivo é quem manda o projeto de lei orçamentária. Se não me engano, restavam três ou quatro meses para apresentar o projeto na Câmara. Não houve tempo suficiente para esclarecer certos setores que, não por má vontade, mas por desconhecimento, por não terem domínio da proposta no seu todo, ficavam desconfiados, inseguros, em dúvida.

Mas a população aprovou.
Luiza Erundina:A população aprovou. Só que não conseguimos acumular força política, pressão externa ao Legislativo… e a mídia também. Enfrentamos o cerco da Câmara e o da mídia. Talvez a gente não tenha sido muito competente na relação com a mídia. Até porque nós tínhamos muito rigor, muita preocupação em não extrapolar os investimentos em comunicação, em publicidade, em propaganda. Porque as carências na cidade eram tão grandes…
Vendo de fora, a uma certa distância e fazendo autocrítica, talvez a gente pudesse ter construído melhor aquela relação. Não com os donos dos veículos de comunicação, mas com os jornalistas, os trabalhadores da mídia. Se tivéssemos mais flexibilidade — não no sentido de ceder às práticas antiéticas, desonestas, corruptas, mas adotando uma política de comunicação mais flexível, mais aberta.
Alguns jornalistas simpáticos ao nosso governo nos contavam que tinham reuniões diárias com os coordenadores das matérias para saber como dava para bater na prefeita, criticar o governo.
Mas ficou a ideia. E quando a ideia é boa, necessária, oportuna, ela vinga. Se não vingar naquele espaço, naquele tempo, naquele governo, mais cedo ou mais tarde vai vingar. Em algum momento, em algum lugar, em algum espaço mais democrático, mais compreensivo.
A falta de compreensão por falta da mídia e dos partidos contrários à tarifa zero pode ter um pouco de preconceito de classe? Em não querer admitir que todos, inclusive osmais pobres, possam se locomover por todos os espaços?
Luiza Erundina:Com certeza. É o preconceito de que o pobre não é civilizado, não é educado, não vai entender os limites do uso de um serviço público. O pobre sabe fazer isso melhor do que o rico que nunca fez, não precisa usar. E a carga de preconceito que havia contra meu governo, contra mim pessoalmente. Mulher, nordestina, do PT, de esquerda, independente, que não cedia a nada do ponto de vista do que era ético, justo para a cidade, do que era correto.
Eu era vista como alguém que atrapalhava os interesses dos privilegiados, dos que sempre tiveram controle do Estado, da Prefeitura. A mentalidade patrimonialista vê o Estado como propriedade de uma classe, ou um segmento dessa classe. Tudo que vier no sentido de destinar meios, recursos, ação do Estado para incluir a maioria excluída, ou os trabalhadores, é atacado
O transporte coletivo está voltando para o centro das atenções da sociedade. O que a senhora acha da ideia de tarifa zero hoje?
Luiza Erundina:Depende da estratégia que se use. Acho que hoje, com o agravamento do trânsito, do transporte, os custos do sistema que crescem a cada dia – diante de tudo isso, as prioridades de investimento tendem a se alterar. Ao invés de construir tanto túnel, viaduto, vias expressas para favorecer o fluxo de automóveis, que se inverta essa tendência e se invista em outro tipo de infra-estrutura urbana, com vista ao transporte de massa, o transporte coletivo, a integração entre os vários sistemas. Um planejamento da cidade que atente para outra lógica: não a atual, em que todo o fluxo do tráfego e trânsito flui para o centro da cidade.
Descentralizar o serviço público seria uma alternativa complementar?
Luiza Erundina:Exatamente. Não só descentralizar, mas distribuir o fluxo de tráfego a partir de outro planejamento. Que as regiões tenham seu planejamento próprio e que ele esteja integrado ao das outras regiões, guardando entre si uma certa lógica, uma racionalidade capaz de reduzir fluxos, custos e tempo de deslocamento.
Já tínhamos o entendimento disso há vinte anos, mas não as condições políticas, correlação de forças na sociedade. Fomos eleitos pela maioria da população pobre e trabalhadora da cidade. Mas o nível de organização e participação política desse segmento não eram, naquele tempo, suficientes, – nem são, ainda — para respaldar um governo que invertesse toda lógica que predominava na vida da cidade.
Apesar disso, tivemos ousadia, coragem e, modéstia parte, competência. Era uma equipe muito competente, muito criativa, idealista, corajosa, ousada e que deixou marcas…
A senhora acha que seria possível construir hoje a proposta da tarifa zero, e lutar pelas questões do transporte, sem mobilização popular?
Luiza Erundina:Não, temos que mobilizar. E não se trata apenas de mobilizar os setores populares, mas de fazer um trabalho de opinião pública, no sentido de traduzir os aspectos técnicos dessa proposta, da inteligência que ela contém em si mesma. Talvez devêssemos todos nós, não só vocês que estão empenhados nessa bandeira, ampliar esse arco de alianças, de forças políticas e de interessados em conhecer melhor a proposta.
Para ver se ela se torna uma política pública não apenas de uma cidade, mas do país. Talvez fosse a hora de se trazer o debate, por exemplo, para uma comissão da Câmara dos Deputados, para o Congresso Nacional. Trazer os especialistas e os não-especialistas, os favoráveis e os não-favoráveis e recolocar a ideia na agenda do país.
Inclusive porque o problema do trânsito – e, sobretudo, do transporte coletivo de massa – ainda é um desafio que não se resolveu. Muito menos, nas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Recife etc.
Vamos discutir! Quem sabe, com outra conjuntura, seja possível fazer valer uma ideia tão genial, tão criativa e tão justa no ponto de vista da maioria, que são os que dependem do transporte coletivo. Quero me colocar à disposição dessa luta. Sou uma entusiasta da ideia e de outras que nosso governo teve na época. Era uma equipe muito boa, competente, corajosa. Marilena Chauí, Paul Singer, Paulo Freire, Lúcio Gregori, Paulo Sandroni.
Mas a gente chega lá um dia. Se não foi vinte anos atrás, será um dia. A história dá saltos. O importante é você apostar em ideias inovadoras, apostar nelas, e acumular forças. Passa pela vontade popular. Dom Tomás Balduíno já dizia que o novo o povo é que cria. E é mesmo!

