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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Entidades preparam Ato contra o racismo

Fonte: Afropress
S. Paulo - Entidades dos Movimentos Estudantil, Negro e Popular, reunidas no autodenominado Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, promovem no próximo dia 11/02, a partir das 14h, a Marcha Contra o RACISMO, a Higienização Sócio Racial e a Criminalização da Pobreza 09/02, com concentração a partir das 14h na Praça do Metro Santa Cecília. 


Com bandeiras de luta que vão da denúncia do "genocídio contra a juventude negra" à palavras de ordem contra as desapropriações no Pinheirinho e em outros locais”, os organizadores, entre os quais a UNEAFRO, a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), o Movimento Negro Unificado (MNU), a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), a UNEAFRO, a Juventude Socialista e o Círculo Palmarino, denunciam o "Estado racista e opressor" e exigem um basta .



“Os ataques recentes são provas de que racismo permanece ativo e operante. Por isso, exigimos que o Estado brasileiro (em todos os seus níveis, municipal, estadual e federal) e todos os que sejam coniventes e cúmplices destas práticas sejam responsabilizados e punidos!”, afirmam em Manifesto-convocação que começou a ser distribuído esta semana.



A organização do Ato reúne um conjunto de cerca de 26 entidades e articulações políticas ligadas a Partidos políticos como o PSTU, o PSOL, o PT, e o PC do B, além de grupos independentes, como a própria UNEAFRO, a Consulta Popular, o Coletivo AnarcoPunk e o Centro Acadêmico de Ciências Sociais Florestan Fernandes (Uninove), além da Amparar – Associação de Amigos e Familiares de Presos/as.



Dois dias antes, no dia 09/02, quinta-feira, haverá "aula-pública" e apresentação de grupos culturais, respectivamente as 12h e às 18h, nas escadarias do Teatro Municipal, na Praça Ramos, próximo ao Metrô Anhangabaú.



Veja e leia o Manifesto-convocação para o ato



O Estado, racista, oprime a todos nós! Basta de racismo, “higienização” sócio-racial e criminalização da pobreza



Passados 124 anos da abolição da escravidão, a população negra continua sendo o alvo preferencial da violência do Estado e das elites brasileiras. Seja através das ações diretas do Estado, como a Polícia Militar, ou no cotidiano das relações sociais, o racismo segue como importante dinamizador da opressão e da barbárie no Brasil.



No curto período de 45 dias, em plena “virada de ano”, assistimos situações que não deixam dúvidas de que o racismo permeia e motiva ações de violência e desrespeitos à dignidade e aos direitos humanos da população.



Racismo em todos os cantos



No início de dezembro, todos souberam do caso de Ester Elisa da Silva Cesário, negra, de 19 anos, que trabalhava como estagiária no colégio Internacional Anhembi Morumbi até que sua chefe exigiu que ela alisasse o cabelo para permanecer no emprego. Pouco depois, um menino etíope, de seis anos, foi jogado para fora do restaurante Nonno Paolo ao ser “confundido” com uma criança de rua.



Já no início do ano, soubemos da lamentável história do jovem negro Michel Silveira, que foi preso de forma irregular, ficando dois meses encarcerado, acusado injustamente por um assalto, apesar de várias testemunhas comprovarem que, na hora do roubo, ele estava no seu local de trabalho.



No mesmo período, as imagens de outro jovem negro, Nicolas Barretos, sendo agredido por um policial militar racista, dentro da USP, ganharam as redes sociais expondo algo que há se sabe: a USP quer se manter como um espaço da elite (ou seja, branco). E para tal, inclusive, esta ameaçando de fechamento a principal entidade de combate ao racismo no seu interior: o Núcleo de Consciência Negra.



Cracolândia, Moinho, Pinheirinho: o racismo também esteve lá!



Enquanto isso, no centro da cidade, a Favela do Moinho “pegou fogo” e as 500 famílias foram jogadas a sua própria sorte. E bem perto dali, na “Cracolândia”, a prefeitura e o governo do Estado, ao invés de tratarem a dependência química como um problema social e de saúde, investiram na repressão e em sucessivos ataques, causando apenas, como eles próprios denominaram a operação, “dor e sofrimento”.



A mesma dor e sofrimento que foram enfrentados no Pinheirinho, em São José dos Campos, onde, depois de 8 anos de luta, seis mil pessoas viram seus sonhos e casas destruídos, pelo governador Alckmin e o prefeito da cidade apenas para beneficiar um corrupto confesso, Naji Nahas.



