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terça-feira, 1 de maio de 2012

Como é difícil saber quem é negro no Brasil


Não sabe identificar quem é negro? Chame um policial, um professor ou um médico. Todos, agentes do Estado, com certeza, eles saberão! 
Aliás temos alguns ditados muito usados décadas atrás e hoje banidos pela ação política-pedagógica do movimento negro, mas que servem para facilitar qualquer identificação:
 - negro comendo com branco,  a comida é do negro.
 - negro, em festa de branco, é o primeiro que aparece e o derradeiro que come.
 - negro que furta é ladrão; branco que furta é barão.
 - negro suando, branco dançando.
 - branca que casa com negro é preta por dentro.
 - do branco o salão, do negro o porão.
 - negro furta e branco acha.
 - o trabalho é do negro, a fama é do branco.
 - negro só trabalha para o branco carregar.
 - negro nasceu para ser espoleta de branco.
 - trabalha o negro para o branco comedor.
 - em briga de branco, negro não se mete.
 - o branco na sela e o negro na garupa, o cavalo é do negro.
 - negro só acha o que ninguém perdeu.
 - negro só parece gente, quando fala escondido.
 - negro só entra no céu por descuido.
 - negro só dança mordido de marimbondo.
 - negro só é valente atrás do pau.
 - negro só sobe na vida, quando o barraco explode.
 - negro só trabalha para o branco carregar.
 - mais se ensaboa o negro, mais preto ele fica.
 - negro deitado é um porco e de pé é um toco.
 - negro de branco é mosquito no leite.
 - negro não se casa - se ajunta.
 - negro não entra na Igreja - espia da porta.
 - negro não morre - se acaba.
 - negro não namora - embirra.
 - negro não nasce - vem a furo.
 - negro não é inteligente - é espevitado.
 - negro não come - engole.
 - negro não suja - tisna.
 - negro sabido, negro atrevido.
 - negro espiou, mangou.
 - negro chorando, negro mangando.
 - negro quando não suja na entrada, suja na saída.
 - negro tem três sentidos - dois errados e um partido.
 - negro não come gostoso, porque não espera cozinhar.
 - negro, quando não furta, é porque esqueceu.
 - negro que dança, não enche a pança.
 - negro que não gosta de mel é ladrão de cortiço.
 -em saco de estopa e negro barbado ninguém se fie.
 - bacalhau é comer de negro e negro é comer de onça (bacalhau = relho).
 - cavalo branco, negro e baiano, nasce um bom por engano.
E há mais ditados ainda. Se a existência de todos estes ditados não é a expressão do quanto o racismo brasileiro marcou a existência da população negra deste país. O que mais será? Sim, é fácil identificarmos quem é negro. Basta procurarmos no senso comum, em suas manifestações cotidianas, o dia a dia, as discussões de bar, as relações nas empresas onde brancos e negros estão presentes, nas escolas, nas praças, etc. Saiamos do ambiente educado, protegido pela hipocrisia reinante e lá está o racismo. Repetido de forma contumaz, tão naturalizado, que nem sentimos quando o expremimos. Está na professorinha quando afaga o cabelo de uma menina branca e se contorce ao ter que repetir o mesmo ato em relação à menina negra. Está no médico que se nega a atender pessoas "pobres no hospital público, acostumado com o cliente da clínica particular. Está no policial que ao entrar no ônibus para averiguar a presença de suspeitos, revista os passageiros negros e "esquece" os brancos. Se ninguém ainda percebeu qualquer uma destas situações, elas ocorrem o tempo todo, são cotidianas. O drama do racismo brasileiro se refaz diariamente, faz parte de nossa cultura. Está entranhado em nosso DNA, por conta disso, não o percebemos. Então quando é denunciado, vem a velha desculpa:
-Foi mal, eu não queria. Minha avó também era negra. Como poderia?
Por isso, precisamos das cotas raciais não apenas nas universidades públicas, mas em mais espaços. Através de empresas, do Estado, em qualquer lugar. Assim começaremos a mudar nosso cotidiano, inverteremos valores seculares. Negros no poder, mesmo em uma sociedade socialista isto será necessário. Caso contrário manteremos a mesma estrutura do poder, tão bem expressa em ditados como:
-Branco na sala, negro na cozinha.
-Branco quando corre é atleta, negro quando corre é ladrão.
É esta sociedade que queremos para o futuro?


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