Mais uma remoção arbitrária

Palavras do Pelenegra: E a exclusão continua... Assim, o "Aurélio" define a palavra exclusão:
"Método, sistema ou artifício, através do qual se eliminam números, coisas ou pessoas para se chegar a determinada resolução ou conclusão."

Parece que a resolução do problema da pobreza para o Ministério dos Esportes, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Prefeitura da cidade está na expulsão ou eliminação dos mesmos.

Fonte: redecontraviolencia

Mais de 60 famílias que residem há décadas na Rua Tomás Rabelo, ao lado do Sambódromo, são o mais recente alvo da política de remoções da prefeitura e da indústria turística/imobiliária. Dessa vez o pretexto é uma obra de ampliação da Passarela do Samba, que aliás está sendo financiada principalmente pela Ambev, cervejaria que é uma das empresas que mais investem e lucram com o carnaval oficial no Rio, ou seja, o carnaval que gira em torno dos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.
Um projeto de ampliação do início do sambódromo foi desengavetado, e do dia para a noite, sem respeitar os prazos, processos e procedimentos previstos por lei, a prefeitura, através da Secretaria Municipal de Habitação, apareceu na comunidade “informando” que teriam que deixar as casas o mais rápido o possível, pois “a obra está atrasada”. Oferecerem com “única alternativa” a transferência das famílias para apartamentos do projeto Minha Casa Minha Vida na Zona Oeste da cidade, muito longe de onde a maioria tem seus local de moradia e trabalho. Mentindo e passando por cima dos direitos previstos na legislação, em reunião posterior o secretário municipal de habitação, Jorge Bittar, em reunião com moradores, afirmou que indenização só seria possível nos casos de moradores que tivessem escritura definitiva dos imóveis. A posse e, consequentemente, o direito à indenização justa e prévia prevista na Lei Orgânica do Município, está há anos prevista na legislação brasileira, para todos que comprovem que residem há muitos anos no local e desde que não tenham existido ações de reintegração de posse no período, o que é o caso da Rua Tomás Rabelo. A própria prefeitura moveu um processo de desapropriação de imóveis na área há vários anos atrás, mas não o levou adiante.
Para justificar a “pressa”, a prefeitura alega que a ampliação é urgente porque o sambódromo também será utilizado para determinadas modalidades esportivas nas Olimpíadas de 2016. Mas a remoção apressada e atropelando direitos certamente tem objetivos mais a curto prazo, pois a SMH disse que a obra terá que estar pronta já no próximo carnaval (em 2012!). Fica evidente aqui principalmente o interesse empresarial da Ambev, que chegou a abrir mão do prédio histórico da fábrica da cervejaria Brahma, que havia sido tombado em 2002 e que que foi destombado neste mês pela lei 5.944/11, aprovada pela Assembléia Legislativa.
A remoção das famílias deveria ter acontecido há duas semanas atrás, mas moradores se informaram sobre seus direitos e realizaram uma assembléia na rua no dia 13/04, com a presença do Conselho Popular, Rede contra a Violência, Pastoral de Favelas e Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública, onde ficou esclarecido que ninguém era obrigado a aceitar a proposta da prefeitura e nem aceitar a chantagem de que “perderiam tudo” caso não o fizessem. A prefeitura então remarcou para hoje a ida à comunidade, teoricamente apenas para realizar a “mudança” para a Zona Oeste das famílias que aceitassem a proposta inicial, mas sabemos, por experiências em outros casos, que os funcionários da prefeitura aproveitam essas chamadas “mudanças” para pressionar ainda mais as comunidades com o aparato que eles mobilizam e que já está presente na Rua Tomás Rabelo: caminhões de “mudança” (muitas vezes caminhões de recolhimento de lixo da Comlurb!), guardas municipais, polícia militar e às vezes equipes de demolição que iniciam imediatamente a destruição dos imóveis desocupados.

Sindicato dos Jornalistas lança Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento

Lançamento do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento
Será no dia 10 de maio, às 14h, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro – Rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar, Centro
Na cerimônia, a jornalista Miriam Leitão e o professor Muniz Sodré farão palestra sobre “A questão negra na mídia contemporânea”
Em 2011, Ano Internacional dos Afrodescendentes declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Sindicato lança a 1ª edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento. Fruto da iniciativa da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), o prêmio estimulará anualmente a cobertura jornalística qualificada sobre temas relacionados à população negra.
O lançamento será no dia 10 de maio, às 14h, no auditório do Sindicato – Rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar, Centro, e contará com as presenças da jornalista Miriam Leitão e do professor Muniz Sodré que farão uma palestra sobre “A questão negra na mídia contemporânea”. Na ocasião, Abdias Nascimento, um dos principais ícones da luta contra o racismo, será homenageado com uma placa com o seu registro profissional de jornalista, datado de 1947.
Batizado em homenagem a este ativista histórico dos direitos humanos, o Prêmio destacará a produção de conteúdos jornalísticos que contribuam para a prevenção, o combate às desigualdades raciais e a eliminação de todas as formas de manifestação do racismo.  Desta forma, objetiva estimular a prática de um jornalismo plural com foco na promoção da igualdade racial.
Para Miriam Leitão, o Prêmio “vai incentivar o país a falar de um assunto que é sempre tratado como não existente: o racismo. Quanto mais falarmos das nossas desigualdades, mais conheceremos o problema, quanto mais o conhecermos mais perto estaremos da sua solução”, aposta a jornalista. Já Muniz Sodré acredita que o recorte não é racial, mas sim axial: “O negro é o eixo novo de uma mudança nas relações sociais, porque, como o proletário em Marx, tornou-se classe histórica no país.”
Homenagear Abdias Nascimento, para ambos, contribui para a construção de uma mídia mais plural e igualitária. De acordo com Miriam Leitão, “Abdias Nascimento tem uma vida inteira de coerência na mesma luta, da qual é precursor no Brasil, de apontar a desigualdade racial como uma das chagas nunca curadas”. Muniz Sodré complementa, afirmando que “homenagear Abdias Nascimento com um prêmio de jornalismo é restituir ao jornalismo de hoje, tão empenhado em serviços de consumo, algo da pública voz cívica que ele tinha no passado, a exemplo da imprensa abolicionista e republicana. Abdias é voz de pulmão cheio”.
Inscrição e premiação
O Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento contempla sete categorias: mídia impressa; televisão; rádio; mídia alternativa ou comunitária; fotografia; Internet; e categoria especial de gênero, com destaque para as reportagens com foco nas demandas femininas. A melhor reportagem de cada categoria receberá o prêmio de R$ 5.000,00. Os vencedores serão anunciados em uma grande festa que ocorrerá em novembro, mês de comemoração da Consciência Negra.
As inscrições para o Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento estarão abertas no período de 11 de maio e 19 de agosto de 2011. Estão aptos a participar do Prêmio jornalistas profissionais em todo o país. As reportagens inscritas devem ter sido veiculadas ou publicadas entre 1 de janeiro de 2009 e 30 de abril de 2011.
Entre os temas sugeridos para concorrer ao Prêmio, estão: saúde da população negra, intolerância religiosa, juventude negra, ações afirmativas, empreendedorismo, desigualdades, direitos humanos, relações raciais, políticas públicas, populações e comunidades tradicionais e discriminação racial.
Abdias: breve biografia
O ex-senador Abdias Nascimento é um ícone no combate ao racismo no país. Nascido em 1914, desenvolveu vasta produção intelectual como ativista, político, pintor, escritor, poeta, dramaturgo. Natural de São Paulo, participou dos primeiros congressos de negros no país. Já no Rio de Janeiro, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN) na década de 1940. Como jornalista, foi repórter do Jornal Diário, além de ter trabalhado em vários periódicos. Fundou o Jornal Quilombo e também é filiado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro desde 1947.
Pressionado pela ditadura, se exilou nos Estados Unidos durante 13 anos. De volta ao Brasil, ocupou os cargos de deputado federal e senador. Hoje, aos 97 anos, é professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa por várias instituições de ensino superior, entre elas, a Universidade de Brasília e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Cojira-Rio
Desde 2003, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro lida com questões relacionadas à discriminação racial no mundo do trabalho secundado pela educação. Atualmente, a equipe é formada por Angélica Basthi (coordenação), Sandra Martins (coordenação), Miro Nunes (coordenação), Isabela Vieira (integrante) e Camila Marins (integrante).
Mais informações sobre o Prêmio: www.premioabdiasnascimento.org.br

