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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A ascensão da classe média negra e o estranhamento branco

 O mito da democracia racial
Quando Donald Pierson, sociólogo estadunidense, autor de livros como "Negroes in Brazil", "Brancos e pretos na Bahia" veio para o Brasil estudar as nossas relações raciais, na década de 1930, por meio da Unesco, buscava entender como se davam as relações harmônicas, tão decantadas por sociólogos como Gilberto Freyre, Arthur Ramos e outros. Os Estados Unidos viviam sérios problemas raciais, fazia-se necessário descobrir, como no Brasil, brancos e negros conviviam "felizes" e "satisfeitos".

A ação dos movimentos negros e os neoracistas
Passadas algumas décadas, muito desta mitologia já foi demolida pelos movimentos sociais, em particular, pelo movimento negro, mesmo assim, ainda ouvimos ecos desta ideologia nos grupos neoracistas, que tentam, através do mito da democracia racial, impedir os avanços sociais e políticos conseguidos através da luta da população negra.
É comum, lermos ou assistirmos elementos destes setores afirmarem que as ações afirmativas não são cabíveis em nosso país, pois não há racismo no Brasil. Não vamos nem citar aqui o livro de Ali Kamel: Não somos racistas", uma pérola no gênero.

 A ascensão de uma classe média negra e o estranhamento branco
Entretanto, o mito da democracia racial no Brasil começa agora, de fato, a ser colocado à prova. Não com uma parcela ínfima de negros, empurrados para cima pelas ações de discriminação positiva, mas pela ascensão de uma nova classe média, majoritariamente, composta por negros. A população negra passa a ocupar lugares antes destinados a outros donos. Os olhares desacostumados a "pontos negros" na multidão branca, nos melhores lugares sociais, logo piscam por estranhamento. Os rostos se contorcem por não acreditar. E quase se ouve a pergunta: O que estes negros estão fazendo aqui?

O racismo no Galeto Sat's no Rio de Janeiro
É este o caso do racismo ocorrido com o empresário negro Jaziel Menezes de Oliveira, no Galeto Sat's. Fica óbvia também a dificuldade de aplicação da lei Caó, nos casos de racismo contra negros, quando a autoridade judicial se nega a levar a denúncia adiante. Neste caso fica transparente como a elite branca e racista lida com esta questão, jogando-a para debaixo do tapete, negando-a, tentando convencer a vítima de que houve um mal entendido. Mas fica a pergunta: Como os racistas acostumados a ver os negros como seus empregados os verão agora, como pessoas da mesma condição social? 
Contudo, o mais importante, é como nós negros lidaremos com estas escaramuças. Como saberemos interpretar as situações e tomarmos as medidas cabíveis? Nos omitiremos, denunciaremos? 

Resgate e redenção 
Há um resgate em curso na sociedade brasileira. Diferente, do que pensavam os racistas, isto não se dará para os negros através do casamento interracial. É a redenção de um povo sofrido e amargurado por várias décadas, que despejou muito desta dor no entorpecimento das drogas e através de outros subterfúgios. Estamos na construção de uma sociedade melhor e mais justa socialmente e a ascensão da população negra junto com a melhoria das condições de vida da população nordestina são as chaves deste processo.



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