Rio -  A 30 km do Riocentro, onde autoridades internacionais debatem problemas e soluções sócio-ambientais, centenas de pessoas vivem em situação de extrema pobreza no Complexo de Manguinhos. Ali, o crack é vício e fuga da realidade. Vera, de 60 anos, mora em meio à cracolândia, compra pedras para usuários de fora da favela e recebe pagamento em droga.
ra fuma crack em casa cercada por lixo e esgoto a céu aberto | Foto: Antonio Lacerda / EFE
Vera fuma crack em casa cercada por lixo e esgoto a céu aberto | Foto: Antonio Lacerda / EFE
“Queria sair, mas não sei como. Não tenho ninguém para me ajudar. É o sentido que encontro”, desabafou, enquanto acendia um cachimbo. Ali, crianças moram em casebres no meio do lixo e tomam banho em rio com esgoto despejado in natura: é a ‘Copacalama’, dizem.
No local, há 3,5 milhões de coliformes fecais para cada 100 ml de água, segundo o Inea. Mil é o índice tolerado. “Queremos dar visibilidade à degradação social, porque é real”, disse Antônio Carlos Costa, coordenador da ONG Rio de Paz, que foi nesta segunda-feira no local.
"A exclusão das mulheres fere a todos"
Combater a pobreza entre as mulheres deve ser um dos compromissos firmados na Rio+20 para o desenvolvimento sustentável. A cobrança foi feita pela diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile, no Riocentro.
Segundo Bachelet, uma mulher morre a cada dois minutos vítima de complicações na gestação e no parto. Segundo ela, os líderes mundiais precisam adotar medidas práticas que permitam o acesso das mulheres a posições de liderança em políticas nas áreas social, econômica e ambiental.
“Para que as mulheres sejam de fato incluídas na economia são necessárias medidas para acabar com a violência e a discriminação, além da remoção de barreiras para que elas tenham acesso à terra e ao crédito”, enumerou a chilena.
Bachelet lembrou que, mesmo após 20 anos da Declaração do Rio, elas ainda enfrentam desigualdades de direitos e oportunidades. “Isso não é sustentável. A exclusão social das mulheres não apenas as fere, mas fere a todos nós.”
Protestos
 O Rio foi palco, nesta segunda-feira, de protestos pelo direito ao aborto, contra o desmatamento, pela preservação de tribos indígenas e uma série de outras causas.
De manhã, 5 mil mulheres de vários países, dezenas de peito de fora, deram início à série de grandes manifestações da Rio+20. Em outro protesto, índios de várias partes invadiram a sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para pedir a preservação de suas matas e culturas.
Mulheres seminuas participaram da manifestação | Foto: Felipe O'Neill / Agência O Dia
Mulheres seminuas participaram da manifestação | Foto: Felipe O'Neill / Agência O Dia
A Marcha das Mulheres contou com dezenas de grupos sociais, como MST, a CUT e Via Campesina, além de manifestantes de outros países. Pedia mais igualdade de gênero e o fim da mercantilização dos recursos naturais.
“Tiramos a blusa por causa do calor. Acho engraçado gerar todo esse alvoroço, enquanto homens andam sem camisa à vontade”, provocou a percussionista Ellen Souza, 27 anos, da banda Tambores de Safo, do Ceará, formada por lésbicas e bissexuais.
Quando as mulheres encerravam o ato na Carioca, mais de mil índios marchavam do Aterro rumo ao BNDES, na Av. Chile. Doze deles se reuniram com a diretoria do banco.
“Invadir foi a forma de sermos ouvidos sobre empreendimentos financiados pelo banco. Nos preocupamos com a sobrevivência de nosso povo”, disse o cacique Krutã Kaingang. Em nota, o banco afirmou que nova reunião, em julho, deve resultar em agenda de trabalho conjunta.No fim da tarde, movimento contra o Código Florestal voltou a fechar pistas no Centro.
Giro pela conferência
Deve ficar pronto nesta terça-feira o documento final das propostas negociadas na Rio +20 que será entregue aos chefes de estado. O impasse gira em torno de quem financiará ações para desenvolvimento sustentável.

Meta de reciclagem

Elevar de 1% para 25% o lixo reciclável no Rio é um dos projetos da prefeitura após o fechamento do lixão de Gramacho, em Duque de Caxias. Para isso, catadores serão transformados em separadores de lixo, projeto de R$ 50 milhões financiado pelo BNDES.
Emissão de poluentes
Estudo da Coppe apontou que a siderúrgica CSA, em Santa Cruz, será responsável por 75% da emissão de gases poluentes no Rio quando estiver operando com 100% de sua capacidade. A usina nega e afirma que a empresa é a que menos emite CO2 (dióxido de carbono) no mundo graças uma moderna tecnologia.

Queda no desmatamento

Os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, divulgados ontem pelo IBGE, apontam redução de 77% no desmatamento da Amazônia. As queimadas e incêndios florestais diminuíram pela metade em 2010, quando foram detectados pelos satélites 133,1 mil focos, para 61.687 focos em 2011.
Mata Atlântica: só 12%
Apesar dos avanços mostrados pelo IBGE, indicadores mostram que só 12% da área original da Mata Atlântica estão preservados. De 1,8 milhão de km², restam só 149,7 mil km². Nas áreas urbanas, 20% das populações moram em