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O livro Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil já está à venda

Informamos que o livro "RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL", de Sueli Carneiro, da coleção Consciência em Debate já está à venda nas melhores livrarias. Mais informações no site da Selo Negro Edições, pelo telefone (11) 3865-9890 ou pelos e-mails listados no final da mensagem.
Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil Entre 1999 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro – fundadora do Geledés Instituto da Mulher Negra – produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Este livro reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Em cada linha, a autora convida o leitor a refletir criticamente sobre a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado – de modo vergonhosamente desigual – as relações sociais e políticas do país.
Esta obra faz parte da Coleção Consciência em Debate, coordenada por Vera Lúcia Benedito, mestre e doutora em Sociologia/Estudos Urbanos pela Michigan State University(EUA) e pesquisadora dos movimentos sociais e da diáspora africana no Brasil e no mundo. O objetivo da Coleção é debater temas prementes da sociedade brasileira, tanto em relação ao movimento negro como no que concerne à população geral. Outros volumes: Relações raciais e desigualdade no BrasilPolíticas públicas e ações afirmativasHistória da África e afro-brasileiraLiteratura negro-brasileiraImprensa negra no Brasil do século XIX.
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Sueli Carneiro é filósofa e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Fundadora e coordenadora executiva do Geledés Instituto da Mulher Negra, é diretora vice-presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos e ativista do Movimento Feminista e do Movimento Negro do Brasil. Autora de artigos sobre gênero, raça e direitos humanos em diversas publicações, integra o Grupo de Pesquisa “Discriminação, Preconceito e Estigma”, da Faculdade de Educação da USP, e o conselho consultivo do Projeto Mil Mulheres.
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Para mais informações sobre o livro, acesse o endereço http://www.gruposummus.com.br/detalhes_livro.php?produto_id=1257 Para ler as primeiras páginas do livro, acesse o endereço http://www.gruposummus.com.br/indice/40046.pdf. (Para visualização do arquivo PDF, é necessário ter instalado o software Adobe Acrobat Reader em seu computador. Caso não tenha, clique aqui para efetuar o download do software gratuitamente direto do site da Adobe.)

Brasil fora da linha na Copa e nas Olimpíadas

Fonte: raquelrolnik
Divulguei hoje pela Relatoria Especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada um comunicado sobre violações do direito à moradia no âmbito da preparação do Brasil para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Leiam abaixo. Para ler a versão em inglês, clique aqui.

Brasil fora da linha na Copa e nas Olimpíadas

Com a preparação do Brasil para sediar a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, a Relatoria Especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o Direito à Moradia Adequada vem recebendo muitas denúncias sobre remoções e despejos que têm acarretado violações de direitos humanos. As denúncias referem-se a diferentes cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza.
Em dezembro do ano passado, a Relatora Raquel Rolnik enviou uma carta ao governo brasileiro na qual relata as denúncias recebidas e solicita informações sobre cada cidade, destacando os pactos internacionais assinados pelo país sobre o direito à moradia e outros direitos humanos. Depois de quatro meses, a Relatoria ainda não recebeu resposta ao documento por parte do governo. O dossiê em anexo ao final deste texto traz mais detalhes sobre violações já ocorridas e possíveis violações em andamento.
Para Raquel Rolnik, parece haver em todas as cidades um padrão de falta de transparência, consulta, diálogo, negociação justa e participação das comunidades atingidas em processos relativos a remoções já realizadas ou planejadas no âmbito da preparação para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Ela considera preocupantes as indenizações muito limitadas oferecidas às comunidades afetadas, o que é ainda mais grave dada a valorização imobiliária em locais onde estão sendo feitas as obras relacionadas aos megaeventos.
Segundo a Relatora, indenizações insuficientes podem ter como consequência a formação de novas favelas e mais famílias sem teto. Inúmeras remoções já foram executadas sem que tenha sido dado, às pessoas atingidas, tempo suficiente para discussão e proposição de alternativas, e sem planos adequados para o reassentamento. Além disso, pouca atenção é dada ao acesso à infra-estrutura, serviços e meios de subsistência nos locais propostos para realocação.
Diante das denúncias, a Relatora pede aos governos federal, estaduais e municipais envolvidos na preparação para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos que instaurem um processo de diálogo transparente com a sociedade brasileira, especialmente com os setores da população diretamente afetados pelas obras. Enquanto isso não acontece, as autoridades devem suspender as remoções previstas e as obras em andamento até que estejam assegurados os canais de participação, diálogo e negociação e planejadas adequadamente as possíveis realocações.
A Relatoria entende que o governo brasileiro deve adotar um “Plano de Legado Sócio-ambiental e de Promoção dos Direitos Humanos” para garantir que a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos venha a ter um impacto social e ambiental positivos, evitando violações de direitos, inclusive o direito à moradia adequada. Este é um requisito fundamental para que esses dois megaeventos promovam o respeito aos direitos humanos e deixem um legado positivo para o Brasil.
Clique aqui para ler o dossiê sobre remoções no contexto da preparação do Brasil para a Copa e as Olimpíadas.
Leia também resolução aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o direito à moradia no contexto dos megaeventos esportivos.
Conheça o guia e a cartilha sobre remoções forçadas, preparado pela Relatoria, com o objetivo de orientar os agentes envolvidos neste processos sobre como atuar respeitando os direitos humanos.

