Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Operação da PF faz arrastão de 700 pessoas, maioria negras

Fonte: Afropress

S. Paulo - Uma operação policial na Galeria Presidente da Rua 24 de Maio, em pleno centro de S. Paulo, que resultou na detenção sem mandado judicial de mais de 700 pessoas - a maioria das quais comerciantes negros, boa parte dos quais africanos em situação legal no país -, deverá ser alvo de apuração por parte do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

A operação conduzida pelas Polícias Federal, Militar, Força Tática, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana, aconteceu no final da tarde do dia 26 do mês passado e foi dirigida contra negros que trabalham no comércio, incluindo africanos em situação legal que foram levados em ônibus para a sede da Polícia Federal no Alto da Lapa, sem qualquer explicação.

Segundo Lúcia Umedezue, assessora parlamentar do vereador paulistano Carlos Neder (PT) e ativista de Direitos Humanos para Imigrantes e Refugiados, policiais fortemente armados portando gás de pimenta e cães farejadores, fecharam as portas da Galeria e começaram a dar batida em todo o comércio. 

“Para ser detido, bastava ser negro e estrangeiro. Tenho notícia de que, além de nigerianos, foram presos camaroneses, angolanos, senegaleses haitianos”, conta a ativista. 

Abusos e arbitrariedades

Ela contou que os policiais diziam estar à procura de drogas. Segundo acrescenta, além das dependências da Galeria Presidente, os policiais percorreram outros locais de reunião da comunidade africana em S. Paulo como igrejas e casas de comércio. 

Levados em ônibus que ficaram estacionados nas ruas próximas, os detidos ficaram espalhados pelo auditório e salas permanecendo durante horas sentados no chão pela falta de espaço na sede da PF. Alguns só foram liberados na manhã do dia seguinte.

“Ficamos sabendo que muitas lojas foram saqueadas e que sumiu dinheiro entre cartões de créditos. Homens, mulheres, jovens, idosos e mulheres grávidas. Todos foram humilhados e mesmo portando documentos e estando “limpos” foram arrastados sob forte pressão psicológica para entrarem em um ônibus/viatura até a sede da Polícia Federal", afirmou.

Sem mandado

Na reunião do Condepe, Guilherme Botelho Júnior, da Pastoral Afro, entidade ligada à Igreja Católica, disse que a violência da ação deixou várias pessoas em choque. “Não houve qualquer mandado judicial”, contou.

O presidente do Condepe, jornalista Ivan Seixas (foto), pediu que a denúncia seja apresentada por escrito com os depoimentos das vítimas para que o Conselho possa adotar as providências, a começar por saber quem conduziu a operação e com que pretexto foram cometidas as arbitrariedades.

Também Luciana Zaffalon, Ouvidora-geral da Defensoria Pública de S. Paulo, se dispôs a ouvir as vítimas da ação para definir que providências poderão ser adotadas.

Além da arbitrariedade da ação, chamou a atenção dos conselheiros o fato da ação ter se desenvolvido sem qualquer notícia ou repercussão na mídia. 

Segundo Lúcia Umedezue na próxima semana será marcada uma reunião com todas as vítimas da operação. Ela disse que convidará a Defensoria Pública para acompanhar a reunião, além de Conselheiros do Condepe, que é um órgão de Estado ligado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania.
Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Brazil License.