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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Gigantes da internet fazem coalizão para não rastrear usuários



Uma coalizão de gigantes da internet, incluindo o Google, se comprometeu a adotar um botão “não rastrear” (do-not-track, em inglês) a ser incorporado à maioria dos navegadores da web, iniciativa a que o setor vinha resistindo por mais de um ano. A mudança está sendo anunciada na esteira do apelo da Casa Branca para que o Congresso americano aprove uma “lei dos direitos à privacidade”, que dará às pessoas mais controle sobre seus dados pessoais coletados na internet.
As empresas de internet já foram flagradas em uma série de deslizes de privacidade com muita repercussão. O Facebook há pouco tempo aceitou um acordo para arquivar acusações feitas pelo governo dos Estados Unidos de que algumas das suas práticas de privacidade tinham sido injustas e enganosas para os usuários. E, na semana passada, o Google reconheceu que vinha contornando as configurações de privacidade das pessoas que usam o navegador da Apple em seus iPhones, iPads e computadores. A empresa cessou essa prática depois de ter sido contatada pelo Wall Street Journal.
O novo botão “não rastrear” não deterá todo o rastreamento que ocorre na rede. As empresas concordaram em parar de usar os dados sobre os hábitos de navegação dos usuários para personalizar anúncios, e também concordaram em não utilizar os dados para fins de emprego, crédito, saúde ou seguro. Mas os dados ainda podem ser usados para certos propósitos, tais como “pesquisa de mercado” e “desenvolvimento de produto”, e ainda podem ser obtidos pela polícia.
Bloquear anúncios personalizados
O botão “não rastrear” também não iria impedir empresas como o Facebook de rastrear seus membros através dos botões “curtir” e outras funções. “É um bom começo”, disse Christopher Calabrese, conselheiro legislativo da União Americana pelas Liberdades Civis. “Mas queremos que a pessoa seja capaz de não ser rastreada de jeito nenhum, se ela assim desejar.” O botão “não rastrear” vem sendo muito discutido desde que a Comissão Federal de Comércio pediu que fosse adotado, há cerca de dois anos. O navegador Firefox, da Mozilla, foi o primeiro a adicionar essa opção, no início do ano passado. O Internet Explorer, da Microsoft, acrescentou o botão logo depois, e a Apple o incluiu na versão mais recente do seu sistema operacional Mountain Lion, divulgada para desenvolvedores este ano.
Mas mesmo aqueles que clicavam no botão continuavam sendo monitorados, pois anunciantes e empresas de rastreamento ainda não tinham concordado em respeitar o sistema. O anúncio de ontem (23/02) significa que essas companhias vão agir para começar a adotar o sistema dentro de nove meses, segundo a Aliança da Publicidade Digital, uma coalizão que representa mais de 400 empresas.
Falando em nome do setor, Stuart Ingis, conselheiro-geral da Aliança da Publicidade Digital, disse que a decisão de adotar o botão “não rastrear” é uma “evolução” da filosofia do setor. Antes, a indústria da publicidade vinha pressionando para que o usuário pudesse apenas clicar em ícones de determinados anúncios que ofereciam a opção de bloquear os anúncios personalizados (opt out). Ingis disse que o setor continuará usando essa abordagem durante o processo de adoção do sistema de não rastreamento. Espera-se que o Google incorpore o botão não rastrear no seu navegador Chrome até o fim do ano.
Padrão internacional
O secretário de Comércio dos EUA, John Bryson, disse que o governo não vai esperar por uma legislação antes de tomar medidas sobre a privacidade. Ele disse que sua agência vai começar a convocação de grupos do setor, pedindo que voluntariamente concordem com o projeto de lei de diretrizes de direitos de privacidade. “Essa abordagem nos dá mais velocidade e flexibilidade do que o tradicional processo de regulamentação”, disse ele.
Alguns críticos disseram que a iniciativa do setor pode trazer prejuízos a um projeto com duração de um ano que vem sendo conduzido separadamente pelo consórcio World Wide Web. Esse grupo tem como objetivo estabelecer um padrão internacional de não rastreamento. Entretanto, Ingis afirmou que espera que o consórcio seja capaz de conciliar seus esforços com a abordagem do setor.
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[Julia Angwin, do Wall Street Journal]
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