Solução para a lentidão do Ubuntu 10.10 com as placas de vídeo Intel 82945G e 82801G

Fonte: ubuntuforum
Sempre que encontro uma solução que facilite a minha vida no Linux, gosto de disponibilizar esta informação no blog. Há muito vinha procurando resolver os travamentos do Ubuntu 10.10, causados pelo conflito com a placa de vídeo Intel Corporation 82801. A informação que me salvou, pois já pensava em formatar o computador e instalar o Ubuntu 10.04, não se referia a placa assinalada anteriormente, mas a uma outra placa da Intel, a 82945G, contudo, resolveu o meu problema e é isto o que eu esperava. Por isso fiz este pequeno tutorial, baseado no que está no link: http://ubuntuforum-pt.org/index.php/topic,68073.30.html
1) Instale o "Compiz Fusion Icon", pelo Synaptics, ou pela Central de Programas do Ubuntu;
2) Vá ao painel e clique em Aplicativos/Ferramentas do Sistema/Compiz Fusion Icon;
3) Retorne ao painel e clique com o botão direito sobre o ícone do Compiz Fusion Icon;
 4) Habilite o "Loose Binding" e o "Indirect rendering", e pronto acabam-se os problemas de travamento.

Espero ter ajudado. Obrigado pela atenção!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Estado trata pior os negros, diz Paixão

 Palavras do Pelenegra: O economista Marcelo Paixão, junto ao Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), cumpre com méritos o papel de mostrar através de dado à sociedade brasileira as desvantagens de ser negro neste país. Com isso, torna real aquilo que já era evidente por si mesmo, mas que não podíamos asseverar por haver poucos estudos estatísticos sobre o assunto, além dos realizados pelo IBGE. E assim rapidamente vai dando forma ao racismo brasileiro, tornando indiscutível sua existência e contribuindo para a construção de uma teoria racial brasileira, que não apenas o desnude, mas possibilite a construção de uma sociedade mais justa e solidária.


Por: Redação - Fonte: Afropress - 21/4/2011 Rio - O Relatório do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER) - 2009/2010, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), bota por terra a propaganda dos Governos em relação a situação da população negra, que teria sofrido significativa melhora com a redução dos índices de desigualdade por causa do bom momento da economia.

Segundo o economista Marcelo Paixão, “se por um lado, a população negra depende mais do Estado, o próprio Estado trata pior a população negra”. “A necessidade que a gente tem de fazer esses dados é justamente para tensionar o Estado para dar respostas a essas questões”, acrescentou.

Veja trechos da entrevista concedida, por telefone, por Paixão ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira.

Afropress - Professor Paixão, o que há de novo em relação ao primeiro Relatório do LAESER, o de 2007/2008. É possível destacar avanços?

Marcelo Paixão - Algumas políticas que vieram da Constituição significaram avanços. O Bolsa Família, não posso deixar de reconhecer como avanço: a maioria da população beneficiária é negra. Mesmo o Sistema Único de Saúde (SUS). Quando a população negra precisa de internação hospitalar, 80% procura o SUS. Não dá prá dizer que uma política dessas não tenha tido importância. Mesmo os indicadores de universalização da cobertura da rede de ensino para a população entre 7 e 14 anos, também tem importância.

Só que, para cada um desses indicadores, eu tenho tantos vetores que servem como contraponto que cada um deles fica colocado sobre uma perspectiva que acaba não sendo muito otimista.

Afropress - Quais os pontos que o senhor destaca no Relatório?

Paixão - Existe uma taxa de cobertura que pega já quase 100% das crianças entre 7 e 14 anos. Porém, quando a gente pega os indicadores da qualidade do acesso que as crianças têm ao sistema do ensino, a gente vê que a grande maioria está defasada da relação idade série, que a grande maioria não estuda na série adequada. Quando a gente observa o Sistema Único de Saúde (SUS), vê que a taxa de não cobertura da população negra é maior que o da população branca, em níveis relevantes.

Quando nós analisamos os percentuais da população que não está satisfeita com o atendimento recebido, vê que entre os negros é maior que a população branca. A gente vai verificando que, se por um lado, a população negra depende mais do Estado, o próprio Estado trata a população negra pior. E aí, é claro, que isso gera um paradoxo permanente, e a necessidade que a gente tem de fazer esses dados é justamente para tensionar o Estado para dar respostas a essas questões.

Afropress - O Relatório cobre todos os municípios do Brasil?

Paixão - Não. O relatório cobre o Brasil, não há como produzir uma publicação com esse tipo de extensão. A gente consegue com esse relatório fazer uma discussão geral como objetivo era discutir a Constituição, não era tão necessário produzir uma análise tão minuciosa, sobre cada município, sobre cada Estado.

Afropress - Segundo dados divulgados pelo Relatório, em quase 770% dos casos de racismo, os réus ganham. Esse é um dado estarrecedor que demonstra que existe um déficit de Justiça para os negros...

