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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Manifestantes ocupam por uma hora Shopping de S. Paulo

Fonte: Afropress 

S. Paulo - Manifestantes da "Marcha contra o Racismo, a Higienização Sócio-Racial e a Criminalização da Pobreza", ocuparam por mais de uma hora as dependências do Shopping Higienópolis, região central, em protesto pelas recentes manifestações de racismo nos Shoppings e grandes redes de supermercados de S. Paulo.

Seguranças do Shopping tentaram impedir a entrada dos manifestantes e houve princípio de tumulto. Na correria algumas pessoas chegaram a cair, o que não impediu que o grupo conseguisse entrar no Shopping e tomasse os corredores com bandeiras, batucadas e palavras de ordem contra o racismo. Policiais militares acompanharam a manifestação sem intervir. 

Palavras de ordem

Os manifestantes decidiram ocupar o Shopping - que é frequentado por pessoas da classe média e alta paulistanas - após a concentração na estação Santa Cecília do Metrô, que começou a partir das 14h.

Segundo os organizadores da ocupação reunidos em um Comitê composto por cerca de 27 entidades dos movimentos negro, estudantil e popular, o objetivo foi chamar a atenção “para o racismo o "racismo presente no cotidiano da população negra, inclusive nas ações policiais que ocorreram recentemente no Estado".

Cerca de 100 pessoas participaram da ação, que foi acompanhada sem interferência pela PM e pelos seguranças do Shopping. 

Denúncia de tortura

Esta semana a Justiça de S. Paulo aceitou a denúncia por crime de tortura contra os seis seguranças que espancaram o vigilante Januário Alves de Santana, nas dependências do Hipermercado Carrefour, em Osasco. O caso aconteceu em agosto de 1.979, e anteriormente, a Polícia já havia indiciado os acusados por tortura motivada por discriminação racial. O julgamento deve começar no mês que vem.

O protesto reuniu um leque de entidades, ligadas ou não a partidos, entre as quais a Uneafro (União de Núcleos de Educação Popular para Negros), Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), MNU (Movimento Negro Unificado), Unegro (União de Negros pela Igualdade), entre outras.

Maioria

Wilson Honório da Silva, coordenador do Movimento Novo Quilombo, Raça e Classe – ligado ao PSTU – disse que o protesto faz parte de uma mobilização contínua para combater a discriminação no país. “Nós estamos aqui para dizer que o racismo está em todos os lugares, mas nós também estamos em todos os lugares. Nós somos a maioria da população”, disse.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Consciência Negra da USP, Haydee Fiorino, a discriminação racial atinge pesadamente as mulheres. “As mulheres negras se encontram sempre em trabalhos subalternos, sem nenhum direito trabalhista. Ou então são vistas como a mulher do carnaval, a mulata libidinosa, que só ganha visibilidade no carnaval e depois volta para o seu lugar, limpando o chão”, acrescentou.

Veja no vídeo o momento da ocupação



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