Rio -  Quatro policiais militares do Batalhão de Choque são acusados de agredir sexualmente uma mulher, de 33 anos, após ela ser presa por furto na Rocinha na madrugada de quinta-feira. Segundo ela, que furtou uma bolsa e foi detida pelos PMs, os militares circularam pela favela, ameaçando-a, e acabaram castigando-a por causa do furto.
Em um local escuro, ainda na favela, teriam cometido o crime antes de levá-la para a 14ª DP (Leblon), onde ela registrou queixa. Ela está presa na Polinter. O PMs estão afastados do patrulhamento nas ruas e a prisão deles foi pedida nesta sexta-feira pela Polícia Civil.
Assassinato de presidente de associação foi um dos crimes este ano | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Assassinato de presidente de associação foi um dos crimes este ano | Foto: Uanderson Fernandes /Agência O Dia
A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal, que constatou violência sexual. Muito assustada, ela se recusou a fazer reconhecimento dos policiais pessoalmente. O delegado titular da 14ª DP, Gilberto Ribeiro, solicitou então as fotografias dos quatro militares acusados, o que, segundo a Corregedoria Geral Unificada, que acompanha o caso, foram entregues. A mulher reconheceu os supostos agressores pelas fotos.
Os quatro PMs se apresentaram ainda na quinta-feira à delegacia e negaram as acusações. Por volta das 22h desta sexta, eles foram levados à sede da Corregedoria da PM, que abriu procedimento, para serem ouvidos, segundo o corregedor da corporação, coronel Waldyr Soares.
A Rocinha é uma ‘pedra no sapato’ da política de pacificação do governador Sérgio Cabral. Onze pessoas foram assassinadas na comunidade desde a ocupação da PM em novembro. Um dos assassinatos foi o de Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, presidente de associação de moradores local, dia 26 de março. 
Outro PM suspeito de estupro
Um policial civil foi detido, na manhã da última terça-feira, por agentes da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Ele estava com uma espingarda calibre 12 registrada em nome do PM Frank Cimar Barbosa de Oliveira Souza, suspeito de estuprar uma jovem de 21 anos em Campo Grande, na Zona Oeste.
O cabo Frank Cimar, 39 anos, é lotado no quartel da Ilha do Governador | Foto: Reprodução
O cabo Frank Cimar, 39 anos, é lotado no quartel da Ilha do Governador | Foto: Reprodução
De acordo com a polícia, os agentes investigavam um estacionamento que pertenceria a Frank Cimar, em Campo Grande. Neste momento, o policial civil chegou ao local e se juntou a um sobrinho do cabo Frank Cimar. Ele teve o carro revistado e os PMs encontraram a espingarda. De acordo com a Polícia Civil, o caso está sendo investigado.


Alerta para evitar fuga



A polícia emitiu alerta para rodoviárias e aeroportos do estado, para evitar que o cabo da PM Frank Cimar deixe o Rio. O cabo teve a prisão decretada depois de fugir da 35ª DP (Campo Grande), para onde foi levado pelos PMs que o prenderam. Em razão da fuga e por conta da intensa demora no atendimento ao cidadão, o delegado Alberto Leite, ex-titular da unidade acabou exonerado.



Nesta terça-feira, o delegado Marcos Drucker foi nomeado novo titular da 35ª DP e, de acordo com a Polícia Civil, definiu a prisão do estuprador como prioridade. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, determinou que toda a família da jovem receba apoio psicológico. “Precisamos de segurança. estamos sendo ameaçados. Queremos proteção do estado”, afirmou o irmão da vítima, que, por medo, preferiu não se identificar.