Paixão - A gente tem Leis, as Leis são maravilhosas. Nunca vi Lei dizendo que está liberada a discriminação, que estão liberados os preconceitos, que está liberado como atacar os negros. Então, legal, a gente tem Leis. E aí o que cabe verificar é o seguinte: elas estão sendo efetivadas, elas estão verificadas, estão realizadas na prática. Se a gente não tem mecanismos prá fazer esse monitoramente, com certeza, o nosso movimento será sempre um movimento que terá falhas no seu processo de lutas e reivindicações. A análise, os instrumentos estatísticos não são uma solução, mas sem eles não tem como a gente dar passos, porque precisamos compreender a realidade em que vivemos.

Afropress - Qual a sua expectativa com a divulgação desses dados, o senhor espera que gerem demandas do movimento social negro em relação ao Estado?

Paixão - Deveria gerar junto ao SUS, ao MEC, ao Instituto da Previdência Social. Cada passagem do Relatório suscita, não digo, uma passeata, mas pelo menos uma conversa pra verificar o que está acontecendo. Esse trabalho tem um público alvo: é o movimento negro. E espero que possa servir como mecanismo de empoderamento, de problematizar as políticas, formar lideranças.

Onde estão as "flores" de Geraldo Vandré?

 Palavras do Pelenegra: Onde terão sepultadas as flores de Geraldo Vandré? Até onde a ditadura foi para infringir tão duro golpe a um de seus mais ferrenhos opositores, oposição realizada com sua potente voz e seu cristalino violão? O mar de flores felizes do Maracanãzinho perdeu sua luminosidade, destruído nos porões da Rede Globo, quintal dos ditadores. Onde choraremos a morte das flores de Vandré, espezinhadas, pisoteadas por coturnos e sapatos italianos? Quem deverá pagar por tão brutal crime à memória nacional?

Maria do Rosário Caetano
Especial para o Brasil de Fato

No dia em que completou 75 anos (12 de setembro do ano passado), o cantor e compositor paraibano, Geraldo Vandré, sugeriu ao repórter Geneton Moraes Neto que procurasse, nos arquivos da Rede Globo, o VT (videotape) com a as imagens do imenso coro que acompanhou, no Maracanãzinho, os versos de “Caminhando” ou “Prá Não Dizer Que Não Falei das Flores”.
“Aquilo (o Maracanãzinho lotado) foi bonito, muito bonito. Pena que eu não possa ver o VT”, lamentou a Geneton, que o entrevistava na sede carioca do Clube da Aeronáutica. E prosseguiu: “estão guardando o VT não sei para quê. Quero ver o VT. Lá na sua estação (Rede Globo) devem ter. Procure lá. Consegue o VT para ver!”
Geneton procurou o registro da participação de Vandré no FIC 1968 (Festival Internacional da Canção) com muito empenho. E procurou não só as imagens do imenso coro que entoou os versos de “Caminhando” com Vandré, mas também o registro de depoimento que o compositor prestou “por sugestão” da Polícia Federal (e que foi retransmitido por emissoras de TV de todo país) quando de seu regresso do exílio, em 1973.
O autor de “Vandré – Dossiê Globonews”, apresentado no canal a cabo, no final do ano passado, procurou no arquivo da Rede Globo, no Arquivo Nacional, nos arquivos da Polícia Federal e nada. Além de Geneton, outros cineastas e caçadores de imagens buscaram, e continuam buscando, há anos, filmes e VTs do autor de “Disparada”.
Por enquanto, uma constatação se impõe: não resta praticamente nada - pelo menos em solo brasileiro - dos registros cinematográficos ou televisivos da curta (1961-1968) carreira de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, que primeiro se chamou Carlos Dias (um cantor de acento bossanovista) e depois optou, em homenagem ao pai, o médico José Vandregísilo, pelo nome artístico de Geraldo Vandré.

Paranoia?
Teria a paranoia dos anos Médici levado emissoras de TV a destruir as imagens em movimento do artista paraibano? Onde estão as imagens de Vandré cantando nos festivais das TVs Excelsior, Record e Globo? Onde estão as imagens gravadas pela produtora de Dino Cazzola, no Aeroporto de Brasília, quando o artista regressou de seu exílio no Chile (com breves passagens por Peru, Argélia, Alemanha e França)?
Onde estão as sobras do longa-metragem “Quelé do Pajeú”, lançado em 1969, de Ancelmo Duarte (1920-2000), que teve o cantor como ator secundário (interpretando um cangaceiro)? Ricardo Duarte, filho de Ancelmo, está empenhado em resgatar a obra completa do pai. Por enquanto, não encontrou nem uma cópia inteira do filme. Que dirá de suas sobras.
O documentarista Cleisson Vidal, da produtora Terra Firme, está preparando documentário de longa-metragem sobre o cinegrafista ítalo-brasileiro Dino Cazzola (que chegou a Brasília em 1959 e lá faleceu em 1998). Cazzola integrou a geração de pioneiros dos cinejornais brasilienses e produziu o registro de histórico depoimento de Vandré, exigido pela Polícia Federal, em troca da permissão de seu regresso. O compositor já não suportava o exílio, estava deprimido e Santiago do Chile vivia os derradeiros (e conturbadíssimos) dias do governo Allende. Vandré prestou seu depoimento à equipe de Dino Cazzola em julho de 1973. Menos de dois meses depois, em 11 de setembro, o general Pinochet depunha Salvador Allende.
“Busco incansavelmente, nos últimos anos” – conta Cleisson Vidal – “os registros do depoimento que Vandré deu à equipe de Dino Cazzola, pois este é um dos momentos mais importantes da trajetória da produtora”. Apesar das buscas, Vidal não conseguiu encontrar nenhuma imagem. “Nestas alturas”, diz ele, “eu me daria por satisfeito se conseguisse ao menos o “áudio” para usar no documentário sobre o acervo de Dino Cazzola”.
Jornais da época transcreveram trechos da fala do autor da “Marselhesa brasileira” (assim Millor Fernandes definiu “Prá Não Dizer que Não Falei das Flores”):
Vandré: “Olha, em primeiro lugar, eu acho que minhas canções de hoje são mais enunciativas que denunciativas. E eu espero integrá-las à realidade nova do Brasil, que espero encontrar em um clima de paz e tranquilidade. Mesmo porque a vinculação do meu trabalho, até hoje, com a utilização por qualquer grupo político, ocorreu sempre contra a minha vontade. Eu tratei que esses trabalhos estivessem sempre vinculados à realidade brasileira, em termos de melhor representar a cultura nacional”.