E não há dúvidas que o racismo também marcou estas histórias, como sempre, lado a lado com a exploração econômica e a marginalização social. Afinal, não há nenhuma dúvida sobre a “cor” da maioria dos homens e mulheres que viviam nestas comunidades: negros e negras.



Estado racista e opressor!



Lamentavelmente, o Brasil é um país onde cabelo liso é padrão estético e corporativo; pobreza é crime e problemas que deveriam ser tratados por médicos viram caso “de polícia”. Este é um país onde ser negro e pobre é passível de “punição”, prisão e morte. No entanto, nada acontece com o colégio que discriminou nem com o restaurante que humilhou nem com o delegado que prendeu sem provas ou com o PM que atacou o estudante. Muito menos com quem ateou fogo ao Moinho, decidiu “dedetizar a luz”, tratando gente como ratos, ou esteve à frente da tropa que invadiu o Pinheirinho. 



Nada acontece, porque a impunidade, a “justiça” e as autoridades do Estado estão do lado destes “senhores”, para garantir seus privilégios. O racismo brasileiro é isso: assassinato direto e indireto, maus tratos, falta de políticas públicas, desleixo, naturalização da desgraça, criminalização da pobreza.



Em todos os casos, em uma ponta, oprimindo e explorando, estão o Estado, os governos, a polícia, o judiciário, os interesses dos ricos e a manutenção de normas e padrões contrários ao povo. Na outra ponta, estão os pobres, a classe trabalhadora, as estagiárias, os agentes de saúde, os estudantes, os dependentes químicos, os sem teto, as mulheres vitimadas pelo machismo ou gays, lésbicas, bissexuais e travestis (LGBT) que sofrem com a homofobia.



Uma multidão de explorados e oprimidos que, num país como nosso, é inegavelmente, de maioria negra.



Basta!



Apesar de muitos acreditarem na farsa de que vivemos numa democracia racial, há 512 anos o racismo tem papel determinante na estrutura de dominação e na prática da opressão no Brasil. É hora de reconhecer isto e ir à luta.



É hora de nos organizarmos, juntarmos forças com os demais setores oprimidos e explorados, denunciarmos toda e qualquer atitude discriminatória e, sobretudo combatermos o racismo.



Em décadas de luta, fomos capazes de aprovar leis, criar organismos institucionais e produzir pesquisas e estudos que deslegitimam o racismo e punem sua prática. Mas, isto, contudo, ainda não foi suficiente para que negras e negros conquistem os direitos e a liberdade que merecem.



Os ataques recentes são provas de que racismo permanece ativo e operante. Por isso, exigimos que o Estado brasileiro (em todos os seus níveis, municipal, estadual e federal) e todos os que sejam coniventes e cúmplices destas práticas sejam responsabilizados e punidos!



"O Racismo está aqui! Basta!!!



Nossas bandeiras:
Contra o genocídio da juventude negra.
Contra a homofobia.
Contra o machismo.
Contra o encarceramento em massa.
Contra a violência policial.
Contra as desapropriações no pinheirinho e em outros locais.



Proteste!



Dia 9 de fevereiro, quinta-feira, nas escadarias do Teatro Municipal (Praça Ramos - metrô Anhangabaú). A partir das 12h, “aula-pública” e apresentação de grupos culturais. Às 18h, ato público.



Dia 11 de fevereiro, sábado, concentração, às 14h, na praça da estação de metrô Santa Cecília para a Marcha “O racismos está aqui! Basta!”.



Organização: Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra



Assinam:



Amparar (Assoc. de Amigos e Familiares de Presos/as)
Anastácia Livre
Centro Acadêmico de Ciências Sociais Florestan Fernandes (Uninove)
Centro de Resistência Negra
Círculo Palmarino
Coletivo AnarcoPunk SP
Coletivo Anti-Homofobia
CONEN
Consulta Popular
Empregafro
Força Ativa
Fórum Popular de Saúde
Fórum Permanente pelo fim da Fundação Casa
Juventude Socialista 
Levante Popular da Juventude



Mães de Maio
Movimento Negro Unificado (MNU), 
Movimento Quilombo Raça e Classe, 
MST



Núcleo de Consciência Negra na USP
Sarau da Brasa
Setorial LGBT da CSP-Conlutas
Sujeito Coletivo – USP
Tribunal Popular
UNEAFRO
UNEGRO
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