Memória apagada?
Marília Santos, viúva do cineasta Roberto Santos, autor do longa “A Hora e Vez de Augusto Matraga” (trilha sonora de Vandré), lembra que foram realizados “três programas com o compositor paraibano e o Quarteto Novo, na TV Record”. Coube a Vandré “interpretar um personagem chamado Zezinho Disparada, pois o programa nasceu do imenso êxito da toada nordestina “Disparada”, que dividiu o primeiro lugar, no Festival da Record (1966), com “A Banda”, de Chico Buarque”. Marília, que cuida do resgate da obra de Roberto Santos, não acredita que os programas tenham sido preservados no acervo da emissora. Não tem notícias nem de fragmentos do material.
A mesma opinião tem o cineasta Marcelo Machado, que está finalizando documentário em longa-metragem sobre a Tropicália. “Não encontrei imagens em movimento de Vandré” – testemunha – “no material que acessei nos arquivos da TV Record, em especial trechos da final do Festival de 1966, uma eliminatória e as finais de 1967 e 1968”. O realizador lembra que “não existe muito material nas matrizes quadruplex (video-tape de duas polegadas) dos festivais”. E mais: “os rolinhos de filmes em 16 milímetros dos cinejornais de 1968 desapareceram todos”.
Marcelo encontrou, “no Youtube, esta fonte inesgotável e informal, imagens de Vandré cantando "Arueira" em 1967, com o selo da Record”. Já as imagens em movimento de "Para Não Dizer que Não Falei das Flores", feitas para o Festival Internacional da Canção, de 1968, pela Rede Globo, “parecem não existir mais”. Até onde foram minhas pesquisas” – arremata -- “só vi fotos fixas”. Por isto, “para ‘Proibido Proibir’, de Caetano Veloso, apresentada no mesmo festival, estou animando fotos”.

Caçadores de imagens
Para levantar os registros audiovisuais do filme “Tropicália” (Vandré se entrasse na narrativa o faria na condição de antagonista do grupo tropicalista, já que filiava-se ao núcleo duro da MPB, aquele ligado às raízes nordestinas), Marcelo Machado buscou ajuda de dois grandes “caçadores de imagens”, Antonio Venâncio e Eloá Chouzal, ele no Rio, ela em São Paulo.
Antônio Venâncio garante, depois de buscas infindáveis, que “não existe” registro do Vandré cantando ‘Prá Não Dizer que Não Falei das Flores’ no FIC de 1968. “Já vasculhei em diversas direções e não há um traço deste material”. “A TV Globo tem uma gravação dele já no começo dos anos 1970, num estúdio na Alemanha, cantando esta música” (material mostrado no “Dossiê GloboNews”, de Geneton Moraes Neto).
“Perdemos a maioria dos arquivos de TVs registrados nos anos 1960”, lamenta o pesquisador. “O curioso é que a Globo tem o registro de ‘Sabiá’, de Tom Jobim e Chico Buarque, vencedora do FIC 1968. Na minha opinião, a perda da música favorita do público da badalada edição do FIC tem ligação direta com a ditadura militar. É possível que o medo tenha levado a emissora a apagar o registro”, diz Antônio Venâncio.
O pesquisador conta que “uma outra emissora de TV (que não a Globo) em operação nos dias atuais dispõe de arquivo em película, no qual estão filmetes de 1963, 64, 65, 66, 67, ... 1969, etc. Mas do ano de 1968 não há um único rolinho de filme. Isto é sintomático, não?”
Venâncio observa “a recorrência/repetição dos mesmos materiais em toda produção cinematográfica que se propõe a mostrar a repressão em 1968. Notamos em todos os documentários, sejam de cinema ou TV, sempre com as mesmas imagens. No exterior – e isto demanda novas pesquisas e custos – existem algumas imagens diferentes e com qualidade muito melhor do que estas que vemos sempre nas produções nacionais”.
O “caçador de imagens” lembra que “a culpa pela calamidade de nossos arquivos audiovisuais não é só da repressão dos governos militares. “Incêndios, enchentes, falta de cuidados e de interesse reduziram nossa memória televisiva dos anos 1960 a poucas horas de material”.

domingo, 24 de abril de 2011

Mais uma denúncia de racismo - Vigilante é torturado por seguranças das Lojas Americanas

Fonte: afropress
Por: Redação: Com informações do Midiamaxnews, o Jornal Eletrônico de Mato Grosso do Sul/Jornalista Vinicius Squinelo. - Fonte: Afropress: Midiamaxnews - o Jornal Eletrônico de Matro Grosso do Sul - 23/4/2011 Campo Grande/MS - O vigilante Márcio Antonio de Souza, 33 anos (foto), foi brutalmente espancado por seguranças das Lojas Americanas de Campo Grande, na manhã deste sábado (23/04), acusado de furto de um ovo de páscoa pelo qual já havia pago.

O caso lembra o episódio envolvendo o vigilante da USP, Januário Alves de Santana, tomado por suspeito do roubo do seu próprio carro – um Ford EcoSport – numa loja dos supermercados Carrefour de Osasco, em agosto de 1.979.

Pressionado pela repercussão do caso – que ganhou espaço nos principais jornais e telejornais das principais redes de TV- o Carrefour teve de indenizar Santana por danos materiais e morais, e a Polícia de S. Paulo acabou por enquadrar os agressores por crime de tortura, motivada por discriminação racial, medida inédita no Brasil.

A violência em Campo Grande aconteceu por volta das 09h, quando Souza, depois de ser abordado por um segurança, foi levado para uma sala reservada e espancado barbaramente.

Radiografias feitas na Unidade de Pronto Atendimento Vila Almeida e depois na Santa Casa de Campo Grande, para onde foi levado, e, posteriormente laudo do Instituto Médico e Odontológico Legal, confirmaram a fratura no nariz e lesões no rosto e na boca que ficaram cobertos de hematomas.

“Ele simplesmente disse “você é um ladrão e merece apanhar" e começou a me bater. Se tivesse perguntado eu chamaria minha ex-mulher Clemilda, que estava lá fora com minha filha, pra explicar tudo", contou o vigilante ainda sob choque e com o olho esquerdo fechado em virtude dos socos que recebeu. Na segunda, ele deverá ser submetido a uma cirurgia para reparar os ferimentos no nariz e no maxilar.

O caso está registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Campo Grande, que deve instaurar inquérito para apurar os crimes de racismo, lesão corporal, tortura, ameaça e calúnia.

Terror e tortura

Souza disse que havia comprado dois ovos de páscoa na loja Makro, que fica próximo às Lojas Americanas e combinado de entregar um deles na rua Candido Mariano para a filha de 11 anos, na frente da loja, como presente de Páscoa. “Após dar o presente, resolvi atravessar a loja das Americanas para pegar minha moto, que tinha deixado na rua Dom Aquino. Foi quando fui pego pelo segurança”, contou.

Procurados pelo repórter Vinicius Squinelo, do Midiamaxnews, o Jornal Eletrônico do Mato Grosso do Sul, os responsáveis pela loja não quiseram se manifestar. O gerente da loja, que também não se identificou, mandou dizer, por meio de um atendente, que não ia dar entrevistas e que desconhecia o caso.

Prova

A violência contra o vigilante provocou a revolta da família que disse que irá às últimas conseqüências para que o caso não fique impune. Gilson Fernandes, 39 anos, irmão da vítima, disse à Afropress que a agressão foi motivada por racismo, pois o irmão foi tomado por suspeito de roubo, apenas pelo fato de ser negro.

“Trabalho na área da segurança privada, não se faz uma violência dessas. Acredito que o ponto x desse caso tenha sido a cor da pele do meu irmão. A empresa é responsável pelos funcionários que contrata e nós não vamos deixar esse caso ficar impune. Toda a família está abalada, minha sobrinha de 11 anos, me ligou dizendo que o pai tinha sido espancado. Isso é inaceitável”, concluiu.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

CUT faz 1º de Maio para pregar pelo fim do racismo no Brasil

Palavras do Pelenegra: Considero que de todas as notícias acerca da luta contra o racismo no Brasil esta seja a mais importante nos últimos anos. A junção da luta contra o racismo com a militância sindical é condição essencial e necessária, tanto para o fortalecimento das organizações de trabalhadores, quanto para o robustecimento dos movimentos sociais ligados à questão racial. Aliás, há vários sindicatos em que existem secretarias e departamentos responsáveis pela ação política contra o preconceito e a discriminação racial, mas faltava um comprometimento mais claro e resoluto do movimento sindical com esta problemática. Em minha opinião, não há racismo sem capitalismo, e nem capitalismo sem racismo. Daí perceber que estas lutas são conexas e dependem para serem mais incisivas, uma da outra. Sei que muitos estudiosos, militantes negros e sindicalistas compromissados, seja com a luta sindical, seja com a questão racial, creem que as lutas, sindical e racial, são excludentes, que não haveria espaço para a luta racial nas organizações operárias, pois a mesma dividiria o movimento, assim como as organizações negras desconfiam dos movimentos operários por não verem nas experiências socialistas passadas, sobretudo em Cuba uma preocupação de romper efetivamente com o racismo, ou mesmo, quando analisam o rompimento dos movimentos anticolonialistas, com os partidos comunistas em relação à 2ª Guerra Mundial, que deram prevalência à luta contra o nazismo, e não, a favor da descolonização, vindo a apoiar assim a França e a Inglaterra, justamente, as maiores potências imperialistas da época. Contudo, vemos que estamos em um momento que precisamos desta unidade para combater o neoliberalismo e a "globalização perversa", nos termos tão bem definidos pelo intelectual e geógrafo negro, Milton Santos, não há como afastar da luta por uma sociedade mais justa os movimentos sociais, que pelejam contra a discriminação racial e regional(nordestinos), o machismo, a homofobia, e outros. Sendo que também não há como chegar a uma sociedade mais igualitária agindo como movimentos estanques, em batalhas particulares e solitárias que só fortalecem o que aí está. Por conseguinte, comemoro a atitude da CUT e espero que as organizações negras vejam este gesto como um alvorecer para lutas futuras, comuns e vitoriosas.

Veja a entrevista do presidente da CUT/SP a TVT - TV dos Trabalhadores
 
Por: Redação - Fonte: Afropress: Foto - Vilma Amaro/Assessoria de Comunicação da CUT/SP - 18/4/2011
S. Paulo - A CUT (Central Única dos Trabalhadores), a principal central sindical do país, transformará o 1º deste ano numa celebração à influência africana no Brasil e escolheu o tema “Brasil-África: fortalecendo a luta dos trabalhadores”, como mote de um movimento mais amplo que pretende incorporar de uma vez a luta contra o racismo no mundo do trabalho.
As comemorações que começam no dia 25 de abril e terminam no dia 1º de maio, incluem atividades como seminário internacional, cursos de capacitação, oficinas culturais, exposição de livros, obras de arte, mostra de filmes brasileiros e africanos, manifestações culturais afro-brasileiras, gastronomia, shows e ato interreligioso privilegiando as religiões de matriz africana.
A programação será encerrada com uma grande manifestação no 1ª de maio no Parque da Independência, no Ipiranga, em S. Paulo, onde deverão ser homenageados os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nelson Mandela.
“A proposta é dar um primeiro passo para refletirmos sobre nossa condição de país afro-descendente e aprofundarmos nossos intercâmbios internacionais a partir de nossas lutas e conquistas. Somamos, hoje, mais de 90 milhões de afrodescendentes e essa consciência ainda não está presente na totalidade de nossa população. Além disso, os países africanos, que estão na raiz de nossa origem, são pouco conhecidos em sua dimensão histórica, institucional, econômica, social e cultural”, afirmou o presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima (foto), o único negro a presidir uma central sindical, em S. Paulo, e um dos poucos dirigentes sindicais negros em posto de comando no Brasil.
Adi coordena a programação com a ajuda da ex-ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro, que presta consultoria ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e foi cedida desde fevereiro para ajudar nos preparativos.
Reconhecer a identidade
Segundo ele, “as centrais sindicais brasileiras tem que inverter a lógica criada pelo racismo e mostrar para a classe trabalhadora brasileira que, ao reconhecer sua identidade, ela se fortalecerá”.
“Nós teremos mais espaço no mercado de trabalho, nós teremos mais espaço na educação, nós teremos mais espaço na sociedade como um todo. Então, nós temos que inverter essa lógica e mostrar a sociedade brasileira que ao acabar com o racismo nós estaremos construindo uma sociedade mais justa, mais igualitária. É esse o nosso objetivo”, afirmou.
Na entrevista que concedeu durante o ato de lançamento do 1º de Maio, no Sindicato dos Bancários, na última terça-feira, o dirigente da CUT, reconheceu que a grande dificuldade é fazer com que a sociedade reconheça sua verdadeira identidade.
“Nós somos de origem africana, nós temos uma população negra que hoje, tirando a África nós somos o segundo maior país de cor negra no mundo. Ou seja, nós temos todas as características de uma identidade negra”, acrescentou.
Veja, na íntegra, a entrevista do presidente da CUT em S. Paulo, ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira..
Afropress – Como é que o movimento sindical hoje e a CUT vê a questão racial brasileira?
Adi – O movimento sindical brasileiro foi educado prá reivindicar. Se você olhar a estrutura sindical brasileira, são poucos os sindicatos no Brasil que tem preocupação com a questão da cidadania. Mas, isso vem mudando e vem mudando em face de que o mundo está mudando. O mundo do trabalho não é mais o mundo do trabalho de 20, 30 anos atrás. E aquele sindicato que não entrou na questão da cidadania, está fadado a morrer, porque o trabalhador de hoje quer discutir questões inerentes ao seu dia a dia.
A CUT nasceu em 1.983 defendendo esse tipo de concepção. Mesmo assim, nós ainda temos dificuldades de colocar como uma bandeira essa questão da integração dos movimentos sociais, no que tange a questão do racismo, a questão da mulher trabalhadora, a questão da inserção do negro no mercado de trabalho, ou seja: são temas que estão surgindo na pauta do movimento sindical.
E esse encontro agora, através desse evento, ele faz um gesto nessa direção. Nós não podemos ficar só olhando para o nosso umbigo, precisamos resgatar a nossa história. Precisamos olhar o que significa a nossa identidade e nossa identididade ela é intimamente ligada a identidade da África.
Afropress – O racismo é uma realidade no mundo do trabalho? Você tem essa percepção? Você como negro, como dirigente sindical, tem essa percepção?
Adi - Eu digo prá você que não é só no mundo do trabalho. Se você sair fora do mundo do trabalho, se você tiver aposentado e for negro, você certamente será tratado de forma diferenciada. Então, o mercado de trabalho discrimina, mas a sociedade também discrimina. E pior que isso: muita gente não se sente racista, muita gente não aceita ser chamado de racista e, portanto, a grande dificuldade que nós temos é a sociedade reconhecer a sua verdadeira identidade.
Nós somos de origem africana, nós temos uma população negra que hoje, tirando a África, nós somos o segundo maior país de cor negra no mundo. Ou seja: nós temos todas as características de uma identidade negra.
Agora, o que nós temos é o preconceito, que muitas pessoas fogem dessa realidade, dessa identidade porque tem medo. Porque se ele se identificar ele é discriminado, ele é expulso, ele é excluído, mas nós temos que fazer o contrário. As centrais sindicais tem que inverter essa lógica, mostrar para a classe trabalhadora brasileira que ao reconhecer sua identidade, ela se fortalecerá. Nós teremos mais espaço no mercado de trabalho, nós teremos mais espaço na educação, nós teremos mais espaço na sociedade como um todo. Então, nós temos que inverter essa lógica e mostrar a sociedade brasileira que ao acabar com o racismo nós estaremos construindo uma sociedade mais justa, mais igualitária. É esse o nosso objetivo.
Afropress - Você sente que as coisas estão mudando?
Adi – Está mudando. Nós vimos recentemente o Estatuto da Igualdade Racial. Foi um avanço, para quem não tinha nada foi um avanço. E nós temos ainda que continuar avançando. Nós temos a Lei 10.639, que foi sancionada mas não saiu do papel porque o preconceito é muito grande no meio estudantil, no meio educacional, nós precisamos tirar do papel essa lei e fazer valer na prática a implementação da cultura africana nas escolas. Ou seja: está mudando.
Nós temos hoje uma Secretaria com status de Ministério, a Seppir, isso é um avanço, mas nós temos que avançar mais, nós temos que ter mais políticas públicas voltadas para a questão racial no Brasil.
Afropress – Você é um dos poucos dirigentes sindicais negros no Estado de S. Paulo e no Brasil. Não são muitos os dirigentes sindicais negros...
Adi - Não. Porque se você olhar o mercado de trabalho, nós somos maioria no mercado de trabalho, mas quando a gente olha pra questão da opção, eu fiz um opção na minha vida e não me arrependo e acho que fui no caminho certo, que foi ir numa vertente de defender os trabalhadores, defender as trabalhadoras, mas isso não é uma realidade no Brasil, porque se todos os negros e negras reconhecessem essa identidade, possivelmente, não precisaríamos estarmos todos no mesmo movimento mas, poderíamos estar na mesma sociedade e hoje agente não está. Agente vê nas escolas, nos bancos, nas fábricas, quem é que tem ascenção aos cargos de chefia, de secretaria, quem é que tem emprego em bancos públicos, ou mesmo em bancos privados.
Ou seja: está mudando, mas precisamos mudar muito mais, mas nós estamos no caminho certo, que é fazer eventos como esses.
Afropress – A CUT está completamente comprometida com essa bandeira da inclusão da população negra aos direitos básicos da cidadania, com o combate ao racismo e à desigualdade? A CUT está ganha para essa batalha?
Adi - Nossa direção hoje ela está muito voltada para as questões sociais. Nós estamos hoje com uma agenda de inclusão social. Estamos com uma agenda de lutar pelos direitos da igualdade, não só na questão racial, mas na questão da mulher.
Nós estamos hoje com uma agenda voltada para a inclusão social como um todo, mas principalmente, olhando o mercado de trabalho que é onde nós atuamos. Então, nós queremos no mercado de trabalho ter direitos iguais para funções iguais, salários iguais para funções iguais, independente de ser homem ou mulher, independente de ser branco ou negro. Ou seja: a pauta da CUT ela é uma pauta voltada para a questão da igualdade.
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